Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
6.18.2019
6.16.2019
CÂNTICO GÓTICO
CÂNTICO
GÓTICO
Encantadas
ou desencantadas almas
Confirmam-se
e configuram-se alvas
Violáceas
entre violetas e malvas
Marmóreas
entre ciprestes e palmas
Que
entre pacóvios se pavoneiam...
Baixar
o nível para ser entendido
Não
demonstra sabedoria nenhuma,
Sequer
diz ser a humanidade só uma...
É
dar esperança ao vadio vendido,
Premiá-lo
pla falta d'estudo tido.
Ignorar
não é suma sabedoria
Nem
diploma que os canudos norteiam;
E,
muito menos, saque aos que saqueiam
– Apenas
mata caça quem melhor porfia!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
6.12.2019
A MAGIA JÁ NÃO É UM SUPOR...
ÉS MÁGICA SEJA ONDE FOR
Fico suspenso mas arrebatado
A alma em órbita plo infinito...
Se eu te vejo em qualquer lado
Encantamento deixa de ser mito!
A vida é simples, e sem atrito;
Sem causas obscuras nem doentias.
Acaba-se o que já fora começado
E começa-se sempre com cuidado.
Então inventa-se futuro aos dias
Pintando cada qual com a sua cor.
Os sorrisos nascem, nascem poesias
Nascem esperanças, e nasce o amor.
Mas se te vejo em qualquer lado
A magia deixa logo de ser supor!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
INTEGRIDADE POÉTICA
INTEGRIDADE POÉTICA
Resistem
aos silêncios e amuos
Aos
junhos, abris e fevereiros
Aos
torpores azedos e recuos
Sem
se melindrarem nem pedir perdão.
De
olhos em frente, fincam os pés no chão
Arredam
adversidades várias
E
bastam-se a si, eficazmente,
Cobrindo-se
de rimas primárias
E
sentimentos avulso, dispersos.
Nunca
acatam sílabas ordinárias.
Aprumam-se
em medidas contidas
E
até se abreviam cordialmente.
Só
em último caso viram versos
Ou
s'entregam a repetições perdidas!
Joaquim
Maria Castanho
6.10.2019
6.09.2019
TUFO NA MARGEM...
TUFO À MARGEM
Principalmente
se me não vês,
Que
as horas parecem meses...
Horas
bem maiores que o mês.
Calada,
és muralha, forte
Intransponível
prò meu gostar,
Que
eu, tufo, à sede, na morte
Fico
na margem sem me molhar,
Sem
beber dessa água pura
Que
a vida traz do teu olhar
E
fecunda alma se madura.
Digo-me
tão pouco se me travas...
O
verso brota ressequido!
Poemas
são só ervas bravas
Sem
palavras na margem do ouvido!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
6.02.2019
ÁPICE E VERTIGEM
ÁPICE E VERTIGEM
O
sonho pousou,
Trazendo
ternura consigo;
Doce,
suave e ligeiro,
Que
o amor é sempre o primeiro
Pra
quem deveras amou.
O
céu estremeceu,
O
grito suspirou...
Porém
rápido, rápido, rápido
Meu
coração bateu:
Irrompeu
de quem sou,
E
nunca mais foi meu!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
6.01.2019
CABELOS DE FADA
CABELOS DE FADA
A poesia é um esgar absoluto
Sobre um ponto concreto, particular,
Qualquer coisa como o produto
Da célula que se partiu pr'amar
– Almas gémeas plurissemelhantes,
Siamesas separadas mas amantes... –
E, assim, duplicada, cria afeto
Gera aí a sua própria geração,
Eleva sua estirpe a outro teto
Onde o incondicional é condição.
Nada escolho sem que ela o dite
Qu'ela quer com crer de fada e de mulher
E afirma de forma que acredite
Polvilhando com pétalas de bem-me-quer
Penteados aos dias maravilhosos...
A poesia é uma fada cujos cabelos
São versos de seda duma cor qualquer,
Que dançam singelos porém luminosos
Enternecendo olhares, dias, novelos
Que se desfiam tecendo horas à mulher.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
5.21.2019
CHUVA LACRIMAL
CHUVA LACRIMAL
Que
afagou teu cabelo preso
Pra
beijar o silêncio que arde
Caiado
d'azul celeste, ileso.
E,
assim retido, posto a sonhar
Deixo
a alma ganhar seu peso
Pra
com ela pousar os pés na terra,
Fluir
d'água que nuvem encerra
Mas
que o sol impede de gotejar.
Tal
sou eu, quando passas perto
E,
sequioso como um deserto,
Não
permites sequer contigo falar!
Joaquim
Maria Castanho
5.19.2019
A GRANDE DIFERENÇA
TUDO
TERIA SIDO TÃO DIFERENTE
Toca
de leve nos meus sentidos:
Clica
aqui, clica ali, clica acolá.
E
os sonhos disparam desmedidos
Nuns
beijos que te dei...
Mas
tu não estavas lá!
A
sede não tem fontes, não tem marés,
Não
tem mares, não tem rios, não tem céu.
Pisa
as areias das almas sem ter pés.
Põe
nossos tímidos corações ao léu.
Beijo-te
os lábios à distância...
Pequenos
passos que só o olhar dá,
Como
sílabas em metros de ânsia
Restos
duma infância
Que
não fui, nem sei...
Porque
tu não estavas lá!
Joaquim
Maria Castanho
5.15.2019
5.10.2019
GRANDE AJUDA
A GRANDE AJUDA
“É
essencial gerir a fome;
A
fartura gerida está.”
“Comer
muito também nos come,
Sobretudo
no melhor que há.”
“O
que sobra não se consome,
Que
a gordura, gordura dá.”
“Bola
de sebo não é nome,
Nem
rebola onde quer que vá.”
Tudo
coisas já bem sabidas
Plos
mais comuns dos mortais,
Prò
governo de suas vidas
A
ver se duram um pouco mais
Do
que era comum ou vulgar...
– A
fome também ajuda a durar!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
5.09.2019
TANTA MORTE POR NADA...
TANTA MORTE POR
NADA...
Toca
na luz a asa estreme
Polindo
sombras e arestas;
Usa
os pólens como creme
Pra
tapar cerzindo as frestas
Com
arraiais ribeirinhos
E
daquelas marchas funestas
Que
se exibem plos pelourinhos,
Plos
altares das ordens pagãs
Onde,
com olhos esgazeados,
Loucos
mataram pessoas sãs
Por
terem sido doutrinados
Por
outros loucos endeusados...
Coisas
acontecidas outrora
Quando
éramos antigos,
Mas
que esquecemos agora
Porque
temos outros perigos.
Porém,
memória salva também,
Não
do passado mas futuro,
E
que nunca o olvide ninguém:
Tantas
crianças foram mortas
Por
o mundo lhes fechar as portas
Somente
em troca dum muro!
Joaquim
Maria Castanho
Com
montagem de Elie Andrade, em memória de todas as crianças judias
mortas pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, 1939-1945.
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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
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