Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
6.05.2018
MEU PÃO PLURAL
166.
MEU PÃO PLURAL
Mergulho em recordações…
Abro a voz pra respirar-te.
Redesenho-te por secções
Onde as partes são ambiente
Unidas até serem arte,
Sentidas até serem gente.
Não há mar que te desconheça
Não há céu que te não cante,
Nem sentir que te desmereça
Nem amor sem ser de amante.
Esse ora assim destilado
Serenidade (e exatidão),
Quase afeto amassado
Com o cuidado de tua mão
Que assina por bem, no final
O teu olhar, meigo e plural.
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ (Pág. CCXIV)
Com foto de Elie Andrade
6.01.2018
TEU ADEUS
165.
TEU ADEUS
Tu, só tu
Tormentas paras, derrocadas escoras.
E posso dizer que teus olhos são meus?
Posso aferir quem sou de quem em mim vês?
Ontem passaste apenas uma vez…
Mas duraste vinte e quatro horas.
Dormi toda a noite com teu Adeus!
Tu, só tu
Suport’as toneladas de esperança
Que há no sonho e só o sonho alcança.
E posso dizer que teus olhos são meus?
Ontem sorriste, e fui criança…
Dormi toda a noite com teu Adeus!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
5.30.2018
ROSMANINHO NACIONAL
164.
ESTE ROSMANINHO NACIONAL
Snifei rosmaninho…
Snifei rosmaninho…
Pla moldura da janela
Bem no meio do caminho
Vejo sonho, o rosto dela
Jeitinho de Cinderela
Meigo lindo sem igual
Todo feito do carinho
Como só há em Portugal.
Snifei rosmaninho…
Snifei rosmaninho…
Mas não misturei alecrim
Para não meter no ninho
Quaisquer restos de mim
Menos dignos menos leais
Que aos olhos do mundo
Possam sugerir desditas
E coisas essas que tais
Tão fatais parasitas
Qu’iludem o povo plural
Como só há em Portugal.
Joaquim Maria Castanho
(Nota desnecessária: Planta por cuja ação antiespasmódica e anticancerígena, pode também ser utilizada para dificuldades no sono, problemas de circulação, prevenção de doenças degenerativas e tratamento de enxaqueca. Ou seja, não obstante o valor, ninguém dá nada por ela.)
5.29.2018
5.28.2018
O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ
162.
O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ
Quando teu olhar me falta
Eu fico sem jeito;
Ando à toa e na malta,
E doi-me o peito.
Sinto as sílabas trocadas…
Até perco a razão;
Ando onde não há estradas,
Ardem-m’as solas no chão.
Era coisa qu’eu não sabia…
Não se aprende fácil;
Aprende-se no dia a dia,
Mal o sentir é ágil.
Comprar ajuda a (a)pagar.
Não há mal nenhum nisso…
A eternidade pod’estar
No nosso compromisso:
Podemos crescer como um só
– Tu serás mãe, tu serás avó.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
5.27.2018
BREVIDADE NÃO SEPARA
161.
A BREVIDADE NÃO SEPARA
Quem poderá aproximar-se de ti
Sem te amar é pecado enorme
Que o sonho nunca para nem dorme,
Faz o seu agora em qualquer aqui.
Tece enredos onde também teci
Arranja encontros que o conforme
E desce às sombras mais secretas;
Os teus olhos são mágicas setas
Que fitam na metamorfose a vida
Não quer saber s’é curta ou comprida
Abre sinais já por si abertos
Omite os longes e fá-los pertos
Mas tão perto e tão próximos assim
Tal e qual tu estás hoje em mim.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de ELIE ANDRADE
5.26.2018
REGISTO LAVRADO
160.
Pisa
Pisa em mim, que eu mereço
Acelera bem na minha dor
Que a palavra, se a exerço
Também fere com amor;
Visa
Com aviso, se estremeço
Na côdea tostada, a pele
De tua voz redesenhada
Quase crosta, líquido mel
Que reservo prà madrugada
Em que ficas acesa em mim,
Ângulos feitos de nada
Para a redondez, enfim
Arestas polidas da paixão
Preto no branco, já assumida
– Coração qu’abre o coração
E mete lá a chave da vida.
Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Elie Andrade
REGISTO LAVRADO
Pisa
Pisa em mim, que eu mereço
Acelera bem na minha dor
Que a palavra, se a exerço
Também fere com amor;
Visa
Com aviso, se estremeço
Na côdea tostada, a pele
De tua voz redesenhada
Quase crosta, líquido mel
Que reservo prà madrugada
Em que ficas acesa em mim,
Ângulos feitos de nada
Para a redondez, enfim
Arestas polidas da paixão
Preto no branco, já assumida
– Coração qu’abre o coração
E mete lá a chave da vida.
Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Elie Andrade
5.24.2018
AGUACEIRO CÍCLICO
CÍCLICO AGUACEIRO
E me reergo das nuvens cinzentas
Qual gota transparente, vertical,
Que lenta cai entr'as demais, lentas
Até ao grande oceano do plural...
Porém, logo, de pronto, a impressão
Vincada, escorreita, vivaz, febril
Que há nessa água de águas mil
A líquida solidão desfeita
À espreita por se ver primaveril.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
5.23.2018
INCONFORMADO LAMENTO
159.
LAMENTO INCONFORMADO
Ela me castigou por algo que não fiz
E pedir-lhe perdão não adiantará,
Pois até já o seu castigo eu quis
Mais que às benesses que outrem me dá…
Que tudo na vida me falha por um triz,
Nada contenta, nada luz, tudo é vão,
E me arrasto plas horas escrevendo a giz
Nest’alma ardida, condoído coração.
Sofro, só a recordação me ampara.
Só a solidão me escuta, me entende;
Só nela é meu teu rosto, tua cara
Esta chama que só teu olhar acende.
E mais que astros, o céu, a lua
Só uma voz nela me brilha… a tua!
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR VOZ, página CCVII
5.22.2018
5.21.2018
5.18.2018
SONHO TÁCTIL
157.
SONHO TÁCTIL
Quando passas a conduzir
E, parece, nem sequer me ver,
Vejo minha esperança a ruir
Sinto o meu coração a doer
No seu inesperado sentir
– Quase abalo ou sismo ser… –
Onde o chão, a terra a fugir,
Tem sulcos d’algodão a escorrer
Tem versos de paixão a contrair
Plo bailado do teu cabelo
(Dlim-dlão, dlão-dlim), qual pêndulo
Do compasso a marcar-me assim
Num fogo tal, e só por vê-lo,
Que sonho por tocá-lo, enfim!
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ
5.16.2018
A ALEGRE PASSEATA
PASSEATA ORGULHOSA
Mesmo que a esperança seja turva
E houver insegurança, estagnação,
Ou se ziguezaguei curva ante curva
Para não patinar num oleoso chão,
Se disser as estrofes, sigo adiante...
Se a poesia consentir, cuido de ti...
E entre nós, o futuro, já radiante
Segue-te pelo presente que escolhi.
Que este navegar sobre os escolhos
Bem para além do longe e do distante,
Traz a alegria escrita em nossos olhos
Quando a vida de confiante... sorri.
Joaquim Maria Castanho
(Foto: ELIE ANDRADE)
5.13.2018
ABRAÇO ESSENCIAL II
ABRAÇO ESSENCIAL II
Aposto-m'em cada passo
Na procura do teu olhar,
Refletido nest'abraço
Que ninguém poderá julgar
Sem deturpar a imagem
Em que a água acredita,
Exilando-a da margem
Onde bate extasiado,
– Porque em febril cuidado –
O coração que a edita.
Joaquim Maria Castanho
(C/foto de Elie Andrade)
5.11.2018
DEPOIS DA FALA
DEPOIS DA FALA
Ondula, baila, baloiça
Oscila um ósculo lunar
– Digo-o pra que ninguém oiça… –
Num brinco que me faz baloiçar.
Qu’isso que a fala aprende
Mal a língua nos pronuncia,
É um ósculo que nos defende
Das agruras do dia-a-dia
Mesmo que não seja tão real
Como o sonhámos tanta vez
É ideal que à vida prende
Quem oscila, balança, porfia;
Quem baloiça assim todo o mês
Entre o menos bem e o menos-mal.
Joaquim Maria Castanho
5.08.2018
DO GRITO, a fala
153.DO GRITO, A FALA
Inspiro o que me há de expelir
E anseio na sombra me soletro,
Mas s’ouvir bater à porta, entro
E abro-a prò sol poder sair,
Que a vida é fulcro, é centro
Que as pétalas mostram ao abrir,
Qual grito que não querem calar
Pra erradicar desavença e dor.
Então, já embevecido raiar
Vejo-te sorrir num gesto de flor
Que não receia o querer falar…
– E a língua inventou o amor!
Joaquim Maria Castanho
5.07.2018
O GRITO depois do uivo
DEPOIS DO UIVO, O GRITO
Para discernir seguro e inteiro
Quem o coração elegeu primeiro
Não há receita já pronta e feita,
Nem medida tirada com preceito
Que a margem do afeto é estreita
E a atração também cresce no peito…
Porém, se o verbo jungir surgir, vier
E exigir pouco a pouco ser conjugado
Em todos os tempos e modos que tiver,
Desço do poema como quem se apeia
Dum uivo, e de propósito se enleia
Nele, pra poder gritar quanto quiser!
Joaquim Maria Castanho
5.05.2018
5.04.2018
4.25.2018
4.24.2018
4.21.2018
4.20.2018
4.19.2018
4.18.2018
4.17.2018
NINGUÉM VENDE POESIAS
O NEGÓCIO DUM ZÉ-NINGUÉM
Na tristeza e na revolta,
Na grande solidão dos dias,
Oh amor, és uma escolta
Pràs difíceis travessias!
És essa prisão que nos solta.
És a sisudez das alegrias.
Imagens do que há em volta;
Metáforas do medir verbal.
Devendo-te incluir também
Na destreza com que nos guias
Nessa circular que nos mantém
Em órbita, mas não é astral…
Antes terrena, comercial
Onde Ninguém vende poesias.
Joaquim Maria Castanho
VOO SOLAR
QUASE VOO DE LUZ SOLAR
Há pessoas que nos descem pela alma
Como se flama de cabelos celestes.
Cujo sorriso desenha beleza calma
E dança madrugadas de luz oriental
Aspergindo flores – estevas silvestres...
Lídimas proezas em solução plural
Que cremos respirar, se já alvorece
Irradiando sonho, todavia tão real
Qu'o sentir nasce e voa, mas permanece.
Joaquim Maria Castanho
4.15.2018
AO SABOR DOS SONETOS...
SONETO COM SABOR
Esticou-se o malandro na labuta
Que a refrega trazia obrigações,
Qu’o mais nobre dos nobres também luta
Plo seu quinhão entre tantos comilões.
Se foi carimbado prà dita conduta
Todas e todos conhecem suas razões,
Pois nesse dia nem sequer comeu fruta
Por ter medo de se borrar nos calções.
Muito se susteve, tanto se segurou
Que ainda hoje lê, pensa, e escreve
Com as letras tintas e brancas que ganhou –
Tudo gorduras puras, sãs e cristalinas
Tal qual demais meninos e meninas.
Joaquim Maria Castanho
(Excerto de foto de Cesaltina Miranda)
4.14.2018
4.13.2018
4.10.2018
PRECARIEDADE E POBREZA FRANCISCANA...
633 ANOS DEPOIS...
E À PRECARIEDADE FRANCISCANA
E não há três sem quatro
Coisa que o povo não diz
Mas devia, por ser farto
No parco ajuizar sem juiz,
Gizar sem giz nem quadro
Torcer o nariz, e franzir
O sobrolho, sem confiança
Ou recear e ver traduzir
Seu pedir com’uma dança…
De ora vira para aqui
De ora vira para ali,
De ora vai e ora leva
De ora leva e ora vai,
Duma gente que é serva
Mas logo que não servir – cai.
Cai dessas estatísticas
Das boas pessoas capazes
Pra entrar pràs estatísticas
Das violetas e dos lilases,
Ou das flores tão malquistas
Que não prestam prós fascistas
Empresários e doutores
Funcionários e senhores
Sejam patrões ou comunistas!
Joaquim Maria Castanho
4.09.2018
4.08.2018
Sr. SUPERLATIVO
O Sr. SUPERLATIVO
Eu sei que é falta de educação escutar as conversas alheias, ainda que não sejam íntimas. Porém, estando sem nada mais que fazer num dos bancos do Jardim Avenida, em Casal Parado, eis que não pude evitar ouvir o que, um casal se dizia mutuamente, e certamente seria apenas um simples fragmento de conversa maior, onde residiriam as respostas que à minha curiosidade se impunham:
– Mas eu sou um substantivo superlativo abstrato... – afirmava ele, convito, de farta cabeleira em encaracolado castanho-escuro, calças de ganga rasgadas (propositadamente) aqui e ali, para arejar a cueca, ténis de marcha, polo cinzento e kispo esverdeado.
– Substantivo superlativo abstrato... Hhhhuummm! Isso não existe – sublinhou, perentória, ela, também nova, a flanar num vestido de chita em xadrez largo, com tonalidades de azul, dourado, creme e castanho-terra, sapatos mocassins quase pretos e cabelos compridos, ondeados e soltos, em louro-palha.
– Não?!? – admirou-se ele. – Como assim? É um sacrilégio...
– É? Porquê...
– Porque deveria existir, pois é isso mesmo que eu sou –, justificou-se. – É preciso, é urgente, é imprescindível inventá-lo. E quanto antes, uma vez que estou em perigo de extinção por falta de identidade.
– Estás? Não se nota... Mas pronto, faça-se a tua vontade. Como o vais inventar, então?
– Minto: nem é necessário inventá-lo, pois já existe. Eu sou um substantivo superlativo abstrato, o que ninguém pode negar, visto que existo, até perante ti, que crês que tal sujeito não existe, mas não podes negar que estás a conversar com ele... Ou podes?
– Não, não posso negar que estou a falar contigo. A minha dúvida é que tu sejas essa coisa que dizes ser. Como mo podes provar?
– Ora, é facílimo! Olha para mim: sou uma pessoa, de carne e osso, não sou?
– És.
– Logo, sou uma substância, um substantivo. E sou radical, como costumas muitas vezes acusar-me... Portanto, superlativo.
– Também és, é um facto. E bastante chato, por sinal...
– Por conseguinte, sou um substantivo superlativo... uma pessoa radical, embora não saiba bem exatamente em quê. Em que é que eu sou inequivocamente radical...
– Pois não. Até acho que além de não saberes em quê, nem porquê, as mais vezes julgo que és mas é um tonto... – E deitou-lhe a língua de fora, como que a desafiá-lo a contestá-la, pela ironia.
– Tonto, ou abstrato... Querias tu dizer!
– Isso!
– Então, não restam dúvidas nenhumas de que sou um substantivo superlativo abstrato. Tu própria mo chamaste. E se chamaste, como poderei não existir? Aliás, foste tu quem me inventou.
«Chiça, que dois!», exclamei para com os meus botões. «Vão casar de certeza, pois se forem sempre assim, como se observa na amostra, vão ter conversa prà vida inteira, que é o principal item para a felicidade dos casais: nunca se calarem seja pelo que for. E quem chega a conclusões destas, tenho para mim, que há de conseguir falar seja a propósito do que for.» – Pensamento esse que me obrigou a abstrair-me dele e dela, claro está...
Joaquim Maria Castanho,
in CALEIDOSCÓPIO CIRCUNSTANTE
(Página 45)
4.05.2018
DO MITO
DO MITO
Rotundo é o mito, circular
Como um grito a chegar,
Onde rodopia na secreta via
Do rodar.
E dessa chave, renascido enclave
Istmo consequente,
Voa sempre outra nave
Que lhe promove o significado
Preciso e confluente,
Dando-lhe aqui o sentido
Aceitado, pronto e assumido
Que ganhara noutro lado.
Joaquim Maria Castanho
4.04.2018
VIAGEM DE VÉSPERA
VIAGEM DE VÉSPERA
Obliterado plo óbvio ativo
De ser outro para além de si,
Quem se busca fá-lo sem ter motivo
Mas por inquietude sentida aqui
E agora a que sucumbe e explora
Quando ri, como quando chora
E empresta seu desvalido estar…
Podia ser o partir sem sequer sair
Todavia, prefere ser esse emergir
Que é ficar mas só há no imaginar.
Joaquim Maria Castanho
4.02.2018
PEDIDO DE EXÍLIO
138.
SOBRE A FLORIDA PLANÍCIE, A LUSOFONIA
Há um poema que não digo
Mas nunca esqueço;
Há um poema onde soletro
Por que estremeço
Me persegue s’o persigo
Mudo, circunspeto
Até que ecluda, por fim
Polvilhando searas
De prosas (em assíndeto)
Como faúlhas, aparas
Que são estilhaços de mim.
É mel vertical que transluz
Ao diluir-se em cor,
Portal d’anseio que transpus
Em espigas d’amor,
Prà farinha dessoutro pão
Qu’é o nome de cada flor.
Joaquim Maria Castanho
136.
A COLETORA
As estações expiram sem ais.
Às vezes, ditam-me os caminhos;
Outras, dizem-me por onde vais
Apenas, e só, pra te encontrar
E ver, que as manhãs, se serenas
Imitam o teu modo de andar,
De pisar chão, apurar-lh’o tato
Que nem cada pé fosse outra mão
A aflorar pedras, flores e mato.
Se são muralhas, sobem-nas, então
Se rosas, não evitam espinhos;
Se alecrim, carqueja, ‘piricão
Silvas – usam-no para infusão!
Joaquim Maria Castanho
135.
Sei que exilar-me de mim é urgente
– Nada corrobora esta quietude:
Fico ensimesmado, se entre gente
Só a pensar-te, na mesma atitude
De quando isolado, ou sozinho,
Me perco entre as paredes da casa
Ou vagueio por qualquer caminho,
Divagando com a cabeça em brasa.
E se o constato, por tão evidente
Também lhe reconheço outra virtude:
A de ficar a saber que o carinho
É uma pátria suprema, querida,
Onde os beijos edificam o ninho
– E o pedir… Qualidade de vida!
Joaquim Maria Castanho
SOBRE A FLORIDA PLANÍCIE, A LUSOFONIA
Há um poema que não digo
Mas nunca esqueço;
Há um poema onde soletro
Por que estremeço
Me persegue s’o persigo
Mudo, circunspeto
Até que ecluda, por fim
Polvilhando searas
De prosas (em assíndeto)
Como faúlhas, aparas
Que são estilhaços de mim.
É mel vertical que transluz
Ao diluir-se em cor,
Portal d’anseio que transpus
Em espigas d’amor,
Prà farinha dessoutro pão
Qu’é o nome de cada flor.
Joaquim Maria Castanho
136.
A COLETORA
As estações expiram sem ais.
Às vezes, ditam-me os caminhos;
Outras, dizem-me por onde vais
Apenas, e só, pra te encontrar
E ver, que as manhãs, se serenas
Imitam o teu modo de andar,
De pisar chão, apurar-lh’o tato
Que nem cada pé fosse outra mão
A aflorar pedras, flores e mato.
Se são muralhas, sobem-nas, então
Se rosas, não evitam espinhos;
Se alecrim, carqueja, ‘piricão
Silvas – usam-no para infusão!
Joaquim Maria Castanho
135.
PEDIDO DE EXÍLIO
Sei que exilar-me de mim é urgente
– Nada corrobora esta quietude:
Fico ensimesmado, se entre gente
Só a pensar-te, na mesma atitude
De quando isolado, ou sozinho,
Me perco entre as paredes da casa
Ou vagueio por qualquer caminho,
Divagando com a cabeça em brasa.
E se o constato, por tão evidente
Também lhe reconheço outra virtude:
A de ficar a saber que o carinho
É uma pátria suprema, querida,
Onde os beijos edificam o ninho
– E o pedir… Qualidade de vida!
Joaquim Maria Castanho
A COLETORA
136.
A COLETORA
As estações expiram sem ais.
Às vezes, ditam-me os caminhos;
Outras, dizem-me por onde vais
Apenas, e só, pra te encontrar
E ver, que as manhãs, se serenas
Imitam o teu modo de andar,
De pisar chão, apurar-lh’o tato
Que nem cada pé fosse outra mão
A aflorar pedras, flores e mato.
Se são muralhas, sobem-nas, então
Se rosas, não evitam espinhos;
Se alecrim, carqueja, ‘piricão
Silvas – usam-no para infusão!
Joaquim Maria Castanho
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- Joaquim Maria Castanho
- Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português








































