Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
3.25.2018
3.24.2018
A ESTICADELA
131. A ESTICADELA
Anda a gente ao deus-dará
Pechincha aqui, pechincha ali,
Pra respigar do quanto há
O déjà-vu do agora já vi…
Já vi no que deu o (des)gosto.
Já vi que gostar não é ter.
Já vi esse não ver que virá.
Já vi que apostar tem posto.
Já vi qu’o treze também ri.
Já vi que não estou bem a ver.
Mas como nesta minha visão
O ver nunca se justifica,
Eis-m’aproveitar a ocasião
Pra ver se o não ver s’estica.
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ, pág. CLXXVII
3.22.2018
Coisa rara, O MILAGRE!
O MILAGRE É COISA RARA
É… Ninguém mais connosco compete
Do que nós mesmos durante a vida,
Fugindo ao erro que nos repete
Aviltando, dela, a nossa lida
Antes pronunciada por atenta,
Perdendo o quanto já lucrara
Tão-só num instante dessa ilusão
Com que a esperança nos aventa
Todo o brio e juízo prò alçapão
Do falido limbo da coisa… rara!
Joaquim Maria Castanho
3.21.2018
PENSAR OU SENTIR NUNCA BASTAM...
SENTIR OU PENSAR NUNCA BASTAM...
Coisa afeta ao ser nos cremos,
Quando a noite nos consome
O que vemos, não é o que temos
Nem que sonhamos nos mata fome;
Qu’a realidade, sempre outra,
Exige constatação primeiro,
Pois o corpo não é montra
Para nenhum amor derradeiro.
De ti só sei o olhar. Ele me diz
Que não digo, raiz quadrada
Traçada a giz dessa diretriz
Que é a estrada que não sigo
Porque se temos voz, tino, fala
Sentido preciso ao querido,
Então, é fundamental usá-la
Prò afeto nos ser merecido.
Joaquim Maria Castanho
3.20.2018
ECO PRIMAVERIL
AO ECO DA PRIMAVERA
Escuto-te tão silenciosamente
Como um cicio que se distancia
De imaginado, recordado ente
Assente na face lúcida, macia
Tesselária do verso inesgotado
Que só se redime se renovado
Plos afluentes reais da poesia.
Navegas entre as bátegas soltas…
E, umas vezes, ficas; outras, partes
Justificando aí todas as artes
Que nascem do amor – quando voltas.
Joaquim Maria Castanho
2.12.2018
2.07.2018
MINARETES DO EU - 4)
118.
MINARETES DO EU
(...)
4.
Porque, enfim, sustento-me de agoras
Pra matar esta fome incandescente
Com que todo tempo pica as esporas
Nas doídas ilharga do sol nascente
Feitas das manhãs de orvalho cerzidas
Em ponto rendado, mas tão caprichado,
Que as minhas promessas ficam cumpridas
Pisando o chão já mil vezes pisado…
Porém, se logo nele contigo cruzo
D’imediato outro caminho se torna,
Tão novo, refeito e apto ao uso
Que se faz raridade o antes norma!
Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ - página CLX
1.30.2018
12.17.2017
12.03.2017
MARGARIDA, tinto de 2010 - MONTE DOS CABAÇOS
103.
BRINDE A UM POEMA TINTO DE SOL
Sê bem-vinda, Margarida
No teu trajo Alicante
Polp’em carvalho cerzida
Em 2010 vestida
Brocado tingido macio
Frutada plo diamante
Que há num soneto de brio
Digno da pena de Dante…
Meneias doce aroma
Em redondilha bem maior
Que o extremo de Roma
Se anagrama de amor.
E singras plo tempo vazio
Com’um sonho viajante
Que não teme fome nem frio
À proa e leme do navio
Qu’é o peito dum amante!
Joaquim Maria Castanho
12.02.2017
GOTA D'ALMA
GOTA D’ALMA
Da lágrima condensada
Choveu quase saudade,
Choro de fado e fada
Na terra (da liberdade)
Nesse quase instante
Antecedeu adivinha
Do quase seja distante
O samba que nos chuvinha,
Cacimba, lã de cerração
Terreiro de altos voos
Para planar do albatroz
Asas abertas do coração
Coreografia, vivo show
– Gota d’alma que há em nós!
Joaquim Maria Castanho
12.01.2017
CONCRETO IDEAL
IDEAL CONCRETO
Tal se introduz na sombra a alva veste
O andar escorreito, o sorriso em flor
Assim, me dei eu total ao que me deste
Qu'o sonho nasce da solidão agreste
Tão só, tão-só por si mesma se propor
Que ante o frio por gélido o teste
E ao calor ajuíze em mais calor;
Que à alma no rigor do imprevisto
Por bem apenas tem toda a surpresa
Nascida quando vemos ser beleza
Tudo que já também houvéramos visto
Em alguém, que só críamos como normal
Vulgar, esquecendo ser o sonho isto
Que transforma o concreto em ideal…
Joaquim Maria Castanho
11.30.2017
E FICO... E VOO!
E FICO PRESO EM TEU VOO…
És confluência, és astro
Espiral por que remoinho
Nave, muralha, sol, castro
Souto no meu próprio ninho.
Voas, ápice rasante,
À boca da caverna de mim
És estrela navegante
Destino… Oriente sem fim
Se tal nascer também causa
Motivo à vela, lastro
Mar, chão de remar mansinho
Duna batida, onda, pausa
Por quem o verso é mastro
Sustenido… e caminho.
Joaquim Maria Castanho
11.13.2017
O SENTIR QUE PERDURA
SENTIR QUE PERDURA
Voa-me a voz pela planície
Petisca de teus olhos o sentido,
Que sentir é um querer que se demora
A dizer-se para melhor ser ouvido
Assim, feito amanhãs deste agora
Nascido, milhentas manhãs, construído
Convertido, verdade hora a hora
Sem sombras, passo a passo percorrido,
Grelhado sob o crivo dessa ternura
Que apenas tuas mãos sabem moldar:
Dando sã magia, além da candura
Que nos dura entre sentir e desejar,
Também à vida a doce formosura…
– Desde que nela perdure o teu olhar!
Joaquim Maria Castanho
11.12.2017
O RASCUNHO DO AMADOR
RASCUNHO DE AMADOR
Só de tuas mãos nasce o sonho, magia…
Elas emprestam delícia ao que tocam,
Conduzem luz à própria luz do dia –
São espaço onde estrelas balançam.
E se de lá dos altos cimos nos focam
Ditando mais que a vida pode ser
É porque elas além de trinchar, traçam
Sulcos de plantar sentir pronto a colher.
Acarretam sublimes gestos por dizer
E dizem como quem cala, transparentes
Mas precisos, integrais, criadores…
Que os meus parecem gestos ausentes
Presos, rebuscados, fora dos caminhos
Quase rascunhos desses amadores
Que, de tão ideias, amam sozinhos!
Joaquim Maria Castanho
11.09.2017
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Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
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