11.12.2016

CAPA do Livro MOMENTOS DE POESIA

Eis a capa do livro de celebração do décimo ano de Momentos de Poesia, a ser lançado no próximo dia 20, pelas 15:30 horas, no Hotel José Régio, em Portalegre, e que reúne a participação de 48 poetas e poetisas da nossa atualidade.
Este momento será constituído, além da apresentação da obra, também por alguns apontamentos musicais, corais e poéticos.

LETRA K





LETRA K 

Caderno trinta três na ordem suprema;
Tipografia avançada e em escala; 
Isolado, deitado, é nosso tema
Quando na língua, a escrita fala. 
Do cuneiforme ao digital emala
A bagagem – da humanidade a gema –, 
Que à ficção e fantasia dá “olá kala”
Mostrando as obras, mas não a arbitragem.
Só surgiu no mundo por necessidade
Mas imperou como a razão do meio, 
Oferecendo a Gutenberg a veleidade 
De ser do globo a esfera como o veio; 
Sucumbiu às catacumbas da idade
Pra fazer alegretes de bonito e feio!

Joaquim Maria Castanho 

11.10.2016

LETRA J




LETRA J 

Joias de Salomão justificadas
Em tesouros de justa preciosidade, 
Não teriam sido essas guardadas
Mas sim quem as guardou como verdade. 
Pilares da civilização, juradas 
Colunas na suma verticalidade… 
Portas do mundo. Cais pra sãs cruzadas, 
Que sustentaram nossa modernidade. 
Que muito mais que os bens guardados
São os sentidos valores aí propostos, 
Pois além de gerarem mil cuidados
São cuidado e aprumo de quem ‘tá a postos
Vigilante, determinado, de plantão; 
E à injúria faz negaça, trespassa 
A intrujice e à trapaça diz que não! 

Joaquim Maria Castanho 

11.09.2016

LETRA I




LETRA I 

Nove III, imperador do infinito
Condómino maior na escala decimal
Senhor do fim, do abismo e do esquisito
Faz saber que todo centro é marginal.
Todo o coletivo é individual. 
Todo o corpo é sempre um espírito.
Todo o silêncio é seu próprio grito.
E todo bem tem seu correspondente mal.

E mais que isso, se decreta agora, 
Que embora diga que és tudo e nada 
(Serviço de urgência, base, escora…), 
Não há prova que existas realmente: 
Só és ponto de partida e de chegada 
– Pintinha de sangue no olho desta gente! 

Joaquim Maria Castanho

11.08.2016

LETRA H




LETRA H 

Hasteada hipótese na humana 
Hipotenusa que já em Hipatia 
(Farol da “Eduba” de Alexandria)
Tinha hélice e elipse, mas a tirana
Hipocrisia emudece em heresia, 
Nem Hipócrates houvera de honrar 
Entre hermanos na deontologia 
E hediondos hospitais da sangria
Ethica e bosta pestilenta pra sarar, 
Ou a fé a fim de queimar e purificar
Quem temesse ou tivesse outro Hades, 
O que entendemos por Hoje foi mudo, 
Calado sob grilhetas ou hostis grades… 

Porém, pra nós, é só o maiúsculo tudo! 

Joaquim Maria Castanho 

11.07.2016

NA VOZ DAS MÃOS


LETRA G




LETRA G 

Ginete gaibéu da ordem solar,
Gólgota genital no grande clímax, 
Gestor do gozo, do grito e da gesta, 
Gigante da gramática e da sintaxe, 
Guru da gleba e pigmeu em festa
Nas grafias globais e do bem voar, 
Governa os governos com geometria 
– Giza planos, estratégias, poesia… 

Branco garimpeiro na argila chã
Gorou egoísmos a gatunos e golpistas, 
E iniciou no negro céu a alva lã
Que gerou os letrados e os artistas;
Que tudo isso é, quem com giz giza, 
Chame-se Geraldo, Babel ou Luísa! 

Joaquim Maria Castanho

11.06.2016

A CASA DO CORPO - II


DA TIMIDEZ (IN)CONCLUDENTE


NAMORO - II


LETRA F




LETRA F 

Fazer isto e aquilo, fisgar, fintar
A fome, a fadiga, o fingimento, 
É afã que nos ajuda a durar
Além do destinado duramento. 
Afagar ficções felizes, e dourar
Fenómenos fugazes, sabimento
Dos outroras, mas que se fez secular,
É afazer – afoitado entendimento. 
Que os feitores das almas humanas
Não fomentam famas sem fundamento; 
Nem se perdem por fulanos e fulanas
Que fulanizam só por fobia vã… 
Fitam frontais invejas insanas
E fazem, e criam, e preparam o amanhã! 

Joaquim Maria Castanho 

11.05.2016

LETRA E




LETRA E 

Ébrio que nem um sonho fugitivo
Dum vendaval de estrelas insanas, 
O sol, que foi rainha do primitivo 
Homem, é ora réstia de semanas. 
O esplendor, pede-o emprestado. 
O calor, vai de oito a oitenta. 
Sorriso? Esse, só se for imitado
Pelo teu, quando me acalenta. 

Ele (que é Ela), tudo cria assim; 
Tudo inventa, alimenta em ser 
– Energia, luz, voo de Fénix e Querubim –, 
É círculo perfeito, ciclo de dizer
A vida, também em ti aprendido
E imitado… mês a mês repetido.

Joaquim Maria Castanho   

11.04.2016

Conjunto de poemas de autores que participaram nos Momentos de Poesia


LETRA D




LETRA D 

Depois do depois, dito agora
Despe-se devagar-devagarinho
Uma árvore que o vento aflora,
E sem demora acata teu jeitinho
De sol, luz em pétalas aspergida
A brilhar em si bemol, pró hino 
Que soa se entoa a própria vida. 
Diz que lançou raízes no destino. 
Diz que deve quanto é A Deus. 
À desdita, porém, nega o caminho
Feito à imagem dos passos teus.

E diz-me a mim, que somente digo
Para dizer quanto te quero bem, 
Que, se puder seguir no vento, sigo
Pra tocar-te, mal ele te aflore também. 

Joaquim Maria Castanho

11.03.2016

LETRA C




LETRA C 

Circe transformava homens em porcos; 
Colette deu-lhes ainda menos valor. 
Camões atirou-os prà Ilha em barcos
Reféns, que não viram no mar esplendor. 
Muitos somente queriam escapar; 
Outros, ter a segurança terrena. 
Mal sabiam eles que o infindo mar
Faria da Terra uma, por pequena! 

Triste triunvirato este nosso
(Sorte, Oportunidade e Acaso)
Que dá aos seres “o que só eu posso”
Dos monstros, e de Deus o desembaraço; 
Mais o poder de salto do cavalo
Que faz espesso o que é parco e ralo. 

Joaquim Maria Castanho

11.02.2016

LETRA B




LETRA B 

Já bailam pla natureza da hora
Os bêbados segundos da espera, 
Que quem fica também se vai embora
E, colado ao outro lado, degenera; 
À segunda versão de si proposta, 
Opção e contraste, conforme se aposta
E da face negra a luz recupera. 
Silencio que diz ou fala que cala, 
Que quem é feliz num ai se exala
Mal se descuide ante o querer bem, 
Que seguido ao nome toda flor tem
A pérola que Hamlet nunca bebeu 
– Tendo-a bebido apenas sua mãe… 

Logo, ele ficou; porém, ela morreu! 

Joaquim Maria Castanho

11.01.2016

LETRA A




LETRA A 

Abrevio a sede, abrevio o nome
Se no vaivém do mar oscila rede,
Esperança balança, se consome
Por duas sílabas apenas duas
Não mais, e por letras outras tantas,
Repetindo-se a primeira no fim
Incluindo bem no meio três ruas, 
Subindo ou descendo por quantas
Vogais repetidas tenho em mim.  

Se fosse fruto eram triplicadas… 
Porém, como cor, bisam simplesmente; 
Tal e qual no teu nome espalhadas. 
Do alfabeto é a porta da frente. 
E começo do sentir maior na gente!

Joaquim Maria Castanho

10.30.2016

OUVIR A LUZ




OUVIR A LUZ 

Inebriado pla sede e sofreguidão 
Osculo cada pétala do instante; 
Sonho que também tivera por tua mão 
A razão de ser plena e circunstante. 
A ela deve a fruta o ser doce e sã.
A ela deve o pão seu mister sagrado. 
E por ela o sol nasce em cada manhã
Quente, reconfortante e “iluminado”. 
Tem no brilho mesma forma de sorrir
Que tu tens quando o fazes (natural); 
Mas se fala… Então, é luz de ouvir
Sem sofismas nem fintas pra iludir… 
Só simples, clara e sem outra igual 
– No passado, no presente e no porvir! 

Joaquim Maria Castanho

10.29.2016

ACORDO PRA SENTIR




ACORDO PRA SENTIR 

Discreta, serena, contagiante
Sobre este caminho nítida voz
Abre veredas, a todo o instante, 
Que repetem aquelas versões de nós
Com que costuramos o ser (sem retrós). 

São veredas de arar na alma aberta
Com sílaba corrente prà lucidez, 
Que, se transparente, anseio conserta
Sem pecúlio no contar «Era uma vez», 
Tido por definitivo – coisa certa. 

Porque eu escuto-te SEMPRE e ainda
Bem depois de ter falado contigo, 
E sinto que esse falar nunca finda
Mesmo se plo olhar reitero e digo
Que sentir é uma voz que nos desperta.

Joaquim Maria Castanho 

10.28.2016

LADEIRAS INTERIORES




LADEIRAS INTERIORES 

Já solta e suave coroa ardente
Onda encrespada tubular, arco
Sístole do verbo que diz a parte
Como todo, silente te abarco
E, suspenso, em ti me reparto 
Ósculo após ósculo se acarto
Dos olhos o magma intencional… 

És o meu segredo que toda gente
Conhece; todos sabem que existes. 
Do ar circundante a flor ambiente
(Corola e cálice em que consistes)
Por cujo aroma a pétala insiste
Segar dos sonhos o que seja triste 
– Como o ímpar das estrelas do plural. 

Tenho-te presa dentro do meu grito
A viajar entre o ocaso e infinito
Pelas ladeiras da luz interior; 
Tão intensa, genuína, que acredito
Que és da sílaba a pérola em flor. 
E mais que voz de «Bom dia» ocasional
És ainda o sol veloz, se me permito 
Senti-lo puro, bendito, e normal. 

Joaquim Maria Castanho 

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português