9.19.2016

ABSORTO TE ABSORVO




ABSORTO TE ABSORVO 

Há um Império de lonjura
Entre nós Pessoa chamou-lhe O Quinto
Mas, mesmo assim, na candura 
Dos dias procuro o mar entrançado, e sinto
As vagas encaracoladas do ser
A enlear-me em sonhos que não sei dizer. 

És o segredo de cada passada
O verbo aflora rimas ancestrais
E, na manhã da manhã, esperada
Sobre xis de cromossomas maternais, 
Ditas poesias pelos céus diamantinos…

O sol empurra-te para o outro lado;
Porém, seguro-te, estendendo-te o olhar
Descuidado, para te guardar (ensimesmado). 

Joaquim Maria Castanho 

9.17.2016

AS QUATRO PENAS DE LEI




AS QUATRO PENAS DE LEI 

Tantos há contra a pura transparência 
Tornando turvas as águas da consciência 
– Sendo as verdades de tão amargo custo
Pra quem não é sério, honesto e justo… –,
Que se nos atrofia a pena da poesia
E cresce a pena do penar plo dia-a-dia. 

Mas a mim – que não sou sábio nem rico, 
Nem o douto tido por inteligente –, 
Basta-me contar a pena com que fico
Por rever nestas estrofes tanta gente! 

Joaquim Maria Castanho

9.15.2016

VIDA REFRATÁRIA




VIDA REFRATÁRIA

Repito os gestos, os caminhos pisados
Como s'eles tivessem o condão de repetir-te, 
De tornar-te presente (novamente). 

Insisto neles. Insisto em mim. Insisto
Como quem se atravessa na linha
Antes da existência passar (arbitrária). 

Porque a minha vida jamais será minha... 
E se o for – por hipótese! – será também refratária. 

Joaquim Maria Castanho

9.14.2016

A TUA AUSÊNCIA




A TUA AUSÊNCIA 

É como se a poesia nos tivesse morrido
De uma síncope qualquer, 
E a palavra, o verbo assim suprimido
Caísse ao túmulo abatido
Sem conseguir chorar, sequer…

Como se o vento vergastasse seu choro
Pelo chão sujo de palha ressequida, 
Para despir as árvores, sem decoro, 
Das verdes folhas que lhe foram vida. 

É como se nos doesse o doer, até 
Não haver hoje, nem amanhã, 
Noites, dias, imagens, nota, rodapé; 
E os poemas sangrassem sem fé, 
E numa esperança vã. 

Como se a voz ácida corroesse
A alma no seu íntimo mais puro, 
E o mundo todo inteiro tremesse
Nos picos de um gráfico (inseguro). 

É como se perdêssemos o nosso ser
Minuto a minuto esvaído, 
E nos doesse pelo próprio dizer
Até ver o não-ver por temer
Ser o perder-se esquecido. 

Joaquim Maria Castanho 

9.13.2016

À FLOR DO OLHAR




À FLOR DO OLHAR 

Como um lamento incolor
Lágrima do momento ou flor, 
Deixo meus olhos esquecidos em ti. 

Se pedisse vinham comigo
Sem sentir nisso um castigo, 
Ou qualquer dolorosa impressão. 

Mas se os escutasse ficavam aí
Mesmo sem se questionar da razão; 
Porque eles serão sempre de quem vi… 
De quem assim me chegou ao coração! 

Joaquim Maria Castanho 

9.12.2016

TEMPO SEM FIM




TEMPO SEM FIM 

Ainda tenho o olhar preso
Na trança de teu cabelo, 
Mar rematado mas ileso
Onde naufrago por vê-lo.
Ainda escuto a tua voz
Nesse instante d’atenção, 
Por cujo tom ecoam em nós
Címbalos de magia e condão. 
Ainda agora fosse ainda
Meu olhar nascido em ti, 
E já era elo que não finda
Preso à trança em que o vi. 

Que ainda é tempo sem fim; 
Começa assim que te vejo
Prà’cabar depois de mim… 
– E rimas deste versejo! 

Joaquim Maria Castanho 
(Foto: Imagens Google) 

9.10.2016

RENASCIMENTO




RENASCIMENTO 

Era tão difícil a poesia
Sem teu olhar, que nada sou
Se sem ele me perco no dia
A esbracejar, mas não voo… 

Eram tão dolorosas, as horas
Com cada minuto forçado, 
Quase chicotes, esporas
De flagelar meu eu acabado… 

Porém, a estrela cintilou
E o escriba azedo, calado
Por magia desentristeceu;

Que a brisa amena voltou
Soltando o poema encerrado
Nas tristes grilhetas do breu! 

Joaquim Maria Castanho

9.05.2016

ECO E LUZ




ECO E LUZ

Ninguém te espera; 
Ninguém te entende. 
Mas a esta esfera
Nem só sol a acende… 

Ao calor interior
(Também essencial)
Damos pouco valor
– Ou nenhum, por sinal. 

Mas à semelhança
Da humanidade, 
É nesta importância
Que está a verdade. 

Joaquim Maria Castanho

9.04.2016

DA DURAÇÃO DOS DIAS




DA DURAÇÃO DOS DIAS 

A saudade mina-nos 
Como a doença ruim, 
Que, por sermos humanos, 
Já nos acontece também, 
Como acontece em mim. 

Trança de sétimo dia
(Triângulo por um elo), 
Brisa mansa da Poesia
E sentir sem paralelo, 
Por quem esta saudade
(Doendo de verdade!) 
Não acontece a ninguém 
Como m'acontece a mim? 

A saudade mina-nos
Que nem a doença ruim… 
Mas se somos humanos
Já nos acontece também 
Como m’aconteceu a mim. 

Sorriso é flor de poema
(Meu segredo de avelã),
Cujo olhar é tom e tema
Pró vento manso da manhã, 
Porque doi tua ausência 
Em delírio e demência
Nesta saudade sem fim, 
Como se doença ruim?

O qu’acontece mina-nos
Porque somos humanos, 
E vem um dia ensina-nos 
Que os dias duram anos. 

Pequena Musa, destino
De meu canto tão doído, 
Porque soa forte este sino
(A ribombar de sofrido), 
Que neste domingo sem fim
Ecoa, magoa, como desdém… 
E se me acontece a mim, 
Porque nos acontece também? 

Duram dias por te não ver, 
Como voam se te vejo, 
Que a saudade é um ter
Sem ir além do desejo. 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: Imagens Google) 

9.03.2016

FITANDO O PONTO





FITANDO O PONTO 

Há aves de rapina sobre a Poesia, 
Garras afiadas, peçonha nos grasnidos, 
Rondam as odes incautas no dia-a-dia, 
Rasgam brechas nos sentires distraídos… 
Todo o cuidado é pouco; que alegria
Demonstram, mas têm outros intuitos
Sub-reptícios em sua mente fria
Calculista, de rapaces fortuitos. 

Entrementes, de palavras aperradas
Perscrutamos as poeiras no caminho; 
Na bandoleira, rimas calibradas
Estão d’alerta e a postos, sem desatino
Ansiando salto, disparo e refrega.
Prontas já ao derrame na entrega!

Joaquim Maria Castanho 

9.02.2016

INSTANTE ÍMPAR





INSTANTE ÍMPAR 

E eis que nesse exato momento
Em que me viro, tu estás a passar… 
Então, fico em suspenso e nem tento
Sequer um gesto, ou um pestanejar. 

No existir (ideal) que acalento
A perfeição (inicial) só pode estar
No instante (em que te vejo o vento
Manso se ergue…) da brisa a murmurar. 

Séculos e séculos que eu vivesse,
Todos e nenhum valeriam metade
Desse segundo em que a rua desces;

Em que te vejo e és toda a verdade, 
Não só imaginada, mas também real
E passo a passo sentida como tal. 

Joaquim Maria Castanho

9.01.2016

OS TRÊS POMOS SUBLIMES





OS TRÊS POMOS SUBLIMES 
(: ESTIMA, FIDELIDADE E RESPEITO)

Me enrolo nas palavras, tropeço
Nelas, exijo-lhes que «Falem!», «Digam!»
«Sejam!» imediatas, que não esqueço 
Os teus olhos nem o que eles ligam
Entrançam, Lua secreta, renovada… 
És a insubstituível luz, a fada
Da ternura, a que faz perto o distante, 
E de Atena, a eleita cintilante, 
Brisa da aurora e da madrugada, 
Meu último pensamento na jornada
E primeiro «Bom dia!» que tenho e dou.  

Se sorrio, é porque te vejo (e vi). 
Se a poesia existe, é pelo que tu és. 
Se amo a vida, e o sonho, devo-o a ti. 
Se sementes germinam, criação ousou
Então é porque és a vontade e os pés 
Com que na Terra o feminino caminhou. 

Porque em tua honra os três conceitos
Divinos são ora terrenos, e feitos
Pomos de afeto, se cruzam e descruzam
Numa trança eterna, mas celeste; 
E, mortais como eu, os respeitam 
E adoram, que se o mundo é agreste
Só eles ao sublime bem inspiram! 

Joaquim Maria Castanho

8.31.2016

PEQUENO ÉDEN




PEQUENO ÉDEN 

Há pétalas a florescer
Na trança de fios de luar, 
Em que um dia me pude ver
No avelã madura do olhar;
Sentir aroma de violetas, 
E reconhecer este lugar
Feito pra fadas e poetas… 
Pequenos sonhos, mágicos, 
Estrelas de Lua Nova, 
Odes, víveres práticos, 
Frutas, das cores e paletas
Cujo odor o sabor comprova. 

Mas, principalmente, alguém
Que me transporta à certeza, 
De ser outro Éden também
Simplicidade e beleza.

Joaquim Maria Castanho 

8.30.2016

OLÁ, AMIGA!




OLÁ, AMIGA!

Procuro-te como um cego
E não te encontro; todavia, 
Só a mim mesmo eu renego
Ante a desfaçatez do dia. 
Procuro-te, e à luz entrego
Toda a ânsia e melancolia, 
Que nunca nego, colo e prego
Nas costas doídas da poesia. 
Ela e tu são meu supremo bem; 
Destrinça entre ambas não há. 
A Ela motivas, mas és pra quem
A escrevo, ou sinto, ou digo. 

Procuro-te. E onde quer que vá
Contigo vou e só por ti (sigo!)

Joaquim Maria Castanho

8.29.2016

HUUUAAAUU




HUUUAAAUU

Me reescrevo desmagoado
Sílaba sílaba agora, 
Em teu rosto (disfarçado
Naquele que foi outrora 
Também da poesia motivo...) 

Só para lembrar-te... - e vivo! 

Joaquim Maria Castanho

8.18.2016

E AINDA HÁ ALGUÉM QUE SE PERGUNTE PARA QUE SERVE A EUROPA?




E AINDA HÁ ALGUÉM QUE SE PERGUNTE PARA QUE SERVE A EUROPA? 

Se “a lei pune os funcionários públicos e os titulares de cargos políticos, que, no exercício das suas funções ou por causa delas, solicitarem ou aceitarem, vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhes seja devida” (conforme afirma NARCISO MACHADO, juiz desembargador jubilado, no artigo de opinião A lei e ética como limites da acção política, constante do jornal Público nº 9620, do XXVII ano, de 18 de Agosto de 2016), então é, no mínimo, absurdo que ao abrigo dos usos e costumes tal não aconteça, em Portugal, com a regularidade e frequência necessárias e suficientes para sairmos dos lugares cimeiros do ranking dos países mais corruptos da Europa. Principalmente porque a “autorização legisladora” nacional, de acordo com a ordem (constitucional) vigente recai e está centrada na Assembleia da República e no Governo, o que indicia, consequentemente, que foram os políticos, instituições e altos funcionários do Estado, no exercício democrático de que estavam imbuídos, que legislaram para os poderes executivos, igualmente democráticos, e em usufruto de um direito que lhes foi outorgado/consagrado, aplicarem na prática da governancia, quer institucional, quer governativa.  

Ou seja, em abono da verdade, ou à luz da sensatez, consciência cívica e ética de um Estado de Direito, que aconselha que sejam exatamente os políticos e funcionários públicos os primeiros a cumprir as leis, não somente para não perderem a autoridade moral que lhes concede o direito (merecido) de as imporem aos demais, mas também para emitirem um sinal de transparência e honestidade democrática aos paisanos do establishment, sociedade civil e tecido económico/empresarial, fazendo a pedagogia do exemplo, eis que são incontornavelmente estes a fugir à lei, a fintar a justiça, a ludibriar as intenções do legislador, fazendo da ordem jurídica letra morta. 

O caso voltou a ser verificável hoje, na proposta administrativa governamental para a Caixa Geral de Depósitos (CGD), em que das 19 personalidades que a integravam, só 11 foram aceitadas pela entidade reguladora para o fim em causa, o Banco Central Europeu (BCE), ou, mais rigorosamente 10,5 – uma vez que o próprio presidente da CGD se encontra em estado de exceção, acumulando à presidência do Conselho Administrativo da Caixa também a presidência da Comissão Executiva da mesma CGD, o que nos sugere haver já em ascensão uma nova estirpe de “donos disto tudo”. Digamos que tivemos sorte desta vez, porquanto fomos obrigados a cumprir a nossa lei, não porque fosse vontade expressa dos responsáveis nacionais, mas porque a Europa tutela neste capítulo da área financeira, o que nos deixa com a pulga atrás da orelha, pois se não fosse o BCE a interpretar e aplicar a lei, certamente esta seria cilindrada pelos célebres usos e costumes da tradição do, não obstante ela, a lei, “na terra do bom viver, faz-se como se vê fazer”, filosofia nascida do igualmente tradicional “uma das mãos lava a outra, e com as duas lava-se a cara”, e da cumplicidade pacóvia do “tu que sabes e eu que sei, cala-te tu, que eu me calarei”, tão ao gosto dos brexistas à portuguesa. 

É caso para dizermos que, felizmente, ainda vivemos em democracia e ainda integramos a UE – União Europeia… Que remédio! 

Joaquim Castanho

8.04.2016

ALMAS UNIDAS NUM SÓ ESPÍRITO




ALMAS UNIDAS NUM SÓ ESPÍRITO… 
Aguarelas de poesia e Encontro de poetas 2015/16
Coletânea – Edição de Autor

“Que tenho sereias que se despem de peixe
 Assim, na exata latitude de teu ser…”
In Joaquim Castanho
IÇADO (OURIÇO) DO MAR 
(Página 106)

Da explícita (ou implícita) simbiose que há entre a pintura e a poesia, nasceu um projeto que se configurou numa sequência de ações, eventos ou exposições, e que, finalmente, sob a coordenação de David Marques, revisão gráfica de Teresa Carvalho e patrocínio direto da Câmara Municipal de Torres Vedras e Junta de Freguesia Santa Maria, São Pedro e Matacães, se traduziu na edição de um livro de 298 páginas onde se reúnem e integram as colaborações a propósito de cerca de meia centena de poetas, dez pintores e algumas outras participações avulso, cujo resultado global é valorativamente superior à soma das partes, não só pelo seu contributo para a cultura do lugar, como também para a poesia, a língua portuguesa, a palavra escrita ou dita enquanto veículo de valores identitários e filosóficos, instrumento de marketing territorial, expoente de criatividade e estesia, ou elo de ligação entre gentes, localidades e regiões. 

Estruturado em VII Capítulos (Resumo biográfico dos poetas, Resumo biográfico dos pintores Aguarelas poéticas, O olhar interpretativo/poético sobre Aguarelas do Encontro Internacional de Aguarelistas 2015 – Santa Cruz, Olhar poético sobre o Município de Torres Vedras, Tema livre – De asas ao vento, Avaliação poética do Encontro de Poetas e O olhar interpretativo/poético sobre a Exposição “Aguarelas com Poesia”, de 19 de março a 2 de abril de 2016, integrada no Encontro de Poetas), tem o grande mérito de trazer para a ribalta do momento alguns poetas e algumas poetisas já nossos conhecidos, como igualmente muitos outros de que dificilmente ouviríamos falar ou, mais grave ainda, desconheceríamos o poetar, não fora esta oportunidade, como o são Abílio Manuel Carreira Santos, Ana Matias, Ana Rosa Pinto, António Alberto Teixeira Santos (Alberto Cuddel), António José Rebocho Arranhado Portela, António Manuel Esteves Henriques, António Matos Lopes Belo, Augusto Manuel Molarinho Andrade, Áurea Maria Justo, Carla Tavares, Carlos Cardoso Luís, Carlos Manuel Fernandes, David António Fonseca Marques, Elisa Pereira, Emanuel Lomelino, Florinda Timóteo Miguel Dias, Francisco de Assis Machado da Cunha (Frassino Machado), Hélder Neto, Helena Rocha Pereira, Joaquim Maria Castanho, Joaquim Ramos Pereira, Jorge Paulino-Pereira, José Alves Merello, José António Carreira Santos, José António de Jesus Gomes Adriano, José Vicente Faria, Liska Azevedo, Lucília Maria Barros Galhardo de Carvalho, Manuel Filipe Carvalho de Almeida, Maria Aline Mamede Rocha, Maria da Conceição Marques, Maria do Pilar Santos, Maria do Sameiro Matos, Maria Emília Lopes, Maria Graça Melo, Maria João Pedro, Maria Manuela Reis Frade, Maria Sousa, Marta Roml, Nicol Carmen Peceli, Olívia Maria de Andrade Guapo Ribeiro Faria, Renato Manuel Valadeiro, Rosa Martins e Vítor-Luís Grilo. Enfim, uma longa lista que corresponde a outros tantos poemas feitos com balizas determinadas e sob inspiração particular que, de uma forma ou de outra, nuns mais acentuadamente que noutros, se vão pouco a pouco libertando dos pomos pontuais motivadores para ingressar na esfera dos universais valorativos.  

Joaquim Maria Castanho 

7.23.2016

NA ARGILA DO VENTO




NA  ARGILA  DO  VENTO  

Dá-me a cor do coração da flor 
A prece de teus olhos maduros
Fruto da liberdade numa pétala
Dourada na doçura do sol,
Bem-me-quer a desfolhar dias 
Violetas perpétuas desmaiadas
Sob o azul do céu e da imensidão. 

Depois escreve tudo com ela 
Até mesmo qualquer mulher  
Pétala sobre pétala, seda macia
Frontispício ou alvará, magia
Líquida do verbo em ebulição.     

Dança e rodopia se preciso for. 
Adverte o silêncio dizendo-te. 
E cintila nas noites estreladas
Como um fogo-fátuo colorido
Dessas vozes tão luzes timbradas
A bichanar delícias ao ouvido... 

Segredos ímpares, asteriscos
Notas de rodapé, barras de saia, 
Alongamentos do grito, riscos
Que a natureza divina de si gizou
Em bailias de roda, princesa Maia 
Que primaveril maio também cantou. 
  
Apontamentos do livro da salvação
Do vento nas crinas soltas dum cavalo
Sorraia na loura planície do nosso pão
Onde o restolho alberga bandos de aves
(Perdigotos, rolas, cotovias, pardais...),
Atirando ao chão a roupa dos estendais,
Alisando pelo aos touros, polindo chaves    
Ah, esse quadro!... Como gostava de saber pintá-lo!

Joaquim Castanho 
(Foto: TERESA CORBETA)

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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