Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
9.27.2017
9.17.2017
ESTE ADORAR-TE TANTO
ESTE ADORAR-TE TANTO
Entre as paredes de fazer pela vida
Onde te emparedas, e solidária
Fazes só com o teu estar nesta lida
Parecer qualquer sílaba tão vária…
Que apenas tua é a rima
E mais qu'ela também eu,
Pois ao ver-te cada dia
Tal qual as lá de cima
Iluminas a poesia
– És caminho, e sol meu.
Os gestos despachados, meiga magia
Do olhar, onde as estrelas têm morada
Refletem as odes que saram a poesia
Dessa melancolia de lua, se adiada…
Porque só tu lhe dás brilho
Lhe emprestas o tal encanto
Que ilumina todo o trilho
Dos que adoram sem pranto,
E que trilham se partilho
Este adorar-te tanto!
Joaquim Maria Castanho
8.25.2017
A TULIPA perlada
TULIPA PERLADA
Passo a passo até expirar
O caminho se desenrola
Desde creche, desde escola,
Com o destino já marcado
Pra essa cova retangular
Onde a terra se renova
Vendo renovado navegar;
Outra corrida contra o tempo,
Tal desfilada de sorraias
Que inventaram sol e vento
Que agita panos e saias
Maias que afloram o mundo
Lhe dão a cor, vivacidade,
Dessas rimas com que inundo
As ruas da minha cidade.
Grito libertado, granito
A soltar-se para os cumes,
Que é ond’o corpo, aflito
Ard’em mais sublimes lumes.
in JOAQUIM MARIA CASTANHO
REDESENHAR A VOZ, pág. XIV
7.15.2017
FAZER HOJE
C - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z
FAZER HOJE
Minha flor de pétalas tantas
Com insistência me promete
Em preces, em beijos, em mantras
Qual voz de nós na casa sete…
Sete estrelas que clareiam;
Sete pétalas pra um leque;
Sete sílabas que penteiam
As escamas ao alfaqueque.
Mas só por oito serem ora
Querem ser mais, não são frete:
Querem a flor que se repete,
Ter ontem no amanhã… – agora!
Joaquim Castanho
7.14.2017
B- CADA CÊNTIMO - POEMAS POLÍTICOS de A a Z
B - POEMAS POLÍTICOS de A a Z
Cada cêntimo é uma gota de suor
Naco de nação, migalha de povo
Às vezes lágrima de trabalhador
Lágrima de trabalhadora, lição
Caída da construção dum país novo…
Desperdiçá-lo, é negar-nos razão;
Perdê-lo, apoucar-lhe o esforço;
Cobiçá-lo, julgá-lo por cada pão
Que come, e traduzir por alvoroço
Suas conquistas, palavras, condição.
Cada cêntimo é um grão de trigo
Ajuda viva pra matar fomes
Que se acendem, pondo em perigo
Milhões de mulheres, crianças, homens
Todos, todas, deveras essenciais,
Pelo que atirar fora os "tostões"
É desperdiçar balas, ou munições
Na guerra de querermos ser iguais.
Joaquim Castanho
7.12.2017
ECOS DE JULHO
Já mergulhando nesse mar
Como um cubo gelado
Que se derrete no dia
Diluído, a soletrar
Fios de cabelo dourado
Conforme laço de poesia
Que mais solta do que ata,
Ouço ecos em melodia…
Por quem será? Por mim não é.
Por ti, por ti e por ti também não.
Nem por qualquer Tonho ou Zé.
Nem é por quem nos descarta
E desagrega na condição…
E que dizem?
– PA-RA-BÉNS MAR-TA –
Ora… então, já sei por quem são!
Joaquim Maria Castanho
7.09.2017
POEMAS POLÍTICOS de A a Z - A
A - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z
Jamais portas que nos dividam
Jamais distância A Deus
Que já os olhos teus despertam
Mais que infinitos nos meus.
Hei de dizê-los mudo, calado
Gritá-los pra lá do presente,
Ainda que do diferente lado
E mostrando inversos à gente
Nas costuras, trocos mesquinhos
Misérias ou raios de Zeus
Que lavram as florestas e ninhos
Com labaredas avaras de eus!
Joaquim Castanho
7.08.2017
RAZÃO TOTAL
A minha alma levantou voo
E nega-se agora a pousar;
Diz que quer ser o que sou…
Não sinto força prà contrariar!
Quando me culpa, eu perdoo.
Se me crítica, dou-lhe atenção.
E às vezes, até finjo que vou
Considerá-la só meia razão…
Mas mal te vejo, logo desisto;
É qu'ela quer à força ser beijo,
E eu… eu sem ela não existo!
Joaquim Maria Castanho
7.07.2017
7.02.2017
MELODIA ENCANTADA
MELODIA ENCANTADA
O dia das quatro estações
Decorreu hoje sem inverno,
E o arco-íris das pulsações
Pintou-o ameno, moderno
Pra pacificar os corações
Escalou penhascos, penedos;
Viajou por oásis e desertos;
Voou sobre mares e silvedos;
E escoou-se entre os dedos
Palma com palma bem abertos
À desfilada, plo espaço…
Mas levaste-me na garupa
Prà apagar da alma o traço,
Vinco do receio e da culpa,
Pondo pureza no que faço
Dando o cunho da poesia
A cada hora que expira
Com hinos em harpa e lira
Pra ouvir arco-íris no dia.
Joaquim Maria Castanho
7.01.2017
6.28.2017
6.27.2017
6.25.2017
SILVO COLORIDO
SILVO DE COLORIDA LUZ
Só quando te não vejo
Posso refugiar-me em ti,
Dizer que penso, que sinto
Que anseio, que desejo
Como foi o dia que vivi
Sem viver, se dele pinto
O esgar sonhado e ali
Refugiado atento
Mais caminho de pronto
Com os poemas que avento
À Sol num cruel rodopio
Pelas fisgas do assobio
Que sufi me deixa tonto…
Joaquim Maria Castanho
6.23.2017
6.16.2017
(RE)GANHAR A PASSADA
(RE)GANHAR A PASSADA
Plo óculo do infinito
Na descoberta incolor
Sonhos travam, e o atrito
Se refaz próprio propor
E propósitos propõem
As singelas alegrias
Que pouco a pouco compõem
Pegadas pra pegar os dias…
Então, o verbo floresce
Pelas pétalas completo
No beijo que não esquece
Carinhos d'avó e neto.
Joaquim Maria Castanho
6.02.2017
Excerto de NOTA a OS SIMPLES, de Guerra Junqueiro
“Quis mentalmente viver a vida singela e primitiva de boas e santas criaturas, que atravessavam um mundo de misérias e injustiças, de vícios e de crimes, de fomes e de tormentos, sem um olhar de maldição para a natureza, sem uma palavra de queixume para o destino. E então encarnei, por assim dizer, no pastor grandioso e asceta, na moleirinha octogenária e sorridente, no cavador trágico, nos mendigos bíblicos, na mansidão dos bois arroteando os campos e nas labaredas de oiro do castanheiro, aquecendo a velhice, alegrando a infância, iluminando a choupana. E, depois de uma existência de sacrifício e pureza, de abnegação e bondade, deitei esses ingénuos e pobres aldeões na terra misericordiosa e florida do campo santo, pondo-lhes por cima das sepulturas rasas o Céu maravilhoso e cândido, que em vida sonharam e desejaram.
É claro que essas figuras não são inteiramente reais, da realidade estrita, efémera e tangível. Criei-as, ou antes, completei-as com a minha alma, com o meu próprio ideal.”
14 de Maio de 1892
Guerra Junqueiro - Excerto da NOTA à edição de OS SIMPLES
6.01.2017
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