5.31.2021

TEORIA DA LITERATURA

 

“A espécie literária é uma «instituição» – tal como a Igreja, a Universidade, o Estado, são instituições. (…)

A teoria dos géneros é um princípio ordenador: classifica a literatura e a história literária não em função da época ou do lugar (por épocas ou línguas nacionais), mas sim de tipos especificamente literários de organização ou estrutura. Todo e qualquer estudo crítico e valorativo (em contraposição aos históricos) acarreta, de alguma maneira, o apelo a essas estruturas. (…)

Aristóteles e Horácio são os textos clássicos da teoria dos géneros. (…) Na sua maioria, a a moderna teoria literária mostra-se inclinada a pôr de parte a distinção entre prosa e poesia e a dividir a literatura imaginativa (Dichtung) em ficção (romance, conto, épica), drama (quer em prosa, quer em verso) e poesia (centrada no que corresponde à antiga «poesia lírica». (…)

As três espécies maiores encontram-se já distinguidas, em Platão e Aristóteles, consoante a «maneira da imitação» ou da «representação»: a poesia lírica é a persona do próprio poeta; na poesia épica (ou no romance) o poeta, em parte, fala na sua própria pessoa, como narrador, e, em parte, faz as suas personagens falarem em discurso direto (narrativa mista); no drama, o poeta desaparece por trás do elenco das suas personagens. (…)” 

 

in Teoria Da LITERATURA

de RENÉ WELLEK e AUSTIN WARREN

Tradução de José Palla e Carmo

(páginas 282/83/84)

Publicações Europa-América – 4ª edição


5.30.2021

DE RIMAS ME EMBRIAGO

 


QUE TRAGO A TRAGO, DE RIMAS ME EMBRIAGO



Gravo a voz na pedra deste instante

Com o cinzel da minha fala em brasa.

Então, aí, eu esculpo-me de rompante

Porta, como batente da mesma casa…

O que sou, é tão-só verso ofegante

Cisco de língua que em rimas s’abrasa;

Escolho dum naufrágio mais adiante,

Que até o próprio instante atrasa.


E da residência hostil, mas aberta

Onde, enfim, fomos recebidos de vez,

É tempo de olhar prà rua deserta

Inundada pelo tal sol que desperta

Além da sede, criação, rebanho, rês,

Nossa febril e lânguida embriaguez.


Joaquim Maria Castanho


5.28.2021

Rádio Horizonte

 Esta noite, às 21:30, na Rádio Horizonte, uma horinha de excelente conversa entre pessoas da nossa terra -- e que muito têm feito por ela...
https://www.youtube.com/watch?v=ef31tDByTlk

Entrevista de Fernando Mão de Ferro a Rosa Calado.

   


Esta noite, às 21:30, na Rádio Horizonte, uma horinha de excelente conversa entre pessoas da nossa terra -- e que muito têm feito por ela...
https://www.youtube.com/watch?v=ef31tDByTlk

5.21.2021

Pomme Fête de la musique Olympia 21/06/2020 (Audio)

Livros de JOAQUIM MARIA CASTANHO

 

Toda a idade é ágil, e é forte
Toda a flor é rebelde, sua cor é santa
A primavera já cá está
A primavera já cá canta! 

#Dadinha Dá Uma Lição ao Lápis Vlup-Vlup, o Valentão das Dúzias

#REDESENHAR A VOZ

#NA MINHA CASA MORA UM GATO
 

12.27.2020

ANTOLOGIA -- MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS DE PAIXÃO

 

 


MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS DE PAIXÃO

(Antologia)

Coordenação de Fernando Mão de Ferro

Edições Colibri

Lisboa, dezembro de 2020



A grande viagem, a grande aventura que é a vida de cada qual, consuma-se passo a passo, capítulo a capítulo, conto a conto, cena a cena, parágrafo a parágrafo, frase a frase, linha a linha, e dessa história às vezes nascem estórias, sobretudo para aqueles e aquelas que se não esqueceram de as registar de forma a que, quer eles e elas, quer nós, a elas pudéssemos recorrer sempre que a inquietação, o desassossego existencial, nos espicace a curiosidade e o talento. Sim, talento, digo bem!, porquanto é preciso uma pessoa ter genial talento para querer saber como é que alguém, de sua igual humanidade, se sentiu ou se desenvencilhou, desta ou daquela alhada em que se meteu, para que foi atirado, ou atirada, deixando-lhe a alma em pleno voo, mas a que nunca pode valer qualquer contrapicado, ainda que fantasista. Descer à terra é a única hipótese plausível que lhe resta; a realidade o único vento que lhe impele a nau; e o sonho a bússola que lhe motivará a trajetória. E é experiência que MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS DE PAIXÃO fala, através de depoimentos mais ou menos elaborados, ficcionados, conforme o jeito e oportunidade sócio-biológica de cada autora, de cada autor, tal como Raquel Gonçalves-Maia, Otilinda Silva, Maria Gabriela Ludovice, Maria Eugénia Oleastro, Leonoreta Leitão, J. A. David de Morais, Isabel Marçano e Teresa Clemente, Florinda Martins, Celino A. Vilela das Neves, Carolino Tapadejo, que lhe preencheram o recheio sob a bitola de um deles, que além de coordenador também é autor participante nesta antologia – Fernando Mão de Ferro.

Um livro que não carece ser lido de fio a pavio e duma assentada para se compreender no todo, mas nos permite ler parte por parte, participação por participação, etapa por etapa, a fim de melhor o apreciarmos pelas subtilezas e diferenças nas “paisagens”, ou atmosferas que o circunscrevem.


Joaquim Maria Castanho


12.25.2020

REDESENHAR A VOZ


 

 

Com publicação no mês de dezembro, pelas Edições Colibri, eis o novo livro de Joaquim Maria Castanho, REDESENHAR A VOZ, composto por 226 poemas, em 288 páginas, onde o autor reflete sobre as vivências do dia a dia de sua realidade citadina.

11.25.2020

CUIDADO

 CUIDADO

Cessem força, berro e grito
Porque toda a eternidade
Vai do mais ao menos infinito.

Não se firam, não se provoquem
Que há grande probabilidade
Que estes extremos se toquem!

Joaquim Maria Castanho



7.12.2020

DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, O Valentão das Dúzias


DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, 
o VALENTÃO DAS DÚZIAS


A literatura não tem idades nem compartimentos estanques. Os melhores livros que a humanidade gerou, embora tenham sido escritos há séculos e séculos atrás, hoje em dia, continuam legíveis e com significados plenamente consciencializáveis para os homens e mulheres da nossa atualidade. Continuam a interessar o grande público que os tornou clássicos. Porém, essa dedicação aos títulos e autores imortais, não limitou, secou, impossibilitou o aparecimento de novas obras, e, algumas até bastante controversas, não deixando por isso de se tornarem também clássicas. Também em literatura “o caminho se faz caminhando”. Cada qual que cria, dá o passo conforme a perna, e produz conforme crê ser melhor para quem lê, não só, para dessa criação poder usufruir com prazer, mas igualmente com enriquecimento humano. Dadinha Dá Uma Lição ao Lápis Vlup-Vlup – o Valentão das Dúzias, segue-lhes na peugada, não obstante a sua modéstia e fracas valias... Mas está lá, e não sente vergonha de pedir a cada leitor e leitora que o ajude a seguir em frente. Obrigado


Joaquim Maria Castanho

6.14.2020

#ALVALUZ #AMENOCLIMA






ALVA LUZ, AMENO CLIMA


Mergulho em recordações…
Abro a voz pra respirar-te.
Redesenho-te por secções
Onde as partes são ambiente
Unidas até serem arte,
Sentidas até serem gente.


Não há mar que te desconheça
Não há céu que te não cante,
Nem sentir que te desmereça
Mesmo se estás distante.


Esse ora assim destilado
Serenidade (e exatidão),
Quase afeto amassado
Com o cuidado de tua mão
Que assina por bem, no final
O teu olhar, meigo e plural,


Que traz o céu salpicado
De azul só entre as nuvens
Cinza e branco prateado
Entre as folhas e as vagens
Entre verde o casario
Quase suspenso dum fio...
Jardim pra que não há margens,
Nascente pra mais que um rio.

E que, por que assim, sendo
A vida aí não esgota
Ainda que ocasos tendo,
Vai subindo, vai descendo
Balanceado na rota.

Como por laivos de prata,
Como um céu de platina,
Onde, se ao azul tapa,
Também descanso ensina.
Porém se o azul destapa
É alva luz, ameno clima.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

6.12.2020

TER OU NÃO TER JUÍZO




  TER OU NÃO TER JUÍZO


Se vires chegar a gaivota com o bico aloirado de sol, não estranhes; ela me anuncia.
Se vires o pôr-do-sol raiado de violetas e uma brisa que vem do sul, não estranhes; eles me anunciam.
Se vires uma criança descalça e desnuda correndo pela relva do Jardim do Palácio, não estranhes; ela me anuncia.
Se vires algum velho sem-abrigo lambiscando a beata nos dedos amarelados, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires o louco profeta de barbas despenteadas e sujas discursando contra o consumismo exagerado, a energia nuclear, os Trumps e Bolsonaros na nossa COVID 19, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires o cão esquelético e faminto como pool de todos os abandonados do mundo, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires um papiro esvoaçando sobre a multidão mecanizada, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires cair da janela anónima uma fotografia rasgada, não estranhes; ela me anuncia.
Se vires os teus olhos brilharem numa noite de luar, não estranhes; eles me anunciam.
Se vires um sorriso urgente num rosto desconhecido, não estranhes; é a minha forma de estar contigo.
E depois de eu ter chegado
Muito depois do ainda não
E muito antes do já de volta
Finge que me desconheces
Faz gestos de negativa revolta
Faz negaças de comiseração
Faz traquinices e benesses
E dá o sonho por acabado.

Mas depois de eu implorar
De pedir um pouco de atenção
Inventa nomes que me trocam
Inventa partidas que te preguei
Inventa razões de negação
Inventa ditos que te adulam
Inventa actos que não pensei
E belisca-me para acordar.

E então, depois, se acordando
Ajoelhar a teus pés, indeciso
Apenas pra te pedir um sorriso
Diz-me, seca, fria, rezingando
«Ora, que é isso? Por favor... Tem juízo!»

E se então vires voltar ao nada uma fotografia, um papiro, um louco, um velho, uma criança, um pôr-do-sol, uma gaivota, um sem-abrigo, um cão, um sorriso, não entristeças, nem estranhes; é tudo o que fui, que está de partida. É a nova era que principia!

Joaquim Maria Castanho


6.10.2020

O AFETO TAMBÉM SE CELEBRA



  O AFETO TAMBÉM SE CELEBRA


Eu te celebro saber, família, flor
Gesto rubro, em botões libertado
Que se sonhos vivem, sonham, são amor
Logo sonho, que se vê espelhado.
A mim, um me disse, eco sem temor
Que o sonhar sem fim, é ter cuidado
Estar lá, onde o sul ganha outra cor
Só porque pela Serra foi gerado.

O seu feito é notável, e agora
Quando alguém sonha, apenas diz
Que é a sentir que a alma decora
Aquilo que o coração sabe e quis.
Sabe e não esquece, ama e não cala
Se é ramo na mesa, quarto, sala...

Joaquim Maria Castanho 
Com foto de Mia Teixeira 

5.29.2020

#COLIBRI PESTANEJANTE


 


COLIBRI PESTANEJANTE

Regresso, pela areia fina do tempo
És molhada clepsidra, gotejante
Se sereia voltas do mar, e exemplo
Natural escorrendo cada instante.

No chão, só acaso, registo sem ordem
Corpo, visão passo a passo emergente
Com que saudade e destino escrevem
Meus olhos a beijarem-te... – timidamente.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

5.28.2020

VIAGEM RECÍPROCA


VIAGEM RECÍPROCA

No recato, na penumbra
Outra viagem me toma
Lua nova, sol e sombra
Grudam sem grude, nem goma
Pela abstração dos mundos
E me reparto neles, assim...

Contudo, teus olhos serenos
Secretos, morenos, profundos
Também são viagens pra mim!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

5.24.2020

#BOMDIA NUM OLHAR


   


O BOM DIA NUM OLHAR


Se vejo o que teus olhos veem
Meu coração salta contente,
Pra que em batidas semeiem
Também meus olhos ali em frente.
E possam, assim, ver se vejo
Quem passo os dias a imaginar,
Quais Colibris a dar seu beijo
Em quem é flor do meu olhar.

Num gesto doce, inocente
Tão simples como o sol a nascer,
Pondo meus olhos ali em frente
Para que só tu, ao acordar,
Possas ouvir o que têm a dizer
E quem diz que tenho pra contar.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

5.22.2020

#NUVENSDAVIDA






AS NUVENS DA VIDA

            “No espelho da visão está a segurança da verdade”
                                – Código Visigótico I, 1-2

    Na realidade diária, a nossa planificação, previsões, antecipações, palpites, são parte intrínseca ao querer consciente, emancipado, responsável; porém, por mais que nos exercitemos nelas isso não significa que iremos ter êxito garantido ou observação confirmada, e que, salvo nos espaços-quando onde se verifique refletida uma acentuada monotonia e pacatez, o acaso não nos pregue a peça e as surpresas sucedam. Às vezes é o canto de uma ave; outras, um sorriso em que reparámos pela primeira vez, embora vejamos a pessoa que o deu com frequência e, até, repetidamente ao longo dos dias. E outras ainda, um tropeção no escuro, exatamente no momento em que nos deslocávamos de uma sala para a contígua, pé ante pé, com o máximo cuidado para não fazer barulho.
    O acaso é profícuo em casualidades.
    Então, ao reconhecê-lo, tentamos limitar-lhe as ocorrências, retratando-as ao máximo, reproduzindo-as, tornando-as alegóricas, exemplares, casos notórios ou notáveis, estórias, quadros, cenas que nos ajudem a compreendê-las e compreender-nos, bem como a aproveitá-las (pedagogicamente) sempre que surjam. Tentamos tirar proveito de tudo aquilo que nos espanta, assusta ou deslumbra. Percebemos enfim, não obstante o alheamento natural para onde o presente nos atira irremediavelmente, que o que é importante nem sempre se revela da melhor maneira, bem como que, por muito pessimistas que sejamos, há invariavelmente algo ou alguém para quem isso não conta absolutamente nada. E que, por casualidade, ainda que ninguém os tenha covidado, esses nebulosos imponderáveis, aí estão a balizar-nos cada instante da nossa existência gregária – e terrena.
    Não raros chamam-lhe cultura, havendo inclusive quem diga que é arte. Franzimos o cenho, torcemos o nariz, alçamos a venta, estancamos de pronto para manter o distanciamento. E insuflamo-nos de autoestima e orgulho pela revelação. Mas o facto não é assim tão original nem inédito como parece, e já inúmeros elementos da espécie humana o constataram, o reconheceram, e o registaram por  mil e uma maneiras possíveis e imaginárias. Por exemplo, Ovídio (poeta latino n. em Sulmona 43 a.C. - f. em Tomis 17/18 d.C), há mais de dois mil anos portanto, na sua Arte de Amar, o resumiu aproximadamente deste jeito: “a arte não faz mais do que imitar o acaso”.
    E não é que tinha razão!    

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Zélia Mendes

5.18.2020

#DISCRIÇÃO E #DEFERÊNCIA


 



DISCRIÇÃO E DEFERÊNCIA

Nada me remete
Nem me acomete
Se na luz deslizo
Quando aliso
Os dedos no cetim.

Porém, o sonho cria
Engendra sol em mim...
Emite reflexos
Côncavos, convexos
Laivos de cor – poesia!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

5.17.2020

A ORQUÍDEA IMACULADA


   



A ORQUÍDEA IMACULADA

Riscadinha é mais que flor
Que mora nas sete quintas...
É sorriso feliz d'amor
A bailar na luz e na cor
Como esplendor sem fintas.

E às vezes até parece
Pelo seu porte, o seu condão
A Virgem rezando prece
Plas flores que consigo estão.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

5.16.2020

#ORQUÍDEA EM CARNE VIVA


 



ORQUÍDEA EM CARNE VIVA

Derme, pétala acetinada
(Ou grito prestes a eclodir)
Afago doce, se madrugada
Acorda, pronta já a sorrir.

Também seda, esponja macia
Sensível polpa que me seduz,
Assim és, ó fada da poesia
Se no recatado recanto
O teu acetinado manto
Recolhe, como exala, sua luz.

Joaquim Maria Castanho

5.13.2020

A #VOZ DO #CAMINHO


 



A VOZ DO CAMINHO

Irei aspergir de rosas céus e mar
Poentes, nascentes, o mundo concreto
Cujas portas, alfarrobeiras são pilar
Do templo, d'olhar, se o andar é certo
Tem por meta rua, a estrada da vida
Lá onde navegam tantos, destinos mil
Os sonhos, os frutos, e a nuvem perdida
Debrua de aurífero rosa e anil,
Diz quanto da distância é esperar,
Quanto na espera é o descoberto
Se de cada vez que te olho plo olhar
Teu coração em flor fica mais perto...

É como se dissesses «Estou a chegar,
E vou arrancar-te desse deserto!»

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

5.10.2020

NA ROTA DA #ALMA


 


NA ROTA DA ALMA
(para a Mia)

Nuvens plúmbeas, sem fim à vista
Escondem a lua, e só por que sim;
Tal a razão turva, não é mista
Se quer ocultar, o luar de mim.

Se quer omitir, como te amo
Quanta é a luz, que de ti vem.
Mas o amor traduz, se o chamo
Que a luz não nasce, por mais ninguém.

E ainda que longe, lá na serra
Ontem como hoje, todos os dias
Se a lua faltar, o olhar não erra
Vai a alma pró sul... - Nela, poesias!

Joaquim Maria Castanho

5.08.2020

#BAILIA DA LUA-CHEIA


 


BAILIA DA LUA-CHEIA
                  (em Marmelete)

Dança, dança, lança teu olhar silente
Diz aos pomares, hortas, alfarrobais
As saudades, hinos que o luar sente
Se dedilham frondes em sebes ancestrais.
Protegem ninhos, são raiz, são semente.
São passos, são caminhos, meio estivais
Que o luar partilha com quem alente
Mal a lua brilha sobre casas e quintais.
Estendem capas entre o aqui e o além,
Que a hora que chora é acorde também.
Dão luz ao direito d'investir, dolente
Nas sombras, para ter contornos muito seus
A fim de que o fértil chão siga em frente
Pleno de sereias, fadas – sonhos meus!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira



5.03.2020

PORQUE HÁ ROSAS SUBLIMES?





PORQUE HÁ ROSAS SUBLIMES?

Não sou capaz de dizer quanto penso...
A realidade transpõe-me, vai além.
Diz que há encanto, e fico suspenso
Porque reconheço quanta razão tem.

Se todo o poder é das flores apenso
A mais poderosa, e por que formosa
Será a rosa, não o desconhece ninguém.
Mas eu devo vassalagem à verdade
À ética, à arte, à poesia, e à prosa,
E sei haver uma a quem a sublimidade
Pede humilde, inebriada, calorosa
Que empreste encanto a qualquer rosa
Pra que ela possa ser sublime também!

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português