ISTMO DE MOTIVAÇÃO
Neste ano mal
começado
Tão “rés-vés” à
nossa vida,
Pode ser
melhorado
Plo afeto,
poesia e lida.
Disso, temos
certeza
Que o que ainda
faltar
Se fará no verbo
amar
Qu’é essência da
beleza!
Joaquim Maria
Castanho
Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
ISTMO DE MOTIVAÇÃO
Neste ano mal
começado
Tão “rés-vés” à
nossa vida,
Pode ser
melhorado
Plo afeto,
poesia e lida.
Disso, temos
certeza
Que o que ainda
faltar
Se fará no verbo
amar
Qu’é essência da
beleza!
Joaquim Maria
Castanho
O SEGREDO DO SÉTIMO DIA
Só porque hoje a alegria é tanta
Que meus olhos voam, o ser rejubila
A alma estremece, e a poesia canta,
Eu posso dizer que vi o amor a correr
Tal como uma flor livre, qual sibila
Lesta e gentil, plena de graça e prazer.
Só “porque hoje é sábado”, com certeza,
O sonho libertou-se nas veias do jardim,
Se sob o arrulhar das rolas verseja
O segredo da beleza… que me inspira a mim!
Joaquim Maria Castanho
TESTAMENTO
À beira do tempo, ensaio, recuperação
De quem fui, de quem sou, a pulsar pla vida,
O avançar sobre o ímpio breu do alcatrão.
E do outro lado, na margem oposta
Há o silêncio de quem gosta mas desgosta
Por preferir girar sempre em contra-mão.
Tudo é plano, exceto tu cidade qu’rida
Além pináculo das mouras encantadas…
Mas se houver alguém que por mim decida
Que nunca esqueça suas gentes tão amadas!
Joaquim Maria Castanho
Meus amigos e minhas amigas:
Apraz-me informar-vos que os meus livros de ficção e poesia DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, o Valentão das Dúzias, NA MINHA CASA MORA UM GATO, REDESENHAR A VOZ e A BOLSA DAS MARMITAS, também se encontram à venda na COSTUREIRA DULCE, no Centro Comercial da Fontedeira, em Portalegre.
Portanto, já podem festejar este Natal com literatura regional (e local), oferecendo aos vossos afetos (e desafetos), amizades e inimizades, algo que as “arrebate” e prenda ao conforto da casa, ao calor do lar e da lareira, ao silêncio aconchegante das noites frias e chuvosas: livros. E, de preferência, livros que espelhem a identidade da nossa terra, da nossa gente.
FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO
Joaquim Maria Castanho
HORAÇÃO
Creio na tarde e na imensidão do mundo.
No sonho que não arde nem se contradiz.
No escoar do tempo lento e profundo.
No cuidado que merece petiza e petiz.
E creio no mistério aberto e vagabundo
Que há no olhar que ledo espera à solta
Pelo passado que é ontem mas não volta
À própria visão que o aprisiona e escolta
Como se fora a invenção de cada hora
No vivo instante que jamais se demora
Nos sessenta décimos de um segundo.
Creio – não faço nada por menos que isto... –
Tal-qual com’outros creem em Buda ou Cristo!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 12 de outubro de 2022
SERRA DE SÃO MAMEDE
ALTO ALENTEJO | GUIA GEOLÓGICO
Ana Paula D’Ascenção
c/ fotos de Carlos Marques Serra
e capa de Raquel Ferreira
(145 Páginas)
Edições Colibri
Teve lançamento público, ontem, 23 de setembro de 2022, pelas 18 horas, na sala de entrada do Palace Hotel, de Portalegre, o livro SERRA DE SÃO MAMEDE – ALTO ALENTEJO | GUIA GEOLÓGICO, com chancela das Edições Colibri, da autora Ana Paula D’Ascenção, natural de Portalegre, licenciada em Geologia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e atualmente professora de Biologia e Geologia na Escola Secundária de São Lourenço, em Portalegre, mas acumulando funções docentes (na área da Biologia) no Instituto Politécnico de Portalegre, ante uma plateia bem recheada, maioritariamente qualificada e numerosa.
A apresentação esteve a cargo da autora, de Fernando Mão de Ferro (editor) e do Prof. Dr. Jorge Oliveira (arqueólogo), docente da Universidade de Évora, que discorreu acerca da interceção positiva existente entre o valor das “pedras” e as “pedras de valor” do Parque Natural e Serra de São Mamede (ou São Maomé), como este valor desenhou o território e se redesenhou nas gentes que o serviram (ou interpretaram) e dele se terão servido também, ressalvando igualmente a importância desta obra enquanto ponte interdisciplinar – Geologia, Agricultura, Economia, Antropologia, História, por exemplo – entre a clausura científica/académica e a cultura geral, o conhecimento especializado (fechado) e o quotidiano e narrativas das pessoas, quer elas sejam autóctones/indígenas ou sejam forasteiras/turistas.
Joaquim Maria Castanho
SÓ SOMOS QUEM SOMOS
Deslumbra a fidelidade intrínseca…
Não há metáforas para o teu olhar.
E quando a sombra se torna promíscua
Nenhuma lágrima o poderá lavar.
Hidrato basilar será a sua máscara
O pigmento da memória por colorido;
Mas no fim de tudo o corpo é chácara
Onde o fado destila poema (sofrido).
Que o ser se à alma se entrega de boa-fé
Nem resiste, enfim, à sua unificação,
É porque quer ser somente aquilo que é.
Abdica da mentira e representação,
Do logro, da iluminura e do rodapé,
Pra casar co’a verdade da sua condição.
Joaquim Maria Castanho
Portalegre,
20 de setembro de 2022
NOTAR A AUSÊNCIA É DESEJAR (VER)
Somente saudade resta depois de ti
Ao partir semeaste vazio no meu olhar,
E não fora o instante rasgar que senti
Só a memória habitaria este lugar.
O TEU SORRISO inventou-me por dentro
Como qualquer madrugada por fazer,
E agora se plas manhãs adentro entro
É tão-só na esperança d’O voltar a ver.
O TEU SORRISO é luar prestes a crescer
Entre aspas, até eclodir bem no centro
Onde a palavra entretece o puro tecer,
O que nem mil vocábulos têm pra contar,
Quanto unicamente em teus olhos li…
– Que a ausência é prenúncio de desejar!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 18 de setembro de 2022
A GRANDE INCÓGNITA
Chamo-me Futuro, e não sou pra graças.
Nada sei do amanhã à exceção daquilo
Que é tão irrevogável como os braços de Milo
Na frugalidade do Agora e suas trapaças.
Podem não me ver sem lentes especiais
Esquecer-me entre as bagagens usuais
De quem pernoita nos desvãos e nas praças.
Nos arquivos, concertos e festivais
Ou nas partilhas por heranças e traças
Com que a inveja congemina planos, ameaças
Para se vingar dos que pensa serem mais.
Mais isto e aquilo, aqueloutro e coisa e tal
– Sabe-se lá! – Ou sinal intermitente
Tipo digital VIVO / MORTO, Virtual
Versus Real, em que existe tanta gente.
Chamo-me Futuro, e estou de partida
Para onde o passado não me encontre,
Perdendo de mim o rasto, sentido e norte,
Ainda que mui deseje repetir a vida!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira
Portalegre, 11 de setembro de 2022
TÍTULO PÓSTUMO
Era uma vez um poema sem título
Que fazia parte de um romance, vivo
Real, ativo, nada abstrato e cativo
Do enredo, sendo dele outro capítulo
Jovem, mas sensato e ilimitado,
Como a sustentabilidade infinita
A sua pele cor de mel enfeitiçado
Seu olhar de luar de outono-escuro
Que chamo num silêncio qu’apenas grita
Sentido amor que vai para lá dos sentidos.
Se me aproximo, seu sorriso é puro.
Se o nomeio, conta cantando Mil… Dois… Cem… Três…
E salta da História o tempo, o muro
Dos nomes, para ser Rainha… – Sim…: outra vez!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 09 de setembro de 2022
SOBRE A IMORTALIDADE DO SONHO
Na orla do movimento
Todo o caos desacontece:
Fenece plo sentimento
Que só teu rosto merece.
E esse sinal que sei de cor
Bem a jeitinho de beijar
Quase tão botão de flor;
Quase seio de nobre amor
Qu’até põe o sonho a sonhar.
Porque ao ver-te eu o digo
Posto fora de perigo
Já longe de qualquer mal:
S’até o sonho sonho contigo
Que não se passará comigo
Que sou simplesmente mortal!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 06 de setembro de 2022
NENHUM NÃO É CONSENTIMENTO
“Só o sim é sim"; o resto metáforas são
De quem prefere ver (assaz) confirmadas
As perversões que lhe habitam a intenção.
Os humanos inventaram a fala pra dizer
Mas depois esqueceram-na, simplesmente,
Substituindo-a
por diversas fobias"Só o s
Que não reconhecem beleza nem poesias,
Homo, bi, trans e inter, estereotipadas
Cultivando ódio e vergonha entre as gentes,
Discriminações, violência e abusos,
Rituais da ignorância, ritos confusos;
Que consideram “as demais” coisificadas,
Ou apenas objetos de gozo e de prazer
(Que ressentidas castigam, fazem sofrer).
“Só o sim é sim”, que o resto é indecisão
Verdade oculta por inúmeras camadas
Dolorosas de violação, acamadas
No íntimo... – nascidas do calado não!
Joaquim Maria Castanho
(29 de agosto de 2022)
#poesia #poema #poeta
#literatura
APRENDIZADO CONTÍNUO
Os estereótipos são disfuncionais…
Ser homem, ser mulher, não é separável:
Todos e todas somos simplesmente plurais
Perante a igualdade sustentável.
Humanidade é casa de seres iguais
Onde o género nad’impõe, determina;
Pois a diferença iguala muito mais
Que ver ser o ser dif’rente por ser menina,
Pensar ser dif’rente o ser por ser menino…
Sexualidade não é oportunidade;
O sucesso não vem escrito no destino,
Nem traja cores pré-estabelecidas.
É meio de sentir prazer em ser o que se é
Inventando quem somos nas nossas vidas,
Que para criar é preciso perder o pé
Ser paragem e viagem a gerar caminho…
– Gerar é aprendizado a colher ensino!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 26 de agosto de 2022
NAVEGAÇÃO À VISTA
Janela de evasão, os teus olhos
Quando me perco no caminho,
São oceanos sem lixos nem escolhos
Ond’o sonho mergulha sozinho
Depois de comigo se abraçar.
As folhas e os troncos nos vestem
(Vagens de chocolate e leda luz...)
Onde deuses e deusas entretecem
As teias mais subtis da vera jus.
E nesse excelso entrelaçado
Condomínio da poesia e rigor,
Vejo teus olhos em todo o lado
Onde seja possível habitar
Os abraços que não queiram calar
Que tiveram origem no amor!
Joaquim Maria Castanho
c/ foto de Mia Teixeira
Portalegre, 24 de agosto de 2022
CAUSA DE VIDA
Tempo tem esporas
Que picam desejo…
– Perco-me nas horas
Quando te vejo.
Tempo é deleite,
Inventor d’esperas…
– Pra qu’eu me sujeite
A ver-te deveras
Passo junto a ti
Murmuro o teu nome
– Pra provar que te vi…
Só ver-te me consome!
Joaquim Maria Castanho
O MEU AFETO É FELINO
O meu fiel companheiro de leituras
Não percebeu bem o poema que lhe li…
No entanto arrebitou as orelhas
Logo que tão saudoso lhe falei de ti
Vieram-me à ideia ideias futuras
Coisas intenções, causas que não perdi,
E que plas sombras frescas, férteis e escuras
Me dão a ver todo o afeto que já senti…
Que se repete mas que é sempre novo
Aberto caminho que nunca confesso,
Élan da vida, motivo de progresso,
Iluminação de destino que atravesso
Indo pra lá das metas – e do estorvo –
E prova ser igual ao do resto do povo!
Joaquim Maria Castanho
Escritor e jornalista francês, nascido em Paris, a dia 20 de fevereiro de 1888 e falecido, também em Paris, a 5 de julho de 1948, Georges Bernanos, licenciado em Direito (1913), comungou dos ideais monárquicos e foi católico apostólico romano como a maioria dos europeus que viraram do século XIX para o século XX. Além de soldado de trincheira na Primeira Guerra Mundial e de repórter na Guerra Civil Espanhola, apoiou igualmente a França Livre e a Resistência Francesa contra o regime de Vichy na Segunda Guerra Mundial, com as suas tomadas de posição e artigos de jornal, embora estivesse então (1940) exilado no Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial.
Considerado pela crítica como o Dostoievski francês, casou com uma lendária descendente de Joana d’Arc, autor de Sob o Sol de Satã (adaptado ao cinema por Maurice Pialat, e que ganhou a Palma de Ouro em Cannes), Diário de um Pároco de Aldeia e Nova História de Mouchette (ambos filmados por Robert Bresson), Diálogos das Carmelitas, Grandes Cemitérios Sob a Lua e Um Crime, entre outros.
Mas é este último, UM CRIME, da Coleção Miniatura, Edição «Livros do Brasil», com tradução de Ersílio Cardoso, comprado na Livraria José Maria Batista Alves, em Portalegre, a minha leitura de fim de semana. Porquê? Porque há grandes obras que foram escritas para isso mesmo… Para serem lidas independentemente das modas e novidades que nos servem diariamente sem que as tenhamos escolhido ou pedido.
Joaquim Maria Castanho
A METÁFORA E A PROMESSA
Que nós pomos princípios em tudo…
Mesmo se escrevemos no imediato.
Conceitos que enrolamos em canudo
Pra melhor caberem em qualquer prato!
Ou na salva de prata, que no entrudo
Usamos pra mascarar ímpio retrato…
Tal e qual essa, que põe pra fora o oculto
Que há na promessa, de futuro farto.
Princípios e promessas não se dão bem!
Pois que os primeiros são sempre meios
Com que recheamos conteúdos já cheios.
E as segundas, formas de iludir desdém
Pelos conceitos, argumentos e enleios,
Premissas e preconceitos, que são promessas
De penetrar pelas portas das travessas
Onde nunca nos cruzaremos com alguém…
Joaquim Maria Castanho
MARTA… PARABÉNS!
Mergulho no mar de coral
Habitat da Sereia e da Ondina
Olhos que vão para lá do lá,
Safira da areia fina da pele
Opala azul, água marinha...
Brotam algas douradas
Deltas de linhas auríferas a dançar
Sob o balanço ritmado da respiração.
Pelo seu vaivém milenar
S’adivinha a origem humana;
Pelo seu sorriso largo
A inveja dos deuses (difícil de calar).
E plo sonho, que é coisa invisível
Que se liberta de nós libertando-nos,
Se nos afaga o destino ou o coração
Torna real o que era apenas plausível.
Pois é por ele que eu falo agora.
E se sou quem o diz é ele que o dita
Dando à vida bem mais do que ela debita
Ao repetir comigo «MARTA, parabéns
Pela felicidade que ora tens
E que ela te habite vida fora!»
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 12 de julho de 2022
SE CORDATOS,
NA CONCÓRDIA SOMOS
Quando nos aproximamos da liberdade
Da dança, do conhecimento e da arte,
Nosso ser estremece, fica sem idade
E trata por sua casa qualquer parte…
A vida é isso: estar em todo lado
Como só se pode estar agora aqui,
Ser fala entre os acordes dum fado
No simples pardalitar de um colibri.
Pobre sustento numa gota de néctar
A cintilar como mil laivos de puro mel,
Escritos n’alma, aind’assim não vá afetar
O líquido labor aos poros da pele –
Na ânsia dum mar a ondear por amor…
– No acorde dum amor acabado d’acordar!
Joaquim Maria Castanho