2.13.2015



Riram-se à minha custa
Mas ninguém sabe porquê,
Que onde a razão é à justa
Mingua o sizo, como se vê.

J Maria Castanho
ƸӜƷ ♫♪✿♣♦☀♫♪Ÿ♫♪ ✿♫♪☀♫♣♦♪ ƸӜƷ

2.11.2015

QUE DETALHES E PORMENORES HÁ-OS DESDE OS MAIS PEQUENOS AOS MAIORES

QUE DETALHES E PORMENORES, HÁ-OS PARA TODOS OS GOSTOS, DESDE OS MAIS PEQUENOS AOS MAIORES

«Grandes poderes, trazem grandes responsabilidades», disse o tio Ben a Peter Parker.

In O HOMEM ARANHA I


A única diferença plausível e observável entre cultura e propaganda, é que a primeira admite, integra e inclui a segunda, mas a propaganda exclui, estigmatiza e instrumentaliza a cultura. Sobretudo e por isso mesmo, se é já de si difícil perceber como funciona uma mente, ainda que das mais normais e pacatas, então avizinha-se hercúlea tarefa perceber a dum povo, mesmo que recheado de paz-d ’almas como é nosso, que é o conjunto – somatório e produto – de cada uma delas e o entrosamento de todas elas, formando essa amalgama de diversidade multicultural, que devia também ser integracionista mas prefere ser anárquica, a que chamam povo lusitano ou português. Contudo, não é: é simples: não funciona. Porque se funcionasse não estaríamos como estamos, não devíamos o que devemos, não haveria a corrupção que há; teríamos políticos honestos, frontais e competentes – e não temos. Nem resistiríamos às pequenas mudanças conforme resistimos, esperando ansiosamente uma grande e derradeira que nos salve ou nos atire definitivamente de pantanas, como sucedeu com D. Sebastião, o Encoberto, e Alcácer Quibir. Não nos oporíamos a repensar continuamente as nossas prioridades, nem faríamos orelhas moucas às sugestões e palpites do conhecimento universal acerca das alterações que temos de efetuar para melhorar a acuidade observativa, lucidez técnica e objetiva, disponibilidade mental e sentido prático, espontaneidade e eficácia de conduta. Ou seja, estaríamos dispostos e disponíveis para contribuir eficazmente para o desenvolvimento coletivo, aumento da qualidade de vida, garantir razoável sustentabilidade socioeconómica e máximo bem-estar, e não estamos. O que denota que essa resistência não é apenas resistência, mas incapacidade de nos adaptarmos a uma sociedade moderna e aberta, democrática e emancipada, consciente e responsável, insistindo teimosamente no modus operandi da teimosia infantil e explicitado sentimento de inferioridade caraterísticos da mentalidade provinciana e pacóvia que grassou, e grassa, de norte a sul, desde o tempo dos santacombadões do está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira. Emperrou. Está atravancada de monos e trastes como estaria qualquer sótão arrumado por dez milhões de macacos à solta. Coisa que se nota principalmente nas periferias das cidades periféricas (ou do interior), onde a economia paralela floresce e prolifera, de forma escorreita e destemida, à vista de toda a gente, e sob o beneplácito e agradado olhar das autoridades, que se estão literalmente nas tintas prò assunto…

Fiscalização? Nem vê-la. Que estão escalmorrados contra o governo que lhe cortou nas mordomias e horas extraordinárias. E os populares? Bhhhaaa!... “Na terra do bom viver faz-se o que se vê fazer”, justificam-se, atirando o olhar para os exemplos que vêm de cima.

O governo que temos foi o governo que escolhemos (ter), e a esta altura do campeonato não vale a pena rabiar, uma vez que ele entrou na descida que antecede a reta da meta, e não é agora que se vai conseguir aquilo que não se conseguiu no apogeu do mandato, que é deitá-lo a baixo, ou fazer com que melhore o seu programa e a execução dele, pelo que falar contra a ação governativa e sua composição só lhe dará força, motivação e renovação de ideias, dando subscrição plena à sentença de que aquilo que não tem remédio, remediado está. Até porque se lhe esgotou a criatividade e imaginação, coisa que também tem limites mesmo para quem é perverso e maléfico, quer o reconheço, quer não, inclusive por se lhe haver secado a fonte de inspiração típica dos navegadores à vista da costa, que é a oposição, que entrou igualmente em crise de gestação e se encontra prestes a sentir as dores de parto, pela ameaça dos movimentos e novos alinhamentos políticos que se aprestam a abalroar o establishment ocidental (e ocidentalizado). Tanto por influências históricas judaico-cristãs, como pelas anglo-saxónicas do novo-mundo: via UEA, UE, China, India, Brasil, Canadá ou Austrália. E até da Islândia, que deu um pontapé no seu desregrado estado para rumar em direção à sustentabilidade, ao desenvolvimento e ao são convívio com a natureza, por mais vulcânica, ameaçadora, fria, agreste e exigente que ela seja.

Vai daí, contentamo-nos em prolongar o carnaval para além dos cinco dias que dita o entrudo, e assobiamos prò lado, alegrando-nos por saber que há ainda quem esteja pior do que nós, indo buscar felicidade à infelicidade alheia. Vemos no que deu o CHARLIE e não arriscamos. Vemos uns filmes. Assistimos em direto à entrega dos óscares. Desabafamos no futebol. Temos um fado sempre na grafonola digital. E um de cante alentejano próximo da máquina, que nos pode apetecer uma sesta. Fazemos zapping amiúde, e guardamos a genuína apreensão sobre o futuro para os analistas da meteorologia, que o pintam com avisos de curto prazo, desde o vermelho ao verde com amarelo das rosas repolhudas e amistosas. Podíamos tomar as rédeas ao destino, mas não tomamos, que isso dava-nos um grande poder. E um grande poder é um grande encargo, uma enorme responsabilidade, como dita o herói da pequenada a quem a teia teceu a segurança, o voo mas também o medo e o criancismo. A superstição. A vida tramada. E acomodamo-nos amuados.  

Bom… Mas AINDA temos a liberdade de expressão, se dirá. Não, não temos. Usufruímo-la, executamo-la porque veio/vem de fora, com a Internet. Senão andaríamos todos e todas a comer o pão por conta, ganho com a boca pequena, que é como reza quem se ajoelha por necessidade. E será que ela, a necessidade, depois de nos aguçar o engenho, começou também a burilar-nos o gosto? É caso para começar a ficar preocupados… É que para quem teme a mínima alteração ou mudança nos detalhes, com uma inversão tão radical, dava-lhe alguma coisa ruim. Oh, se dava!        


Joaquim Castanho

2.08.2015

EXIGIR FATURA É COMBATER A CRISE E AJUDAR A PAGAR A DÍVIDA

O que os alemães sabem acerca de nós e a troika não desconhece, é que se os portugueses quiserem saldar a dívida e cumprir com as suas obrigações podem fazê-lo, sem recorrer a austeridade excessiva nem aos atos sobre-humanos de que falou o Luís Vaz (de Camões), mais do que permite a força humana: basta que não contornem o fisco, se abstenham do mercado paralelo e instituam a honestidade e o civismo como normas de conduta diária. Que implementem a cultura da cidadania e da responsabilidade cívica. É pedir muito? Sobretudo depois de ter passado duas ou três décadas a fazer asneiras com o dinheiro “nacional”, a esbanjar por motivos eleitoralistas, a ser refém dum economicismo atávico e obreiro de inutilidades megalómanas? Penso que não. E todos e todas reconhecerão facilmente como de fato assim é. Ou, para evitar mal-entendidos gerados pelo acordo ortográfico, a que insistem resistir como se dum teste à próstata se tratasse, reiterarei que «todos e todas facilmente reconhecerão que de facto assim é.»

E as nossas “faturinhas” têm que entrar para o nosso processo fiscal, logo identificadas com o nosso número de contribuinte, e estar registadas no site e-fatura do Portal das Finanças, que deve ser atualizado continuamente, tendo cada qual a obrigação de verificar lá a sua presença e de chamar a atenção da autoridade tributária, num prazo razoável, coisa de dois ou três mezinhos, de que a empresa X ou Y, a quem nós comprámos isto ou aquilo, “ainda” não lhes enviou as ditas. Custa muito ajudar para que o nosso país nos ajude a melhorar de vida e estabelecer um crescimento sustentável? Melhore a sua performance fiscal e tributária? Custa muito não só fazer meninos e meninas mas também preparar-lhes um mundo coeso, seguro, honesto e saudável em que se possam também reproduzir? Claro que não custa, nem para os mais vadios, “subeficientes” e adoentados. Portanto… Acabem lá com as modas, que ser humano, participativo, democrático, simultaneamente europeu e português, exercer uma cidadania ativa e envolvida, não é nenhuma excentricidade nem handicap.

Gostar ou não dos partidos que estão no governo, não é desculpa para nada, principalmente para prejudicar os demais que, como nós mesmos e os nossos vizinhos e vizinhas, todos os dias dão no duro para garantir a sua independência e sustento. A responsabilidade cívica não é um dever só para os outros e outras. E a liberdade sem ela, sem a responsabilidade cívica, não é nenhuma modernice intelectualóide nem um radicalismo esquerdista ou acrático: é uma sacanagem simiesca. Além do que as despesas gerais familiares, de saúde, na educação, os encargos com imóveis e despesas com lares de 3.ª idade, bem como as faturas relativas às aquisições nos setores de atividade de alojamento e restauração, cabeleireiros e reparação automóvel e de motociclos e da habilitação ao sorteio Fatura da Sorte, são benefícios consagrados pela recentemente entrada em vigor informatização da fiscalidade e atividade económica.

E o fato de recebermos pouco, idem. Quem aufere um rendimento inferior, não significa que deve ficar à margem da ética e do civismo, mas antes demonstrar que está preparado para receber mais, e que se o recebesse cumpriria as suas obrigações fiscais com aprumo e galhardia, no respeito pelos demais e as regras da sociedade. As pessoas não se medem pelo que têm mas pelas atitudes que tomam. Nem pela aparência física, mas sim pelo comportamento e prática quotidiana na consideração e empatia de que são capazes pelos seus semelhantes. Estamos todos no mesmo barco, e todos podem fazer a sua parte para continuar a navegação. Quem tem muito contribui com muito, e quem tem pouco contribui com pouco ou mesmo com nada. E, como diz o povo, quem dá o que tem, a mais não é obrigado.

Estamos a mudar de era, e a do chicoespertismo trapaceiro do biscate e manhosice egoísta já se foi.


Joaquim Castanho          

2.06.2015


A CULTURA NUNCA PODE SER SECUNDÁRIA

Na Grécia do Tsipras (Alex, pròs amigos!), o organograma governamental apresenta quatro superministérios: A Educação, A Saúde, A Economia e A Cultura. Quatro aaaa como o óleo da Pima (já crescidinho). Essencialmente porque no entendimento grosseiro da coisa pública, o que ninguém conseguirá ignorar, uma economia de sucesso nunca poderá prescindir duma educação vigorosa e dinâmica, duma saúde musculada e flexível, nem duma cultura apta e abrangente, inovadora e ativa. Imaginativa e observativa. Sem o olhar crítico e envolvido desta última quaisquer outras valências ministeriais baterão com os burrinhos na lama, afundar-se-ão no tédio, no marasmo, na hipocrisia e na insustentabilidade, uma vez que foi sempre e em todo o lado – desde os impérios persa, egípcio, grego e romano (pelo menos) que recorreram à receita pra vingar e pereceram mal a abandonaram –, a única estratégia política plausível ante as contrariedades forjadas pela ausência de estabilidade orçamental, crescimento económico, oscilação dos mercados e capitais, fragilidade social. Mas sobretudo, se queremos que a economia não desperdice oportunidades de rendimento, a saúde não contraia agastes novos, a educação não se transforme num sorvedouro de talentos e mais-valias, mas sim, e antes, se implante como um veículo de excelência para conteúdos atuais e atualizados, interessantes e atraentes, ou capazes de se transformarem em agentes de progresso e desenvolvimento. E sustentabilidade.

Mas os gregos são antigos, muito mais antigos (coisa de três ou quatro mil anos) do que nós, que só nascemos há 900 anos e uns trocos. Somos uns gaiatos face a eles, e, por isso mesmo, não pensamos e metemos a cultura num desvão, com secretaria lá para os fundos do organograma governamental. E quem lucrou e lucra com isso? Os ingleses, os norte-americanos, os alemães, os franceses, os nórdicos e o mercado paralelo em geral. Porque não havendo cultura ninguém precisa de educação nem sabe prò que serve, pode haver saúde física mas a mental fica pelas ruas da amargura, e a economia é um calvário que todos e todas temos que subir com a Autoridade Tributária às costas.

Porque quando o processo de evolução de uma sociedade conservadora e gerontocrática, como a nossa, e também a europeia, principalmente na parte mais desenvolvida dela, é notoriamente lento, a mínima centelha de motivação, a mais pequena mudança nele, torna-se, evidentemente radical. Num lago parado a queda duma larada de passarinho provoca uma cadeia de pequenas ondas que se assemelha a um movimento tempestivo. Alterar as rotinas, como pedir fatura com número de contribuinte em todas as compras (e vendas), pode ser tão doloroso na atitude cultural dum povo, como a extração de um dente cariado num indivíduo: sabemos que não presta para nada, só nos causa dissabores e fealdade, é duma inutilidade inegável, podemos arrancá-lo sem a mínima dor, porém, deixará sempre um buraco no maxilar de onde o tirámos. E sentir-lhe-emos a falta durante algum tempo. Todavia, nenhum povo, nenhuma nação digna desse título, perde 45 mil milhões de euros em impostos num ano por acaso… E Portugal perdeu-os. Perdeu-os para a economia paralela, quando essa maquia, esse buraco, essa falta, era suficiente para saldarmos a nossa dívida à troika, e assim deixarmos de andar com uma das mãos à frente e outra atrás para tapar as misérias sociais que nos caraterizam. E porquê? Por falta de cultura. De cultura democrática. De cultura tributária. De cultura política. De cultura sanitária. De cultura social. De cultura educativa. De cultura económica e empresarial. De cultura financeira. De cultura cosmopolita. De cultura literária. E a saúde orçamental do próximo ano dar-nos-á notícia dela. E de como uma simples enfermidade se transformou num quisto cancerígeno para o qual ainda não foi inventada qualquer cura, antídoto ou vacina…

Portanto deixemos de cegarregas e de atirar areia pròs olhos do Zé-Povinho, que os gregos, não obstante terem uma dívida infindavelmente maior que a nossa, o que os obriga a pagar mais de 10 mil milhões de euros de juros anuais, e que monta a 315 mil milhões de euros ou 175 % do PIB, estão atualmente em melhores condições para saírem do aperto do que nós, a quem falta além das culturas enunciadas a do bom senso político e honestidade, que é coisa rara por cá, pelo menos desde os hermínios viriatos, tão apreciados pelos santacombadões do nosso contentamento e do tudo está bem assim. Mas tão bem, que até achamos normal ter uma cultura que mal chega a secretaria de Estado… Pudera!  

Joaquim Castanho     

2.05.2015

PRA QUEM É BACALHAU BASTA

PRA QUEM É BACALHAU BASTA

A maioria dos cidadãos e cidadãs da portugalidade bem-formados/as fala e escreve exemplarmente quando se dirige aos estrangeiros, mas dão erros em barda, uns e umas atrás de outros e outras, sempre que o fazem com os seus conterrâneos e conterrâneas, concidadãs e concidadãos do linguajar lusitano, talvez por considerarem que estes, os portugueses e portuguesas da língua materna, mais não merecem, nem sequer os usuais cuidados que dispensam a qualquer dialeto dos demais idiomas do mundo (dito) civilizado. Nisso, realmente, são bons, são ótimos, são excelentes. Que nas 250 palavrinhas a que qualquer prova obriga não dão uma prà caixa, e conseguem fazer uma média de três erros ortográficos (e de pronúncia) por cada dez palavrinhas, incluindo as monossilábicas, assim na boa, sem fazer o mínimo esforço nem pisar no acelerador a fim de cumprir limites de tempo. E até acham que os dirigentes nacionais que se expressam em português quando se pronunciam em atos oficiais onde se exige a sua presença, tanto na Europa como nos restantes continentes deste globo à babugem do sistema solar plantado, é porque não sabem inglês, francês, russo, alemão, mandarim, etc., etc., evidenciando não estarem à altura das funções para as quais foram eleitos/nomeados, sendo isso prova consumada e incontestável de acentuado défice no seu desempenho. Como e porque é que isto acontece? E onde nos levará? Pergunta-se.

O porquê sabe-se e é inequívoco pela evidência que traduz. Porque os portugueses e portuguesas dão o cu e dez tostões para agradar a quem invejam, e (desconfia-se, de acordo com os resultados obtidos ultimamente) têm razão para invejar todos os povos e nações do planeta, exceto os espanhóis, gregos e irlandeses, que têm andado igualmente com as calças na mão e navegam nas mesmas águas da mandriice, da corrupção, do chico-espertismo, do favor e por conta, do corporativismo, da subsidiodependência, do miserabilismo cultural e económico, da tentativa de ludibriar e contornar o Estado de Direito e os credores que emprestaram dinheiro para governar a casa, do lamechismo arrivista e da inconsciência social, que nós. E que insistem em viver acima das suas posses e atirar as culpas do seu fraco desenvolvimento à crise, aos mercados, à alta finança, aos bancos e à Sra. Merkel, expurgando o elevado défice, e dívida, de qualquer dano que a má-gestão, interesse obscuro e ignorância caraterísticas do provincianismo atávico tradicional lhe tenha originado.

Já o como fia mais fino, e aparenta não ser assim tão fácil de discernir… O governo salienta que é por sermos bons alunos, habilidosos no biscate, mezinha e remedeio, por fazermos todos os exercícios (TPC) e distintos cumpridores dos ditames troikanos. A oposição faz notar que estamos a investir no futuro, entendendo por futuro “essa utopia” de atingir os mesmos resultados e escores que tivemos no passado: dar as costas ao Mar da Palha. E os partidos/movimentos novos, como precisamos de mudar para voltarmos a ser o que já éramos e nunca deixámos de ser (oportunistas que navegam ao sabor das marés), estamos a ensaiar, a treinar, a ganhar estaleca, para melhorar a performance de pedintes e arruaceiros que representamos desde o 25 A.

O onde é que isso nos levará? Ao que se vê. Ouve. E lê. Quem escreve e fala com desenvoltura e galhardia, correção e atendimento das regras (de dicção, ortografia, coerência, lógica, conjugação, fluência, flexibilidade vocabular, sintaxe e síntese) do português bebido em Bernardim, Camões, Gil Vicente, Garrett, Aquilino Ribeiro, Raul Brandão, Florbela Espanca, Guimarães Rosa, Erico Veríssimo, Cecília Meireles, Miguel Torga, etc., etc., é suspeito. E de tudo! Principalmente de ser arrogante, vaidoso, sabichão, e de ter a mania. De gostar de se armar. E até de não ter carro… ou de andar a pé! (“Sabe muito mas anda a pé”, como ciciam as mentes puras da trogalheira quotidiana…)

Nos jornais e telemóveis o “aceite” e “entregue” sem serem imperativos imperam como prova de bom gosto e guarda-avançada da modernidade; nos noticiários e filmes o “despoletar” emprega-se quando se quer dizer “espoletar”, “detonar”, “provocar”, a toda hora; nos discursos de “empreendorismo” os enfoques proliferam que nem ginjas à beira dos “cristalinos” regatos de know-how dos politécnicos e formações profissionais portugas; e as grafites, ementas e preçários esgrimem com cagança e desenvoltura ou sã concorrência a ver quem consegue mais entradas tipo “Portugal no seu melhor” no Facebook e abicha mais Kkkkkkkkkkkkk e likes por postagem e/ou partilha.

Porém somos, todos e todas, gente fina e de pura casta. E fornecemos a educação ao menino e à menina, como sempre ditou a tradição do pra quem é bacalhau basta. Ou seja, estamo-nos literalmente nas tintas uns para os outros, e umas para as outras, e tanto se nos dá como se nos deu que aqueles e aquelas a quem nos dirigimos nos entendam como não. Principalmente porque desconhecemos com exatidão o que queremos dizer, mas também porque consideramos que ninguém que seja como nós e fale a mesma língua merece o mínimo respeito, consideração, esforço de compreensão e atenção. Tal e qual como os demais (povos ou adultos) fizeram connosco quando éramos pequenos. E que faz com que ainda o sejamos. Senão menores, de geração para geração. E menos capazes de vencer os obstáculos que naturalmente o mundo livre e a livre evolução nos colocam, ao almejar os patamares de consciência socioeconómica, identidade cultural, emancipação e sustentabilidade a que temos direito… Ou não temos, e quem está enganado sou eu.


Joaquim Castanho  

2.03.2015

O DOM DE LER




Não há tempo mau nem bom,
Ser que não possa ser (melhorado);
Que quem de ler tiver o dom
Pode fazê-lo em todo lado.

J Maria Castanho
:D ƸӜƷ ♫♪✿♣♦☀♫♪Ÿ♫♪ ✿♫♪☀♫♣♦♪ ƸӜƷ (Y)

1.20.2015


       
“Quando te escrevo o nome no recheio das horas mastigo os minutos com redobrado prazer, lenta e demoradamente, saboreando a liquidez analógica do tempo como um néctar de excelência. E defino-te  sempre com a alma cheia de nós ainda mal despertados, os corpos por desenrolar do enleado da noite, sílaba a sílaba e poro a poro, na sofreguidão desacautelada da mútua dádiva/entrega que nos tornou irrefutáveis.  Foi o nosso naufrágio incontinente.
        Agora, se houvesse como dizer-to, a eternidade seria apenas o dia seguinte. Assim, escrevo-to, e ela é sempre a mesma noite, embora repetida dia após dia sem cessar, confluindo inequívoca para cada segundo de ti.”

In JOAQUIM CASTANHO, Dizer A Eternidade    

10.14.2014

“(…) para desempenhar bem o papel de socialista é preciso ser-se milionário (…)”



In IGNAZIO SILONE, Vinho e Pão

8.27.2014

AJEITAR O BANCO SEM MEXER O TRASEIRO



No dia em que o BES desceu à terra, Bento criou um banco novo – esse São! –, como prova inequívoca da separação entre o poder político e o poder financeiro (lusitanos). Coisa notável e inaudita, não haja a mínima dúvida, se dirá, pelos cochichos das frondosas ramadas, cuja grandeza só é comparável aqueloutro em que o pleito académico portuga descobriu a pólvora prò fósforo, mas dando-lhe um novo nome, tão novo, tão novo, mas tão novo, que até lhe chamou empreendedorismo. 

(E é exatamente por isso que é milagroso e extraordinário viver-se num país assim... A gente voga, saltita, de inovação em inovação, de descoberta em descoberta, quais libelinhas de nenúfar em nenúfar, mas sempre dentro do mesmo pântano [político] desde 1385...)

Não raros recordarão esse dia, quiçá saudosos e sonhadores como as leitoras e damas de Dinis ou Camilo, em que as suas empresas ainda tinham trabalhadores, trabalhadores que evoluíram e viraram empregados, e empregados que cresceram e se tornaram colaboradores, mas que não se deixaram adormecer no estatuto e se libertaram do jugo assalariado, via declaração de despedimento sem justa causa, para integrar a causa superlativa dos desempregados com subsídio, como se fazia no bom velho tempo das unanimidades corporativistas e dos trabalhos sazonais, em que essa casa nacionalizada ia benzendo aqui e ali os créditos ao PIB.

E o que comprova, mais uma vez, que banco novo assente em pântano antigo, quando mais engorda mais se enterra, arrastando-nos consigo, principalmente porque não é lá por avó ser nova que lhe podemos chamar neta.    



J M C

8.25.2014

À MODA DO NÃO



Os portugueses podem estar descansados, pois têm uma classe política, trabalhadora e abnegada, que vela por eles. E vela tão bem, com tanto tino, zelo e empenho; tanta garra, valentia e veneta, que mesmo de férias a sua arremetida agendou mais TRÊS reuniões parlamentares extraordinárias TRÊS, a fim de aprovar os cortes salariais da função pública e o Orçamento Retificativo. Sessões essas, diga-se em abono da verdade, que aliviarão os cofres da nação em quase 100 mil euros, dos quais 50 mil irão diretamente para os seus bolsos, mais coisa menos coisa, em deslocações e ajudas de custo, e para todos os deputados sem exceção de credo, cor ou raça – note-se, e sem melindre de ala, que aqui, sim, há moralidade…

A coisa, garantidamente, vai ficar baratinha – apenas uns trocos, se dirá –, por quanto, a estadia dos ditos que deputam na capital mas de fora do distrito de Lisboa são, não irá além dos 70 € por cada bico, e com viagens abonadas a 36 cêntimos, por quilómetro, que até ela tenham de percorrer desde o seu Lar Doce Lar, ainda que este diste no além das esquinas do retângulo à beira-Europa periferado.  

100 mil aéreos por duas reuniõezinhas, mais uns extras para comissões disto e daquilo, é uma verdadeira pechincha para a nação, convenhamos. Senão, experimentem opor-se-lhes, que eles entram em greve, e depois é que vão ser elas… Até a Troika se benzia num vá-de-reto de quem mais dá!  


J M C

7.01.2014

DIAGNOSTICA, DIAGNOSTICA, E VÊ NO QUE TE FICA


Afirmou o popularíssimo Nicolau Maquiavel, no seu não menos popular O Príncipe (Edições Europa-América, 2ª Edição, pág. 20 – Lisboa, 1976), que "ao princípio o mal é fácil de curar e difícil de diagnosticar, mas, não sendo diagnosticado nem curado, torna-se, com o tempo, fácil de diagnosticar e difícil de curar." A atual crise política e económica que atravessamos é um exemplo incontestável da veracidade da sentença, ou conselho, como quer que o entendamos, e muitos outros casos encontraríamos que corroboram a evidência do enunciado. Nomeadamente, o da abstenção e apatia política dos portugueses, bem como o elevado índice de corrupção da maioria dos países do terceiro mundo e em vias de desenvolvimento.

A lusatinidade abstencionista retirou toda a legitimidade a qualquer órgão de soberania nacional que dependa, direta ou indiretamente, de eleições. Um país que atingiu mais de 66 % de abstenção, isto é, superior a dois terços do seu eleitorado, só não colapsa ou é conquistado pelos vizinhos se lhes ficar, a eles, mais caro ocupá-lo do que deixá-lo extinguir-se paulatinamente. Se o Reino Unido e Espanha, ou mesmo os Norte-Africanos, não nos pegam, é porque reconhecem que lhes ficaríamos demasiado caros para o pouco rendimento que lhes proporcionaríamos alguma vez, e porque sabem que a UE se prepara para concretizar o seu projeto de Europa das Regiões, fazendo-a ela por eles, anexando-nos sem o mínimo dispêndio, por exemplo à Ibéria, ao Baixo Mediterrâneo ou ao Oeste Atlântico... E de nada serviria rabiar como se faz agora com a Troika, sobretudo porque depois de termos recorrido a ela para sustentar o orçamento do Estado, perdemos toda e qualquer autoridade moral para o poder fazer com determinação e consequências positivas… Certo? Quem vai prò mar, avia-se em terra.

Isto é: onde é que estão os iluminados defensores da inércia nacional e do deixa-arder- -que-meu-pai-é-bombeiro que difamaram e se eriçaram contra os que alertaram acerca da insustentabilidade e despesismo das políticas governamentais dos últimos 20 anos? A lamentar-se por seus netos não terem emprego, não obstante os elevados níveis de formação e competências que tenham conseguido...? Ou nos lares a deitar euros prà fogueira das caldeiras da nova indústria lusitana: os cuidados continuados. Perdemos o saco e o atilho, uma vez que dois terços dos portugueses se estão nas tintas prò país, e outro terço também, considerando que a maior parte dos que votam, não o fazem para o defender, mas para o explorarem melhor, partilhando o poder. E se, quando a abstenção rondava “apenas” os 40 % tivéssemos tomado providências, embora o diagnóstico não fosse tão explícito, o mal ainda era sanável sem recorrer a políticas de choque. Mas agora, com este enredo, tanto faz berrar, como não berrar, que não temos outro remédio, senão chupar no dedo!    


Joaquim Castanho        

6.10.2014



O QUE VÊ O OLHO VAZADO DE LUÍS VAZ?

Vale mais um cidadão ou uma cidadã responsável, íntegra/o, livre, consciente, democrata e participativo, do que um almude de gajos porreiros e meninas bem-comportadas. E isso não é de agora…

Pensemos nos Galileus e Joanas d’Arc que morreram por interferência e ativismo dos gajos porreiros da Idade Média, ou das meninas malcomportadas que sucumbiram às fúrias das tiranas fundamentalistas e vitorianas…

Pensemos nos Einsteins que abandonaram a escolaridade obrigatória e ingressaram no mundo da marginalidade para que os meninos porreiros e as meninas bem-comportadas pudessem exercer melhor o seu porreirismo e desfile de apetecíveis e prendadas bonecas para saciar os tradicionais apetites veteranos regimentais e praxistas…

Pensemos nos bárbaros que se evadiram das galés fenícias e romanas e construíram e povoaram os castros pré-lusitanos do interior da Ibéria em cujos descendentes depositaram a sede de dar novos mundos ao mundo…

Porém, as imaculadas e manteigueiros continuam a saciar a sua fome com o unto que escorre das fogueiras da atualidade. Até quando?


Joaquim Castanho  

6.09.2014

ÁGUA, PARTICIPAÇÃO E CIDADANIA



Dos mais fundamentais e preciosos bens que integram o conjunto dos ecossistemas terrenos (e da ecosfera), a água é imprescindível, ou seja, aquele sem o qual a vida no planeta não seria possível. O ouro azul. A causa de discórdias e desmandos por esse mundo fora, pomo de discussões, litígios, usurpações, envenenamentos e adulterações, ou passível de gerar conflitos armados à escala regional, local ou entre nações/entidades vizinhas, pois que, não obstante a sua abundância momentânea, é sempre um bem escasso. Apesar de todos apesares, e de o “planeta azul” se encontrar coberto dela, a verdade é que, desse imenso universo hídrico cognoscível e verificável, constituído pelas grandes massas de água salgada dos mares e oceanos, apenas 1% do seu volume total está ao alcance dos homens e mulheres em condições viáveis de utilização e usufruto na satisfação de suas necessidades de consumo, bem como dos demais seres vivos e ecossistemas dos quais dependemos em absolutérrimo grau, e sem que se vislumbre outra qualquer alternativa num futuro próximo (ou longínquo).

E é, pois, dessa infinitamente ínfima parcela que todos dependemos, não só para beber e higiene, como igualmente para produzir e confecionar alimentos, para a pecuária e agricultura, para o vestuário e para o turismo, para a indústria, comércio, desporto e lazer, sendo lugar-comum a conclusão de que nenhuma atividade humana haver que se possa ter sem o seu contributo (direto ou indireto) – exceto respirar.

Por conseguinte, é legítimo que cada homem e cada mulher, cada cidadão e cidadã, sinta a necessidade de salvaguardar a água, enquanto bem e recurso, uma vez que ao considera-la insubstituível, se outorga simultaneamente depositário de um direito essencial, inalienável da espécie, enfim, um direito acessório e inextricavelmente indissociável do próprio direito à vida e à dignidade da pessoa humana, que, grosso modo, o investe consequentemente também do direito de saber onde e como ela gasta, utilizada ou armazenada, à semelhança do que lhe assiste, por exemplo, saber acerca do destino de seus impostos e património sociocultural, identitário, bem como de saber em que condições se encontra e que está a ser feito para aprovisionar a suficiente para todas as suas necessidades e stocks.

Ser cidadão e cidadã responsável, emancipado/a, democrata, consciente, interessado/a pelo seus futuro e dos seus descendentes, ou demais seres, a tanto obriga, e não há como evitá-lo ou disso abdicar. Logo, quando qualquer munícipe deixa de se interrogar e de inquirir as instituições públicas quanto à forma como está a ser utilizada e gasta a água disponível no seu habitat, não está a ser um gajo porreiro nem uma menina bem-comportada, antes pelo contrário, está a ser uma pessoa negligente, sociopata em potência e ato, criminoso por omissão e fuga às suas responsabilidades políticas, sociais e pessoais. E até pode nem ser considerado chato e picuinhas, como os pseudo-humanóides gostam de apelidar todas quantas e todos quantos pedem esclarecimentos e se preocupam com essa matéria essencial à vida; mas isso significa que são menos malcomportados e malcomportadas ou mais porreiros e porreiras do que quem não exige e manifesta qualquer curiosidade em sabê-lo. Porque isso é que é ser cidadão e munícipe interessado, ativo e democrata. E, sobretudo, moderno e participativo. Certo?


Joaquim Castanho 

6.08.2014

MUITA CHUVA E POUCA PARRA



Pese embora, no presente ano, estejamos a verificar uma pluviosidade acima da média, no que toca ao Alentejo, quero eu dizer, o que é certo, é que a ONU continua a referir nos seus relatórios oficiais que existe uma relação direta entre a escassez de água e o subdesenvolvimento, que o mesmo é dizer, que o desenvolvimento depende em grande parte da sua fartura, e que a pobreza, a fome e a doença, que afetam boa parte da humanidade, e que pode vir a afetar cada vez mais pessoas num futuro não muito longínquo, tem causas enraizadas nas alterações climáticas e dos impactos destas nos aprovisionamentos hídricos dos povos, mas também, e principalmente, nos modelos de gestão da água que os governos e governâncias vão adotando, bem como do planeamento que estipularam para este recurso.

Um terço da humanidade está ainda com problemas no seu quotidiano devido ao abastecimento de água potável, e um quinto enfrenta mesmo uma luta permanente pela própria sobrevivência, ou a do seu agregado familiar, que obriga, em não raros casos, a deslocações diárias de várias dezenas de quilómetros até ao poço mais próximo, gastando nelas bastas horas úteis do seu dia solar, às vezes só para descobrir que esse poço, afinal, secou, e que é preciso ir mais adiante uns quantos quilómetros, para alcançar outro e conseguir alguns litros de água que permitam sobreviver mais alguns dias, com inequívoca frugalidade, é óbvio, e que essa quantidade que para os ditos povos é preciosa, não passa ela, todavia, para os habitantes dos países desenvolvidos, de uma mera descarga de autoclismo, sugerindo-nos quão banais podem ser as necessidades dos outros desde que as nossas estejam satisfeitas.

Porém, isso é uma mentira de todo o tamanho. No mundo atual, quando uma população está em dificuldades, no que concerne aos recursos naturais, significa que aquelas, que o não estão pelas mesmas razões, não estão livres de o virem a estar, antes pelo contrário, pois a roleta das alterações climáticas pode acertar no seu número, e a sorte virar azar, com a rapidez característica que concedemos a tudo o que é inesperado, e de desenvolvidas passarem a subdesenvolvidas, com agravante de se encontrarem menos resistentes a essa escassez, uma vez que a fartura seja do que for nunca preparou ninguém para a sua falta. Isto é, não é pelo fato de ter chovido abundantemente que podemos achar razão para gastar água a rodos, regando jardins e relvados mesmo quando não precisam de ser regados, simplesmente porque não queremos dar-nos ao trabalho de alterar/regular o agendamento/planeamento do aspersor de rega automática, porquanto a dita água pode ou não vir a faltar, sem dúvida, mas o que também é indubitável é que autarquia que a desbarata vai ter que a pagar à empresa fornecedora, e que essa verba desperdiçada podia ser utilizada a suprir necessidades reais dos munícipes que tutela, sejam eles idosos ou criança, desempregados ou desabrigados. Principalmente porque se a chuva é para todos, já a água é só para quem pode. E, como ditam as crises, quem a merece. É que, frequentemente, a parra fica curta, quando a vergonha é grande… Entendido? É por isto que gosto tanto da minha gente: só com meia palavrinha, e já a verdade toda veio ao de cima!    

Joaquim Castanho

6.06.2014

BIODIVERSIDADE E EVOLUÇÃO



A floresta espontânea e as espécies da flora portuguesa, entre as quais podemos destacar, pela nobreza do porte e notada significação ambiental, cultural e económica, o grupo das quercíneas, a que pertencem todos os carvalhos, como o carvalho cerquinho, alvarinho ou roble, o carvalho negral, mas também o sobreiro e azinheira tão vulgares no nosso território, que, por se encontrarem inequivocamente adaptadas à nossa realidade e cotidiano, apresentam um elevado fator de sustentabilidade aos níveis da conservação da natureza, do equilíbrio climatérico e da qualidade do ar, fixando o CO2, concorrendo assim para estabilidade e recarga dos aquíferos, para a preservação e para a regeneração dos solos, bem como agindo no combate aos incêndios pela reconhecida resistência e capacidade regenerativa que todos lhe constatamos.

Árvores que estão connosco desde as origens dos tempos e que, por isso mesmo, fazem parte da nossa cultura, da nossa história, da nossa identidade, não só desde os tempos em que a castanha e a bolota eram uma componente fundamental da nossa dieta alimentar, porquanto se podiam denominar a batata da nossa antiguidade e idade média, que só veio a integrá-la após os descobrimentos quinhentistas, mas também por fazerem parte da nossa memória, do nosso imaginário e poética, do nosso património material e imaterial, da nossa religiosidade como da nossa onomástica, quer nos nossos nomes como na toponímia dos lugares, como por exemplo, da "capital" do Alentejo, Évora, cujo nome deve a um étimo de origem céltica, eburone, que significa teixo.

Contudo, e não obstante, esta floresta, autóctone e de geração espontânea, desempenha também e ainda um papel económico e social de relevada importância, com significativos reflexos no setor agroindustrial e energético, que, mas não excluindo, vão muito para além da simples e generosa produção lenhosa, alimentação de gados de insuspeita qualidade, ajudando inclusive à produção de mel, frutos e aromáticas, atividade cinegética e turismo de natureza, pelo que geram emprego e riqueza, justificando assim que o mundo moderno e civilizado lhe atribua um estatuto legal conforme a sua importância e lugar ocupado no ecossistema, como o (a)dote também como símbolo de resiliência, atualização e combatividade que melhor espelha a natureza e caráter das gentes alentejanas.   

Honremo-la, portanto, pelo que ela é, mas também por quem somos. E não a condenemos à solidão e ostracismo, e sobretudo, permitam-nos deixá-la conhecer novos vizinhos e companhias. Pois é esse o desígnio e o desafio do futuro, irradiando definitivamente as monoculturas que sufocaram durante anos e anos as florestas autóctones e espontâneas, como foi o caso dos eucaliptos e pinheiros bravos, facilitando agora a multiplicação de oportunidades e espécies gerada pela biodiversidade, que sugere ser a única forma de acrescentar sustentabilidade ao nosso ecossistema, a de propiciar multiplicidade e diversão ao que já é por si mesmo múltiplo e diverso.


Joaquim Castanho    
AS VANTAGENS DA FLORESTA ABERTA E DA BIODIVERSIDADE




Se é verdade que apenas uma árvore não faz a floresta, o que também é incontestável, por igualmente verdadeiro, é que uma só espécie, por mais rentável e generosa que ela seja, jamais gerará a biodiversidade suficiente e eficaz para se alcançar a sustentabilidade do ecossistema desejável, a fim de conseguirmos o equilíbrio da ecosfera, bem como a eternidade da vida, da qual a humanidade é a estratégia com maior sucesso no universo, de acordo como atualmente o conhecemos.

A floresta é um espaço de riqueza, e valioso património ético, cultural, natural e ambiental, além de inequívoca fonte de vida e habitat comum a uma multidão de espécies, que será tanto mais precioso, mais forte e resistente, tanto mais saudável e produtivo, quanto maior número de possibilidades e oportunidades biológicas em si encerrar, enfim, quanto melhor apetrechado estiver pelo alargado e aberto leque da variedade das espécies autóctones ou não que pertencem à nossa flora (regional e local).

Portanto, convém sublinhar, com vista a definir-se plausivelmente que tipo de floresta queremos para a nossa região, como ordenar o território em sua consequência, de maneira a que mais nos beneficie, e às restantes regiões portuguesas/europeias, que ao invés de excluir (eliminar) todas as espécies [invasoras] exóticas dos campos alentejanos, como aconselha o conservadorismo nacionalista fundamental e bacoco, importa sim reconhecer a mais-valia ambiental, económica e social, que representam as espécies que a natureza já selecionou como sendo as melhor adaptadas aos nossos diferentes biótipos, aos nossos climas e solos, às nossas condições edafoclimáticas, que, por serem mutáveis e terem sofrido considerável alteração na última década, estabelecem e propiciam uma nova linha de entrada de flora, tanto de forragem, como cerealíferas, frutícolas e florícolas, estrangeira, logo incomum, que provado está melhor servirem os interesses do nosso ecossistema e habitats, quer do ponto de vista turístico, decorativo e paisagista, como na exploração direta racional e sustentada, no sentido de contrariar a acelerada desertificação do interior e baixa densidade populacional, bem como combater as assimetrias verificáveis que estimulam o êxodo da população ativa para regiões onde possam desfrutar de maior qualidade de vida. 



Joaquim Castanho   
Política de Coesão e Portugal



No período 2014-2020, Portugal irá gerir onze programas operacionais no âmbito da política de coesão da UE. Sete programas operacionais regionais irão receber financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e do Fundo Social Europeu (FSE). Um programa operacional temático irá receber financiamento do FEDER, do FSE e do Fundo de Coesão. Dois outros programas operacionais temáticos irão receber financiamento do FSE. Finalmente, um último programa operacional temático irá receber financiamento do Fundo de Coesão.

Qual será o montante do investimento da
UE em Portugal entre 2014 e 2020?

No período 2014-2020, a política de coesão afetou a Portugal, aproximadamente, 21,46 mil milhões de euros (preços correntes):

● 16,67 mil milhões de euros para as regiões menos desenvolvidas (Norte, Centro, Alentejo e Açores).

● 257,6 milhões de euros para as regiões de transição (Algarve).

● 1,28 mil milhões de euros para as regiões mais desenvolvidas (Lisboa e Madeira).

● 2,86 mil milhões de euros através do Fundo de Coesão.

● 122,4 milhões de euros para a Cooperação Territorial Europeia.

● 115,7 milhões de euros na dotação específica para regiões ultraperiféricas.

● 160,8 milhões de euros para a Iniciativa para o Emprego dos Jovens.

Destes montantes, o financiamento do FSE em Portugal representará, no mínimo, 7,7 mil milhões de euros. A importância final será definida à luz dos desafios específicos aos quais o país tem de responder nas áreas abrangidas pelo FSE.

Quais são as grandes prioridades de investimento para Portugal?

As prioridades para Portugal serão definidas num Acordo de Parceria com a Comissão Europeia. Prevê-se que as prioridades incluam:
● O aumento da competitividade económica, através do aumento da produção de bens e serviços comercializáveis.
● A promoção do empreendedorismo e da inovação empresarial - desenvolvendo a "e-economia" e melhorando o acesso das PME a financiamento e serviços empresariais avançados.
● O incentivo à transferência de conhecimentos de I&D entre os setores académico e empresarial, reforçando os sistemas de investigação e inovação nas empresas e desenvolvendo um ambiente empresarial favorável à inovação.
● O combate ao desemprego, nomeadamente entre os jovens, através da Iniciativa para o Emprego dos Jovens, melhorando a qualidade da educação e da formação, estabelecendo uma melhor correspondência com as necessidades do mercado de trabalho, alargando as qualificações e as competências dos trabalhadores no ativo e impedindo o abandono escolar precoce.
● A redução da pobreza, através de um melhor acesso a serviços e de apoios à economia social.
● A contribuição para a modernização da administração pública através do reforço de capacidades, e de investimentos no desenvolvimento dos recursos humanos e na governação eletrónica.
● A promoção de uma economia amiga do ambiente e eficiente em termos de recursos: eficiência energética (especialmente no sistema de transportes) e melhoria da gestão dos recursos naturais.

(Fontes:
● Web site da Política Regional da Comissão Europeia

● Web site do Fundo Social Europeu)

5.29.2014

COMEÇAR DO ZERO (OUTRA VEZ!)



Felizmente, o resultado eleitoral do partido cuja lista integrei para o Parlamento Europeu, foi muito pior do que aquele que eu estava à espera. Esse fato libertou-me de todo e qualquer compromisso que me ligasse ao dito partido – o POUS, Partido Operário de Unidade Socialista –, bem como com o eleitorado portalegrense, uma vez que preferiram INEQUIVOCAMENTE votar contra alguém ou alguma força apresentada a escrutínio, do que a favor da causa regional, de si mesmos, ou de alguém que com eles vive no dia-a-dia, comunga das dificuldades e anseios. Seria um mistério insolúvel se eu lhes desconhecesse as causas e preconceitos, ou as vísceras que os governam e parecem imperar sobre os tutanos... Mas não é o caso!

Portanto, apraz-me declarar que não repetirei a proeza de candidatar-me pelo POUS, nem de colaborar com qualquer publicação, em suporte-papel, que tenha a sua origem nesta terra por Baco plantada entre as serras e a planície, que da charneca em flor tão afastada atualmente se encontra. À primeira qualquer cai, à Segunda só quem quer, e à terceira apenas quem é asno. E eu nunca me perdoarei a asneira que cometi, que foi a de exercer os meus direitos de cidadão dentro da legalidade constitucional e democrática vigente, em observância aos conceitos da participação e cidadania, e no respeito pelos valores fundamentais que assistem à formação de uma Europa inclusiva, igualitária, emancipada, solidária, coesa, civilizada e desenvolvida. (Ou, supostamente, tudo isso!)

E não o faço por despeito, ajuste de contas ou simplesmente para racionalizar os péssimos resultados conseguidos. Faço-o porque sou JOAQUIM CASTANHO, nome que não herdei nem me foi dado, mas sim conquistei letrinha a letrinha dia a dia, mês a mês, ano após ano, com esforço e galhardia, de cara limpa, e sem jamais ter prejudicado ou molestado quem quer que fosse, de rosto erguido, frontal e em todo o lado, em transparência absoluta, e sem lhe omitir o mínimo noema ou fonema.


Joaquim Castanho  

5.23.2014



    Um, dois, três

      4, na casa 6. 





    Um, dois, três

      4, na casa 6. 



La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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