Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
9.11.2022
A grande INCÓGNITA
A GRANDE INCÓGNITA
Chamo-me Futuro, e não sou pra graças.
Nada sei do amanhã à exceção daquilo
Que é tão irrevogável como os braços de Milo
Na frugalidade do Agora e suas trapaças.
Podem não me ver sem lentes especiais
Esquecer-me entre as bagagens usuais
De quem pernoita nos desvãos e nas praças.
Nos arquivos, concertos e festivais
Ou nas partilhas por heranças e traças
Com que a inveja congemina planos, ameaças
Para se vingar dos que pensa serem mais.
Mais isto e aquilo, aqueloutro e coisa e tal
– Sabe-se lá! – Ou sinal intermitente
Tipo digital VIVO / MORTO, Virtual
Versus Real, em que existe tanta gente.
Chamo-me Futuro, e estou de partida
Para onde o passado não me encontre,
Perdendo de mim o rasto, sentido e norte,
Ainda que mui deseje repetir a vida!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira
Portalegre, 11 de setembro de 2022
9.09.2022
título póstumo
TÍTULO PÓSTUMO
Era uma vez um poema sem título
Que fazia parte de um romance, vivo
Real, ativo, nada abstrato e cativo
Do enredo, sendo dele outro capítulo
Jovem, mas sensato e ilimitado,
Como a sustentabilidade infinita
A sua pele cor de mel enfeitiçado
Seu olhar de luar de outono-escuro
Que chamo num silêncio qu’apenas grita
Sentido amor que vai para lá dos sentidos.
Se me aproximo, seu sorriso é puro.
Se o nomeio, conta cantando Mil… Dois… Cem… Três…
E salta da História o tempo, o muro
Dos nomes, para ser Rainha… – Sim…: outra vez!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 09 de setembro de 2022
9.06.2022
DA IMORTALIDADE DO SONHO
SOBRE A IMORTALIDADE DO SONHO
Na orla do movimento
Todo o caos desacontece:
Fenece plo sentimento
Que só teu rosto merece.
E esse sinal que sei de cor
Bem a jeitinho de beijar
Quase tão botão de flor;
Quase seio de nobre amor
Qu’até põe o sonho a sonhar.
Porque ao ver-te eu o digo
Posto fora de perigo
Já longe de qualquer mal:
S’até o sonho sonho contigo
Que não se passará comigo
Que sou simplesmente mortal!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 06 de setembro de 2022
8.29.2022
"Só o SIM é sim"
NENHUM NÃO É CONSENTIMENTO
“Só o sim é sim"; o resto metáforas são
De quem prefere ver (assaz) confirmadas
As perversões que lhe habitam a intenção.
Os humanos inventaram a fala pra dizer
Mas depois esqueceram-na, simplesmente,
Substituindo-a
por diversas fobias"Só o s
Que não reconhecem beleza nem poesias,
Homo, bi, trans e inter, estereotipadas
Cultivando ódio e vergonha entre as gentes,
Discriminações, violência e abusos,
Rituais da ignorância, ritos confusos;
Que consideram “as demais” coisificadas,
Ou apenas objetos de gozo e de prazer
(Que ressentidas castigam, fazem sofrer).
“Só o sim é sim”, que o resto é indecisão
Verdade oculta por inúmeras camadas
Dolorosas de violação, acamadas
No íntimo... – nascidas do calado não!
Joaquim Maria Castanho
(29 de agosto de 2022)
#poesia #poema #poeta
#literatura
8.26.2022
APRENDIZADO CONTÍNUO
APRENDIZADO CONTÍNUO
Os estereótipos são disfuncionais…
Ser homem, ser mulher, não é separável:
Todos e todas somos simplesmente plurais
Perante a igualdade sustentável.
Humanidade é casa de seres iguais
Onde o género nad’impõe, determina;
Pois a diferença iguala muito mais
Que ver ser o ser dif’rente por ser menina,
Pensar ser dif’rente o ser por ser menino…
Sexualidade não é oportunidade;
O sucesso não vem escrito no destino,
Nem traja cores pré-estabelecidas.
É meio de sentir prazer em ser o que se é
Inventando quem somos nas nossas vidas,
Que para criar é preciso perder o pé
Ser paragem e viagem a gerar caminho…
– Gerar é aprendizado a colher ensino!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 26 de agosto de 2022
8.25.2022
missiva breve
MISSIVA BREVE
Que não deixemos ninguém pra trás:
Toda a gente tem lugar marcado.
Vida não se herda… É o que se faz,
Ou vence preconceito e pecado
– Ainda que não possa ser contado.
Pois nenhum excel lhe vê proveito
Nem nada lhe garante serventia…
É carta escrita com o peito
Com letras (in)sensatas e sem jeito
– E tinta das metáforas da poesia.
Murmúrio de biliões de vozes
Cujas, no inventário somos nós,
Driblando tiranos e algozes
Até redesenharmos a própria voz!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 25 de agosto de 2022
8.24.2022
NAVEGAÇÃO À VISTA
NAVEGAÇÃO À VISTA
Janela de evasão, os teus olhos
Quando me perco no caminho,
São oceanos sem lixos nem escolhos
Ond’o sonho mergulha sozinho
Depois de comigo se abraçar.
As folhas e os troncos nos vestem
(Vagens de chocolate e leda luz...)
Onde deuses e deusas entretecem
As teias mais subtis da vera jus.
E nesse excelso entrelaçado
Condomínio da poesia e rigor,
Vejo teus olhos em todo o lado
Onde seja possível habitar
Os abraços que não queiram calar
Que tiveram origem no amor!
Joaquim Maria Castanho
c/ foto de Mia Teixeira
Portalegre, 24 de agosto de 2022
8.17.2022
8.10.2022
CAUSA DE VIDA
CAUSA DE VIDA
Tempo tem esporas
Que picam desejo…
– Perco-me nas horas
Quando te vejo.
Tempo é deleite,
Inventor d’esperas…
– Pra qu’eu me sujeite
A ver-te deveras
Passo junto a ti
Murmuro o teu nome
– Pra provar que te vi…
Só ver-te me consome!
Joaquim Maria Castanho
8.06.2022
La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu
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