8.28.2009

UM CADÁVER NO TRAMÓIA


Almerinda Rodrigues, dezoito anos ainda fresquinhos e um palmo de cara que nos deixa estupefactos, rosto oval esticado, queixo para a frente, boca rasgada com o lábio superior em biquinho, dentes certos e favudos, cabelo negro, sedoso, encaracolado e comprido, olhos castanho-escuro, pele rosada e macia, com algumas sardas indeléveis a salpicarem o ângulo das pálpebras com o nariz agudo, de ventas alçadas e abertas, caminhava ao longo da estrada que atravessa Casal Parado, em direcção à ponte. Um carro económico seguiu-a de perto, quase lado a lado, e o motorista, talvez deslumbrado pelo recorte de suas pernas e ancas, que se adivinhavam sob a ganga das calças apertadas, cheias e musculadas, mas num desenho esguio que lhe realça as nádegas firmes e salientes, pondo a cabeça de fora do vidro, lança-lhe piropos:
«Ó borracho!! Não te faltava nada!... Nadinha. Dava-te tudo o que quisesses!... Queres ir dar uma volta, bombom?!... Contigo ia até ao fim do mundo. Até à morte, se preciso for!...»
Mas ela, mantinha-se inalterável. Não afectava ouvi-lo. Nem um pestanejar lhe arrancava, aquele desarrazoado dele. E continuava estrada fora, impassível, em passo seguro e convicto, mãos nos bolsos do Kispo verde, saco de lona a tiracolo, batendo-lhe na coxa a cada impulso da passada.
Esta atitude dela não agradou ao condutor do veículo. Ou, então, este interpretou o silêncio por um consentimento. E levou mais longe a audácia, trocando os piropos por roncos e palavras menos correntes ao linguajar das famílias.
«Dava-te uma foda, que até vias estrelas!... Não me queres chupar o cepo?!... Tens uma boca mesmo à medida dele! Aproveita filha!!... Que é de borla, e ainda tens brinde!»
Aí, ela puxa do tabaco e isqueiro, um bic amarelo de usar e deitar fora, não recarregável, e acende um cigarro, soprando as baforadas para diante, desafogada e tranquila; de seguida, após guardar o tabaco com o isqueiro dentro do maço, no espaço deixado vago pelos cigarros que lhe extraíra, num dos bolsos interiores do kispo, mexe com a mão livre no recheio do saco, apalpando-o até encontrar o que procura. Do conteúdo (estávamos ainda no Carnaval), retira uma bomba de espantar pardais das vinhas e trigais, que, sem que o automobilista se aperceba minimamente dos gestos, ateia, com o auxílio do morrão do cigarro, e atira-a pela janela do carro. A bomba de rastilho incendiado cai no banco, entre as pernas do motorista, e rebenta-lhe junto aos testículos. BUM!! – Ecoa o estrondo abafado do interior. A viatura, que o condutor desgoverna por causa da dor, despista-se e cai ao ribeiro, pouco antes da ponte e sem chegar a tocar nela.
Almerinda nem se digna a olhar para trás. Aquele acinte não lhe diz nada. Não é com ela. Ainda não tinha completado a travessia da ponte, e já o seu espírito se entretinha com outras coisas. Pouco depois, um agricultor vindo de cima, parou o tractor, de reboque carregado de vides, e correu em auxílio do sinistrado.
Almerinda é filha da única puta que existiu em Casal Parado nos últimos vinte anos, mas não lhe deve nada além do nascimento, pois foi criada e educada por uma família de mais posses que a recolheu e cuidou. Ela sabe-o e até já falou pessoalmente com a mãe. Não raras vezes deu-lhe roupas, dinheiro, bolos, embora que simplesmente em alturas festivas. No entanto, não sente que seja sua filha, nem se importa ou envergonha pela vida que a mãe leva. Sempre que pensa nisso acode-lhe à mente que tal acontece porque acontece, que não tem nada com isso, nem poder para alterar, e que se a mãe faz o que faz é porque o quer fazer. O que, diga-se em abono, é pura verdade, visto ela não exigir efectivamente nada aos seus clientes: fá-lo principalmente por gosto e uns quantos almoços ou jantares divertidos e bem regados. De resto, para os seus gastos e usos, trabalha na agricultura, nas vinhas ou pomares, em que as mulheres dos donos se não melindram ou não sabem.
Casal Parado é uma povoação dividida em quatro, de acordo e como resultado da sua rua central, que é a estrada, se cruzar com o Rio Tramóia, a que também chamam Ribeiro, no seu principal e mais antigo monumento: a ponte. Duas colinas que se encontram e terminam nas várzeas da beira-ribeiro, que férteis e bem amanhadas, retalhadas em rectângulos mais ou menos pares, os talhos, produzem a horticultura suficiente e necessária aos habitantes dos dois lados da freguesia, que o ténue curso de água separa. A meio das encostas, fronteiros e em igual altitude, os autóctones identificam o lado oriental do riacho, onde ficam as escolas primária, pré-primária e secundária, os cafés, a Junta de Freguesia, a Igreja e a casa mortuária, os supermercados, bancos, agências de seguros, clínicas médicas, restaurantes, drogarias, peixarias, prontos-a-vestir, lojas de móveis e de artesanato, por Casal Parado; e o ocidental, onde se situam as oficinas, fábricas de bolos e padarias, carpintarias, estaleiros de construção civil, fornos de cerâmica, lagares e moagens, por o Outro Lado. Mas esta é uma visão estritamente interna e vocabular, sem pretensões geográfico-administrativas, quer dos pontos de vista político e social, quer dos recursos e potencialidades.
Quem faz a cisão ambiental é a estrada. Uma estrada que não vai para mais lado nenhum depois de atravessar a povoação, extinguindo-se e ramificando-se em caminhos de cabras poucos metros além do término do alcatrão, coisa que acontece na sequência da última casa de Casal Parado. Cruzando o riacho que corre (quando há água para tanto!) de Sul para Norte, aos esses e gorgolões de bêbado, ainda que habitualmente que com um ínfimo fiozinho de água, uma quase mijadela de gato, insiste em contrariar os seus congéneres correndo ao contrário, divide a urbe entre ricos e pobres, empresários e operários, agricultores e assalariados rurais, comerciantes e consumidores; respectivamente, entre nortenhos e sulistas. A sul dela graça tudo o que é desgraça: a droga, o alcoolismo, a insuficiência monetária, carência alimentar, o analfabetismo. Mas no seu norte situam-se as vivendas tipo maison, os palacetes aristocráticos, os salões de chá, os estabelecimentos de empregado fardado a rigor, o clube, os bem vestidos e melhor montados, normalmente em viaturas ligeiras de seis mil contos média. É nessa zona que Almerinda Rodrigues vive, embora reconheça que veio da outra banda, e não descure as diferenças nem o porquê delas. Pelo menos de algumas delas.
Estudou na sede de concelho até ao 12º ano, porque a família adoptiva quis que ela o fizesse, embora não lhe admitissem a necessidade de avançar nas habilitações mais além, tirando um curso médio-superior por exemplo, ou mesmo um superior, que lhe garantisse um futuro mais risonho do que àqueles que a recolheram. Até porque, consideravam eles, proporcionar a ela tanto como aquilo que eles e os do seu sangue tinham, seria humano e católico; agora, dar-lhe a possibilidade de no amanhã ela vir a ter um estatuto social superior ao deles, isso já seria perjúrio e blasfémia. Ela sempre o soube, mas também nunca se importou. Aliás, e não obstante tenha sido uma excelente aluna, a melhor, inclusive, em algumas disciplinas – porque lhe era impossível não saber as matérias depois de assistir às aulas, já que ali estava e ouvia os professores, e dado não ter mais para fazer –, foi para a escola porque a mandaram ir, não porque quisesse ou visse nela uma maneira de realizar fosse o que fosse, sim por sentir dever de obediência àqueles que nada lhe eram, e que, contudo, a haviam trado “como se fossem”, expressão que acuidadamente gostavam de empregar, logo que se deparavam com uma oportunidade de o fazer (socialmente).
Tirou assim o Curso de Secretariado do ensino secundário e complementar, via profissionalizante, com média final de dezasseis valores, segundo reza o diploma afixado na sala da família Santana, em moldura de bronze e fundo de veludo preto. Simplesmente, ligou-lhe tanto como se o não tivesse, e, como eram escassos os empregos na época, ou porque não se preocupou em encontrá-los, o seu primeiro trabalho foi andar na apanha da fruta, do tomate e vindima, para depois seguir carreira no campo em todo e qualquer serviço que lhe solicitassem. Sabia conduzir tractores e alfaias agrícolas, tratar do gado vacum, aves de aviário, cogumelos de estufa e fazer a contabilidade dos respectivos ramos da actividade económica. E sempre que podia embrenhava-se pelos vinhedos e pomares, matas e charnecas, de espingarda de pressão de ar em punho, caçando coelhos, lebres e perdizes, se estes se descuidassem com ela. Sozinha e sem receios. As mariquices não lhe assentavam bem, e punham-na irritada e agressiva.
O dia de aniversário, em que atingiu a maioridade, passou-o a vergar a mola, na colha de tomates. À noite, então em casa, ofertaram-lhe prendas (cuecas e meias, um avental de cozinha e meia dúzia de guardanapos prò enxoval), um bolo com dezoito velas e um discurso adulto de boas-vindas, que podia resumir-se mais ou menos nisto: “a partir de hoje estás por tua conta, e nunca te esqueças que na cama que fizeres, nela te deitarás. Se quiseres continuar cá em casa, fica o tempo que te apetecer, mas começarás a participar das despesas.” Ela compreendeu: era a maioridade. Portanto, visto não ter para onde ir, acatou as regras e permaneceu. Fez as contas, e o pouco que lhe sobejou – além dos gastos gerais de manutenção, como pensos higiénicos, pasta de dentes, desodorizantes, livros, discos, revistas, café e tabaco, peúgas e cuecas, ou alguma imperial nos dias quentes de Verão, entre outras quinquilharias – meteu-o no banco, em conta individual, e sem menção a qualquer outro titular ou testamentário. Esporadicamente comprava ténis e calças de ganga, ou T-shirts e camisolas de lã. Consoante o tempo. Nesses meses o saldo bancário pouco subia. Mas nos demais em que tais despesas não ocorriam, chegava a forrar vinte contecos. Limpinhos e sem espinhas.
Durante o estio usava, de conjunto com os ténis e calças de ganga, uma T-shirt curta a tapar-lhe o tronco e os seios soltos. Se arrefecia um pouco, ou nas meias-estações, vestia-lhe por cima uma camisola de lã de gola redonda, a rodear-lhe o pescoço esguio. Se era Inverno ou frio dele, punha por sobre as duas o kispo verde com gola e punhos de malha. De mais variações apenas quando do dia da primeira comunhão, e somente porque fora obrigada, num vestido branco de ocasião, que na generalidade haviam reconhecido não lhe assentar nada mal.
Ao deitar, porém, as preocupações com o próprio corpo, tornavam-na implacavelmente meticulosa e calculista. Quase todas as noites se postava nua em frente ao espelho grande, o do guarda-vestidos, a observar-se, pálpebras comprimidas numa lâmina de olho, o cenho franzido. Abria a boca e confirmava o estado de cada um dos seus dentes. Depois, indiferente à temperatura que se fizesse sentir, descia o exame até aos seios, sustendo-os primeiro na palma da mão em concha, como que a ponderar-lhes o peso e o volume, acariciando-lhe os mamilos com a polpa dos dedos humedecida em saliva, palpando-os em volta, procurando quistos ou calosidades. Finalmente flectia as coxas para poder observar a vagina, a que, com dois dedos afastava os lábios exteriores, para melhor inspeccionar os interiores e clitóris; e seguidamente, virando-se de costas e com o auxílio de outro espelho mais pequeno, redondo, após alçar as ancas e com a mão vaga afastar as nádegas, atentar minuciosamente o ânus. Registava mentalmente as suas conclusões enquanto se deitava, vestindo ou não pijama, conforme a temperatura da noite e segundo a estação do ano, ao que adormecia assim que se estendia no leito, a perna esquerda totalmente esticada, mas a direita perceptivelmente flectida e dobrada para fora.
O leão reina na selva. Deus impera no seu reino. O homem governa no mundo do homem. E no império de Almerinda Rodrigues também não há quem mais mande e obrigue; é a ela que pertence essa tarefa. De que não abdica. Resolveu ter o seu macho, a sua casa e as suas crias. E te-las-á um dia, para reinar sobre elas, sem que nada possa desviá-la desse propósito, e não obstante todas e quaisquer riquezas ou cursos que lhe facultassem. O seu caminho há muito que fora traçado, e ela tomou-o por uma linha recta – impressionante e infinitamente recta. Segui-la-ia. Segui-la-á. A toda a hora o soube, como, aliás, o sabe agora.
Um dia levantar-se-ia cedo e começaria a procurar o seu macho, quando já se sentisse pronta e acabada para o receber, e suficientemente apta para gerar crias sãs e robustas como compete à natureza das mães que se prezam e orgulham. Mas antes desse dia, ninguém lhe poria as mãos na crica com sua autorização. E Almerinda era selvagem demais para lho fazerem sem ela permitir!... Ela escolheria o seu macho; esse macho seria o macho dela, e ponto final. Com ela era assim que as coisas se passavam. Haviam de ser. Foram.
No dia-a-dia o seu lema era economia. Não economia de poupança financeira ou de relações de produção, de bens ou serviços. Mas sim, economia de gestos, palavras e actos. Até no andar, que ela praticava direita e com segurança, o passo era dado com a medida exacta para o comprimento e flexão das pernas, a fim de manter e aproveitar o balanço do tronco e braços, ou o impulso dos pés, dos quais assentava primeiro os calcanhares para levantá-los recuperando o efeito mola propulsora do metatarso e dedos. A sua agilidade e flexibilidade eram (e são) invulgares, embora que treinadas apenas com o trabalho, os exercícios diversos que aproveitava da execução das tarefas laborais que lhe eram solicitadas, o andar de bicicleta, ou, casualmente, na caça e caminhar a pé; erguer cestos, subir às árvores, conduzir tractores, partir lenha, lavar a roupa.
Desfrutava contudo de um porém: apreciava chás de ervas naturais ou folhas e cascas de algumas árvores, não contando com a bica de todos os dias. Daí que raramente fosse ao médico por constipações e infecções menores. Ministrava-se a si própria os chás que a ocasião pedia e deixava o resto por conta do tempo, descanso e sistemas imunológico e de defesa. Ou da mezinha caseira dos três aaa: abifa-te, avinha-te e abafa-te.
Se alguém lhe perguntava porque fumava, respondia invariavelmente:
«Porque gosto, ora então!»
Mas não era verdade. Fumava para amortizar (anestesiar) o olfacto. É que, nos dias em que o não fazia, acusava uma acuidade olfactiva extrema e apuradíssima, e sentia, portanto, ou deixava-se estimular e reagir, a todos os odores e cheiros por mais leves e discretos que fossem. Os perfumes fortes, sobretudo, martirizavam-na. No entanto, os que principalmente a irritavam eram a adrenalina, o estrogénio e a luteína humanas. Por isso, para prevenir que o seu sistema endócrino a traísse e reagisse aos estímulos exteriores, quer eles fossem propositados ou espontâneos, destruía momentaneamente as suas capacidades gustativas e olfactivas, através do uso controlado e intoxicação tabágica. Pelo menos, se as não destruía, anulava-as temporariamente.
As frequentes leituras e horas de caçada treinaram-lhe os reflexos e precisão visual. Para ela, ver ao perto com nitidez e definição, era-lhe tão fácil como distinguir os mais ínfimos pormenores longínquos: uma questão de abertura ou fecho de lente, que conseguia contraindo ou distendendo as pálpebras, quais diafragmas em sucedâneo. Membranas que, se contraídas para nos fixar nos olhos, lhe deixavam uma lâmina castanha, acutilante, fria, em cada pupila, que nos obrigava a desviar os nossos, não sem que antes sentíssemos percorrer-nos um arrepio de gelo.
Nunca a ouvi contar uma anedota ou rir-se das caricaturas e ridículos humanos. A impassibilidade de quem fita o longínquo, eram a sua peculiar pose de estar em sociedade. Mas ouvia-a gargalhar com vontade enquanto brincava com os cachorros no pátio dos Santana, ou a observar os gatos a caçar no celeiro, na adega e nas medas de paus. E tinha uma gata, atravessada de siamês, de quem gostava particularmente, a Lili Marlene, lhe permitindo dormir na sua cama, junto aos pés, e para quem matava com a pressão de ar passarinhos diversos, invariavelmente pequenos, que empestavam a zona com seus chilreios e esgravatares, destruindo canteiros e distribuindo sementes, numa semeadura de torna baldia.
Mas fora às audições constantes e nocturnas, em baixíssimo volume, demasiado baixo até, se para mim estivessem sintonizadas, dos seus rocks, pops e discos de clássicos, que deveu o saber-se espiada e perseguida nas tardes de fim de Outono, em que vinha do café ou se regressava mais tardiamente do trabalho. E teve a certeza de que o era, quando, depois de abandonar o estabelecimento deu uma volta mais larga, por uma rua transversal ao quarteirão, correndo, e o foi surpreender à esquina de baixo, trinta metros antes da sua porta, tossindo-lhe propositadamente alto sobre a nuca descoberta, assustando-o e obrigando-o, numa explosão de raiva vingativa contida durante nove meses, a desvendar-lhe os seus intentos e anseios.
«Há-des pagarmas, cadela. Vaca, filha de puta!!... Há-des pagarmas!!» Vociferara ele, o perseguidor, dessa vez perseguido, qual caçador caçado, e que não era outro senão o tal motorista que se despistara, ao lado da ponte, sobre o ribeiro: António Sarraceno, avicultor, proprietário de vários aviários de codornizes e frangos, lá para os confins do Outro Lado, de estrutura atarracada e compleição pícnica, muito susceptível nos humores e temperamental, a deslocar-se ainda com a ajuda de duas muletas, por mor das fracturas sofridas no acidente, de tíbia e perónio da perna esquerda e fémur da direita. «Essa te garanto, vaca. Nem que seja a última coisa que faça nesta vida. Puta. Filha de peixe sabe nadar, não é?!...»
Almerinda cheirou-lhe a adrenalina, o que lhe fez alçar o queixo e fremir as narinas, antes de atirar para o ar uma gargalhada inumana, irada, raivosa, de despeito e provocação, a replicar-lhe:
«Eu, se fosse a ti, era o que faria, canalha. Mas se com os tomates completos eras cobarde, agora ainda o deves ser muitos mais!!...» E seguiu para casa, sem pressas, nem hesitações.
A António Sarraceno não fora fácil esconder dos médicos e polícias de segurança pública o porquê de seus testículos queimados e desfeitos, a que a medicina avançada da equipa cirúrgica dum hospital da capital, em que entrara pela porta das urgências, só conseguira salvar meio esquerdo e nada do direito. Além da vergonha e frustração, germinavam já no seu íntimo a ânsia de vingança, como resultado duma impotência que se adivinhava (com ou sem Viagra), o medo de vir a ser descoberto. Primeiro, dissera-lhes que não sabia como acontecera; e depois, lembrara-se, que se haviam, incendiado os estofos no despiste, por causa de qualquer curto-circuito ou avaria na parte eléctrica, provocando a explosão de algumas bombas de Carnaval que trazia no tablier, das quais uma se lhe viera anichar entrepernas. Ao que os doutores e policiais sorriram perante o ridículo, senão trágico, da situação; no entanto, como era a vítima a autocondenar-se, deixaram-se doutros alvitres, e não visionaram nele mais que um caso azarento, que provavelmente se devia à má estrela sob a qual tinha nascido o sinistrado. Aos médicos, quando o ambiente social o propicia, serve-lhes ainda de anedota sobre a fatalidade e azares dum provinciano, com a garantia de provocar a hilaridade geral. E quando António o soube por um enfermeiro de poucas diplomacias, em vez de se lamentar, suspirou de alívio, ganhando a certeza de que a peta havia pegado de vara e garfo. Sem sombra para dúvidas, nem enxertos de outras artimanhosices.
Naquela noite Almerinda fizera as suas inspecções físicas um tanto tardiamente para o habitual. Fora demasiado longe no escárnio e provocação, e isso, ditava-lhe que devia ficar alerta e preparada para qualquer retaliação que ele lhe aprontasse. Lera o medo nos olhos dele, e sabia muito bem, que quando um homem tem medo é capaz de fazer os impossíveis para o ultrapassar e vencer. É um desafio sobrenatural, a não descurar, superiormente à vingança que lhe estava na origem. E ela odeia surpresas... Não gosta. Assentam-lhe mal. Não lhe vão com o feitio. Nem tão-pouco das festivas e aniversariosas!...
Por conseguinte, ao retornar da rua, vai directamente para a garagem do tractor, que serve simultaneamente de oficina e carpintaria, vasculhar na sucata até encontrar um rolamento de aço, com o diâmetro sensivelmente superior a uma moeda de cinquenta paus, e uma gasta bomba de ar, com que antigamente enchia os pneus da bicicleta. A velha e de canudo, que agora tem outra!, comprada já com o seu dinheiro...
Não contara a ninguém o que se passara há seis meses atrás, nem iria fazê-lo então. Os seus problemas deviam ser resolvidos por si mesma, pensava ela. E se alguma vez viesse a sucumbir-lhes, seria porque não era apta para continuar a viver, nem prestava para procriar, pois transmitiria às suas crias os vínculos e genes dos vencidos. O que faria deles uns condenados por herança, responsabilidade que ela nunca se permitiria admitir.
Aliás, se quisesse desabafar, também não teria com quem: a sua maneira de ser, despegada e independente, inibiu os que tentaram aproximar-se e transmitiu-lhes um sentimento de inutilidade assaz forte por essas iniciativas, ténues, vãs e sensaboronas. E amigas de infância, nunca teve realmente nenhuma de que se lembrasse, porque a sua diferença de nascimento as afastava dela, ou a distanciava delas, conforme e à vez. Nem queria tê-las. A amizade só produz recordações inúteis e trastes que empecilham as mudanças. Se criamos novas. Ou partimos para outros lugares – onde se faz particularmente portuguesa e se nomeia por saudade.
Primeiro, desmontou o rolamento e guardou as dez esferas cromadas que continha, de aço, no bolso dos trocos das jeans. Depois arrecadou os aros num dos bolsos do kispo, embrulhados em plástico estraladiço, para que fizesse reboliço q. b. e lembrar-se, na manhã seguinte, de os atirar para o meio dos outros e demais sucata, quando passasse por detrás da oficina do João Brocas, ali mesmo ao fundo da Rua da Igreja. E, em seguida, desenroscou a porca de fixação do punho e varão da sola à bomba de ar, cortando-lhe a ponta, na outra extremidade com um único furo de enroscar os pipos, transformando-a num tubo oco e desimpedido. Finalmente, com o tubo na mão esquerda e o corta-arame na direita, deslocou-se aos fundos do quintal, a um molho de arames de ferro com meio centímetro de grossura, e cortou de um três pedaços de metade de metro, e duas braças de arame de zinco do rolo que estava ao lado. Voltou à garagem, e, com o auxílio do torno fixo à bancada, ajustou e prendeu os ferros ao tubo, deixando-lhes vinte e poucos centímetros de fora, um por baixo e dois pelos lados, enrolando-lhe em roda uma braçadela de arame, bem apertado e que torceu para se não soltar. Experimentou-lhe a firmeza e considerou-a satisfatória. Fez um novelo com o arame restante e introduziu-o no bolso interior, junto ao tabaco e isqueiro, no lado contrário ao da carteira. Então dirigiu-se para o quarto com tubos e ferros debaixo do kispo, a fim de destapar a bucha superior de um cartucho de calibre 12, extrair-lhe de dentro o chumbo 7 de caçar às rolas, colocar em seu lugar as esferas que trazia no bolsinho das calças, voltar a tapá-lo, rebordando novamente e apertando-o bem: enfiou-o no tubo da bomba de ar, pelo lado de que lhe sobravam os arames de ferro, e introduziu tudo no saco de lona que costumava trazer a tiracolo.
Suspirou fundo, num descomprimir de missão cumprida, e só por fim se entregou à tarefa de auto-examinar-se atentamente, para deitar-se com um sorriso de satisfação e contentamento acerca do que acabara de ver.
«Falta pouco», disse para consigo, antes de adormecer. «Falta mesmo muito pouco!...»
E adormeceu definitivamente.
Ao dia seguinte, levantou-se cedo como era seu hábito, e depois de ingerir um grande pequeno-almoço, providenciar a merenda e conferenciar com a família sobre o que era preciso e havia a fazer no talho, marginal ao Tramóia, a ladeá-lo, pegou na pressão de ar e no saco de lona, e foi à vida. Os Santana moravam em Casal Parado, mas o talho que possuíam, na beira do ribeiro, situava-se na várzea do Outro Lado. E tal obrigava-a a dar um desvio largo, curvilíneo, pela ponte; o que, diga-se, desde que estivesse bom tempo percorreria na bike. Só que desta feita, numa manhã de quinta-feira, dia de caça, que se adivinhava radiosa, ela fê-lo a pé, evitando deixar-se surpreender por qualquer encontro menos desejável.
Chegada ao talho, encoberta pelos canaviais da beirinha, retirou do saco o tubo e acoplou-o ao cano da espingarda de ar comprimido, jungindo os arames de ferro ao cano da arma, fixando-os a ele e atarraxando-os bem com o auxílio do arame que restara da igual operação na tubagem, e que trouxera, exclusivamente para o efeito, num dos bolsos do agasalho. Garantiu-se da sua firmeza e de como sem dúvida resistiria ao impacto do tiro, carregou a pressão de ar com um chumbinho e deitou-a ao longo de um rego de couves, paralelo à regadeira de batatas que iria sachar durante a manhã.
Estávamos em Novembro, e fazia nove meses que António Sarraceno mergulhara ao riacho, com a dar a cegar-lhe o conhecimento e a condução. A semana decorrera com um tempo de Primavera (e ainda estava!), a que os antigos costumam chamar o Verão de S. Martinho. Mas à noite esfriava, para, de manhã, o orvalho e a geada formarem um manto de gelo sobre as plantas e na terra amanhada em redor do caule. Simplesmente, a Almerinda isso não incomodava por aí além, nem dificultava nos seus afazeres. Todo o tempo era bem-vindo, quer fosse calor ou frio de rachar. Devemos desejar o que temos, nem mais nem menos, e apenas na exacta medida da sua existência. Principalmente o tempo.
No decurso da matina o movimento na várzea limitara-se a dois ou três grupos de caçadores que deram meia dúzia de tiros a coelhos, subindo ou descendo, pelas bermas do riacho, e raros horticultores, que andaram no amanho dos talhos. Curiosamente deixara-se surpreender por um dos cães de caça; isto é, quando deu por ele tinha-o na sua retaguarda, sem que o ouvisse ou o tivesse visto aproximar. Pensou para consigo que tal não podia repetir-se e atou o cabelo na nuca, em rabo-de-cavalo. Mas tirando o dito canino ninguém mais soube dela ou a viu, já que o talho se situava entalado entre duas sebes de canas, pelo lado do rio e a sul, com um laranjal à esquerda e pereiras por detrás.
Rés das onze horas mastigou uma sande de presunto, com o objectivo de atrasar o mais possível o almoço, que esfriara, e para o qual teria que fazer uma fogueira denunciativa da sua presença, se o quisesse aquecer. Além do que o período da refeição, são as duas horas (do meio-dia às duas) superiormente solitárias da várzea: por ser relativamente perto das casas, todos os seus ocupantes a abandonam para comerem a ver o telejornal e a telenovela da tarde. A primeira, mas que é portuguesa, e sobre a qual o povo tem manifestado aguerrido entusiasmo quando dela fala. E... não era somente ela quem o sabia. Sem vivalma no valado e as televisões ligadas, com o usual volume elevado, como fundo sonoro, nas residências dos agricultores mais próximos, tudo ali podia acontecer entrementes, sem que ninguém se apercebesse do quê.
À medida que sachava as batatas, ia também, sem nunca a levantar acima da altura da rama das batateiras, deslocando para perto de si a pressão de ar, cuidando em tê-la sempre ao jeito de pegar a qualquer momento. O cabelo preso facultava-lhe melhor acuidade visual e auditiva, e a expectativa a que adicionava voluntária e propositadamente um pouco de fome, afinavam-lhe a capacidade de resposta e rapidez de reflexo, tal como ela queria que fosse e sabia que aconteceria. Na noite anterior notara que o seu corpo estava maduro, quase pronto para receber macho e procriar. E não iria consentir que alguém lhe atrapalhasse os planos.
Desde o serão anterior que não fumava, não obstante tivesse tabaco e lume no bolso interno do abafo, que despira para melhor se movimentar e porque o trabalho também aquece, como ela costuma dizer, nem bebera qualquer tipo de álcool, quer cerveja, quer água-pé, como era usual a todos trazerem para a fazenda, em garrafas escuras arrolhadas a cortiça. Noutras circunstâncias, àquela hora, provavelmente teria dado já três ou quatro beijinhos na botelha, a molhar o bico e olear as goelas. Mas também quanto a isso a sua abstinência fora decretada, e a única garrafa que trouxera continha apenas água, água pura da fonte lateral ao edifício da Junta de Freguesia, cujos restos corriam abundantes em desperdício para o Tramóia.
Ocasionalmente erguia-se, sacudindo a cabeça para os lados e para trás, fazendo oscilar o rabo-de-cavalo, de mãos ambas nos quadris e pernas afastadas, respirando ruidosamente de narinas alçadas ao ar frio e húmido, enquanto perscrutava em redor detectando sinais de possível presença humana; ou outra, como a dos pardais, pintassilgos e cartaxos, que eram sinais evidentes da não-presença humana. Que no campo não há maior sinal de perigo do que o silêncio e ausência total de vida animal: se os répteis e pássaros se não mexem e assustam à tua passagem, é porque estão escondidos e amedrontados por outro motivo qualquer. E essa causa, pode bem ser mais forte, malévola, fatal e mortífera do que tu!...
O campo é tão seguro como a cidade, se não tiver seres (des)humanos; o que se passa igualmente com a cidade: é tão segura como o campo se os não tiver também. A maldade, a perversão e a morte são conceitos humanos, não estipulações da natureza. Na natureza há transformações; na humanidade, transgressões. Almerinda Rodrigues meditava sobre tais transcendências, quando, muito antes de o ver, ouviu e cheirou a presença de António Sarraceno, a aproximar-se de moita em moita, num odor ácido, subindo o rio, como uma aragem, por dentro dele, encoberto pelos canaviais de ambas as margens. Sabe que é ele e para o que vem; e também sabe que ele não sabe que ela o sabe. Nas suas relações com os outros esse tem sido irrefutavelmente o seu grande trunfo, a vantagem que tem desequilibrado o acaso e a sorte para o seu lado. A capacidade de antecipação era uma das dívidas que tinha para com o seu inconsciente: a ele devia o facto de se manter intransigentemente viva e total. Fora o inconsciente que lhe ditara as regras do jogo no relacionamento com os pais adoptivos, e depois com os colegas, professores e demais problemas, ou ninharias que, assim como o atravessar de uma rua, olhar para cima no preciso e exacto momento em que uma telha se desprende e despenha do alto, o desviar-se de um obstáculo que não vê na noite de breu, podiam provocar autênticas tragédias. Aliás, acreditava ela, se não fosse o inconsciente de cada um, ninguém sobreviveria aos primeiros seis meses de vida, salvo raras excepções de desenvolvimento em estufa.
Puxou a espingarda para mais perto de si... e manteve-se dobrada sobre o sacho, os músculos das coxas e das costas retesados e entumecidos, ora dilatados ora contraídos, fingidamente abstraída do momento, continuando na tarefa de remover o solo à volta das plantas, arrancando-lhe as ervas e afofando a terra para melhor absorver a água quando chovesse ou fosse regada.
António Sarraceno abandonara as muletas na curva norte do riacho, na proximidade de uma meda de cepas que aguardavam que o dono usufruísse de tempo, ocasião e transporte para as levar para o alpendre da lenha, a fim de as ter por perto quando fizessem falta para a lareira. Dessa curva ao local em que Almerinda se encontrava distavam coisa de trezentos metros, entrincheirados por canas verdes, salvo em raras abertas de passagem ou cais de fixação de motores de rega, cuja mangueira do chupador estendida estava dirigida a algum poço central do leito. O fisioterapêuta há dois meses que lhe retirara as canadianas, mas ele comprara outras e insistira em representar uma dificuldade em caminhar superior à que deveras sentia. É que assim, se algo corresse mal, ninguém suspeitaria dele, pois não encontrariam qualquer rasto de muletas, além do que não lhe atribuiriam capacidade física e agilidade no desempenho que a um homicida exigiriam. Comera a mãe diversas vezes, e havia de fazer o mesmo à filha, desse por onde desse. De tanto se não escaparia ela!... Pela certa. Como dois e dois serem quatro. Era uma promessa. Antiga. A.
Foi a sorrir, na antevisão do gozo, que ele ultrapassou a sebe de canas e se lhe postou na frente, a uma distância de quinze passos de metro.
«Hoje é qu’o mamas!!...» Gritou ele, escarnecendo da solidão de Almerinda, exibindo um pavoneado ar de vitória, e enorme navalha na mão direita...
Almerinda largou o sacho, dobrou-se mais um pouco e vasculhou as batateiras a seu lado, com a destra, até encontrar o que sabia que iria encontrar. Achou. Endireitou-se de repente, e à subida surgiu-lhe na mão a pressão de ar, de que apoiou a coronha à anca, disparando de imediato. Ao sair do cano, o pequeno bago de chumbo da espingarda de ar comprimido embateu na escorva, no fulminante, do cartucho de calibre 12 anichado ao tubo da bomba, explodindo este por seu turno, enviando ao peito do homem as esferas cromadas, enraivecidas no fogo da pólvora. Cinco acertaram-lhe, de entre as quais, uma, lhe rompeu o coração de lado a lado. Escancarou a boca numa tentativa de gritar o seu espanto, mas a intenção morreu-lhe, tal como o júbilo que antes arvorara, caindo para trás no ribeiro, afastando ainda com a mão esquerda as canas que em segundos anteriores desviara para entrar, mas para sair desta feita. A navalha soltara-se-lhe, pulando no ar, antes de sumir-se entre as rabaças altas do leito quase seco do Tramóia.
Almerinda nem se dignou ir à margem ver como António havia ficado. Morto ou vivo pouco lhe interessava saber. Esperou simplesmente que o tubo arrefecesse, para desatarraxá-lo do cano da pressão de ar, meter-lhe dentro, com o cartucho agora descarregado, a navalha que o outro deixara cair, e enterrar tudo bastante fundo, juntamente com os aros dos rolamentos que não tivera oportunidade de atirar para a sucata da oficina do João Brocas. Bem fundo. O que considerou ser quando a cova estava com metro e meio de profundidade, atirando-lhe para dentro tubo, arames, ferros, navalha, aros, plástico e invólucro, que tapou depois, escrupulosamente.
Quando deu o serviço por findo fez uma fogueira, do outro lado do talho, contrário à beira do riacho, para aquecer o almoço; e comeu-o, demoradamente, assim que o achou suficientemente quente, da marmita de alumínio esmaltado, cortando quadrados de pão caseiro que lhe punha dentro, a embeber o molho avermelhado do colorau, e mastigando devagar mas insistentemente cada pedaço de carne de porco guisada. Terminada a refeição pôs o saco de lona no chão, estendendo-se por sobre o kispo aberto, de cujo bolso interior tirou o tabaco e isqueiro, e, deitando-se de costas, para trás, usando-os com esteira e cabeceira, fumou, finalmente, tranquila mas com sofreguidão, o primeiro cigarro do dia. Consultou o relógio: eram treze horas e trinta minutos. Se o sol se mantivesse assim, até podia bater uma soneca, sem perigo de esfriar. Já tinha esquecido a existência dum corpo ao fundo do talho, por detrás das canas, entre o verde-escuro das rabaças altas do leito do Tramóia.
Pelas quatro horas da tarde, o céu começou por empalidecer e escureceu de seguida, tornando-se dum cinzento ameaçador e, vindo do lado do mar, um ventinho menos frio fez-se sentir. Então ela deu a faina por acabada, para, antes de se dirigir a casa, subir às primeiras habitações do Outro Lado a conversar um nadinha com o José Rústico, sapateiro divertido, e a ti’ Ana Chambel, logo na rua inicial, a quem sobe. Foi inclusive um tanto mais acima, à tasca da Sílvia, de pressão de ar aberta e descarregada sobre o ombro, a beber um café. Depois regressou, cinco e tal já, estrada adiante, direito a casa, antes que descambasse a chover.
Ao jantar, em verdade, a chuva começou a cair, primeiro em ralos pingos grossos e intervalados, mas depois em chuvisco ritmado, e só veio a parar domingo, na parte da tarde, a seguir à missa. Quase 52 horas de queda de água sobre o solo, que afinal não estava assim tão ressequido nem precisado, ininterrupta e contínua, que se fez escorrer para o rio, enchendo-o até aos bordos, e arrastando na leva o corpo de António, em decomposição, ainda para além da curva norte, local em que abandonara as muletas, a fim de as recolher no regresso que se não consumou, pelo menos na forma em que ele o previra.
No enquanto a chuva parou o cheiro da putrefacção subiu a encosta, invadindo as artérias de Casal Parado. E as pessoas, incomodadas, procuraram saber o porquê dele. Depararam então com o corpo do Sarraceno, enganchado numa pereira velha caída ao ribeiro, próximo dos limites da freguesia. Foi comunicada a ocorrência à GNR do concelho que, por sua autoria e moto próprio, informou a Polícia Judiciária, as autoridades competentes e respectivas, e o Instituto de Medicina Legal. O corpo foi levantado e todos ficaram a saber que tinha sido assassinado. Almerinda Rodrigues foi das primeiras a chegar a essa conclusão, após ter ouvido alguns zun-zuns nesse sentido ao cabo da GNR. E discutiu acaloradamente o assunto no café, como todos os outros.
Quarta-feira de manhã, um assalariado rural encontrou as muletas junto às cepas, quando se preparava para as carregar no reboque do tractor, e comunicou o achado a um perdido PJ que encontrou. O polícia paisano não tugiu nem mugiu, mas convocou uma reunião com os colegas de desdita, sob o pretextado objectivo de reverem as suas teorias. De pouco lhes valeu. Até concluírem que o caso apenas se solucionaria com o tempo e o acaso, que são sábios neste tipo de ocorrências, e lhes proporcionassem o desfecho, foi um toma-lá-dá-cá.
Almerinda ainda não resolveu o problema do macho, mas ultimamente tem-se mostrado cordial, alegre e atenciosa… Todavia eu, que sou um desavisado da alma, se suspeito de quanto se passou nem o noto, e se o faço sequer me importo, que para viver todo o tempo é pouco, e quem o não aproveitar, por mor de ninharias, muito menos terá de são, do que de louco!

8.25.2009

VISITA INTERROMPIDA




«Onde ‘tá o haxixe?» Perguntou Acácio. «E as revistas porno?...»
«Estão a-í.» Respondeu Diana, sem levantar os olhos da tela em que estava a pintar, ajoelhada na alcatifa, e com ela sobre a mesinha de vidro de entre os sofás, como se esta fosse uma atrapalhação, um separador decorativo, um obstáculo no espaço destinado ao descanso.
«é onde?» Insistiu o outro. «Não os vejo.»
«Por baixo da televisão», esclareceu ela.
E lá estavam. O Playboy, A Photo, A Sensual e A Revelação. Acácio pegou-lhes enfastiado, tal como ao invólucro de prata do maço de tabaco que continha e haxe, dirigindo-se para a casa de banho. Entrou. Fechou-se por dentro. E ouviu-se o clic do trinco.
Decorrida uma hora, quando reapareceu, a golfada de ar fumoso com cheiro a queimada, antecedeu-o, evoluindo na sala até às narinas da princesa. De nome próprio Angélica, mas que nunca usava o dito lá por casa. Diana, quando falava de si para si, na intimidade da masturbação... E Princesa, no casal, no convívio do lar. Até para os de fora, se se mantinham com familiaridade. Contudo, ambos gostavam superiormente do título nobiliárquico; só por coisas e princípios, mais nada.
Ela reergueu-se, com as mãos nos quadris. Esticou-se, ginasticou o pescoço, rolando-o e balançando-o sobre os ombros, dando duas ou três voltas com a cabeça, para cada lado, primeiro no sentido dos ponteiros do relógio, depois ao contrário, e segurou a pintura húmida pelos dois cantos superiores. Estendeu os braços à altura da cabeça, e quedou-se a contemplá-la...
«Hum-hum!...», fez então, com a moleira para baixo e para cima, em ar entendido. E de apreço.
«Que merda é essa» perguntou-lhe ele. «Não se parece com nada.»
«Adivinhaste», sentenciou. «Foi exactamente isso que quis fazer: uma merda que se não parecesse com nada. Nem com merda, inclusive.»
Acácio fisgou-a de soslaio, desconfiado. Estava a estranhá-la. Normalmente afinava ou melindrava-se. Especialmente quando ele fazia charros sem os partilhar com ela. Todavia, na altura, fora simplesmente seca e precisa.
É uma fase”, pensou ele. “Talvez seja por lhe estar a aparecer o período… S.P.M!
E recostou-se no sofá, por detrás dela, de pernas abertas, cinto desabotoado e braguilha meio aberta. Apeteceu-lhe. Contudo, retraiu-se. Era um pressentimento... de que os intentos não lhe iriam ser facilitados, nem compreendidos. Tinha dias!
Pela janela fronteira, através da vidraça suja de fuligem, via Casal Parado, na encosta da elevação que cumeava na carcaça dos dois moinhos desactivados e a Serra de Todo O Sempre.
Aquela já o tinha feito feliz das mais diversas e variadas maneiras”, recordou ele, esfregando as mãos uma na outra, em fricção acelerada. Nos seus trinta anos, não tinha deixado os créditos por corpo alheio. A bem dizer. Agora, sabia-se, a novidade esmorecera, mas ficara uma experiência bastante recompensadora e a que podia recorrer quando lhe falhasse o ímpeto. Não iam com pressas nem em impulsos repentinos, mas, esporadicamente, ainda não tinham tempo de chegar ao quarto. Era ali mesmo, dado que os vizinhos próximos estavam demasiado afastados para os incomodarem com a sua presença, ou receio de serem vistos por estes.
Respirou fundo. Angélica içou-se, e Diana segurando a pintura, foi depô-la no cavalete, junto à janela. Envergava uma das camisas dele, de flanela, em xadrez de vermelho e azul, e cuequinhas brancas, sem mais nada. As pernas eram escorreitas, mas bem torneadas, e as bochechas das nádegas, alçadas e firmes, bem afastadas uma da outra, deixavam visionar um papinho de rola deveras avolumado pelo tufo de pêlos encaracolados, não obstante o nylon das calcinhas.
Bem boa!...”, reconsiderou. “Bem boa!...” E empertigou-se para trás, recostando-se, dedos a enclavinharem-se sobre a napa do sofá, como que a conter aquela sensação de “antes que...”
Então ela saiu da sala. E ele ficou a olhar lá para fora, sem ver coisa nenhuma.


* * * * * *
Quando a princesa regressou, envergando uma toilette própria para sair, e dela, Acácio ainda se não havia mexido, nem um dedo sequer. Consequentemente, observou-a com minúcia. Surpreso, embora que não deslumbrado. Saia de flanela de lã, plissada à frente, verde-musgo, meias de lycra em tom de carne, sapatos de salto alto, pretos, blusa de seda creme com laçarote no colarinho e folhos de tule nas mangas, carteira de pele genuína na mão esquerda e porta-chaves na direita, a tilintarem, trazia ela.
«Já volto» informou, com frugalidade e contumácia. E bateu com a porta.
Acácio não tugiu nem mugiu. Nem teria tempo para o fazer.
Nunca outrora tal tinha acontecido, mas isso também não queria dizer nicles, batatóides. Onde poderia ela ir? Era lá com ela! Deixá-la. E conservou-se a revisionar-lhe os cabelos desalinhados, castanhos palha, exactamente iguais aos da púbis, talvez que um pouquinho mais escurecidos... E os olhos também castanhos, de avelã salpicada a verde-musgo. O rosto miúdo, e o tronco felino, de seios achatados, como duas metades separadas de pequena meloa melosa e melada, suculenta e promissora.
Só que ela não voltou nesse dia, nem no outro, nem nos seguintes; jamais. Desapareceu. Sumiu-se. Eclipsou-se. Deu de frosques para o definitivo sem volta.
E ele restou por ali, fazendo todos os dias o mesmo que fizera durante os dias em que ela não (ainda não) vivia com ele: escrevendo, vendo revistas porno, fumando porros, ouvindo música, olhando para fora através da janela; e cozinhando, fazendo compras ou esperando que o significativamente interessante acontecesse, sentado naquele sofá em que precisamente agora esperava que ela retornasse. Abrisse a porta e dissesse: “Aqui estou. Que estavas a dizer?” Mas esse quadro nunca se realizou. E esse dia nunca aconteceu.
Todavia o quadro continuava ali, lá estava no cavalete, significando nada, representando o zero absoluto, lembrando-lhe o vazio. Aliás, como o tempo, que partia para repartir-se sem, de maneira nenhuma, materializar-se em algo diferente daquela sensação de esvaimento (e ocadura). Que persiste. Persiste. E persiste.
Fixou-o melhor, intensamente, até lhe doer a vista. “Afinal, tinha talento...”, cogitou para consigo. “Provavelmente foi aí que a coisa se deu: eu nunca lho reconheci.” Ergueu-se. E a porta bateu... Igualmente. Talvez também a uma conclusão, e decidisse partir. Talvez não, quem sabe, e fosse apenas mais um acesso repentino, um impulso momentâneo, logo passageiro, uma febre de movimento. Talvez.
E sabê-lo? Fora visitado um dia, da mesma forma que todos o somos, alguma vez o fomos, recebendo a visita, quase inesperada, de alguém que nos quer bem. Mas essa visita partira; apenas isso. Daí que talvez também lhe chegasse a intenção de uma véspera qualquer. Mesmo, e até de voar, podia ela ser!

8.22.2009






E X P E C T A T I V A



Os sonhos vão, vêm, voltam e morrem, mas o homem fica. Condenado. Irremediavelmente vivo e sofrendo-os como a uma hipoteca que, mais cedo ou mais tarde, sem dúvida, terá de liquidar. Que paga, paga. Tanto importa que sejam de justiça e de beleza, de amor e de bem-estar, como dos seus contrários, que o fado cumpre-se com a igual fatalidade, implacável e desumana.
Alceu Rodriguez regista mentalmente a temperatura indicada no termómetro da cozinha e espreita a rua, pela vidraça da marquise. Chove torrencialmente e, segundo a inclinação dos pingos ao baterem no vidro, conclui que o vento está de sudoeste. É provável que continue a chover por mais dois ou três dias; ou pare, o vento mude de direcção, e o frio retorne. De qualquer forma não lhe importa grandemente, dado que não sairá dali na presente semana. Nem na seguinte.
Mas do sótão, vêm um baque seco com uma praga.
«Raios partam isto!!»
Depois, é o silêncio. Aquele género de silêncio que acompanha as faltas humanas, quando as reconhecemos.
Não foi nada”, pensa ele, enquanto se dirige para o armário à procura duma lata de sardinhas em conserva. Com ela nas mãos, como se esta fosse uma granada, o dedo indicador esquerdo na argola da cavilha de abertura, lança a vista em “derredor” na busca de um prato e do garrafão do vinho. É hábito antigo dos pratos o estarem todos sujos quando são precisos, mas desta vez não, estão lavados e a escorrer no lava-loiça. Positivamente. Um óptimo sinal... e o garrafão encontra-se no chão, junto ao frigorífico, entre este e a porta da rua. Pega-lhe pelo lado contrário, tocando o gargalo com as costas da mão, apoiando-lhe o bojo na curva do cotovelo, pelo lado de fora, desarrolha-o com os dentes, cospe a cortiça, e verte meio quartilho num copo, no qual se nota ainda o tinto sarro da última utilização. Após o que se senta, pousando-o ao lado de si, para futuras e novas arremetidas.
Então, grita para cima:
«O pequeno almoço está pronto!!»
( “Está proontoo!... Está proontoo!...”, responde-lhe o eco. )
«Vou já» informa Lina, ao que se sucede novo baque de queda. «Vou já!!»
A porta interior dá de frente para as escadas do sótão, que ele perscruta ao ouvir ranger as tábuas dos primeiros degraus. De início aparecem os ténis e as calças de ganga desembainhadas; depois, as pernas desbotadas e ruças, conforme cada passada dela.
«O caralho da prateleira ia-me fodendo os pés!...» afirma Lina, indignada e de pronto.
Começamos bem...”, reflecte Jaime. “Hoje vestiu a sua personalidade de tunante académica.”
«E como?» Quis ele saber.
«Ora! Despregou-se com o peso dos livros e caiu. Temos que arranjar outra estante.»
Nessa ocasião já se lhe via o corpo todo, à excepção do rosto. Tem a blusa turca do pijama cor-de-rosa, e percebe-se que não pôs o soutien. Os generosos seios balançam a cada degrau. “São firmes e rechonchudos, belos e preciosos”, considera Jaime. O que é verdade, em absolutérrimo grau, e dos quais ela se orgulha, visto que todos os homens e algumas mulheres lhos fitam enquanto lhe falam, esquecendo-se até de que também elas os/as está observando naquele meio-tempo. Cheios, redondos, mamilos sempre a espichar, sem precisarem de qualquer suporte para se manterem severos e alçados, embora que proporcionalmente grandes face à fragilidade do dorso. Contudo, tal não a incomoda. Pelo contrário; fá-la sentir-se ainda mais fértil e feminina.
«Provavelmente, amanhã», elucida ele.
“Para ti é eternamente amanhã”, pensa ela ao cruzar o umbral, com as mãos espalmadas enfiadas nos bolsos do cu, a bater os cotovelos, como se fossem asas e ela quisesse levantar voo. O que superiormente lhe realça e atira para cima o excelso busto.
«Claro» acata ela. «A-ma-nhã. E o pão?...»
«Está no congelador.»
«Já calculava.» Sublinha, encaminhando-se para ele. Tira-o e coloca-o no microondas. Liga-o e regula-o. É rápido. «Prontinho!...»
Enquanto (de)põe as três carcaças, ao centro de mesa, sobre um guardanapo que tivera melhores dias, Jaime procura visar-lhe o rosto arredondado, sardento, de boca pequena e lábios em subtil biquinho de pato, olhos cinzentos salpicados a negro, com sinais de contrariedade, sorvendo do copo. Mas este demonstra-se-lhe estoicamente impassível. Inexpressivo quase. Ela sacode os cabelos compridos, castanhos-claros, para trás, abanando a cabeça, à medida que se senta no banco da cozinha em tubo de ferro e fundo de fórmica.
É no momento em que ambos estendem as mãos para o pão, que o telefone toca. Suspendem o gesto, cada um à espera que seja o outro a levantar-se para o ir atender. Repete-se o toque duas vezes, consecutivas, naquele grilar incomodativo de animal electrónico.
Finalmente, ele ergue-se, depondo o copo meio de vinho sobre o tampo da mesa, com agressividade, com brusquidão, fazendo-o transbordar.
Ao ouvir-se, da sala, a voz dele, desinteressada, denuncia frete e frivolidade. Nota-se que escureceu, submergindo a tarde, por mor de alguma nuvem mais baixa, em passagem.
«Sim, sim. Sim... Certíssimo. Também me pareceu... Calculei logo.»
Ele calculara logo, coisa socrática de suma qualidade, e que fora a melhor maneira que encontrara para dizer que deduzira.
Clic.
Regressa.
Senta-se. Estica as pernas, tocando propositadamente com uma no joelho esquerdo de Lina, e diz, com os polegares e indicadores das duas mãos a esfregar ostensivamente os colhões, por cima das calças, num suspiro:
«E vão quatro. Do departamento editorial da Framboesa Books informam, que, não obstante a qualidade das obras propostas, não podem considerar a sua publicação, por estar preenchido o leque de edições, planeado para os próximos dois anos. Caras de pau!»
«Muito simpático, da parte deles... Sabem mentir com diplomacia.» Comenta ela, baixando o olhar, escondendo-o num apreciar de unhas.
Entrementes, duas moscas pousaram sobre as sardinhas intocadas, tranquilamente, esfregando os focinhos com as patas dianteiras. Na vidraça, a chuva mantinha o ritmo de batida, regular, insistente. Ping-ping. Toc-toc. Ping-ping. Toc-toc. Ping-ping. Toc-toc.E o quadro assumiu um abandono de Os Bêbados, digno da paleta de um José Malhoa, embora que sem a rusticidade castiça e marialvesca de uma taberna de esquina ou carvoaria de bairro de má fama, mas com a inegável exactidão de abandono característico de quem abdicou, claudicou sem batalha em favor dos insectos voadores, moscas e moscardos que se banqueteiam eufóricos nos repastos de um orçamento, sem rectificações previstas, nem sustentabilidade garantida.

8.20.2009


ACAMPAMENTO NACIONAL 2009
“Porque aqui também há vida!”

A Ecolojovem-«Os Verdes», Juventude do Partido Ecologista “Os Verdes”, vai realizar o Acampamento Nacional 2009 nos dias 28, 29 e 30 de Agosto, no Parque Natural de Montesinho, em Bragança, sob o lema “Porque aqui também há vida!”
Temas como as assimetrias regionais, a conservação da natureza, o Plano Nacional de Barragens, a importância da ferrovia e os direitos e a emancipação juvenil serão debatidos durante estes dias.
O Acampamento integrará um conjunto de acções pretendendo alertar os jovens e a população em geral para as desigualdades, as injustiças e as ofensivas que têm afectado os portugueses e o ambiente, apresentando alternativas a estas situações.

8.04.2009

Semana Europeia da Mobilidade


BAIXO GUADIANA SUSTENTÁVEL 2009




IV EXPO ENERGIAS RENOVÁVEIS & MOBILIDADE SUSTENTÁVEL E IV ALGARVE GREEN VEHICLE CHALLENGE



MONTE GORDO, 19 a 22 de Setembro de 2009




A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e a Associação Odiana, com a colaboração do site www.algarverenovavel.com, vão organizar de 19 a 22 de Setembro de 2009, em Monte Gordo, a Semana Europeia da Mobilidade e o Baixo Guadiana Sustentável, englobando a IV EXPO ENERGIAS RENOVÁVEIS & MOBILIDADE SUSTENTÁVEL e o IV ALGARVE GREEN VEHICLE CHALLENGE.

Esta iniciativa englobará um variado conjunto de actividades, das quais se destacam 1 Seminário, Sessões de Cinema de Educação Ambiental "Cine-Eco", Visitas a casos exemplares de aproveitamento de energias renováveis, disponibilização gratuita de bicicletas, monitorização do ar/ruído etc.

Graças ao apoio da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, e tal como no ano anterior, todas as entidades institucionais e empresas de energias renováveis, de veículos amigos do ambiente e de protecção e gestão ambiental são convidadas a participar gratuitamente nesta exposição, colocando os seus equipamentos em demonstração, na IV EXPO ENERGIAS RENOVÁVEIS & MOBILIDADE SUSTENTÁVEL.

Nesta exposição poderá ver as melhores marcas de painéis solares térmicos e fotovoltaicos, aproveitamento da energia eólica, geotermia, fornos solares, etc.
Em especial destaque estarão também as empresas que se dedicam à instalação de equipamentos de micro-geração (que permitem a venda à rede de electricidade gerada a partir de energia solar), e claro, todos os veículos amigos do ambiente à venda em Portugal.

A exposição é de entrada livre, e estará patente na Av. Marginal de Monte Gordo de 19 a 22 de Setembro de 2009, das 16.30 às 24h, com a possibilidade de experimentar os vários veículos amigos do ambiente à venda em Portugal, tais como automóveis eléctricos, scooters eléctricas, Bicicletas eléctricas, Segways, Easy-gliders, City cruisers, entre outros. A exemplo do ano passado, ao longo dos dias receberemos dezenas de alunos de escolas locais, e também alguns vindos de longe.

No dia de encerramento – Terça-feira,
dia 22 de Setembro–Dia Europeu Sem Carros, realizar-se-á o IV ALGARVE GREEN VEHICLE CHALLENGE, uma prova única a nível nacional, na qual apenas podem participar veículos realmente amigos do ambiente, automóveis eléctricos, automóveis solares, automóveis híbridos, scooters eléctricas, Bicicletas eléctricas, Segways, Easy-gliders, City cruisers, entre outros.

Esta exposição contará, este ano, com mais de três dezenas de stands, que graças á boa vontade e aposta séria do Município de Vila Real de Santo António nestas matérias, vão ser gratuitos para todas as entidades públicas e privadas empenhadas na divulgação das energias renováveis, mobilidade sustentável e divulgação de energias mais limpas que ajudem Portugal a atingir os objectivos de Quioto, o desenvolvimento sustentado, e a diminuição da dependência petrolífera portuguesa.


Porque esta iniciativa é interessante, inteiramente dedicada às energias renováveis
vimos convidar Vªs Exªs a participar no nosso evento, com a montagem de um Stand nesta Exposição, bem como eventualmente com a colocação de faixas publicitárias, e ou patrocínio - agradecendo que nos respondam com brevidade, impreterivelmente até ao dia 7 de Setembro de 2009.

As inscrições devem ser enviadas com brevidade - como os espaços são gratuitos, esgotam-se rapidamente – para:

ODIANA – Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana
Rua 25 de Abril, nº 1
Apartado 21 8950-909 Castro Marim
Telefone: 00 351 281 531 171
Fax: 00 351 281 531 080
E-mail:
s.lourenco@odiana.pt
Horário de funcionamento: 9H00 – 17h30

Contamos convosco!
Pela Comissão Organizadora,
António José Brito
www.algarverenovavel.com
Informações/Dúvidas António Brito Tel. 964144312
Sílvia Lourenço Tel. 964521295

7.18.2009

Manifesto/Compromisso
Movimento Por Portalegre

Autarquias 2009 – Primeiro subscritor: Joaquim Castanho


“Realmente, tudo o que é fácil ou óbvio já está feito, já foi inventado no passado. Fazer de novo, de modo sustentável, comporta esforço, exige coragem. E, sobretudo hoje, implica um conhecimento preciso do que os outros pensam e do que preferem. Das suas visões e aspirações. Assim como não há lugar hoje para torres de marfim, também já não existem mercados resguardados, quais tesouros escondidos no fundo dos quarenta ladrões.”

– In Os Portugueses e a Inovação, de João Caraça, do livro de crónicas publicadas no JL, Jornal de Letras, Artes e Ideais, intitulando Entre a Ciência e a Consciência, editado pela Campo das Letras, em 2002

Por Portalegre, um concelho aconselhado na mudança
Consolidado com progresso e sustentabilidade


Com eficácia e competência
O MPP fará a diferença

Considerando que as actuais forças políticas a concurso se manifestaram no passado recente inoperantes no combate às condições de superlativa interioridade que nos avassalaram na fragilização do tecido empresarial e institutivo, dos sectores público, privado e cooperativo, degradação do parque habitacional, diminuição da qualidade de vida, decrescente oferta de emprego; insipiente e incipiente galvanização de financiamento externo e empreendedorismo, significativa baixa de capacidade afirmativa da cidade como maior pólo urbano do distrito, decréscimo constante da população autóctone e galopante envelhecimento (44% de reformados e pensionistas) e consequentemente sensível esvaziamento demográfico do concelho.
Considerando que o concelho de Portalegre comporta mais ou menos 22 000 eleitores, repartidos por dez freguesias (: Alagoa – 600 eleitores; Alegrete – 1800; Carreiras – 500; Fortios – 1500; Reguengo – 600; Ribeira de Nisa – 1100; São Julião – 500; São Lourenço – 4500; Sé – 8500; e Urra – 1800), e que desses 13 000 estão concentrados na cidade sede concelhia, distribuídos em apenas duas freguesias (freguesias de Sé e São Lourenço), onde a expressão eleitoral dos partidos majoritários (PSD e PS) somam por si 60 % dos votos, o BE não chega aos 5%, a CDU lhe sucede com igual fasquia e o CDS não atingirá mais de 4,5 %, com a abstenção a rondar + ou –os 50 %, cabe por lógica uma parcela de 25 % à força política capaz de cativar o eleitorado flutuante e de indecisos que, normalmente, faz ganhar as eleições ora ao PS, ora ao PSD, alternadamente e punindo o partido desgastado invariavelmente pelos dois mandatos da praxe, ciclo que se fecha este ano, depois de uma maioria absoluta esmagadora do PSD sobre o PS, de seis mandatos contra um, creio estarem criadas as condições para se implantar uma nova força política que lidere a mudança, ansiada e desejada por grande fatia da população em idade activa, maioritariamente composta por jovens e desempregados dos sectores industriais (lanifícios, cortiça e indústria de componentes auto), comércio (fecho e falência de alguns estabelecimentos do comércio tradicional, hotelaria, restauração e turismo, em virtude da crise generalizada e do desemprego local).
Considerando que não só é necessário e urgente qualificar a democracia como também é incontornável e imprescindível efectivar uma requalificação estrutural, administrativa e orgânica do território e das autarquias locais, em que nenhum outro poder as pode substituir, tendo nelas uma gestão estratégica e enquadrada dos espaços públicos e privados conforme a planificação nacional enunciada nos PNOT, PROT e PIOT "existíveis" ou existentes, e uma adequada prática funcional de acordo com os modernos preceitos da decoração paisagística e urbana, de não agressão ao meio ambiente, que faça o legítimo entrosamento entre os interesses económicos e a competitividade, o marketing territorial e a promoção dos produtos regionais, o tecido empresarial, o parque habitacional, o parque industrial, as zonas de solo arável e fértil, incluindo as hortas citadinas, as valências do POLIS e as necessidades de usufruto das gerações actuais desses espaços, que esteja em consonância relevante e directa com os princípios e conteúdos científicos enunciados pela sociologia urbana e pela sociologia rural, de forma harmoniosa a diluir qualquer clivagem ainda remanescente aos bairrismos fascizantes do Estado Novo corporativista.
Considerando que é necessário ter políticas económicas que favorecem a proliferação e multiplicidade das pequenas unidades de produção, ditas também PME, incluindo cooperativas especializadas de serviços, produção ou comércio, para canalização da mão-de-obra "dispensada" e desempregada dos sectores industrializados (componentes automóveis, lanifícios e corticeiro) em que as grandes empresas fracassaram e expiraram definitivamente, se vêem como incontornáveis os recursos plurifacetados das organizações em rede, de forma a fomentar as suas potencialidades no mercado, bem como a reforçar a sustentabilidade económica e de manutenção dos postos de trabalho gerados.
Considerando que é urgente pôr fim ao crescente esvaziamento demográfico e "exportação" da massa crítica para o litoral e áreas metropolitanas, é vista como cada vez mais importante a necessidade de recorrer a actividades económicas ligadas à sustentabilidade (ambiental, turística, comercial, da qualidade e da excelência produtiva) que exijam também uma cada vez mais habilitada formação dos cidadãos, nomeadamente nas actividades e saberes derivados da assistência geriátrica, da solidariedade, da inclusão, dos Direitos Humanos, gestão do património histórico ou edificado, e cuidados sanitários, não só para aproveitamento lógico da tranquilidade interior, amenidade do clima e envelhecimento da população, mas sobretudo para restabelecer o estatuto de mais importante pólo urbano do distrito e do Norte alentejano.

Propomos:



1. Valorização e Gestão dos Recursos Humanos da Autarquia

Esclarecer e garantir a progressão na carreira a todos os trabalhadores da administração local, bem como desautorizar os despedimentos por extinção de posto de trabalho ou modernização dos serviços, promovendo a formação profissional complementar e adequar os antigos funcionários às novas funções resultantes da mudança de paradigma, tornando as suas actividades sustentáveis, além de duradoiras, e assegurar a continuidade do posto de trabalho, uma vez que esta classe profissional se considera composta por parceiros fundamentais ao progresso e autêntico desenvolvimento local, regional e do país; aplicar e fazer publicar com periodicidade e relevada significação os resultados da implementação da Carta de Igualdade de Géneros, criar um Gabinete de Supervisionamento das Condições para a Igualdade, com total competência, autonomia e liberdade para avaliar a evolução deste item em todos os organismos municipais, sectores ou departamentos com tutela camarária, nomeadamente nos serviços municipais e de transportes públicos, onde este défice é maior, ou demais órgãos componentes do organigrama e tutela autárquica; promover a formação contínua e a reciclagem de saberes entre todos os trabalhadores do município, designadamente a dos quadros técnicos dos sectores-chave ao desenvolvimento urbano, atendimento público, acção social, ambiente, transportes, saneamento, trânsito, manutenção e oficinas, cultura, turismo, energia e economia local, com vista a propiciar mais polivalência funcional e melhorar a rentabilidade destes profissionais, como de todos os colaboradores temporários, ou sazonais, da edilidade, que é não só no concelho a maior entidade empregadora, como aquela em se regista um maior subaproveitamento dos seus recursos humanos.


2. Política Ambiental

Porque todas as políticas autárquicas devem integrar um elevado nível de protecção do ambiente e melhoria da sua qualidade, e assegurá-los de acordo com o princípio de desenvolvimento sustentável, a política ambiental deve ser apoiada por exactidões e não por palpites camarários, pelo que deve recorrer a sistemas científicos de medição da qualidade do ar, da água, energia e saneamento, devendo-lhes efectuar uma avaliação periódica mas constante, assim como fazer a publicação desses resultados nos mass media locais e postos públicos de divulgação de editais, ainda existentes na cidade, embora melhorados para resguardo e acondicionamento da informação.
Criação do Reptilário de S. Mamede e respectivo Centro de Interpretação Ambiental para esclarecimento, divulgação, análise, classificação e arrolamento do conteúdo específico concernente ao Parque Natural de S. Mamede, com galeria de exposições temporárias de cariz etnográfico, científico, artístico, de enunciação e aprofundamento dos conceitos éticos e bioéticos de Conservação da Natureza e Biodiversidade, além dos motivos patrimoniais, na arquitectura com relevância histórica e local; criar postos de divulgação da fauna da flora correspondente aos jardins públicos, suas particularidades e natureza da sua introdução, dando ênfase significativo ao facto de cada jardim para usufruto humano ser também um habitat para outras famílias de seres promovendo o respeito e dignidade pelos mesmos, realçando o valor da biodiversidade que é um inegável valor em si mesmo.


3. Política Cultural


Implementar a Agenda Cultural Electrónica, divulgando todos os eventos culturais, recreativos, desportivos, económicos de relevo na vida e desenvolvimento do concelho por SMS, e informe/Newsletter por todos quantos tenham fornecido os dados/número de telemóvel/endereços electrónicos para o explicitado fim.
Instituir um concurso artístico, para todas as artes e manifestações artísticas destinado a gerar uma dinâmica de criatividade à volta das temáticas e motivos com reflexo directo na problemática da identidade local e regional, costumes, linguajares e tradições de inspiração portalegrense, no sentido de valorizar a história regional e a identidade cultural das gentes do concelho; implantar o wireless municipal, para acesso à Internet em todos os espaço públicos da cidade, nomeadamente nos edifícios com tutela municipal como escolas, museus, bibliotecas, recintos desportivos e mercado municipal, de forma a garantir e motivar os portalegrenses em geral para a utilização das TIC e vantagens cognitivas da Internet, espelhadas conforme os desígnios da Sociedade do Conhecimento; converter e reprogramar, equipar e requalificar, as valências culturais implícitas à Biblioteca Municipal, Centro de Artes e Espectáculos, os diversos Museus e centros públicos de convívio, mobilizando as forças vivas da cultura em Portalegre para a sua animação sustentável e de acordo com planos dedicados, precisos e executáveis de modo a envolver (activamente) o maior número possível de residentes no concelho; instaurar hábitos de valorização pessoal e usufruto das valências e potencialidades culturais disponíveis "na e da" cidade, como nos arredores dela, entre a população jovem, senior e adulta, a quem, por vários motivos, nomeadamente o da diminuta oferta cultural adaptada aos interesses intrínsecos às suas idades, de qualidade, simples e atractiva, os tem afastado e quase excluído do contacto com a as iniciativas e manifestações de índole espiritual, ética, estética, narrativa, técnica, imaginativa e criadora sem rebuscados rebuços corporativos e academistas; providenciar uma publicação periódica concelhia de informação cultural e jornalística, que divulgue e veicule a actividade cultural em todas as freguesias, seja voz aberta à cidadania e tenha expansão nacional permitindo o acesso "externo" aos utilizadores e beneficiários do produto cultural não concelhios a informação suficiente para lhe recorrerem.


4. Educação e Política Desportiva


Formação do Gabinete Permanente para a Educação, que terá como funções e âmbito as já estipuladas e comuns aos Concelhos Educativos das autarquias locais, mas a que também será afectado o mister e responsabilidades de acompanhar e dirigir permanentemente a transferência de competências do Ministério da Educação para a autarquia, composto maioritariamente por profissionais ligados à comunidade educativa, e técnicos habilitados na gestão e manutenção dos equipamentos públicos, com relevada incidência dos circunscritos pelo parque escolar e estruturas desportivas do concelho; reestruturar a polivalência do Estádio Municipal/Pavilhão Gimnodesportivo de Portalegre e ampliar o leque de modalidades praticáveis neste espaço multifacetado, melhorar nele e nas proximidades o parqueamento automóvel (de preferência subterrâneo), providenciar e prover nele um espaço verde multifuncional, incluindo o Parque de Merendas, o Reptilário de S. Mamede, recinto/anfiteatro para espectáculos ao ar livre, como um amplo átrio de recepção para forasteiros e turistas que afluem à cidade por meios rodoviários; apetrechar cada estabelecimento escolar das estruturas funcionais concernentes às exigências programáticas da escolaridade para todos, contínua e ao longo da vida, além de anexar a eles, de raiz ou como adaptação, instalações que facultem a fixação nessas escolas de uma equipe permanente de animação sócio-cultural, interactiva, intergeracional e interoperacional, que motive e prolongue a estadia nelas para além dos horários escolares e de expediente, com actividades de intercâmbio entre o meio e a escola, a escola e a vizinhança dela, as tradições locais e a pedagogia do estar, ser e conviver; e reforce a formação de grupos de intervenção social ao nível da participação democrática e entrosamento social consequente.

5. Política Económica

Porque o futuro não está escrito nem há receitas de estilo ideais, pré-definidas e de sucesso garantido em toda e qualquer região, onde a turbulência do presente se insere sempre na luta constante pela sustentabilidade e pela sobrevivência, convém estabelecer parcerias público-privadas com diversos organismos financeiros e o Instituto Politécnico de Portalegre, para criar, desenhar, formatar, instituir, concretizar, planificar, promover e divulgar a imagem de Portalegre através da Marca Amaia, com forte e intensa expressividade em todos os produtos agrícolas, pecuários, lácteos, florestais, frutícolas, oleaginosos e vinícolas com origem e transformação no concelho; eleger o "avental típico", motivo da extinta mas ainda popular Festa dos Aventais, como ícone representativo para o marketing territorial, que complementará a Marca Amaia; como também convém declarar o concelho livre de OGM, a fim de propiciar aos consentâneos produtos desta marca a designação de oriundos de área livre de OGM e produzidos ou alimentados de sem recurso a nenhum organismo geneticamente modificado, com vista não só a garantir e proteger a qualidade desses produtos regionais, bem como a permitir a sua exportação para os mercados de excelência dos grandes centros urbanos europeus onde essa bitola é uma mais-valia com expressivo significado, nomeadamente nos derivados da carne e dos cereais, como no domínio da doçaria.
Reforçar e estimular a descentralização do parque empresarial e surgimento de ninhos de pequenas e médias empresas nas localidades sedes de freguesia de acordo com os seus recursos naturais, humanos e sinergias próprias, características geográficas e demográficas, criando nelas pequenas zonas industriais, no sentido de lhes proporcionar aumento da actividade económica e fixação dos seus fregueses, nomeadamente dos filhos destes que, após se formarem fora delas, podem regressar com segurança laboral aos seus espaços de crescimento, facilitando assim os gastos com deslocações e os benefícios correspondentes em segurança e combate ao crime.
Implementar a noção/linha de produtividade concernente ao produto cultural de referência estratégica (pcre) com natural colagem à Marca Amaia, sua consequente publicação e divulgação de obras e/ou produtos desta índole por criadores regionais, nas áreas artísticas e de reactualização de eventos, usos e costumes, desde a música às artes plásticas, da literatura ao cinema, do artesanato local ao jornalismo multimédia, com realização descentralizada de certames temáticos e concurso de produção de conteúdos, distribuídos por todas as freguesias do concelho, conforme um plano/calendarização aprovado para o efeito na Assembleia Municipal, instituindo cimeiras de fregueses bianuais na cidade e sede do concelho, para reflexão, acerto, planeamento e avaliação da actividade anterior, que tenha o propósito de viabilizar a candidatura de Portalegre a Capital Nacional da Cultura em próximas edições.


6. Estratégia de Desenvolvimento e Agenda 21 Local

Definir, elaborar, aprovar e executar a Agenda 21 Local, de forma a valorizar todos os recursos concelhios de acordo com as exigências e necessidades de desenvolvimento sustentado, com aposta superior subscrita na EEDS (Estratégia Europeia de Desenvolvimento Sustentável) e na ENDS (Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável), bem como revendo e reformulando o PDM, de acordo com as condicionantes operativas resultantes na prossecução dos clusters regionais ambiente e biodiversidade, energias renováveis, gerontologia e saúde, e transportes e turismo, assim como fazer um levantamento exaustivo e rigoroso, respectivas conferências de partes e dados, acerto protocolar e estabelecer das dinâmicas correspondentes, no sentido de operar uma autêntica confluência entre as efectivas necessidades de profissionais no concelho e a oferta formativa disponível nas instituições de ensino existentes na cidade, para o efeito, como Centro de Formação Profissional, agências sindicais de gestão de recursos humanos, escolas e agremiações privadas, e Instituto Politécnico e Portalegre, não só sob a perspectiva de preencher as vagas nos sectores mais sustentáveis, como igualmente de criar uma evoluída massa crítica concelhia com reflexos na qualidade da democracia.
Criar e manter operacional o Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo (GAE) cujo objectivo principal é dinamizar o tecido empresarial e ajudar a criar PME, quer dando apoio logístico, processual, legislativo e burocrático, como no plano do design e estudos de mercado para melhor se implantarem no mercado regional estas novas empresas.


7. Transportes Públicos e Mobilidade Para Todos


A situação não tem permitido a implementação de políticas de acessibilidades e mobilidade devidamente coordenadas, designadamente envolvendo a gestão da via pública e o estacionamento, favorecendo o transporte colectivo e dissuadindo o uso do transporte individual, portanto devemos invertê-la, reencaminhando toda a receita do ICA (Imposto de Circulação Automóvel) para beneficiação dos transportes públicos, renovação da frota e modernização dos serviços, com vista a desabituar os munícipes a recorrerem ao automóvel particular sempre que precisam de deslocar-se para a cidade, da cidade para os locais de residência ou dentro da cidade; construir, implantar e animar uma ciclovia circular à cidade com "ramais" de ligação a todos os estabelecimentos de ensino, do1ºCiclo ao Politécnico, de forma a incentivar este tipo de transporte nas camadas mais jovens, bem como a proporcionar melhores condições para a prática desportiva de todos os cidadãos, quer nas caminhadas e treino de atletismo, quer nas diferentes modalidades que comportam o uso da bicicleta; redefinir a malha urbana e as acessibilidades nos espaços e edifícios públicos no sentido de integrar determinada e efectivamente a cidade de Portalegre no contexto da rede das cidades europeias com mobilidade para todos; rectificar os circuitos e horários das carreiras dos autocarros urbanos, de forma a favorecer o afluxo populacional ao comércio tradicional e citadino, restauração e de divertimento nocturno, actualmente a deparar-se com dificuldades acrescidas, não por consequência da crise económica generalizada, como também por uma política de transportes urbanos desmotivadora, orientada para o benefício corporativista do menor custo e ao mínimo esforço.


8. Turismo e Conservação do Património Histórico e Edificado

Elaborar e executar um Programa de Animação para todos os espaços e equipamentos públicos patrimoniais com história na História Regional e Local, além do calendário de festividades periódicas já "definido" pela tradição, costume e frequência, que venha a estimular o contacto assíduo da população de Portalegre com o seu património e cultura, bem como a motivar a visita de turistas nacionais e estrangeiros, através da gestação orientada de uma oferta continuada de produtos culturais e recreativos de valorização da identidade portalegrense, com reflexos directos e práticos no quotidiano das suas gentes, nomeadamente as actividades que a espelhem, e se estendam a outras formas de expressão cultural, como o cinema, a arquitectura, a pintura, o design, a literatura, a fotografia, a dança, a expressão dramática, a paisagística e a decoração urbana, enfim, que reinicie um envolvimento positivo entre a cidade com história e a história da sua população.



9. Animação Social e Tempos Livres

Distinguir e partilhar, inovar, motivar, diferenciar, difundir e agregar, são os vértices da estrela positiva que deve orientar o funcionamento social sustentado, de modo a garantir qualidade e qualificação, bem-estar e divertimento no usufruto de uma vida cada vez menos solitária, mas ao invés, cada vez mais preenchida, realizada e duradoira.
Criar um "Banco de Tempo" para serviço voluntário de apoio a idosos, enfermos, crianças, estudantes, desempregados, reformados, emigrantes, pessoas de capacidade limitada, e demais população sem assistência familiar directa, com vista a premiar e fazer eclodir um verdadeira onda de solidariedade que propicie a integração e/ou inclusão na cidadania plena, a todas as pessoas residentes no concelho; reunir, agremiar, organizar, motivar e dar apoio logístico às associações de amigos e portalegrenses ausentes de forma a estabelecer e fortalecer os elos de ligação entre conterrâneos deslocados, mas que não querem perder o vínculo afectivo à região, bem como valorizar as suas experiências e conhecimentos, adquiridos por constatação, exemplo e envolvimento nas comunidades em que foram acolhidos ou ainda vivem; formar, estimular, dar apoio logístico e instalações, garantir a manutenção e/ou funcionamento de ateliers/comunidades de usufruto e expressão ética, artística, recreativa ou lúdica, desde as comunidades de leitura às cinéfilas, ou artes plásticas, têxteis, artesanatos diversos ou de expressão corporal, dirigidas aos diferentes escalões etários da população, mas sempre de forma a incentivar a intercepção e cooperação explícita entre todas as gerações, de forma a cativar audiências e criadores parta a inovação dentro da identidade regional; formar, equipar, fornecer recursos, facultar e renovar obras, para uma rede de bibliotecas de freguesia, tanto de consulta local como de empréstimo domiciliário, que, funcionando em articulação e tutela com a Biblioteca Municipal de Portalegre, fomentem a apetência e o gosto pelas artes, pelas relações humanas, pela participação democrática, pelo convívio intergeracional pluralista e tolerante, pela cidadania activa, nomeadamente através do contacto com a música, as TIC e Internet, cinema, narrativa oral e escrita, poesia e expressão plástica ou dramática, bem como ao entretenimento formativo dos fregueses, posto residirem nas freguesias caracteristicamente rurais e, em consequência disto, estarem arredados dos centros civilizacionais mais pungentes e dinâmicos da atmosfera cultural portalegrense e/ou regional.


10. Ordenamento do Território e Marketing Territorial

Rever o PDM, bem como providenciar que qualquer Plano de Pormenor (PP) e Plano de Reabilitação (PR) se faça sempre sob a opção de salvaguardar os solos férteis e produtivos da construção urbana, e da proliferação rodoviária, sobretudo os que tiverem riqueza aquífera, estejam integrados na REN e RAN, possam ser valorizados com produções substantivas para a comparticipação percentual do concelho no PIB Regional, tenham relevada importância na economia das famílias como na manutenção dos diversos habitats profícuos à flora e fauna portalegrense, auxiliem na conservação natural e tenham significado positivo no equilíbrio geográfico e da biodiversidade, garantindo eficácia ao background legal circunscrito pela Rede Natura, Directiva Comunitária dos Habitats, Lei de Bases do Ordenamento do Território e Urbanismo, Carta Modelo de Organização do Território, Carta da Estrutura Ecológica, Lei de Bases do Ambiente, ENDS, EEDS, Plano Nacional de Ordenamento do Território, Constituição da República Portuguesa, Convenções Internacionais do Rio, Bona, Berna e Ramsar, e demais Planos Regionais, Intermunicipais e Especiais de Ordenamento do Território que venham a refortalecer e reestruturar a dimensão geográfica, económica e humana do Norte Alentejano, que deve ser encarada como um todo e não como uma manta de retalhos, mais ou menos vivaz, conforme os "motivos folclóricos e modais de ocasião".
Os europeus vivem cada vez mais tempo e o número de pessoas que opta por viver sozinha tem aumentado consideravelmente, exercendo-se assim, também, uma cada vez maior pressão sobre o território, sobretudo urbano, estendendo e alargando os seus perímetros. Entre 1990 e 2008, foram edificados mais 980 000 hectares de território europeu, o que por si só é uma área superior à correspondente à superfície territorial do Luxemburgo. Se esta tendência não for contrariada municipalmente, naquilo que é popularmente designado por cortar no esbanjamento dos solos, posto que se cada autarquia o fizer só um bocadinho mais, custa muito menos a todos, a área urbana edificada duplicará em pouco mais de meio século, o que vem sublinhar a necessidade premente e absoluta de uma gestão urbana consciente e ecossustentada, enquadrada no todo continental, sem quaisquer desfasamentos regionais, nacionais e ibéricos que a façam perigar, porquanto ela, a gestão urbana consciente, responsável e harmoniosa, demonstra desempenhar um papel determinante e fundamental do território nacional, na directa protecção dos nossos recursos naturais e paisagísticos, na coordenação humana do ecossistema, na geração de riqueza e formação positiva do PIB, na manutenção das condições e qualidade de vida das populações, na expressividade da nossa pegada ecológica e na administração sustentável do planeta que, e ainda, é o único habitat plausível de excelência da espécie humana.
Em consequência, na inevitável tentativa de prossecução do equilíbrio ecológico, da defesa do ambiente e qualidade de vida dos portalegrenses, sejam eles citadinos ou naturais das freguesias rurais, eis-nos chegados à incontingência de pôr fim ao desbaratar de território típico do "marxismo neoliberal" que assolou a Europa durante e após a Guerra Fria, enfim uma tentativa de evitar o maior genocídio que a História pode registar, que é falência dos recursos naturais deste continente, como respectivo perecer de todos os seus povos, estejam ou não agregados (ou federados) numa União Europeia.

A cidade de Portalegre – à semelhança de outras antigas cidades portuguesas, Portalegre regista um centro histórico supervalorizado, mas quase esvaziado de moradores, e diversos anéis de urbanização, cuja densidade populacional é razoável, como nos bairros do Atalaião e Assentos, Ribeiro do Baco, Carvalhinhas e Areeiro, e uma zona industrial infrapreenchida, mal amanhada e pouco apetecível para o empreendedorismo e tecido empresarial de elevado volume negocial ou capacidade empregadora, como resultado dos sucessivamente errados planeamentos, primeiro o do Duarte Pacheco (anos 40/50 do século passado), com a expansão derivada ao centro então instituído, o Rossio, e seus tentaculares consequentes Av. da Liberdade, Jardim do Tarro, Bairro de Santo António/Pio XII/Mercado Municipal, e que se veio a agravar com os contributos enviesados de Diniz Pacheco e Fernando Soares, no pós 25 de Abril, que abriu chances de esgarrar a cidade para a zona fértil de olivais, hortas, pecuárias, cerealíferas dos Assentos, nova Zona da Feira, Zona Industrial e Ribeiro do Baco, anos 80, esta já como bandeira do génio do socialista Rui Simplício, que eliminaram e amputaram a possibilidade da cidade crescer com sentido sustentável e harmonioso, pois exigia também mais esforço aos construtores civis, para a zona de entre serras (Portalegre e Penha) sem qualquer finalidade agrícola nem mínima importância no capítulo da biodiversidade, mas antes latente foco de incêndios, destemperado e pintalgado urbanístico, apenas acessível à ostensiva urbanização dos privilegiados do novo-riquismo burguesóide, pelo que reiteramos a intenção de rever e reelaborar o PDM, sobretudo na rectificação dos perímetros urbanos, e planos de pormenor e requalificação subsequentes, de forma a preservar e defender os solos com aptidão natural para os aproveitamentos agrícola, pecuário e florestais, distribuir harmoniosa e equilibradamente as áreas de habitação, trabalho e lazer, rentabilizar infraestruturas, adequar os níveis de densificação, impedindo assim a degradação da qualidade de vida nos bairros mais populosos, repovoar e reabilitar o centro histórico, bem como capacitá-lo de espaços públicos e valências culturais, recreativas, desportivas e lúdicas inspiradoras e estimulantes para as actividades de valorização da identidade portalegrense.

As Freguesias Rurais – tendo sido consecutivamente valorizada a urbanização das freguesias rurais como fonte de mão-de-obra para a cidade, procura do comércio e serviços prestados nela, nunca o espaço rural do concelho foi gerido de forma a propiciar uma crescente melhoria das condições de vida e de trabalho das suas populações, satisfazendo apenas e tão-só os sectores da electrificação e saneamento básico imprescindíveis ao parque habitacional/dormitório exigível, pelo que se encontra premente a criação nelas de oportunidades e sinergias diversificadas de emprego como meio de fixação populacional, melhoria das condições de vida e de trabalho nestas zonas de residência, no respeito pelos seus valores culturais, ambientais, gastronómicos e paisagísticos, preservação e defesa dos solos com aptidão para actividades produtivas, agrícolas, pecuárias, cinegéticas ou florestais, e determinando ou cingindo a afectação a outras utilizações apenas nos casos em que tal se venha a demonstrar comprovadamente imprescindível como necessário.
Criar o típico avental portalegrense e torná-lo como uma espécie de “galo de Barcelos” da região, que a promova e identifique.
Criar e estabelecer o concurso do Avental Típico Portalegrense, de acordo com os parâmetros de referência instituídos pela Festa dos Aventais, transformando este adereço/peça de vestuário num ícone funcional de popularidade semelhante aos Tabuleiros de Tomar ou Galo de Barcelos.


11. Qualidade do Ar, Água e Saneamento Básico

Providenciar para que os itens de composição e qualidade da água e do ar se mantenham dentro dos limites configurados na lei, pelo menos quando difícil for melhorá-los, nota imprescindível para a qualidade de vida e condições ambientais passíveis de beneficiá-la no garante dos meios de habitabilidade óptima e de sanidade crescente, sobretudo atendendo às franjas sociais mais fragilizadas económica e socialmente, que não podem recorrer a alternativas técnicas de beneficiação dos seus habitats, tendo em conta o elevado número de idosos/pensionistas/reformados do concelho, a rondar os 39% da população residente, que mais sensíveis são aos níveis de qualidade dos bens comuns fundamentais (ar e água), fazendo a cada um deles análises de medição/avaliação periódica mas frequente, por organismo independente, publicando imperativamente os seus resultados, e notas de consequência interpretativa, nos meios multimédia autárquicos, bem como anunciando-os/divulgando-os através dos órgãos de comunicação social regional, incluindo os de natureza www e demais editais disponíveis.
Diminuir as porcentagens de desperdício da água nos sistemas de rega dos jardins públicos, bem como as perdas na rede de distribuição, além da atribuição de créditos para acúmulo no Cartão de Benefício Municipal (CBM) aos consumidores que envidem esforços de poupança de recurso ou implementem/instalem equipamentos de racionalização de uso de água nas suas habitações.


12. Trânsito e Estacionamento

Tomar providências para diminuir progressiva mas eficazmente o trânsito e estacionamento automóvel nas ruas da cidade velha, criando parques de estacionamento livre subterrâneos, com vigilância adequada, em todas as zonas plausíveis para a sua construção, sobretudo nos locais próximos aos "grandes centros de frequência e vida citadina", como são exemplificativos o Rossio, a Praça da República, o Mercado Municipal, a Av. da Liberdade, mediações da Rua Direita/Rua do Comércio, Largo da Sé, Corredoura, etc., não só com vista a devolver a cidade aos munícipes, como também a projectar a actividade económica e recreativa para horários, acessibilidades, afluências e frequências sustentáveis e motivadoras.


13. Resíduos e Energia

Envidar esforços a fim de, para além da aplicação intransigente da legislação e processamento dos resíduos sólidos, e aconselhados na selecção, reciclagem, reutilização, compostagem, conversão energética continuada, estabelecer uma rede eficaz de recolha específica de lixos, de forma a facilitar o seu aproveitamento na geração de energia, nomeadamente combustíveis, biomassa e biodiesel, cujo valor-acrescentado reverterá a favor e em conformidade com as quantidades recolhidas das freguesias ou localidades onde esses resíduos foram captados, na melhoria dos espaços e apetrechamento dos equipamentos públicos, com notório benefício para toda a população desses lugares, bem como providenciar os graus e aumentos de eficiência energética em todos os equipamentos municipais, incluídos no património histórico e edificado do município, instalações dos seus serviços, além de tentar extinguir o recurso ao suporte-papel para as comunicações e instruções internas, recorrendo invariavelmente às facilidades disponibilizadas pelo on line e/ou Intra e Internet.


14. Solidariedade e Associativismo

Estabelecer, definir prioridades e consolidar um Plano Efectivo de Confluência Social (PECS) que articule as iniciativas avulsas das diferentes associações e IPSS do concelho, humanitárias, recreativas, pedagógicas, de voluntariado e assistência social, e as envolva numa acção concertada promotora da coesão social e inclusão, transformando-se numa mais-valia de peso directo e imediato na melhoria da prevenção sanitária e da saúde pública, na harmonia do ecossistema, com reflexos inegáveis na qualidade e condições de vida da generalidade dos munícipes, na satisfação das suas necessidades cognitivas ou curiosidade intelectual, melhoria da cultura geral do cidadão da classe média, reforce a implementação e cumprimento dos Direitos do Homem, dos Direito da Criança, dos Direitos de Igualdade de Género, dos Direitos dos Animais, da conservação da natureza e do leque de biodiversidade, no respeito pela cultura e pela diferença, no combate à segregação discriminatória, bem como na valorização da vida e suas condições, do conhecimento dos valores humanos e regionais, da História Local, com significação extensível à criação artística e de animação sócio-cultural plausíveis de contribuir para a identidade das gentes portalegrenses como do território que elegeram para construir família, qualificar-se civicamente ou partilhar o seu destino com galhardia e sociabilidade.


Síntese Plural


Um futuro sustentável implica necessariamente um quorum de reivindicações que só encontram eco e justificação plena na vivência de médio e longo prazo na democracia da participação e da cidadania, na medida em que inviabilizará os despedimentos (individuais como colectivos), diminui a precariedade e rompe definitivamente com a democracia representativa e corporativista, que fomenta a Europa das elites e a defrauda da dos povos e da cidadania, e a que devemos a grande quota-parte da culpa na falência financeira-e-económica-e-social que gerou a actual crise, de amplos efeitos no nosso dia-a-dia.
Mudar é transformar e reivindicar-se igualmente mudança, qual síntese irreversível entre dois elos de uma cadeia que jamais voltará a ser o que antes era(m), pondo fim a um sem-número de reformas e políticas obsoletas que lhe enformavam a substância e legitimavam a indiferença eleitoral por desagregação do universo operário e socialista, luxo a que não podemos continuar a darmo-nos, porquanto não só pomos a nossa sobrevivência em risco, como destruímos a capacidade de sobrevivência das gerações vindouras, dos portalegrenses de amanhã, das instituições cívicas e das estruturas urbanas que entretecem a partilha humanitária e os direitos de cidadania, a emancipação individual e colectiva, a ordem e a segurança imprescindíveis à vivência em liberdade. Reivindicar-se intransigentes na responsabilidade, no escrúpulo ético e político, na honestidade intelectual, na autossuficiência e/ou autonomia pessoal e colectiva, na consciência da natureza do contributo social em que podemos (e devemos) envolver-nos, de forma disponível, confiável e participante, sem nunca descurar os valores da cidadania e da ética terrena, na prossecução de uma Portalegre cada vez mais humana e diversa, mais plural e idêntica a si mesma, consolidada e sustentável, capacitada para o protagonismo que o Norte Alentejano lhe exige, os alentejanos anseiam e o progresso regional aconselha. E reivindicar-se ruptura com o obsoleto modelo do quanto pior melhor e do salve-se quem puder, que a vida custa a todos, e sempre houve pobres e ricos, oprimidos e opressores, notáveis chavões da abdicação paroquiana, com que tentam eternizar as regalias do establishment sob a hipoteca da melhoria das condições e qualidade de vida de todos nós, com dignidade e emprego, segurança, liberdade e bem-estar.

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português