Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
1.19.2019
1.10.2019
AS PINCELADAS DO TEMPO
AS PINCELADAS DE CRONOS
Já triplo cinzel me cerziu
Matriz enfim, choro, grito
Desbastam, gastam por cicio
Só de metal frio, aflito...
Como terá acontecido?
Sob que mistério, assim
Presente, futuro ou ido
Passado tornam granito
Pra se "assentarem" em mim?
Nascem das sombras, num torpor
Rústico, desajeitado;
Às vezes, merecem amor
– Outras, apenas cuidado.
Joaquim Maria Castanho
Com escultura de João Aires Garcia
1.06.2019
RUBRO OCASO
RUBRO OCASO
Do lídimo olhar, atento
Esgar mínimo, diverso
Nasce a cor deste verso
Tão submerso sentimento
Em que ocaso m'invento
Na tarde aguda, fria
Quase farta de tudo
Até do silêncio mudo
Onde pasce a poesia...
E logo qu'ela eclode
Traz no rosto, no perfil
A magia de quem pode
Mais qu'm cravo de abril!
Joaquim Maria Castanho
1.03.2019
PASSADA BREVE
PASSADA BREVE
Aproximo os lábios dessa rosa
Que não digo, nem me pica:
Estico o verso até parecer prosa
Cujo sentido não estica...
E no balanço alcanço o chão.
Calco-o simples, andamento
À espera duma ilusão
Terra a terra, rasa fica
Pra nada segurar em si...
Nem a brisa, a luz, o vento...
Algo que não sei – nem esqueci!
Joaquim Maria Castanho
1.02.2019
12.31.2018
JÁ FOSTE!
O PULO DO PONTEIRO
Vivi sem planos um ano inteiro!
Prà’manhã não tenho nada planeado
– Que até o sol, se for de janeiro
Olha pra dezembro como mês passado.
Minha vida é um supor descuidado
Ponto de fuga adiada, primeiro
Logo assumida, detalhe, seleção;
Como que um tic-tac desse ponteiro
Digital que pula sempre afinado,
Mas tanto lhe faz seja dia a dia, mês
A mês, ano a ano ou estação a estação:
Ao fazê-lo, esquece de onde veio
Para, assim, viver o que tem em cheio,
Esquecendo-o, mal pule outra vez!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
12.28.2018
AGORA É UMA TRANSIÇÃO DE CURTA DURAÇÃO
O AGORA TEM POUCA DURA
Esse agora tem muito pouca dura
Não é de confiar nem longas esperas
Mesmo sendo previsto ou abençoado;
Sua pureza ‘tá na grande mistura
Impura qu’o futuro tem do passado.
O presente, esse muro de lamentações
Com que a gente asperge o passado
E salpica expetativas no futuro,
Tem por óbice alisar os verões
Emparedar quaisquer primaveras
E fala sempre muito e por dobrado
Das quimeras (as tais aves que são feras)
Acaso se não sinta pleno e seguro.
O presente é um cruel condenado
Que esquece quem foi mal vê o futuro;
Faz dele caminho em qualquer lado…
– Com manhã clara apaga ontem escuro!
Joaquim Maria Castanho
12.27.2018
12.23.2018
12.11.2018
12.08.2018
12.07.2018
11.26.2018
A VERDADE É UMA FORÇA ENORME...
A FORÇA DA VERDADE
Vejo-te, mas desconheço se me vês...
Aconteces-me sempre tão desacontecida
Como quand'ontem foras pra mim és
O dia sonha, o sol esclarece e a lua, despida
Recata-se – puxa pra si a nuvem, em pudor
Pelo meu amor, ao ver-te passar outra vez.
E extremoso, embora descuidado
O vento repara também,
E fica ali especado, a soprar parado
Antes que o veja mais alguém.
Quanto de nós haverá que seja manso
Suave como o borboletar da luz matinal
Sobre as pálpebras ainda adormecidas?
Porém, mesmo a sonhar, não descanso
De querer teu suspiro profundo, integral
Incandescente grito nas planícies floridas.
Então, desço sol na tua sombra
E lá, de onde ecoa a eternidade,
Só o carinho nos deslumbra
Só a ternura é verdade.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
11.04.2018
DE LÍRIOS SE FIZERAM ROSAS
DE LÍRIOS SE FIZERAM ROSAS
Tal brota uma rosa sobre espinhos
Assim é minh’amada entr’as demais
Que, ao cruzarem-se, nossos destinos
Os olhos do coração soltaram ais.
Abriram novas sendas, novos caminhos
Pintaram noutras cores, o arco-íris
Pétalas coloridas foram lírios
No rumor das brisas soaram jograis.
Seus enganos sublimes (inocentes)
Ensinara-me a espera sem desespero;
Suas demoras foram puro esmero
Que torna as rotinas bem diferentes,
Já que antes apenas tédio eram…
– Amantes amam, mesmo se só esperam!
Joaquim Maria Castanho
10.14.2018
10.10.2018
10.08.2018
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La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
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