5.22.2018

RECORRENTES E REDUNDANTES




(RE)CORRENTES E REDUNDANTES

Nesta redundância, sem ideais
Do querer ganhar o seu tostão, 
Há muitas pessoas, bem normais
Que não sabem a diferença que há
Entre o logo e o já, 
Entre o sim e o não!  

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.21.2018

SOLUÇO




SOLUÇO 

Viver é habitar num lago de escombros, 
Um emergir escorrendo água dos ombros; 
É um sacudir da aspereza e da fadiga
Ainda que me ande a Musa a monte
E não haja nada que diga, 
Não haja nada que conte... 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.18.2018

SONHO TÁCTIL




157.
SONHO TÁCTIL


Quando passas a conduzir 
E, parece, nem sequer me ver, 
Vejo minha esperança a ruir
Sinto o meu coração a doer
No seu inesperado sentir
– Quase abalo ou sismo ser… – 
Onde o chão, a terra a fugir, 
Tem sulcos d’algodão a escorrer
Tem versos de paixão a contrair 
Plo bailado do teu cabelo
(Dlim-dlão, dlão-dlim), qual pêndulo 
Do compasso a marcar-me assim
Num fogo tal, e só por vê-lo, 
Que sonho por tocá-lo, enfim!

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ

5.16.2018

A ALEGRE PASSEATA




PASSEATA ORGULHOSA

Mesmo que a esperança seja turva
E houver insegurança, estagnação, 
Ou se ziguezaguei curva ante curva
Para não patinar num oleoso chão,
Se disser as estrofes, sigo adiante... 
Se a poesia consentir, cuido de ti... 
E entre nós, o futuro, já radiante
Segue-te pelo presente que escolhi. 

Que este navegar sobre os escolhos
Bem para além do longe e do distante,
Traz a alegria escrita em nossos olhos
Quando a vida de confiante... sorri. 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: ELIE ANDRADE)


5.13.2018

ABRAÇO ESSENCIAL II





ABRAÇO ESSENCIAL II

Aposto-m'em cada passo
Na procura do teu olhar, 
Refletido nest'abraço
Que ninguém poderá julgar
Sem deturpar a imagem
Em que a água acredita, 
Exilando-a da margem
Onde bate extasiado,
– Porque em febril cuidado –
O coração que a edita. 

Joaquim Maria Castanho
(C/foto de Elie Andrade)

5.11.2018

DEPOIS DA FALA




DEPOIS DA FALA 



Ondula, baila, baloiça
Oscila um ósculo lunar 
– Digo-o pra que ninguém oiça… – 
Num brinco que me faz baloiçar. 


Qu’isso que a fala aprende
Mal a língua nos pronuncia, 
É um ósculo que nos defende 
Das agruras do dia-a-dia 
Mesmo que não seja tão real
Como o sonhámos tanta vez
É ideal que à vida prende
Quem oscila, balança, porfia; 
Quem baloiça assim todo o mês
Entre o menos bem e o menos-mal. 

Joaquim Maria Castanho

5.08.2018

DO GRITO, a fala




153.DO GRITO, A FALA



Inspiro o que me há de expelir
E anseio na sombra me soletro, 
Mas s’ouvir bater à porta, entro
E abro-a prò sol poder sair, 
Que a vida é fulcro, é centro
Que as pétalas mostram ao abrir, 
Qual grito que não querem calar
Pra erradicar desavença e dor. 


Então, já embevecido raiar 
Vejo-te sorrir num gesto de flor
Que não receia o querer falar… 

– E a língua inventou o amor!

Joaquim Maria Castanho

5.07.2018

O GRITO depois do uivo




DEPOIS DO UIVO, O GRITO   



Para discernir seguro e inteiro
Quem o coração elegeu primeiro
Não há receita já pronta e feita, 
Nem medida tirada com preceito
Que a margem do afeto é estreita
E a atração também cresce no peito… 

Porém, se o verbo jungir surgir, vier
E exigir pouco a pouco ser conjugado
Em todos os tempos e modos que tiver, 
Desço do poema como quem se apeia
Dum uivo, e de propósito se enleia 
Nele, pra poder gritar quanto quiser!

Joaquim Maria Castanho

5.05.2018

5.04.2018

Pois é...




"Adiante, os leitores vão ficar com uma ideia do que mudou durante a revisão, o que, espero, permita permita mostrar que um livro nunca é criado por uma única pessoa. Os livros, tal como a maior parte das minhas coisas favoritas, são feitos de colaborações." 

JOHN GREEN, in À Procura de Alaska

4.25.2018

25 de abril de 2018




A cultura não tem credo nem regime, não é de esquerda nem de direita, quer ser livre, inovadora e sustentável, diversa, emancipada, responsável, emancipada, harmoniosa e socialmente responsável. 

4.24.2018

A QUEBRA




A QUEBRA

Vejam: a próxima linha 
Não tem sentido nenhum... 
Ninguém sabe onde fica; 
Ninguém sabe pra onde vai. 

Não há sons que a digam
Nem palavras pra desenhá-la, 
Mas somente esse clique
De alinhavo que se esvai, 
Bater de dentes ao cortá-la. 

Joaquim Maria Castanho

MELHOR AMA QUEM CRÊ AMAR




O MELHOR AMOR

Bebe água, a rolinha
Enquanto a ideia choca; 
Um dia será apenas minha
E o canto, de quem a sufoca
A desfoca
A desloca ao pronto observar. 

Se tem sede, não é de beber... 
Se aspira, não é pra respirar... 
Mas se vive é por crer viver...
Qu'o maior amor é crer amar. 

Joaquim Maria Castanho

4.21.2018

MIRAR (IN)DISCRETO



MIRAR (IN)DISCRETO 

Há, ao fundo, 
Uma cidade
A espreitar a flor... 

– Então, é verdade
Que todo o mundo
Tem o anseio profundo
De guardar o amor! 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: Beluxa Gto)

CORRENTE INEVITÁVEL




CORRENTE INEVITÁVEL 

Esfrego o rosto, 
Sacudo a cabeça... 

Mas mesmo assim, aposto, 
Não é certo que te esqueça! 

Joaquim Maria Castanho
(Foto: Zélia Mendes)

MÚSICA AO LONGE, de Erico Veríssimo




"Quando a gente quer olhar tudo, acaba descobrindo o que há de feio no mundo." 
Erico Veríssimo, in Música ao Longe

O Coronel e o Lobisomem




"O mundo é um saco de pecados e cada um arrasta a sua penitência"
JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO
in O Coronel e o Lobisomem 

CONTRARIEDADE




CONTRARIEDADE

Chove, pinga, troveja... 

Então, fico em casa
O coração em brasa,
Mas cara d'ora-veja! 

Joaquim Maria Castanho

4.20.2018

XEQUE-MATE




XEQUE-MATE

Deste-me xeque-mate
Numa simples jogada, 
Pérola de quilate
Preciosa e dobrada. 

Foi um tiro preciso
Exato, limpo, sem dó,
Que me põe num sorriso
Pronto para dar o nó. 

Deste-me xeque-mate...
– E numa jogada só! 

Joaquim Maria Castanho

4.19.2018

LUA NOVA




LUA NOVA 

Eu andava à deriva
Por falta de notícias
Daquela que é cativa
Em outras frias paragens
Onde não há delícias 
Onde não há estiagens... 

Ora sou preocupação: 
Não resta senão esperar
Que a Lua cresça e então
O Sol a ajude a brilhar. 

Joaquim Maria Castanho 

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português