9.09.2022

título póstumo

 

TÍTULO PÓSTUMO


Era uma vez um poema sem título

Que fazia parte de um romance, vivo

Real, ativo, nada abstrato e cativo

Do enredo, sendo dele outro capítulo

Jovem, mas sensato e ilimitado,

Como a sustentabilidade infinita

A sua pele cor de mel enfeitiçado

Seu olhar de luar de outono-escuro

Que chamo num silêncio qu’apenas grita

Sentido amor que vai para lá dos sentidos.


Se me aproximo, seu sorriso é puro.

Se o nomeio, conta cantando Mil… Dois… Cem… Três…

E salta da História o tempo, o muro

Dos nomes, para ser Rainha… – Sim…: outra vez!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 09 de setembro de 2022


9.06.2022

Deolinda - "Seja Agora"

DA IMORTALIDADE DO SONHO

 

SOBRE A IMORTALIDADE DO SONHO


Na orla do movimento

Todo o caos desacontece:

Fenece plo sentimento

Que só teu rosto merece.


E esse sinal que sei de cor

Bem a jeitinho de beijar

Quase tão botão de flor;

Quase seio de nobre amor

Qu’até põe o sonho a sonhar.


Porque ao ver-te eu o digo

Posto fora de perigo

Já longe de qualquer mal:

S’até o sonho sonho contigo

Que não se passará comigo

Que sou simplesmente mortal!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 06 de setembro de 2022

8.29.2022

"Só o SIM é sim"


 

NENHUM NÃO É CONSENTIMENTO


“Só o sim é sim"; o resto metáforas são

De quem prefere ver (assaz) confirmadas

As perversões que lhe habitam a intenção.


Os humanos inventaram a fala pra dizer

Mas depois esqueceram-na, simplesmente,

Substituindo-a por diversas fobias"Só o s

Que não reconhecem beleza nem poesias,

Homo, bi, trans e inter, estereotipadas

Cultivando ódio e vergonha entre as gentes,

Discriminações, violência e abusos,

Rituais da ignorância, ritos confusos;

Que consideram “as demais” coisificadas,

Ou apenas objetos de gozo e de prazer

(Que ressentidas castigam, fazem sofrer).


“Só o sim é sim”, que o resto é indecisão

Verdade oculta por inúmeras camadas

Dolorosas de violação, acamadas

No íntimo... – nascidas do calado não!


Joaquim Maria Castanho

(29 de agosto de 2022)

#poesia #poema #poeta

#literatura

8.26.2022

Nathalie Cardone - Populaire (Official Video HD)

APRENDIZADO CONTÍNUO

 


APRENDIZADO CONTÍNUO


Os estereótipos são disfuncionais…

Ser homem, ser mulher, não é separável:

Todos e todas somos simplesmente plurais

Perante a igualdade sustentável.


Humanidade é casa de seres iguais

Onde o género nad’impõe, determina;

Pois a diferença iguala muito mais

Que ver ser o ser dif’rente por ser menina,

Pensar ser dif’rente o ser por ser menino…


Sexualidade não é oportunidade;

O sucesso não vem escrito no destino,

Nem traja cores pré-estabelecidas.


É meio de sentir prazer em ser o que se é

Inventando quem somos nas nossas vidas,

Que para criar é preciso perder o pé

Ser paragem e viagem a gerar caminho…


– Gerar é aprendizado a colher ensino!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 26 de agosto de 2022


Susana Cala - Tenemos Que Hablar

8.25.2022

missiva breve


 MISSIVA BREVE

Que não deixemos ninguém pra trás:
Toda a gente tem lugar marcado.
Vida não se herda… É o que se faz,
Ou vence preconceito e pecado
– Ainda que não possa ser contado.

Pois nenhum excel lhe vê proveito
Nem nada lhe garante serventia…
É carta escrita com o peito
Com letras (in)sensatas e sem jeito
– E tinta das metáforas da poesia.

Murmúrio de biliões de vozes
Cujas, no inventário somos nós,
Driblando tiranos e algozes
Até redesenharmos a própria voz!

Joaquim Maria Castanho   
Portalegre, 25 de agosto de 2022

8.24.2022

Françoise Hardy - Mon amie la rose (1965)

NAVEGAÇÃO À VISTA


 

NAVEGAÇÃO À VISTA


Janela de evasão, os teus olhos

Quando me perco no caminho,

São oceanos sem lixos nem escolhos

Ond’o sonho mergulha sozinho

Depois de comigo se abraçar.


As folhas e os troncos nos vestem

(Vagens de chocolate e leda luz...)

Onde deuses e deusas entretecem

As teias mais subtis da vera jus.


E nesse excelso entrelaçado

Condomínio da poesia e rigor,

Vejo teus olhos em todo o lado

Onde seja possível habitar

Os abraços que não queiram calar

Que tiveram origem no amor!


Joaquim Maria Castanho

c/ foto de Mia Teixeira

Portalegre, 24 de agosto de 2022



France Gall - Ella, Elle L'a (New Edit 2022)

Après toi

8.10.2022

THE GAEL from The Last of the Mohicans - Breizh Pan Celtic

CAUSA DE VIDA

 

CAUSA DE VIDA


Tempo tem esporas

Que picam desejo…

– Perco-me nas horas

Quando te vejo.


Tempo é deleite,

Inventor d’esperas…

– Pra qu’eu me sujeite

A ver-te deveras

Passo junto a ti

Murmuro o teu nome

– Pra provar que te vi…


Só ver-te me consome!


Joaquim Maria Castanho

8.06.2022

Un peu beaucoup

O MEU AFETO É FELINO


 

O MEU AFETO É FELINO



O meu fiel companheiro de leituras

Não percebeu bem o poema que lhe li…

No entanto arrebitou as orelhas

Logo que tão saudoso lhe falei de ti

Vieram-me à ideia ideias futuras

Coisas intenções, causas que não perdi,

E que plas sombras frescas, férteis e escuras

Me dão a ver todo o afeto que já senti…


Que se repete mas que é sempre novo

Aberto caminho que nunca confesso,

Élan da vida, motivo de progresso,

Iluminação de destino que atravesso

Indo pra lá das metas – e do estorvo –

E prova ser igual ao do resto do povo!


Joaquim Maria Castanho

Geroges Bernanos, UM CRIME

 


Escritor e jornalista francês, nascido em Paris, a dia 20 de fevereiro de 1888 e falecido, também em Paris, a 5 de julho de 1948, Georges Bernanos, licenciado em Direito (1913), comungou dos ideais monárquicos e foi católico apostólico romano como a maioria dos europeus que viraram do século XIX para o século XX. Além de soldado de trincheira na Primeira Guerra Mundial e de repórter na Guerra Civil Espanhola, apoiou igualmente a França Livre e a Resistência Francesa contra o regime de Vichy na Segunda Guerra Mundial, com as suas tomadas de posição e artigos de jornal, embora estivesse então (1940) exilado no Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial.


Considerado pela crítica como o Dostoievski francês, casou com uma lendária descendente de Joana d’Arc, autor de Sob o Sol de Satã (adaptado ao cinema por Maurice Pialat, e que ganhou a Palma de Ouro em Cannes), Diário de um Pároco de Aldeia e Nova História de Mouchette (ambos filmados por Robert Bresson), Diálogos das Carmelitas, Grandes Cemitérios Sob a Lua e Um Crime, entre outros.


Mas é este último, UM CRIME, da Coleção Miniatura, Edição «Livros do Brasil», com tradução de Ersílio Cardoso, comprado na Livraria José Maria Batista Alves, em Portalegre, a minha leitura de fim de semana. Porquê? Porque há grandes obras que foram escritas para isso mesmo… Para serem lidas independentemente das modas e novidades que nos servem diariamente sem que as tenhamos escolhido ou pedido. 

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português