"A pequena cidade francesa de Pau, perto dos Pirinéus, entre 1920 e 1930, é o cenário de fundo para a peça de teatro LADOS DA VIDA, de Fausto Correia Leite, que a RDP transmitiu no seu TEMPO DE TEATRO. Os personagens Pierre, Teresa, Maurice, Suzanne, Jean-Jaques e Mimi Marselha, são representados pelas vozes de, respetivamente, Álvaro Faria, Catarina Avelar, Carlos Daniel, Carmen Santos, Ruy de Matos e Manuela Cassola, sob a direção de autores de Rogério Paulo e realização de Teles Gomes. Teresa é uma versão sucinta de "Luísa Grande, que pertenceu à chamada 'alta sociedade', retratou a alta burguesia lisboeta dos loucos anos 20", mas não só, como também as terras e almas por onde passou, na sua vagabundeagem literária, sempre atenta e generosa. E fê-lo através de três pseudónimos: Sónia, Madame Butterfly e LUZIA, que predominou desde 1920, data da primeira edição do seu livro OS QUE SE DIVERTEM (Comédia da Vida), até à sua morte em 1945.
Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
8.06.2018
LADOS DA VIDA - uma versão de Luzia...
"A pequena cidade francesa de Pau, perto dos Pirinéus, entre 1920 e 1930, é o cenário de fundo para a peça de teatro LADOS DA VIDA, de Fausto Correia Leite, que a RDP transmitiu no seu TEMPO DE TEATRO. Os personagens Pierre, Teresa, Maurice, Suzanne, Jean-Jaques e Mimi Marselha, são representados pelas vozes de, respetivamente, Álvaro Faria, Catarina Avelar, Carlos Daniel, Carmen Santos, Ruy de Matos e Manuela Cassola, sob a direção de autores de Rogério Paulo e realização de Teles Gomes. Teresa é uma versão sucinta de "Luísa Grande, que pertenceu à chamada 'alta sociedade', retratou a alta burguesia lisboeta dos loucos anos 20", mas não só, como também as terras e almas por onde passou, na sua vagabundeagem literária, sempre atenta e generosa. E fê-lo através de três pseudónimos: Sónia, Madame Butterfly e LUZIA, que predominou desde 1920, data da primeira edição do seu livro OS QUE SE DIVERTEM (Comédia da Vida), até à sua morte em 1945.
8.02.2018
SEMPRE OS MESMOS, A CADA HORA DIFERENTES
SEMPRE OS MESMOS, A CADA HORA DIFERENTES
Sim Monet, os nenúfares
Partilham sempre mudança
Impressionam vagares
Dizem genuína aliança
Que tem hora e luz do dia...
Estabelecem empatia
Negam alheada visão,
Que apatia não é opção.
Não é escolha nenhuma;
É apenas constatação...
É só remar que não ruma!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
7.31.2018
CINZEL LÍQUIDO
LÍQUIDO CINZEL
Já sereno é o canto deste manto
Cortina de lágrimas que não é pranto
Transparência que só a luz contorna...
Contudo, rupestre, mudo, interior
O soslaio dum coração intemporal
Gotícula a gotícula a vil forma
Esculpe na fria pedra esse amor
Que a tornará animada – e imortal.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
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Apontamentos do Quotidiano - Recortes,
Há Luz no Escurecer,
Hoje,
L and L,
MITOS
7.29.2018
POEMA ÀS SOMBRAS QUE PASSAM
POEMA ÀS SOMBRAS QUE PASSAM
É um silêncio interrompido
Melodia ténue em suspensão
Dum olhar trocado e consentido
Da pedra fria à pedra, na ilusão
De outra coisa ser, já quase dita
Num gesto sem movimento, sugestão
Dele só, capricho imaginado
Qual Adamastor em vão tormento
Senhor do mundo na profundidade.
Senhor dessa poalha universal
Superficial sem ter nem idade
E desconhece quanto é real...
A cujas sombras, pra lá da cortina
Diz o que a humidade lh'ensina!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
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MITOS
7.13.2018
LUÍSA GRANDE, uma das primeiras sócias da Associação de Defesa dos Animais
"[A escritora LUZIA que, curiosamente], embora herdeira de considerável fortuna a vida nunca lhe terá sido fácil e, após se ter casado em 04.04.1896, é obrigada a divorciar-se 18 anos mais tarde, em 14.12.1914, com o património lapidado, é certo, mas não tanto que a impossibilitasse de deixar em testamento consideráveis bens patrimoniais aos seus empregados e empregadas, amizades e instituições benfeitoras, incluindo a Associação de Defesa dos Animais, da qual foi uma das primeiras sócias, demonstrando a sua natureza de filantropa empenhada."
JOAQUIM MARIA CASTANHO
A oralidade e teatralidade do discurso de LUZIA
"Tenho para que a sua escrita, [ a escrita de LUZIA], marcada por uma forte oralidade como por uma intensa teatralidade, se consolidou muito antes de ir para o Colégio das Salesas, aos 15 anos, em Lisboa, mais precisamente quando de uma das janelas da casa de seus tios, via sair e entrar as pessoas no Teatro Portalegrense, que lhe ficava defronte, e mesmo por algumas peças que aí terá assistido, apetrechando-a daquele olhar crítico mas enternecido, sofrido mas igualmente divertido sobre os outros e si mesma com que efabulou as comédias do mundo."
in JOAQUIM CASTANHO, revista PLÁTANO, primavera 2012
A VERDADE rima sempre com a ETERNIDADE
VERDADE RIMA SEMPRE COM ETERNIDADE...
Contratos de vida, sentires eternos
Nas gentes e suas almas imortais,
Laços, pactos nos dares a que nos dermos
Quaisquer que sejamos entr'os demais,
Então é porque oceânicas estrelas
Bailam, riem e retouçam enleadas
Nas ondas dos teus cabelos; e vê-las
– Ora sim, ora não, esconde-esconde,
Pêndulo que marca ritmo – cativadas
Sob luz que a distância não apaga
É outro sangue a pulsar do coração...
É uma fraga que liberta e traga.
É uma primavera em cada verão.
É uma tempestada sem ser plo clima.
É um grito que não diz seja o que for.
É só um princípio de eternidade.
E é uma Paixão sem ser por amor.
Ah! E já me esquecia, é verdade:
É desejo de... – PARABÉNS, minha prima!!!
Joaquim Maria Castanho
7.09.2018
LUZIA reeditada quase 100 anos depois...
OS QUE SE DIVERTEM, primeiro livro de LUZIA, pseudónimo de Luísa Susana Grande de Freitas Lomelino, nascida em Portalegre mas falecida no Funchal, é a primeira parte de COMÉDIAS DA VIDA, secundada pelo livro RINDO E CHORANDO. No seu interior há textos (diálogos) que já foram teatralizados para rádio, além de muitos apontamentos (ou crónicas) que retratam o Portugal cosmopolita da segunda década do século passado.
6.22.2018
NÃO SEI ONDE
NÃO SEI ONDE...
Procuro o teu sorriso, o teu olhar
Lá, não sei onde...
Como se fosse o sol a esgarrar
O folhedo, de fronde em fronde.
E assim, nesse preparo
Nem reparo quem repara em mim;
Que o sol à sombra esconde
Tal como o teu sorriso, o teu olhar
Que insiste em perdurar
A brilhar por entre qualquer fronde
Vindo... Vindo... Vindo...
Lá, não sei de onde!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
6.20.2018
LUAR JOANINO
LUAR JOANINO
De imaterial mas humano
E das profundezas das almas,
Só o divino mas profano
Sentido com que me acalmas
Dia a dia, mês a mês, ano a ano...
Que a vida pulsa sempre, é constante
Crescer lunar, círculo imenso, ímpar
Feito já da imagem desse amante
Que se vê no tempo, quando quer casar.
Joaquim Maria Castanho
6.18.2018
A DOR TAMBÉM SOFRE
169.
QUE A DOR TAMBÉM SOFRE
Há um sofrimento infinito
Plo deslizar manso na água
Com que o sonho cala o grito
Com que o grito cala a mágoa.
E nesse círculo tão fechado
Quase onda que pedrada deu,
Fica o que é belo maculado
Por quem ao ódio dum odiado
Com outro ódio maior respondeu.
Qu’esquece o que ninguém esquece
Nem sequer quando bem aflito:
Que o amor por quem não merece
Só causa dor, só causa atrito…
– E sofre a dor mais do que eu
Que de todos sou quem mais sofreu!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Anabela Pereira
6.14.2018
QUANDO O SENTIR É PURO
QUANDO O SENTIR É PURO
Líquido instante esse
Em que penso...
de repente
O sonho aflora, desce
No trânsito fluente,
E seguro, mas constante
Grafa granito no muro,
Numa linha diamante
Do cristal da tarde, ente
Dourado e transparente:
Amor queima mas não arde.
Joaquim Maria Castanho
Com Foto de Anabela Pereira
6.11.2018
PRINCÍPIO E FIM
167.
PRINCÍPIO E FIM
Sutil aflorar não é falta de paixão…
Nem que nela há menor intensidade;
O amor impõe cuidados ao coração
– Subscreve sutileza à sensibilidade.
Fulgor exige doçura, moderação…
Sequer indica definição d’idade,
Mas antes explica por que à intenção
Andam coladas a razão e verdade.
Já em mim, se exalto nobres valores
Basta-me ver-te pra desde logo sentir
Quanto amor por todas outras flores
Já senti aos pouquinhos, sem explodir,
Sem m’estrondar corpo e alma num vulcão
Que acorda… – liberta lavas de paixão.
Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Anabela Pereira
6.07.2018
OMBRO COM OMBRO
OMBRO A OMBRO
Quando a sombra desliza perturbante
Ombro a ombro vem sem ferir, magoar
Entre as frestas da penumbra secular,
É a fantasia de um sonho distante
Esboçando promessa de lesto chegar.
É a magia do desejo traçando secante
Ao interno novelo que enleia as preces,
Transformando o longe num instante
Em que te fazes autêntica... E apareces.
É o fulgor dum flashback desejado
A enobrecer a realidade, pondo amor
Inesperado no acaso tornando torpor...
Mas também é o semáforo apagado
Frente à zebra que queres transpor
E que à ousadia sempre aplica temor,
Empresta a cada jeito ensimesmado.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
6.05.2018
MEU PÃO PLURAL
166.
MEU PÃO PLURAL
Mergulho em recordações…
Abro a voz pra respirar-te.
Redesenho-te por secções
Onde as partes são ambiente
Unidas até serem arte,
Sentidas até serem gente.
Não há mar que te desconheça
Não há céu que te não cante,
Nem sentir que te desmereça
Nem amor sem ser de amante.
Esse ora assim destilado
Serenidade (e exatidão),
Quase afeto amassado
Com o cuidado de tua mão
Que assina por bem, no final
O teu olhar, meigo e plural.
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ (Pág. CCXIV)
Com foto de Elie Andrade
6.01.2018
TEU ADEUS
165.
TEU ADEUS
Tu, só tu
Tormentas paras, derrocadas escoras.
E posso dizer que teus olhos são meus?
Posso aferir quem sou de quem em mim vês?
Ontem passaste apenas uma vez…
Mas duraste vinte e quatro horas.
Dormi toda a noite com teu Adeus!
Tu, só tu
Suport’as toneladas de esperança
Que há no sonho e só o sonho alcança.
E posso dizer que teus olhos são meus?
Ontem sorriste, e fui criança…
Dormi toda a noite com teu Adeus!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
5.30.2018
ROSMANINHO NACIONAL
164.
ESTE ROSMANINHO NACIONAL
Snifei rosmaninho…
Snifei rosmaninho…
Pla moldura da janela
Bem no meio do caminho
Vejo sonho, o rosto dela
Jeitinho de Cinderela
Meigo lindo sem igual
Todo feito do carinho
Como só há em Portugal.
Snifei rosmaninho…
Snifei rosmaninho…
Mas não misturei alecrim
Para não meter no ninho
Quaisquer restos de mim
Menos dignos menos leais
Que aos olhos do mundo
Possam sugerir desditas
E coisas essas que tais
Tão fatais parasitas
Qu’iludem o povo plural
Como só há em Portugal.
Joaquim Maria Castanho
(Nota desnecessária: Planta por cuja ação antiespasmódica e anticancerígena, pode também ser utilizada para dificuldades no sono, problemas de circulação, prevenção de doenças degenerativas e tratamento de enxaqueca. Ou seja, não obstante o valor, ninguém dá nada por ela.)
5.29.2018
5.28.2018
O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ
162.
O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ
Quando teu olhar me falta
Eu fico sem jeito;
Ando à toa e na malta,
E doi-me o peito.
Sinto as sílabas trocadas…
Até perco a razão;
Ando onde não há estradas,
Ardem-m’as solas no chão.
Era coisa qu’eu não sabia…
Não se aprende fácil;
Aprende-se no dia a dia,
Mal o sentir é ágil.
Comprar ajuda a (a)pagar.
Não há mal nenhum nisso…
A eternidade pod’estar
No nosso compromisso:
Podemos crescer como um só
– Tu serás mãe, tu serás avó.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
5.27.2018
BREVIDADE NÃO SEPARA
161.
A BREVIDADE NÃO SEPARA
Quem poderá aproximar-se de ti
Sem te amar é pecado enorme
Que o sonho nunca para nem dorme,
Faz o seu agora em qualquer aqui.
Tece enredos onde também teci
Arranja encontros que o conforme
E desce às sombras mais secretas;
Os teus olhos são mágicas setas
Que fitam na metamorfose a vida
Não quer saber s’é curta ou comprida
Abre sinais já por si abertos
Omite os longes e fá-los pertos
Mas tão perto e tão próximos assim
Tal e qual tu estás hoje em mim.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de ELIE ANDRADE
5.26.2018
REGISTO LAVRADO
160.
Pisa
Pisa em mim, que eu mereço
Acelera bem na minha dor
Que a palavra, se a exerço
Também fere com amor;
Visa
Com aviso, se estremeço
Na côdea tostada, a pele
De tua voz redesenhada
Quase crosta, líquido mel
Que reservo prà madrugada
Em que ficas acesa em mim,
Ângulos feitos de nada
Para a redondez, enfim
Arestas polidas da paixão
Preto no branco, já assumida
– Coração qu’abre o coração
E mete lá a chave da vida.
Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Elie Andrade
REGISTO LAVRADO
Pisa
Pisa em mim, que eu mereço
Acelera bem na minha dor
Que a palavra, se a exerço
Também fere com amor;
Visa
Com aviso, se estremeço
Na côdea tostada, a pele
De tua voz redesenhada
Quase crosta, líquido mel
Que reservo prà madrugada
Em que ficas acesa em mim,
Ângulos feitos de nada
Para a redondez, enfim
Arestas polidas da paixão
Preto no branco, já assumida
– Coração qu’abre o coração
E mete lá a chave da vida.
Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Elie Andrade
5.24.2018
AGUACEIRO CÍCLICO
CÍCLICO AGUACEIRO
E me reergo das nuvens cinzentas
Qual gota transparente, vertical,
Que lenta cai entr'as demais, lentas
Até ao grande oceano do plural...
Porém, logo, de pronto, a impressão
Vincada, escorreita, vivaz, febril
Que há nessa água de águas mil
A líquida solidão desfeita
À espreita por se ver primaveril.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
5.23.2018
INCONFORMADO LAMENTO
159.
LAMENTO INCONFORMADO
Ela me castigou por algo que não fiz
E pedir-lhe perdão não adiantará,
Pois até já o seu castigo eu quis
Mais que às benesses que outrem me dá…
Que tudo na vida me falha por um triz,
Nada contenta, nada luz, tudo é vão,
E me arrasto plas horas escrevendo a giz
Nest’alma ardida, condoído coração.
Sofro, só a recordação me ampara.
Só a solidão me escuta, me entende;
Só nela é meu teu rosto, tua cara
Esta chama que só teu olhar acende.
E mais que astros, o céu, a lua
Só uma voz nela me brilha… a tua!
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR VOZ, página CCVII
5.22.2018
5.21.2018
5.18.2018
SONHO TÁCTIL
157.
SONHO TÁCTIL
Quando passas a conduzir
E, parece, nem sequer me ver,
Vejo minha esperança a ruir
Sinto o meu coração a doer
No seu inesperado sentir
– Quase abalo ou sismo ser… –
Onde o chão, a terra a fugir,
Tem sulcos d’algodão a escorrer
Tem versos de paixão a contrair
Plo bailado do teu cabelo
(Dlim-dlão, dlão-dlim), qual pêndulo
Do compasso a marcar-me assim
Num fogo tal, e só por vê-lo,
Que sonho por tocá-lo, enfim!
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ
5.16.2018
A ALEGRE PASSEATA
PASSEATA ORGULHOSA
Mesmo que a esperança seja turva
E houver insegurança, estagnação,
Ou se ziguezaguei curva ante curva
Para não patinar num oleoso chão,
Se disser as estrofes, sigo adiante...
Se a poesia consentir, cuido de ti...
E entre nós, o futuro, já radiante
Segue-te pelo presente que escolhi.
Que este navegar sobre os escolhos
Bem para além do longe e do distante,
Traz a alegria escrita em nossos olhos
Quando a vida de confiante... sorri.
Joaquim Maria Castanho
(Foto: ELIE ANDRADE)
5.13.2018
ABRAÇO ESSENCIAL II
ABRAÇO ESSENCIAL II
Aposto-m'em cada passo
Na procura do teu olhar,
Refletido nest'abraço
Que ninguém poderá julgar
Sem deturpar a imagem
Em que a água acredita,
Exilando-a da margem
Onde bate extasiado,
– Porque em febril cuidado –
O coração que a edita.
Joaquim Maria Castanho
(C/foto de Elie Andrade)
5.11.2018
DEPOIS DA FALA
DEPOIS DA FALA
Ondula, baila, baloiça
Oscila um ósculo lunar
– Digo-o pra que ninguém oiça… –
Num brinco que me faz baloiçar.
Qu’isso que a fala aprende
Mal a língua nos pronuncia,
É um ósculo que nos defende
Das agruras do dia-a-dia
Mesmo que não seja tão real
Como o sonhámos tanta vez
É ideal que à vida prende
Quem oscila, balança, porfia;
Quem baloiça assim todo o mês
Entre o menos bem e o menos-mal.
Joaquim Maria Castanho
5.08.2018
DO GRITO, a fala
153.DO GRITO, A FALA
Inspiro o que me há de expelir
E anseio na sombra me soletro,
Mas s’ouvir bater à porta, entro
E abro-a prò sol poder sair,
Que a vida é fulcro, é centro
Que as pétalas mostram ao abrir,
Qual grito que não querem calar
Pra erradicar desavença e dor.
Então, já embevecido raiar
Vejo-te sorrir num gesto de flor
Que não receia o querer falar…
– E a língua inventou o amor!
Joaquim Maria Castanho
5.07.2018
O GRITO depois do uivo
DEPOIS DO UIVO, O GRITO
Para discernir seguro e inteiro
Quem o coração elegeu primeiro
Não há receita já pronta e feita,
Nem medida tirada com preceito
Que a margem do afeto é estreita
E a atração também cresce no peito…
Porém, se o verbo jungir surgir, vier
E exigir pouco a pouco ser conjugado
Em todos os tempos e modos que tiver,
Desço do poema como quem se apeia
Dum uivo, e de propósito se enleia
Nele, pra poder gritar quanto quiser!
Joaquim Maria Castanho
5.05.2018
5.04.2018
4.25.2018
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