Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
8.02.2022
A PROMESSA E A METÁFORA
A METÁFORA E A PROMESSA
Que nós pomos princípios em tudo…
Mesmo se escrevemos no imediato.
Conceitos que enrolamos em canudo
Pra melhor caberem em qualquer prato!
Ou na salva de prata, que no entrudo
Usamos pra mascarar ímpio retrato…
Tal e qual essa, que põe pra fora o oculto
Que há na promessa, de futuro farto.
Princípios e promessas não se dão bem!
Pois que os primeiros são sempre meios
Com que recheamos conteúdos já cheios.
E as segundas, formas de iludir desdém
Pelos conceitos, argumentos e enleios,
Premissas e preconceitos, que são promessas
De penetrar pelas portas das travessas
Onde nunca nos cruzaremos com alguém…
Joaquim Maria Castanho
7.12.2022
MARTA... PARABÉNS!
MARTA… PARABÉNS!
Mergulho no mar de coral
Habitat da Sereia e da Ondina
Olhos que vão para lá do lá,
Safira da areia fina da pele
Opala azul, água marinha...
Brotam algas douradas
Deltas de linhas auríferas a dançar
Sob o balanço ritmado da respiração.
Pelo seu vaivém milenar
S’adivinha a origem humana;
Pelo seu sorriso largo
A inveja dos deuses (difícil de calar).
E plo sonho, que é coisa invisível
Que se liberta de nós libertando-nos,
Se nos afaga o destino ou o coração
Torna real o que era apenas plausível.
Pois é por ele que eu falo agora.
E se sou quem o diz é ele que o dita
Dando à vida bem mais do que ela debita
Ao repetir comigo «MARTA, parabéns
Pela felicidade que ora tens
E que ela te habite vida fora!»
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 12 de julho de 2022
6.30.2022
6.19.2022
SE CORDATOS, NA CONCÓRDIA SOMOS
SE CORDATOS,
NA CONCÓRDIA SOMOS
Quando nos aproximamos da liberdade
Da dança, do conhecimento e da arte,
Nosso ser estremece, fica sem idade
E trata por sua casa qualquer parte…
A vida é isso: estar em todo lado
Como só se pode estar agora aqui,
Ser fala entre os acordes dum fado
No simples pardalitar de um colibri.
Pobre sustento numa gota de néctar
A cintilar como mil laivos de puro mel,
Escritos n’alma, aind’assim não vá afetar
O líquido labor aos poros da pele –
Na ânsia dum mar a ondear por amor…
– No acorde dum amor acabado d’acordar!
Joaquim Maria Castanho
6.18.2022
5.27.2022
SINA E (mau) SINAL
SINA E (mau) SINAL
Quando um dia pensares que na vida
Tudo que havia de pior já t’aconteceu
E nenhuma dor, ou qualquer ferida
(Nem solidão) te podem doer como já doeu…
É mentira! Há sempre outra maior
Que dolorosa e monstruosa vá surgir:
Pois, quem sobrevive à falta de amor,
Maior dano do desamor lhe há de vir.
Que ninguém te há de dourar as pílulas
Nem ter a mínima consideração por ti,
Pra meter noutros enredos as vírgulas
Ou distorcer a verdade ao que escrevi,
Apelidando a palavra tão-só de tumor…
Dando ao ser humano tudo… – Menos valor!
Joaquim Maria Castanho
5.16.2022
3.19.2022
PROPÓSITOS & RESULTADOS, Lda.
PROPÓSITOS & RESULTADOS, Lda.
Sinto saudades do teu olhar risonho
Que me leva ao verso, me conduz ao sonho…
E faz florescer minutos ao meio-dia.
E me transforma os afazeres em poesia.
Me dá este agora em vez do quando
E escreve fora o que dentro guardo,
Pois que eu voo até mesmo se só ando
Em alheado vaguear de aedo ou bardo.
Quero arranhar os futuros livres, puros
Já audazes e capazes de pedir meças
Aos desígnios loucos – e inseguros –
Do caos das prosas malfeitas, e às pressas.
Certo é nada ser primordial agora
Que as batalhas o hão de zurzir de vez...
Int’resse bélico, sentires devora,
Assim, como o fez outrora a D. Inês.
Todavia, eu mergulhei nas trevas da luz
Como se um mastro em nevoeiro brando,
Pois só o teu olhar me alegra e conduz,
E me faz voar... – até mesmo se só ando!
Joaquim Maria Castanho
25.02.2022
AOS ÓCULOS DUMA MUSA
AOS ÓCULOS DUMA MUSA
Primeiro sábado do mês
Pouco passava do meio-dia...
A passear andava Inês,
Que também se chama Maria.
Passeava com a sua avó:
Saltinho aqui, trilori-lori;
Saltinho ali, triloró-loró.
Um, dois, dois, um, três,
Assim passeava nesse dia
A Musa chamada Maria,
Que também se chama Inês.
Saiu para comprar brócolos
E comer uma massa-frita,
Mas eis que os seus óculos
Viram uma flor muito bonita…
Era verde, era amarela
Silvestre, tão campesina;
E ao ver tão linda donzela
Quis logo ser essa menina.
Assim, d’óculos especiais
Aptos a descobrir flores,
Por essas manhãs, tão normais
Que são iguais a jardins às cores.
Óculos vivos, e bem reais
Adequados e ativos,
Feitos pra verem bem demais,
E que sei serem bem bonitos,
A valer por cinco ou seis
Inteligentes e expeditos.
Mas os olhos de Maria Inês
Quando eu os vi a sorrir,
Posso dizer, ou garantir,
E sem ter medo de mentir,
Que bonitos e expeditos
Ainda o são muito mais!
Joaquim Maria Castanho
05.02.2022
2.22.2022
INVENTÁRIO EXISTENCIAL
INVENTÁRIO EXISTENCIAL
Que nada na vida é o que parece
E tudo emana dos seus segredos
Se diz, mas sentir é algo que cresce
Ainda que o faça entre esperas
Contrárias, tão frágeis como várias…
Invernos que são como primaveras,
Prenúncios de secas, vírus e medos.
Ameaças de guerra, confusões diárias,
Férteis para migrações e degredos.
Gripes, inflações, esperanças pueris,
Influências, modas, fatores astrais.
Politiquices imaturas, ou senis…
Desaguisados coletivos, pessoais…
Janeiros que são maios, marços por abris
De importâncias mundanas – e mundiais.
Défices d’economia, revistos em baixa…
Pois nada disso conta, nada vale.
O que sinto é qu’importa, e não cale
A felicidade de ver teus olhos a sorrir
Miríadas estelares, campos a florir,
Se passo junto a ti... – à tua caixa!
Joaquim Maria Castanho
22.02.2022
2.18.2022
QUANDO PASSAS...
QUANDO PASSAS ME LEVAS CONTIGO
Há instantes breves, e soalheiros,
Próprios para atravessar os dias,
Que valem por vários anos inteiros
E são a rotunda essência das poesias.
São ápices disferidos, e certeiros,
A despertar a beleza às fantasias,
A pintar meigas brisas pelos outeiros
No chão fértil das inocentes alegrias.
Clique! – Gota que por nosso ser s’alastra
Como onda que nos invade duna a duna…
Pois sentir, não carece de fortuna
Habilitações ou certidão ou casta;
É uma sede sôfrega e oportuna
Prà qual a vida toda nunca basta!
Joaquim Maria Castanho
18.02.2022
2.04.2022
CHÃO AGRESTE
CHÃO AGRESTE
1. MANEIRA DE SER
Calcetada de compungido silêncio
Eis uma rua que nada diz do que penso
Sob os frios passos magoados do caminho…
Seu semblante comum às idas abandonadas
Regressa ao estio dos cães em vadiagem
Ladra a preto e branco o bicudo escarninho
Por quem atravessa chão que é escadas
E leva às costas a sisudez da bagagem.
Dias escarram nelas a sombra dos plátanos.
Noites cobrem-nas de geadas deslizantes.
Mas ímpios e insensíveis são só pântanos
Onde coaxam as solidões ofegantes
De quem já esperou uma vida inteira
Que lhe reconhecessem normal o andar
Os gestos, a lida, a voz… a sua maneira!
2. OUTRA CHUVA NOS CONFORTA
É subterrânea a sombra
Que a luz dilacera,
Como se faz a uma cobra
Que sonhou ser Quimera.
Que travo trago a trago
Dos olhos que ora me norteiam,
E iludem o seco vago
Para em vez dele porem
O porém
Do amor, e carinho que semeiam.
Então, viradas para cima
As raízes da incerteza,
Eis que muda agora o clima
Chovendo-me na alma… Mas só beleza!
Joaquim Maria Castanho
1.18.2022
Resiliência Original
RESILIÊNCIA ORIGINAL
Toda hora é passo dado
Em frente, mesmo sem sair,
Ir para qualquer lado
Onde o proveito do porvir
Nos traga algum resultado.
Hoje é sempre o primeiro dia.
Longa espera chegou ao fim.
Que, para brotar a poesia,
Há que nascer outro eu de mim.
O silêncio nada inventa.
O medo à dor nada diz.
Só perece quem não tenta…
Florir é dar vida à raiz!
Joaquim Maria Castanho
1.09.2022
DA SOLIDÃO DAS FOLHAS MORTAS
DA SERÔDIA SOLIDÃO DAS FOLHAS
Afasto-me, nem sei para onde
Das nuvens escuras, doentias
Sob as quais o receio esconde
A pura inocência das poesias.
Dessa árvore de cuja fronde
Pendem os versos, as ousadias
A que hoje ninguém responde
Por vê-los como se folhas frias.
Mas é grande engano esse
Sobre o qual cai o julgamento:
Não há verso que ao soltar-se
Ainda que das mentes geladas
Não seja fogo, sentimento
Confissão labareda alento,
Lamento d’almas apaixonadas!
Joaquim Maria Castanho
La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu
Arquivo do blogue
- ► 2019 (152)
- ► 2017 (160)
Links
- A Aliança
- A Cidade e as serras
- A Dobra do Grito
- A Espuma dos Dias
- A Sul
- A Vida Não É Um Sonho
- AMI
- Abrupto
- Ad-Extra
- Aldeia T
- Alentejanos de Todo o Mundo Uni-vos
- Alexandria à Gomes de cá
- Algarve Renovável
- Alguém Me Ouve
- Almocreve das Petas
- AmBio
- Amazónia
- Amigos do Botânico
- An Ordinary Girl
- Ante-Cinema
- Ao Sabor do Toque
- Astronomia 2009
- Aves de Portugal
- Azinheira Gate
- BEDE
- BIBLIOTECÁRIO DE BABEL
- Barros Bar
- Bea
- Bede
- Biblio
- BiblioWiki
- Bibliofeira
- Bibliofeira
- Biblioteca António Botto
- Biblioteca Digital
- Biblioteca Nacional
- Biblioteca Nacional Digital
- Biblioteca Nómada
- Biblioteca do IC
- Bibliotecas Portuguesas
- Bibliotecas Públicas Espanholas
- Bibliotecas-
- Bibliotecário de Babel
- Bibliotecários Sem Fronteiras
- Biodiversidade
- Biosfera
- Blog dos Profs
- Blogs em Bibliotecas
- Blogue de Letras
- Boneca de Porcelana
- Burricadas
- CEAI
- CFMC
- CIBERESCRITAS
- Cachimbo de Magritte
- Caderno de Paris
- Campo de Ideias
- Canil do daniel
- Cantinho das Aromáticas
- Canto do Leitor
- Capas
- Casa da Leitura
- Centenário da República
- Centro Nacional de Cultura
- Centro de Estudos Socialistas
- Cercal da Eira
- Ciberdúvidas
- Circos
- Citador
- Ciência Viva
- Clima 2008
- Clube de Jornalistas
- Coisas Simples e Pequenas
- Coisas da Cristina
- Coisitas do Vitorino
- Comer Peixe
- Cometas e estrelas
- Comissão Europeia Portuguesa
- Companha
- Conjugador de Verbos
- Crescer Com Saúde
- Crítica Literária
- Crónicas do Planalto
- Câmara Clara
- DAR
- Da Literatura
- Da Poesia
- Deixa Arder
- Depois do Desenvolvimento
- Devaneios
- Diagonal do Olhar
- Dias com Árvores
- Dicionário de termos Literários
- Diário da República
- Doce Mistério
- Dona Gata
- Dreams
- Ecologia Urbana
- Ecosfera
- Edit On Web
- Educação Ambiental na Net
- Ellenismos
- Ensayo Pessoa
- Escola Pública
- Escolhas de Sofia
- Escribalistas
- Espiritismo
- Estação Liberdade
- Estudio Raposa
- Eurocid
- Evolução da Espécie
- Extratexto
- Farol de Ideias
- Fauna do Cerrado
- Ferrus
- Ficção
- Floresta do Interior
- Folhas de Poesia
- Fongsoi
- Fonte de Letras
- Fotos da Natureza
- Fotos do Nick Brandt
- Fratal 67
- Frenesi
- Fundo Português do Carbono
- GOSGO
- Google News
- Governo
- Gulbenkian
- HSI
- Habitat Ecológico
- História universal
- IDP Democracia Portuguesa
- Ideotário
- Impressões Literárias
- Incrivelmente Perto
- Infografando
- Instituto Camões
- Jacques Brel
- Jornal das Freguesias
- José Saramago
- Justiça e Cidadania
- Justiça e Democracia
- Kampus de Ideias
- LER
- Leite de Pato
- Leitora Crítica
- Leoa Verde
- Linha de Pesca
- Literatura e-
- Livre Expressão
- Livros e Críticas
- Lumiarte
- Lusa
- Lusitânica
- Luso Borboletas
- Madeja de Palabras
- Malaposta
- Maldita Honey
- Manuela
- Maria Clara
- Missixty
- Movimento Perpétuo
- Movimento Rio Tinto
- Mundo Ecológico
- Mundo de Pessoa
- Mundo dos Golfinhos
- Mutações
- NICK BRANDT
- Nada Niente
- National Geographic
- Natura
- Nick Brandt
- Nobel Prize
- Notas e Apostillas
- Notícias de Castelo de Vide
- Nova Economia
- Nova Floresta
- O Bocas
- O Boomerang
- O Coiso
- O Currupião
- O Escribalista
- O Fingidor
- O Indigente
- O Janesista
- O Parcial
- O Silêncio dos Livros
- OIT
- OREE
- Objectiva Campo Maior
- Oficina de Poesia
- Olho Neles
- Omj
- Ondas 3
- Opinião Socialista
- Os Ribeirinhos
- Os Verdes
- Othersky
- POUS
- POUS Portalegre
- Palavra Criativa
- Pandora e Adrian
- Parlamento
- Parlamento Global
- Partido Pelos Animais
- Pedro Marques
- Per-Tempus
- Photo-a-Trois
- Photos e Scriptos
- Pimenta Negra
- Planeta Azul
- Planeta Azul
- Plano Nacional de Leitura
- Podolatria
- Poemas Diários
- Poesia Ilimitada
- Poesia Saiu à Rua
- Poesia de Gabriela Mistral
- Poesias e Prosas
- Ponto
- Ponto Cinza
- Por Mão Própria
- Por Um Mundo Melhor
- Porbase
- Porosidade Etérea
- Portal da Literatura
- Portal da Língua
- Portalegre On Line
- Português Exacto
- Presidência da República
- Projecto Gutenberg
- Projector do Sótão
- Putas Resolutas
- Pés de Gata
- Qualidade do Ar
- Queridas Bibliotecas
- Quintas Com Livros
- RELEITURAS
- Raquel
- Raízes
- Receitas da Lígia
- Reconstruir a Esperança
- Rede Cultural
- Releituras
- República Laica
- Reservas Naturais
- Retalhos de Leitura
- Revista Diplomática
- Revista Portuguesa
- Rio das Maçãs
- Robot Intergaláctico
- Rouge de Garance
- Rua Nove
- SEVE
- SOS Praia Azul
- SOS Vida
- Sais de Prata
- Sara
- Sara P
- Saumon
- Schmoo-Schmoo
- Schopenhauer
- Selvagens
- Seve
- Sinusite Crónica
- Sob Pressão Não Consigo
- Sociedade Civil
- Sombra Verde
- SonoPoesia
- Stand-Up
- Tempo das Cerejas
- Terra de Encanto
- Todas as Letras
- Tu Indecisa
- UALG
- UNESCO
- Umbigo
- Ursula
- Usina de Letras
- Utopia
- Verduras Factuais
- Verão Verde
- Viagens no Meu Sofá
- Viajarte
- Vida Involuntária
- Vida das Coisas
- Viver Literatura
- Walkyria
- Wild Wonders
- Wildlife
- Y2Y
- Zeariel
- e-cultura
- kARINA
- À Margem
- Árvores do Norte
Acerca de mim
- Joaquim Maria Castanho
- Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português



