6.06.2014

BIODIVERSIDADE E EVOLUÇÃO



A floresta espontânea e as espécies da flora portuguesa, entre as quais podemos destacar, pela nobreza do porte e notada significação ambiental, cultural e económica, o grupo das quercíneas, a que pertencem todos os carvalhos, como o carvalho cerquinho, alvarinho ou roble, o carvalho negral, mas também o sobreiro e azinheira tão vulgares no nosso território, que, por se encontrarem inequivocamente adaptadas à nossa realidade e cotidiano, apresentam um elevado fator de sustentabilidade aos níveis da conservação da natureza, do equilíbrio climatérico e da qualidade do ar, fixando o CO2, concorrendo assim para estabilidade e recarga dos aquíferos, para a preservação e para a regeneração dos solos, bem como agindo no combate aos incêndios pela reconhecida resistência e capacidade regenerativa que todos lhe constatamos.

Árvores que estão connosco desde as origens dos tempos e que, por isso mesmo, fazem parte da nossa cultura, da nossa história, da nossa identidade, não só desde os tempos em que a castanha e a bolota eram uma componente fundamental da nossa dieta alimentar, porquanto se podiam denominar a batata da nossa antiguidade e idade média, que só veio a integrá-la após os descobrimentos quinhentistas, mas também por fazerem parte da nossa memória, do nosso imaginário e poética, do nosso património material e imaterial, da nossa religiosidade como da nossa onomástica, quer nos nossos nomes como na toponímia dos lugares, como por exemplo, da "capital" do Alentejo, Évora, cujo nome deve a um étimo de origem céltica, eburone, que significa teixo.

Contudo, e não obstante, esta floresta, autóctone e de geração espontânea, desempenha também e ainda um papel económico e social de relevada importância, com significativos reflexos no setor agroindustrial e energético, que, mas não excluindo, vão muito para além da simples e generosa produção lenhosa, alimentação de gados de insuspeita qualidade, ajudando inclusive à produção de mel, frutos e aromáticas, atividade cinegética e turismo de natureza, pelo que geram emprego e riqueza, justificando assim que o mundo moderno e civilizado lhe atribua um estatuto legal conforme a sua importância e lugar ocupado no ecossistema, como o (a)dote também como símbolo de resiliência, atualização e combatividade que melhor espelha a natureza e caráter das gentes alentejanas.   

Honremo-la, portanto, pelo que ela é, mas também por quem somos. E não a condenemos à solidão e ostracismo, e sobretudo, permitam-nos deixá-la conhecer novos vizinhos e companhias. Pois é esse o desígnio e o desafio do futuro, irradiando definitivamente as monoculturas que sufocaram durante anos e anos as florestas autóctones e espontâneas, como foi o caso dos eucaliptos e pinheiros bravos, facilitando agora a multiplicação de oportunidades e espécies gerada pela biodiversidade, que sugere ser a única forma de acrescentar sustentabilidade ao nosso ecossistema, a de propiciar multiplicidade e diversão ao que já é por si mesmo múltiplo e diverso.


Joaquim Castanho    
AS VANTAGENS DA FLORESTA ABERTA E DA BIODIVERSIDADE




Se é verdade que apenas uma árvore não faz a floresta, o que também é incontestável, por igualmente verdadeiro, é que uma só espécie, por mais rentável e generosa que ela seja, jamais gerará a biodiversidade suficiente e eficaz para se alcançar a sustentabilidade do ecossistema desejável, a fim de conseguirmos o equilíbrio da ecosfera, bem como a eternidade da vida, da qual a humanidade é a estratégia com maior sucesso no universo, de acordo como atualmente o conhecemos.

A floresta é um espaço de riqueza, e valioso património ético, cultural, natural e ambiental, além de inequívoca fonte de vida e habitat comum a uma multidão de espécies, que será tanto mais precioso, mais forte e resistente, tanto mais saudável e produtivo, quanto maior número de possibilidades e oportunidades biológicas em si encerrar, enfim, quanto melhor apetrechado estiver pelo alargado e aberto leque da variedade das espécies autóctones ou não que pertencem à nossa flora (regional e local).

Portanto, convém sublinhar, com vista a definir-se plausivelmente que tipo de floresta queremos para a nossa região, como ordenar o território em sua consequência, de maneira a que mais nos beneficie, e às restantes regiões portuguesas/europeias, que ao invés de excluir (eliminar) todas as espécies [invasoras] exóticas dos campos alentejanos, como aconselha o conservadorismo nacionalista fundamental e bacoco, importa sim reconhecer a mais-valia ambiental, económica e social, que representam as espécies que a natureza já selecionou como sendo as melhor adaptadas aos nossos diferentes biótipos, aos nossos climas e solos, às nossas condições edafoclimáticas, que, por serem mutáveis e terem sofrido considerável alteração na última década, estabelecem e propiciam uma nova linha de entrada de flora, tanto de forragem, como cerealíferas, frutícolas e florícolas, estrangeira, logo incomum, que provado está melhor servirem os interesses do nosso ecossistema e habitats, quer do ponto de vista turístico, decorativo e paisagista, como na exploração direta racional e sustentada, no sentido de contrariar a acelerada desertificação do interior e baixa densidade populacional, bem como combater as assimetrias verificáveis que estimulam o êxodo da população ativa para regiões onde possam desfrutar de maior qualidade de vida. 



Joaquim Castanho   
Política de Coesão e Portugal



No período 2014-2020, Portugal irá gerir onze programas operacionais no âmbito da política de coesão da UE. Sete programas operacionais regionais irão receber financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e do Fundo Social Europeu (FSE). Um programa operacional temático irá receber financiamento do FEDER, do FSE e do Fundo de Coesão. Dois outros programas operacionais temáticos irão receber financiamento do FSE. Finalmente, um último programa operacional temático irá receber financiamento do Fundo de Coesão.

Qual será o montante do investimento da
UE em Portugal entre 2014 e 2020?

No período 2014-2020, a política de coesão afetou a Portugal, aproximadamente, 21,46 mil milhões de euros (preços correntes):

16,67 mil milhões de euros para as regiões menos desenvolvidas (Norte, Centro, Alentejo e Açores).

257,6 milhões de euros para as regiões de transição (Algarve).

1,28 mil milhões de euros para as regiões mais desenvolvidas (Lisboa e Madeira).

2,86 mil milhões de euros através do Fundo de Coesão.

122,4 milhões de euros para a Cooperação Territorial Europeia.

115,7 milhões de euros na dotação específica para regiões ultraperiféricas.

160,8 milhões de euros para a Iniciativa para o Emprego dos Jovens.

Destes montantes, o financiamento do FSE em Portugal representará, no mínimo, 7,7 mil milhões de euros. A importância final será definida à luz dos desafios específicos aos quais o país tem de responder nas áreas abrangidas pelo FSE.

Quais são as grandes prioridades de investimento para Portugal?

As prioridades para Portugal serão definidas num Acordo de Parceria com a Comissão Europeia. Prevê-se que as prioridades incluam:
O aumento da competitividade económica, através do aumento da produção de bens e serviços comercializáveis.
A promoção do empreendedorismo e da inovação empresarial - desenvolvendo a "e-economia" e melhorando o acesso das PME a financiamento e serviços empresariais avançados.
O incentivo à transferência de conhecimentos de I&D entre os setores académico e empresarial, reforçando os sistemas de investigação e inovação nas empresas e desenvolvendo um ambiente empresarial favorável à inovação.
O combate ao desemprego, nomeadamente entre os jovens, através da Iniciativa para o Emprego dos Jovens, melhorando a qualidade da educação e da formação, estabelecendo uma melhor correspondência com as necessidades do mercado de trabalho, alargando as qualificações e as competências dos trabalhadores no ativo e impedindo o abandono escolar precoce.
A redução da pobreza, através de um melhor acesso a serviços e de apoios à economia social.
A contribuição para a modernização da administração pública através do reforço de capacidades, e de investimentos no desenvolvimento dos recursos humanos e na governação eletrónica.
A promoção de uma economia amiga do ambiente e eficiente em termos de recursos: eficiência energética (especialmente no sistema de transportes) e melhoria da gestão dos recursos naturais.

(Fontes:
● Web site da Política Regional da Comissão Europeia

● Web site do Fundo Social Europeu)

5.29.2014

COMEÇAR DO ZERO (OUTRA VEZ!)



Felizmente, o resultado eleitoral do partido cuja lista integrei para o Parlamento Europeu, foi muito pior do que aquele que eu estava à espera. Esse fato libertou-me de todo e qualquer compromisso que me ligasse ao dito partido – o POUS, Partido Operário de Unidade Socialista –, bem como com o eleitorado portalegrense, uma vez que preferiram INEQUIVOCAMENTE votar contra alguém ou alguma força apresentada a escrutínio, do que a favor da causa regional, de si mesmos, ou de alguém que com eles vive no dia-a-dia, comunga das dificuldades e anseios. Seria um mistério insolúvel se eu lhes desconhecesse as causas e preconceitos, ou as vísceras que os governam e parecem imperar sobre os tutanos... Mas não é o caso!

Portanto, apraz-me declarar que não repetirei a proeza de candidatar-me pelo POUS, nem de colaborar com qualquer publicação, em suporte-papel, que tenha a sua origem nesta terra por Baco plantada entre as serras e a planície, que da charneca em flor tão afastada atualmente se encontra. À primeira qualquer cai, à Segunda só quem quer, e à terceira apenas quem é asno. E eu nunca me perdoarei a asneira que cometi, que foi a de exercer os meus direitos de cidadão dentro da legalidade constitucional e democrática vigente, em observância aos conceitos da participação e cidadania, e no respeito pelos valores fundamentais que assistem à formação de uma Europa inclusiva, igualitária, emancipada, solidária, coesa, civilizada e desenvolvida. (Ou, supostamente, tudo isso!)

E não o faço por despeito, ajuste de contas ou simplesmente para racionalizar os péssimos resultados conseguidos. Faço-o porque sou JOAQUIM CASTANHO, nome que não herdei nem me foi dado, mas sim conquistei letrinha a letrinha dia a dia, mês a mês, ano após ano, com esforço e galhardia, de cara limpa, e sem jamais ter prejudicado ou molestado quem quer que fosse, de rosto erguido, frontal e em todo o lado, em transparência absoluta, e sem lhe omitir o mínimo noema ou fonema.


Joaquim Castanho  

5.23.2014



    Um, dois, três

      4, na casa 6. 





    Um, dois, três

      4, na casa 6. 



5.11.2014

OPÇÃO    P.   O.    U.   S.



Porque é cada vez MAIS importante, que sejamos também cada vez MAIS europeus (DESENVOLVIDOS) em Portugal, e cada vez MAIS portugueses (INDEPENDENTES) na Europa, o P. O. U. S.Partido Operário de Unidade Socialista, enquanto plataforma de diálogo, entendimento e consenso de todas as forças vivas da sociedade moderna, e globalizada, quer na esfera do relacionamento positivo, entre os trabalhadores e o tecido empresarial, e institucional, na legalidade democrática vigente, quer entre os cidadãos e os seus órgãos de representação e soberania, não se evitará a esforços para REFORÇAR, onde quer que esteja, a democracia, a sustentabilidade económica, social e natural, a consciência cívica, a melhoria da qualidade de vida, o bem-estar humano e animal, a biodiversidade, o equilíbrio do ecossistema e ecosfera, os ideais humanistas e humanitários da liberdade, igualdade e fraternidade, entre todos os homens e todas as mulheres do nosso povo, e dos demais povos das NAÇÕES SOBERANAS, que se pretendem, também cada vez MAIS LIVRES, e MAIS UNIDAS, e MAIS SOLIDÁRIAS, na nossa comum atualidade.  

Sobretudo porque o P. O. U. S.Partido Operário de Unidade Socialista, é um partido ativo, e em constante atualização, na peugada dessa UNIÃO LIVRE DAS NAÇÕES SOBERANAS da EUROPA, que seja a EXPRESSÃO DIRETA, da vontade soberana e emancipada, responsável, e democrática, das suas instituições e povos, e uma autêntica ALTERNATIVA à UE das elites e jogos de poder, com que atualmente nos deparamos;  

Porque o P. O. U. S. é um partido plural, e polifónico, na senda de uma sociedade para todos os homens, e para todas as mulheres, onde o reconhecimento cultural, a dignidade, e a integridade da pessoa humana, e do seu ambiente, sejam invariavelmente observados;

Porque o P. O. U. S. está atento e promove o DESENVOLVIMENTO REGIONAL, como o DESENVOLVIMENTO NACIONAL, o DESENVOLVIMENTO EUROPEU, como o DESENVOLVIMENTO GLOBAL, veiculados pela gestão democrática da coisa pública e empresarial, e no respeito incontornável dos direitos, liberdades e garantias, que o movimento operário internacional tão esforçadamente conquistou;

E porque o P. O. U. S. é um partido aberto, motivado para a solução dos problemas da atualidade, renovado, e renascido das preocupações e anseios da gente, que connosco atravessa todos os dias, a mesma ponte do presente para o amanhã, criando e partilhando, pondo na prática quotidiana, tudo quanto muitos outros apenas contemplaram em teoria.


MAS PRINCIPALMENTE, porque o P. O. U. S. é a OPÇÃO, e não a alternativa.  

4.28.2014


A ESPERANÇA REMANESCE SEMPRE QUE MAIO ACONTECE

 

 

Que fizeram de realmente notável os nossos políticos do establishment parlamentar português nos últimos 30 –  trinta!, curiosamente tantos quantos foram os dinheiros por que Judas vendeu o Mestre... –  de intensa e propalada atividade em prol da sociedade portuguesa aberta e para todos os homens e todas as mulheres? Esturraram as receitas dos impostos, o dinheiro que a União Europeia nos enviou para a convergência e AINDA contraíram substancial e nutrida dívida. Ou seja, fartaram-se de trabalhar, já que são precisos muito suor, sangue e lágrimas, para prejudicar tantos portugueses e portuguesas e tão pouco tempo.

Em consequência, pelo superlativo lusitano deste valoroso feito, devemos agradecer-lhe neste maio tão promissor como os demais maios que todos os anos se repetem, embora que dando-lhe um significado muito especial porque acarreta consigo o exercício da legalidade democrática que abril nos legou: exatamente, as eleições livres e por sufrágio universal para o Parlamento Europeu. E precisamente esse parlamento onde se poderão juntar os representantes eleitos pelos diversos povos europeus que não abdicam do seu direito de construir uma União Livre das Nações Soberanas da Europa, mobilizando-se em torno das conclusões da CONFERÊNCIA OPERÁRIA EUROPEIA de Paris, realizada em 1 e 2 de março p.p.

Sobretudo porque a esperança dos trabalhadores e trabalhadoras de todos os nossos países europeus (incluindo os que se veem a braços com a atual crise, como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, França, ... ) se fundamenta na sua própria capacidade de se aliar com as suas organizações, cuja independência é inalienável, de forma a abrir caminho na consolidação dessa Europa Livre e Soberana, que se quer cada vez mais justa, mais inclusiva, mais responsável, mais consciente, mais coesa, mais progressista, mais determinada, mais democrática, mais participativa, mais evoluída, mais humana, mais internacional, mais socialista, e menos elitista, menos tecnocrata, menos economicista, menos partidocrata, menos fundamentalista, menos exploradora e menos colonial, bem como menos dependente do grande capital, que apenas a vê como um bom e rentável negócio, onde o nível e qualidade de vida dos seus cidadãos não passa dum ato de compra e venda do qual pode recolher proveitosos resultados. E essa é uma decisão objetiva e incontornável que estamos dispostos a levar por diante, recorrendo a todos os meios legalmente estipulados, a fim de o conseguir.

 

   Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, residente e natural de Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

4.27.2014


NOTA DE GRATIDÃO

 


Podia-se enumerar aqui, tudo quanto os partidos políticos portugueses com assento na Assembleia da República fizeram em benefício da nossa gente, da nossa terra, da nossa cultura, porém acontece que aquilo que “eles” não fizeram nos prejudicou muito mais do que aquilo que “acham” ter feito, para nos ajudar todos e todas nós, nos últimos 32 anos de democracia que os 40 após abril propiciaram a Portugal, para superar com êxito as dificuldades anexas ao desenvolvimento, modernidade e globalização que obrigatoriamente temos que atravessar.

Deviam ter prescindido dos “comportamentos político-económicos de elevado risco para a sustentabilidade e estabilidade nacional – e não o fizeram.

Deviam ter aprofundado e reforçado a cidadania e a participação democrática, em vez de perseguir e tentar calar/omitir quantos e quantos alertassem para a gravidade das condutas partidárias e governamentais, que acrescentavam continuamente novas fragilidades às fragilidades de que já enfermávamos, e às dificuldades de convergência observáveis (até) à vista desarmada, sobejamente noticiadas e debatidas pelos mass media desde a década de 90, do século passado – e não o fizeram.

Deviam ter implantado uma reforma do Estado e o equilíbrio das contas públicas recorrendo ao know how disponibilizado pelos nossos ensinos superior e médio-superior, em vez do exportar como carne para canhão para as economias emergentes, ou assegurar a estabilidade e emprego “amparado” a clientela política com que rechearam o poder central e o poder local, quase invariavelmente sem as mínimas habilitações para o desempenho dos “cargos” atribuídos (por cunha e compadrio), como foi seu apanágio durante décadas e a ninguém deixou de ser claro – e não o fizeram. 

Deviam ter sido democratas e foram partidocratas. Deviam ter gerido a nossa pouca riqueza para criar mais riqueza, bem-estar e desenvolvimento, e menos assimetrias, mas em vez disso aumentaram as diferenças sociais e a miséria, destroçando a classe média, pondo-a ao nível dos que só podem contar com os rendimentos mínimos para sobreviver.

A democracia responsabiliza-nos. A democracia promove a nossa emancipação. A democracia torna-nos mais conscientes de nós mesmos acerca de nós, acerca dos outros, acerca do ambiente, acerca da natureza, acerca da história familiar e coletiva. A democracia antecipa-nos e projeta-nos na peugada de um futuro consistente e sustentável, plural e fraterno. Todavia, o que é que esses partidos que usufruíram das vantagens e patrocínios que abril lhes outorgou fizeram com os milhões a que tiveram direito para as suas campanhas eleitorais? Diminuíram-nos as hipóteses de justiça, dificultaram o acesso à saúde, à educação, à habitação e ao emprego; tornaram as nossas possibilidades de financiamento externo e interno mais estreitas e onerosas; fragilizaram a nossa economia e entorpeceram o dinamismo empresarial com subsídios para as não-produções. Embotaram-nos os sentidos e discernimento com retóricas perversas, cultivaram o dogma e a exclusividade, a cunha e o favorecimento de “eleitos e elegíveis”, corromperam os necessitados e adulteraram os princípios constitucionais de acordo com os interesses momentâneos e circunstanciais. Esbanjaram o dinheiro que veio da União Europeia mais o que recolheram dos nossos impostos. Venderam as empresas públicas que criavam mais-valias sociais. Instruíram os pequenos comércios e pequenas empresas na falência proveitosa. Forjaram ilusões. Argumentaram com corporativismos às lutas trabalhistas. Arregimentaram os intolerantes para a indiferença.

E aumentaram-nos o receio pelo amanhã, a insegurança no presente, descrédito pelo passado e a incerteza como meio de vida e sustento. E isso já os homens e mulheres pré-históricos tinham em  abundância e de sobejo.

 

Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, residente e natural de Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

4.26.2014

QUE MOTIVAÇÃO NOS SUBSCREVE?



Foi o 25 de Abril (de 1974) que nos devolveu a capacidade de escolher entre sofrer a realidade ou desfrutá-la, que nos tinha sido amputada durante a longa noite da ditadura corporativista, instaurada em Portugal, por Oliveira Salazar. Não vamos desperdiçar essa oportunidade em quezílias de somenos, nem em diatribes estratégicas daqueles, e de suas políticas, que nos levaram à crise atual, cujo fito é indesmentivelmente o de nos dividir para melhor nos manipular. Com o nosso declarado apoio, que se expressará nas urnas, nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, estaremos em consonância com as aspirações e anseios dos demais povos da União Europeia, nomeadamente com o povo francês, espanhol, italiano, grego e irlandês, que foram os que com maiores dificuldades se debateram para equilibrar as suas contas públicas e economia, e onde o desemprego, a precariedade, a incerteza no futuro e a austeridade maior miséria têm criado.
Não estaremos sós neste desígnio. O POUS (Partido Operário de Unidade Socialista, enquanto secção nacional da IV Internacional Socialista) e o MRMT (Movimento para a Retirada do Memorando da Troika), também manifestarão no dia 25 de Maio deste ano, a sua firme e determinada cooperação solidária com nossos povos, na construção das bases de uma União Livre de Nações Soberanas da Europa, que pautará a sua ação em Bruxelas pela defesa das liberdades, cidadania, igualdade e fraternidade de todos e todas sem exceção, quer sejamos crianças ou adultos, estudantes ou trabalhadores, artistas ou reformados.
Porque é essa a nossa maneira de agradecer com responsabilidade e consciência cívica, emancipação política e participação democrática, a soberania e liberdade que Abril nos devolveu, reforçou e ensinou.




Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, natural e residente em Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista. 

12.03.2013

ORAÇÃO DA PROFESSORA PRIMÁRIA




Senhor,
Tu que ensinaste
Perdoa que eu ensine,
Que use o nome de mestra,
Nome que tu usaste na Terra.

Mestre,
Torna perene o meu fervor
E passageiro o desencanto.
Arranca de mim este impuro desejo de justiça
Que ainda me perturba,
A mesquinha insinuação de protesto
Que sobe de mim quando me ferem.

Não me doa a incompreensão,
Nem me entristeça o esquecimento
Daqueles que ensinei.

Dá-me que seja mãe, mais do que as mães,
Para poder amar, e como elas, defender
O que não é carne da minha carne…
Dá-me que seja simples e profunda,
Livra-me de ser complicada e banal
Em minha lição quotidiana.
Dá-me que retire os olhos
Do meu peito com feridas,
Ao entrar cada manhã na minha escola.

Torna mais leve no castigo a minha mão
E torna-a mais suave na carícia.
Que com dor eu repreenda
Para ter a certeza
De que corrigi amando.


GABRIELA MISTRAL (1889-1957), professora e poetisa chilena, galardoada com o Prémio Nobel da Literatura em 1945

6.01.2013

HÁ LIVROS QUE FAZEM FITA

«Bastantes foram as ficções que nos escreveram sem que tenhamos dado conta disso…», pensei para comigo enquanto folheava ao acaso, petiscando aqui e ali, o De Que Falamos Quando Falamos de Amor.

E então, de repente, apeteceu-me ver um filme que tivesse sido baseado num livro que já lera e tenho a certeza me marcara, embora dele muito pouco ou quase nada me lembrasse: A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera. O romance, logo nos primeiros frames, saltou-me à consciência, não como um dejá vu que era, mas como um desanoitecer da memória onde se entrecruzavam inúmeros flashbacks derivados da consequente e exagerada utilização do discurso e título em paragonas ou citações, quer por políticos na berra ou pelos Mass Media que queriam fazer figura de letrados.

Todavia, o filme homónimo, realizado por Philip Kaufmann (1988), com Juliete Binoche, Lena Olin e Daniel Day-Lewis, é mais do que uma grande história ancorada na Checoslováquia dos finais de 60. É a materialização da transitoriedade, aquela fluida sensação de que nada é eterno, estável e assente; enfim, que tudo muda e só a incerteza e a dúvida alternam e retornam no tempo, exatamente nesse tempo onde o eterno não passa de mais uma abstração da poesis, do sonho ou evasão.

Porque A Insustentável Leveza do Ser é um filme que está dentro de outro filme onde nada é seguro e definitivo. Onde mesmo as personagens principais, protagonistas, se não dão a conhecer com clareza, permanecem indistintas para além dessa vontade de viver e atravessar o espaço-quando com que subtilmente – ou será melhor afirmar “levemente”? – se manifestam. O que, é evidente, não obsta, nem impede, que sintamos que cada um dos seus gestos é essencial para o desenrolar da narrativa nesse registo histórico e sentimental que a escrita polifónica de Kundera tão exemplarmente descreve, propõe, serve, num palimpsesto ativo em que tampouco a excelente fotografia de Nykvist consegue apagar, para nos devolver pouco a pouco da ilusão e entrever o outro lado do rio tingido com o naturalismo realista que a objetiva impõe. Isto é, não obstante a diferença de suporte e veículo, o romance de Kundera finta, rasteira, o realizador, a ponto de parecer presente mesmo quando foi intenção deste último em que não estivesse… O que é uma grande fita!

FILMES GENERICAMENTE ESQUECIDOS

Serenidade, de Rosa Coutinho Cabral, Anne Trister, de Léa Pool, Jane B., de Agnès Varda, As Noites Bárbaras, de Marion Hansel, Robinsinada ou O Meu Avô Inglês, de Nana Ozhardzhade, A Rua das Casas Negras, de Euzhan Paley, A Hora da Estrela, de Susana Amaral, só para citar alguns de entre os muitos títulos que apareceram e de imediato desapareceram do panorama cultural português, são filmes de realizadoras cinematográficas que viram no discurso feminino o leitmotiv mais que suficiente para fazerem no cinema uma destrinça de género, quer nos modos de contar as histórias (incluindo a terminologia e linguagem), quer nos elencos e conteúdos escolhidos e/ou enfatizados, ou aquilo que essas realizadoras entenderam ser relevante para ilustrar a sua narrativa, que consideraram importante ou interessante nós observarmos enquanto espetadores e descodificantes.

Neles, a condição feminina, enquanto elemento de uma sensibilidade particular, bem como a forma como ela foi traduzida à velocidade de duas ou três dezenas de imagens por segundo, parece ser-lhes o denominador comum que fez com que nunca tivessem sido muito vistos, fato que sobejamente ajudou para que também fossem lestamente atirados para o esquecimento, mesmo dessa parte da humanidade a quem as questões de género acarretam identidade e empatia. As situações sociais que espelham, as teorias de vida que refletem, os objetivos e anseios que perseguem, as narrativas sentimentais e emocionais que equacionam e entretecem, não deixaram de ser atuais, pese embora a escala de prioridades e preocupações existenciais tenha mudado, remetendo-as para patamares subalternos. Porquê?

Será que alguém pensa terem sido dissolvidas (e removidas) todas as inquietações que desassossegavam o género feminino só pelo fato de ninguém falar delas com a mesma acutilância e veemência das cineastas do século passado? De 80 para cá muita água correu debaixo da ponte, mas também penso que não… O tempo tudo cura, sobretudo na idade avançada, que culmina com a morte, que é um tempo sem tempo onde todas as fortunas e infortúnios se equiparam em valor, num tanto-faz que anestesia, todavia há feridas que nunca cicatrizam sob a crosta ou carapela que as omite do inventário das chagas pessoais e sociais visíveis. Porque elas remanescem à mínima beliscadura… Salvo seja!

4.29.2013


APONTAMENTOS À MARGEM PARA DESMARGINAR

Eis a primeira sequência de APONTAMENTOS À MARGEM PARA DESMARGINAR nascidos em Alínea R) evolução verde ( http://www.facebook.com/evolui.verde ) como editorial de página, mas traduzindo o evoluir teórico de uma orientação que se pretende simbiótica entre a ideia de sustentabilidade e a preparação do futuro, com relevante ênfase nos Direitos Humanos, na Ética da Terra, no progresso e desenvolvimento.



VI –  ESPECISMO E MULTICULTURALIDADE

Embora a espécie humana tenha sido aquela que melhor se emancipou na (e da) natureza, deixando de estar sujeita às suas contingências, o que é certo, é que cada forma de vida é idiossincrática, rara, única e inimitável, singularidade pela qual se devem observar atenciosos cuidados em consideração e respeito pelas condições do seu florescimento, bem como pelo equilíbrio do habitat que a integra. As capacidades do ser humano, o seu empenho, arte, engenho e espírito gregário-expansionista, permitiram-lhe ultrapassar quase todos os constrangimentos naturais, contudo devemos reconhecer que há limites e fronteiras decorrentes das leis da natureza que não podemos violar, e que põem em risco a nossa hegemonia terrena. (Qualquer vírus ou bactéria nociva tem mais possibilidades de nos dizimar do que nós a ela…) E um deles é o das monoculturas e eleição de espécies no povoamento de largas parcelas do território, por motivos económicos ou de facilitação instrumental dos ecossistemas, selecionando e incentivando a proliferação de muito poucas espécies em detrimento das restantes (especismo), diminuindo a sua resiliência face aos elementos, à desertificação e falência, atingindo consequentemente a comunidade humana aí hospedada.

Ou seja, para contrariar as dificuldades naturais de expansão e sobrevivência praticámos a manipulação do meio ambiente, durante milénios, através do especismo, estratégia essa que foi globalmente tida por sensata; todavia, sabe-se atualmente, que ela pode acarretar-nos dissabores e danos irreparáveis, tanto no ecossistema como na economia das regiões, tanto na ecosfera como nas condições de vida do indivíduo, porquanto o atrofiamento da sua sustentabilidade é bem maior do que os benefícios auferidos, uma vez que as monoculturas são mais atreitas aos efeitos das catástrofes naturais e das alterações climáticas. Porque fazer depender a sobrevivência de uma população de um só produto, é fazer perigar esta à menor fragilidade da sua (re)produção.  

Por conseguinte, chegou a altura de inverter o curso das decisões e rejeitar todas e quaisquer práticas culturais que ponham em causa a integridade da fauna e da flora de um lugar, ou as suas particularidades geográficas e territoriais, não só quando provocam elevada mortalidade e extinção de espécies, como é o caso de inúmeros rituais e tradições, sacrifícios e eleição de símbolos emblemáticos para marketing, ou de tomar medidas radicais de desinfestação, por pesticidas e herbicidas de efeito durador nos solos e/ou atmosfera, e ainda a promoção de eventos de diversão com animais (touradas, circos, lutas, exposições não-científicas) e comercialização de espécimenes selvagens ou exóticos, e enveredar definitivamente por uma opção generalizada de atitudes e comportamentos que difundam e disseminem a diversidade (multiculturalidade) específica e cultural, de raças e credos, pois os ambientes (e nações) mais ricos, fecundos e sustentáveis, não são os que se resumem e fecham sobre si, mas os que se cambiam e multiplicam contemplando a biodiversidade e o maior número possível de janelas de oportunidade, mobilizando todos os seus recursos endógenos para promover a cooperação e o desenvolvimento autónomo, assim como a segurança e bem-estar das suas populações (humanas e não-humanas).


VII – ÉTICA E INSTINTO

A principal preocupação de uma cidadania responsável, consciente, crítica e participativa, é garantir o direito de todos e de todas a um ambiente sustentável, sadio e ecologicamente equilibrado, com vista a, consequentemente, promover e instituir a qualidade de vida de cada um, como da generalidade. Até há bem pouco tempo as relações humanas com a terra, além dos usuais bairrismos patriótico-territoriais, foram estritamente económicas, o que implicava, na prática, constatar de muitos privilégios e nenhumas obrigações. Proprietários, rendeiros, empresários, turistas, trabalhadores e residentes, cada qual a seu modo, instrumentalizaram-na exaustivamente, tornando-a apêndice de rendimentos e mais-valias, alheando-se dela e esquecendo que a ética é inequivocamente uma espécie de instinto comunitário em evolução similar ao instinto de defesa.

A crise que atravessamos tem agravado esse relacionamento fazendo recuos consideráveis, em diversos setores de interceção do ambiente com os interesses económicos e as tradições culturais que espelhavam já alguma melhoria na qualidade, natureza e intensidade/intencionalidade dessa instrumentalização. O território português, antes ressequido está agora alagado, sobretudo nas áreas de cultivo de víveres de produção/consumo sazonal, pondo em risco a variedade e volume da produção nacional de bens que o défice e a balança importações/exportações aconselham acuidada ponderação.   

Portanto, repensar o uso do solo arável, estabelecer prioridades e otimização da escolha nas sementes, segurar e acautelar as sementeiras dos locais passíveis de derrocadas, enxurradas ou incêndios, promover a investigação agrícola e pecuária, proteger e preferir as espécies autóctones, bem como reimplantar a conduta dos “três erres” (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), apresenta-se não só como uma necessidade económica e existencial, ou de prevenção do caos territorial, mas igualmente como um imperativo ético, uma forma de orientação equivalente ao mais explícito e contundente dos Dez Mandamentos: não matarás. Porque se não for feito está-se a defraudar o instinto de sobrevivência dum povo e duma nação, está-se a matar diretamente ou em diferido a (esperança de) vida de muitos, senão quase todos, os portugueses e portuguesas menos abonados e dependentes do orçamento do estado. 


VIII – POLÍTICA AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO

São erros de palmatória, em ambientalismo e democracia, a exploração do homem pelo homem, a mitigação dos direitos, liberdades e garantias, o produtivismo salvagem e empreendedor não esclarecido, a exploração irracional dos recursos naturais, a institucionalização das dependências, a conservação inadequada do perecível e o insistir num planeamento de curto prazo, sobretudo quando este é imposto pela subordinação da vontade política aos interesses económicos ou a fundamentalismos ideológicos. Esses erros têm sido continuamente repetidos pelos detentores do aparelho de estado, quase consecutivamente, não fossem algumas frechas de descuido, desde meados do século passado, pelo menos, mas de forma requintada e com subtilezas de malvadez para contornar os ditames de Quioto, a sustentabilidade e o apaziguamento dos conflitos (bélicos ou não) e as clivagens político-partidárias das sociedades, sobretudo nas afetas ao universo da portugalidade, onde o maquiavelismo do «dividir para reinar» tem feito escola em todas as juventudes partidárias dos últimos 30 anos. Principalmente nas dos dois maiores partidos (PS e PSD) que têm assim, não só mas também, conseguido alternar-se no poder e declaradamente contra quem governam (ou em nome de quem dizem governar), e são quem mais sofre os efeitos desse falso designo: os portugueses e portuguesas sem outros rendimentos senão os resultantes do aluguer da sua força/capacidade de trabalho.

Porém, e ainda que se reconheça que o ecossistema circunscrito ao território nacional seja um sistema finito, notoriamente perecível à continuada exploração, pela reduzida dimensão e elevada antiguidade histórica, a ação depauperativa intensificada, iniciada nos anos sessenta com a implementação das sociedades de produção e consumo, filhas da Revolução Industrial, incentivada pelas políticas ambientais que insistem em cultivar a tese de que o desenvolvimento sustentável é sinónimo de empreendedorismo selvagem e crescimento económico a todo o custo, onde os fins justificam os meios, em vez de associar este a uma melhoria da qualidade de vida humana enquadrada nos serviços prestados em prol do ambiente e do equilíbrio dos ecossistemas, de forma não só conservar os recursos como a aumentar-lhes a resiliência e sustentabilidade, providenciando o desmantelamento das atividades económicas que fomentam a exploração dos habitats, das espécies e dos recursos humanos, ou combatendo o comércio ilegal de bens, espécies e pessoas, comércio esse que reitera a tendência esclavagista medieval para objetivar o lucro e desenvolvimento económico pondo, insistentemente, em risco, o florescimento das demais espécies sem ser, em exclusivo, para assegurar a satisfação das necessidades básicas duma população, está a tornar-se um handicap multigeracional.   

E isso pode-nos sair muito caro, particularmente aos que não querem, ou não podem, emigrar, porquanto as necessidades são crescentes mas os recursos, ao invés, decrescentes. Explorar o mar, explorar o solo, explorar o ar, explorar as espécies autóctones, explorar a paisagem, explorar as sinergias regionais, explorar os areais, explorar as florestas, explorar os aquíferos, explorar os minerais, explorar o património natural ou histórico, explorar tudo e mais alguma coisa, quando devia ser antes melhorar o mar, melhorar o solo, melhorar a paisagem, melhorar o ar, melhorar as dunas e areais, melhorar os rios, melhorar as florestas, etc., é certamente o caminho mais rápido e eficiente para piorar as condições de vida dum povo, atingir o limite dos recursos nacionais, aumentar o desemprego, diminuir o PIB, rumando à depauperização generalizada e tornar-nos o dia-a-dia como causa de uma insustentável infelicidade e receio do futuro, mal-estar social e legalizada corrida para a opressão. Tudo coisas que devemos evitar enquanto ainda o podemos fazer, cujo prazo para agir em conformidade vai diminuindo gradualmente, e em acelerado contínuo, à medida que cada orçamento de estado vai sendo aprovado e posto em exercício, promovendo em catadupa o sucesso de muito poucos em prejuízo de todos, enfim, promovendo o insucesso da maioria dos governados. Aliás, explorar para conservar ou conservar para explorar, como argumenta o establishment, é uma panaceia falaciosa e mal-intencionada, de má-fé, para fugir à responsabilidade, consciência social e cidadania, pois num mundo em constante mudança, conservar inalterável seja o que for é violentar a sua natureza. E todos sabemos que, em termos ambientais, desde os anos 60, só se pode conservar aquilo que se melhora, ou nada feito.

IX – ECONOMIA E SOCIEDADE

O desenvolvimento económico é o garante e o “provedor” direto da satisfação das vontades, desejo e necessidades de uma população ou comunidade; mas não é o único. Essa satisfação exige a interferência humana na integridade dos ecossistemas, o que leva a que aqueles que mais dependem da biodiversidade para salvaguardar o seu equilíbrio, sejam também os mais propícios a molestá-la e defraudá-la. O bem-estar de uma espécie é quase sempre feito com sacrifício das demais, e a humanidade não foge – nem tem como fugir… – ao veredicto. Porém, o desenvolvimento sustentável é um dos grandes passos das sociedades modernizadas, dados no sentido de conciliar a instrumentalização do meio ambiente, os seus recursos limitados e finitos, bem como salvaguardar a integridade ecológica do nosso habitat, sem prejudicar ou pôr em causa o crescimento da economia, alinhando planos e orçamentos sob os auspícios duma consecutiva otimização de resultados.   

O modelo de sociedade que assenta no gigantismo centralizador, cujas estruturas socioeconómicas, altamente complexas e burocratizadas, impede a observância da sustentabilidade, toda e qualquer, nomeadamente a económica, porque facilita o desperdício de energias e a concentração de poderes, o controlo hegemónico dos processos de produção e consumo, apagando a participação consciente e responsabilizadora do cidadão vulgar das tomadas de decisão sobre a sua própria vida, logo, e irremediavelmente, impedindo-o de optar por um relacionamento harmónico e simbiótico com o ecossistema em que está inserido. Por conseguinte, devemos pugnar cada vez mais por uma sociedade de dinâmica social renovadora, descentralizada, democrata, participativa, organizada de baixo para cima, onde cada pessoa possa e seja ouvida nas tomadas de decisão que dizem respeito às suas condições e qualidade de vida, possa estar presente em todos os aspetos da existência em sociedade e quotidiano social, e que funcione como um todo ajustado/adaptado/assimilado ao ecossistema, proporcionando que o impacto ambiental (e pegada ecológica) seja amortecido, ou amenizado, por uma constante preocupação com a melhoria dos recursos naturais disponíveis, assim como as condições elementares da prossecução das espécies, que não lhe, nem nos, defraude a esperança de um equilíbrio suficiente e duradouro para a perseguição da eternidade possível. Enfim, uma sociedade que seja simultaneamente policêntrica e plural, que se construa e reconstrua continuamente a partir dos princípios da diversificação.

Porque a economia pode promover a sociedade, e esta deve reforçar a unidade ontológica entre o ser humano e o ambiente que o cerca, em direção a uma simbiose perfeita, exemplo inequívoco no qual se baseia a maximização das possibilidades de bem-estar, realização pessoal, social e profissional de cada um, em liberdade e entre gente livre, que mais não é do que essa “liberdade livre” onde cabem todas as liberdades que não lesam os próximos nem terceiros, e onde não há lugar para a mínima hipótese de exclusão, indiferença e ostracismo sobre seja quem for. Sobretudo porque também é essa a heurística da sustentabilidade: a de proporcionar sempre mais consolidada e efetiva sustentabilidade – ou sustentabilidades.

X – ESTÉTICA E CULTURA

“Nós abusamos da terra porque a vemos como um bem que nos pertence. Quando virmos a terra como uma comunidade à qual pertencemos, então poderemos começar a usá-la com amor e respeito. Não há outro caminho para que a terra sobreviva ao impacto do homem mecanizado, e para que dela possamos retirar a colheita estética com que pode contribuir a cultura, ao abrigo da ciência”, como salientou ALDO LEOPOLDO (Madison, Wisconsi, 04.03.1948), a propósito da apresentação/lançamento do seu livro. Ética, cultura e ecologia (como uma ciência entre a panóplia de muitas outras), não são conceitos separáveis nos dias atuais, como já não eram nos finais da primeira metade do século passado, ainda que naquela época, pudessem ser apenas fundidos por uma opção sensata e preocupada, e hoje o sejam porque não temos outro remédio, pois se a cultura não propiciar um melhor entendimento do meio circundante afasta-nos dele, desenraíza-nos, isola-nos, torna-nos patológicos ou doentios, por tê-la e cultivá-la como inútil, desnecessária e incompreensível, pseudolegível e inópia, isto é, que produzirá apenas artefactos e ideias defeituosas, que promovem tão-só a penúria, a míngua, a indigência, a falta de nobreza e a carência de identidade.

Porque a cultura enquanto realidade social é a síntese de toda a criatividade humana, numa dinâmica individual como coletiva, que visa mobilizar e favorecer as relações entre as pessoas, entre estas e a região onde vivem, e da região que habitam com as restantes regiões do globo, próximas ou menos próximas, cuja identidade seja constatável, no plano nacional como no internacional. Não é uma expressão da tecnocracia sob os postulados do economicismo, incompatíveis com autonomia, com a independência, com a emancipação, com a consciencialização, com a descentralização, mas sim a expressão dos díspares modos de viver, das práticas e valores simbólicos que deles eclodiram, emergiram, nasceram ou se deixaram influenciar, que ganharam importância estética e afetiva para as pessoas ou grupos delas, consubstancializando as suas formas de estar, de pensar, de ser, de agir, de organizar o espaço e o tempo, possibilitando que superiormente os determinemos do que eles a nós, e à maneira como nos olhamos e vemos em convivência (agressiva, sublimada, racionalizada ou não) terrena. Suscetível de inviabilizar, complicar ou adulterar, como também de simplificar, de tornar natural e de aprazível satisfação.

Consequentemente, preservar e melhorar o património cultural, natural, atmosférico, reanimá-lo e dignificá-lo com sentidos renovados e abertos a semânticas persecutórias, pode ser uma tarefa difícil de executar e implementar, com dificuldade na motivação de intelectuais, artistas, cientistas, publicistas e comuns usufruidores, porém é um desafio e um designo moral a que ninguém pode, cobardemente, virar as costas, uma vez que o desperdício de tempo, meios, recursos, aprendizagens, ideias, entrosamento sócio-espacial, de níveis de identidade e diversidade daí resultantes, nos poriam em séria incompatibilidade com a existência humana e planetária, atirando para o lixo da eternidade um contributo de elevada precisão e valor, degradando continuamente a comunicação e entendimento entre humanos, ou entre estes e os não humanos, mas também o de molestar dos ecossistemas com modelos e formas irreversíveis que podem tornar-nos a vida insuportável, desprezível, desajustada, atrofiada e de moribunda humanidade. Aliás, entender a cultura como uma estratégia para humanizar o planeta, não é uma prosopopeia retórica e medieval, de cavalaria e evidente quixotismo, mas um ato indecoroso, aberrante e suicidário, como igualmente um handicap espiritual que traduz a nossa incompetência para entender a realidade e as multifacetadas perspetivas que a compõem, que pode originar raros rasgos de génio mas abundantes gestos e exemplos de depredação necrófaga, e de exalada decomposição das condições, conceitos e teorias da vida na terra. E isso é imoral, inestético e abjeto. 

4.12.2013


No âmbito do ciclo 360º Ciência Descoberta, terá lugar no dia 17 de Abril p.f., no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, às 18h00, a conferência Matéria médica: invenções ibéricas em redor da flora e da fauna exóticas, que será proferida pelo Prof. Doutor José Pardo-Tomás, da Institución Milá y Fontanals, CSIC, Espanha. A conferência terá tradução simultânea.
Para mais informações, poderá sempre recorrer  a  (+) 351 21 782 35 25 ou  conf360@gulbenkian.pt
ehttp://www.facebook.com/servicodecienciafundacaocaloustegulbenkian. Para visionamento simultâneo esta estará disponível por Videodifusão em www.livestream.com/fcglive


A ideia principal é oferecer uma interpretação da contribuição ibérica para o conhecimento da flora e da fauna de origem não europeia, colocando sobretudo o acento na sua utilidade médica, daí o uso da expressão “matéria médica” nos tratados científicos daquela época.

Neste sentido, vamos rever as obras dos tratadistas portugueses e espanhóis de história natural e matéria médica das Índias (tanto ocidentais como orientais) no século XVI. Mas o nosso interesse não vai concentrar-se apenas nas suas obras e na circulação europeia das mesmas, mas também nas práticas culturais e científicas desses autores e dos seus leitores.

Veremos igualmente como esse conhecimento e essas práticas circularam tanto nas colónias como no eixo metropolitano formado pelo triângulo Lisboa-Sevilha-Madrid, espaços de circulação desse novo conhecimento à volta dos usos medicinais das plantas e dos animais de origem exótica.

JOSÉ PARDO-TOMÁS is Doctor in History (Universitat de València, Spain). Since 1994, he is Scientific Researcher at the Department of History of Science in the “Milà i Fontanals” Institute (CSIC, Barcelona, Spain). Visiting scholar in the universities of Padua (Italy), Humboldt (Berlin, Germany), Bordeaux (France) and UNAM (México), he works on social and cultural history of medicine, natural history, and scientific books in Early Modern period. In a joint venture with María Luz López-Terrada, he published Las primeras noticias sobre plantas americanas (1993), and with José M. López-Piñero, Nuevos materiales y noticias sobre la Historia natural de Nueva España (1994) and La influencia de Francisco Hernández (1996). He is author of Ciencia y censura (1991), El tesoro natural de América (2002), El médico en la palestra (2004) and Un lugar para la ciencia (2006), among others books. 

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

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Onde a liquidez da água livre

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