Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
12.22.2019
A ARTE ETERNA
A
ARTE ETERNA
A
literatura é lixada...
Quando
lemos, partimos
E
tudo o mais vale nada.
Plo
chão ficam destroços, limos
Vestígios
da enxurrada,
Do
são tsunami em que vimos
Tanta
vez a alma espelhada;
Viagem
com bilhete de ida
Donde
nunca volta quem fomos,
Retalha
a polpa da vida
Dá-lhe
estrutura por gomos.
E
se acaso nos socorre
Com
brisa de prosperidade,
Mata-nos,
contudo não morre
– Que
só ela é eternidade.
Joaquim
Maria Castanho
12.16.2019
ADIVINHA
ADIVINHA
Anexo
à alma universal
Nota
de dívida ou extrato
Remendado
a linhas de bem e mal,
Com
pespontos na bainha do fato
(Que
perdeu o C numa demanda),
Anda
agora a parecer que anda
Mas
só sabe mesmo marcar passo
Jogar
bombas, poluir, terçar aço.
Se
acaso não adivinhou quem é
É
só por ter acertado em cheio,
Dando
ora outro tiro no mesmo pé
Da
pegada com que sujou o meio...
Joaquim
Maria Castanho
12.15.2019
O HORTELÃO DA LIXOSA
O
HORTELÃO DA LIXOSA
Meu
amor é só mistério,
Aberta
gruta num beijo
Lenda
passada a sério...
Mas
em três libras vertida
Desse
ouro paupérrimo
Que
é ilusão bem sentida,
Visão
em brocado vestida
– Linda
moura encantada.
Foste
élan vital e vida
Cada
vez qu'ergui enxada,
Tantas
vezes nesta lida
Noutras
tantas imaginada.
SUBLINHADAS RIMAS
SUBLINHADAS
RIMAS
Com
identidade perfumada,
Agrupas
sentires dispersos
Onde
a vida será amada.
Libertas
os sonhos submersos
Pela
sisudez estagnada,
Mostrando,
se são perversos,
Como
torná-los só uns versos
Que
entoam paixão calada...
Então
esculpes um cuidado
Feito
pelos cheiros sem flor,
Num
odor subtil, perfumado,
E
escrevo poema cruzado
Apenas
com rimas de amor.
Joaquim
Maria Castanho
12.13.2019
CADÊNCIA EXISTENCIAL
CADÊNCIA
EXISTENCIAL
Toda
a prática indica
Qu'onde
poesia faz prosa
A
existência tremelica,
Trepida
onda aquosa
Que
a moda multiplica...
Se,
por bem, vira glosa
Mas
por mal nem se explica.
Assim,
é vera opinião
Lógico
efeito e causa
Qu'o
amor nunca faz pausa
– Bate
conforme o coração.
Se
grande, então acelera.
Porém,
se maior... espera.
Joaquim
Maria Castanho
12.09.2019
CHEIAS NATALÍCIAS
CHEIAS
NATALÍCIAS
Meu Deus, por que há gente assim...
Por que me castigas deste jeito?
Gente que amo, mas me não ama a mim
Embora acenda rubra lava em meu peito!
E nesse desencontro d'encontros feito
Marginal à ânsia, e ao desespero
Meu rio bravo, revolto, corre a eito
Lavand'as margens do sonho com esmero.
Arquiteto de belezas existenciais
Como Senhor das profundezas rotundas
Exige qu'o amor ame cada vez mais,
Cave certezas nas dúvidas profundas.
E então penhora, cobra bens marginais
Silentes ao afeto com que me inundas.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
12.04.2019
A BANDEIRA UNIVERSAL
BANDEIRA
UNIVERSAL
Era como se um móvel, porém assim
Com prà'i mil gavetas e gavetinhas...
Umas bem trancadas e pequeninas;
Outras, de tão amplas pareciam sem fim.
Aqueloutras só abriam com segredo
E ninguém saberia como as fechar;
E podia acontecer que só plo medo
As fechaduras viessem a emperrar.
Nessas, perdíamo-nos no interior
Embora noutras mal pudéssemos entrar;
Mas a mais acolhedora era a do amor
Ond'éramos desejados antes de chegar.
Um móvel quase redondo, achatado
Aqui e ali, nalguns pontos enrugado
Noutros lasso, plano, tal como um pano
Bem passado de seda, lona ou caqui.
Joaquim Maria Castanho
12.01.2019
ANO NOVO ESPERANÇA NOVA
ANO
NOVO ESPERANÇA NOVA
Úrsula
von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (CE), que inicia hoje
o seu mandato, decretou como direção de trabalho, para si e demais
26 comissionários que a secundam nas funções, a de colocar a União
Europeia (UE) na liderança mundial do combate às alterações
climáticas, promovendo a transição geracional para a neutralização
carbónica, dentro de uma sociedade obrigatoriamente justa e
inclusiva, da qual a sociedade portuguesa é uma parcela
inequivocamente próxima para todos e todas que se expressam e
entendem em português, independentemente do grau açucarado de suas
pronúncias. E isto não tem volta, embora haja quem insista
(obtusamente) em contrariar a diretriz, reivindicando-se saudoso ou
saudosa disto ou daquilo, enfim, de tudo quanto, já nos tempos do
António Mourão, era mais velho que a Serra d'Ossa, intitulado Ó
Tempo Volta Pra Trás, porquanto não voltou naquela altura e muito
menos o fará agora. A brecha entre o passado e o futuro está cada
vez mais larga, não só porque a duração da vida é maior, mas
também porque a humanidade aumentou o seu grau de literacia e
consciência cívica, bem como o presente se solidificou e a
determinação racional é superiormente objetiva.
Portanto
a grande questão a que a atualidade nos convoca, já não é saber
se queremos ou não combater as alterações climáticas, mas sim se
ainda vamos a tempo para o fazer e como agir para minimizar os danos
que esse atraso está a provocar. A economia verde, o Green Deal
(Pacto Ecológico Verde) e a redução em 50% das emissões de
dióxido de carbono, por tardios, podem não chegar para atingir os
parâmetros do Acordo de Paris – manter o crescimento do
aquecimento global abaixo dos 2 graus celsius --, pelo que a maioria
das organizações e instituições científicas credíveis nesta
matéria aconselham uma redução mais significativa, na ordem dos
65%, por exemplo, até 2030.
A
UE prepara-se para dar um passo importante no combate às alterações
climáticas e pugnar pelo equilíbrio da ecosfera, mas se não for
acompanhada nesse movimento pela China, EUA e restante países da
América do Sul, de África e da Ásia, sujeita-se a marcar passo e
ficar sozinha nessa frente, o que é um desperdício de esforço,
capital e boa-vontade, uma vez que os resultados visíveis serão
nulos, pouco objetivos e ineficazes nesse combate que deveria ser
global, considerando que vai beneficiar o planeta e toda vida que
alberga. A neutralidade carbónica é essencial para alcançar
melhorias visíveis acerca das alterações climáticas mas, conforme
se verificará, mesmo que alguns países reduzam em 80% as suas
emissões de dióxido carbono, se os seus vizinhos e vizinhos de seus
vizinhos não colaborarem, não passará de mais uma pedrada no
charco, provocando algumas ondinhas à superfície, o que significa,
tal como na anedota do ébrio que tinha bebido vinho tinto e vinho
branco em igual abundância, ao cambalear para passar numa ponte,
tanto os países ricos como os países em vias de desenvolvimento, se
se não entenderem, nesta questão, o mais certo é irmos todos e
todas prò charco, enfim, entrarmos num viagem às catacumbas do
inferno sem regresso possível.
Úrsula
von der Leyen é uma batalhadora sensata e positiva, bem acompanhada
e esclarecida nas intenções, capaz e eficiente, com provas dadas e
com entrega total ao seu míster. Acredito que tudo fará para
conseguir superar estes desaguisados e imaturidades que nos entravam
ainda o progresso e sustentabilidade planetária. O Parlamento
Europeu já declarou a emergência climática para lhe facilitar a
tarefa, dando o pontapé de saída nesse combate, mas seria agora
tempo de os restantes parlamentos dos países europeus se lhe
manifestassem solidários, subscrevendo e outorgando nesse sentido a
sua cumplicidade plena, objetiva e prática, incluindo o nosso,
sobretudo porque está localizado em Lisboa, que foi escolhida como
Capital Verde Europeia para o ano 2020, ainda que outras razões
imperativas não tivesse... Será que vão demorar muito a fazê-lo
ou preferem antes dar-nos uma prenda de Natal concreta e valorosa?
Seria como recarregar a bateria da esperança para entrarmos no Ano
Novo.
11.22.2019
A SEARA DO VENTO
A
SEARA DO VENTO
Antes
ou depois de nós
– É
o sol quem o indica... –
Se
uma fala se faz voz
Até
escuridão explica.
Explica
entre as cores,
Naquelas
que levantam voo,
E
vão onde quer que fores
A
soar como ninguém soou.
Tanto
rolas como folhas
Procuram
o seu lugar,
Até
que tu te recolhas
– Até
qu'aprendas a voar.
E
nesse dizer do vento
Qu'ora
sopra, ora para,
Nada
morre por intento;
Só
é húmus, se momento
Que
no livre céu siara.
Joaquim
Maria Castanho
11.20.2019
POESIAS & SECRETARIAS
POESIAS
E SECRETARIAS
Deram
três rebuçados ao interior...
Todavia
as sementes nunca se plantam!
Porque
para semear, antes alqueivam
E
já quem está a plantar, está a dispor.
Que
isso de fazer crescer não tem autor
Embora
tenha autoria, s'o inventam
Não
pelo que copiam, nem que anexam
Mas
plo que se faz sem ser troca de favor.
É
regredir pôr a corte atrás do pagem
Por
melhores que lhes sejam as intenções,
Pois
quando o feijão não vem da vagem
É
por que vem da cozinha das ilusões.
As
autorias são par'aqueles que fazem
Não
pròs que são somente seus vendilhões.
Joaquim
Maria Castanho
11.16.2019
AS BOLHAS IMACULADAS
AS
BOLHAS IMACULADAS
“Tudo
o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós,
porque esta é a lei dos profetas.” – Mateus 7, 12 e Lucas 6, 31
Acautelar
a biodiversidade, qualidade do ar, recursos hídricos, economia
circular, tratamento de resíduos, gestão racional dos recursos
biológicos, seriedade na gestão e ordenamento do território,
remoção dos plásticos de fundo do mar e albufeiras, acuidada
conservação da natureza, bem como ter uma regrada agricultura e
produção animal, são etapas de um processo contínuo de combate às
alterações climáticas, que devem ser mitigadas, com vista a
garantirmos a sustentabilidade ambiental portuguesa, tendo todavia,
em linha de conta, que aquilo que fizermos cá dentro, nesse sentido,
quem mais beneficiará serão provavelmente os outros povos, outros
países, outros habitats, e até outros continentes, tal como, o que
essoutros países, povos, continentes fizerem estará a beneficiar
(ou prejudicar) por sua vez, indubitavelmente a nós.
Borboleteando
de outro modo: o presente não pode alimentar nacionalismos infantis,
caso contrário, vamos todos e todas prò maneta, e enquanto o diabo
esfrega um olho.
Portugal
tem feito a sua parte – e com algum sucesso, pese embora a elevada
dose de incivilidade que predomina em diversos nichos, setores ou
comunidades da nossa tradição secular e incivilizada.
Chegou
a hora de começarmos a pensar não só nos legumes do nosso quintal
e interesses, nesse criancismo egocentrista que é apanágio das
gerações de 70 e 80 da portugalidade vigente, pseudonacionalista
conservadora e radical, para quem a lei e o Estado de direito são
uma espécie de argila para fazer presépios, moldável e manipulável
conforme os caprichos e modas momentâneas. Brincar tem hora e está
na hora de nos tornarmos uns homenzinhos e mulherzinhas responsáveis,
íntegros, conscientes, emancipados, fraternos e determinados. É que
se o não fizermos deixamos de ter razão para reclamar quando os
demais países ou povos – como é exemplo dos BRICS (Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul), se estiverem a borrifar
para toda a gente e planeta, aumentando categoricamente as suas
emissões de GEE (gases com efeito de estufa – CO2, óxido nitroso
e metano), em nome da sua economia e crescimento demográfico.
Somos
uma pequena bolha, é verdade, perante o universo e seus buracos
negros. Mas importa que sejamos uma bolha sem mácula, um exemplo de
clareza e transparência, para que possamos refletir a nossa
maturidade humana e democrática. Porque somente assim seremos
princípio, meio e fim aos olhos do mundo.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
11.15.2019
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