9.27.2019

Suzanne Vega - Luka - (1987) Tradução

"O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS"


   



“O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS”

A jovem flor sempre brilha
Indiferente à cor do dia...
Tem a luz por sua filha
Mais do sol, se ele porfia,
Insiste ser claridade
Induz beleza no mundo
Alegre desanoitecer
Capaz de luzir e crescer
Se o negrume é cidade
– Buraco negro e imundo.


A jovem flor liberta luz
Não a prende, teme ou ata...
A dissemina e destapa,
Tal a verdade traduz
O ver qu'aos olhos escapa.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

9.24.2019

Ray LaMontagne - Empty Legendado Tradução #Musicaepoesia

À FADA DE MEUS OLHOS


   



DA MOTIVAÇÃO DA ESCRITA
                                                                           (à fada de meus olhos)


Pequena fada me segredou
Sem tampouco me dizer nada
Que quando plos olhos me dou
É por ter a alma enamorada,
Tocada já pelas suas mãos
Desfeita em promessas, preces
Poções, palavras e razões
Que só tem mesmo quem é fada,
Merece o que só tu mereces:
Beijos em todos os desvãos
Do corpo, assaz escondidos,
Com que a alma apaixonada
Une e estremece os corações;
Sonhos perpétuos floridos,
Com que pétala abandonada
Esquece os amores tidos;
Luz que brilha poro a poro
Que com os lábios percorro,
Se os olhos neles eu demoro
E renasço, se acaso morro...


Pequena fada, de voz doce
Doce jeitinho e tão gentil,
Escrevo pra que teu ser fosse
Não só duma fada... mas de mil!

Joaquim Maria Castanho

9.05.2019

ESPINHOSO DELEITE



   



ESPINHOSO DELEITE

Capricho de véspera
Tem o sol à espreita,
Que à vida áspera
Esp'rança a deleita...

Porém o verbo cresce
E torna-se natureza,
Que sonha mas esquece
O sonho por rudeza.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

9.01.2019

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Pink Floyd - Coming Back To Life - Legendado

TOMADA DE CONSCIÊNCIA





TOMADA DE CONSCIÊNCIA


Se é tão bom gostar de ti
E melhor seja de quem for,
Não é por sentir o que senti...


Foi por ver que era amor!

Joaquim Maria Castanho

DO VALOR DO PRECONCEITO


   


DO VALOR DO PRECONCEITO

Se a burridade vira virtude
Haverá uma gente que nada sabe
Que muita coisa sabe e amiúde;
Porém, de tão rudimentar efeito
E rústica natureza, que cabe
No teor da palavra preconceito...

E pra todos os problemas do mundo
Acham ser essa a solução que resta.
Contudo eu, sem hesitar um segundo,
Digo-lhes já: «É mentira. Não presta!»

Joaquim Maria Castanho

8.15.2019

DECORO-TE






DECORO-TE

Decoro-te... És pauta de harmonia
Divina poro a poro, pálpebra a pálpebra,
Sílaba a sílaba és códice, poesia
Digital ode nesta nova álgebra
Que estrela a estrela ao céu acende.
Decoro-te que nem chave indizível
Quase refrão perfeito que não ofende
A língua, tal e qual a alma tangível
Quando se estende é real, plausível...
Tal a voz nunca se cansa de repetir nós.

Decoro-te... És flor à beira da tarde
Que inclina as pétalas, fala à gente
E sorri, sorri sempre, mas sem alarde
Ante todos os incómodos que sente.

Joaquim Maria Castanho

8.08.2019

CHUVADA INTERIOR





CHUVADA INTERIOR

Quando a poesia me acontece
Eu nunca saberei como, nem porquê,
Mas creio que ela só me aparece
Ao ler em teus olhos o que ninguém vê...

Eles dizem o esplendor do luar
Se acaso a lua brilhar tão cedo,
Que é uma adaga de prata a cortar
Silêncio ao luscofusco e ao medo.

Dizem por esse infinito profundo
Com que a alma se torna um poço sem fim
Donde a felicidade jorra prò mundo
Numa água que também me lava a mim!

Joaquim Maria Castanho 
  

7.23.2019

DISCURSO DO TRIGUEIRO AO SEU BANDO


  


DISCURSO DO TRIGUEIRO AO SEU BANDO

Aquele que morreu, era vosso irmão.
Tinha uma família que o amava
E todas as primaveras cumpriu missão
Que o destino, ou a vida lhe destinava:
Fazer ninho, alimentar filhos... – Mas em vão.

Aquele que morreu, era vosso irmão.
Não foi pra alimentar nenhuma cobra,
Não foi para alimentar nenhum gato.
Morreu sem um porque sim ou porque não,
Num desperdício de vida e de razão.
Aquele que morreu, era vosso irmão...
– Em nenhum planeta há vida de sobra.

Os seus assassinos ficarão salvos
Mas nós continuaremos a ser seus alvos...
– Em nenhum planeta há vida de sobra –
Aquele que morreu, era vosso irmão!

Joaquim Maria Castanho

7.04.2019

ESPELHO DE ALMA


AI TÍLIA, TILIAZINHA





AI TÍLIA, TILIAZINHA!

Já quando esta tília
Era menina, pequenina
E inocente, tinha família
Entre flores e demais gente.

Para mim, ao lembrar-me dela
Faz-me ela vários reparos,
Além do de ser útil e bela,
Chá de sabor e aroma raros.

Mais me disse que não conto
E acerca daquela grade,
Onde esperei feito tonto
Muitas vezes, às três da tarde.

Joaquim Maria Castanho

7.03.2019

LÁGRIMA INCANDESCENTE


   



LÁGRIMA INCANDESCENTE

Transpira-me a alma por fora
Envelope lacrado a pele,
Gota a gotejar, se expele
É gotícula que evapora.
É sinal do âmago, limo,
Cristal, pura transparência
Quando a alma vem ao cimo
No oceano da ausência.
Se desse refúgio aflora
Dá alvissaras a quem a zele,
Promete que não irá embora.
Geme como fado canalha.

Se a afagamos, estremece.
Se a sopramos, logo voa.
Mas quando a sede nos calha
Ganha tanta febre e aquece
Que bebê-la viva... – magoa!

Joaquim Maria Castanho

6.26.2019

DOÇURA DE ONTEM...






DOÇURA DE ONTEM...

O segredo da longa vida
É degustar essa magia,
Que a fada preferida
Terá feito n'outro dia.

Joaquim Maria Castanho

VOO SEMINAL




VOO SEMINAL

Espera por ti sem menor esperança
Adjetivos novos, advérbios nos pés.
A cada passada, os braços balança
Os olhos sem suspiro algum
O grito adormecido
Ondulando de lés a lés,
Banhado por luz sem zunzum
Nem eco, estampido nenhum.





E se nesse entretanto
Houver um princípio sem fim
Ou o pintalgar da terra, cujo manto
Seja tão colorido como o espanto,
Não estranhes, nem também te sobressaltes
Com estampados de barro e esmaltes:
As flores do meu jardim
Foi uma ave que as semeou;
E se hoje ele está assim,
É por ter sonhado que voou.

Joaquim Maria Castanho

6.23.2019

RECURSO INESGOTÁVEL


  


RECURSO INESGOTÁVEL

Agarro o verbo substantivo
Vivo abstrato mas sem contrato
E dou-o àquela pra quem vivo
– Ramo de rosas riscado a rato.
É uma joia (sem quilate exato)
Preciosa sem preciosidade,
Libra cunhada, artesanato
Que a alma esculpe pla idade.

Porque esse cinzel inaudito
Que aprova, reprova e desbasta,
É o recurso mais expedito
Que o amor usa... – mas não se gasta!


Joaquim Maria Castanho

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português