4.13.2019

Peter Gabriel - In Your Eyes (Secret World Live)

A SAUDADE NUNCA ESPERA





A SAUDADE NUNCA ESPERA

Solícita e serena
A saudade se acerca...
E com subtileza terna
A meu coração aperta,
Espreme dor aquosa
Pra escrever dolorosa
Com tinta de ausência,
Esse espinho sem rosa
Ou luz sem transparência
Do amor, sem a amada;
Da áurea sem madrugada
– Sombra que nasce do nada
Como se só fora palpitação,
Batida negra na escuridão
Solícita e serena
A saudade nunca espera:
Abre caminho plo coração
De quem ama e venera!

Joaquim Maria Castanho

4.12.2019

Led Zeppelin - Stairway To Heaven Legendado Tradução

POEMA (IN)PRÓPRIO






POEMA (IN)PRÓPRIO

A história regista
Porém, o amor, inventa
Para que nela exista
O algo que nos assenta
Como terno por medida
E haja de facto vida.

Mas não posso dizê-l'assim
Àquela que é a poesia,
Pois se olhou para mim
Fingiu que não me via...

Aí, a história inventa
Lume brando, chama lenta,
E o amor é só memória
Que repete se faz e cria
Nossa própria história.

Nesses dias sofro duro.
Amar não é pera doce:
É espécie de futuro
Que só nasceu do passado
Pra repeti-lo copiado...
Só que a cópia alterou-se!

Joaquim Maria Castanho

4.05.2019

A CAUSA (MOTIVADORA)


   



A CAUSA (MOTIVADORA)

Suave e doce ela desliza
Pela estrada do meu peito...
Então, meus olhos vão na brisa
Deixada lá plo seu jeito
Fragrância, sonho que não desiste
Nem traz vinco, não tem nervura
Mas antes o aroma qu'existe
Na flor com pétalas de ternura;
Talvez cinco, talvez dez, em suma
Tal mão se outra nela segura,
Pois dos dias é essa espuma
Que deles nasce e se aventura
Demasiado viva pra sonho ser
Mas tão pujante, que faz viver!

Joaquim Maria Castanho

4.04.2019

Tony Bennett - Smile Legendado Tradução (Trailer Joker Coringa)

DIAS ADVERSOS


   



DIAS ADVERSOS

Todos os dias
Há pequenos desencontros
Que são grandes desgraças.

Em alguns dias
Há esse encolher de ombros
Se espero mas não passas.

Todos os dias
Há desencontros tão fatais
Que até as sombras doem.

Em alguns dias
Sofro tanto com'os demais
Que desesperados sofrem.

Hoje estou assim...
Em alguns dias
Todos os dias são pra mim!

Joaquim Maria Castanho

4.03.2019

NO RECANTO DO DIA






NO RECANTO DO DIA

Alicerce comungável
Entre espias de bronze,
Ágil, vejo-te ao longe
Mas já levando contigo
Quanto de mim não digo...

Depois passas de largo
Voando sobre meu dia,
Que não é doce nem amargo
– Só recanto de poesia!


Joaquim Maria Castanho

4.02.2019

Enigma - Invisible Love - (Subtitulado en Español)

A IMACULADA PRONTIDÃO






IMACULADA PRONTIDÃO

Hei de rasgar a voz
Com notas de sofreguidão,
Que o amor somos nós
Ao soltar os pés do chão.

Consente o avelã de teu olhar
Sob meu suspiro imediato,
Teus lábios de líquen manso
Aflorando a palavra retrato;
As coxas em moldura singular
Enquadram desenho abstrato
Do desejo, aberto pomo a pulsar
Em cujo sonho eu me balanço,
Qu'é esse intransigente transe
A suma pose do poema amante
Se à boca do grito o rosto franze
E só por dentro o corpo salta adiante.

Hei de rasgar a dor
Com as unhas da solidão,
Que o poder do amor
Gera a imaculada prontidão.

Joaquim Maria Castanho

4.01.2019

A TÁBUA DE AJUIZAR






A TÁBUA DE AJUIZAR



Creio haver algo que me mantém
Tão deverasmente insatisfeito,
Que não sei onde nasce, d'onde vem
– Se da mente ou se do peito...



Traz quase tudo pra ser pensar,
Porém sinto que é mais que isso:
Às vezes, leva-me ao verbo amar;
Outras, tão-só a perder o juízo
– Como se ele fosse coisa tida
E não balança para ponderar
O que nos acontece na vida!


De medir o certo e o errado,
Suas amplitudes e cumprimento,
Onde o pecado é um bocado
Que escapou ao entendimento
De bem auscultar o interior
Olhando de fora, demorado
A discernir se acaso o amor
Tem alguma coisa d'ajuizado.


E dar, então, por concluído
Que o que se mede por humano,
Embora faça das veias um cano
Anda nas famílias diluído.


Joaquim Maria Castanho

CÉREBRO DO CORAÇÃO


   



O CÉREBRO DO CORAÇÃO


Entrelinha executável dum sonho
O sentido prático, já divisório
Afirma, contradiz, exige amanho
Pra qu'o sonhador dele seja meritório.

É espinha prosaica dessa angústia
Que fustiga, espicaça para a ação;
Vontade crispa-se célere e rústica
– Sangue invade cérebro do coração.

O instante é de esperas recheado
E, se antes fugaz, fica ora pesado
Emitindo flashs de tão alta tensão
Que o sangue, iluminado, ao pulsar
Ribomba e ouve-se quase troar.

Joaquim Maria Castanho

3.28.2019

VISÃO BREVE VISÃO






VISÃO, BREVE VISÃO


Desceu mansa no seu andar de pomba
O olhar despido de esperança
Saltitando sobre cada lomba
Balançando os braços, os cabelos
Pelas costas – apetece descê-los
Com os lábios, em meiga dança...

Escorrer na sua sombra ao diluir-se
Como polpa desses pomos silvestres
Que são mais poderosos do que Atenas,
E ainda mais poderosos do que Circe!,
Por quem a luz do sol, e as açucenas
Pintam os prados com Vestais e Mestres.

Dão vida ao joio, e alma ao trigo;
Empurram brotos pra fora da haste,
Tal querem fazer meus olhos contigo
Se te vejo e passas... como passaste!

Joaquim Maria Castanho

3.27.2019

O TROPEIRO ALENTEJANO






TROPEIRO ALENTEJANO

Dobra-se sobre o dorso
O cavalo não esquece,
Que ido o mês de março
Ainda mais aquece...

Ambos rezam por água,
Montada e cavaleiro;
Sob a cela do ano inteiro
Cavalgando mesma mágoa.

Joaquim Maria Castanho

3.13.2019

O MISTER DO VENTO






O MISTER DO VENTO

Sopra o vento enquanto passas
E diz-me coisas tão invulgares,
Que até folhas ganham novas asas
Pra limparem o chão pra tu passares.

Outro tanto eu faria, se pudesse
Mas o vento pode tão mais que eu,
Que me aventaria ao chão se fizesse
Aquilo que acha ser mister só seu.

Joaquim Maria Castanho

GIZ CELESTIAL


   



GIZ CELESTE

Sempre plo azul inovado
O exemplo vem de cima,
Penteia-se com Xis imaculado
Escorrendo solfejos se sublima...

Tem o mesmo tom em qualquer lado.
Carrega a esperança da gente...
Porém, se espera fá-lo calado
Ainda que gize o céu, indiferente.

Joaquim Maria Castanho

3.07.2019

A PAIXÃO DOS VERSOS






A PAIXÃO DOS VERSOS

Pela incomparável luz
Dias de chuva são assim
Na pureza que os produz
Quais gotas de sonho em mim
Que sou atreito ao sentir
Este fremir dentro do peito
Que mal te vê, quer logo sair...

São cristais gota a gota
Que os ramos predem apenas;
Mas eis que o vento os solta
Para escreverem no chão
A paixão, dos versos, pelos poemas.

Joaquim Maria Castanho

A FOLHA IRREVERENTE






A FOLHA IRREVERENTE
Hoje, choveu um pouquinho
Mas já se levantou vento
A secar a água fria...
E, nas poças do caminho
Quando à beira delas
Em pedras toscas me sento,
As folhas parecem velas
A singrar no tédio do dia.

Então, soprou de repente
Uma rajada mais forte,
Que levou quantas havia
A perder tino e norte...

Porém uma, indiferente
Fincou-se na lama da sorte
E disse-lhes que ia!

Joaquim Maria Castanho

3.05.2019

O VOO DA VOZ






O VOO DA VOZ

Por sob esta luz me perdoo
Se sou quem grita à imensidão,
Pois por ela, e só por ela soou
A voz que escapou à solidão.

Nessa dança deveras milenar
Aonde a ilusão tropeçou,
A voz escolhe luz pra dançar...
Então se enleiam par a par
Até que a luz parece pairar
E a voz se atirou prò ar... – e voou! 
 
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português