1.07.2026

desiluminado silêncio

 


DESILUMINADO SILÊNCIO

 

Escuto o silêncio de agora...

Nem a neve cai sobre o coreto,

Nem este frio que nos devora

Respira as rimas do soneto.

 

É só manto branco que escora

As sílabas num assíndeto,

Que a transbordar deita fora

Quanto é quente e concreto.

 


Porque concreta é a saudade

É o afeto, ou o jeito de andar,

Os brotos a rebentar nos ramos.

 

Não esse silêncio de frialdade

Que impede os coretos de falar

Acerca da vida a que nos damos.

 

Joaquim Maria Castanho

Com fotos de Elie Andrade


bicicletas de Paris - 2026

 

AS BICICLETAS DE PARIS

A bicicleta da liberdade
Sofreu circunstância adversa
Por ter parado na cidade
Sob o frio polar que sobre ela terça.

O progresso que já simbolizara
A revolução, a resistência que guiou
Abatera-a pela corrente que gelara
Pedal, e assento que não guindou.

Um dia A Sol, a Luz, há de vingá-la:
Há de devolver-lhe a tenacidade
Para ajudar quem carrega a mala
De cartão e genica da fraternidade.


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade


12.22.2025

MARIA, MARIA, MARIA

 


 

 MARIA, MARIA, MARIA

 

 


Se te sonho, então fazes parte

És arte que não parte de mim,

Que viverá não como um à parte

Que cresceu até ser-me sem fim...

 


Mas se tornou esse eu que amou

Pra ser enfim quem agora sou.

Tal como tu fizeste ao meu Eu

Que, se cresceu, foi por se tornar

Outra pessoa tão capaz de amar

Outro ser, que só pode ser o teu.

 

Joaquim Maria Castanho 

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português