11.19.2016

LETRA Q




LETRA Q 

Quando queremos quase e enquanto
Aproximação ao querer que é querendo, 
Quota-parte do ser em qualquer sendo
Questionamos qualidade e encanto
Ao querido, desejado, mas nele tendo
Outro sentido, que não o querer puro,
Pois queremos que nos queira também... 
Tem seu quê relativo, pouco seguro
Em queda já, sem quaisquer votos de quem
Dá ao querer um não-sei-quê de futuro
Que toda esperança quando quer, tem. 

Que o possa ver, requer que mais alguém
Veja, que mais alguém o note e queira
Como querença – e de qualquer maneira! 

Joaquim Maria Castanho  

11.18.2016

LETRA P




LETRA P 

Produto de partilha, a poesia
Põe, dispõe ou reproduz, mas por parcelas
O que apenas suprema, ela poderia
Possuir de próprio, e por profundo… 
É a prata de quem pelo dizer porfia; 
É ponte, é projeto, é vento e velas; 
É o espelho do que pode ser o mundo
Nas suas alegrias, magias e mazelas. 
Porém, podendo ser tudo e muito mais, 
Quer seja poder, como pleito sentido, 
Presta-se também a ser para jograis
O que nem imaginaram sequer ter podido: 
Porta que lhes dá direito de perdura
Em toda parte – até em literatura! 

Joaquim Maria Castanho

11.17.2016

LETRA O




LETRA O 

Ouço o teu rosto redondo, em osmose, 
Como no sonho, e omisso me socorro
E me decoro, e oponho, ao sono, à pose
De oximoro, se afirmo e nego, se morro
E vivo, em contradição, apoteose
Que ocorre logo que oco recorro
A outro rosto, procuro hipótese 
Provável de substituí-lo (de novo), 
Génese e ovo dos modos que absorvo, 
Louvo, somente saudoso dele, de ti… 
Porque o amor, o universo, é isso
Só isso, o teu olhar, forma e esquisso
Que conforma rota ao meu, pondo-o aqui
A focá-lo, sem sufocar como te vi. 

Joaquim Maria Castanho 

11.16.2016

LETRA N




LETRA N 

Nos teus lábios, língua languescente
Se aninha, letra no meio de nós assim
Que não nega renascer no ocidente
Nem faz, ou nem afirma, tão-só porque sim. 
E se no início é naipe exigente
Linha anil ou nesga de sonho no marfim, 
Nácar de ninfa no nenúfar tremente
Ante a corrente cristalina e de cetim, 
No fim é destino, melodia divina… 
Encantamento num’alma peregrina
Sem promessas por pagar nem por receber; 
Mas acatando sempre se o olhar ensina – 
Porque no inaudito nasce bem-querer! 

Joaquim Maria Castanho  

11.15.2016

LETRA M




LETRA M 

Mais que mistério, mais que magia, 
Mais que momento, são os teus modos
De solucionar medíocre mediania 
E o sem poesia dos dias incómodos; 
Dos dias menos, tardios, serôdios 
Que mumificam as almas, se desfias
Missangas num rosário de Marias
Mudas pròs mundos – mundanos quase todos. 
E que é essa maneira que é só tua
De resumir hemisférios de humor, 
Multiplicando numa forma contínua 
O quadrar alegria pla redondez do amor; 
Pois muitos dias poderá ter um dia, 
Mas só se te vejo, neles, há poesia! 

Joaquim Maria Castanho

11.13.2016

LETRA L




LETRA L 

Lídima lealdade na leitura 
Das sílabas dos lugares e ligações, 
Legítimo salto-cavalo, moldura 
De lótus, de lis, de lírios e de leões 
Que limaram e sublimaram tradições, 
Deltas iluminados, luz ou figura; 
Sombras a deslumbrar plateias, ilusões 
Com realidades dentro se em nós dura
A nobreza leve, nobre sentimento. 
Cinquenta linhagens universais
De áspides e ninfas, cujo cruzamento 
Concedeu a humanos e comuns mortais
O dom da entrega e arrebatamento  
Em ser frontais, sem deixar de ser leais. 

Joaquim Maria Castanho

11.12.2016

CAPA do Livro MOMENTOS DE POESIA

Eis a capa do livro de celebração do décimo ano de Momentos de Poesia, a ser lançado no próximo dia 20, pelas 15:30 horas, no Hotel José Régio, em Portalegre, e que reúne a participação de 48 poetas e poetisas da nossa atualidade.
Este momento será constituído, além da apresentação da obra, também por alguns apontamentos musicais, corais e poéticos.

LETRA K





LETRA K 

Caderno trinta três na ordem suprema;
Tipografia avançada e em escala; 
Isolado, deitado, é nosso tema
Quando na língua, a escrita fala. 
Do cuneiforme ao digital emala
A bagagem – da humanidade a gema –, 
Que à ficção e fantasia dá “olá kala”
Mostrando as obras, mas não a arbitragem.
Só surgiu no mundo por necessidade
Mas imperou como a razão do meio, 
Oferecendo a Gutenberg a veleidade 
De ser do globo a esfera como o veio; 
Sucumbiu às catacumbas da idade
Pra fazer alegretes de bonito e feio!

Joaquim Maria Castanho 

11.10.2016

LETRA J




LETRA J 

Joias de Salomão justificadas
Em tesouros de justa preciosidade, 
Não teriam sido essas guardadas
Mas sim quem as guardou como verdade. 
Pilares da civilização, juradas 
Colunas na suma verticalidade… 
Portas do mundo. Cais pra sãs cruzadas, 
Que sustentaram nossa modernidade. 
Que muito mais que os bens guardados
São os sentidos valores aí propostos, 
Pois além de gerarem mil cuidados
São cuidado e aprumo de quem ‘tá a postos
Vigilante, determinado, de plantão; 
E à injúria faz negaça, trespassa 
A intrujice e à trapaça diz que não! 

Joaquim Maria Castanho 

11.09.2016

LETRA I




LETRA I 

Nove III, imperador do infinito
Condómino maior na escala decimal
Senhor do fim, do abismo e do esquisito
Faz saber que todo centro é marginal.
Todo o coletivo é individual. 
Todo o corpo é sempre um espírito.
Todo o silêncio é seu próprio grito.
E todo bem tem seu correspondente mal.

E mais que isso, se decreta agora, 
Que embora diga que és tudo e nada 
(Serviço de urgência, base, escora…), 
Não há prova que existas realmente: 
Só és ponto de partida e de chegada 
– Pintinha de sangue no olho desta gente! 

Joaquim Maria Castanho

11.08.2016

LETRA H




LETRA H 

Hasteada hipótese na humana 
Hipotenusa que já em Hipatia 
(Farol da “Eduba” de Alexandria)
Tinha hélice e elipse, mas a tirana
Hipocrisia emudece em heresia, 
Nem Hipócrates houvera de honrar 
Entre hermanos na deontologia 
E hediondos hospitais da sangria
Ethica e bosta pestilenta pra sarar, 
Ou a fé a fim de queimar e purificar
Quem temesse ou tivesse outro Hades, 
O que entendemos por Hoje foi mudo, 
Calado sob grilhetas ou hostis grades… 

Porém, pra nós, é só o maiúsculo tudo! 

Joaquim Maria Castanho 

11.07.2016

NA VOZ DAS MÃOS


LETRA G




LETRA G 

Ginete gaibéu da ordem solar,
Gólgota genital no grande clímax, 
Gestor do gozo, do grito e da gesta, 
Gigante da gramática e da sintaxe, 
Guru da gleba e pigmeu em festa
Nas grafias globais e do bem voar, 
Governa os governos com geometria 
– Giza planos, estratégias, poesia… 

Branco garimpeiro na argila chã
Gorou egoísmos a gatunos e golpistas, 
E iniciou no negro céu a alva lã
Que gerou os letrados e os artistas;
Que tudo isso é, quem com giz giza, 
Chame-se Geraldo, Babel ou Luísa! 

Joaquim Maria Castanho

11.06.2016

A CASA DO CORPO - II


DA TIMIDEZ (IN)CONCLUDENTE


NAMORO - II


LETRA F




LETRA F 

Fazer isto e aquilo, fisgar, fintar
A fome, a fadiga, o fingimento, 
É afã que nos ajuda a durar
Além do destinado duramento. 
Afagar ficções felizes, e dourar
Fenómenos fugazes, sabimento
Dos outroras, mas que se fez secular,
É afazer – afoitado entendimento. 
Que os feitores das almas humanas
Não fomentam famas sem fundamento; 
Nem se perdem por fulanos e fulanas
Que fulanizam só por fobia vã… 
Fitam frontais invejas insanas
E fazem, e criam, e preparam o amanhã! 

Joaquim Maria Castanho 

11.05.2016

LETRA E




LETRA E 

Ébrio que nem um sonho fugitivo
Dum vendaval de estrelas insanas, 
O sol, que foi rainha do primitivo 
Homem, é ora réstia de semanas. 
O esplendor, pede-o emprestado. 
O calor, vai de oito a oitenta. 
Sorriso? Esse, só se for imitado
Pelo teu, quando me acalenta. 

Ele (que é Ela), tudo cria assim; 
Tudo inventa, alimenta em ser 
– Energia, luz, voo de Fénix e Querubim –, 
É círculo perfeito, ciclo de dizer
A vida, também em ti aprendido
E imitado… mês a mês repetido.

Joaquim Maria Castanho   

11.04.2016

Conjunto de poemas de autores que participaram nos Momentos de Poesia


LETRA D




LETRA D 

Depois do depois, dito agora
Despe-se devagar-devagarinho
Uma árvore que o vento aflora,
E sem demora acata teu jeitinho
De sol, luz em pétalas aspergida
A brilhar em si bemol, pró hino 
Que soa se entoa a própria vida. 
Diz que lançou raízes no destino. 
Diz que deve quanto é A Deus. 
À desdita, porém, nega o caminho
Feito à imagem dos passos teus.

E diz-me a mim, que somente digo
Para dizer quanto te quero bem, 
Que, se puder seguir no vento, sigo
Pra tocar-te, mal ele te aflore também. 

Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português