Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
4.03.2020
3.30.2020
#POMBABRAVA
POMBA
BRAVA
Eu venho de há muito tempo atrás
Mas o futuro é o meu habitáculo de salvação...
Trago a rota do saber que a si mesmo faz
E nos olhos os brotos que são meu pão.
Já fui mensageiro de guerra
E já fui mensageira da paz;
Provei ao mundo que a vida não erra,
Aprendi a primavera
E tudo o que ela nos traz.
Soltei granizos sobre os telhados
Mais frágeis de qualquer nação,
Contudo, ao ver os vidros quebrados
Disfarcei-os em espelhos de ilusão.
Então, nesse receio tão tosco
Feito de certezas me confundo,
Fiz nós de nós pra nós e connosco
Aspergirmos os vírus do mundo.
De ilusões, de medos, de receios
De solidões cumulativas muito bem conjugadas,
Cujos nós ataram e reataram todos os enleios
Antes perdidos nas teias das estradas.
Joaquim Maria Castanho
2.27.2020
SE DEMAIS SE APERTA, A PESSOA DESERTA
ABRAÇAR
NÃO É ESTRANGULAR
Cada dia que desperdiças
Com quem jamais te amará
Dia roubado a quem t'adora
Oxidação das dobradiças
Ponto de rotura, letra agá
Morto e alcatruz de nora
Que roto está, água verte...
É ânsia fria e inerte.
Amar não é isso, nunca doi;
É outra coisa muito além...
É um oxidar que não corroi.
É envelhecer que só faz bem!
Joaquim Maria Castanho
Com foto por Elie Andrade
2.25.2020
2.22.2020
#INDIGNAÇÃO #EXISTENCIAL
INDIGNAÇÃO
EXISTENCIAL
Onde estavas, realmente
Que só agora eu te vi?
Peca quem apaga gente
Pra lembrar-se apenas de si...
Portanto, cuida bem de ti
Que, independentemente
Do que venha a acontecer
Amar-te-ei tanto e sempre
Como luz, razão e ventre
Sentir, eco, ouvir, dizer
Élan nado por que nasci
Sol de rimar até morrer
– Onde estavas,realmente
Que só agora te vi!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
2.10.2020
#SENTIR #PLANÍCIE
SENTIR
PLANÍCIE
Sou
– podes crer! – aquele que te ama
Sem
limites nem quaisquer comparações.
Que
apenas vai se o coração chama
E
está sem haver demais razões.
O
que desinventa a dor, se a há;
Que
esconde teus receios (febris)
E
canta a luz, ainda assim não vá
Haver
rumores ou algum diz-que-diz.
O
que desmagoa e nunca exige.
Que
só se perde para te encontrar.
Que
se condoi com o que te aflige.
Que
navega tão-só pelo balançar.
E
se balança em cego embalo,
Se
dito cala, o que por ti calo.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
2.01.2020
1.31.2020
1.12.2020
1.02.2020
GRATIDÃO
Devo-te
a liberdade...
Obrigado
por não gostares de mim!
Graças
a ti, vivo numa cidade
De
sonhos, flores e marfim.
As
ruas são todas planas
– Prédios
acessíveis.
Não
há palavras em flamas,
Os
horários primam por flexíveis.
E,
às vezes, quando apareces,
Antecedendo
o boato e o rumor,
Parece
que apodreces
Só
pra exalar o sutil perfume do fedor.
Joaquim
Maria Castanho
12.27.2019
EXATIDÃO DA DISTÂNCIA
A
EXATIDÃO DA DISTÂNCIA
Se
na equidistância entre estrelas o afastamento a uma é aproximação
A
outra entre dois pólos navega como pêndulo à procura da unidade
Esse
ritmo binário digital com que nos sustentamos irrequieta condição
A
bater as horas entre ser e não e não-ser, sintetiza-nos átomo
paridade
Ao
construir-nos duplos no género mas iguais perante a generalidade.
Olho
devagar a concisão de teu sorriso aflorando o recanto da alegria
E
nesse olhar em que me vou tornando está o manto rosáceo, puro, liso
Que
não descuro nem quanto dele preciso para seguir em frente no dia-
A-dia,
sobre a mesa da ocasião, apenas à solidão calada as letras aviso
Arriscarem-se
a perecer se ao cometer a traição temerem doce ousadia
De
tecer teus ombros na fina e branca seda dos astros reflexos os areais
Bronzeados
mestiços metais nada são se os comparar a alvos celestiais
Das
velas navegantes que mundos viram e trouxeram uma página mais.
Duas
folhas unidas pela medianiz como dos troncos nasce só uma raiz
A
veia feita das duas metades que já foram quartos doutras tantas luas
Ao
querer como se crê e tanto quis que as pétalas saídas do cálice
tuas
Fossem
únicas verdades essas lidas assim tatuadas na pele tão-só a giz
De
gizar o caminho ao amaciar o linho da repousada água na líquida fé
De
se apagar a mágoa no mansinho ser somente quem, ao querer-te, é.
Joaquim
Maria Castanho
DIZER-TE ENTRE AS FOLHAS
DIZER-TE
ENTRE AS FOLHAS
Pela
cadência da batida do tear se dispõe
Enquanto
vestes o tempo de flores coroadas
A
marca do ritmo se a consciência propõe
A
sopesar, a transferir as cores bordadas
Para
o horizonte que se quer distanciar…
Cresceste-me
como um ventre inaugural
A
redoma do destino na imensidão da planície
A
lente de alvorar à estrela incondicional
Afinal
a heurística desse sempre que nos inicie
Como
se cada passo fosse o derradeiro primeiro passo
Cada
voz a incontornável revelação de sermos sós
Cada
laço lasso a única maneira de darmos nós
Cada
nó a distância feita atreita à curva do compasso
No
desembaraço do balanço redondo na redoma do plural.
Havia
de dizer-te entre as folhas
Como
luz esgarçada saltitante
A
bailar na sofreguidão da tarde
Que
conforme ao verbo, me recolhas
E
assim perecerá a sombra distante
Deste
Sol que por nós em nós arde!
Joaquim
Maria Castanho
GRAFITE
GRAFITE
Com
tanto de tão pouco nasce a fortuna que é sorte sina o ter nascido
Que
outro milagre não houvera igual em qualquer tempo futuro ou ido
Este
de levantar os olhos e reconhecer que o sonho é tão real-autêntico
Como
respirar, falar contigo, estar a par, porém saber o propedêutico
Instar
da luz no recanto da folha digital tangente ao desejo assumido.
Que
devagarmente se isola na rispidez o gesto assaz nulo, oco e vão
Pois
nisso de viver é coisa basta a resistência comezinha e até pueril
Dizer
«sim» quando ao «não» se pensa ou tido vice-versa por decisão
Como
qualquer fogo que arde sem combustível pode apenas ser ardil
Da
matéria, ao espírito alheia, simples fusão a frio do ninguém e
nada
Pondo
a parte tida em forma perdida já por demais em si tão achada.
Porém,
tempos houve outrora ainda do aqui-e-agora tão-só distantes
Que
lídimos dedos apontaram os céus infindos e disseram o espanto,
E
perante tua luz os olhos fulgiram como mil sóis candentes voantes
Explodindo
as vozes dos mais entendidos em desgarradas no descanto.
Foram
esses os primeiros dias de todos os dias daí seguintes adiante
Que
feitos à tua imagem na repetida procura, busca ansiosa e diária
Nenhuns
outros se assemelhando em intensidade, que se de férias
Ou
folga tida, me senti pária roubado por mim de minha própria vida.
Me
senti desnecessário do sentir que é viver e não saber até quando
Teus
olhos me segam o desespero sem qualquer intenção de fazê-lo,
Pois
que ao Sol do acaso todo o verbo é um gerúndio afecto andando
A(r)riscar
reflexos e ângulos silentes e lisos às esquinas do teu cabelo.
Joaquim
Maria Castanho
12.24.2019
12.22.2019
A ARTE ETERNA
A
ARTE ETERNA
A
literatura é lixada...
Quando
lemos, partimos
E
tudo o mais vale nada.
Plo
chão ficam destroços, limos
Vestígios
da enxurrada,
Do
são tsunami em que vimos
Tanta
vez a alma espelhada;
Viagem
com bilhete de ida
Donde
nunca volta quem fomos,
Retalha
a polpa da vida
Dá-lhe
estrutura por gomos.
E
se acaso nos socorre
Com
brisa de prosperidade,
Mata-nos,
contudo não morre
– Que
só ela é eternidade.
Joaquim
Maria Castanho
12.16.2019
ADIVINHA
ADIVINHA
Anexo
à alma universal
Nota
de dívida ou extrato
Remendado
a linhas de bem e mal,
Com
pespontos na bainha do fato
(Que
perdeu o C numa demanda),
Anda
agora a parecer que anda
Mas
só sabe mesmo marcar passo
Jogar
bombas, poluir, terçar aço.
Se
acaso não adivinhou quem é
É
só por ter acertado em cheio,
Dando
ora outro tiro no mesmo pé
Da
pegada com que sujou o meio...
Joaquim
Maria Castanho
12.15.2019
O HORTELÃO DA LIXOSA
O
HORTELÃO DA LIXOSA
Meu
amor é só mistério,
Aberta
gruta num beijo
Lenda
passada a sério...
Mas
em três libras vertida
Desse
ouro paupérrimo
Que
é ilusão bem sentida,
Visão
em brocado vestida
– Linda
moura encantada.
Foste
élan vital e vida
Cada
vez qu'ergui enxada,
Tantas
vezes nesta lida
Noutras
tantas imaginada.
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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
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