3.25.2011


DEIXEM DE IR A "JARDINS ZOOLÓGICOS"



Quando as pessoas são hipócritas entre si, o problema é delas e lá saberão o que fazer. Agora quando são hipócritas entre si e com isso prejudicam outras espécies, o caso muda de figura.
Já vou tendo pouca paciência para intelectuais que gozam e criticam reality shows ou a programação das nossas televisões, mas depois masturbam-se "intelectual" e "socialmente" em facebooks, blogs e outros que tais, participando em reality-shows auto-(re)criados até à exaustão.

Tudo bem, aceito que os que reclamam de tudo isto não desliguem a televisão, não vão a manifestações porque não acordaram a tempo ou se distraíram com qualquer afazer pessoal, aceito que não possa já ir ao cinema sem ser em gaiolas gigantes a que deram o nome de centros comerciais ou shoppings, aceito que essas gaiolas ensurdecedoras sejam o limite da criatividade de centenas de pessoas que se repetem semanalmente nos mesmos rituais atávicos; aceito que não possa ir à praia junto a minha casa a partir de março, pois o que deveria ser um lugar "saudável" se transforma num parque de estacionamento e de trânsito caótico porque as pessoas não se lembram que um das funções dos seus membros inferiores é andar (e podem fazê-lo com várias ajudas desde bicicletas, patins em linha, trotinetes, skates,e tc), enfim a lista continuava.

Agora, o que não aceito é que à custa de formas de entretenimento mórbido outras espécies morram. Não falo das corridas de galgos ou de pitbulls, não falo da pesca, ou da caça. Falo do Knut, um pobre urso polar que foi transformado em mercadoria de marketing de um jardim zoológico de uma das cidades supostamente mais evoluídas da Europa, Berlim ( http://www.publico.pt/Sociedade/morreu-knut-o-urso-mais-famoso-do-mundo_1485835 ). Não aceito que pessoas que se chamam a si mesmos pais levem os seus filhos, que dizem estar a educar para o futuro, a prisões onde a diversidade da vida é transformada em produto de entretenimento barato e sem sentido. Atiram-se moedinhas aos elefantes, umas sardinhas aos ursos e diz-se "ai que giro" ou "ai que medo" conforme a sensibilidade, mas depois vão todos para casa felizes por terem visto bichinhos giros, tirado umas fotos de circunstância e cumprido o sagrado dever de passar uma tarde em família. Mas, claro, essas famílias vão para casa de carro, mesmo que morem a 30 mins de distância, pois o giro é ver o ursinho polar ali ao pé de nós atrás de umas grades. Que importa que os outros, ainda na vida selvagem, vejam os seus habitats cada vez mais destruídos pelo aquecimento global, pesca excessiva, e outras coisas mais directamente relacionadas com a actividade humana?

De notar que zoológico significa "estudo relativo a animais". E nesses antros faz-se tudo menos estudos e nem as desculpas, que alguns utilizam dizendo que têm projectos de recuperação de espécies, servem para amenizar a brutalidade desses sítios, pois esses estudos devem ser feitos em locais mais recatados. Tal como aconteceu com o Knut, muitas dessas espécies acabam por desenvolver doenças terríveis devido a alterações comportamentais derivadas da exposição permanente aos guinchos, risos e demais ruídos dos humanos que os vão "ver".

O knut morreu e independentemente do que venham a dizer os responsáveis do jardim sobre a sua morte, a causa mais imediata e inegável é o seu esgotamento por ter sido transformado em cabeça de cartaz de um espectáculo miserável. O irónico e absurdamente hipócrito é que os que causaram a sua morte, ou seja, todos os que o foram visitar naquele sítio, criam agora um livro de condolências e fazem-lhe homenagens. Quantos mais vão ter de morrer para que passemos a entender que a vida é para ser sentida, partilhada e, acima de tudo, respeitada em todas as suas dimensões e que as outras espécies não são objecto de uso do homem para seu bel-pazer? Os "jardins zoológicos" são extensões dos antigos circos romanos. Se os queremos de volta, coloquemos neles apenas homens, tal como acontecia na altura, façamos touradas só com homens e não com touros, façamos corridas de apostas só entre homens e não com cavalos, cães ou galos. Se querem ver animais em exposição, vão ao Red Light Distric em Amsterdão onde pelo menos 3000 prostitutas estão expostas em vitrinas (e agora até já vão pagar impostos). Façam o que quiserem entre humanos, pois estes ainda são dotados de livre-arbítrio e temos uma eternidade para pagar as nossas dívidas. Agora, pelo menos, no meio de toda a nossa cobardia, hipocrisia e atavismo, não sujeitemos outras espécies aos nossos vícios e à nossa pequenez.

Se não queremos o Big Brother, a solução é simples. Desliguemos a televisão.

Se não queremos ser assassinos de animais como o Knut, a solução também é simples: DEIXEM DE IR A "JARDINS ZOOLÓGICOS". Porque a ignorância já não é desculpa.


(Obrigada)
Filipa M. Ribeiro

3.21.2011

Uma Questão de Ética Não é Uma Falsa Questão


Quem ateia fogo à noite, de manhã come-lhe as cinzas. Pese embora haver basta gente que o desconheça, esta é mais uma daquelas realidades que não se incomodam nem debilitam pela ignorância dos que a sofrem, e sobre os quais recai, independentemente de a contemplarem e reconhecerem, ou não. Tal como as leis, ninguém se pode esquivar a cumpri-las argumentando o seu desconhecimento. Para uns pode ser o poder da ressaca, para outros a evidente valia da resiliência. Agora, do que dificilmente nos alhearemos, é que se fizermos alguma coisa de acalorado e exigente esforço num dia, ao outro sentimo-lhe os efeitos, mais ou menos nefastos, é claro, conforme o grau de intensidade e a nossa capacidade de encaixe, ou resistência, o determinarem. E nas relações interpessoais, isso está igualmente estabelecido e atuante.
Por outras palavras, os impulsos e repentes de exagerada visibilidade pagam-se. E não raras vezes, com um preço elevadíssimo e juros de mora.
Suponhamos que alguém que nos é estimado e nos estima, respeita e acarinha, ajuda e apoia, se confia e partilha, sabe de fonte fidedigna que a traímos contando a terceiros o que só a nós confiou, ou nos ama mas nós preterimos na hora de dar e recolher prazer, fazendo-o com outrem. Devemos depois esperar e exigir que essa pessoa continue a ser para nós o que antes era?
É sobrenatural quem o for, e desumano quem criou semelhante expectativa. A dignidade e a integridade, física ou moral, não são lixo que se possa varrer para debaixo do tapete descurando a hipótese de que alguém o levante ou puxe. E então, o sarilho dá-se. A coisa estoura. O vulcão entra em erupção. O incêndio deflagra. A tragédia eclode. E quem são os verdadeiros culpados? Nós que traímos, ou aqueles que confiaram?
Se um governante que nos tutela os destinos, que nós elegemos e em quem confiámos, vai para o estrangeiro contar pormenores da nossa actividade sócio-económica sem que ter consultado acerca dessa iniciativa, então não pode esperar depois que os governados estejam disponíveis para a concretização desses detalhes, sobretudo se eles mexerem directamente com o seu nível de vida e poder de compra.
José Sócrates, não obstante, cometeu exatamente essa afronta, tanto aos que nele votaram, como aos que se lhe opuseram. Tripudiou em cima de todos, sem excepção nem vergonha, tendo descaradamente de seguida exigido, por uma questão de interesse nacional, colaboração na execução prática – via PEC IV – dessas medidas de austeridade, que alardeia serem fundamentais para superar "a crise". Pois bem, estas coisas têm o seu preço. Vai esperar por eleições no final do mandato, ou gostaria de matar a curiosidade mais cedo? Ora, o que é certo, é que Passos Coelho seria capaz de fazer o mesmo se estivesse nas mesmas circunstâncias... Porque não é com chiliques e arroubos de líder tocado pela graça histriónica, na mira do poder, pela via das SCUT carreiristas, que ficamos convencidos que entre duas iguais uma é melhor que a outra. George Orwell já nos contou essa fábula no século passado, e todos a compreendemos, pese embora muitos vivessem na quinta sem nunca terem ido à escola.
Então!, ainda estão à espera de ver para crer? Entre os homens de bem, uma questão de ética foi sempre, e continuará a ser, uma verdadeira questão.
([Segunda]Fotografia de Sukha, autoria de Carlos Garrido)

3.17.2011

Uma escola para tolos?


Por João Ruivo



http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=90393CD536DFF36DE0400A0AB8001D4D&opsel=2&channelid

Com o decorrer dos anos, os governantes, lá no alto do seu douto saber, entenderam que, já agora, os professores e a escola poderiam também cumprir uma imensidão de funções até então cometidas ao Estado, às famílias e à sociedade.

O teimoso prosseguimento da implementação das atuais medidas de política educativa anuncia uma clara mudança de paradigma: a transição do modelo sixty da "escola para todos", para o modelo pós-modernista da "escola para tolos"
A grande reforma educativa sorvida dos quentes e vibrantes anos do final da década de sessenta, consubstanciada nas filosofias do maio de 68, apontava para uma escola aberta, universal, inclusiva, interclassista, meritocrática, solidária, promotora da cidadania e, até, niveladora, no sentido que deveria esbater as desigualdades sociais detetadas à entrada do percurso escolar.
Os professores passavam a ser mediadores da aprendizagem, promotores da socialização e do trabalho partilhado. Os alunos metamorfoseavam-se em aprendentes ativos, participativos, concretizadores, colíderes da sala de aula e do rumo a dar às planificações. Os pais, descolarizados ou iletrados, por vergonhosa opção de quatro décadas de ditadura, entregavam os seus filhos naqueles centros de promoção do sucesso social. Era a escola aberta à comunidade, uma escola moderna, que se impunha à escola tradicional. Era, enfim, a escola para todos.
Com o decorrer dos anos, os governantes, lá no alto do seu douto saber, entenderam que, já agora, os professores e a escola poderiam também cumprir uma imensidão de funções até então cometidas ao Estado, às famílias e à sociedade. Mesmo que não tivessem tido preparação para isso, os professores tinham demonstrado que sabiam desenvencilhar-se e, sobretudo, que não sabiam dizer não.
E desde então, essas passaram também a ser tarefas e funções da escola e dos seus docentes. A partir desse momento singular, passámos a ter uma escola que, por acaso, também era um local de aprendizagem formal, mas que, sobretudo, se foi desenvolvendo como um espaço de aprendizagens sociais, informais, socializadoras. E foi assim que se baralhou e se desvirtuou uma escola que, altruisticamente, queria ser para todos, transformando-a numa escola onde tudo cabia. Era a escola para tudo.
Mais recentemente (reportando-nos ao baronato de Maria de Lurdes Rodrigues e ao principado de Isabel Alçada), entendeu-se que a escola gastava muito e os professores, numa indolência secular, pouco faziam. Logo, quem sabe? até poderiam ser substituídos uns pelos outros, à molhada, degradantemente. Ou até secundarizados por "skinnerianas" máquinas de ensinar, que apressadamente se viram batizadas de Magalhães, porque os governantes portugueses gostam que a História, tal como as telenovelas, se repita.

A Liga Árabe acabou de propor uma resolução formal ao Conselho de Segurança da ONU pela criação da zona de exclusão aérea sobre a Líbia. Depois de semanas de um impasse internacional, este é o momento da verdade, se nós não conseguirmos persuadir a ONU a agir agora, nós poderemos testemunhar na Líbia um dos maiores massacres deste novo século.

As forças do Kadafi estão esmagando os manifestantes cidade por cidade. Se eles retomarem o país, uma retaliação brutal aguarda os líbios que desafiaram o regime. Relatos de tortura e assassinato já estão vazando das áreas retomadas.

Cidadãos líbios comuns estão pedindo que o mundo não os abandone. A comunidade Avaaz está profundamente comprometida com a não-violência, mas a imposição de uma zona de exclusão aérea para manter os aviões de guerra do Kadafi no chão é um caso específico onde uma ação militar liderada pela ONU é realmente necessária. Um questionário enviado para a nossa comunidade mostra que 86% das pessoas apóiam a zona de exclusão aérea. Agora, no momento em que o voto da ONU se aproxima, chegou a hora de aumentar ainda mais a nossa pressão.

Nós torcemos quando o povo da Líbia saiu às ruas e agora não podemos, e não devemos, ignorar o seu pedido de ajuda neste momento tão difícil. Mesmo se você já participou, clique abaixo para enviar uma mensagem para o Conselho de Segurança da ONU:

http://www.avaaz.org/po/libya_no_fly_zone_3/?vl

A ONU está dividida, mas a situação está mudando rapidamente. A China, Rússia e Alemanha são contra enquanto a Liga Árabe, a Confederação Islâmica, o Reino Unido e a França são a favor. Os EUA e Índia estão em cima do muro. Este não é o velho debate Ocidente versus Oriente, nem, como alguns suspeitam, uma conspiração de interesses petrolíferos. O Conselho Nacional de Transição da Líbia, que a França reconheceu como o governo legítimo está desesperadamente pedindo uma zona de exclusão aérea e apóio internacional. Porém a cada dia que passa, o perigo aumenta de que qualquer ajuda chegará tarde demais.

Uma zona de exclusão aérea sozinha não é a solução final, ela deverá ser apoiada por sanções direcionadas e congelamento das contas do regime, a interrupção da transmissão das declarações do Kadafi incitando a violência, e mais países reconhecendo diplomaticamente o Conselho Nacional de Transição da Líbia. Mesmo tudo isso poderá não ser suficiente. Porém aqueles que opõe uma ação forte devem se perguntar se, com dezenas de milhares de vidas em jogo, eles estão dispostos a defender a passividade.

A lei internacional e o Conselho de Segurança da ONU deixaram claro que, quando crimes contra a humanidade são cometidos, a comunidade internacional tem a responsabilidade de proteger os povos destes crimes, mesmo que o agressor seja o seu próprio governo. Mesmo que ainda não conhecemos a total magnitude dos crimes do Kadafi, nós não podemos virar as costas neste momento. Clique para enviar uma mensagem urgente para os delegados do Conselho de Segurança da ONU:

http://www.avaaz.org/po/libya_no_fly_zone_3/?vl

Na melhor das hipóteses, o Kadafi irá reagir à resolução da ONU sobre a zona de exclusão aérea, parando os ataques aéreos. Porém se ele não parar, a imposição da zona de exclusão aérea terá que ser feita com ataques diretos aos caças que ele tentar usar e possivelmente ataques aéreos aos sistemas de mísseis antiaéreos. Há também a possibilidade de uma zona de exclusão aérea levar a um envolvimento militar mais profundo na Líbia.

Enquanto o mundo (e a Avaaz) criticaram fortemente a guerra do George W. Bush no Iraque, e defendemos soluções pacíficas para conflitos em muitos lugares, este não é o Iraque. Se não agirmos logo, a Líbia poderá se tornar Darfur, com graves crimes contra a humanidade cometidos contra comunidades inteiras. O regime do Kadafi tem um longo histórico de tortura, massacrando o seu próprio povo e financiando o terrorismo internacional. Mas o povo líbio está unido contra as tropas do Kadafi -- mesmo a sua própria tribo e cidade natal se distanciou das suas ações.

A situação da Líbia, e a reação internacional a ela, é complexa, com muitos atores e agendas, assim como o futuro de uma Líbia pós-Kadafi ainda é incerto. Esta complexidade deve guiar o cuidado que temos em nossas ações porém, pelas vidas de dezenas de milhares de líbios, nós não podemos ficar parados. Vamos tomar a melhor decisão que podemos e agir, agora.

Com esperança,

Stephanie, Ricken, Ben, Alice, Benjamin, Rewan e toda a equipe Avaaz

Leia mais:

Forças de Kadafi continuam avançando; aeroporto de Benghazi é bombardeado:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,forcas-de-kadafi-continuam-avancando-aeroporto-de-benghazi-e-bombardeado,692670,0.htm

Resolução sobre zona de exclusão aérea na Líbia chega ao Conselho de Segurança:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1806717

Aviões de Kadafi bombardeiam principal reduto rebelde em Benghazi:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4995259-EI17594,00-Avioes+de+Kadafi+bombardeiam+principal+reduto+rebelde+em+Benghazi.html

ONU não chega a consenso sobre a Líbia:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/03/15/onu-nao-chega-consenso-sobre-libia-924013475.asp

Sarkozy pede que ONU adote zona de exclusão aérea sobre a Líbia:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,sarkozy-pede-que-onu-adote-zona-de-exclusao-aerea-sobre-a-libia,692829,0.htm

3.04.2011


Há Pessoas Capazes de Tudo!

A minha casa tem sete portas
Todas abertas de par em par,
Aquelas em que o Sol não entra
É porque estão viradas prò Luar.

In Terceiro Passo, poema de Joaquim Castanho, incluído no livro Nova Razão: Velha Aliança.

Acordar é um ritual que se reflete no carácter de cada qual, havendo quem tome as medidas adequadas à circunstância, e escolha aquilo com que o despertar melhor lhe caia para se entrincheirar num novo dia, como se a segurança e confiança fossem o principal reflexo e espelho do amor-próprio, ou o seu sucesso (existencial, incluindo a identidade) dependesse absolutamente desse momento. Não sou diferente de ninguém, nesse capítulo – pelo menos (e até ver). Todavia, embora frio o dia me entrasse pela janela da sala, que ocupa toda a largura dela, envolvendo a casa numa saudação de inesgotável irradiação, não me antevia disposto a “partilhar”, termo que atualmente no jargão das TIC serve para quase tudo, com Shara a acontecência ou sucedância da véspera. Porém, depois de ingeridas aquelas tostas estaladiças acompanhadas com geleia de morango que recheiam qualquer estômago com a suculenta mistura do cereal nobre (trigo) com o fruto açucarado dos corações ao rubro, não pude evitar-me ao sabor requintado de um café Qharacter Delta Q, intenso, mesclado, de aroma sofisticado e sublime, o preferido de quem não se deixa adormecer (e enredar) pelos placebos de viver, procurando lá fora, entre as erectas (quase românticas senão góticas) ramadas dos ciprestes os pintassilgos que costumam fazer seus ninhos onde a vizinhança me é mais próxima, precisamente na ponta do nariz, a meia sílaba de um trinado de alma cristalina, dei comigo a considerar que não tinha cometido qualquer falta grave, e que seria mesmo divertido ver-lhe a cara de espanto, de incredulidade, que faria se lho contasse.
Reparei que os pintassilgos não estavam lá. Tinham-se levantado mais cedo. Ou eu sensivelmente tarde do que o habitual… – que era o mais certo! – dando-me a sensata perspetiva de uma outra maneira de alinhavar o tempo conforme o modo de vida, uma vez que eles se teriam deitado, como aliás é seu costume, muito mais cedo e aproveitado a longa manhã para esperar a Primavera, a distar não mais que quinze dias, que no calendário das aves deve ser ainda menos que um saltinho de pisco ou toutinegra. Creio que o fazia para evitar decidir-me, adiar o momento em que o pão-pão, queijo-queijo, me encostariam à parede do agora-ou-nunca, inspirando-me no voo da fuga através da vizinhança, num Ícaro pouco convincente, confesso, embora a meiose de saudável engenho traga o morse do dit dit da da da dit dit dit de um pedido de socorro, e dizer-lhe quanto me sucedera naquele ápice e entrementes da saída de tua casa até entrar na minha.
Contudo, eis que o meu raciocínio foi de pantanas e as hesitações bateram em retirada, porquanto uma chave girou na fechadura da porta, e esta se escancarou, jorrando-te como faria qualquer vulcão administrando lava pelas redondezas. E não vinhas só, pois trazias contigo toda a ironia metediça de quem acordara com a pirraça na mente, a traquinice a todo o pano, de um veleiro com vento forte – e a favor. «Bom djia!!...» trinaste ainda mal entraras, a saracoterar naquele sorriso de quem a traz fisgada e pretende levá-la até ao fim, só para ver no que dá. Pura curiosidade feminina, suponho. Maquiavélica, é certo, diabolicamente tentadora, não resta a mínima dúvida, mas infinitamente desarmante, e devastadora, se atendermos à tempestade de confuso e controverso efeito para onde nos atira, sempre e impreterivelmente sempre com inocente intenção, no sem-querer que tanto provoca como seduz, até magoar na demasia de preferir, envolver e viciar.
«Viva, viva» atalhei supérfluo a refazer-me na alvoraçada temperança, cuja derrocada, de latente, se anunciava prestes. «Já de pé!… Não estou atrasado, pois não?», redargui tentando recuperar o equilíbrio para lhe afincar o salto leonino que me devolvesse a confiança, mordendo-a de seguida com as palavras que a situação pedia. «Só combinámos que almoçaríamos juntos, e ainda tenho muito tempo para o fazer… Mudaste de planos?»
«NÃO, queridinho! E este não é válido para as duas perguntas: não estás atrasado, nem mudei de planos. Sonhei é que tinhas qualquer coisa importante para me contar, e não quis deixar-te a sofrer na espera. E da espera» me elucidou, como se necessária fosse tal precisão, considerando o aturado treino que ela desde sempre me impôs, quer dizer, a que tu me obrigaste continuamente. Já esqueceste?
«Como assim?! O que é que pode haver tão importante que não possa esperar até ao meio-dia e meia?»
«Tu é que sabes» replicou assertiva, seca e de imediato, quando quase ainda eu, nem sequer, terminara a pergunta. «Ou será, que estás a insinuar, que ando a sonhar coisas. Coisas!»
Empaquei. Fiquei com a resposta atravessada, a raspar o céu-da-boca, mas sem a mínima esperança de ouvi-la sair. Às vezes estas ninharias acontecem aos melhores comunicadores. São brancas que nos escurecem o ânimo, anunciam apocalipses e fomentam dilúvios de saliva que nos apressamos a engolir, para disfarçar, enquanto ginasticamos a glote em seco como um êmbolo de motor acelerado.
«Cheira aqui bem… Este cafezinho também me dava jeito» a mim, que me prontifiquei a tirar-lho, com superior mestria e requinte.
«Então, conta lá» sugeriu, garantindo-me quanto levara a sério as minhas desculpas, e recusas, sonegações e esquivas, acerca do assunto que a trouxera. Pronto, desembuchei: «Foi a vizinha ali da frente que me pediu um livro emprestado, ontem à noite, e eu dei-lhe aquele que fiz para ti. Não devia tê-lo feito? Podia ter-te perguntado antes… Mas» ela aplicou-me o «fizeste muito bem. Àquela hora não ias telefonar-me só para me perguntar isso. Ias?»
Nem tal me passara pela cabeça! Passei-lhe a chávena fumegante. A mão dela segurou na minha, enquanto a chávena transitava entre ambas, ao que, fixando-me incisiva sobre a ondulada espiral de fumo que se evolava, adiantou um «e?» que bateu na consciência como um aguilhão em fogo.
«E?», repetiu. «E?»
«E nada, foi tudo o que passou», refilei.
«Ok. Vou fingir que acredito. Logo ao almoço contas o resto.»
Pousou a chávena sobre o livro aberto que me preparava para ler. E… Saiu! Saiu pela mesma porta por que entrara, deixando as demais – seis – escancaradas para o ventinho da inquietação que me começava a corroer a alma. Apenas saiu. (E nem um beijinho de despedida… Há pessoas capazes de tudo!)

3.01.2011


Anfiteatro Nobre


9:30-10:30
Alexandra Serapicos (UCP)
Palestra Inaugural: “Utopia e Cinema. Algumas Notas e Derivas.”

10:45- 12:45
Miguel Santa & Vasco Pucarinho (UCP)
“Fragmentos de um Filme — Utópico”

Lídia Queirós (UCP)
“Sleeper: Inesperadas Possibilidades Cómicas da Distopia no Cinema”

Flávio Pires (UCP)
“Utopia vs. Identidade: a Sociedade e o Indivíduo em Farenheit 451”

Dep.º de Estudos Anglo-Americanos (2.º Piso, Torre A)

14:30 - 17:00
Filipa Paiva (FLUP)
“As Políticas de Normalização em V for Vendetta: Espacialidade, Deslocações e Organização Social”

Inês Botelho (FLUP)
"No Início e no Fim: da Utopia e da Distopia em Lord of the Flies"

Joana C.S. Caetano (FLUP)
“La Fin est proche: Visões Apocalípticas em Les Derniers Jours du Monde”

Miguel Ramalhete (FLUP)
"'Nunca Nada Acaba': O Fim de uma História Distópica em Watchmen

Dep.º de Estudos Anglo-Americanos (2.º Piso, Torre A)

17:30 - 19:30
Márcia Lemos (FLUP)
“Esse est percipi: Percepção, Dualidade e Angústia em Film, de Samuel Beckett”

Filipa M. Ribeiro (FLUP)
“Documentário e Comunicação de Ciência: Dialécticas e Sedutoras Utopias”

Hélia Saraiva (FLUP)
“A Utopia de um Professor Paraplégico: ‘A Convivência Pacífica entre Humanos e Mutantes’”

2.26.2011

Por todo o Oriente MédioBahrein, Líbia, Iêmen e mais países, regimes autocráticos estão tentando esmagar a disseminação sem precedentes de protestos pacíficos, usando a brutalidade e bloqueando meios de comunicação. Estes países estão em uma encruzilhada entre a libertação e a violência – e a habilidade dos manifestantes conseguirem transmitir informações para o mundo poderá definir o resultado.

A Avaaz está trabalhando para “furar o apagão anti-protesto” – garantindo modems e telefones via satélite, filmadoras minúsculas, transmissores de rádio portáteis e provendo equipes especializadas nas ruas – para permitir que os ativistas transmitam vídeos ao vivo mesmo com a Internet e linhas telefônicas bloqueadas, garantindo que os olhos e solidariedade do mundo fortaleçam estes movimentos corajosos pela revolução social.

O tempo disponível para entregarmos a ajuda está acabando, os regimes estão agindo rapidamente para bloquear as fronteiras e as conexões de Internet. Pequenas doações de 25.000 pessoas poderão financiar a tecnologia crucial e equipes de apoio onde a ajuda é mais necessária. Vamos contribuir para fortalecer aqueles que estão carregando o destino do Oriente Médio em suas mãos pacíficas -- doe agora:

https://secure.avaaz.org/po/blackout_proof_the_protests_9/?vl

As incríveis transmissões ao vivo da praça Tahrir no Cairo foram vitais para manter o apoio popular, ao expor a violência descarada do regime do Mubarak contra os manifestantes egípcios. Ao assistir aos protestos do mundo todo, centenas de milhares de nós assinamos a petição de solidariedade da Avaaz, que foi anunciada na rede de televisão Al Jazeera, mostrando aos egípcios que o mundo os apoiava. Hoje, líderes dos protestos no Egito dizem que o apoio mundial sobre a sua causa os ajudou a impedir que os momentos de violência se transformassem em tragédia.

Quando a censura da Internet se agravou, a Avaaz e parceiros trabalharam para enviar equipamento de Internet via satélite para os organizadores lá. Agora, Bahrein está se desdobrando para implementar o seu próprio apagão da Internet e nós temos a chance de prover um apoio fundamental para impedir a censura. O equipamento de comunicação e equipes de apoio vão ajudar os organizadores fazerem transmissões locais para organizar os protestos, se comunicar com outros ativistas na região e prover informações para o mundo se houver um apagão. Assim eles poderão contrapor a propaganda do regime e proteger os manifestantes através da exposição na mídia.

Se a mídia internacional for expulsa, os manifestantes poderão manter um canal direto e ao vivo de informações circulando pela Internet. Com os recursos captados, a Avaaz poderá despachar imediatamente os equipamentos e uma equipe especializada para o Oriente Médio.

https://secure.avaaz.org/po/blackout_proof_the_protests_9/?vl

Há momentos na história que o impossível se torna inevitável. Assim como a dissolução da União Soviética pouco antes da sua queda, as mudanças varrendo o Oriente Médio eram inimagináveis apenas um mês atrás. Mas o poder da sociedade tem uma lógica própria. Enquanto muitos de nós nunca pisou no Oriente Médio, a esperança deste povo está entrelaçada com a nossa e ao redor do mundo. Em momentos como este, é inspirador saber que a nossa solidariedade, em forma de esperança e ação, pode ter um pequeno papel em uma transformação histórica.

Com determinação,

Stephanie, David, Alice, Morgan, Ricken, Rewan, Maria Paz e toda a equipe Avaaz


FONTES:

Mundo árabe: em ebulição por democracia:
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5htqlg15Kuyn9ibmbW9xxGep96JGA?docId=CNG.37d1e9b8df335e5bef72653eaeb542ac.1c1

Milhares protestam contra governo no Iêmen, Líbia e Jordânia:
http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/milhares+protestam+contra+governo+no+iemen+e+na+jordania/n1238030062374.html
Líbia e Bahrein bloqueiam acesso à Internet:
http://www.superdownloads.com.br/materias/libia-bahrein-bloqueiam-acesso-internet.html
Censura na Líbia começou: Internet bloqueada:
http://www.ipjornal.com/noticias-tecnologia/internet/432633_censura-libia-comecou-internet-bloqueada.html
Apoie a comunidade da Avaaz! Nós somos totalmente sustentados por doações de indivíduos, não aceitamos financiamento de governos ou empresas. Nossa equipe dedicada garante que até as menores doações sejam bem aproveitadas.
A Avaaz é uma rede de campanhas globais de 5,6 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 13 países de 4 continentes, operando em 14 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

2.02.2011

O Rio do Silêncio

Eu devia estar meio louco
Quando parti assim sozinho de bicicleta
Pedalando em direção aos trópicos levando comigo
Um medicamento para o qual ninguém achara ainda
A doença e esperando
Chegar a tempo

Passei toda uma aldeia de papel com vidro por cima
Onde os exploradores pela primeira vez encontraram
O silêncio e o ensinaram a falar
Onde os velhos ficavam sentados à porta
De casa matando sem piedade a areia

Irmãos gritei-lhes
Digam-me quem levou daqui o rio
Onde vou achar agora um sítio bom para me afogar


In O Deserto Tatuado, de Richard Shelton



Descobri – finalmente: vale mais tarde do que nunca! – porque é que as minhas crónicas não tiveram (e não têm) qualquer êxito, nem o meu discurso o mínimo sucesso: porque não me drogo, porque não sou alcoólico, porque não cultivo nem pratico as relações homossexuais, pedófilas e derivadas, porque não frequento as missas secretas (brancas nem negras), porque não participo nas orgias das seitas secretas da caridadezinha e da falcatrua organizada, porque não mergulho nos rios sujos para provar que estão limpos, e subscrevo ou afirmo conceitos em vez de enumerar medidas de valor com baboseiras do tipo muito e pouco, melhor e pior, mais e menos, contente e zangado, que (se) transcrevem, por relativo e miúdo, por grosso e atacado em absoluto, nos bonequinhos dos emoticons do msn. E tenho parágrafos em vez de frases avulsas espalhadas aleatoriamente pelo “retângulo relvado” de um A4 suficientemente limpo de grafites e dichotes em que se possa escrever. Ou ouso mencionar arrelias e desmandos que os elementos do kremlin social, como nata das várias fações em vigor, preferem esconder, esquecer e até negar.
E não olvidei que quase tudo aquilo quanto nos ensinaram está agora errado. A vida não era aquela pasmaceira sem condimentos de risco desde que nos não metêssemos em política, conforme afiançaram as hostes hostis ao progresso, nem a imutabilidade das coisas a que só Deus estipulava a ordem, nomeadamente no tempo (meteorológico), que não era assim tão imutável como se supunha, pelo menos se atendermos às evidentes alterações climáticas, para as quais nem os modelos matemáticos estão convenientemente preparados ao nível das previsões. A sociedade dos bem pensantes e melhor vistos, sequer se avizinhava aos ideais idealistas, e se primou em alguma coisa, foi em demonstrar ser exatamente o contrário daquilo que propalou ser – bem-pensante, realista e com intenções claras e esclarecidas, ou bem-intencionada. A Igreja de imaculada não tem absolutamente nada, excepto o silêncio, que é uma forma milenar de santificar a ignorância e estuporice, que os tabusistas e tabulageiros epitetam também de sábio, esse mesmo silêncio corporativista com que cala e alimenta os diversos pedofilismos ou abuso sexual de crentes, alimenta a generalizada hipocrisia e imita os camaleões na tentativa de adaptar-se às circunstâncias mundanas e continentais. A banca não é minimamente confiável, e a desgraça que nos assola tem a sua inteira responsabilidade. O ensino não ensina, ou se ensina, aquilo que transmite não serve para ninguém, a não ser para justificar o ordenado de quem o veicula. A sabedoria e a cultura não eram aquelas diatribes afectadas, enciclopédicas e elitistas que os misóginos e pedantes divulgavam e imprimiam ao quotidiano comum. Os criminosos e os fora-da-lei são muito mais parecidos com as forças da ordem e da lei do que com os cidadãos vulgares da nossa rua. Os meios de comunicação estão mais empenhados em deformar do que informar. E a solidariedade é um negócio profícuo e generoso para quem o cultiva, desfruta e explora.




Mas de entre as eternas verdades nascem e se alimentam as eternas mentiras. Os sábios capricham nas intervenções tentando espionar o que pensam os deuses, esquecendo que estes seres mitológicos e fantásticos não existem, a não ser na imaginação de quem neles acredita. De quem os cria para solucionar as suas incapacidades e problemas. E, acerca do cada qual, ou quais, nomeadamente dos mais chegados, prestáveis e lisonjeiros, há sempre alguém que desconfia das suas intenções por projeção, transferências de carácter e natureza. Principalmente quando diz ter ouvido na comunicação social algo que não conjuga com a prática a que assiste ou até é sujeito. Por exemplo, como sucedeu e sucede com os Atestados Clínicos de Incapacidade, em que noticiou que este passava de 0,90€ para 50€, o que é uma descarada mentira, porquanto eu paguei esses 0,90€ mais os 50€, ou seja 50,90€, pois devo valer por dois ou coisa no género, uma vez que me aplicaram primeiro a legislação antiga e depois a nova, segundo rezam os recibos, aplicando-me a “Lei 150/99” e o “Decreto Lei 8/2010”, conforme se pode ver nos recibos ou na digitalização dos documentos da ilustração, dando relevo ao que se suspeitava, que é para contrabalançar com aqueles que fogem à Lei e não a cumprem, pondo outros a cumprir duas leis sobre o mesmo item, pagando a dobrar, a ver se esperta e abre os olhos, pois ninguém o manda ser diferente, e não tinha nada que apanhar uma poliomielite quando era pequeno, só para chatear (e desmascarar) quem não o vacinou contra ela antes dos três anos de idade, que é uma idade mais que boa para se ser responsável por si mesmo, e já que ninguém o vacinava, devia ele próprio dirigir-se a quem e onde isso fosse possível. Exatamente, que essa corja dos deficientes motores são é uns vadios e sabichões que merecem pagar a dobrar, que nunca dão ponto sem nó, e se calhar já contraíram as deficiências só para os sãos e desenxovalhados arcarem com o seu sustento e tratamentos.



Ora, neste sem-tirar-nem-pôr com que os fatos concretizam os assuntos, é inegável que quando alguém nos leva duas vezes o custo de um serviço que apenas se efetuou uma vez, mesmo que esse alguém seja parte consciente de quem fez a Lei que depois aplicou, outros dirão, espécie de juiz em causa própria, o que parece evidente, sem a mínima dúvida, é que alguém anda a meter as mãos pelos pés, e a castigar pelo crime de existir quem não tem a menor culpa dessa falta. (Pelo menos dessa não tem!) Desse pecado mortal, pelo qual tenho que pedir desculpa continuamente, dia a dia, nos transportes públicos, nas instituições com acessos em socalcos, com os vizinhos e familiares que veem em mim um privilegiado matreiro, que até sabe ler e escrever, mas que não quer é trabalhar, só ronha, é o que é, e demais brindes e presentes que me são oferecidos quotidianamente e nas mais diversas e insuspeitas oportunidades.
O que me torna, aliás, extraordinariamente orgulhoso da minha incapacidade, considerando que ela me faz diferente, e diferente sobretudo, das pessoas que não tendo sofrido poliomielites aos três anos, se acham suficientes e capazes de assim arremeter contra aqueles que as sofreram, já que uma vez que sobreviveram àquilo que ninguém queria que viessem a sobreviver, então têm que pagar por isso, e bem caro, de preferência a dobrar, que é para aprenderem a não desrespeitar as superiores ordens de Deus, do Destino e das Famílias disfuncionais. Pois, que é para aprenderem a comer e ficarem calados, no silêncio dos culpados, cujo rio possui as águas que lavou as mágoas da cidade com a lixívia da vingança e do ressentimento, da contradição e do ódio sobre quem menos pode e nada deve.
Perguntas, irmão quem levou o rio onde te querias afogar? Descansa, não te atormentes mais, ele continua a correr, apenas o mudaram de sítio. O seu leito já não são os apartheids de e entre um lado e o outro, incluindo o sul-africano… é (e são) aqui, neste quadradinho à beira-mar plantado em que agora as suas águas salpicam quem se senta nas margens do seu curso, com a espuma dos cachões, e dos rápidos, na corrente dos TGV da modernidade. Engenharias!...

1.28.2011




Última Conferência

2
Fevereiro 2011
Fundação Calouste Gulbenkian
Auditório 2 18h00

Resumo da conferência

Poucas áreas do conhecimento trazem mudanças fundamentais tão rapidamente como a Ciência e a Medicina. A conferência proferida pela Doutora Judy Illes incidirá sobre as possibilidades (cada vez maiores) de se adquirirem assinaturas do “self” – dos genes ao cérebro – através do uso da ressonância magnética funcional bem como de outras neurotecnologias modernas.
Quais serão as implicações dos novos avanços para a compreensão das pessoas enquanto seres biológicos, para o bem-estar do cérebro e para a sociedade? As respostas a estas questões residem no delicado equilíbrio entre o conhecimento, a autonomia, os valores e a privacidade.

Judy Illes é Directora do Programa de Neuroética no Stanford Center for Biomedical Ethics. A sua investigação está focada nos desafios éticos, legais sociais e políticos nas neurociências.


Judy Illes is Professor of Neurology and Canada Research Chair in Neuroethics at the University of British Columbia. She is Director of the National Core for Neuroethics at UBC, and faculty in the Brain Research Centre at UBC and at the Vancouver Coastal Health Research Institute. She also holds affiliate appointments in the School of Population and Public Health and the School of Journalism at UBC, and in the Department of Computer Science and Engineering at the University of Washington in Seattle, WA. USA.

Illes' research focuses on the ethical, legal, social and policy challenges specifically at the intersection of the neurosciences and biomedical ethics. This includes studies on functional neuroimaging in basic and clinical research, regenerative medicine, dementia, addiction, and the commercialization of cognitive neuroscience. She also leads a robust program of research and outreach devoted to improving the literacy of neuroscience and engaging stakeholders on a global scale.

Illes is an internationally recognized author, lecturer, and mentor. She is a co-founder and Executive Committee Member of the Neuroethics Society, a member of the Dana Alliance for Brain Initiatives, and a former member of the Internal Advisory Board for the Institute of Neurosciences, Mental Health and Addiction (CIHR) and of the Institute of Medicine, Forum on Neuroscience and Neurological Disorders. Illes is editor of the American Journal of Bioethics (AJOB)-Neuroscience, co-Editor of Neuroethics: Defining the Issues in Theory, Practice and Policy (Oxford University Press, 2006) and the Oxford Handbook of Neuroethics (Oxford University Press, Forthcoming, 2010). Illes was co-Chair of the Committee on Women in Neuroscience (C-WIN) for the Society for Neuroscience (SfN) from 2005–2008, and now serves as Chair of the new Committee on Women in World Neuroscience (WWN) for the International Brain Research Organization (IBRO).

Tradução simultânea

INFORMAÇÕES:
Rita Rebelo de Andrade SERVIÇO DE CIÊNCIA
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1.27.2011


Millicent Gaika foi atada, estrangulada, torturada e estuprada durante 5 horas por um homem que dizia estar “curando-a” do lesbianismo. Por pouco não sobrevive

Infelizmente Millicent não é a única, este crime horrendo é recorrente na África do Sul, onde lésbicas vivem aterrorizadas com ameaças de ataques. O mais triste é que jamais alguém foi condenado por “estupro corretivo”.

De forma surpreendente, desde um abrigo secreto na Cidade do Cabo, algumas ativistas corajosas estão arriscando as suas vidas para garantir que o caso da Millicent sirva para suscitar mudanças. O apelo lançado ao Ministério da Justiça teve forte repercussão, ultrapassando 140.000 assinaturas e forçando-o a responder ao caso em televisão nacional. Porém, o Ministro ainda não respondeu às demandas por ações concretas.

Vamos expor este horror em todos os cantos do mundo -- se um grande número de pessoas aderirem, conseguiremos amplificar e escalar esta campanha, levando-a diretamente ao Presidente Zuma, autoridade máxima na garantia dos direitos constitucionais. Vamos exigir de Zuma e do Ministro da Justiça que condenem publicamente o “estupro corretivo”, criminalizando crimes de homofobia e garantindo a implementação imediata de educação pública e proteção para os sobreviventes. Assine a petição agora e compartilhe -- nós a entregaremos ao governo da África do Sul com os nossos parceiros na Cidade do Cabo:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

A África do Sul, chamada de Nação Arco-Íris, é reverenciada globalmente pelos seus esforços pós-apartheid contra a discriminação. Ela foi o primeiro país a proteger constitucionalmente cidadãos da discriminação baseada na sexualidade. Porém, a Cidade do Cabo não é a única, a ONG local Luleki Sizwe registrou mais de um “estupro corretivo” por dia e o predomínio da impunidade.

O “estupro corretivo” é baseado na noção absurda e falsa de que lésbicas podem ser estupradas para “se tornarem heterossexuais”, mas este ato horrendo não é classificado como crime de discriminação na África do Sul. As vítimas geralmente são mulheres homossexuais, negras, pobres e profundamente marginalizadas. Até mesmo o estupro grupal e o assassinato da Eudy Simelane, heroína nacional e estrela da seleção feminina de futebol da África do Sul em 2008, não mudou a situação. Na semana passada, o Ministro Radebe insistiu que o motivo de crime é irrelevante em casos de “estupro corretivo”.

A África do Sul é a capital do estupro do mundo. Uma menina nascida na África do Sul tem mais chances de ser estuprada do que de aprender a ler. Surpreendentemente, um quarto das meninas sul-africanas são estupradas antes de completarem 16 anos. Este problema tem muitas raízes: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a fazer sexo não é um ato de violência), pobreza, ocupações massificadas, desemprego, homens marginalizados, indiferença da comunidade -- e mais do que tudo -- os poucos casos que são corajosamente denunciados às autoridades, acabam no descaso da polícia e a impunidade.

Isto é uma catástrofe humana. Mas a Luleki Sizwe e parceiros do Change.org abriram uma fresta na janela da esperança para reagir. Se o mundo todo aderir agora, nós conseguiremos justiça para a Millicent e um compromisso nacional para combater o “estupro corretivo”:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

Está é uma batalha da pobreza, do machismo e da homofobia. Acabar com a cultura do estupro requere uma liderança ousada e ações direcionadas, para assim trazer mudanças para a África do Sul e todo o continente. O Presidente Zuma é um Zulu tradicional, ele mesmo foi ao tribunal acusado de estupro. Porém, ele também criticou a prisão de um casal gay no Malawi no ano passado, e após forte pressão nacional e internacional, a África do Sul finalmente aprovou uma resolução da ONU que se opõe a assassinatos extrajudiciais relacionados a orientação sexual.

Se um grande número de nós participarmos neste chamado por justiça, nós poderemos convencer Zuma a se engajar, levando adiante ações governamentais cruciais e iniciando um debate nacional que poderá influenciar a atitude pública em relação ao estupro e homofobia na África do Sul. Assine agora e depois divulgue:

https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl

Em casos como o da Millicent, é fácil perder a esperança. Mas quando cidadãos se unem em uma única voz, nós podemos ter sucesso em mudar práticas e normas injustas, porém aceitas pela sociedade. No ano passado, na Uganda, nós tivemos sucesso em conseguir uma onda massiva de pressão popular sobre o governo, obrigando-o a engavetar uma proposta de lei que iria condenar à morte gays da Uganda. Foi a pressão global em solidariedade a ativistas nacionais corajosos que pressionaram os líderes da África do Sul a lidarem com a crise da AIDS que estava tomando o país. Vamos nos unir agora e defender um mundo onde cada ser humano poderá viver livre do medo do abuso e violência.

Com esperança e determinação,

Alice, Ricken, Maria Paz, David e toda a equipe da Avaaz

Leia mais:

Mulheres homossexuais sofrem 'estupro corretivo' na África do Sul:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/12/09/mulheres-homossexuais-sofrem-estupro-corretivo-na-africa-do-sul-915119997.asp

ONG ActionAid afirma que "estupros corretivos" de lésbicas na África do Sul estão aumentando:
http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/lifestyle/2010/03/22/243215-ong-actionaid-afirma-que-estupros-corretivos-de-lesbicas-na-africa-do-sul-estao-aumentando

Acusados de matar atleta lésbica são julgados na África do Sul:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,acusados-de-matar-atleta-lesbica-sao-julgados-na-africa-do-sul,410234,0.htm

1.20.2011

Pelas Cândidas Candidaturas, Lutar, Lutar

MOTE
Da doença em que ardeis
Eu fora vossa mezinha
Só com vós serdes a minha.

VOLTAS

É muito para notar
Cura tão bem acertada,
Que podereis ser curada
Somente com me curar.
Se quereis, Dama, trocar,
Ambos temos a mezinha:
Eu a vossa, e vós a minha.

Olhai que não quer Amor
(Por que fiquemos iguais),
Pois meu ardor não curais,
Que se cure o vosso ardor.
Eu cá sinto vossa dor
E se vós sentis a minha,
Dai e tomai a mezinha.

Luís Vaz de Camões

Andamos mais ou menos todos ao mesmo. Os que estão no poleiro tentam frustrar os outros, aqueles que os querem substituir nesse condomínio (fechado). Então os segundos copiam e imitam os primeiros, o que, indubitavelmente, os torna a todos iguais, pelo que deixa de importar quem sejam os que lá estejam ou os que para lá queiram ir. Incluindo os que se outorgam diferentes, tão diferentes, que até reivindicam serem iguais. Uns mais, claro está, outros menos, escuro fica, se a ONG se arrebita e o orçamento estica.
Mas tinto com branco dá palheto, se a taça se renova em verter inflamações a eito, nas articulações e esqueleto da nação, cujas fundações já gastas e corroídas pelos anos de amargura no vinagre das descobertas, põe o torna-viagem com um pé na chegada, outro na partida, empenando os quereres à rapaziada da galhofa nos banquetes da corte, nas arruadas prò boneco ou no diz-que-disse do bota-abaixo.
Portanto, conforme às peripécias do DNA lusitano, e suas tergiversões adversas, de quem em Alter se põe Real, eis que se uns copiam os demais, é o produto de ambos o que resulta, não a cópia mal-amanhada dos primeiros nos segundos, e vice-versa. É da física. Ou da química. Mas com toda a certeza é, é da matemática. E também da indústria – etílica e do café com leite, onde o galão pontua por meio quartilho. O que não é para descurar e vai da leitaria Garrett ao Cais do Sodré, como reiterava o estribilho da canção.
Principalmente agora, que já ninguém teme o bicho-papão da Guerra Fria, porventura efeitos (indiretos) do aquecimento global e das alterações climáticas, nem uma hipotética implementação do comunismo em Portugal – ai te arrenego: foices canhoto! –, com o sinal da cruz interrogo-me, pergunto-me, acerca de quais serão os benefícios que pode trazer ao país a recandidatura presidencial daquele que sem-dúvida contribuiu para alargar e aprofundar o buraco financeiro do BPN, via SLN e Oliveira e Costa, tendo lucrado com isso à velocidade de 140%, coisa que nem nas SCUTS se vai praticando sem autuação. Sim, que mais-valia reside na recondução ao cargo de pessoas que já provaram desconhecer as consequências das suas “ações” sobretudo desde que com elas aforre dividendos políticos, financeiros ou populistas?
Por outro lado, não basta epitetar de «medíocres» os portugueses que não estão de acordo connosco ou não subscrevem as nossas ideias, para que no momento seguinte fiquem e subscrevam, uma vez que se assim fora ainda não haveria escravos alforriados, considerando que a classificação foi lançada sobre eles com abundância e prodigalidade mal tentaram aprender a ler, sob a desculpa de que queriam louvar o Senhor através dos evangelhos, posto que sendo batizados neles não se podia evitar que também os propalassem semeando a Boa Nova. Isto para não olvidar igualmente aqueles e aquelas que tendo sido profs de profissão desbarataram a fé ao preço da palavra mijona, se encomendaram ao Acaso quando tinham responsabilidades sociais e educativas, hipervalorizando o saber fazer e o saber aprender/ensinar, e subvalorizando as suas componentes basilares que agora tanta falta nos fazem, o saber estar e o saber ser, prevenindo assim para a democratização e para a cidadania, coisas raras enfim, nas novas gerações, essas mesmas onde grassa a violência e a revolta suburbana, esquecendo que também eles seguiram o exemplo de quem os educou, faltando-lhe neste entremez quanto careciam a quem os tutelou, quem definiu e aplicou as diferentes políticas económicas, sociais e educativas que desde, pelo menos, 1987 têm vindo a ser gizadas e executadas por gente igualmente «medíocre», como se de simples planos de lavoura se tratassem. Não é Sr. Professor? Então sim, leva jeito: filho de peixe sabe nadar – Iô!!!!....
Aconselha o povo que é sábio para que não atire pedras ao ar quem tem telhados de vidro, até de telha mourisca que sejam, nos algarves de arribação, que os granitos se vêm das alturas muito pior hão de fazer que os granizos tempestuosos, e a esses não há cultura que resista, folhinha verde que aguente, maçaroca que fique de pé, fruta que não seja tocada. Apodrecida. Ou prestes a isso, que elas [as pedradas] não matam mas moem.
Por mim, tanto se me fazia que os portugueses entrassem num barco sem fundo como os jesuítas do Marquês, acontece todavia, que sou um deles, e daqueles que para uma junta médica me levam agora um quarto de quanto ganho, obrigando-me a poupar 25% da pensão, que é para aprender a respeitar as surpresas, e deixar-me de pensar que quando alguém já está tão abaixo do nível de pobreza nada de pior lhe pode acontecer, pois é mentira, que ainda lhe podem rapar o pouco que tem com uma destas, a dar provas do que é o apregoado Estado Social, esse que é defendido por todos os candidatos e praticado por ninguém. Provavelmente é a ver se uma pessoa desiste… de viver! O que tem lógica, sim senhora, para essa gente que já desistiu da democracia há muito, e a quem normalmente chamam políticos como eufemismo para outras classificações menos politicamente corretas.
Aliás, se averiguarmos quanto às datas e tempos de espera/demora que precederam esta extorsão ao abrigo da lei, poderemos facilmente deduzir que desta vez nem sequer foi a legislação e os legisladores, mas as eleições, e os rostos com nome que estiveram ligados ao processo, pois é preciso muita pontaria na baixeza para (em quatro meses) acertar precisamente na data em que entrariam em vigor as novas normas legais, demonstrando mais uma vez que o problema em Portugal não está nos Papas mas nas papinhas que os papistas vão cozinhando às gentes que não têm outro remédio senão engoli-las – e cara alegre!
Sendo caso este para atualizarmos quanto o Luís Vaz recomendou à Dama de seus ardores, a propósito da dívida, do défice, das dificuldades quotidianas e da crise: “Eu cá sinto vossa dor / E se vós sentis a minha, / Dai e tomai a mezinha .” O que me faz espécie… E como é que o Luís sabia que isso me ia acontecer? Ele há coisas levadas do Camões!

1.14.2011

BORIS GROYS VISITING TIME:THE RENEGOTIATION OF TIME THROUGH TIME-BASED ART
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN 19 JANEIR0 2011 18.00

A Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com o Centro de Filosofia das Ciências
da Universidade de Lisboa, promove um ciclo internacional de conferências intitulado Image in Science and Art.

No próximo dia 19 de Janeiro (quarta-feira) terá lugar no auditório 2 da Fundação Gulbenkian, às 18.00, a conferência Visiting Time: the Renegotiation of Time through Time-Based Art, proferida por Boris Groys*.
___________________________
Resumo da conferência:
Na nossa cultura temos dois modelos diferentes que nos permitem sincronizar o tempo de contemplação e o tempo da obra de arte em si: a imobilização da obra de arte e a imobilização do espectador. A imobilização da imagem no espaço expositivo, do texto no livro, de textos e imagens no ecrã do computador ou, por outro lado, a imobilização do espectador no teatro, no cinema, nos concertos, em frente à televisão, etc. Ambos os modelos falham, porém, no caso da chamada arte baseada no tempo, por exemplo, quando as imagens em movimento são transferidas para o espaço de exposição (museus, galerias, etc.). Neste caso, as imagens estão em movimento, mas os espectadores também continuam a mover-se. É óbvio que isso causa uma situação em que as expectativas contraditórias de uma visita a um cinema ou de uma visita a um museu, entram em conflito – o visitante é enviado para uma vídeo-instalação num estado de dúvida e desamparo. O tempo começa, pois, a ser experimentado, conceptualizado e tematizado de formas novas, através da renegociação da relação entre o tempo de contemplação e o tempo do processo contemplado.

Boris Groys é Professor de Estética, História de Arte e Teoria de Media na Hochschule fur Gestaltung. É também Global Distinguished Professor no Departamento de Estudos Russos e Eslavos na New York University. Dos livros que publicou destaca-se The Total Art of Stalin.


Ciclo de Conferências Image in Science and Art
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN AUDITÓRIO 2 18.00

Tradução simultânea

INFORMAÇÕES:
Rita Rebelo de Andrade SERVIÇO DE CIÊNCIA
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
Av. de Berna, 45 A – 1067-001 LISBOA
T. 21 782 35 25 E. scienceandart@gulbenkian.pt
W. http://www.gulbenkian.pt/
Videodifusão http://live.fccn.pt/fcg

Da Culpa Colectiva e da Melancolia Poética (quase) Ancestral
O Nosso Mundo

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos,
Como um divino vinho de Falerno!
Pousando em ti o meu amor eterno
Como pousam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A Vida, meu Amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor!... As nossas bocas juntas!...

In Livro de Soror Saudade, Florbela Espanca


Mais ou menos de acordo com as irregularidades documentadas pelas instituições públicas, nomeadamente as que mais devem às utilizações externas e seus utilizadores, estamos todos de acordo: elas não prestam, estão em contínuo abuso de poderes, abordam as suas funções como se fizessem favores pessoais, afugentam aqueles com quem antipatizam e adulam os seus correligionários, nomeadamente os indivíduos da mesma cor política, do mesmo clube de quadrilhice, que frequentam a mesma paróquia ou com quem estabeleceram afinidades sexuais mais ou menos explícitas. É indubitável. Porém, depois com aquele tipo de descaramento que nem já os ciganos exibiam, no tempo em que o seu principal desporto era fazerem ciganices, vêm-nos pedir os votos, a colaboração, os pareceres e “aventuras” estatísticas, justificando a opção pelo programa e intenção de purgresso. São uma boa cambada, essa é que é essa, se dirá e dirão todos quantos não mamam da mesma teta, ou mamando sabem muito bem que isso é um roubo que estão a fazer aos demais, sejam eles seus conterrâneos, seus concidadãos, seus compatriotas, seus familiares, ou simplesmente seres da mesma espécie, dita humana, pese embora a animalidade grasse nela como em bem poucas outras espécies desse reino – o animal.
Portugal já passou por uma crise idêntica, em 83, dizem agora aqueles que querem branquear a situação degradante em que nos encontramos. Mentira, afirmam quantos não se deixam enganar pela intenção ilusionista e malfazeja dos mamões desta man/mada orçamental, escrita por linhas PEC. E ainda mal começámos a remover as frutas podres, as reinetas ronhosas, os elementos prejudiciais, os oportunistas e anibalistas do nosso infortúnio, eis que os usuais detentores da razão imaculada se levantam proclamando injustiça social, descriminação sobre quem é esperto e expedito, vociferando que o mal não está em ser-se rico, mas no contrário; nem em ser amigo do alheio, sobretudo se esse alheio estiver totalmente alheio das suas responsabilidades, consciência cívica, maturidade e participação democrática. Pois bem, o mal não está em sermos um país de ricos, mas num país de ricos que fizeram fortuna à custa dos seus concidadãos, normalmente defraudando-os, humilhando-os e difamando-os – os pobres. É por isso que falar de FMI e FEE os incomoda tanto? Lérias! E Medina Carreira que o diga, se não é verdade que desde 1960 que andamos de candeias às avessas sob o signo económico da torna baldia…
Portanto, não há quem se admire da utilização dada à crise: serve para despedir quantos ainda se mantinham a trabalhar, embora fizessem qualquer coisa útil, ou até produzissem bens e serviços vários – e necessários. Os outros podem ficar, esclarecem as administrações locais, regionais e centrais. Não fazem nada de jeito mas fazem número, o que dá sempre jeito, incluindo nas manifestações do regime. Servem o défice, estimulam a incompetência dos gestores públicos e governantes, desculpabilizam as más políticas quando acertam na aplicação e a boas quando falham na execução. E trazem os sindicatos, bares circundantes e restaurantes adjacentes bem-dispostos.
Do outro lado da barricada – ou será gralha… terá o cronista querido dizer “burricada”’? – há ainda quem se insurja contra a carestia. “Que está tudo a aumentar, que não pode ser, que não é comportável", e demais atoardas similares. Parece que é a primeira vez que isso acontece, pela admiração geral e trejeitos complementares… Não, não é! Talvez seja a primeira vez que obriga alguns a pensarem nisso, pois que era coisa que só acontecia aos outros, aos mais desfavorecidos, contudo foi o pão nosso de cada dia desde há muito tempo. Alguns não conheceram mesmo dias melhores. Andaram sempre em empregos de caca, OTJ e OTL, os POC e cursinhos da formação profissional, sem jamais saírem da cepa torta da precariedade. E não contam, esses? Contam. Pelo menos para quem sabe contar sem ser pelos dedos de carteirista por conta do Estado.
Portugal é assim, portanto, algo que se nos entranhou no mais recôndito da dúvida, que estranhamos, como à Coca-Cola do Fernando, mas a que não conseguimos pôr cobro. É uma doença crónica com oito séculos de História… E como Florbela, os seus sonhos, esses monumentais e instigadores de dar novos mundos ao mundo, são agora mais vagos, quais fantasmas tristes e pressagos, onde a antigas naus pousam como folhas sobre os lagos, muito distantes dos oceanos feéricos e desconhecidos, tenebrosos e habitados por aventesmas, mostrengos e Adamastores.
Os nossos maiores medos hoje estão entre nós, dentro de nós, não vêm de fora nem do nosso desconhecimento acerca do mundo, convivem connosco e ensombram-nos de desgraça: são a injustiça e a corrupção, a instabilidade financeira e a sabotagem estrutural, nomeadamente a que diz respeito ao desenvolvimento humano. Já nos desacreditámos tantas vezes que nem quando nos mentimos deixamos de ter esperança. Sabemos que nos estamos iludir, que nos mentimos descaradamente, sem remorso nem pudor, porém mantemo-nos fixos naquela fisga de aventura e ousadia onde tudo é alucinação. É como um vício, um vício de jogador que quase sempre perde, que perdeu todos os seus bens e valores, mas continua a jogar quanto lhe resta porque acha que a sorte lhe baterá à porta, na derradeira esperança, e então recuperará tudo quanto perdeu, aos poucos, de uma só vez. Enfim, será resgatado. Ele sabe que isso não existe. Nós sabemos que isso é impossível. Todavia, não nos submetemos à realidade e continuamos a acreditar. Pode ser num milagre, num salvador, num encoberto e desejado, chamado Sebastião ou não, que o que importa não está à vista mas nas profundidades recônditas e inauditas da alma – e da gesta lusitana. É a lusitania, ou mania de ser lusitano…
É uma melancolia colectiva, subscrita desde a ancestralidade afonsina, no alcantilado da história. Da História, que a letra grande enaltece a gesta… Talvez a rematar mais uma dinastia, um período sem modelo patriarcal, nem geração ínclita, propensa ao desgaste dos recursos como dos valores patrióticos. Em que essa geração, posta em sossego no aconchego do poder e benesses da corte, quer perpetuar os seus privilégios, ainda que sacrifique o futuro, aniquile o sentido de sustentabilidade do restante povo.
Devemos esperar o quê de uma situação nacional deste cariz? Nada. E porquê? Porque já chegámos ao nosso mundo, esse que também era o de Florbela, cheio de bocas unidas por uma língua líquida, a verter-se em ondas no acidulado oceano em que já naufragaram quase todas as soberanias.

1.11.2011


Incrível! No fim de semana mais de meio milhão de nós assinamos a petição para salvar as abelhas. Vamos conseguir 1 milhão pela proibição - assine agora, depois encaminhe para todo mundo

Caros amigos,



As abelhas estão morrendo em todo o mundo, colocando em perigo a nossa cadeia alimentar. Os cientistas culpam os agrotóxicos e quatro governos europeus já os proibiram. Se conseguirmos que os EUA e a União Europeia se unam à proibição, outros governos ao redor do mundo poderão seguir o exemplo e salvar da extinção milhares de abelhas. Assine a petição e encaminhe este apelo urgente:



Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.

Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, algumas populações de abelhas já estão se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais - esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Não temos tempo a perder - o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

As abelhas são vitais para a vida na Terra - a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, muitas das nossas frutas, legumes e óleos preferidos poderão desaparecer das prateleiras.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas - algumas espécies já estão extintas e semana passada ficamos sabendo que algumas espécies nos EUA chegaram a 4% da população normal. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas cada vez mais novos estudos independentes produzem fortes evidências que os culpados são os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é "altamente tóxico" e representa um "grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)".

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos - apicultores e agricultores - querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora. Assine a petição abaixo e, em seguida, encaminhe este alerta:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.

Com esperança,

Alex, Alice, Iain, David e todos da Avaaz

Leia mais:

Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/09/22/italia-proibe-agrotoxicos-neonicotinoides-associados-a-morte-de-abelhas/

O desaparecimento das abelhas melíferas:
http://www.naturoverda.com.br/site/?p=180

Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/08/30/alemanha-proibe-oito-pesticidas-neonicotinoides-em-razao-da-morte-macica-de-abelhas/
Campos silenciosos:
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/campos_silenciosos_imprimir.html

1.09.2011


Há Bens Que Vêm Por Mal

Já claro vejo bem, já bem conheço
Quanto aumentando vou ao meu tormento;
Pois sei que fundo em água, escrevo em vento,
E que o cordeiro manso ao lobo peço;

Que Aracne (1) [sou], pois já com Palas (2) teço;
Que a tigres em meus males me lamento;
Que reduzir o mar a um vaso intento,
Aspirando a esse Céu que não mereço.

Quero achar paz em um confuso Inferno;
Na noite, no Sol puro da claridade;
E o suave Verão no duro Inverno.

Busco em luzente Olimpo escuridade
E o desejado bem no mal eterno,
Buscando amor em vossa crueldade.

Luís Vaz de Camões

Seja dito, em abono da verdade, que de quanto tem sido afirmado durante esta (pré-)campanha eleitoral para as presidenciais, sobre as razões e negócios das figuras presidenciáveis na sorrelfa da legitimidade, é bem o espelho daquilo que somos, como país e como pessoas: não nos importamos nem surpreendemos com nenhuma esperteza saloia que esses indivíduos possam ter praticado, pois cada um de nós era bem capaz de ter feito o mesmo se tivesse tido oportunidade para isso, o que indicia que todos nós, aqueles que ainda somos honestos e francos, incorruptos e íntegros, é porque nunca estivemos em condições de poder agir conforme esses dois fizeram, ou outros que tais, que vão desde os deputáveis aos presindenciáveis, passando pelos ministeriáveis.


Sabemos agora que o passado não interessa, não possui a mínima importância para as eleições que aí vêm. Aquilo que uns fizeram como professores para depois colherem como primeiros-ministros, e de cujos proventos resultaram diversas «eleições», é lana caprina, bem como o que aqueloutros criaram como escritores seja de somenos se depois vier a ser utilizado como deputados. É extra ética e muito menos legítimo no futuro, do que seja o que for que tenham praticado, ou feito, no presente em relação ao ato dos portugueses quando vierem a decidir sobre o seu futuro – votando. Ou nosso futuro, vetando-o, e vedando-o – qual coutada de caça aos coitados – como território plausível só para aqueles de entre todos e todas as portuguesas que já nem se importam, no mais uma menos uma do tanto lhes faz.
É pedir ao lobo o cordeiro manso… Digamos, pensemos, concluímos, que o que conta é não o que os candidatos foram mas sim aquilo que querem e prometem vir a ser… Então, para que é que a Constituição admite que as pessoas com menos do que uma certa idade não possam concorrer às eleições? Porque não têm cadastro? Porque nunca trambicaram sob os auspícios abonatórios do erário público nem do favorecimento político? Se sim, poderemos concluir, sem qualquer margem de erro, que o melhor político para o mais importante cargo público, de acordo com as exigências de perfil ou habilitações para os órgãos colegiais de um órgão de soberania, é aquele que pior tiver sido no caminho gizado até lá chegar, cujo currículo equivalha ao pior cadastro, enfim, uma espécie de berlusconni para toda a vida!




Suponho que muitos portugueses haverá por esse mundão adentro que também estejam cansados de querer achar paz em um tão confuso Inferno, mas como igualmente devem ser vítimas do seu medo, reféns dessa inquietude que é o receio de perder o pássaro que está em sua mão, pelos dois que a voar vislumbra nesse Céu que não merecem, não mereço, não merece ninguém, que o Céu não foi feito para os comuns mortais, então admitem preferir um mal que conhecem a um bem desconhecido, legítima preferência, aliás perfeita, como nos casamentos disfuncionais e adúlteros a quem o divórcio assusta mais que o sofrimento num estado civil indubitavelmente desgastante – e estigmatizado.
Neste caso as divergências entre esquerda e direita, moderados e radicais, são apenas falácias com a finalidade de ludibriar o cidadão e o eleitorado. O que está em causa não são políticas nem projetos de sociedade, mas a idoneidade de quem nos represente e garanta o cumprimento da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente no capítulo da harmonia entre os restantes órgãos de soberania que, como ninguém esquece, são só mais três: a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais. Ora, refutar as questões sobre as ações lucrativas com inegável favorecimento e elevado teor tóxico para a banca portuguesa, de que isso não interessa e o que importa é o programa eleitoral deste ou daquele candidato, é tapar o Sol com a peneira e pretender a escuridade a enegrecer e conspurcar o puro Olimpo, quer dizer, aquele lugar cimeiro de uma nação onde só devem entrar os mais incorruptíveis, os mais sábios e os mais bem-intencionados dos seus cidadãos.





Além de ser uma forma de esconder a desonestidade que vinga entre as gentes e os agentes do mercado de valores em Portugal, esclarecendo que os acionistas não são todos iguais, e de acordo com o número de ações que disponham, pois uns podem comprar a 1€ aquelas ações a que outros só podem chegar por 2€, o que é, mesmo assim, uma vantagem muito grande em relação ao que os comuns compradores têm acesso, sendo ou não membros da Assembleia Geral, por 3€, no mínimo. Ou seja, há ações para quem emite ações a um preço, para quem aquele que as emite pretender favorecer, seja quem lhe der na gana ou a quem dever favores, e ações para o mercado, todas a preços diferentes e de acordo com o grau de desonestidade de quem integra as operações. É obra!
Mas, se calhar, estou enganado… A oferta de ações baratinhas que alguns gestores fazem aos seus amigos, não passam de presentes envenenados para detonar no futuro, a fim de frustrar e obscurecer a imagem cultivada de pessoa séria, com valores e cumpridora da palavra dada, a quem tentar romper o status quo de pobreza franciscana a que votou os seus contemporâneos, enquanto teve oportunidade de o fazer que, neste caso, vem desde 1987. Afinal, isto de Portugal ser um país onde há de tudo mas não para todos, é uma frase que ficou das palavras de ordem de atrasados e redundantes tempos, que ainda está em vigor, de óptima saúde e com genica suficiente para gerar outros tantos filhos e nobres guerreiros para contra a razão lutar, lutar, lutar!
Ah, calino: E viva a República!


(1) Aracne – imagem arquetípica da aranha, ou aquela que vai laboriosamente tecendo com os fios da sua teia a rede com que apanhar as incautas moscas, seu alimento.
(2) Palas – ou deusa Minerva, precisamente aquela que transformou a bordadeira Aracne em aranha por a ter desafiado, a ter invectivado a tecerem ao desafio.

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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