Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
8.17.2022
8.10.2022
CAUSA DE VIDA
CAUSA DE VIDA
Tempo tem esporas
Que picam desejo…
– Perco-me nas horas
Quando te vejo.
Tempo é deleite,
Inventor d’esperas…
– Pra qu’eu me sujeite
A ver-te deveras
Passo junto a ti
Murmuro o teu nome
– Pra provar que te vi…
Só ver-te me consome!
Joaquim Maria Castanho
8.06.2022
O MEU AFETO É FELINO
O MEU AFETO É FELINO
O meu fiel companheiro de leituras
Não percebeu bem o poema que lhe li…
No entanto arrebitou as orelhas
Logo que tão saudoso lhe falei de ti
Vieram-me à ideia ideias futuras
Coisas intenções, causas que não perdi,
E que plas sombras frescas, férteis e escuras
Me dão a ver todo o afeto que já senti…
Que se repete mas que é sempre novo
Aberto caminho que nunca confesso,
Élan da vida, motivo de progresso,
Iluminação de destino que atravesso
Indo pra lá das metas – e do estorvo –
E prova ser igual ao do resto do povo!
Joaquim Maria Castanho
Geroges Bernanos, UM CRIME
Escritor e jornalista francês, nascido em Paris, a dia 20 de fevereiro de 1888 e falecido, também em Paris, a 5 de julho de 1948, Georges Bernanos, licenciado em Direito (1913), comungou dos ideais monárquicos e foi católico apostólico romano como a maioria dos europeus que viraram do século XIX para o século XX. Além de soldado de trincheira na Primeira Guerra Mundial e de repórter na Guerra Civil Espanhola, apoiou igualmente a França Livre e a Resistência Francesa contra o regime de Vichy na Segunda Guerra Mundial, com as suas tomadas de posição e artigos de jornal, embora estivesse então (1940) exilado no Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial.
Considerado pela crítica como o Dostoievski francês, casou com uma lendária descendente de Joana d’Arc, autor de Sob o Sol de Satã (adaptado ao cinema por Maurice Pialat, e que ganhou a Palma de Ouro em Cannes), Diário de um Pároco de Aldeia e Nova História de Mouchette (ambos filmados por Robert Bresson), Diálogos das Carmelitas, Grandes Cemitérios Sob a Lua e Um Crime, entre outros.
Mas é este último, UM CRIME, da Coleção Miniatura, Edição «Livros do Brasil», com tradução de Ersílio Cardoso, comprado na Livraria José Maria Batista Alves, em Portalegre, a minha leitura de fim de semana. Porquê? Porque há grandes obras que foram escritas para isso mesmo… Para serem lidas independentemente das modas e novidades que nos servem diariamente sem que as tenhamos escolhido ou pedido.
Joaquim Maria Castanho
8.02.2022
A PROMESSA E A METÁFORA
A METÁFORA E A PROMESSA
Que nós pomos princípios em tudo…
Mesmo se escrevemos no imediato.
Conceitos que enrolamos em canudo
Pra melhor caberem em qualquer prato!
Ou na salva de prata, que no entrudo
Usamos pra mascarar ímpio retrato…
Tal e qual essa, que põe pra fora o oculto
Que há na promessa, de futuro farto.
Princípios e promessas não se dão bem!
Pois que os primeiros são sempre meios
Com que recheamos conteúdos já cheios.
E as segundas, formas de iludir desdém
Pelos conceitos, argumentos e enleios,
Premissas e preconceitos, que são promessas
De penetrar pelas portas das travessas
Onde nunca nos cruzaremos com alguém…
Joaquim Maria Castanho
7.12.2022
MARTA... PARABÉNS!
MARTA… PARABÉNS!
Mergulho no mar de coral
Habitat da Sereia e da Ondina
Olhos que vão para lá do lá,
Safira da areia fina da pele
Opala azul, água marinha...
Brotam algas douradas
Deltas de linhas auríferas a dançar
Sob o balanço ritmado da respiração.
Pelo seu vaivém milenar
S’adivinha a origem humana;
Pelo seu sorriso largo
A inveja dos deuses (difícil de calar).
E plo sonho, que é coisa invisível
Que se liberta de nós libertando-nos,
Se nos afaga o destino ou o coração
Torna real o que era apenas plausível.
Pois é por ele que eu falo agora.
E se sou quem o diz é ele que o dita
Dando à vida bem mais do que ela debita
Ao repetir comigo «MARTA, parabéns
Pela felicidade que ora tens
E que ela te habite vida fora!»
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 12 de julho de 2022
6.30.2022
6.19.2022
SE CORDATOS, NA CONCÓRDIA SOMOS
SE CORDATOS,
NA CONCÓRDIA SOMOS
Quando nos aproximamos da liberdade
Da dança, do conhecimento e da arte,
Nosso ser estremece, fica sem idade
E trata por sua casa qualquer parte…
A vida é isso: estar em todo lado
Como só se pode estar agora aqui,
Ser fala entre os acordes dum fado
No simples pardalitar de um colibri.
Pobre sustento numa gota de néctar
A cintilar como mil laivos de puro mel,
Escritos n’alma, aind’assim não vá afetar
O líquido labor aos poros da pele –
Na ânsia dum mar a ondear por amor…
– No acorde dum amor acabado d’acordar!
Joaquim Maria Castanho
6.18.2022
5.27.2022
SINA E (mau) SINAL
SINA E (mau) SINAL
Quando um dia pensares que na vida
Tudo que havia de pior já t’aconteceu
E nenhuma dor, ou qualquer ferida
(Nem solidão) te podem doer como já doeu…
É mentira! Há sempre outra maior
Que dolorosa e monstruosa vá surgir:
Pois, quem sobrevive à falta de amor,
Maior dano do desamor lhe há de vir.
Que ninguém te há de dourar as pílulas
Nem ter a mínima consideração por ti,
Pra meter noutros enredos as vírgulas
Ou distorcer a verdade ao que escrevi,
Apelidando a palavra tão-só de tumor…
Dando ao ser humano tudo… – Menos valor!
Joaquim Maria Castanho
5.16.2022
3.19.2022
PROPÓSITOS & RESULTADOS, Lda.
PROPÓSITOS & RESULTADOS, Lda.
Sinto saudades do teu olhar risonho
Que me leva ao verso, me conduz ao sonho…
E faz florescer minutos ao meio-dia.
E me transforma os afazeres em poesia.
Me dá este agora em vez do quando
E escreve fora o que dentro guardo,
Pois que eu voo até mesmo se só ando
Em alheado vaguear de aedo ou bardo.
Quero arranhar os futuros livres, puros
Já audazes e capazes de pedir meças
Aos desígnios loucos – e inseguros –
Do caos das prosas malfeitas, e às pressas.
Certo é nada ser primordial agora
Que as batalhas o hão de zurzir de vez...
Int’resse bélico, sentires devora,
Assim, como o fez outrora a D. Inês.
Todavia, eu mergulhei nas trevas da luz
Como se um mastro em nevoeiro brando,
Pois só o teu olhar me alegra e conduz,
E me faz voar... – até mesmo se só ando!
Joaquim Maria Castanho
25.02.2022
AOS ÓCULOS DUMA MUSA
AOS ÓCULOS DUMA MUSA
Primeiro sábado do mês
Pouco passava do meio-dia...
A passear andava Inês,
Que também se chama Maria.
Passeava com a sua avó:
Saltinho aqui, trilori-lori;
Saltinho ali, triloró-loró.
Um, dois, dois, um, três,
Assim passeava nesse dia
A Musa chamada Maria,
Que também se chama Inês.
Saiu para comprar brócolos
E comer uma massa-frita,
Mas eis que os seus óculos
Viram uma flor muito bonita…
Era verde, era amarela
Silvestre, tão campesina;
E ao ver tão linda donzela
Quis logo ser essa menina.
Assim, d’óculos especiais
Aptos a descobrir flores,
Por essas manhãs, tão normais
Que são iguais a jardins às cores.
Óculos vivos, e bem reais
Adequados e ativos,
Feitos pra verem bem demais,
E que sei serem bem bonitos,
A valer por cinco ou seis
Inteligentes e expeditos.
Mas os olhos de Maria Inês
Quando eu os vi a sorrir,
Posso dizer, ou garantir,
E sem ter medo de mentir,
Que bonitos e expeditos
Ainda o são muito mais!
Joaquim Maria Castanho
05.02.2022
2.22.2022
INVENTÁRIO EXISTENCIAL
INVENTÁRIO EXISTENCIAL
Que nada na vida é o que parece
E tudo emana dos seus segredos
Se diz, mas sentir é algo que cresce
Ainda que o faça entre esperas
Contrárias, tão frágeis como várias…
Invernos que são como primaveras,
Prenúncios de secas, vírus e medos.
Ameaças de guerra, confusões diárias,
Férteis para migrações e degredos.
Gripes, inflações, esperanças pueris,
Influências, modas, fatores astrais.
Politiquices imaturas, ou senis…
Desaguisados coletivos, pessoais…
Janeiros que são maios, marços por abris
De importâncias mundanas – e mundiais.
Défices d’economia, revistos em baixa…
Pois nada disso conta, nada vale.
O que sinto é qu’importa, e não cale
A felicidade de ver teus olhos a sorrir
Miríadas estelares, campos a florir,
Se passo junto a ti... – à tua caixa!
Joaquim Maria Castanho
22.02.2022
La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu
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