7.31.2018

CINZEL LÍQUIDO




LÍQUIDO CINZEL 

Já sereno é o canto deste manto
Cortina de lágrimas que não é pranto
Transparência que só a luz contorna... 

Contudo, rupestre, mudo, interior
O soslaio dum coração intemporal
Gotícula a gotícula a vil forma
Esculpe na fria pedra esse amor
Que a tornará animada – e imortal. 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

7.29.2018

POEMA ÀS SOMBRAS QUE PASSAM




POEMA ÀS SOMBRAS QUE PASSAM

É um silêncio interrompido
Melodia ténue em suspensão
Dum olhar trocado e consentido
Da pedra fria à pedra, na ilusão
De outra coisa ser, já quase dita
Num gesto sem movimento, sugestão
Dele só, capricho imaginado
Qual Adamastor em vão tormento
Senhor do mundo na profundidade. 
Senhor dessa poalha universal
Superficial sem ter nem idade
E desconhece quanto é real...

A cujas sombras, pra lá da cortina
Diz o que a humidade lh'ensina!

Joaquim Maria Castanho  
Com foto de Elie Andrade

7.13.2018

LUÍSA GRANDE, uma das primeiras sócias da Associação de Defesa dos Animais





"[A escritora LUZIA que, curiosamente], embora herdeira de considerável fortuna a vida nunca lhe terá sido fácil e, após se ter casado em 04.04.1896, é obrigada a divorciar-se 18 anos mais tarde, em 14.12.1914, com o património lapidado, é certo, mas não tanto que a impossibilitasse de deixar em testamento consideráveis bens patrimoniais aos seus empregados e empregadas, amizades e instituições benfeitoras, incluindo a Associação de Defesa dos Animais, da qual foi uma das primeiras sócias, demonstrando a sua natureza de filantropa empenhada." 
JOAQUIM MARIA CASTANHO

A oralidade e teatralidade do discurso de LUZIA




"Tenho para que a sua escrita, [ a escrita de LUZIA], marcada por uma forte oralidade como por uma intensa teatralidade, se consolidou muito antes de ir para o Colégio das Salesas, aos 15 anos, em Lisboa, mais precisamente quando de uma das janelas da casa de seus tios, via sair e entrar as pessoas no Teatro Portalegrense, que lhe ficava defronte, e mesmo por algumas peças que aí terá assistido, apetrechando-a daquele olhar crítico mas enternecido, sofrido mas igualmente divertido sobre os outros e si mesma com que efabulou as comédias do mundo." 

in JOAQUIM CASTANHO, revista PLÁTANO, primavera 2012

A VERDADE rima sempre com a ETERNIDADE





VERDADE RIMA SEMPRE COM ETERNIDADE...

Que se há soluções não dissolventes
Contratos de vida, sentires eternos
Nas gentes e suas almas imortais, 
Laços, pactos nos dares a que nos dermos
Quaisquer que sejamos entr'os demais, 
Então é porque oceânicas estrelas
Bailam, riem e retouçam enleadas
Nas ondas dos teus cabelos; e vê-las
– Ora sim, ora não, esconde-esconde, 
Pêndulo que marca ritmo – cativadas
Sob luz que a distância não apaga
É outro sangue a pulsar do coração... 

É uma fraga que liberta e traga. 
É uma primavera em cada verão. 
É uma tempestada sem ser plo clima. 
É um grito que não diz seja o que for. 
É só um princípio de eternidade. 
E é uma Paixão sem ser por amor. 

Ah! E já me esquecia, é verdade: 
É desejo de... – PARABÉNS, minha prima!!!

Joaquim Maria Castanho  

7.09.2018

LUZIA reeditada quase 100 anos depois...




OS QUE SE DIVERTEM, primeiro livro de LUZIA, pseudónimo de Luísa Susana Grande de Freitas Lomelino, nascida em Portalegre mas falecida no Funchal, é a primeira parte de COMÉDIAS DA VIDA, secundada pelo livro RINDO E CHORANDO. No seu interior há textos (diálogos) que já foram teatralizados para rádio, além de muitos apontamentos (ou crónicas) que retratam o Portugal cosmopolita da segunda década do século passado. 

6.22.2018

NÃO SEI ONDE




NÃO SEI ONDE...

Procuro o teu sorriso, o teu olhar
Lá, não sei onde... 
Como se fosse o sol a esgarrar
O folhedo, de fronde em fronde. 
E assim, nesse preparo 
Nem reparo quem repara em mim; 
Que o sol à sombra esconde
Tal como o teu sorriso, o teu olhar
Que insiste em perdurar
A brilhar por entre qualquer fronde
Vindo... Vindo... Vindo... 
Lá, não sei de onde! 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

6.20.2018

OS QUE SE DIVERTEM - A COMÉDIA DA VIDA





Já está à venda o livro da autora portalegrense LUZIA, pseudónimo de Luísa Susana Grande de Freitas Lomelino, OS QUE SE DIVERTEM - A COMÉDIA DA VIDA, que teve a sua primeira edição em 1920, a segunda sem data explícita e a terceira em 1929. Eis como ora se apresenta ao público...  

LUAR JOANINO




LUAR JOANINO 

De imaterial mas humano
E das profundezas das almas,
Só o divino mas profano
Sentido com que me acalmas
Dia a dia, mês a mês, ano a ano...

Que a vida pulsa sempre, é constante
Crescer lunar, círculo imenso, ímpar 
Feito já da imagem desse amante
Que se vê no tempo, quando quer casar.    

Joaquim Maria Castanho 

6.18.2018

A DOR TAMBÉM SOFRE




169. 
QUE A DOR TAMBÉM SOFRE   


Há um sofrimento infinito
Plo deslizar manso na água
Com que o sonho cala o grito
Com que o grito cala a mágoa. 


E nesse círculo tão fechado
Quase onda que pedrada deu, 
Fica o que é belo maculado 
Por quem ao ódio dum odiado 
Com outro ódio maior respondeu. 


Qu’esquece o que ninguém esquece
Nem sequer quando bem aflito: 
Que o amor por quem não merece
Só causa dor, só causa atrito… 

– E sofre a dor mais do que eu 
Que de todos sou quem mais sofreu!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Anabela Pereira

6.14.2018

QUANDO O SENTIR É PURO




QUANDO O SENTIR É PURO

Líquido instante esse
Em que penso... 


                                 de repente
O sonho aflora, desce
No trânsito fluente, 
E seguro, mas constante
Grafa granito no muro,
Numa linha diamante
Do cristal da tarde, ente
Dourado e transparente:
Amor queima mas não arde.

Joaquim Maria Castanho
Com Foto de Anabela Pereira

6.11.2018

PRINCÍPIO E FIM




167.
 PRINCÍPIO E FIM 



Sutil aflorar não é falta de paixão… 
Nem que nela há menor intensidade; 
O amor impõe cuidados ao coração 
– Subscreve sutileza à sensibilidade. 


Fulgor exige doçura, moderação… 
Sequer indica definição d’idade, 
Mas antes explica por que à intenção 
Andam coladas a razão e verdade. 


Já em mim, se exalto nobres valores
Basta-me ver-te pra desde logo sentir
Quanto amor por todas outras flores
Já senti aos pouquinhos, sem explodir,
Sem m’estrondar corpo e alma num vulcão
Que acorda… – liberta lavas de paixão. 

Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Anabela Pereira

6.07.2018

OMBRO COM OMBRO




OMBRO A OMBRO

Quando a sombra desliza perturbante
Ombro a ombro vem sem ferir, magoar
Entre as frestas da penumbra secular,
É a fantasia de um sonho distante
Esboçando promessa de lesto chegar.
É a magia do desejo traçando secante
Ao interno novelo que enleia as preces,
Transformando o longe num instante
Em que te fazes autêntica... E apareces.
É o fulgor dum flashback desejado
A enobrecer a realidade, pondo amor
Inesperado no acaso tornando torpor...
Mas também é o semáforo apagado
Frente à zebra que queres transpor
E que à ousadia sempre aplica temor, 
Empresta a cada jeito ensimesmado.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

6.05.2018

BANCO DE SOBRA




BANCO DE SOBRA

E como tudo se disse já, 
Ou tudo já se fez também...  

... Mas a felicidade está
Em nos sentarmos tão-tão perto,
Que fique metade deserto
Mesmo que não venha mais ninguém!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

MEU PÃO PLURAL




166. 
MEU PÃO PLURAL 



Mergulho em recordações… 
Abro a voz pra respirar-te.
Redesenho-te por secções
Onde as partes são ambiente
Unidas até serem arte, 
Sentidas até serem gente. 



Não há mar que te desconheça
Não há céu que te não cante, 
Nem sentir que te desmereça
Nem amor sem ser de amante. 



Esse ora assim destilado
Serenidade (e exatidão),
Quase afeto amassado 
Com o cuidado de tua mão 
Que assina por bem, no final
O teu olhar, meigo e plural.

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ  (Pág. CCXIV) 
Com foto de Elie Andrade

6.01.2018

TEU ADEUS




165.
TEU  ADEUS


Tu, só tu
Tormentas paras, derrocadas escoras. 
E posso dizer que teus olhos são meus?
Posso aferir quem sou de quem em mim vês? 
Ontem passaste apenas uma vez… 
Mas duraste vinte e quatro horas. 

Dormi toda a noite com teu Adeus! 

Tu, só tu
Suport’as toneladas de esperança
Que há no sonho e só o sonho alcança. 
E posso dizer que teus olhos são meus? 
Ontem sorriste, e fui criança… 


Dormi toda a noite com teu Adeus! 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.30.2018

ROSMANINHO NACIONAL




164. 
ESTE ROSMANINHO NACIONAL 


Snifei rosmaninho… 
Snifei rosmaninho… 

Pla moldura da janela
Bem no meio do caminho
Vejo sonho, o rosto dela
Jeitinho de Cinderela
Meigo lindo sem igual
Todo feito do carinho
Como só há em Portugal. 

Snifei rosmaninho… 
Snifei rosmaninho… 

Mas não misturei alecrim 
Para não meter no ninho
Quaisquer restos de mim
Menos dignos menos leais
Que aos olhos do mundo
Possam sugerir desditas
E coisas essas que tais
Tão fatais parasitas
Qu’iludem o povo plural
Como só há em Portugal.  

Joaquim Maria Castanho

(Nota desnecessária: Planta por cuja ação antiespasmódica e anticancerígena, pode também ser utilizada para dificuldades no sono, problemas de circulação, prevenção de doenças degenerativas e tratamento de enxaqueca. Ou seja, não obstante o valor, ninguém dá nada por ela.)

5.29.2018

LÂNGUIDO VAGUEAR




163. 
LÂNGUIDO VAGUEAR 


Atraso o passo, retardo
Fitando teu voo e crer, 
Nascida espera ardo
Flama que clama a crescer
Mas nada digo, divago
Vagueio, tronco sem rama
Na chama desse enleio
Na calmaria dum lago. 

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ (Página CCXI)
Com foto de Elie Andrade 

5.28.2018

O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ




162. 
O TEU OLHAR DEU-ME UM NÓ 



Quando teu olhar me falta
Eu fico sem jeito; 
Ando à toa e na malta,
E doi-me o peito. 
Sinto as sílabas trocadas… 
Até perco a razão;
Ando onde não há estradas, 
Ardem-m’as solas no chão. 
Era coisa qu’eu não sabia…
Não se aprende fácil; 
Aprende-se no dia a dia, 
Mal o sentir é ágil. 



Comprar ajuda a (a)pagar. 
Não há mal nenhum nisso… 
A eternidade pod’estar 
No nosso compromisso: 
Podemos crescer como um só 
– Tu serás mãe, tu serás avó.  

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.27.2018

BREVIDADE NÃO SEPARA




161.
A BREVIDADE NÃO SEPARA



Quem poderá aproximar-se de ti
Sem te amar é pecado enorme
Que o sonho nunca para nem dorme, 
Faz o seu agora em qualquer aqui. 
Tece enredos onde também teci
Arranja encontros que o conforme
E desce às sombras mais secretas; 
Os teus olhos são mágicas setas
Que fitam na metamorfose a vida
Não quer saber s’é curta ou comprida
Abre sinais já por si abertos
Omite os longes e fá-los pertos
Mas tão perto e tão próximos assim
Tal e qual tu estás hoje em mim.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de ELIE ANDRADE

5.26.2018

REGISTO LAVRADO

160.



REGISTO LAVRADO


Pisa 
Pisa em mim, que eu mereço
Acelera bem na minha dor
Que a palavra, se a exerço
Também fere com amor; 
Visa 
Com aviso, se estremeço
Na côdea tostada, a pele
De tua voz redesenhada
Quase crosta, líquido mel
Que reservo prà madrugada
Em que ficas acesa em mim, 
Ângulos feitos de nada
Para a redondez, enfim
Arestas polidas da paixão
Preto no branco, já assumida 
– Coração qu’abre o coração
E mete lá a chave da vida.

Joaquim Maria Castanho
Com excerto de foto de Elie Andrade

5.24.2018

AGUACEIRO CÍCLICO




CÍCLICO AGUACEIRO 

E me reergo das nuvens cinzentas
Qual gota transparente, vertical, 
Que lenta cai entr'as demais, lentas
Até ao grande oceano do plural... 

Porém, logo, de pronto, a impressão
Vincada, escorreita, vivaz, febril
Que há nessa água de águas mil
A líquida solidão desfeita
À espreita por se ver primaveril. 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.23.2018

INCONFORMADO LAMENTO




159.
LAMENTO INCONFORMADO


Ela me castigou por algo que não fiz
E pedir-lhe perdão não adiantará, 
Pois até já o seu castigo eu quis 
Mais que às benesses que outrem me dá…
Que tudo na vida me falha por um triz, 
Nada contenta, nada luz, tudo é vão, 
E me arrasto plas horas escrevendo a giz
Nest’alma ardida, condoído coração.

Sofro, só a recordação me ampara.
Só a solidão me escuta, me entende;
Só nela é meu teu rosto, tua cara
Esta chama que só teu olhar acende.
E mais que astros, o céu, a lua
Só uma voz nela me brilha… a tua!

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR  VOZ, página CCVII

5.22.2018

RECORRENTES E REDUNDANTES




(RE)CORRENTES E REDUNDANTES

Nesta redundância, sem ideais
Do querer ganhar o seu tostão, 
Há muitas pessoas, bem normais
Que não sabem a diferença que há
Entre o logo e o já, 
Entre o sim e o não!  

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.21.2018

SOLUÇO




SOLUÇO 

Viver é habitar num lago de escombros, 
Um emergir escorrendo água dos ombros; 
É um sacudir da aspereza e da fadiga
Ainda que me ande a Musa a monte
E não haja nada que diga, 
Não haja nada que conte... 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.18.2018

SONHO TÁCTIL




157.
SONHO TÁCTIL


Quando passas a conduzir 
E, parece, nem sequer me ver, 
Vejo minha esperança a ruir
Sinto o meu coração a doer
No seu inesperado sentir
– Quase abalo ou sismo ser… – 
Onde o chão, a terra a fugir, 
Tem sulcos d’algodão a escorrer
Tem versos de paixão a contrair 
Plo bailado do teu cabelo
(Dlim-dlão, dlão-dlim), qual pêndulo 
Do compasso a marcar-me assim
Num fogo tal, e só por vê-lo, 
Que sonho por tocá-lo, enfim!

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ

5.16.2018

A ALEGRE PASSEATA




PASSEATA ORGULHOSA

Mesmo que a esperança seja turva
E houver insegurança, estagnação, 
Ou se ziguezaguei curva ante curva
Para não patinar num oleoso chão,
Se disser as estrofes, sigo adiante... 
Se a poesia consentir, cuido de ti... 
E entre nós, o futuro, já radiante
Segue-te pelo presente que escolhi. 

Que este navegar sobre os escolhos
Bem para além do longe e do distante,
Traz a alegria escrita em nossos olhos
Quando a vida de confiante... sorri. 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: ELIE ANDRADE)


5.13.2018

ABRAÇO ESSENCIAL II





ABRAÇO ESSENCIAL II

Aposto-m'em cada passo
Na procura do teu olhar, 
Refletido nest'abraço
Que ninguém poderá julgar
Sem deturpar a imagem
Em que a água acredita, 
Exilando-a da margem
Onde bate extasiado,
– Porque em febril cuidado –
O coração que a edita. 

Joaquim Maria Castanho
(C/foto de Elie Andrade)

5.11.2018

DEPOIS DA FALA




DEPOIS DA FALA 



Ondula, baila, baloiça
Oscila um ósculo lunar 
– Digo-o pra que ninguém oiça… – 
Num brinco que me faz baloiçar. 


Qu’isso que a fala aprende
Mal a língua nos pronuncia, 
É um ósculo que nos defende 
Das agruras do dia-a-dia 
Mesmo que não seja tão real
Como o sonhámos tanta vez
É ideal que à vida prende
Quem oscila, balança, porfia; 
Quem baloiça assim todo o mês
Entre o menos bem e o menos-mal. 

Joaquim Maria Castanho

5.08.2018

DO GRITO, a fala




153.DO GRITO, A FALA



Inspiro o que me há de expelir
E anseio na sombra me soletro, 
Mas s’ouvir bater à porta, entro
E abro-a prò sol poder sair, 
Que a vida é fulcro, é centro
Que as pétalas mostram ao abrir, 
Qual grito que não querem calar
Pra erradicar desavença e dor. 


Então, já embevecido raiar 
Vejo-te sorrir num gesto de flor
Que não receia o querer falar… 

– E a língua inventou o amor!

Joaquim Maria Castanho

5.07.2018

O GRITO depois do uivo




DEPOIS DO UIVO, O GRITO   



Para discernir seguro e inteiro
Quem o coração elegeu primeiro
Não há receita já pronta e feita, 
Nem medida tirada com preceito
Que a margem do afeto é estreita
E a atração também cresce no peito… 

Porém, se o verbo jungir surgir, vier
E exigir pouco a pouco ser conjugado
Em todos os tempos e modos que tiver, 
Desço do poema como quem se apeia
Dum uivo, e de propósito se enleia 
Nele, pra poder gritar quanto quiser!

Joaquim Maria Castanho

5.05.2018

5.04.2018

Pois é...




"Adiante, os leitores vão ficar com uma ideia do que mudou durante a revisão, o que, espero, permita permita mostrar que um livro nunca é criado por uma única pessoa. Os livros, tal como a maior parte das minhas coisas favoritas, são feitos de colaborações." 

JOHN GREEN, in À Procura de Alaska

4.25.2018

25 de abril de 2018




A cultura não tem credo nem regime, não é de esquerda nem de direita, quer ser livre, inovadora e sustentável, diversa, emancipada, responsável, emancipada, harmoniosa e socialmente responsável. 

4.24.2018

A QUEBRA




A QUEBRA

Vejam: a próxima linha 
Não tem sentido nenhum... 
Ninguém sabe onde fica; 
Ninguém sabe pra onde vai. 

Não há sons que a digam
Nem palavras pra desenhá-la, 
Mas somente esse clique
De alinhavo que se esvai, 
Bater de dentes ao cortá-la. 

Joaquim Maria Castanho

MELHOR AMA QUEM CRÊ AMAR




O MELHOR AMOR

Bebe água, a rolinha
Enquanto a ideia choca; 
Um dia será apenas minha
E o canto, de quem a sufoca
A desfoca
A desloca ao pronto observar. 

Se tem sede, não é de beber... 
Se aspira, não é pra respirar... 
Mas se vive é por crer viver...
Qu'o maior amor é crer amar. 

Joaquim Maria Castanho

4.21.2018

MIRAR (IN)DISCRETO



MIRAR (IN)DISCRETO 

Há, ao fundo, 
Uma cidade
A espreitar a flor... 

– Então, é verdade
Que todo o mundo
Tem o anseio profundo
De guardar o amor! 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: Beluxa Gto)

CORRENTE INEVITÁVEL




CORRENTE INEVITÁVEL 

Esfrego o rosto, 
Sacudo a cabeça... 

Mas mesmo assim, aposto, 
Não é certo que te esqueça! 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: Zélia Mendes)

MÚSICA AO LONGE, de Erico Veríssimo




"Quando a gente quer olhar tudo, acaba descobrindo o que há de feio no mundo." 
Erico Veríssimo, in Música ao Longe

O Coronel e o Lobisomem




"O mundo é um saco de pecados e cada um arrasta a sua penitência"
JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO
in O Coronel e o Lobisomem 

CONTRARIEDADE




CONTRARIEDADE

Chove, pinga, troveja... 

Então, fico em casa
O coração em brasa,
Mas cara d'ora-veja! 

Joaquim Maria Castanho

4.20.2018

XEQUE-MATE




XEQUE-MATE

Deste-me xeque-mate
Numa simples jogada, 
Pérola de quilate
Preciosa e dobrada. 

Foi um tiro preciso
Exato, limpo, sem dó,
Que me põe num sorriso
Pronto para dar o nó. 

Deste-me xeque-mate...
– E numa jogada só! 

Joaquim Maria Castanho

4.19.2018

LUA NOVA




LUA NOVA 

Eu andava à deriva
Por falta de notícias
Daquela que é cativa
Em outras frias paragens
Onde não há delícias 
Onde não há estiagens... 

Ora sou preocupação: 
Não resta senão esperar
Que a Lua cresça e então
O Sol a ajude a brilhar. 

Joaquim Maria Castanho 

4.18.2018

A DESCARADA FLOR




A FLOR DESCARADA

Procura devagar
Até encontrar
Entre sombras, ali
A residente flor.  
É a que escolhi.
E embora sem par
Seja, das do lugar
Símbolo de amor. 
De alva pureza,
Amistosa na cor... 

– Mas a sua beleza
'Tá em não ter pudor!

Joaquim Maria Castanho 
(Foto: Beluxa Gto)

4.17.2018

NINGUÉM VENDE POESIAS





O NEGÓCIO DUM ZÉ-NINGUÉM    
        

Na tristeza e na revolta, 
Na grande solidão dos dias, 
Oh amor, és uma escolta
Pràs difíceis travessias! 
És essa prisão que nos solta. 
És a sisudez das alegrias. 
Imagens do que há em volta; 
Metáforas do medir verbal. 
Devendo-te incluir também 
Na destreza com que nos guias
Nessa circular que nos mantém 
Em órbita, mas não é astral… 
Antes terrena, comercial
Onde Ninguém vende poesias.

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português