Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
5.18.2020
5.17.2020
A ORQUÍDEA IMACULADA
A ORQUÍDEA
IMACULADA
Que
mora nas sete quintas...
É
sorriso feliz d'amor
A
bailar na luz e na cor
Como
esplendor sem fintas.
E
às vezes até parece
Pelo
seu porte, o seu condão
A
Virgem rezando prece
Plas
flores que consigo estão.
Com
foto de Mia Teixeira
5.16.2020
#ORQUÍDEA EM CARNE VIVA
ORQUÍDEA EM
CARNE VIVA
Derme,
pétala acetinada
(Ou
grito prestes a eclodir)
Afago
doce, se madrugada
Acorda,
pronta já a sorrir.
Também
seda, esponja macia
Sensível
polpa que me seduz,
Assim
és, ó fada da poesia
Se
no recatado recanto
O
teu acetinado manto
Recolhe,
como exala, sua luz.
5.13.2020
A #VOZ DO #CAMINHO
A VOZ DO CAMINHO
Poentes,
nascentes, o mundo concreto
Cujas
portas, alfarrobeiras são pilar
Do
templo, d'olhar, se o andar é certo
Tem
por meta rua, a estrada da vida
Lá
onde navegam tantos, destinos mil
Os
sonhos, os frutos, e a nuvem perdida
Debrua
de aurífero rosa e anil,
Diz
quanto da distância é esperar,
Quanto
na espera é o descoberto
Se
de cada vez que te olho plo olhar
Teu
coração em flor fica mais perto...
É
como se dissesses «Estou a chegar,
E
vou arrancar-te desse deserto!»
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Mia Teixeira
5.10.2020
NA ROTA DA #ALMA
NA ROTA DA ALMA
(para
a Mia)
Escondem
a lua, e só por que sim;
Tal
a razão turva, não é mista
Se
quer ocultar, o luar de mim.
Quanta
é a luz, que de ti vem.
Mas
o amor traduz, se o chamo
Que
a luz não nasce, por mais ninguém.
Ontem
como hoje, todos os dias
Se
a lua faltar, o olhar não erra
Vai
a alma pró sul... - Nela, poesias!
Joaquim
Maria Castanho
5.08.2020
#BAILIA DA LUA-CHEIA
BAILIA
DA LUA-CHEIA
(em
Marmelete)
Dança,
dança, lança teu olhar silente
Diz
aos pomares, hortas, alfarrobais
As
saudades, hinos que o luar sente
Se
dedilham frondes em sebes ancestrais.
Protegem
ninhos, são raiz, são semente.
São
passos, são caminhos, meio estivais
Que
o luar partilha com quem alente
Mal
a lua brilha sobre casas e quintais.
Estendem
capas entre o aqui e o além,
Que
a hora que chora é acorde também.
Dão
luz ao direito d'investir, dolente
Nas
sombras, para ter contornos muito seus
A
fim de que o fértil chão siga em frente
Pleno
de sereias, fadas – sonhos meus!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Mia Teixeira
5.03.2020
PORQUE HÁ ROSAS SUBLIMES?
PORQUE
HÁ ROSAS SUBLIMES?
Não
sou capaz de dizer quanto penso...
A
realidade transpõe-me, vai além.
Diz
que há encanto, e fico suspenso
Porque
reconheço quanta razão tem.
Se
todo o poder é das flores apenso
A
mais poderosa, e por que formosa
Será
a rosa, não o desconhece ninguém.
Mas
eu devo vassalagem à verdade
À
ética, à arte, à poesia, e à prosa,
E
sei haver uma a quem a sublimidade
Pede
humilde, inebriada, calorosa
Que
empreste encanto a qualquer rosa
Pra
que ela possa ser sublime também!
Joaquim
Maria Castanho
4.21.2020
A TOQUE DE CACHA
A
TOQUE DE CACHA/CAIXA
Os
pontos cardeais que orientarão os homens do leme, na viragem da
sociedade portuguesa na década de 20-30, estavam definidos desde há
muito tempo, pese embora a classe dirigente não tenha sido
suficientemente lesta e habilidosa na manobra, em transpo-los do
papel para a navegação sócio-política quotidiana: Energias
renováveis, mobilidade elétrica, adaptação às alterações
climáticas e economia circular.
A
Covid19 veio acabar com a (des)habilidade canhestra e pachorrenta,
pôr a massa crítica em sentido, os agentes económicos a mudar de
atitude, os serviços sociais e tecido institucional a arregaçar as
mangas e as tecnologias da informação e da comunicação a meterem
as os dígitos na massa.
Ou
seja, mais uma vez, e à semelhança de anteriores apertos, tal como
a presença filipina, as invasões francesas, a gripe espanhola, as
guerras mundiais, a eclosão dos movimentos de libertação colonial,
o movimento das forças armadas 25A, a sociedade portuguesa só age
sob a razão do tem-que-ser, quando não pode adiar nem fugir mais,
nem tem para onde, e, se e só se, não tiver outro remédio – a
vacina Covid, por exemplo, coisa que não está para breve, pelo
menos com segurança e verba disponível para a integrar no plano
nacional de vacinação.
Isto
é, no vai ou racha e a toque de caixa... quer dizer... cacha!
Joaquim
Maria Castanho
Caixa
– objeto, instrumento rítmico marcial, parte do teatro onde se
situam os camarins, dinheiro realizado por operação de venda ao
público, caixa-baixa ou caixa-alta tipográfica ou jornalística,
pátio interior de prédios, etc., etc.
Cacha
– ação de ocultar, dissimulação, ardil, metade de um lenço
(máscara).
4.18.2020
4.16.2020
A PROMISCUIDADE SILÁBICA
A
PROMISCUIDADE SILÁBICA
Os
ditongos são sílabas guerreiras
Escudos
que amortecem contundências
Beatas
batidas, dor pra consoantes,
Ais
em metades de coisas já inteiras.
Hão
de continuar assim, imutáveis
Ocasiões
pra ocar cavernas da voz,
Falsas
gémeas, contudo derradeiras
Mal
veem se algumas letras estão sós.
Por
quaisquer causas se fazem plurais
E
até se despem plo vicioso prazer
De
mostrar com'as consoantes são mortais
Que
andam com vogais que se deixam comer!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
4.15.2020
A PEQUENA SEREIA
A
PEQUENA SEREIA
Amar-t'é
melhor do que respirar...
Se
mergulho num obscuro mundo
Se
mergulho na profundidade
Amar-t'é
como respirar fundo
-
É vir à tona suspenso do olhar.
É
emergir do escuro profundo
-
Nascer de novo em claridade.
É
deixar minhas sílabas vogar
Cruzar
distâncias até à praia,
Onde
o azul da água se enleia
Como
se godés de tua saia
-
Ver-te meio tapada de areia...
Para
simplesmente imaginar
Que
sejas talvez uma sereia!
Joaquim
Maria Castanho
4.11.2020
#CANÇÃOSEMBALANEMABALO
CANÇÃO
SEM BALA NEM ABALO
O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar.
É um desdizer que nos diz
Em cada hora, momento
É instrumento de ser feliz
Não de doer, nem magoar.
É barca de ser e singrar
Com alento, não de choro.
Dá prazer, e não lamento
Para querer, sem crer estar;
Pra combater o tormento
Sem laxismo nem decoro,
O corpo é instrumento
De dar prazer, não dá penar.
O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar,
Seja rápido ou lento,
O corpo é instrumento
Não de doer, mas de amar.
O corpo quer só bom trato
E atenção, pra conseguir
Uma plena realização.
Não é pedra no sapato
Ou ingrato por condição
De coxeio, mas de sorrir.
Meio de gozo sem perversão
Nem ditado, que premeia,
Ou círculo quadrado,
Mas diz sim, se sim; não, se não
Em todo e qualquer lado
Se apraz, não esperneia
Meio de gozo sem perversão
Nem ditado que permeia,
O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar,
Seja rápido ou lento,
O corpo é instrumento
Não de doer, mas de amar.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
4.10.2020
#VIAGEMSILÁBICA
VIAGEM
SILÁBICA
Hoje
queria fazer-te um poema
Sem
nuvens...
Daqueles imaculadamente
Eternos,
Cujos algoritmo e teorema
Seja passada suficiente
E demonstre teus olhos ternos.
Então, seria uma estrela
Um sonho puro, fulgente
Nave brilhante entre nuvens.
Grito de saudade, ao vê-la
Porque a não vês, mas só tu tens...
Hoje queria fazer-te um poema
Sem nuvens, apenas sol e azul,
Nave cujo leme, e lema,
Como um poema de viagens
Idílicas, rumasse ao sul.
Hoje queria fazer-te um poema
Sem receios, perdas, nem desdéns
Mas que te desse os PARABÉNS!
Joaquim Maria Castanho
4.08.2020
4.03.2020
3.30.2020
#POMBABRAVA
POMBA
BRAVA
Eu venho de há muito tempo atrás
Mas o futuro é o meu habitáculo de salvação...
Trago a rota do saber que a si mesmo faz
E nos olhos os brotos que são meu pão.
Já fui mensageiro de guerra
E já fui mensageira da paz;
Provei ao mundo que a vida não erra,
Aprendi a primavera
E tudo o que ela nos traz.
Soltei granizos sobre os telhados
Mais frágeis de qualquer nação,
Contudo, ao ver os vidros quebrados
Disfarcei-os em espelhos de ilusão.
Então, nesse receio tão tosco
Feito de certezas me confundo,
Fiz nós de nós pra nós e connosco
Aspergirmos os vírus do mundo.
De ilusões, de medos, de receios
De solidões cumulativas muito bem conjugadas,
Cujos nós ataram e reataram todos os enleios
Antes perdidos nas teias das estradas.
Joaquim Maria Castanho
2.27.2020
SE DEMAIS SE APERTA, A PESSOA DESERTA
ABRAÇAR
NÃO É ESTRANGULAR
Cada dia que desperdiças
Com quem jamais te amará
Dia roubado a quem t'adora
Oxidação das dobradiças
Ponto de rotura, letra agá
Morto e alcatruz de nora
Que roto está, água verte...
É ânsia fria e inerte.
Amar não é isso, nunca doi;
É outra coisa muito além...
É um oxidar que não corroi.
É envelhecer que só faz bem!
Joaquim Maria Castanho
Com foto por Elie Andrade
2.25.2020
2.22.2020
#INDIGNAÇÃO #EXISTENCIAL
INDIGNAÇÃO
EXISTENCIAL
Onde estavas, realmente
Que só agora eu te vi?
Peca quem apaga gente
Pra lembrar-se apenas de si...
Portanto, cuida bem de ti
Que, independentemente
Do que venha a acontecer
Amar-te-ei tanto e sempre
Como luz, razão e ventre
Sentir, eco, ouvir, dizer
Élan nado por que nasci
Sol de rimar até morrer
– Onde estavas,realmente
Que só agora te vi!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
2.10.2020
#SENTIR #PLANÍCIE
SENTIR
PLANÍCIE
Sou
– podes crer! – aquele que te ama
Sem
limites nem quaisquer comparações.
Que
apenas vai se o coração chama
E
está sem haver demais razões.
O
que desinventa a dor, se a há;
Que
esconde teus receios (febris)
E
canta a luz, ainda assim não vá
Haver
rumores ou algum diz-que-diz.
O
que desmagoa e nunca exige.
Que
só se perde para te encontrar.
Que
se condoi com o que te aflige.
Que
navega tão-só pelo balançar.
E
se balança em cego embalo,
Se
dito cala, o que por ti calo.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
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