4.27.2023

DA HISTERIA POLÍTICA

 


DA HISTERIA POLÍTICA

 

No dia em que o verão disse “Olá!”

Estava em casa, à espera dele

A pensar em como o mundo está

Por haver tanta gente a destruí-lo,

A cantar de galo na morte dum grilo,

E tão pouca quem dele cuide e zele.

 

Mas, é claro, que não alterei nada…

Deixei-o seguir o seu ingénuo rumo.

Que pensar não é trampolim nem escada

Para fazer da histeria fio-de-prumo!

 

Joaquim Maria Castanho

4.08.2023

da razão e do querer

 

DA RAZÃO E DO QUERER

 

Apanhado nas leituras

E não tendo como negar,

Só me resta ter costuras

Para que possa prosperar…

 

Pois hoje, foi de sardinha

Coisa qu’há muito não comia,

Qu’isto de matar a fominha

Também pode gerar poesia.

 

Faz-se o que se pode, então

Incluindo pra bem crescer,

Que ser pobre não é razão

Nem sequer para não comer.

 

Joaquim Maria Castanho  

C/ foto do Manuel

2.22.2023

Barbara Ma Plus Belle Histoire d'Amour 1967 (stéréo)

sermão aos astros

 



SERMÃO AOS ASTROS

 

Todos os poemas nascem

De ideias que adormecem

No íntimo limbo de nós

Quase à beira da voz

Para as lembrarmos melhor.

 

Às vezes, mas não muitas

De caras passam a gratuitas

A precisar de retoques

Ênfases, sal, ou enfoques

Até as sabermos de cor.

 

Porém este furou a regra

Fez-se técnica apenas sua

E veio como quem prega

Sermões à Sol – e à Lua!

 

Joaquim Maria Castanho


2.17.2023

Lástima - Valentina Parra

Loreena McKennitt - Penelope's Song

Istmo de Motivação

 



ISTMO DE MOTIVAÇÃO

 

Neste ano mal começado

Tão “rés-vés” à nossa vida,

Pode ser melhorado

Plo afeto, poesia e lida.

 

Disso, temos certeza

Que o que ainda faltar

Se fará no verbo amar

Qu’é essência da beleza!   

 

Joaquim Maria Castanho


2.11.2023

o segredo do sétimo dia


 

O SEGREDO DO SÉTIMO DIA


Só porque hoje a alegria é tanta

Que meus olhos voam, o ser rejubila

A alma estremece, e a poesia canta,

Eu posso dizer que vi o amor a correr

Tal como uma flor livre, qual sibila

Lesta e gentil, plena de graça e prazer.


Só “porque hoje é sábado”, com certeza,

O sonho libertou-se nas veias do jardim,

Se sob o arrulhar das rolas verseja

O segredo da beleza… que me inspira a mim!


Joaquim Maria Castanho

2.09.2023

Thomas Dutronc, ZAZ, Yvan Cujious - La Romance de Paris (Nos Maisons Enc...

TESTAMENTO


 

TESTAMENTO



À beira do tempo, ensaio, recuperação

De quem fui, de quem sou, a pulsar pla vida,

O avançar sobre o ímpio breu do alcatrão.

E do outro lado, na margem oposta

Há o silêncio de quem gosta mas desgosta

Por preferir girar sempre em contra-mão.


Tudo é plano, exceto tu cidade qu’rida

Além pináculo das mouras encantadas…

Mas se houver alguém que por mim decida

Que nunca esqueça suas gentes tão amadas!



Joaquim Maria Castanho

12.05.2022

JOAQUIM MARIA CASTANHO - Livros


 

Meus amigos e minhas amigas:


Apraz-me informar-vos que os meus livros de ficção e poesia DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, o Valentão das Dúzias, NA MINHA CASA MORA UM GATO, REDESENHAR A VOZ e A BOLSA DAS MARMITAS, também se encontram à venda na COSTUREIRA DULCE, no Centro Comercial da Fontedeira, em Portalegre.

Portanto, já podem festejar este Natal com literatura regional (e local), oferecendo aos vossos afetos (e desafetos), amizades e inimizades, algo que as “arrebate” e prenda ao conforto da casa, ao calor do lar e da lareira, ao silêncio aconchegante das noites frias e chuvosas: livros. E, de preferência, livros que espelhem a identidade da nossa terra, da nossa gente.


FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO


Joaquim Maria Castanho

10.12.2022

Porque Brigamos - Bárbara Eugênia

HORAÇÃO


 

HORAÇÃO


Creio na tarde e na imensidão do mundo.

No sonho que não arde nem se contradiz.

No escoar do tempo lento e profundo.

No cuidado que merece petiza e petiz.


E creio no mistério aberto e vagabundo

Que há no olhar que ledo espera à solta

Pelo passado que é ontem mas não volta

À própria visão que o aprisiona e escolta

Como se fora a invenção de cada hora

No vivo instante que jamais se demora

Nos sessenta décimos de um segundo.


Creio – não faço nada por menos que isto... –

Tal-qual com’outros creem em Buda ou Cristo!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 12 de outubro de 2022


9.24.2022

SERRA DE SÃO MAMEDE - Alto Alentejo | Guia Geológico

 

SERRA DE SÃO MAMEDE

ALTO ALENTEJO | GUIA GEOLÓGICO

Ana Paula D’Ascenção

c/ fotos de Carlos Marques Serra

e capa de Raquel Ferreira

(145 Páginas)

Edições Colibri



Teve lançamento público, ontem, 23 de setembro de 2022, pelas 18 horas, na sala de entrada do Palace Hotel, de Portalegre, o livro SERRA DE SÃO MAMEDE ALTO ALENTEJO | GUIA GEOLÓGICO, com chancela das Edições Colibri, da autora Ana Paula D’Ascenção, natural de Portalegre, licenciada em Geologia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e atualmente professora de Biologia e Geologia na Escola Secundária de São Lourenço, em Portalegre, mas acumulando funções docentes (na área da Biologia) no Instituto Politécnico de Portalegre, ante uma plateia bem recheada, maioritariamente qualificada e numerosa.


A apresentação esteve a cargo da autora, de Fernando Mão de Ferro (editor) e do Prof. Dr. Jorge Oliveira (arqueólogo), docente da Universidade de Évora, que discorreu acerca da interceção positiva existente entre o valor das “pedras” e as “pedras de valor” do Parque Natural e Serra de São Mamede (ou São Maomé), como este valor desenhou o território e se redesenhou nas gentes que o serviram (ou interpretaram) e dele se terão servido também, ressalvando igualmente a importância desta obra enquanto ponte interdisciplinar – Geologia, Agricultura, Economia, Antropologia, História, por exemplo – entre a clausura científica/académica e a cultura geral, o conhecimento especializado (fechado) e o quotidiano e narrativas das pessoas, quer elas sejam autóctones/indígenas ou sejam forasteiras/turistas.


Joaquim Maria Castanho

9.20.2022

Amélie - La Noyée | La Valse | La Dispute

SÓ SOMOS QUEM SOMOS

 

SÓ SOMOS QUEM SOMOS


Deslumbra a fidelidade intrínseca…

Não há metáforas para o teu olhar.

E quando a sombra se torna promíscua

Nenhuma lágrima o poderá lavar.


Hidrato basilar será a sua máscara

O pigmento da memória por colorido;

Mas no fim de tudo o corpo é chácara

Onde o fado destila poema (sofrido).


Que o ser se à alma se entrega de boa-fé

Nem resiste, enfim, à sua unificação,

É porque quer ser somente aquilo que é.


Abdica da mentira e representação,

Do logro, da iluminura e do rodapé,

Pra casar co’a verdade da sua condição.


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 20 de setembro de 2022

9.18.2022

Una de esas noches sin final

Alizée - Gourmandises (Clip Officiel HD)

NOTAR A AUSÊNCIA É DESEJAR

 

NOTAR A AUSÊNCIA É DESEJAR (VER)



Somente saudade resta depois de ti

Ao partir semeaste vazio no meu olhar,

E não fora o instante rasgar que senti

Só a memória habitaria este lugar.


O TEU SORRISO inventou-me por dentro

Como qualquer madrugada por fazer,

E agora se plas manhãs adentro entro

É tão-só na esperança d’O voltar a ver.


O TEU SORRISO é luar prestes a crescer

Entre aspas, até eclodir bem no centro

Onde a palavra entretece o puro tecer,

O que nem mil vocábulos têm pra contar,

Quanto unicamente em teus olhos li…

Que a ausência é prenúncio de desejar!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 18 de setembro de 2022

9.11.2022

Danúbio Azul - Johann Strauss II

A grande INCÓGNITA

 


A GRANDE INCÓGNITA


Chamo-me Futuro, e não sou pra graças.

Nada sei do amanhã à exceção daquilo

Que é tão irrevogável como os braços de Milo

Na frugalidade do Agora e suas trapaças.

Podem não me ver sem lentes especiais

Esquecer-me entre as bagagens usuais

De quem pernoita nos desvãos e nas praças.


Nos arquivos, concertos e festivais

Ou nas partilhas por heranças e traças

Com que a inveja congemina planos, ameaças

Para se vingar dos que pensa serem mais.


Mais isto e aquilo, aqueloutro e coisa e tal

Sabe-se lá! – Ou sinal intermitente

Tipo digital VIVO / MORTO, Virtual

Versus Real, em que existe tanta gente.



Chamo-me Futuro, e estou de partida

Para onde o passado não me encontre,

Perdendo de mim o rasto, sentido e norte,

Ainda que mui deseje repetir a vida!


Joaquim Maria Castanho

Com foto de Mia Teixeira

Portalegre, 11 de setembro de 2022

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português