Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
6.24.2021
EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR
“Dado que oferecerá meios, nunca antes disponíveis, para a circulação e armazenamento de informações e para a comunicação, [o século XXI] submeterá a educação a uma dura obrigação que pode parecer, à primeira vista, quase contraditória. A educação deve transmitir, de facto, de forma maciça e eficaz, cada vez mais saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. Simultaneamente, compete-lhe encontrar e assinalar as referências que impeçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas de informações, mais ou menos efémeras, que invadem os espaços públicos e privados e as levam a orientar-se para projetos de desenvolvimento individuais e coletivos. À educação cabe fornecer, dalgum modo, a cartografia dum mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele.
Nesta visão prospetiva, uma resposta puramente quantitativa à necessidade insaciável de educação – uma bagagem escolar cada vez mais pesada – já não é possível nem mesmo adequada. Não basta, de facto, que cada um [e uma] acumule[m] no começo da vida uma determinada quantidade de conhecimentos de que possa abastecer-se indefinidamente. É, antes, necessário estar à altura de aproveitar e explorar, do começo ao fim da vida, todas as ocasiões de atualizar, aprofundar e enriquecer estes primeiros conhecimentos, e de se adaptar a um mundo em mudança.
Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se à volta de quatro aprendizagens fundamentais que, durante toda a vida, serão dalgum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver em comum, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; e finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta.”
in EDUCAÇÃO um tesouro a descobrir
Relatório para a UNESCO sobre Educação para o século XXI
Trad. José Carlos Eufrázio
Revisão e prefácio de Roberto Carneiro
Edições ASA, 1996
(página 77)
6.23.2021
SILHUETA DISTANTE
SILHUETA DISTANTE
Dito-me estendendo a fala
Sobre o chão que pisaste,
Qu’o coração nunca cala
S’os olhos veem que passaste…
Mas o verde verte agora
Sombra na luz azul do dia,
Qual bandeira qu’aflora
O mal se vê, dos sem poesia!
Joaquim Maria Castanho
6.21.2021
Ideia Líquida
IDEIA LÍQUIDA
Leva-me a levada Serra abaixo
Com gestos íngremes e rápidas curvas;
Contudo, se das nuvens me desencaixo
Em trovões, raios (aparo) e novas chuvas
Ou misteriosa sinfonia, rumor (baixo)
Surdina mansa d’água ao rés da terra,
E tilintando espuma, eis que acho
O mais onírico qu’o sonho encerra:
– O de ser breu diluído, nascido dos céus
Feito ideia, mas transformada um dia
Em vala de pedra, cimento e poesia
Descendo dos fundos cimos da ribeira
Pra juntar alecrim à urze e uveira,
Send’assim maneira, de dar luz aos ilhéus!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Maria Inês / Mia Teixeira
#poesia
#poemas
#redesenharavoz
#literaturaportuguesa
6.18.2021
6.17.2021
20 MULHERES PARA O SÉCULO XX, de Inês Pedrosa
Em 2001 houve um grupo/comunidade de leitores na Biblioteca Municipal de Portalegre, cuja coordenação esteve a cargo de Inês Pedrosa, a escritora, jornalista e mulher que, sacrificando quantas vezes o seu conforto caseiro na capital, se aventurou pelas estradas da charneca desbravada até este confins nas faldas da Serra plantado, para nos beneficiar com a sua peculiar abordagem da coisa literária. Meia dúzia de portalegrenses fizeram questão de usufruir desses momentos, em sessões mais ou menos mensais, aos quais nem a magia dos fins de tarde em Santa Clara faltou. No último dia, não obstante a má paga que lhe terá sido concedida, houve algumas declarações à imprensa e brindou-me com um livro de sua lavra, publicado no ano anterior, 2000, mas com 2ª edição no ano seguinte. Tenho-o lido e relido, para nunca esquecer que algumas das mulheres sobre quem ela escreve foram guerreiras ímpares que muito contribuíram para tornar a humanidade cada vez mais humana, mais inclusiva, mais igualitária, mais fraterna, mais democrática, mais sensível, mais positiva, mais bonita, mais desenvolvida e mais culta. É esse livro que aqui recordo hoje…
20 MULHERES PARA O SÉCULO XX
Inês Pedrosa
Publicações Dom Quixote
2ª edição - Lisboa, fevereiro de 2001
6.16.2021
a bolsa das marmitas (LIVRO de Joaquim Maria Castanho)
A BOLSA DAS MARMITAS é uma novela policial, mas jocosa. De costumes, mas divertida. De crítica social, mas sem magoar ninguém. Que promove uma região, mas nunca a nomeia. Que está pejada de realidade por todas as sílabas, mas como espelho dela.
Carrega consigo o peso da atualidade duma terra (Casal Parado) dividida em quatro: a parte de cima e a parte de baixo; o lado direito e o lado esquerdo. Mas igualmente um romance de afeto e paixão entre duas personagens essenciais: Ludgero Campaniço e Eslovákia Hirondina. O primeiro, oriundo da grande família dos Ninguém-Tem-Nada-Com-Isso; e a segunda, natural de New Ville, que é uma terriola que fica para lá do Canadá.
Todavia, não posso adiantar mais nada… Em breve estará entre nós, e cada leitor ou leitora o poderá constatar por si mesmo, por si mesma.
O autor
Joaquim Maria Castanho
6.12.2021
hoje
HOJE
Procura-me no tempo… Exatamente
Onde o ontem e amanhã fazem esquina;
Tão perto, ao rés do que é permanente
Mas que a eternidade ainda declina.
Não precisas de trazer nada (em mente)
E outras coisas qu’a etiqueta ensina;
Sequer boas intenções… Apenas sente,
Qu’é nas ilusões que o afeto germina.
São elas o caldo viscoso (com gorgulhos)
Visceral, pantanoso, e lamacento,
Apropriado pròs melhores mergulhos
À profundez oceânica do momento.
– Ou do exemplo, instante tumescente
Que penetra a lama donde nos contemplo!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#poema
#literaturaportuguesa
#redesenharavoz
6.07.2021
Sacada Histórica
SACADA HISTÓRICA
Esta sacada mora em mim
Como um obstáculo inamovível.
Cerca-me de ferro forjado
Algema-me em formas simétricas
Obriga a ler contornos invisíveis
Entre o miolo branco da luz
Durando mais que qualquer vida.
Já no século XVIII era assim.
E também, quase todos que a viram
Pereceram, ou estão próximo disso
Mais século menos século…
Todavia, ela permanecerá
Por outros tantos – pelo menos!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#redesenharavoz
#literatura
#poema
#certa
#castanho
6.06.2021
SANTO DIA, DIA SANTO
DIA SANTO, SANTO DIA
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Começo a semana sem ti
Vai a semana no meio,
Ainda nem sequer te vi
Já tenho o copo cheio.
Tento não perder o tino
Qu’a coisa anda aziaga,
Para fintar o destino
Para curar esta chaga.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Entraparam-m’a cabeça
Nada de narizes ao léu,
Pra que não nos aconteça
Ser outras estrelas no céu.
Ind’ò domingo não chegou
Já me sinto a futurar,
Que o sonho também sonhou
Chegar a ti, contigo estar.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Joaquim Marias Castanho
6 de junho de 2021
10:00 / 12:00 horas
6.04.2021
história policial - o que é?
HISTÓRIA POLICIAL
É uma narrativa (conto, novela ou romance) em que um detetive decifra um mistério, mediante a conjugação e interpretação de indícios. A história policial teve a sua origem em 1841, com a publicação do conto de Edgar Allan Poe O Duplo Assassino da Rua da Morgue; Poe consolidou firmemente o novo género literário escrevendo vários outros contos de caráter semelhante. As convenções deste género de passatempo sem grandes pretensões literárias incluem certos aspetos de pormenor, tais como a perfeição do crime, a estupidez da polícia, a argúcia ou perseverança do investigador e um desfecho impressionante. É uma regra básica da história policial que o leitor seja posto a par de todos os indícios que possam conduzir a uma solução, à medida que o detetive os vai conseguindo obter. Num sentido muito limitado, pode dizer-se que Sófocles e Shakespeare foram autores de histórias policiais, uma vez que, tanto no Rei Édipo como no Hamlet, se nos depara um heroi a tentar esclarecer a situação na qual está envolvido um assassínio.
Incluem-se entre os mais notáveis autores do género, além de Edgar Allan Poe, Sir Arthur Conan Doyle (as histórias de Sherlock Holmes), S. S. Van Dine (Philo Vance), Ellery Queen, Dashiell Hammett, Dorothy Sayers e Agatha Christie (Hércule Poirot). O belga Georges Simenom é outro autor de histórias policiais que influenciou consideravelmente a novelística do género com a sua famosa figura do inspetor Maigret.
In Harry Shaw
DICIONÁRIO DE TERMOS LITERÁRIOS
Tradução de Cardigos dos Reis
(página 361)
Publicações Dom Quixote
Lisboa, 1978
6.02.2021
A arte das artes
A poesia é a arte das artes.
PORQUÊ?
Porque com todas elas, ela convive, sem nenhuma ofuscar, mas antes completando, e acrescentando valor, como sucede com a música, com a pintura, com o teatro, com o romance, com o cinema, com a fotografia, com a escultura, com a arquitetura, com a paisagística, com a pedagogia, com a didática, com o desporto, com a gastronomia, com a decoração urbana, com a decoração doméstica, com a filosofia, com as ciências, com as ideologias, com a política, com a história, com o moderno, com o antigo, com o exotismo, com o esoterismo, com a cibernética e com a semiótica. Com o design e com TV.
Quando Bob Dylan, num passado ainda recente, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura, enquanto poeta, estendeu esse prémio a outra arte: à música.
Quando foi atribuído, a Gabriela Mistral, nos meados do século passado, o Prémio Nobel da literatura, ela estendeu-o ao magistério primário, à pedagogia e à didática.
Quando no quotidiano, no dia a dia, em qualquer esquina, em qualquer café, em qualquer praia, em qualquer rochedo, em qualquer floresta, em qualquer fábrica, em qualquer repartição, em qualquer meridiano, nos acontece a poesia, ELA decora-os, embeleza-os, e dá-lhes sentidos e significados que, até aí, nunca tiveram ou lhes foram reconhecidos.
A POESIA É DESVIO. Sem ELA, tudo é rotina. Tudo é tédio. Tudo é compulsão. Tudo é monotonia. E tudo é lassidão.
Na economia, no jornalismo, na rádio, na televisão, marca presença, ilustra, dignifica, ou serve de argumento às matérias da comunicação social. Os jornais de referência repetem-na em títulos e a publicidade em slogans.
A poesia motiva, mostra, festeja, celebra, enaltece, conta, regista, fixa, o que a humanidade tem de heroico (ÉPICA), de existencial (DRAMÁTICA), de sentimental, emocional, afetivo e psicológico (LÍRICA), em cada uma das suas eras, de suas aspirações, de suas crises e de seus sucessos. Torna presente o que foi passado; “realiza” o que será futuro.
É imprescindível nas comemorações, atos solenes e passos em frente, de quase todas as culturas da atualidade. Os hinos de todos os países, compõem-se de poemas mais ou menos musicados, dando relevo ao que há de mais profundo em suas almas, seus inconscientes e conscientes coletivos.
Seja o que for que a humanidade fez ou possa vir a fazer, foi antevisto pela poesia, e diversos poetas ou diversas poetisas passaram por lá anteriormente, e interiormente.
A poesia integral, a prosa versificada e a prosa poética, divergem formalmente, mas estão unidas, e imbuídas, do mesmo sentido gregário, artístico, poético, ético, estético, literário, linguístico, pedagógico, filosófico e socializador, reunindo os seus cultores, fazedores e apologistas, numa mesma, grande e universal família – a nossa, a da POESIA. Umas vezes, cada qual trabalhando em separado e avulso; outras, em equipa, criando, divulgando, promovendo, usufruindo, trazendo a arte das artes para a praça pública, para o dia a dia. Para a publicação, para o entretenimento, para o espelhar da alma e das almas, para o livro… Como neste caso.
O livro qu’aqui ‘tá – obra com muita gente,
É um verso plural, poema coletivo.
Reúne de cada qual o ser diferente;
Dá a todos e todas, um sentir positivo.
Joaquim Maria Castanho
5.31.2021
TEORIA DA LITERATURA
“A espécie literária é uma «instituição» – tal como a Igreja, a Universidade, o Estado, são instituições. (…)
A teoria dos géneros é um princípio ordenador: classifica a literatura e a história literária não em função da época ou do lugar (por épocas ou línguas nacionais), mas sim de tipos especificamente literários de organização ou estrutura. Todo e qualquer estudo crítico e valorativo (em contraposição aos históricos) acarreta, de alguma maneira, o apelo a essas estruturas. (…)
Aristóteles e Horácio são os textos clássicos da teoria dos géneros. (…) Na sua maioria, a a moderna teoria literária mostra-se inclinada a pôr de parte a distinção entre prosa e poesia e a dividir a literatura imaginativa (Dichtung) em ficção (romance, conto, épica), drama (quer em prosa, quer em verso) e poesia (centrada no que corresponde à antiga «poesia lírica». (…)
As três espécies maiores encontram-se já distinguidas, em Platão e Aristóteles, consoante a «maneira da imitação» ou da «representação»: a poesia lírica é a persona do próprio poeta; na poesia épica (ou no romance) o poeta, em parte, fala na sua própria pessoa, como narrador, e, em parte, faz as suas personagens falarem em discurso direto (narrativa mista); no drama, o poeta desaparece por trás do elenco das suas personagens. (…)”
in Teoria Da LITERATURA
de RENÉ WELLEK e AUSTIN WARREN
Tradução de José Palla e Carmo
(páginas 282/83/84)
Publicações Europa-América – 4ª edição
5.30.2021
DE RIMAS ME EMBRIAGO
QUE TRAGO A TRAGO, DE RIMAS ME EMBRIAGO
Gravo a voz na pedra deste instante
Com o cinzel da minha fala em brasa.
Então, aí, eu esculpo-me de rompante
Porta, como batente da mesma casa…
O que sou, é tão-só verso ofegante
Cisco de língua que em rimas s’abrasa;
Escolho dum naufrágio mais adiante,
Que até o próprio instante atrasa.
E da residência hostil, mas aberta
Onde, enfim, fomos recebidos de vez,
É tempo de olhar prà rua deserta
Inundada pelo tal sol que desperta
Além da sede, criação, rebanho, rês,
Nossa febril e lânguida embriaguez.
Joaquim Maria Castanho
5.28.2021
Rádio Horizonte
Esta noite, às 21:30, na Rádio Horizonte, uma horinha de excelente conversa entre pessoas da nossa terra -- e que muito têm feito por ela...
https://www.youtube.com/watch?v=ef31tDByTlk
Entrevista de Fernando Mão de Ferro a Rosa Calado.
Esta noite, às 21:30, na Rádio Horizonte, uma horinha de excelente conversa entre pessoas da nossa terra -- e que muito têm feito por ela...
https://www.youtube.com/watch?v=ef31tDByTlk
5.21.2021
Livros de JOAQUIM MARIA CASTANHO
La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu
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