7.19.2016

PRÉMIO CALOUSTE GULBENKIAN 2016




PRÉMIO CALOUSTE GULBENKIAN 2016 para FUNDAÇÃO AMAZONAS SUSTENTÁVEL 

Júri presidido pela ex-presidente da república portuguesa, Jorge Sampaio, distinguiu, de entre 75 candidatos, a organização ambiental brasileira Fundação Amazonas Sustentável como vencedora deste ano do Prémio Calouste Gulbenkian, cujo valor pecuniário está estabelecido em 250 mil euros, e que lhe será amanhã entregado numa cerimónia no Anfiteatro ao Ar Livre da Gulbenkian promovida para o efeito. 
Nascida da parceria formada entre o Banco Bradesco e o Governo do Estado do Amazonas, a Fundação Amazonas Sustentável instituiu-se como ONG (organização não-governamental) brasileira sem fins lucrativos com a missão de defender e valorizar a floresta, promovendo o desenvolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do Estado do Amazonas, o que tem feito desde então, implementando com sucesso diversos programas que, só no ano passado (2015), envolveram 574 comunidades e beneficiando mais de 40 mil pessoas. 
Que seu esforço seja um exemplo, e seu mérito um estímulo a quantas mais no terreno pugnam pelo futuro nacional, regional e global da vida terrena.        

4.26.2016

"Fiat justitia, pereat mundus."




"Fiat justitia, pereat mundus."

(Se a justiça sucumbir, não mais valerá a pena que existam homens sobre a terra.) 

"De entre os deveres jurídicos, Samuel Pufendorf (1632-1694) destacou três como fundamentais: a) que ninguém cause danos a outrem (neminem laedere); b) cada qual trate o outro como igual em direitos (suum cuique); c) cada um apoia o outro tanto quanto possível." 

ARTHUR KAUFMANN, Munique - abril, 2000

3.15.2016

NO CHINFRIM DA'BALADA




NO CHINFRIM DA'BALADA 

Noturno abreviado
Como rondó de partida
Chora a ciranda em fado
Desfazendo fila à saída, 
Que o jardim irá fechar
Dentro d'imediatos versos, 
Repetidos ou diversos, 
Que até podem peneirar 
– E em requebros de sambar. 

São essa quinta coluna
Do exército fabuloso
Com que rimas, uma a uma, 
Gingaram no chão arenoso
Entre paredes de buxo, 
Alegretes de violetas
Trajando roxo de luxo
Para ouvir as trombetas
Que encerram a bateria, 
Todas guinchando tão certas
Que os vis ruídos destas
Chegam a "pracer" melodia. 

Joaquim Castanho 

NOTURNO  – composição para piano ou orquestra, de caráter ternurento ou melancólico.

RONDÓ – ária em que se repetem sempre os temas principais.

CHINFRIM – baile popular, arrasta-pé, algazarra de abalada.

3.12.2016

INTERPRETAR É PENEIRAR




INTERPRETAR É PENEIRAR 

Em fila caracoleamos
Entre sebes e alegretes, 
Nesta ca(u)sa de que somos
Aprendizes ou cadetes; 
Causa de casa prevista
Diz a previsão causada, 
A condizer, por ser mista, 
Com a ideia formada. 
E diz também que o dizer
Em causa é entendido
Por essa maneira do ver
Somente nela vertido;
Ca casa da causa convém
Mandado volteio geral,
Por ser a causa de ninguém
Qu'é casa pra todos igual.    

Joaquim Castanho

3.01.2016

JUÍZO DE REALIDADE




JUÍZO DE REALIDADE 

Conducente é a prova
(Inegabilidade pura)
Se o verbo não estorva
A lucidez, e segura
Capricha pela atuação, 
Sem hesitar no «SIM» ou «NÃO». 

Do enredo é perita. 
Da trama, nó fundamental. 
E argumenta expedita
Sem tropeçar com a moral. 
Mas à culpa castigo dá;
E inocenta quem o está. 

Porque nessas duas faces
Tão distintas, tão iguais,
Está do que somos capazes
Como humanos e... mortais. 

Joaquim Castanho 
 
(O JUÍZO DE REALIDADE é aquele que enuncia factos ou que incide sobre relações entre factos; é um juízo que afirma ou nega a realidade de um fenónemo. O juízo de realidade opõe-se ao juízo de valor, e também se designa usualmente por JUÍZO CONSTATIVO, JUÍZO POSITIVO.) 

2.25.2016

SOSLAIO




SOSLAIO 

Cada fim é um meio
Na senda de seu fim,
Nesse doce enleio 
Por que nascem flores, 
Primaveras, cores
Lavandas, alecrim. 

Aves vestem plumas. 
O céu, estrelado. 
E as moças... Algumas,
Só nos olham de lado! 

Joaquim Castanho 


2.23.2016

RAZÃO SOLAR





RAZÃO SOLAR

Balança-me a saudade
Sobre estas águas e luz,
Prò resto da eternidade
Que o teu olhar traduz.

Seu fulgor tem a mansidão
Dos socalcos que desceu, 
Como ouro a dourar razão
Na razão co Douro lhe deu. 

Joaquim Castanho

2.22.2016

NO SILÊNCIO A VOZ




NO SILÊNCIO A VOZ 

Sou sinal de porta aberta
Dum futuro que já me disse,
No escuro da rota incerta
Pra que teu peito se abrisse. 

E se me cruzo com o teu olhar
Num impulso respiro o mar
A que o rio me deitou um dia... 

Mas nesse querer que é esperar,
Com que se é porto ou lugar,
A luz me faz foz por magia!

Joaquim Castanho 

2.21.2016

CORRENTE DE APORTAR




CORRENTE DE APORTAR

Meus dias já foram pardos
Tão sem norte, tão sem brilho
Quas'enseada de cardos, 
Da morte me senti filho. 
Voguei em mar cavado, 
Por mar chão adornei sentir, 
Entre margens fui meu lado
Vaga a descer, onda a subir. 

E desse céu que espelhei
Quantas vezes bem agreste, 
Aportei rabelo sem lei
Só plo néctar que me deste. 

Joaquim Castanho

2.11.2016

TUDO NA ROSA É REGRA E NORMA




TUDO NA ROSA É REGRA E NORMA

Minha regra é norma aberta
Escrita na ordem vigente, 
Qu'é onde a lei me desperta
Positiva e naturalmente... 
Suas pétalas de mel em flor, 
Sorriso de pepita dourada, 
Incrustada na alma sem dor 
Ao ser pla brisa desfolhada.

Se tem espinhos, eu não o sei; 
Se quer infinitos, não mo diz. 
Amar o próximo é ser a lei –  
Poder d' inspirá-la sem ser juiz.        

Joaquim Castanho

2.08.2016

FÉ




FÉ 

A impertinente Felicidade, que ainda é jovem mas se não chama também Maria, estava, num dia assim, exatamente como hoje, fazendo nada, com todo o cuidado e esmero, que é coisa mais difícil de fazer do que qualquer outra que se conheça, quer por experiência tida, como contada, exceto esquecer, pois que para isso, se exige muita perícia na escolha e abnegação na armazenagem, caso contrário, a gente fica a esquecer aquilo que quer recordar e a lembrar tudo quanto importa esquecer.

E do nada surgiu uma flor. E depois um rosto, que embora de corpo oculto, já se lhe podia vislumbrar o espetro das mãos. Precisamente como se fosse um sol incrustado no horizonte da tarde ou uma lua pendurada da noite, suspensa por invisíveis e misteriosos fios (da trama suspeita e, às vezes, até tenebrosa, dos sonhos, que são sempre desconhecidos por nós nela, como pelos efeitos de ressaca com que desassossegam os espíritos, os corpos e as culturas, a que à imaginação e fantasia não têm muita afeição). 

Creio que era um lírio, uma açucena... 

Ante a brisa estremeceu breve. Pulsou num esgar sob as gotículas do nevoeiro vespertino, sorriu para o nada da menina que, encantada com o tamanho prodígio desse nada que lhe foi tudo, suspirou profundo, estremunhada, e cochichou  murmurando para consigo mesma: «Nestes momentos, coisa nenhuma do que me parece é; e, contudo, sem eles nunca serei.» 

Felicidade, quis eu chamar-lhe. Porém, ela metera os pés ao caminho...e, quando finalmente, proferi a primeira sílaba do seu no nome, ela já ia demasiado longe para me ouvir. 

Joaquim Castanho 

2.05.2016

POR QUE AMANHÃ É SÁBADO




POR QUE AMANHÃ É SÁBADO


Em Uruk, na eduba do templo a Inanna, foi encontrada nos princípios do século passado, entre os algures do tempo, do modo e do lugar, um cofre, uma caixa guarnecida a ouro e prata, com pedras preciosas incrustadas, dentro da qual estavam seis tabuinhas, que se supõe terem sido consideradas sagradas pelas vestais. 

Na primeira, estava vincado, cunhado, escrito, assim: «a cada qual o mesmo que aos seus pares». Na segunda dizia que «a cada um segundo os seus méritos». Na terceira, que «a cada qual conforme as suas obras». Na quarta «a cada um na estrita observância de suas necessidades». A quinta afirmava que «a cada qual de acordo com o que lhe é devido por lei». E a sexta, concluía, que «a cada um consoante a sua posição, responsabilidade e obrigações». Porém, depois desta, havia uma prateleirinha idêntica àquelas onde repousavam as citadas tabuinhas, mas vazia. 

Os estudiosos, arqueólogos, antropólogos e historiadores, conjeturaram ter havido nesta uma sétima tabuinha; e, não obstante, a sua azáfama e acuidada busca, o que é certo, é que não encontraram mais nenhuma, fosse onde fosse, nas ruínas da eduba, nem na nas de sua proximidade. Alguns alvitraram que essa lacuna se devia a alguém a ter retirado, talvez para ministrar culto ou ter presente nos rituais sagrados, não voltando a depositá-la no lugar, por qualquer incidente ou contrariedade ocorrida. 

Terão a sua razão... Talvez. Desconheço-o em absoluto. 
Todavia, creio que nunca lá esteve. Que a sua falta é mais significativa do que a sua presença. Que ela seria um separador... Que ela devia ser o sábado de culto, o sétimo dia, a folga da eduba e do templo. Enfim, que ela era a pausa de reflexão para a consciencialização cívica feita durante os seis dias anteriores. Até porque desconfio que foram elas, essas vestais de Inanna, que instituíram os dias da semana de acordo com o seu sistema hexagonal, e que desde então continuam a ser seis mais um, o separador, não obstante se ter adotado o sistema decimal desde os últimos milénios da nossa civilização. 

E, porque hoje é sexta-feira, vou apenas chamar-lhe amanhã. Não só por ser sábado, mas também porque ainda não foi escrita, e talvez exista alguém no futuro, alguém com nobreza de caráter e de coração ou inteligência suficiente para a escrever. Quem sabe!  

Joaquim Castanho 

2.04.2016

Legisladores e filósofos





"Aos legisladores cabe a missão de, em correspondência com os desejos da comunidade de que são representantes (e pela qual serão também responsáveis), elaborar leis justas, e aos juízes de as aplicarem com espírito de igualdade; aos filósofos, porém, cabe a de serem porta-vozes e defensores dos valores universais, logo, válidos para toda a humanidade." 
KK

1.31.2016

A democracia deve a sua vida ao saber como fazer

Uma sugestão de leitura para este domingo conjugável apenas no assim-assim do tempo... 




"A democracia deve a sua vida ao saber como fazer." 
in KURT VONNEGUT, Jr
UTOPIA 14
Trad. Eurico da Fonseca 
(Página 11)

1.13.2016

KIRCHMAN




"Três palavras de correção do legislador e bibliotecas inteiras transformam-se em papel de embrulho." 

KIRCHMANN

FRANZA JERUSALEM



"A sociologia é o direito natural da nossa época."

FRANZ JERUSALEM


HANS KELSEN



"Se a história do conhecimento humano nos pode ensinar alguma coisa, é a inutilidade do esforço no sentido de encontrar por via racional uma norma absolutamente válida do comportamento justo, uma norma que exclua a possibilidade de também se haver como justo o comportamento inverso." 

HANS KELSEN
(Ilustração: Princesas da Disney)

12.22.2015

PASCAL




"Quase nada há de justo ou injusto que não mude com a mudança de clima. Três graus de altura polar revolucionam toda a jurisprudência. Um meridiano decide sobre a verdade. Após alguns anos de posse, alteram-se as leis fundamentais. O Direito tem as suas épocas. Divertida justiça esta que um rio ou uma montanha baliza. Uma verdade aquém, erro além Pirinéus." 

PASCAL

J Maria Castanho dixit


"Não há nada melhor do que a ignorância para a pessoa se convencer de que sabe tudo."
J Maria Castanho

LEGES HENRICI PRIMI




O pacto vence a lei e o amor o julgamento
(Pactum legem vincit et amor iudicium)
in LEGES HENRICI PRIMI

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português