8.10.2022

THE GAEL from The Last of the Mohicans - Breizh Pan Celtic

CAUSA DE VIDA

 

CAUSA DE VIDA


Tempo tem esporas

Que picam desejo…

Perco-me nas horas

Quando te vejo.


Tempo é deleite,

Inventor d’esperas…

Pra qu’eu me sujeite

A ver-te deveras

Passo junto a ti

Murmuro o teu nome

Pra provar que te vi…


Só ver-te me consome!


Joaquim Maria Castanho

8.06.2022

Un peu beaucoup

O MEU AFETO É FELINO


 

O MEU AFETO É FELINO



O meu fiel companheiro de leituras

Não percebeu bem o poema que lhe li…

No entanto arrebitou as orelhas

Logo que tão saudoso lhe falei de ti

Vieram-me à ideia ideias futuras

Coisas intenções, causas que não perdi,

E que plas sombras frescas, férteis e escuras

Me dão a ver todo o afeto que já senti…


Que se repete mas que é sempre novo

Aberto caminho que nunca confesso,

Élan da vida, motivo de progresso,

Iluminação de destino que atravesso

Indo pra lá das metas – e do estorvo –

E prova ser igual ao do resto do povo!


Joaquim Maria Castanho

Geroges Bernanos, UM CRIME

 


Escritor e jornalista francês, nascido em Paris, a dia 20 de fevereiro de 1888 e falecido, também em Paris, a 5 de julho de 1948, Georges Bernanos, licenciado em Direito (1913), comungou dos ideais monárquicos e foi católico apostólico romano como a maioria dos europeus que viraram do século XIX para o século XX. Além de soldado de trincheira na Primeira Guerra Mundial e de repórter na Guerra Civil Espanhola, apoiou igualmente a França Livre e a Resistência Francesa contra o regime de Vichy na Segunda Guerra Mundial, com as suas tomadas de posição e artigos de jornal, embora estivesse então (1940) exilado no Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial.


Considerado pela crítica como o Dostoievski francês, casou com uma lendária descendente de Joana d’Arc, autor de Sob o Sol de Satã (adaptado ao cinema por Maurice Pialat, e que ganhou a Palma de Ouro em Cannes), Diário de um Pároco de Aldeia e Nova História de Mouchette (ambos filmados por Robert Bresson), Diálogos das Carmelitas, Grandes Cemitérios Sob a Lua e Um Crime, entre outros.


Mas é este último, UM CRIME, da Coleção Miniatura, Edição «Livros do Brasil», com tradução de Ersílio Cardoso, comprado na Livraria José Maria Batista Alves, em Portalegre, a minha leitura de fim de semana. Porquê? Porque há grandes obras que foram escritas para isso mesmo… Para serem lidas independentemente das modas e novidades que nos servem diariamente sem que as tenhamos escolhido ou pedido. 

Joaquim Maria Castanho

8.02.2022

Le Vent Nous Portera

Madredeus - "Amanha" ( Mañana) / Palau de la Música - Barcelona 1994

A PROMESSA E A METÁFORA


 

A METÁFORA E A PROMESSA


Que nós pomos princípios em tudo…

Mesmo se escrevemos no imediato.

Conceitos que enrolamos em canudo

Pra melhor caberem em qualquer prato!


Ou na salva de prata, que no entrudo

Usamos pra mascarar ímpio retrato…

Tal e qual essa, que põe pra fora o oculto

Que há na promessa, de futuro farto.


Princípios e promessas não se dão bem!

Pois que os primeiros são sempre meios

Com que recheamos conteúdos já cheios.


E as segundas, formas de iludir desdém

Pelos conceitos, argumentos e enleios,

Premissas e preconceitos, que são promessas

De penetrar pelas portas das travessas

Onde nunca nos cruzaremos com alguém…


Joaquim Maria Castanho


7.12.2022

MARTA... PARABÉNS!

 

MARTA… PARABÉNS!


Mergulho no mar de coral

Habitat da Sereia e da Ondina

Olhos que vão para lá do lá,

Safira da areia fina da pele

Opala azul, água marinha...

Brotam algas douradas

Deltas de linhas auríferas a dançar

Sob o balanço ritmado da respiração.


Pelo seu vaivém milenar

S’adivinha a origem humana;

Pelo seu sorriso largo

A inveja dos deuses (difícil de calar).


E plo sonho, que é coisa invisível

Que se liberta de nós libertando-nos,

Se nos afaga o destino ou o coração

Torna real o que era apenas plausível.


Pois é por ele que eu falo agora.

E se sou quem o diz é ele que o dita

Dando à vida bem mais do que ela debita

Ao repetir comigo «MARTA, parabéns

Pela felicidade que ora tens

E que ela te habite vida fora!»


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 12 de julho de 2022


6.19.2022

Nanda Rocha - Chuva Aqui

SE CORDATOS, NA CONCÓRDIA SOMOS

 

SE CORDATOS, 

NA CONCÓRDIA SOMOS


Quando nos aproximamos da liberdade

Da dança, do conhecimento e da arte,

Nosso ser estremece, fica sem idade

E trata por sua casa qualquer parte…

A vida é isso: estar em todo lado

Como só se pode estar agora aqui,

Ser fala entre os acordes dum fado

No simples pardalitar de um colibri.


Pobre sustento numa gota de néctar

A cintilar como mil laivos de puro mel,

Escritos n’alma, aind’assim não vá afetar

O líquido labor aos poros da pele –

Na ânsia dum mar a ondear por amor…

– No acorde dum amor acabado d’acordar!


Joaquim Maria Castanho

5.27.2022

SINA E (mau) SINAL

 

SINA E (mau) SINAL


Quando um dia pensares que na vida

Tudo que havia de pior já t’aconteceu

E nenhuma dor, ou qualquer ferida

(Nem solidão) te podem doer como já doeu…

É mentira! Há sempre outra maior

Que dolorosa e monstruosa vá surgir:

Pois, quem sobrevive à falta de amor,

Maior dano do desamor lhe há de vir.


Que ninguém te há de dourar as pílulas

Nem ter a mínima consideração por ti,

Pra meter noutros enredos as vírgulas

Ou distorcer a verdade ao que escrevi,

Apelidando a palavra tão-só de tumor…

Dando ao ser humano tudo… – Menos valor!


Joaquim Maria Castanho


3.19.2022

PROPÓSITOS & RESULTADOS, Lda.

 

PROPÓSITOS & RESULTADOS, Lda.



Sinto saudades do teu olhar risonho

Que me leva ao verso, me conduz ao sonho…

E faz florescer minutos ao meio-dia.

E me transforma os afazeres em poesia.


Me dá este agora em vez do quando

E escreve fora o que dentro guardo,

Pois que eu voo até mesmo se só ando

Em alheado vaguear de aedo ou bardo.


Quero arranhar os futuros livres, puros

Já audazes e capazes de pedir meças

Aos desígnios loucos – e inseguros –

Do caos das prosas malfeitas, e às pressas.


Certo é nada ser primordial agora

Que as batalhas o hão de zurzir de vez...

Int’resse bélico, sentires devora,

Assim, como o fez outrora a D. Inês.


Todavia, eu mergulhei nas trevas da luz

Como se um mastro em nevoeiro brando,

Pois só o teu olhar me alegra e conduz,

E me faz voar... – até mesmo se só ando!



Joaquim Maria Castanho

25.02.2022


AOS ÓCULOS DUMA MUSA


 

AOS ÓCULOS DUMA MUSA


Primeiro sábado do mês

Pouco passava do meio-dia...

A passear andava Inês,

Que também se chama Maria.


Passeava com a sua avó:

Saltinho aqui, trilori-lori;

Saltinho ali, triloró-loró.

Um, dois, dois, um, três,

Assim passeava nesse dia

A Musa chamada Maria,

Que também se chama Inês.



Saiu para comprar brócolos

E comer uma massa-frita,

Mas eis que os seus óculos

Viram uma flor muito bonita…


Era verde, era amarela

Silvestre, tão campesina;

E ao ver tão linda donzela

Quis logo ser essa menina.

Assim, d’óculos especiais

Aptos a descobrir flores,

Por essas manhãs, tão normais

Que são iguais a jardins às cores.


Óculos vivos, e bem reais

Adequados e ativos,

Feitos pra verem bem demais,

E que sei serem bem bonitos,

A valer por cinco ou seis

Inteligentes e expeditos.


Mas os olhos de Maria Inês

Quando eu os vi a sorrir,

Posso dizer, ou garantir,

E sem ter medo de mentir,

Que bonitos e expeditos

Ainda o são muito mais!


Joaquim Maria Castanho

05.02.2022

2.22.2022

Boléro - Prequell Rework (Paris 2024 live)

INVENTÁRIO EXISTENCIAL

INVENTÁRIO EXISTENCIAL


Que nada na vida é o que parece

E tudo emana dos seus segredos

Se diz, mas sentir é algo que cresce

Ainda que o faça entre esperas

Contrárias, tão frágeis como várias…


Invernos que são como primaveras,

Prenúncios de secas, vírus e medos.

Ameaças de guerra, confusões diárias,

Férteis para migrações e degredos.

Gripes, inflações, esperanças pueris,

Influências, modas, fatores astrais.

Politiquices imaturas, ou senis…

Desaguisados coletivos, pessoais…

Janeiros que são maios, marços por abris

De importâncias mundanas – e mundiais.


Défices d’economia, revistos em baixa…

Pois nada disso conta, nada vale.

O que sinto é qu’importa, e não cale

A felicidade de ver teus olhos a sorrir

Miríadas estelares, campos a florir,

Se passo junto a ti... – à tua caixa!


Joaquim Maria Castanho

22.02.2022


 

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português