Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
5.09.2019
5.08.2019
ESPELHADO SENTIR
ESPELHADO SENTIR
A
poesia ausentou-se...
Foi
contigo a qualquer lado!
Deixou-me
conforme te trouxe
Num
momento desesperado.
Fê-lo,
propósito vincado,
Com
intenção bem explícita
De
fazer sofrer um bocado,
“Qu'a
dor à inspiração incita”.
Mas
é engano e 'tá errado
Magoar
para termos valor:
Quem
vale ama descuidado
E
não despreza nenhum amor.
Nem
o seu, somente porque é seu;
Nem
o nosso, porque valor lhe deu.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto (Parc Monceau, Paris), de Elie Andrade
5.05.2019
4.27.2019
4.25.2019
4.24.2019
UTOPIA PESSOAL
UTOPIA
PESSOAL
Se
pudesse, esquecia-te (já)
E
nunca mais te veria;
Mas
temo tanto por mim
Como
temo pla poesia.
Fazia-m'o
breve que abrevia
Ápice
entre está e não 'tá,
Prestes
a ruir, assim
Sílaba
o enuncia.
Punha
o querer num punhado
Mancheia
de versos disformes,
Onde
as sombras, enfim
São
luz, são a maresia.
Dava-lhe
haver por sobrado
Despensa,
sementes e fomes;
Alguns
ramos de alecrim
Prò
odor da melodia.
E
então, quando conseguisse
Já
predicado sem sujeito
Havia
de dizer: «Se pudesse
Tirava-te
também do peito!»
Joaquim
Maria Castanho
4.23.2019
DA SANIDADE DOENTIA
DA
SANIDADE DOENTIA
Por
tantos nós ter já da vida ganhado,
Ficou-m'a
voz mais grossa e espessa
E
com sotaque meio arrevesado
Digo
umas coisas pra falar doutras
Como
alguns poetas mortos imortais
Se
liam odes aos manequins das montras
Editados,
dia seguinte, nos jornais.
Aproximou-se
da gripe hepática
Ou
da azelhice tipo “pouca prática”
Caraterística
dessa comum gente
Que
parece sã mas está tão doente
Que
só vê que quer – movendo-s'estática.
Joaquim
Maria Castanho
4.19.2019
NUVEM APRAZÍVEL
NUVEM APRAZÍVEL
A poesia é imprevista
Tal uma trovoada d'abril;
Pega a arte e o artista,
Surpreende poetas, aedos,
Afia nomes pelo esmeril,
Revela íntimos segredos
– Mesmo os escondidos de nós
Nas cavas profundezas da voz.
A poesia subverte os sons,
Os significados distantes
E os próximos; dá meios tons
Aos tons que entoara antes;
Mas, principalmente, é fugaz
E só por instantes nos apraz.
Joaquim Maria Castanho
Etiquetas:
Endechas a Bárbara Joana,
Há Luz no Escurecer,
L and L
4.17.2019
OUTRA RECAÍDA
OUTRA RECAÍDA
Recaio,
Sempre recaio...
Depois de ter jurado
Nunca mais te pôr a vista em cima,
Eis que esfriado
Saio
E caio
Em fazer-te mais uma rima.
A poesia desceu à rua
Era já manhã cerrada,
Trazia manto cor de lua
Olhar de mulher desejada.
Plo andar era liberta
Dengosa flor, estrelada
Pétala, a boca, desperta
Pròs suspiros duma toada.
Fiquei sem jeito, portanto
Ao reconhecer que sou assim...
Basta sorrires, e logo o santo
Que era, foge pra longe de mim!
Joaquim Maria Castanho
4.13.2019
A SAUDADE NUNCA ESPERA
A
SAUDADE NUNCA ESPERA
Solícita
e serena
A
saudade se acerca...
E
com subtileza terna
A
meu coração aperta,
Espreme
dor aquosa
Pra
escrever dolorosa
Com
tinta de ausência,
Esse
espinho sem rosa
Ou
luz sem transparência
Do
amor, sem a amada;
Da
áurea sem madrugada
– Sombra
que nasce do nada
Como
se só fora palpitação,
Batida
negra na escuridão
Solícita
e serena
A
saudade nunca espera:
Abre
caminho plo coração
De
quem ama e venera!
Joaquim
Maria Castanho
4.12.2019
POEMA (IN)PRÓPRIO
POEMA
(IN)PRÓPRIO
A
história regista
Porém,
o amor, inventa
Para
que nela exista
O
algo que nos assenta
Como
terno por medida
E
haja de facto vida.
Mas
não posso dizê-l'assim
Àquela
que é a poesia,
Pois
se olhou para mim
Fingiu
que não me via...
Aí,
a história inventa
Lume
brando, chama lenta,
E
o amor é só memória
Que
repete se faz e cria
Nossa
própria história.
Nesses
dias sofro duro.
Amar
não é pera doce:
É
espécie de futuro
Que
só nasceu do passado
Pra
repeti-lo copiado...
Só
que a cópia alterou-se!
Joaquim
Maria Castanho
Etiquetas:
Endechas a Bárbara Joana,
exactamente hoje,
Há Luz no Escurecer,
Hoje,
Iniciativas
4.05.2019
A CAUSA (MOTIVADORA)
A CAUSA (MOTIVADORA)
Suave
e doce ela desliza
Pela
estrada do meu peito...
Então,
meus olhos vão na brisa
Deixada
lá plo seu jeito
Fragrância,
sonho que não desiste
Nem
traz vinco, não tem nervura
Mas
antes o aroma qu'existe
Na
flor com pétalas de ternura;
Talvez
cinco, talvez dez, em suma
Tal
mão se outra nela segura,
Pois
dos dias é essa espuma
Que
deles nasce e se aventura
Demasiado
viva pra sonho ser
Mas
tão pujante, que faz viver!
Joaquim
Maria Castanho
4.04.2019
DIAS ADVERSOS
DIAS ADVERSOS
Todos
os dias
Há
pequenos desencontros
Que
são grandes desgraças.
Em
alguns dias
Há
esse encolher de ombros
Se
espero mas não passas.
Todos
os dias
Há
desencontros tão fatais
Que
até as sombras doem.
Em
alguns dias
Sofro
tanto com'os demais
Que
desesperados sofrem.
Hoje
estou assim...
Em
alguns dias
Todos
os dias são pra mim!
Joaquim
Maria Castanho
4.03.2019
4.02.2019
A IMACULADA PRONTIDÃO
IMACULADA
PRONTIDÃO
Hei
de rasgar a voz
Com
notas de sofreguidão,
Que
o amor somos nós
Ao
soltar os pés do chão.
Consente
o avelã de teu olhar
Sob
meu suspiro imediato,
Teus
lábios de líquen manso
Aflorando
a palavra retrato;
As
coxas em moldura singular
Enquadram
desenho abstrato
Do
desejo, aberto pomo a pulsar
Em
cujo sonho eu me balanço,
Qu'é
esse intransigente transe
A
suma pose do poema amante
Se
à boca do grito o rosto franze
E
só por dentro o corpo salta adiante.
Hei
de rasgar a dor
Com
as unhas da solidão,
Que
o poder do amor
Gera
a imaculada prontidão.
Joaquim
Maria Castanho
4.01.2019
A TÁBUA DE AJUIZAR
A
TÁBUA DE AJUIZAR
Creio
haver algo que me mantém
Tão
deverasmente insatisfeito,
Que
não sei onde nasce, d'onde vem
– Se
da mente ou se do peito...
Traz
quase tudo pra ser pensar,
Porém
sinto que é mais que isso:
Às
vezes, leva-me ao verbo amar;
Outras,
tão-só a perder o juízo
– Como
se ele fosse coisa tida
E
não balança para ponderar
O
que nos acontece na vida!
De
medir o certo e o errado,
Suas
amplitudes e cumprimento,
Onde
o pecado é um bocado
Que
escapou ao entendimento
De
bem auscultar o interior
Olhando
de fora, demorado
A
discernir se acaso o amor
Tem
alguma coisa d'ajuizado.
E
dar, então, por concluído
Que
o que se mede por humano,
Embora
faça das veias um cano
Anda
nas famílias diluído.
Joaquim
Maria Castanho
CÉREBRO DO CORAÇÃO
O CÉREBRO DO CORAÇÃO
Entrelinha
executável dum sonho
O
sentido prático, já divisório
Afirma,
contradiz, exige amanho
Pra
qu'o sonhador dele seja meritório.
É
espinha prosaica dessa angústia
Que
fustiga, espicaça para a ação;
Vontade
crispa-se célere e rústica
– Sangue
invade cérebro do coração.
O
instante é de esperas recheado
E,
se antes fugaz, fica ora pesado
Emitindo
flashs de tão alta tensão
Que
o sangue, iluminado, ao pulsar
Ribomba
e ouve-se quase troar.
Joaquim
Maria Castanho
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Há Luz no Escurecer,
Literárias e Libertinas,
MITOS
3.28.2019
VISÃO BREVE VISÃO
VISÃO,
BREVE VISÃO
Desceu
mansa no seu andar de pomba
O
olhar despido de esperança
Saltitando
sobre cada lomba
Balançando
os braços, os cabelos
Pelas
costas – apetece descê-los
Com
os lábios, em meiga dança...
Escorrer
na sua sombra ao diluir-se
Como
polpa desses pomos silvestres
Que
são mais poderosos do que Atenas,
E
ainda mais poderosos do que Circe!,
Por
quem a luz do sol, e as açucenas
Pintam
os prados com Vestais e Mestres.
Dão
vida ao joio, e alma ao trigo;
Empurram
brotos pra fora da haste,
Tal
querem fazer meus olhos contigo
Se
te vejo e passas... como passaste!
Joaquim
Maria Castanho
3.27.2019
3.14.2019
3.13.2019
O MISTER DO VENTO
O
MISTER DO VENTO
Sopra
o vento enquanto passas
E
diz-me coisas tão invulgares,
Que
até folhas ganham novas asas
Pra
limparem o chão pra tu passares.
Outro
tanto eu faria, se pudesse
Mas
o vento pode tão mais que eu,
Que
me aventaria ao chão se fizesse
Aquilo
que acha ser mister só seu.
Joaquim
Maria Castanho
3.07.2019
A PAIXÃO DOS VERSOS
A
PAIXÃO DOS VERSOS
Pela
incomparável luz
Dias
de chuva são assim
Na
pureza que os produz
Quais
gotas de sonho em mim
Que
sou atreito ao sentir
Este
fremir dentro do peito
Que
mal te vê, quer logo sair...
São
cristais gota a gota
Que
os ramos predem apenas;
Mas
eis que o vento os solta
Para
escreverem no chão
A
paixão, dos versos, pelos poemas.
Joaquim
Maria Castanho
Etiquetas:
Endechas a Bárbara Joana,
Há Luz no Escurecer,
L and L
A FOLHA IRREVERENTE
A FOLHA IRREVERENTE
Hoje, choveu um pouquinho
Mas já se levantou vento
A secar a água fria...
E, nas poças do caminho
Quando à beira delas
Em pedras toscas me sento,
As folhas parecem velas
A singrar no tédio do dia.
Então, soprou de repente
Uma rajada mais forte,
Que levou quantas havia
A perder tino e norte...
Porém uma, indiferente
Fincou-se na lama da sorte
E disse-lhes que ia!
Joaquim Maria Castanho
3.05.2019
O VOO DA VOZ
O
VOO DA VOZ
Por
sob esta luz me perdoo
Se
sou quem grita à imensidão,
Pois
por ela, e só por ela soou
A
voz que escapou à solidão.
Nessa
dança deveras milenar
Aonde
a ilusão tropeçou,
A
voz escolhe luz pra dançar...
Então
se enleiam par a par
Até
que a luz parece pairar
E
a voz se atirou prò ar... – e voou!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
2.27.2019
BORBOLOTEIO
BORBOLOTEIO
Digo-me com o verbo na mão...
Reescrevo-te os lhos, faces
Na companhia dessa solidão
Onde se desenvolvem enlaces.
Tens a beleza simples e grata
Que nos dias ensolarados,
Deixa de ser só uma lagarta
Pra nascer em sonhos alados
De coloridos trajes a rigor,
Onde os corpos, por desejados
Volteiam nas asas do amor...
Então, dada por cumprida a missão
A sua vida pode expirar,
Que quem a lagartas deu atenção
Sempre sonhos tem a borboletear.
Joaquim Maria Castanho
Etiquetas:
Endechas a Bárbara Joana
2.18.2019
O DESTINO DAS LAGARTAS
O
DESTINO DAS LAGARTAS
Pré-borboletas
em trânsito lagartas são
E
seguem em fila pelas azinhagas,
Hão
de voar qualquer dia, ou talvez não
À
parte os encontros que venham a ter...
Se
com naturezas funestas e aziagas
Não
se lhe adivinha bom fim nem razão
Já
que as vão matar ou somente comer!
Joaquim
Maria Castanho
2.17.2019
AS FLORES DO BEM
AS
FLORES DO BEM
Surgiram
no quintal
Sem
ninguém esperar
– Click!!!
– quatro flores
Que
ao invés do mal
Na
florest’às cores
Pareciam
brincar
Só
a ser felizes.
As
duas pequenas
Ao
colo das grandes
(Que
seriam fadas
Pla
certa), serenas
Já
inventavam sons,
Assim
concertadas,
Uns
maus, outros bons,
Graves
ou gritantes,
Imensos,
petizes,
Com/sem
deslizes
No
modesto falar
Língua
das flores
Da
florest’às cores.
Não
sei que diziam
Pela
ecolalia…
Não
fui iniciado
Com
a melodia
Do
entendimento,
Ond’elas
faziam
O
doutoramento.
Mas
tenho olhado
Para
tantas flores
Da
florest’às cores,
Qu’é
afiançado
Nesta
sinfonia
O
fazer dobrado
O
que ninguém requer…
Plo
que desconfio
Estavam
a dizer
«Vivo
do arrepio,
Faça
o que fizer.»
Coisa
de poetas
Que
não me engana,
Chamado
d’alertas
Pela
sua cigana…
Qu’é
isso que cantam
Pla
melancolia
Na
ecolalia
Que
o sonho requer,
Quand’assim
andam
Pla
florest’às cores
Com
seus amores
A
brincar felizes…
– Flores
e petizes!
Joaquim
Maria Castanho
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Há Luz no Escurecer,
L and L
BRISA ACROBÁTICA
BRISA ACROBÁTICA
Junto às muralhas gastas (a esfarelarem-se) a teenager faz o pino:
Os calcanhares encostados a pique na parede de pedra sulcada
E lhe desce tanto o vestido garrido coxas abaixo desmaiado
Até se lhe ancorar nos púbicos sovacos, a barra sobre a testa
Os cabelos diluindo-se na relva entrelinhada e mansa e fresca
Onde os gatos cabriolam de retouça com os corvos de Mármara.
Haverá mínimo crime em ousar o gesto num rompante acrobático?
Que mergulho cometeu seu corpo que tão-só rompeu o infinito
Azul violeta, turquesa doce invertida no mundo de cabeça pra baixo
Na sublime perversão dos sonhos escritos em futuro de ter sido?
Mas serena a língua te explora agora tentando recompor as vestes
Como se fosses desbravada ainda não as curvas descendentes ao verbo
Ainda os pés, os seios
O pescoço, o ventre
As coxas, a boca
A voz
O triângulo da intenção mátria
A serra, o monte-de-Vénus
A planície, a seiva
A ânsia cega de falar.
Serena a língua interpreta
Penetra e inquieta o corpo percorre
O teu país de gritar paixão
Navegar entre continentes incontida
A sombra que tece e invade e em chama analisa
A brisa explode contigo – sim, ela também!!
Joaquim Maria Castanho
Com Foto de Elie Andrade
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