6.28.2008

Grupo de Leitura READCOM-IPP, de Portalegre
A próxima sessão do GLRP recairá sobre

As Velas Ardem Até ao Fim
Sándor Márai
Trad. (do húngaro) de Mária Magdolna Demeter

a que não vejo necessidade de acrescentar nada, uma vez que esta espelha o sentimento e o espírito da iniciativa, bem como ainda não li a obra para, acerca dela, opinar com discernimento e honestidade. Creio porém, que até a data da ocorrência, me esforçarei por lê-la (ainda que com sacrifício... – e o que é que uma pessoa não faz pelo bem das colectividades?) sem deixar transparecer, quer ao nível crítico, quer ao simples desfrutar regaladamente da leitura, qualquer motivação negativa, aversão pessoal ou preconceito genérico e estilístico. Há de tudo nesta vida, e é dessa diversidade que lhe nasce o equilíbrio... Outros dirão "o tédio" – mas não vou repetir-lhe a proeza, a fim de acautelar-me de falsos e mal-intencionados testemunhos!
Portanto, se não for pedir muito, ao menos deitem uma olhadela à capa, que é feia e sorumbática, e deve ser o prenúncio daquilo que lá vai por dentro: o Inverno das saudades que rodeiam os muros da lamechice. Ou não!

6.27.2008

Estranhos Inimigos
Robert Asprin
Trad. Eurico da Fonseca
2 Volumes: 192 + 192 Páginas

Com recente estreia em publicações portuguesas, digamos que há pouco mais de dez anos, é porém, muito longe de ser um desconhecido no campo da ficção científica, um conhecidíssimo autor, pelo menos nos domínios da literatura fantástica, porquanto séries de sua autoria, como Myth e Thieves´ World, no conjunto das quais se somam mais de duas dezenas de títulos, lhe granjearam notória popularidade. Pela presente obra, novela ou romance se chamará, cuja verdadeira originalidade reside no facto de os narradores e intérpretes desta saga serem alienígenas, seres extraordinários em tudo diferentes dos da humana espécie, mas nem por isso menos inteligentes ou subtractivamente dotados, no aspecto físico, os Tzen, oriundos dos Pântanos Negros, mundo (irreal) em risco de desaparecimento, e que construíram um império sob o único fito para além do seu planeta natal, poderemos aprender, dentro das linhas que costuram os hipotéticos supores, que há espécies a quem já preocupam coisas que à humanidade são puras perversões.
Senhores de uma técnica e de um conhecimento superiores, combatem por necessidade imperial e nunca por prazer ou motivações próprias. Divididos em três castas (os Guerreiros, os Cientistas e os Técnicos), têm por tarefa irradiar de um dos planetas que querem ocupar todos os seus autóctones, espécimes da Coligação dos Insectos, estranhos inimigos, mas com poder e civilização bastante avançados. Depois de exterminados os Nadadores, seguem-se-lhe os Voadores, quais vespas que imperavam nos ares. Contudo, é no mundo subterrâneo, com as Formigas, que a luta mais dificuldades e baixas provoca aos ocupadores, dadas as características essenciais desse confronto. Vencerão ou não?, eis mais uma questão pírrica sobre a qual se não devem lançar (ou fazer) apostas.

Todavia, há que realçar que neste livro a dois volumes, as qualidades autorais e criativas, saem extraordinariamente prejudicadas pelos acabamentos e qualidade da mancha gráfica, uma vez que notam sobremaneira nele uma composição descuidada com palavras a que faltam letras, frases a que faltam palavras, não concordância entre sujeitos e formas verbais, frequente troca do plural pelo singular e vice-versa, repetição desnecessária de proposições e pronomes, como que a relembrar-nos que os conceitos de revisão são sempre benéficos quando acompanhados dos procedimentos de fixação dos textos, independentemente de nós gostarmos ou não dos autores que processamos, e expomos ao julgamento público. É óbvio que cabe aos autores toda a responsabilidade sobre os conhecimentos explícitos, as coerências de conteúdo e o pronunciável arrebatamento, suficiente e necessário, para provocar a preferência dos leitores; mas também não é menos óbvio, que o conhecimento tácito que transforma um texto num produto cultural, fazendo dele um bem apetecível ou execrável, esse, é da total responsabilidade dos editores, que aqui, se esqueceram, incompreensivelmente dela. O que é pena, porquanto o mercado português do livro e os escores de leitura nacional, não são assim tão avantajados que permitam frequentes laxismos na qualidade... Nem falhas de competência, que prejudicam, directa e indirectamente, quem nos ganha o pão nosso de cada dia!

6.26.2008



O Discurso de Vergílio Ferreira Como Questionação de Deus
Maria Joaquina Nobre Júlio
350 Páginas

Misturar Deus com análise literária, embora que vernáculo e pré-bíblico, pode também ser ousado. Além de profundo e exímio em cumplicidades, sobretudo terrenas. Portanto, a ideia deste trabalho, que posteriormente virou tese de doutoramento, de escamoteamento das relações dos autores como divino, em geral, mas que em particular é tanto da responsabilidade da autora como de Vergílio Ferreira (VF) que em vida o sugeriu, e leu, subscreve-se plenamente na interpretação da leitura das obras, uma vez que é impossível abstrairmo-nos dela, por ter sido naturalmente ela que a inspirou.
E assim, merece o título escolhido um reparo especial, que reporta não só à prosa daquele que é (nele) analisado, como também à natureza desta tese. Porquanto o termo "questionação" não se emprega aqui como significativo de pôr em causa a existência de, ao caso Deus, nem para vilipendiar, apostrofar, discutir ou contestar uma essência, mas sim na medida em que esta reflecte uma ansiedade de busca, como no sentido que Heidegger lhe dava, ao propor-nos que "todo o questionamento é uma procura", sendo parte integrante dessa procura também a descrição/narrativa do caminho percorrido além do destino alcançado. Neste contexto, que afinal é o preferido (e proferido) pela a autora, o que a obra de VF mais evidencia, na forma como coloca os seus personagens e fantasmagorias perante Deus, e os obriga a um exame de investigação ininterrupta, talvez erigida à custa de muita ansiedade, desejos incontidos, contradições, desabafos, falsos reconhecimento e negativismos duvidosos, não é uma tentativa de se assegurar da existência de Deus através da fé, coisa assaz pouco intelectual e madura, antes uma maneira de o conseguir pela reflexão contínua e continuada, quase obsessiva, que resulta, ou em cujo discurso romanesco sobressai, a notória intenção de demonstrar pela "experiência laboratorial" da narrativa de ficção que as ideias e posições explicitadas, quer nos seus Ensaios, quer no seu Diário, integram um roteiro imagético.
Ao falar do modo de encarar (ou compreender) Deus, tal como o fez VF, que ao longo da sua obra nunca o tratou como uma evidência irrefutável, quiçá uma desfeita ao império racionalista, nem como atalho de mínimo esforço para facilitar a compreensão do Homem, do Mundo e da Vida, mas antes calculadamente com o rigor, precisão e exigência de honestidade intelectual, que um diálogo franco e aberto carecia para, no seu evoluir constante, facilitar uma purificação de posturas e relacionamento "descomprometido" com o divino. O que legitima sem dúvida a pretensão de Maria Joaquina Nobre Júlio, em não entrar em polémica sobre a existência ou não-existência de Deus, isso pertencerá ao foro íntimo de cada um que lê, e que até sua fé dificultaria, e que ao invés preferiu equacionar e interpretar, de forma interdisciplinar, embora que sob a autoridade do texto, a excelsa convivência e interpenetração entre dois discursos tão impermeáveis – o narrativo, ou literário – e o reflexivo – filosófico ou teológico – conseguidas numa obra que também é o espelho (relato) e a memória de uma vida. Ou de muitas, as nossas, já que lendo-o estamos igualmente a participar do seu questionamento e a fazer a nossa própria busca, em aturada e meticulosa questionação. Como VF o fizera. Precisamente, com mente lúcida. E precisa.

6.23.2008

Quarto 13
Edgar Wallace
Trad. Catarina Rocha Lima
192 Páginas

Quando cai o pano tiram-se as máscaras. E desvenda-se o mistério do nome. As iniciais pontuadas do detective/inspector J. G. Reeder dão lugar aos nomes próprios que costumam anteceder os apelidos: John Gray, querem elas dizer. Assim, fica-se a saber que o personagem sinistro desta história, como de outras de Wallace, Seu Edgar para os premiados íntimos, aquele homem alto, cadavérico, noctívago, entre os cinquenta e os sessenta anos, cabelo ruivo, rosto seco, expressão tristonha, orelhas proeminentes, a sobressair da cabeça em ângulo recto, enormes óculos redondos encavalitados no nariz, mesmo-mesmo na pontinha dele, sempre a segurar o guarda-chuva com uma mão e o chapéu na outra, não passa de uma manobra de diversão para distrair o leitor, e mais não é que o subalterno Golden, ao serviço do superinformado e imaginativo Reeder. Em “epílogo”, que é para tanto que servem os últimos capítulos, esses animaizinhos literários em vias de extinção, desde que funcionem como um anticlímax de “fracamente pouca” intensidade esclarecedora da acção, e não como uma distorção destrutiva de qualquer narrativa incauta.
Neste palimpsesto edgariano, onde Wallace se copia dos melhores momentos, Reeder anda disfarçado de marginal ingénuo bem-comportado, para encurralar definitivamente um dos mais bem sucedidos falsificadores de dinheiro. Para que a armadilha funcione empresta-lhe uma pitada de amor sedrôdio e quixotesco, transformando a investigação numa defesa de recurso, em salvaguarda da dignidade e integridade da amada, ou contra-ataque a fim de proteger a sua Dulcineia dos embustes e artimanhas do meliante vigarista e vingador. Camuflado, na sombra das máscaras, mexe os cordelinhos, lança boatos, “interpreta” metáforas, decifra enigmas. E, como todos os actores convictos e convincentes, cai na sua própria teia, ficando realmente enredado e preso pelo objecto da sua paixão estratégica, de todo em todo inventada, provando uma vez mais que, mesmo quando a vida é um jogo, com o coração não se brinca. O que faz das ditas traquinices e reinações um caso sério… ou, virtualidades que se desvirtuaram – usurpando-as a, se alguma houve!, virtude (histriónica).

6.20.2008


O Vício


Se tanto desconfio, fui dado, desde muito cedo, como um caso perdido... E, pese embora, as partidas que a vida me pregou, de nenhuma emenda me valeram. Malhas que o destino tece, se dirá. Outros, sobremaneira compadecidos com a desgraça alheia e mais tolerantes, que no céu estaria escrito... Mas, a bem dizer, o que é certo, é que se coisa se vaticinou grave, muito pior foi o resultado no que deu.
Ao princípio, do mal o menos!, ainda me apodaram de "mentira fresca", quando ao serão, sob o luar de Agosto, no pátio do monte, depois do jantar, se partilhava a melancia, e se afincava o dente no galo suculento, que era quando me questionavam sobre o que durante o dia fizera, ou me acontecera, preocupações legítimas da família, tios e avós, que viam nas minhas demoras, quando no cumprimento dos recados entre a horta e o forno, ou deambulações pelas veredas mal frequentadas do caminho, já um prenúncio de mente transviada, e eu lhes afiançava que vira um lagarto azul nos morouços da Tapadinha ou uma cobra de camisa rameada e asas amarelas nas regadeiras do feijão de ampa. "Oh, pá... Pode lá ser!", admiravam-se. "Isso foi mas é, algum saco de plástico esquecido, que mexeu com o vento", abreviavam apaziguadores. Eu que não, que não, e amuava com o reparo. Insistia mesmo, que tinham sido cobras e lagartos, sim senhora. E escoiceava, até que ouvisse um "pronto, pronto, 'tá bem", para parar com banzé.
Passados dois ou três verões, uma vez que as visões não amainavam, deixaram de me perguntar o que é que eu tinha visto e feito durante o dia, e esperavam paulatinamente, mas circunspectos e com ar de caso, que entre o cuspir das pevides da quarta talhada do encarniçado miolo, eu lhes relatasse a enviesada quão usual peta. Creio que mudei de bichos e evoluí na criação, para aves, mais coisa menos coisas, porquanto até já a mim fazia espécie haver tantos répteis travestidos e com aptidões histriónicas... E se deixaram de ser sardaniscas em traje de gala, passaram a ser corvos com indumentária canarinha. O certo é que perderam também o hábito de comentar-me as descobertas, e no fim apenas diziam "esta, é que é fresca!", adiantando "a melancia, claro...", caso eu desse sinal de me ter apercebido que estavam a pôr dúvidas ou suspeitar da reportagem.
Ora, um belo dia, não me lembro com quem nem quando, suponho que haveria visitas, talvez de parentes distantes, quase a pôr os pés no botaréu da entrada, notei que dentro de casa, além de aí haver mais gente que do costume, se conversava, e se conversava acerca de mim. Falava-se da escola, dos desaguisados quotidianos, da minha apetência para a vadiagem e fraca prontidão no cumprir das incumbências dos adultos. E referia-se inclusive a manifesta e reiterada aptidão para a mentirinha. Como ninguém dera por mim, adiei a entrada em cena, e fui remoer sobre a novidade, em local afastado. Aprendera a ler, a escrever, a contar, mas sentia-me defraudado pelas conjecturas ouvidas. Conspiração, era o que era. Meti-me de brios e alterei o comportamento. A partir de então, não voltaria a abrir o bico, acerca do meu relacionamento com a fantasia do mundo. Via o que via, mas guardá-lo-ia só para mim. E dito e feito.
Mais tarde, quando me vieram parar perto alguns livros de ficção, pude constatar que essas invenções não eram coisa unicamente minha, e passei a devorar quantos me passassem à mão de semear. Que neste caso, seria colher, para ser melhor dito. Com tal empenho e dedicação, que logo houve quem, fazendo jus à sua alta erudição, me diagnosticasse como "leitor compulsivo". Mas para os meus meios, essas manigâncias das pulsões, impulsões e compulsões, andavam por freudismos de pouca a monta, e aquilo que se decretou foi que tinha contraído "o vício da leitura", o que, como demência maníaca, ainda era pior que a da mentira. Mentir, qualquer um mente, havendo mesmo quem o faça por bem... Agora ler, isso é terrível, pois quem o fizer é capaz de tudo. E portanto, sendo diminuto já o crédito tido, perdera definitivamente o que restava. Estava perdido... Nomeadamente para muitos professores do ensino oficial e oficializado, que consideravam que os compêndios de fiscalidade e estenografia é que mereceriam todas as bíblicas atenções, se se quisesse andar no mundo com prestigiada honradez, e sem envergonhar a família.
Todavia, aos trancos e tamancos, o defeito avolumou-se. E o golpe, com a propalação do advento, fora duro, mas como em qualquer família com pergaminhos e de apelido que se preze, se de grande e duradoira gesta, fica bem ter um porra-louca nela, até não se abalou seriamente. Feriu, coçou-se, mas não traumatizou. Enfim, eriça-se, contudo pega-se a afronta de caras e segue-se frente (que atrás vem gente). Apenas com um senão, e que veio destemperar os cânones, esgotar a paciência...
Por alturas lectivas do secundário, o jornal A Rabeca publicou em letra gótica, tipo de coisa esmerada, e com cercadura amaricada, um poema meu. Assinado e tudo. E a ousadia soou. Esvoaçou que nem boato, e se folhas leva-as o vento, como dizem, este rodopiou, enroscou de marosca pensada, calhando com a má ideia a alqueivar o tino, e toma: foi cair a obradura nas mãos do meu avô.
«Eh pá, que é isto, meu Deus?!...» Não queria crer. Lançou os olhos ao céu, talvez em prece, rogando entendimento e clareza, mas não havia dúvida, vira bem o nome, atenteara a peça, a negrura da tinta. Tudo. Com a mão livre tirou o chapéu e coçou o couro cabeludo, e com o mesmo membro, a aba do feltro entalada entre o indicador e o polegar, com o mindinho e o anelar a esfregar o toutiço, arrefinfou-lhe a coçadela mais uma vez, duas vezes, três, porém sem o mínimo alívio. Custava-lhe a crer no que via. Anuviou-se-lhe o discernimento, entaramelou-se-lhe a língua, embargou-se-lhe a alma num aperto de fogo. «Pode lá ser! Chiça, não merecia isto... Não merecia! Não merecia!" E toca de rumar ao lar, na busca de consolo, a arrastar as botas, que lhe pesariam que nem grilhetas.
Nele, a minha avó, à volta das caçarolas e panelas de barro, assustou-se mal o viu, pelo semblante de abatido, lívido e quase defunto, que notou no marido, sempre de tão boas cores, compleição e galharda figura. «Oh, homem, que se passa homem?», afligiu-se ela.
«Ai mulher», respondeu este, dando tempo ao tempo, para recuperar o fôlego. «Olha pra isto, mulher... Olha pra isto, e diz-me que não é verdade. Diz-me que não é o que estou a pensar!»
E ela olhou. Viu. Voltar a olhar. E reviu. Mas, ao contrário, de desmentir, confirmou. «É... É um poema do gaiato. E depois?»
Então, não aguentou mais, abateu-se sobre a cadeira de bunho, junto à tulha das cinzas, esbracejou, tentando falar, mas que não saiu de pronto, até que finalmente arremeteu aos solavancos da desgraça, concluindo: «Mas tu vês mulher..., a nossa maldição...? Já tinha um vício, que era do piorio... o da leitura. E agora tem outro: o da escrita. E logo poesia! Poesia... Que hão-de dizer, por aí?... » E prostrou-se, definitivamente. Fulminado pela desgraça, que nem os Definitivos conseguiram apaziguar. E durante dias, até o caldo lhe soube mal. Hoje, dou-lhe razão. Provavelmente, há maldições que nenhuma família merece. Sobretudo se vícios destes, que não matam tão lentamente, como seria de esperar!

6.14.2008

Eis uma sugestão de leitura com características bastante invulgares... É que eu também não conheço! E não sei se estou a convencer alguém a lê-lo, se estou a ganhar coragem para o fazer. Haverá por aí alguém que saiba alguma coisa, quer do homem, como da obra, para me auxiliar? É que agradecia-se. Deveras!


6.11.2008


Os Mutantes Vêm Aí!
Isidore Haiblum
Trad. Alexandra Tavares
2 Volumes, 192 +192 Páginas

Incontornavelmente, esta obra, é um policial do futuro. Claro que é ficção; científica, disse eu. Mas não só. É também, ou parece, o que vem a dar no mesmo, uma Odisseia à moda lusitana – de um povo, o mutante. O homem normal que se transformou noutro, até com a ajuda das máquinas, da energia amplificada. (A nós calharam-nos as caravelas, o vento e o deuses do Olimpo, sobretudo Baco, que foi aquele que mais torceu a nosso favor no Concílio, e nos pôs A Ilha dos Amores, mesmo à mãozinha de navegar...) Ou de outra coisa ainda mais inominável, e que faz deste livro o autêntico três em um: o amor, aquele soluto – alguns chamaram-lhe filtro, elixir – de natureza alquímica que altera a psicofisiologia dos espíritos e das almas, nomeadamente das mais superiores, e se considerarmos o final como parte imprescindível de, ou a, qualquer romance.
Porque a acção, essa, decorre no ano 2075, numa sociedade imperfeita, com homens e mulheres imperfeitos de um mundo imperfeito, mas que serve de consolação a quem tem a sabedoria suficiente para reconhecer que não existe outro possível. Nem para o melhor, nem para o pior; sobretudo se não fizermos nada para isso. E é aí que o humor do discurso sobressai, repleto de diálogos em frase curta e descrições concisas, pelo que principia por dar-nos a lição prática, cujo objectivo moral, se outro não lhe acharmos, é garantir-nos a expectativa de um futuro, mesmo quando o quadro da actualidade for pintado com o negro carregado (do luto). Ou da seita. O que o leitor aceita de bom grado, já que o "tratamento" do crescendo narrativo nos predispõe, e alicia, para o suspense do desfecho. Devagarmente. Mas com eficácia.
Por outro lado, arrefece-nos o medo pelo desconhecido. E oferece-nos a empatia (determinista) da História, através da ingenuidade e capacidade de improviso dos protagonistas. Demonstrando-nos, à moda antiga, que só se é herói à força e quando não se tem outro remédio, e que aquilo que unicamente pode haver de novo, no futuro, é a maneira como os homens e mulheres interpretam o presente, os diversos presentes, e que, afinal, mais não serão do que perspectiva, ou visão, revolucionária de um fenómeno do passado: a luta contra, pelo e no poder. Assim, à queima roupa, como se Isidore Haiblum estivesse simplesmente a falar da pertinaz responsabilidade do tear a vapor na revolução industrial, quando se refere a um amplificador de poder de mensagens e seus efeitos sobre os destinos da humanidade, tal como o reencaminhar de um significado para outro significado, tendo por símile a metáfora de um e-mail.
Porém, com um discurso deveras iluminado. Mas onde, em cujas iluminuras, figuram sempre a graça e os propósitos da BD – de Bom Demais, ou Banda Desenhada, conforme se quiser e o nível de alfabetização permitir. O que, sem dúvida, o torna aquilo que qualquer livro deve ser: uma intricada mistura de géneros, estilos e marcas (pegadas) narrativas , para gáudio de um só instrumento, de um só trinado, de uma só voz – a do autor – mas para o prazer de todos. Os seus leitores, digo eu!

6.04.2008


O Detective Rico
H. R. F. Keating

Trad. Catarina Rocha Lima
240 Páginas

Enquanto detective, Bill Sylvester é um espécime híbrido, geneticamente modificado, qual sofisticada mistura de Mr. Reeder, Poirot, Maigret, Rouletabille, Sherlock Holmes, pela insegurança, timidez, ingenuidade, inocência, vergonha e persistência com que se conduz na sublime e obsessiva tarefa de levar os criminosos a pagarem (caro) pelos seus crimes, numa entrega de misógino e celibatário a quem, na e em consciência, mais se dita do que se (pre)medita. E o seu criador faz girar a narrativa à sua volta, desenvolvendo-a com a simplicidade usual e costumeira da técnica descritiva do "aquilo-que-parece-é", ou, não o sendo, anda-lhe muito perto e na companha. Sem dúvida honesta, que trata o leitor com uma sobriedade respeitosa, servindo-lhe o desenredo, o desenlace da trama, em bandeja de prata e com luva branca, mas nunca o arrebatando pelo lado do impulso convicto e convincente. Como que a indicar-lhe que está metido numa coisa importante, sim, mas que a vida é muito maior e algo mais.
Todavia é um policial já dos nossos tempos, em que o dinheiro se levanta nas caixas automáticas dos multibancos, os folhetos publicitários atafulham as caixas do correio, as moças usam o wondebra que tanto as valoriza, os empresários deslocam-se em helicópteros particulares, os polícias são uns burocratas chatos e subservientes, as velhinhas têm ideias geniais e bebem vinho do Porto – Sandeman, e por anúncio. Enfim, onde o leito das prostitutas serve também de confessionário – ou divã psicanalítico?... –, o principal dever dos ricos é dar trabalho aos artistas, o essencial alimento espiritual e cognitivo das instituições é o comodismo, os homicidas continuam estúpidos e limitados, embora que mais sofisticados e exigentes nas "armas" que escolhem, e as personagens secundárias são irremediavelmente comuns e normais, quer pelas suas condutas, quer pelo senso, despreocupação e gostos.
Daí que os detectives ainda sejam (e pareçam) como as pessoas. Mesmo se (e quando) de ficção. Podem ser ricos, pobres ou remediados. Ao caso, Sylvester é um milionário recente, muito a despropósito, a quem saíra o El Gordo, porque a garota de programa que o acompanhou ao aeroporto, no retorno de uma férias em Espanha, o induziu a gastar as últimas pesetas, em trocados e miúdos, na compra e um bilhete de lotaria. Saiu-lhe!! Milionário à força, autoexpulsa-se da polícia e, em vez de ir gozar a fortuna ao sol e de papo para o ar, resolve prosseguir na investigação em que se encontrava por conta do Estado, mas desta feita por sua própria conta e risco. O que no fim se salda com retumbante êxito, bastante reconfortante, lhe aconchega o amor próprio e a autoestima, embora não baste para satisfazer plenamente um ideal de justiça, sugerindo que ela – a justiça – é humana, e portanto sujeita (e dependente) à imperfeição dos seus ministros. Digo: daqueles que a executam e ministram à sociedade, com a certeza e precisão característica, do para quem o acertar e o errar, não passam de questões de pontaria.

5.31.2008

Criminosa ou Inocente?
Margaret Atwood
Trad. Clarisse Tavares
448 Páginas

"Passar fome acalma os nervos"
(Página 36)

"Se uma pessoa tem uma necessidade e eles a descobrem, [então] servem-se dela contra nós. A melhor forma é deixar de precisar das coisas."
(Página 40)

"Disse-lhe que era uma maldade da parte dele dizer aquilo mas limitou-se a rir. Desde que as pessoas levem o que foram buscar, que importância tem isso?, perguntou. Eu dava-lhes tudo o que quisessem. Um pregador sem fé, com boas maneiras e uma boa voz, converte mais gente que um idiota de cara fechada e mãos caídas, por muito que acredite em Deus. Depois fez uma pose solene e entoou, Aqueles cuja fé é poderosa sabem que, nas mãos de Deus, até mesmo os fracos podem ser úteis."
(Páginas 244/245)

Baseado nas circunstâncias, aliás dissolventes, de um caso verídico, mas arredondado e polido por variadas influências ficcionais, este romance de índole psicologista, qual painel, ou estendal, de colchas bordadas interligadas pela cruz do ponto, onde a narrativa gira à volta da vítima de um erro judiciário, pretende elaborar uma trama conjectural sobre a delével e ténue fronteira da dicotomia culpa versus inocência, sobretudo matizada, escalpelizada e devolvida no eco do discurso, por outras não menos pertinentes, como normalidade/loucura, paraíso/inferno, verdade/mentira, ciência/charlatanismo, amor/ódio, castigo/perdão, realidade/sonho, pecado/virtude, etc., etc., desenvolvidas e abordadas, mais ou menos exaustivamente, e à vez.

Redundante aos tempos originários das psicoterapias, investe-se de direitos significativos sobre o método psicanalítico (introspecção por sugestão e associação livre), antecedendo-o na data, pois que grande parte do esmiuçar dos sentimentos culposos e do inconsciente é feita antes da eclosão freudiana, isto é, no terceiro quartel do século XIX. Época de arreigados idealismos e transformações sociais, de consolidação técnica, científica e cultural, prolífera em diversidades deontológicas e/ou moralistas, fundamentalizações e esoterismos, que propícia à autora, na sua utilização romanesca, um autêntico manancial de inquietações, que nos reposicionam face aos valores positivos e essenciais da nossa ocidentalização: o amor à verdade, o apreço pela justiça e a intenção de paz.

Policial de estrutura e condimentos, é todavia peculiar quanto aos meios: o detective é um psicólogo e o erro é redimido por interposta testemunha. Mas apenas policial na medida em que, como terá afirmado Jorge Luís Borges, todo o romance o é. Desde as histórias bíblicas à Odisseia, das Mil e Uma Noites ao Nome da Rosa, que nem de propósito se adivinham nas linhas e entrelinhas, e lhe pintalgam, ou polvilham, o pano de fundo intertextual com a insinuada paleta das discretas descrições.

E quem o perder, é que perde!

5.29.2008

Maigret e o Ladrão Preguiçoso
Georges Simenon
Trad. J. Lima da Costa

Maigret possui uma estratégia peculiar para ir desenrolando a meada caótica, o novelo da teia labiríntica do crime: mete-se na pele do criminoso, ou da vítima, conforme melhor lhe serve os intentos, assumindo-lhe o pensamento e personalidade, até ver suficiente claro através da situação criminosa quem detonou o crime. Pratica, numa palavra, empatia com motivação determinada, manobrando-a com precisão e rigor. Neste caso colocou-se sob o ângulo da vítima, também ela um veterano delinquente e com ficha arrolada nos arquivos (e bastidores) da polícia parisiense. E fá-lo com a meticulosidade e humanismo que já todos lhe conhecemos.

Ao agarrar a ponta do fio, não hesita em segui-lo até à extremidade oposta, apreendendo a cada passo os “comos” e os “porquês” duma existência a que, circunstancialmente, foi acrescentado um trágico ocaso. Indo muito além, ainda, dando uma mãozinha no destino e na justiça, que esporadicamente andam mal gizados, cegos e em contradição, ou se afastam da solidariedade que deviam contemplar, e os sustenta, propiciando ao leitor o êxito e satisfação que resulta de qualquer primorosa refeição – intelectual, entenda-se – de lógica qualidade e éticos princípios.

5.26.2008

Intriga na Expo'98
Bernard Testu
Trad. Clarisse Tavares
344 Páginas

Durante uma expedição ao submundo aquático, uma equipa de investigadores franceses descobre um oásis térmico, onde abunda o espécimen esponjoso raro e incomum, cuja sexualidade não é hetero nem hermafrodita, como as demais já conhecidas, mas que hesita entre os dois tipos, e que representa um extraordinário achado, visto que pode ser ele o elo que faltava (missing link) na evolução biológica e vem alvoroçar de expectativas as comunidades científicas das principais potências mundiais. O pavilhão francês da EXPO, ao ser contemplado com um extracto dessa esponja, transforma-se no alvo preferencial de todos os grupos interessados em possuir o designado coral. Daí que, ao ser assaltado por profissionais do crime ao serviço de americanos, se tenham cruzado estes com uma das voluntárias destacadas para o pavilhão, pelos vistos retardatária por questões libidinosas, numa primeira tentativa de se apossarem do exemplar, e como receosos da surpresa, a matam por asfixia, indo posteriormente depositá-la no aquário do Oceanário, onde é descoberta na manhã seguinte pela empregada e limpeza.
Ora, na sequência desse homicídio e em resultado de investigações policiais, ou denúncias, os franceses trocam a esponja, pondo em seu lugar outra parecida, e a Polícia Judiciária (PJ) planta-se de atalaia. Não obstante, à segunda tentativa os americanos apoderam-se do espongiário marinho, desconhecendo a troca, e escapam para Marrocos, via Espanha, semeando a morte na sua passagem, nomeadamente a de dois polícias de trânsito árabes.
Então, o ridículo que acompanha todos os crimes desabrocha pela vertente que lhe é mais peculiar: a da gratuidade. E os energúmenos ficam nas mãos com um espécimen falso e inútil, e morto, além de convencidos que a deixaram morrer por falta de cuidados no seu transporte. O que, convenhamos, não representa mais do que aquela peculiar dose de estupidez que condimenta a esperteza dos ignorantes e marginais.
Para o final vence o político, o autor, antigo chefe do gabinete ministerial e presidente-adjunto da Câmara de Saint-Quetin, comissário geral do pavilhão francês da EXPO'98, quer pela oportunidade, quer pela tentativa de escamotear ficcionalmente os parâmetros da espionagem actual, que se estendem muito para além dos universos bélicos, económicos e petrolíferos, mas também se investem de uma perspectiva científica e ambiental, cada vez mais actuante e funcional, se quisermos compreender a problemática da modernidade. Com responsabilidade e civismo, principalmente.

Prelúdio à Fundação
Isaac Asimov

Trad. J. Santos Tavares
432 Páginas

Isaac Asimov provou-nos, primeiro, que os robots são nossos amigos; mas, em seguida, que se o homem tem inimigos, eles são o próprio homem. Para tanto utilizou duas linhas ou "séries" literárias distintas: a série Robots e a série Império Galáctico. Na primeira, reduziu os monstros de metal barulhentos à condição de subalternos da humanidade, através das suas três leis da robótica; na segunda, introduziu o conceito de mutante na FC (Ficção Científica), e obrigou o homem a existir para além do corpo, intelectualizando-o, tornando-o peça fundamental da novel e imaginária ciência da psico-história. Aliás, Isaac, nascido na Rússia e licenciado em Química pela Universidade da Columbia, tendo trabalhado muito perto, durante o período da II Guerra Mundial, com Robert A Heinlein (outro fazedor de mundos novos, e autor daquele que veio a ser considerado a Bíblia dos Hippies e da geração Beat – os Beatnicks –, Um Estranho Numa Terra Estranha), ganhou-lhe o gosto e influência, em tal grau e tamanha, que nunca mais parou, somando já além de 60 anos de actividade criadora, dispersa por infindável número de títulos.
Não obstante ter sido o último livro a ser escrito (1988), Prelúdio à Fundação é o primeiro da série Império Galáctico, e versa precisamente sobre a sua génese, fundação, história, constituição e estrutura sócio-económica, fundamentação política e cultural. Nele, um jornalista, Humin (ou o governador Demerzel, ou o robot Daniel Olivaw), um matemático, Seldon, e uma historiadora, Dors, tentam salvar o Império da derrocada irremediável, consequência da crise que atravessa, e a que estás prestes a sucumbir, efeito directo da sua enorme vastidão, porquanto é constituído por mais de 25 milhões de mundos, ou planetas, distantes uns dos outros, dispersos e diferentes. E o instrumento primordial, estratégico, para o conseguirem, é a teoria da psico-história, ou uma matemática que lhes permite predizer o futuro. Pelo que, sabendo-se então qual ele virá ser, ou é, se pode alterá-lo, contrariá-lo ou reforçá-lo, agindo sobre o presente... O que, como todos sabemos, não é novidade nenhuma!
E o autor não perde oportunidade de voltar a deslumbrar-nos. Desta feita, propiciando-nos, além da visita guiada a alguns mundos do Império (Trantor, Micogénio, Dalpl, Ipsilon, Cinna, Helicon), num relato explícito e pormenorizado de costumes, personalidades e tradições, aplica-lhe também uma soberba dose de perseguição e fuga, características do formato policial, com homicídio em latência, invertendo o curso da série robot, realçando como, desta vez, é um humano a apaixonar-se por uma máquina, coisa que nem está assim tão "longínqua" dos nossos net tempos, nem virtuais ambientes. Enfim, Prelúdio à Fundação, é um livro de quando, no futuro, ainda se regressava ao passado para deslindar melhores presentes.

5.09.2008

O Ouro Nazi
Tom Bower

Trad. Eduardo Saló
384 Páginas

«É incrível!», proferiu, olhando ao longo da fila de testemunhas. «Alguém é uma vítima num campo de concentração, apresenta-se um herdeiro e os bancos dizem-lhe: «Então, mostre-nos a certidão de óbito comprovativa de que o seu ente querido, um dos seus pais, foi morto

Durante a última Guerra Mundial, os judeus, além de chacinados, foram também saqueados e espoliados. Principalmente, no ouro e depósitos bancários. Contudo, não foram somente os mentores e executivos do holocausto quem com isso mais beneficiou. Um enorme rol de países usufruíram, directa ou indirectamente, dos proventos derivados do histórico flagelo. Entre eles, na lista dos que receberam e aplicaram as receitas oriundas dos campos da morte estão, à cabeça, a Suíça, o Brasil, Argentina, Portugal, Estados Unidos da América, além de uma grande plêiade de financeiros e banqueiros internacionais bem sucedidos e melhor estabelecidos, não obstante "nazisticamente" comprometidos e intencionados. O que vem sublinhar uma – mais uma! – evidência dos nossos tempos: que da falta de compensação para alguns (raros) crimes avulso, dá o genocídio lucro por todos.
"(...) De Berna, ouro no valor de 138 milhões de dólares fora reexportado para Espanha e Portugal. Numa estimativa muito conservadora e, por conseguinte, "a mais favorável à Suíça", o Banco de Berna aceitara "um mínimo absoluto de 185 milhões de dólares de ouro pilhado e mais, provavelmente, 296 milhões".
Incluído no ouro pilhado vendido à Suíça, figuravam o belga, no valor de 223 milhões de dólares, e o holandês, avaliado em 100 milhões. Algum desse foi expedido pela Suíça para a Turquia, Espanha e Portugal. Dos 3859 lingotes que chegaram a Lisboa procedentes de Berna, entre os quais pelo menos 1180 holandeses e 673 belgas, 318 continuavam armazenados nos seus envoltórios de origem holandesa. Um investigador britânico revelou que os portugueses estavam "visivelmente preocupados", porque o ouro pilhado permanecia nos cofres "como se o banco tivesse em seu poder a Mona Lisa, sem sequer a retocar". O governo de Portugal mostrou-se inflexível na sua pretensão de que o ouro fora obtido na Suíça na sua boa fé e recusou aprovar a sua devolução. Em contraste, as autoridades espanholas entregaram do seu aos americanos, em Dezembro de 1945, para seguir imediatamente para Francoforte, e ficaram com as restantes setenta e três. O Banco Nacional suíço não admitiu nada.
" (Páginas 158/159)
E a indignação generaliza-se quando nos apercebemos que o principal beneficiado, ou quem melhor se aproveitou desse dinheiro sangrento, em plena consciência do que estava a fazer, foi um país que, nos últimos cinquenta anos, perante os seus vizinhos, como parceiros globais, se vangloriou da invejável opulência e qualidade de vida... E aquele que mais entraves pôs a que os herdeiros das vítimas e sobreviventes do holocausto viessem a (re)apossar-se do seu património: a Suíça. Impunidade, aliás, que só veio a findar quando, em 1997, é levada ao Tribunal da História para explicar a sua ostensiva faustosidade, como resultado dos esforços Aliados empreendidos na execução do Programa Porto Seguro, que pretendeu convencer os países neutrais a confiscar todos os bens germânicos à sua guarda depositados.
Reportagem exaustiva, consequência de telefonemas de dois amigos do autor (Mike Kinsella e Bob Royer), teve por principais fontes os arquivos nacionais americanos, suíços, britânicos e franceses, das Comissões Judaica Americana e de Distribuição Comum Americana, além das aproximadamente quarenta entrevistas efectuadas por Tom Bower a outras tantas pessoas envolvidas pela temática, é o documento que faltava, enquanto prova, de quanto o anti-semitismo europeu se prolongou para depois do fim da Grande Guerra, e continuou a matar "silenciosamente" inocentes, por mais 50 anos, punindo os seus nascimentos e premiando os executores dos seus familiares, bem como os simpatizantes do nazismo internacional. Um registo que devemos ter sempre presente, e em memória, se não quisermos ser seus históricos cúmplices...

5.05.2008

As Férias de Poirot
Agatha Christie
Trad. Fernanda Pinto Rodrigues
216 Páginas – Livros do Brasil

Uma coisa é desejar a morte de alguém e outra é matá-la.
Mas no caso desse desejo coincidir com a circunstância, assaz misteriosa, de um estrangulamento eficaz, então quem o teve substitui-o pelo sentimento de culpa, e passa a acreditar (quase) cegamente na força da magia. As influências do mal, a efabulação e a crise de identidade sobrevêm sorrateiramente a exigir o castigo para a sua (pseudo) falta, favorecendo ao criminoso a absolvição bem como às autoridades um (sucedâneo deveras credível) culpado. Se…


Se no enredo, na trama, não entrasse também a invulgar perspicácia de Hercule Poirot, esse personagem pequenino com sotaque belga e cabeça de ovo de Páscoa. É aí que a tramóia vai prò brejo, o motivo se revela e as verdadeiras mãos de tão cruel acto se pronunciam pela experiência e engenho, de um mister adquirido, aguçado pela prática contínua, e mostram a natureza do homem que o premeditou, repetindo-o pela terceira vez. Que é a última, pois dessa não escapará, que é de vez apanhado, dado que a mente pouco laxista duma escritora como Agatha Christie não permite tais veleidades, nem deixa à solta a malvadez, principalmente se dispõe de um detective tão apto à investigação como o detective das celulazinhas cinzentas.
Aposto como nenhum de vós é capaz de lá chegar primeiro que ele… Experimentem!

5.02.2008

Dois motes para uma décima


Tal como a generalidade das pessoas, os escritores podem dividir-se em dois grandes grupos: aqueles que, com o seu labor de escrita, servem a vida e aqueloutros que, ao contrário, se servem apenas dela para realizar (ou executar) a sua ficção. Entre os primeiros e os segundos poucas diferenças técnicas existem, podendo mesmo afiançar-se que não é pelo estilo, pelo género, pela corrente, pela doutrina literária que explanam, e muito menos pela religião, língua, ideologia, época ou leque temático que os podemos identificar. Como também não é pela maneira como que gerem a sua obra ou personalidade pública. Nem pela sua participação social e grau de cidadania. É pela completude humana, isto é, se são seres amputados, ou não, dos seus sexto e sétimo sentidos: a propriocepção e a empatia. Pois aquele que não se percepciona não se sabe, e quem se não sabe nunca sentirá o outro (tanto fora, como em si). E é essa a grande diferença entre um escritor de génio e um genial escritor. Porque há escritores geniais a quem o seu génio não os manieta apenas para o êxito e qualidades competitivas, mas sim anseiam melhorar as condições planetárias e humanas que sustentam (e eternizam) a vida.
Quando, a propósito do Acordo Ortográfico, vimos, na "coreografia" do programa televisivo, dois escritores – Lídia Jorge e Vasco Graça Moura –, e dois catedráticos de interpretação e análise textual – Carlos Reis e Maria Alzira Seixo –, uns defendendo-o (Lídia Jorge e Carlos Reis), outros atacando-o (Vasco Graça Moura e Alzira Seixo), com igual veemência e pertinácia, pedindo-se meças com prós e contras numa coisa que desconhece qualquer medida e cuja riqueza reside precisamente na sua capacidade de inovação e ultrapassagem dos limites, a língua, falada e escrita, não quer com isso dizer que uns estejam certos e outros errados, nem que uns sirvam a vida e outros lhes sejam contra, mas antes que nesse diferendo há muito dinheiro em jogo, tipo tesouro de Salomão, pois que se assim não fosse nunca J estaria contra B, ou vice-versa, uma vez que eles são colunas gémeas do mesmo templo.
Em 1986 as mesmas colunas mexeram-se e o Acordo ficou parado. A intenção actual era conseguir idêntico resultado. Os prémios tipo Camões da lusofonia continuariam a ser distribuídos, outros dirão repartidos, e com toda a legitimidade, por duas línguas diferentes, mas que curiosamente contarão, para as estatísticas de natureza política, unidas com 250 milhões de falantes, sobretudo quando precisamos da contabilidade para abichar vantagens de ranking. Continuamos a sonhar com as árvores das patacas enquanto as demais línguas sobejamente faladas (e escritas) no mundo vão somando prestígio, divulgação e Prémios Nobel, ganhando lugares de destaque na Literatura Universal. O que queremos é o bambam do sol na eira e água no nabal para continuar a salmodiar a nossa ancestral e eterna saloiíce de abençoados e defendidos por Baco nos Olimpos das Graças. Empertigamo-nos com o número de falantes, mas nada disso passa da tesão matinal do mijo, e murchamos sempre que é necessário marchar em frente e acabar com a bestialidade de termos uma língua falada com diversas grafias, como acontece actualmente. E continuaria a acontecer, se continuasse a depender das decisões político-literárias dos novos ricos da gramática...
Porém, um dado externo vem alterar substancialmente a questão: as ferramentas dos processadores de texto como a correcção automática, dicionário, ortografia e gramática – enfim, o Windows/Word. Exactamente. Porque se ele adoptar as alterações estipuladas pelo novo Acordo não antevejo como escritores e catedráticos situacionistas o possam inviabilizar... E por dez razões que aqui não vou esmiuçar, pois posso resumi-las apenas em duas: primeira, que a vida fica sempre do lado dos escritores que a melhor servem; e segunda, que se queremos ir para o futuro nas carroças do passado, por mais que fustiguemos as bestas nunca chegaremos a qualquer lado.

4.29.2008

Sessão Solene Comemorativa do XXXIV Aniversário do 25 de Abril, discurso do
Deputado José Miguel Gonçalves
25 de Abril de 2008


Lembrar o legado de Abril, trata-se de um exercício, que a todos nos deve envolver, não como um ritual, não como uma rotina, mas acima de tudo, como uma afirmação de valores, de caminhos e de sonhos, dos tais sonhos que são uma constante da vida.
O 25 de Abril transbordou a madrugada, transbordou o dia, transbordou o passado tal como transbordará o presente, transbordou os locais da revolução, transbordou fronteiras, Abril, são sentimentos, actos, convicções.
Lembrar Abril deve ser pois um momento constante de recordar as conquistas, mas também tudo aquilo que permanece por conquistar, entre direitos e liberdades muitas vezes falhadas.
Passados 34 anos da revolução, as músicas de José Afonso, continuam a retratar aquilo que o espírito de Abril, ainda hoje, não conquistou na realidade de muitos.
“Adeus ó Serra da Lapa” a música que retratava a ventura de quem fugia à miséria vivida na serra da lapa, entre Trás-os-Montes e a Beira Alta.
Hoje já sem a ventura de outros tempos que era conseguir sair do país, muitos são os 2 milhões de Portugueses que continuam a tentar fugir à miséria que persiste.
Continuamos a ser um país que cresce e se desenvolve de forma desigual, onde as oportunidades para a realização dos sonhos tardam em chegar para muitos.
É o caso dos sonhos daqueles que sucumbem as desigualdades territoriais, que permanecem nuns casos e se agravam noutros. Distâncias que nem os muitos investimentos rodoviários conseguem encurtar.
À concentração de mais cidadãos nos grandes centros urbanos tem-se respondido com maior concentração do investimento público.
À diminuição de cidadãos nos centros rurais, tem-se respondido com encerramentos e maior concentração dos serviços públicos.
Apesar do território Português ser escasso e as distâncias serem curtas, parte permanece num silêncio esquecido.
Mas a materialização dos sonhos continua também a ser suspensa diariamente, para aquele meio milhão de Portugueses, que não encontra emprego e para muitos mais, que vivem todos os dias com a incerteza do trabalho precário.
Vidas ditadas por sonhos adiados, nos projectos familiares, profissionais e sociais, de jovens e menos jovens.
Neste Portugal ressurgido de Abril o desemprego continua a ditar excluídos e o trabalho precário a limitar os direitos e a liberdade de expressão nas relações laborais.
Trata-se de uma subalternização justificada pelas regras da competitividade.
É a tal globalização, que dita a livre concorrência, que dita competitividade, que por sua vez dita a flexibilidade laboral.
Vivemos hoje numa situação em que a economia de mercado global, não protege, mas expõem, os mais frágeis das sociedades, em que os erros de alguns e um tal de subprime, que ocorre do outro lado do Atlântico, dita que quem tem crédito à habitação tenha de pagar uma taxa de juro mais elevada, dita que uns tantos milhares em diferentes partes do mundo tenham de ficar sem emprego.
São as ondas dos mercados financeiros, que por vezes se transformam em verdadeiros tsunamis, que arrastam todos de forma por igual, tenham ou não tenham bóia de salvação.
Um mercado global em que, sem que o comum cidadão se aperceba do porquê e de quem, assinam-se acordos de livre comércio, que vêm ditar o fim do seu emprego, ou por deslocalização, ou por encerramento por falta de competitividade da sua empresa no mercado alargado.
Um mercado financeiro que se instalou com força no sector da alimentação, com a criação de novos fundos de investimento, um sector da alimentação que passou a ser negócio de combustíveis, negócios que passaram a ditar o acesso ao pão, aos cerais, às massas, ou às tortilhas.
Caminhos muitas vezes sem rosto, traçados longe e sem alcance, vias que ditam as realidades locais.
Um mundo, em que apesar do crescimento dos meios de informação, o entendimento foge e a percepção é cada vez mais difícil para o comum cidadão.
E é nesta realidade, que se aprovou na passada Quarta-feira o Tratado de Lisboa, aquele que era para ser referendado mas apenas acabou ratificado aqui nesta casa.
Tratado que consubstancia, suporta e reforça, o distanciamento de mais poderes de decisão.
Sem que a maioria dos Portugueses desse conta disso, há dois dias atrás, passámos a gestão e a conservação dos nossos recursos biológicos do mar para a competência exclusiva da União Europeia.
Passaram-se já 22 anos desde a nossa adesão à então CEE, e desde lá, de tratado em tratado, de ratificação em ratificação, a discussão da Europa que temos e a Europa que queremos, tem ficado à margem da grande maioria dos Portugueses, à margem de uma discussão abrangente.
Ora por uma razão, ora por outra.
E é nesta Europa, que Portugal vive hoje uma situação, em que grande maioria dos Portugueses tem suportado, ao longo dos últimos 6 anos, em nome do equilíbrio orçamental, a estagnação dos seus salários, a subida dos impostos, o aumento do custo dos bens essenciais, a perda de poder de compra.
À custa das políticas de equilíbrio orçamental, tem-se fomentado o desequilíbrio territorial e o desequilíbrio social, com consequências por demais evidentes, muitas delas de difícil reversibilidade.
Redescobrem-se misérias a cada aumento dos bens alimentares, dos medicamentos, da educação, da electricidade, da água, dos transportes, das taxas de juro, aumentos que acobertam desiguldades.
A magia da revolução de Abril não resolveu, como não se podia esperar que resolvesse todas as situações de injustiças.
Mas a revolução deu-nos a liberdade de intervimos e de agirmos no que se passa à nossa volta, no que nos rodeia, deixou-nos o espírito de Abril, de solidariedade, mas também o dever de não nos alhearmos e de ficar no conforto do silêncio.
Abril não é alheamento, é participação aos vários níveis, no direito básico que nos é concedido de reclamarmos e nos manifestarmos quando discordamos dos caminhos.
Mas se a todos nós nos cabe o inconformismo, ao poder político, o espírito de Abril reclama que saiba ouvir, não desprezando e não desvalorizando, os contributos que vão chegando da sociedade civil, através das diversas formas de expressão democrática.
Não se pode criticar quem não se resigna e quem não confere ao voto o seu absentismo de cidadania, tal como o "Gastão" da música de José Afonso, um tipo perfeito, que reunia em si todas as qualidades do oportunista, de quem se adapta ao sistema vigente para obter benefícios onde não cabem o sofrimento dos outros.
Sofrimento, esse, que continua a ecoar de muitas partes do mundo, mas particularmente do Iraque, onde se vendeu a ocupação e a destruição como sendo liberdade.
5 anos passados de guerra, ditada pela mentira de uns e a sonolência obedecida de outros, o Iraque é bem o exemplo, dos caminhos tomados por poderes surdos àquela que foi a opinião pública da comunidade internacional.
Poderes surdos que ao surdo poder diziam pretender combater.
Mas é perante as injustiças que ecoam na realidade de hoje, que Abril é esperança, a esperança de quem não se resigna, esperança reforçada pelo exemplo de todos aqueles que durante anos não se resignaram até fazerem Abril com a revolução.
Mas Abril, também é festa, a festa assente no inconformismo, assente na ideia de que não há caminhos inevitáveis, mas de que inevitáveis apenas são os sonhos.
Não vemos Abril como história passada, vemos Abril como história presente, construída pela coragem daqueles que fizeram a revolução, mas também por todos aqueles que a sedimentam diariamente e que diariamente reafirmam:
Viva Abril e tudo aquilo que ele representa,
Viva o 25 de Abril

4.25.2008

CÂMARA MUNICIPAL DE ALMEIRIM :
CONTAS DA EMPRESA MUNICIPAL (ALDESC) APROVADAS
NUM CENÁRIO DE FARSA E MALABARISMOS POLÍTICOS MONTADOS PELO PS


Para a vereadora eleita pela CDU, a dirigente de “Os Verdes” Manuela Cunha, os procedimentos seguidos pela maioria PS na Câmara Municipal de Almeirim para conseguir aprovar as contas relativas ao ano de 2007 da Empresa Municipal (ALDESC), em fase de liquidação, indiciam claramente que até ao último suspiro, a Empresa continuará a ser gerida na opacidade, à margem da Lei e em desrespeito pelos valores mais elementares da democracia.

Na reunião da Câmara Municipal, convocada para ontem com este único objectivo, os eleitos do PS voltaram a utilizar o malabarismo político do ano anterior, recorrendo à substituição de dois elementos do Executivo (Vereador José Carlos Silva e Vereador Pedro Ribeiro), que são simultaneamente membros do Conselho de Administração da Empresa e da Comissão Liquidatária da mesma, por outros elementos da lista partidária, como forma de contornar a incompatibilidade determinada por Lei de acumulação dos cargos acima referidos.

Para a Vereadora da CDU, todos estes malabarismos são de duvidosa legalidade, pois contrariam o “espírito da Lei” que, ao determinar a incompatibilidade na acumulação de cargos a tempo inteiro no Executivo Municipal com os de membro do Conselho de Administração da empresa, pretendeu separar as águas e garantir que a entidade “Câmara”, que superintende às orientações e fiscaliza a gestão da Empresa, não esteja directamente envolvida na sua gestão, o que não acontece aqui, mesmo com estas acrobacias políticas.

O voto contra da Vereadora da CDU a estas contas, deveu-se não só aos procedimentos acima referidos, como também ao facto das ditas terem integrado o Relatório de Contas Municipal sem terem sido previamente aprovadas e ainda ao facto delas traduzirem uma gestão danosa. A Empresa continua tecnicamente falida, tendo ultrapassado a totalidade do capital social em perto de 100%.

Os resultados negativos da Empresa aumentaram; as dívidas aos fornecedores também; os desleixos de Caixa continuam notórios; a situação futura dos trabalhadores continua indefinida, o que preocupa bastante a CDU, e o relatório de actividade apresentado pela Empresa, com a honrosa excepção de algumas áreas como a piscina e a biblioteca, constituem um verdadeiro insulto à população de Almeirim, visto que a grande maioria das actividades apresentadas como sendo da Empresa são na realidade actividades do movimento associativo ou dos próprios serviços da Câmara que decorreram nos espaços geridos pela Empresa.

Sendo ainda notória a parca iniciativa na área da cultura e particularmente escandaloso o subaproveitamento do investimento que foi realizado na recuperação do Cineteatro de Almeirim.

Para além de todas estas razões, foi ainda caricato a presidência desta reunião (que tinha como único ponto este assunto) pelo Presidente da Câmara Municipal, simultaneamente Presidente do Conselho de Administração da ALDESC, o que, para a Vereadora da CDU, pode consubstanciar uma dupla violação da Lei.


Para Mais informações contactar:
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769)

imprensa.verdes@pev.parlamento.pt

4.24.2008


“OS VERDES” VISITAM OVIBEJA

Uma delegação do Partido Ecologista “Os Verdes”, que integra o Deputado José Miguel Gonçalves e o dirigente local Afonso Henriques, visitará a OVIBEJA no próximo dia 28 de Abril, segunda-feira.

“Os Verdes” estarão também presentes na OVIBEJA, de 26 de Abril a 4 de Maio, com um expositor dedicado ao tema das Alterações Climáticas. Esta campanha - “STOP ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS” - tem como objectivo pressionar a administração norte-americana a aderir ao Protocolo de Quioto e alertar a população para o fenómeno das alterações climáticas, promovendo comportamentos que ajudem a travar este fenómeno.

Convidamos todos os visitantes da OVIBEJA a visitar ao stand de “Os Verdes” e a participar activamente na iniciativa, assinando um postal, que será posteriormente enviado à Embaixada dos EUA, exigindo que esse país adira sem restrições ao Protocolo de Quioto.

Para mais informações poderão contactar Afonso Henriques, dirigente local de "Os Verdes", através do número 919 155 722.



Para mais informações contactar:
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769)
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4.22.2008


Heloísa Apolónia, deputada do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que pede esclarecimentos ao Governo, através do Ministério da Justiça sobre os cursos de promoção de notários.

“Os Verdes” querem saber para quando se prevê o fim do último concurso de promoção de notários e que razões justificam a sua demora.

PERGUNTA:

O Grupo Parlamentar “Os Verdes” recebeu, em audiência, representantes de um grupo de novos notários que, para além de expressarem preocupações em relação à situação actual e futura na área dos registos e notariado, manifestaram um profundo desagrado pela forma como tem sido adiada a finalização da sua situação profissional.

A questão é que se candidataram ao Concurso Público para Atribuição do Título de Notário, aberto pelo Governo em 8/2/2006 (Aviso nº1582-A/2006, DR II Série), percorreram todas as fases do mesmo, incluindo a realização de estágio obrigatório, não remunerado e incompatível com o exercício de outras profissões, e terminaram-no no final do ano passado, encontrando-se, agora, à espera que abra o concurso para atribuição de licença de instalação de cartório notarial, bem como a respectiva tomada de posse.

Ocorre que este processo, que já deveria estar concluído, continua tremendamente atrasado (para um concurso de promoção que deveria constituir um processo célere), já tendo, assim, decorrido mais de dois anos ao longo dos quais aqueles candidatos estiveram sem trabalhar, sem auferir de remuneração, apostando num futuro profissional que tarda em chegar.

Não sendo esta situação inédita, o certo é que o primeiro concurso abriu em Abril de 2004 e a tomada de posse ocorreu em Fevereiro de 2005 (dez meses depois); já o segundo curso abriu em Outubro de 2004 e a tomada de posse ocorreu em Novembro de 2006 (mais de dois anos depois); este último curso já bateu o recorde de atraso e ainda não chegou ao fim!

Só no final do passado mês de Março é que saiu o aviso de abertura do concurso para atribuição de licenças de instalação de cartório notarial. Resta saber quantos mais meses é que aquelas pessoas, aliciadas pelo Governo para se candidatarem à carreira profissional de notários, terão que esperar até ver o seu processo concluído.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exa O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo as seguintes perguntas, dirigidas ao Ministério da Justiça:

1. Para quando se prevê o fim do último concurso de promoção de notários?
2. Que razões justificam que este, tal como o anterior, curso tenha demorado tanto tempo, designadamente face ao primeiro?
Para mais informações contactar:
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
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“OS VERDES” ACUSAM
RATIFICAÇÃO DO TRATADO DE LISBOA NÃO TEM LEGITIMIDADE POLÍTICA



“Os Verdes” consideram que Assembleia da República não tem legitimidade política para ratificar o Tratado de Lisboa.

Para “Os Verdes”, teria sido imprescindível ouvir os cidadãos sobre o conteúdo do texto, envolvendo-os no processo decisório e possibilitando a sua participação no modelo actual de construção europeia. Sem a realização de um referendo, ficou inviabilizado o esclarecimento devido aos portugueses sobre as implicações na organização institucional da União Europeia e nas competências da União, quer em novas áreas de política comum, quer em alterações de soberania dos Estados, que decorrem da ratificação deste Tratado.

“Os Verdes” relembram que, nas últimas eleições legislativas, o PS incluiu expressamente no Programa do Executivo a defesa da ratificação do Tratado "precedida de referendo, de forma a reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia", promessa essa deitada por terra pelo Governo de Sócrates, com a anuência do PSD.

Para mais informações contactar:
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769)
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La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português