6.16.2021

a bolsa das marmitas (LIVRO de Joaquim Maria Castanho)

 


A BOLSA DAS MARMITAS é uma novela policial, mas jocosa. De costumes, mas divertida. De crítica social, mas sem magoar ninguém. Que promove uma região, mas nunca a nomeia. Que está pejada de realidade por todas as sílabas, mas como espelho dela.

Carrega consigo o peso da atualidade duma terra (Casal Parado) dividida em quatro: a parte de cima e a parte de baixo; o lado direito e o lado esquerdo. Mas igualmente um romance de afeto e paixão entre duas personagens essenciais: Ludgero Campaniço e Eslovákia Hirondina. O primeiro, oriundo da grande família dos Ninguém-Tem-Nada-Com-Isso; e a segunda, natural de New Ville, que é uma terriola que fica para lá do Canadá.

Todavia, não posso adiantar mais nada… Em breve estará entre nós, e cada leitor ou leitora o poderá constatar por si mesmo, por si mesma.

                                O autor

                    Joaquim Maria Castanho


6.12.2021

hoje

 

HOJE


Procura-me no tempo… Exatamente

Onde o ontem e amanhã fazem esquina;

Tão perto, ao rés do que é permanente

Mas que a eternidade ainda declina.


Não precisas de trazer nada (em mente)

E outras coisas qu’a etiqueta ensina;

Sequer boas intenções… Apenas sente,

Qu’é nas ilusões que o afeto germina.


São elas o caldo viscoso (com gorgulhos)

Visceral, pantanoso, e lamacento,

Apropriado pròs melhores mergulhos

À profundez oceânica do momento.


Ou do exemplo, instante tumescente

Que penetra a lama donde nos contemplo! 

 

Joaquim Maria Castanho

#poesia 

#poema 

#literaturaportuguesa 

#redesenharavoz  

6.07.2021

Sacada Histórica


 

SACADA HISTÓRICA


Esta sacada mora em mim

Como um obstáculo inamovível.

Cerca-me de ferro forjado

Algema-me em formas simétricas

Obriga a ler contornos invisíveis

Entre o miolo branco da luz

Durando mais que qualquer vida.


Já no século XVIII era assim.

E também, quase todos que a viram

Pereceram, ou estão próximo disso

Mais século menos século…

Todavia, ela permanecerá

Por outros tantos – pelo menos!


Joaquim Maria Castanho

#poesia

#redesenharavoz

#literatura

#poema

#certa

#castanho

6.06.2021

SANTO DIA, DIA SANTO

 


DIA SANTO, SANTO DIA


Pelo mau trato

Que a vida me tem dado,

Tu és a minha vingança

Tu és o meu El Dourado.


Neste preparo

Em que a gente balança,

Só tu és quem eu acato

Tu és toda a esperança.


Começo a semana sem ti

Vai a semana no meio,

Ainda nem sequer te vi

Já tenho o copo cheio.


Tento não perder o tino

Qu’a coisa anda aziaga,

Para fintar o destino

Para curar esta chaga.


Neste preparo

Em que a gente balança,

Só tu és quem eu acato

Tu és toda a esperança.


Pelo mau trato

Que a vida me tem dado,

Tu és a minha vingança

Tu és o meu El Dourado.


Entraparam-m’a cabeça

Nada de narizes ao léu,

Pra que não nos aconteça

Ser outras estrelas no céu.


Ind’ò domingo não chegou

Já me sinto a futurar,

Que o sonho também sonhou

Chegar a ti, contigo estar.


Neste preparo

Em que a gente balança,

Só tu és quem eu acato

Tu és toda a esperança.


Pelo mau trato

Que a vida me tem dado,

Tu és a minha vingança

Tu és o meu El Dourado.


Joaquim Marias Castanho

6 de junho de 2021

10:00 / 12:00 horas

6.04.2021

história policial - o que é?

 


HISTÓRIA POLICIAL


É uma narrativa (conto, novela ou romance) em que um detetive decifra um mistério, mediante a conjugação e interpretação de indícios. A história policial teve a sua origem em 1841, com a publicação do conto de Edgar Allan Poe O Duplo Assassino da Rua da Morgue; Poe consolidou firmemente o novo género literário escrevendo vários outros contos de caráter semelhante. As convenções deste género de passatempo sem grandes pretensões literárias incluem certos aspetos de pormenor, tais como a perfeição do crime, a estupidez da polícia, a argúcia ou perseverança do investigador e um desfecho impressionante. É uma regra básica da história policial que o leitor seja posto a par de todos os indícios que possam conduzir a uma solução, à medida que o detetive os vai conseguindo obter. Num sentido muito limitado, pode dizer-se que Sófocles e Shakespeare foram autores de histórias policiais, uma vez que, tanto no Rei Édipo como no Hamlet, se nos depara um heroi a tentar esclarecer a situação na qual está envolvido um assassínio.

Incluem-se entre os mais notáveis autores do género, além de Edgar Allan Poe, Sir Arthur Conan Doyle (as histórias de Sherlock Holmes), S. S. Van Dine (Philo Vance), Ellery Queen, Dashiell Hammett, Dorothy Sayers e Agatha Christie (Hércule Poirot). O belga Georges Simenom é outro autor de histórias policiais que influenciou consideravelmente a novelística do género com a sua famosa figura do inspetor Maigret.


In Harry Shaw

DICIONÁRIO DE TERMOS LITERÁRIOS

Tradução de Cardigos dos Reis

(página 361)

Publicações Dom Quixote

Lisboa, 1978

6.02.2021

A arte das artes

 

A poesia é a arte das artes.

PORQUÊ?


Porque com todas elas, ela convive, sem nenhuma ofuscar, mas antes completando, e acrescentando valor, como sucede com a música, com a pintura, com o teatro, com o romance, com o cinema, com a fotografia, com a escultura, com a arquitetura, com a paisagística, com a pedagogia, com a didática, com o desporto, com a gastronomia, com a decoração urbana, com a decoração doméstica, com a filosofia, com as ciências, com as ideologias, com a política, com a história, com o moderno, com o antigo, com o exotismo, com o esoterismo, com a cibernética e com a semiótica. Com o design e com TV.

Quando Bob Dylan, num passado ainda recente, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura, enquanto poeta, estendeu esse prémio a outra arte: à música.

Quando foi atribuído, a Gabriela Mistral, nos meados do século passado, o Prémio Nobel da literatura, ela estendeu-o ao magistério primário, à pedagogia e à didática.

Quando no quotidiano, no dia a dia, em qualquer esquina, em qualquer café, em qualquer praia, em qualquer rochedo, em qualquer floresta, em qualquer fábrica, em qualquer repartição, em qualquer meridiano, nos acontece a poesia, ELA decora-os, embeleza-os, e dá-lhes sentidos e significados que, até aí, nunca tiveram ou lhes foram reconhecidos.

A POESIA É DESVIO. Sem ELA, tudo é rotina. Tudo é tédio. Tudo é compulsão. Tudo é monotonia. E tudo é lassidão.

Na economia, no jornalismo, na rádio, na televisão, marca presença, ilustra, dignifica, ou serve de argumento às matérias da comunicação social. Os jornais de referência repetem-na em títulos e a publicidade em slogans.

A poesia motiva, mostra, festeja, celebra, enaltece, conta, regista, fixa, o que a humanidade tem de heroico (ÉPICA), de existencial (DRAMÁTICA), de sentimental, emocional, afetivo e psicológico (LÍRICA), em cada uma das suas eras, de suas aspirações, de suas crises e de seus sucessos. Torna presente o que foi passado; “realiza” o que será futuro.

É imprescindível nas comemorações, atos solenes e passos em frente, de quase todas as culturas da atualidade. Os hinos de todos os países, compõem-se de poemas mais ou menos musicados, dando relevo ao que há de mais profundo em suas almas, seus inconscientes e conscientes coletivos.

Seja o que for que a humanidade fez ou possa vir a fazer, foi antevisto pela poesia, e diversos poetas ou diversas poetisas passaram por lá anteriormente, e interiormente.

A poesia integral, a prosa versificada e a prosa poética, divergem formalmente, mas estão unidas, e imbuídas, do mesmo sentido gregário, artístico, poético, ético, estético, literário, linguístico, pedagógico, filosófico e socializador, reunindo os seus cultores, fazedores e apologistas, numa mesma, grande e universal família – a nossa, a da POESIA. Umas vezes, cada qual trabalhando em separado e avulso; outras, em equipa, criando, divulgando, promovendo, usufruindo, trazendo a arte das artes para a praça pública, para o dia a dia. Para a publicação, para o entretenimento, para o espelhar da alma e das almas, para o livro… Como neste caso.


O livro qu’aqui ‘tá – obra com muita gente,

É um verso plural, poema coletivo.

Reúne de cada qual o ser diferente;

Dá a todos e todas, um sentir positivo.


Joaquim Maria Castanho


5.31.2021

TEORIA DA LITERATURA

 

“A espécie literária é uma «instituição» – tal como a Igreja, a Universidade, o Estado, são instituições. (…)

A teoria dos géneros é um princípio ordenador: classifica a literatura e a história literária não em função da época ou do lugar (por épocas ou línguas nacionais), mas sim de tipos especificamente literários de organização ou estrutura. Todo e qualquer estudo crítico e valorativo (em contraposição aos históricos) acarreta, de alguma maneira, o apelo a essas estruturas. (…)

Aristóteles e Horácio são os textos clássicos da teoria dos géneros. (…) Na sua maioria, a a moderna teoria literária mostra-se inclinada a pôr de parte a distinção entre prosa e poesia e a dividir a literatura imaginativa (Dichtung) em ficção (romance, conto, épica), drama (quer em prosa, quer em verso) e poesia (centrada no que corresponde à antiga «poesia lírica». (…)

As três espécies maiores encontram-se já distinguidas, em Platão e Aristóteles, consoante a «maneira da imitação» ou da «representação»: a poesia lírica é a persona do próprio poeta; na poesia épica (ou no romance) o poeta, em parte, fala na sua própria pessoa, como narrador, e, em parte, faz as suas personagens falarem em discurso direto (narrativa mista); no drama, o poeta desaparece por trás do elenco das suas personagens. (…)” 

 

in Teoria Da LITERATURA

de RENÉ WELLEK e AUSTIN WARREN

Tradução de José Palla e Carmo

(páginas 282/83/84)

Publicações Europa-América – 4ª edição


5.30.2021

DE RIMAS ME EMBRIAGO

 


QUE TRAGO A TRAGO, DE RIMAS ME EMBRIAGO



Gravo a voz na pedra deste instante

Com o cinzel da minha fala em brasa.

Então, aí, eu esculpo-me de rompante

Porta, como batente da mesma casa…

O que sou, é tão-só verso ofegante

Cisco de língua que em rimas s’abrasa;

Escolho dum naufrágio mais adiante,

Que até o próprio instante atrasa.


E da residência hostil, mas aberta

Onde, enfim, fomos recebidos de vez,

É tempo de olhar prà rua deserta

Inundada pelo tal sol que desperta

Além da sede, criação, rebanho, rês,

Nossa febril e lânguida embriaguez.


Joaquim Maria Castanho


5.28.2021

Rádio Horizonte

 Esta noite, às 21:30, na Rádio Horizonte, uma horinha de excelente conversa entre pessoas da nossa terra -- e que muito têm feito por ela...
https://www.youtube.com/watch?v=ef31tDByTlk

Entrevista de Fernando Mão de Ferro a Rosa Calado.

   


Esta noite, às 21:30, na Rádio Horizonte, uma horinha de excelente conversa entre pessoas da nossa terra -- e que muito têm feito por ela...
https://www.youtube.com/watch?v=ef31tDByTlk

5.21.2021

Pomme Fête de la musique Olympia 21/06/2020 (Audio)

Livros de JOAQUIM MARIA CASTANHO

 

Toda a idade é ágil, e é forte
Toda a flor é rebelde, sua cor é santa
A primavera já cá está
A primavera já cá canta! 

#Dadinha Dá Uma Lição ao Lápis Vlup-Vlup, o Valentão das Dúzias

#REDESENHAR A VOZ

#NA MINHA CASA MORA UM GATO
 

12.27.2020

ANTOLOGIA -- MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS DE PAIXÃO

 

 


MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS DE PAIXÃO

(Antologia)

Coordenação de Fernando Mão de Ferro

Edições Colibri

Lisboa, dezembro de 2020



A grande viagem, a grande aventura que é a vida de cada qual, consuma-se passo a passo, capítulo a capítulo, conto a conto, cena a cena, parágrafo a parágrafo, frase a frase, linha a linha, e dessa história às vezes nascem estórias, sobretudo para aqueles e aquelas que se não esqueceram de as registar de forma a que, quer eles e elas, quer nós, a elas pudéssemos recorrer sempre que a inquietação, o desassossego existencial, nos espicace a curiosidade e o talento. Sim, talento, digo bem!, porquanto é preciso uma pessoa ter genial talento para querer saber como é que alguém, de sua igual humanidade, se sentiu ou se desenvencilhou, desta ou daquela alhada em que se meteu, para que foi atirado, ou atirada, deixando-lhe a alma em pleno voo, mas a que nunca pode valer qualquer contrapicado, ainda que fantasista. Descer à terra é a única hipótese plausível que lhe resta; a realidade o único vento que lhe impele a nau; e o sonho a bússola que lhe motivará a trajetória. E é experiência que MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS DE PAIXÃO fala, através de depoimentos mais ou menos elaborados, ficcionados, conforme o jeito e oportunidade sócio-biológica de cada autora, de cada autor, tal como Raquel Gonçalves-Maia, Otilinda Silva, Maria Gabriela Ludovice, Maria Eugénia Oleastro, Leonoreta Leitão, J. A. David de Morais, Isabel Marçano e Teresa Clemente, Florinda Martins, Celino A. Vilela das Neves, Carolino Tapadejo, que lhe preencheram o recheio sob a bitola de um deles, que além de coordenador também é autor participante nesta antologia – Fernando Mão de Ferro.

Um livro que não carece ser lido de fio a pavio e duma assentada para se compreender no todo, mas nos permite ler parte por parte, participação por participação, etapa por etapa, a fim de melhor o apreciarmos pelas subtilezas e diferenças nas “paisagens”, ou atmosferas que o circunscrevem.


Joaquim Maria Castanho


12.25.2020

REDESENHAR A VOZ


 

 

Com publicação no mês de dezembro, pelas Edições Colibri, eis o novo livro de Joaquim Maria Castanho, REDESENHAR A VOZ, composto por 226 poemas, em 288 páginas, onde o autor reflete sobre as vivências do dia a dia de sua realidade citadina.

11.25.2020

CUIDADO

 CUIDADO

Cessem força, berro e grito
Porque toda a eternidade
Vai do mais ao menos infinito.

Não se firam, não se provoquem
Que há grande probabilidade
Que estes extremos se toquem!

Joaquim Maria Castanho



7.12.2020

DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, O Valentão das Dúzias


DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, 
o VALENTÃO DAS DÚZIAS


A literatura não tem idades nem compartimentos estanques. Os melhores livros que a humanidade gerou, embora tenham sido escritos há séculos e séculos atrás, hoje em dia, continuam legíveis e com significados plenamente consciencializáveis para os homens e mulheres da nossa atualidade. Continuam a interessar o grande público que os tornou clássicos. Porém, essa dedicação aos títulos e autores imortais, não limitou, secou, impossibilitou o aparecimento de novas obras, e, algumas até bastante controversas, não deixando por isso de se tornarem também clássicas. Também em literatura “o caminho se faz caminhando”. Cada qual que cria, dá o passo conforme a perna, e produz conforme crê ser melhor para quem lê, não só, para dessa criação poder usufruir com prazer, mas igualmente com enriquecimento humano. Dadinha Dá Uma Lição ao Lápis Vlup-Vlup – o Valentão das Dúzias, segue-lhes na peugada, não obstante a sua modéstia e fracas valias... Mas está lá, e não sente vergonha de pedir a cada leitor e leitora que o ajude a seguir em frente. Obrigado


Joaquim Maria Castanho

6.14.2020

#ALVALUZ #AMENOCLIMA






ALVA LUZ, AMENO CLIMA


Mergulho em recordações…
Abro a voz pra respirar-te.
Redesenho-te por secções
Onde as partes são ambiente
Unidas até serem arte,
Sentidas até serem gente.


Não há mar que te desconheça
Não há céu que te não cante,
Nem sentir que te desmereça
Mesmo se estás distante.


Esse ora assim destilado
Serenidade (e exatidão),
Quase afeto amassado
Com o cuidado de tua mão
Que assina por bem, no final
O teu olhar, meigo e plural,


Que traz o céu salpicado
De azul só entre as nuvens
Cinza e branco prateado
Entre as folhas e as vagens
Entre verde o casario
Quase suspenso dum fio...
Jardim pra que não há margens,
Nascente pra mais que um rio.

E que, por que assim, sendo
A vida aí não esgota
Ainda que ocasos tendo,
Vai subindo, vai descendo
Balanceado na rota.

Como por laivos de prata,
Como um céu de platina,
Onde, se ao azul tapa,
Também descanso ensina.
Porém se o azul destapa
É alva luz, ameno clima.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira

6.12.2020

TER OU NÃO TER JUÍZO




  TER OU NÃO TER JUÍZO


Se vires chegar a gaivota com o bico aloirado de sol, não estranhes; ela me anuncia.
Se vires o pôr-do-sol raiado de violetas e uma brisa que vem do sul, não estranhes; eles me anunciam.
Se vires uma criança descalça e desnuda correndo pela relva do Jardim do Palácio, não estranhes; ela me anuncia.
Se vires algum velho sem-abrigo lambiscando a beata nos dedos amarelados, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires o louco profeta de barbas despenteadas e sujas discursando contra o consumismo exagerado, a energia nuclear, os Trumps e Bolsonaros na nossa COVID 19, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires o cão esquelético e faminto como pool de todos os abandonados do mundo, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires um papiro esvoaçando sobre a multidão mecanizada, não estranhes; ele me anuncia.
Se vires cair da janela anónima uma fotografia rasgada, não estranhes; ela me anuncia.
Se vires os teus olhos brilharem numa noite de luar, não estranhes; eles me anunciam.
Se vires um sorriso urgente num rosto desconhecido, não estranhes; é a minha forma de estar contigo.
E depois de eu ter chegado
Muito depois do ainda não
E muito antes do já de volta
Finge que me desconheces
Faz gestos de negativa revolta
Faz negaças de comiseração
Faz traquinices e benesses
E dá o sonho por acabado.

Mas depois de eu implorar
De pedir um pouco de atenção
Inventa nomes que me trocam
Inventa partidas que te preguei
Inventa razões de negação
Inventa ditos que te adulam
Inventa actos que não pensei
E belisca-me para acordar.

E então, depois, se acordando
Ajoelhar a teus pés, indeciso
Apenas pra te pedir um sorriso
Diz-me, seca, fria, rezingando
«Ora, que é isso? Por favor... Tem juízo!»

E se então vires voltar ao nada uma fotografia, um papiro, um louco, um velho, uma criança, um pôr-do-sol, uma gaivota, um sem-abrigo, um cão, um sorriso, não entristeças, nem estranhes; é tudo o que fui, que está de partida. É a nova era que principia!

Joaquim Maria Castanho


6.10.2020

O AFETO TAMBÉM SE CELEBRA



  O AFETO TAMBÉM SE CELEBRA


Eu te celebro saber, família, flor
Gesto rubro, em botões libertado
Que se sonhos vivem, sonham, são amor
Logo sonho, que se vê espelhado.
A mim, um me disse, eco sem temor
Que o sonhar sem fim, é ter cuidado
Estar lá, onde o sul ganha outra cor
Só porque pela Serra foi gerado.

O seu feito é notável, e agora
Quando alguém sonha, apenas diz
Que é a sentir que a alma decora
Aquilo que o coração sabe e quis.
Sabe e não esquece, ama e não cala
Se é ramo na mesa, quarto, sala...

Joaquim Maria Castanho 
Com foto de Mia Teixeira 

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português