11.08.2016

LETRA H




LETRA H 

Hasteada hipótese na humana 
Hipotenusa que já em Hipatia 
(Farol da “Eduba” de Alexandria)
Tinha hélice e elipse, mas a tirana
Hipocrisia emudece em heresia, 
Nem Hipócrates houvera de honrar 
Entre hermanos na deontologia 
E hediondos hospitais da sangria
Ethica e bosta pestilenta pra sarar, 
Ou a fé a fim de queimar e purificar
Quem temesse ou tivesse outro Hades, 
O que entendemos por Hoje foi mudo, 
Calado sob grilhetas ou hostis grades… 

Porém, pra nós, é só o maiúsculo tudo! 

Joaquim Maria Castanho 

11.07.2016

NA VOZ DAS MÃOS


LETRA G




LETRA G 

Ginete gaibéu da ordem solar,
Gólgota genital no grande clímax, 
Gestor do gozo, do grito e da gesta, 
Gigante da gramática e da sintaxe, 
Guru da gleba e pigmeu em festa
Nas grafias globais e do bem voar, 
Governa os governos com geometria 
– Giza planos, estratégias, poesia… 

Branco garimpeiro na argila chã
Gorou egoísmos a gatunos e golpistas, 
E iniciou no negro céu a alva lã
Que gerou os letrados e os artistas;
Que tudo isso é, quem com giz giza, 
Chame-se Geraldo, Babel ou Luísa! 

Joaquim Maria Castanho

11.06.2016

A CASA DO CORPO - II


DA TIMIDEZ (IN)CONCLUDENTE


NAMORO - II


LETRA F




LETRA F 

Fazer isto e aquilo, fisgar, fintar
A fome, a fadiga, o fingimento, 
É afã que nos ajuda a durar
Além do destinado duramento. 
Afagar ficções felizes, e dourar
Fenómenos fugazes, sabimento
Dos outroras, mas que se fez secular,
É afazer – afoitado entendimento. 
Que os feitores das almas humanas
Não fomentam famas sem fundamento; 
Nem se perdem por fulanos e fulanas
Que fulanizam só por fobia vã… 
Fitam frontais invejas insanas
E fazem, e criam, e preparam o amanhã! 

Joaquim Maria Castanho 

11.05.2016

LETRA E




LETRA E 

Ébrio que nem um sonho fugitivo
Dum vendaval de estrelas insanas, 
O sol, que foi rainha do primitivo 
Homem, é ora réstia de semanas. 
O esplendor, pede-o emprestado. 
O calor, vai de oito a oitenta. 
Sorriso? Esse, só se for imitado
Pelo teu, quando me acalenta. 

Ele (que é Ela), tudo cria assim; 
Tudo inventa, alimenta em ser 
– Energia, luz, voo de Fénix e Querubim –, 
É círculo perfeito, ciclo de dizer
A vida, também em ti aprendido
E imitado… mês a mês repetido.

Joaquim Maria Castanho   

11.04.2016

Conjunto de poemas de autores que participaram nos Momentos de Poesia


LETRA D




LETRA D 

Depois do depois, dito agora
Despe-se devagar-devagarinho
Uma árvore que o vento aflora,
E sem demora acata teu jeitinho
De sol, luz em pétalas aspergida
A brilhar em si bemol, pró hino 
Que soa se entoa a própria vida. 
Diz que lançou raízes no destino. 
Diz que deve quanto é A Deus. 
À desdita, porém, nega o caminho
Feito à imagem dos passos teus.

E diz-me a mim, que somente digo
Para dizer quanto te quero bem, 
Que, se puder seguir no vento, sigo
Pra tocar-te, mal ele te aflore também. 

Joaquim Maria Castanho

11.03.2016

LETRA C




LETRA C 

Circe transformava homens em porcos; 
Colette deu-lhes ainda menos valor. 
Camões atirou-os prà Ilha em barcos
Reféns, que não viram no mar esplendor. 
Muitos somente queriam escapar; 
Outros, ter a segurança terrena. 
Mal sabiam eles que o infindo mar
Faria da Terra uma, por pequena! 

Triste triunvirato este nosso
(Sorte, Oportunidade e Acaso)
Que dá aos seres “o que só eu posso”
Dos monstros, e de Deus o desembaraço; 
Mais o poder de salto do cavalo
Que faz espesso o que é parco e ralo. 

Joaquim Maria Castanho

11.02.2016

LETRA B




LETRA B 

Já bailam pla natureza da hora
Os bêbados segundos da espera, 
Que quem fica também se vai embora
E, colado ao outro lado, degenera; 
À segunda versão de si proposta, 
Opção e contraste, conforme se aposta
E da face negra a luz recupera. 
Silencio que diz ou fala que cala, 
Que quem é feliz num ai se exala
Mal se descuide ante o querer bem, 
Que seguido ao nome toda flor tem
A pérola que Hamlet nunca bebeu 
– Tendo-a bebido apenas sua mãe… 

Logo, ele ficou; porém, ela morreu! 

Joaquim Maria Castanho

11.01.2016

LETRA A




LETRA A 

Abrevio a sede, abrevio o nome
Se no vaivém do mar oscila rede,
Esperança balança, se consome
Por duas sílabas apenas duas
Não mais, e por letras outras tantas,
Repetindo-se a primeira no fim
Incluindo bem no meio três ruas, 
Subindo ou descendo por quantas
Vogais repetidas tenho em mim.  

Se fosse fruto eram triplicadas… 
Porém, como cor, bisam simplesmente; 
Tal e qual no teu nome espalhadas. 
Do alfabeto é a porta da frente. 
E começo do sentir maior na gente!

Joaquim Maria Castanho

10.30.2016

OUVIR A LUZ




OUVIR A LUZ 

Inebriado pla sede e sofreguidão 
Osculo cada pétala do instante; 
Sonho que também tivera por tua mão 
A razão de ser plena e circunstante. 
A ela deve a fruta o ser doce e sã.
A ela deve o pão seu mister sagrado. 
E por ela o sol nasce em cada manhã
Quente, reconfortante e “iluminado”. 
Tem no brilho mesma forma de sorrir
Que tu tens quando o fazes (natural); 
Mas se fala… Então, é luz de ouvir
Sem sofismas nem fintas pra iludir… 
Só simples, clara e sem outra igual 
– No passado, no presente e no porvir! 

Joaquim Maria Castanho

10.29.2016

ACORDO PRA SENTIR




ACORDO PRA SENTIR 

Discreta, serena, contagiante
Sobre este caminho nítida voz
Abre veredas, a todo o instante, 
Que repetem aquelas versões de nós
Com que costuramos o ser (sem retrós). 

São veredas de arar na alma aberta
Com sílaba corrente prà lucidez, 
Que, se transparente, anseio conserta
Sem pecúlio no contar «Era uma vez», 
Tido por definitivo – coisa certa. 

Porque eu escuto-te SEMPRE e ainda
Bem depois de ter falado contigo, 
E sinto que esse falar nunca finda
Mesmo se plo olhar reitero e digo
Que sentir é uma voz que nos desperta.

Joaquim Maria Castanho 

10.28.2016

LADEIRAS INTERIORES




LADEIRAS INTERIORES 

Já solta e suave coroa ardente
Onda encrespada tubular, arco
Sístole do verbo que diz a parte
Como todo, silente te abarco
E, suspenso, em ti me reparto 
Ósculo após ósculo se acarto
Dos olhos o magma intencional… 

És o meu segredo que toda gente
Conhece; todos sabem que existes. 
Do ar circundante a flor ambiente
(Corola e cálice em que consistes)
Por cujo aroma a pétala insiste
Segar dos sonhos o que seja triste 
– Como o ímpar das estrelas do plural. 

Tenho-te presa dentro do meu grito
A viajar entre o ocaso e infinito
Pelas ladeiras da luz interior; 
Tão intensa, genuína, que acredito
Que és da sílaba a pérola em flor. 
E mais que voz de «Bom dia» ocasional
És ainda o sol veloz, se me permito 
Senti-lo puro, bendito, e normal. 

Joaquim Maria Castanho 

10.27.2016

A MAGIA DA SURPRESA




A MAGIA DA SURPRESA 


A fada que me enternece 
Desaparece ou aparece, 
E enquanto Musa tece
Sempre essoutra dimensão 
Com que o sol às almas aquece
Quer no inverno como verão… 

Faz a magia parecer real, 
Porém, com um encanto tal
Que a realidade é ideal 
Mas sem a sombra da ilusão, 
Que traz às vezes o bem e o mal
Se se instala no coração. 

Das Musas que pela vida há
Só ela tem o dom perfeito, 
De ao vê-la, saber que está
Também dentro do meu peito.  

Joaquim Maria Castanho

10.26.2016

ALCANÇAR AS ESTRELAS




ALCANÇAR AS ESTRELAS 

Às portas do céu, a cavaleira
Celeste, tão celta como moura, 
Interrogou a luz vindoura
E, após curveta, foi certeira 
Flecha, raio divino, maneira 
Que Olimpo tem de falar às gentes
Humanas, soberanas, que do sonho
Guardam cetro, cálice e lanho
Entre auroras e ocasos fulgentes, 
Tendo-lhe respondido (sem voz): 
«És a glória sagrada que há em nós, 
Que nascemos da chama primordial
Múltiplas, aspersões sobre bem e mal.» 

Seus cabelos escorreitos e lisos
De seda quase chumbo nacarado
Em camadas descaídos, precisos
Oscilam plo voo ao azul estrelado, 
E aí brilham feéricos inocentes. 

Osculo-os de pronto, mentalmente 
– Fiel devoção às fadas supremas… –,
E tão inebriado e obediente 
O faço, que brotam flores serenas
A dançar a compasso, e balanço, 
Que também eu às estrelas alcanço! 

Joaquim Maria Castanho     

10.25.2016

A NOVA DEMANDA




A NOVA DEMANDA 

Contundente como um adjetivo 
O advérbio de modo disparou 
À desfilada, o freio nos dentes
Brida arrastando chão na planície
Oh sorraia, baio torrado dos sonhos  
Crina esvoaçando sul desnorteado
Entre estevas, giestas e alecrins. 

Sobre sela de cetim e pele de anho
Traz Viviane o cálice da fertilidade
Senhora das chuvas e das nascentes
Rios e lagos, e das flores sem idade
Caem vertigens das pétalas no clímax  
Se Excalibur em suas mãos chispa o sol. 

Seus raios são capazes de segar a dor. 
Seu ventre explode ao balanço do salto.
Seu olhar emite nova demanda do amor. 

Joaquim Maria Castanho

10.23.2016

O APÊNDICE SOCIAL




O APÊNDICE SOCIAL

Não há Verdade mas verdades
Que a mentira pode corromper, 
Desde qu’ela saiba o que sabes
Embora que não o saibas dizer. 
Viver é algo em que cabes
Sem precisar de te encolher, 
Mas esticam-te em partes ardes
Ou dão-te infernos pra viver. 
«A escolha foi tua», informam
Como se nascesses criado,
Sublinhando o que contornam
Aind’assim não mudes de lado; 
Desistas de ver-te torcido
E exijas o que te é devido!

Joaquim Maria Castanho    

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português