Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
11.27.2016
VERBO SEMPRE
VERBO SEMPRE
Ver teus olhos todos dias,
Observar o teu sorriso,
Ouvir sublimes melodias
Dançar nas ondas dos cabelos
Onde o sonho se enleia
Entretece como em teia,
Arrebata tão-só por vê-los…
É uma queda que nos ergue
(Reparar sem que reparar!),
Reparando qu’em Portalegre
Somos verbo sempre a conjugar.
Joaquim Maria Castanho
11.26.2016
REVER-TE
Reencontrar-te é rever por escrito
As pétalas à esperança (sonhada),
Presas plo nácar da tarde, flor perlada
Abrindo as portas do céu infinito
Onde as estrelas copiam teu nome,
Onde a feliz alegria me consome
Quando a vida regista a tua lei;
Onde nasce tudo quanto sou e sei
– O que há e não há, além do que acredito!
Joaquim Maria Castanho
11.25.2016
LETRA V
LETRA V
Viver é ouvir o vaivém
Nas veias,
Sejam nossas, sejam alheias
Viúvas, como sem vintém;
Novas, velhas, vazias, cheias
Beatas, nobres, pobres, plebeias
Vitoriosas ou vadias
Vividas na vida dos dias,
Como esvaídas e sem ninguém.
É avivar a voz do vento
Com vitrais, uivos da vontade
Vorazes e virtuais, vidrados
Pelos vernizes da liberdade…
– Varonis, vitais, condenados
A virarem-se em movimento!
Joaquim Maria Castanho
11.24.2016
LETRA U
LETRA U
Usura dura e única esta:
Ultrapassar a tua ausência –
Ustir último se já funesta
Urdidura uiva urgência,
Ultima lugar prà sepultura,
Aquiesce em suma anuência,
Aqueda em tumular cesura…
Que quando é usual ustir
Sem amuar (cumprindo ajuste),
Nem undíssono urde iludir
Porque “quem quer uste, que lhe custe”,
Num muito sumário aprumo
De quem curte seu supremo rumo
Em nunca ocultar – nem desunir!
Joaquim Maria Castanho
11.23.2016
11.22.2016
LETRA S
LETRA S
Senhora da penha
Da luz, da chegada,
Se sinal, és senha
De rio alvorada,
Nas hortas marcada
Plo pão com manteiga, plo galão quente
Das primeiras notícias do mundo
Da escola, da terra ou da gente,
Nesse nosso pertencer tão profundo.
Tão no ser sentido
No querer forjado,
Chutando o perigo
Para outro lado.
Para outras bandas
Sem almas nem gado,
Onde as desmandas
São por mel coado.
Pelo grão na asa
Por tudo e por nada:
Batizo em casa,
Velar de finada.
Ou ida às “sortes”
Buscando canudo,
Onde essas mortes
Por tudo e por nada
São nadas do tudo.
Joaquim Maria Castanho
11.21.2016
LETRA R
LETRA R
Regressar ao sorriso que nos resume
Pérola, redoma, reflexo de nácar,
Fénix (renascida) das cinzas é lume
E ritual que repete sonho e luar;
É ritmo renovado para quem rume
Atrás da réstia redonda de cabelos
Que nos aprisionam, só por querer vê-los
Sempre, sempre, sempre e repetidamente
Que o frémito surge, coração frecha
Ao sentir, urge sussurro extremado
Rumando estreme de brecha em brecha
No cabelo atado, como quem fecha
Círculo, regressa sorriso criado…
Réstia reflexa no rimar nacarado!
Joaquim Maria Castanho
LANÇAMENTO DO LIVRO MOMENTOS DE POESIA no HOTEL JOSÉ RÉGIO, em PORTALEGRE
LANÇAMENTO DO LIVRO “MOMENTOS DE POESIA”, ontem, dia 20 de novembro de 2016, no HOTEL JOSÉ RÉGIO, em PORTALEGRE
Eis três momentos de entre os muitos instantes que marcaram, de forma simples, atrativa e genuína, o lançamento do livro MOMENTOS DE POESIA, que é já o reportório de inúmeros Momentos de Poesia, iniciativa com a periodicidade mensal regular, durante dez anos, coordenada por Deolinda Milhanho, onde o encantamento e magia de poemas e atividades de poetas e poetisas, se terão destacado, nas mais diferentes formas e formatos, incluindo o da palavra dita, lida ou escrita, mas que nos sugerem como a poesia pode surgir sem recurso exclusivo a ela, essa palavra, instrumento de comunicação por excelência, embora que não o único para a sua concretização: no ballet, no fado e no canto polifónico (entoando o hino de Momentos de Poesia, sob a “batuta” de João Banheiro, um dos participantes ativos desta iniciativa).
A sala do restaurante do Hotel José Régio seria pequena para tanta gente, não fora a temática principal, a poesia, ser já de si, e em si, um aproximamento efetivo, um incitamento ao estreitar de laços, aliciar de sentidos e afetos, recapitular profundidades que foram também, um dia, o à flor da pele desses mesmos dias.
Desnecessário será afirmar o valor deste tipo de eventos, ou iniciativas, não só porque representam o regressar às origens da poesia, quer nos motivos, quer nos lugares e gentes que a inspiraram, devolvendo-a, assim, ao seu habitat natural, a cidade de Portalegre, seus habitantes e tradições, mas também porque recuperam a atualidade da arte das artes, tornando-a parte integrante do quotidiano, franjas de dia a dia dessa colcha de renda que é a praça pública, massificando-a e fazendo-a visível até para os “olhos” menos sensíveis das sociedades contemporâneas. Porque são momentos como estes que nos ajudam a recuperar os instantes passados e a presentificar todos os futuros, incluindo os mais imprevisíveis.
Joaquim Maria Castanho
11.19.2016
LETRA Q
LETRA Q
Quando queremos quase e enquanto
Aproximação ao querer que é querendo,
Quota-parte do ser em qualquer sendo
Questionamos qualidade e encanto
Ao querido, desejado, mas nele tendo
Outro sentido, que não o querer puro,
Pois queremos que nos queira também...
Tem seu quê relativo, pouco seguro
Em queda já, sem quaisquer votos de quem
Dá ao querer um não-sei-quê de futuro
Que toda esperança quando quer, tem.
Que o possa ver, requer que mais alguém
Veja, que mais alguém o note e queira
Como querença – e de qualquer maneira!
Joaquim Maria Castanho
11.18.2016
LETRA P
LETRA P
Produto de partilha, a poesia
Põe, dispõe ou reproduz, mas por parcelas
O que apenas suprema, ela poderia
Possuir de próprio, e por profundo…
É a prata de quem pelo dizer porfia;
É ponte, é projeto, é vento e velas;
É o espelho do que pode ser o mundo
Nas suas alegrias, magias e mazelas.
Porém, podendo ser tudo e muito mais,
Quer seja poder, como pleito sentido,
Presta-se também a ser para jograis
O que nem imaginaram sequer ter podido:
Porta que lhes dá direito de perdura
Em toda parte – até em literatura!
Joaquim Maria Castanho
11.17.2016
LETRA O
LETRA O
Ouço o teu rosto redondo, em osmose,
Como no sonho, e omisso me socorro
E me decoro, e oponho, ao sono, à pose
De oximoro, se afirmo e nego, se morro
E vivo, em contradição, apoteose
Que ocorre logo que oco recorro
A outro rosto, procuro hipótese
Provável de substituí-lo (de novo),
Génese e ovo dos modos que absorvo,
Louvo, somente saudoso dele, de ti…
Porque o amor, o universo, é isso
Só isso, o teu olhar, forma e esquisso
Que conforma rota ao meu, pondo-o aqui
A focá-lo, sem sufocar como te vi.
Joaquim Maria Castanho
11.16.2016
LETRA N
LETRA N
Nos teus lábios, língua languescente
Se aninha, letra no meio de nós assim
Que não nega renascer no ocidente
Nem faz, ou nem afirma, tão-só porque sim.
E se no início é naipe exigente
Linha anil ou nesga de sonho no marfim,
Nácar de ninfa no nenúfar tremente
Ante a corrente cristalina e de cetim,
No fim é destino, melodia divina…
Encantamento num’alma peregrina
Sem promessas por pagar nem por receber;
Mas acatando sempre se o olhar ensina –
Porque no inaudito nasce bem-querer!
Joaquim Maria Castanho
11.15.2016
LETRA M
LETRA M
Mais que mistério, mais que magia,
Mais que momento, são os teus modos
De solucionar medíocre mediania
E o sem poesia dos dias incómodos;
Dos dias menos, tardios, serôdios
Que mumificam as almas, se desfias
Missangas num rosário de Marias
Mudas pròs mundos – mundanos quase todos.
E que é essa maneira que é só tua
De resumir hemisférios de humor,
Multiplicando numa forma contínua
O quadrar alegria pla redondez do amor;
Pois muitos dias poderá ter um dia,
Mas só se te vejo, neles, há poesia!
Joaquim Maria Castanho
11.13.2016
LETRA L
LETRA L
Lídima lealdade na leitura
Das sílabas dos lugares e ligações,
Legítimo salto-cavalo, moldura
De lótus, de lis, de lírios e de leões
Que limaram e sublimaram tradições,
Deltas iluminados, luz ou figura;
Sombras a deslumbrar plateias, ilusões
Com realidades dentro se em nós dura
A nobreza leve, nobre sentimento.
Cinquenta linhagens universais
De áspides e ninfas, cujo cruzamento
Concedeu a humanos e comuns mortais
O dom da entrega e arrebatamento
Em ser frontais, sem deixar de ser leais.
Joaquim Maria Castanho
11.12.2016
CAPA do Livro MOMENTOS DE POESIA
Eis a capa do livro de celebração do décimo ano de Momentos de Poesia, a ser lançado no próximo dia 20, pelas 15:30 horas, no Hotel José Régio, em Portalegre, e que reúne a participação de 48 poetas e poetisas da nossa atualidade.
LETRA K
LETRA K
Caderno trinta três na ordem suprema;
Tipografia avançada e em escala;
Isolado, deitado, é nosso tema
Quando na língua, a escrita fala.
Do cuneiforme ao digital emala
A bagagem – da humanidade a gema –,
Que à ficção e fantasia dá “olá kala”
Mostrando as obras, mas não a arbitragem.
Só surgiu no mundo por necessidade
Mas imperou como a razão do meio,
Oferecendo a Gutenberg a veleidade
De ser do globo a esfera como o veio;
Sucumbiu às catacumbas da idade
Pra fazer alegretes de bonito e feio!
Joaquim Maria Castanho
11.10.2016
LETRA J
LETRA J
Joias de Salomão justificadas
Em tesouros de justa preciosidade,
Não teriam sido essas guardadas
Mas sim quem as guardou como verdade.
Pilares da civilização, juradas
Colunas na suma verticalidade…
Portas do mundo. Cais pra sãs cruzadas,
Que sustentaram nossa modernidade.
Que muito mais que os bens guardados
São os sentidos valores aí propostos,
Pois além de gerarem mil cuidados
São cuidado e aprumo de quem ‘tá a postos
Vigilante, determinado, de plantão;
E à injúria faz negaça, trespassa
A intrujice e à trapaça diz que não!
Joaquim Maria Castanho
11.09.2016
LETRA I
LETRA I
Nove III, imperador do infinito
Condómino maior na escala decimal
Senhor do fim, do abismo e do esquisito
Faz saber que todo centro é marginal.
Todo o coletivo é individual.
Todo o corpo é sempre um espírito.
Todo o silêncio é seu próprio grito.
E todo bem tem seu correspondente mal.
E mais que isso, se decreta agora,
Que embora diga que és tudo e nada
(Serviço de urgência, base, escora…),
Não há prova que existas realmente:
Só és ponto de partida e de chegada
– Pintinha de sangue no olho desta gente!
Joaquim Maria Castanho
11.08.2016
LETRA H
LETRA H
Hasteada hipótese na humana
Hipotenusa que já em Hipatia
(Farol da “Eduba” de Alexandria)
Tinha hélice e elipse, mas a tirana
Hipocrisia emudece em heresia,
Nem Hipócrates houvera de honrar
Entre hermanos na deontologia
E hediondos hospitais da sangria
Ethica e bosta pestilenta pra sarar,
Ou a fé a fim de queimar e purificar
Quem temesse ou tivesse outro Hades,
O que entendemos por Hoje foi mudo,
Calado sob grilhetas ou hostis grades…
Porém, pra nós, é só o maiúsculo tudo!
Joaquim Maria Castanho
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