11.05.2010

Jogos florais

Ou o que poderemos, trabalhadores, aprender com as “lutas “inúteis marcadas pelas centrais sindicais portuguesas.

Após muitos anos de dissidência e divisão, as centrais sindicais portuguesas, CGTP-INTERSINDICAL e UGT, resolveram, a primeira convocar e a segunda aderir, uma greve geral pressupostamente para protestar contra os vários PEC’s e as linhas políticas e económicas orientadoras definidas no orçamento para 2011. A CGTP além da greve marcou também uma manifestação de protesto para sábado próximo.

Quando se encetam lutas apenas uma certeza temos: podemos ganhar ou perder. Quando se trata da luta emancipadora da classe trabalhadora, quer na conquista de novos direitos, bem como atualmente, na defesa dos direitos já adquiridos, a possibilidade de derrota é infinitamente maior porque temos contra nós toda a propaganda governamental e ainda toda aquela que o dinheiro capitalista possa comprar. Temos que enfrentar as forças policiais e seus agentes provocadores, como agora na Grécia. Convivemos com o desânimo, falta de esperança e comodismo dos próprios camaradas. Mas sabemos que apesar de remota, temos uma ténue hipótese de vencer. Porque somos solidários, porque temos razão, porque “trazemos um mundo novo nos nossos corações”.

Sabemos bem que tanto estas vitórias ou derrotas são transitórias. Se ganharmos hoje, logo amanhã teremos que estar atentos e alerta porque sabemos que o capital tentará por todos os meios retirar-nos ou restringir os direitos hoje conquistados. Se perdermos, eles que se preparem porque enquanto houver “força no braço que luta seremos muitos seremos alguns”.

Neste contexto, sabemos que só há uma resposta possível, a conquista do poder pela classe trabalhadora e a construção do Socialismo. Apesar dos desvios, traições e golpes baixos que esta longa caminhada já sofreu no passado, ainda é a única resposta alternativa e viável à destruição do capitalismo explorador, terrorista, amoral que na sua voracidade sovina tudo arrasta e contamina degradando todas as dimensões da vida humana.

Até lá resta-nos lutar…

Mas a quem interessam lutas que estão derrotadas à partida? Para que serve a manifestação de sábado próximo e a greve geral de dia 24 se o orçamento, com as medidas castigadoras da classe trabalhadora que se conhecem, já foi aprovado?

Bem poderão encher de gentes as ruas de Lisboa com a manifestação, bem podem parar o país com a greve porque o único ruído que soará, não serão as palavras de ordem dos sindicalistas, mas José Sócrates a assobiar para o ar, talvez um tango não de Carlos Gardel mas daqueles mais rascas das tascas de Buenos Aires, abençoado pelo Espírito Santo.

Então que fazer?

Apesar de constituírem dois atos falhados, tal como os jogos florais promovidos por entidades provincianas, não podemos chamar bem poetas aos concorrentes nem poesia ao produto do seu labor. Mas entretém aqueles que neles participam.

Também estas ações foram convocadas, não com o intuito revolucionário de conseguir dar um pequeno passo na luta pela emancipação dos trabalhadores, mas sim para entretê-los enquanto os capitalistas vão impondo sem obstáculos e a seu belo prazer as suas políticas cada vez mais repressivas, sinónimo da sua própria decadência.

Apesar de tudo isto, defendo que devemos comparecer em massa na manifestação e participar ativamente na greve geral, se possível, constituirmos paquetes de greve que esclareçam os camaradas que optam por não fazer greve e a população que eventualmente será prejudicada pela falda dos nossos serviços e esclarecer a nossa posição que só poderá ser a exigência da revogação de todos os PEC’s bem como o rasgar deste orçamento.

Todas estas reivindicações deveriam ter sido apresentadas pelos dirigentes sindicais, representantes dos trabalhadores há muito tempo. Infelizmente não foi assim.

Pelo que apesar de não passarem de “jogos florais”, estas manifestações poderão ter um efeito de criar e fortalecer laços solidários entre a classe trabalhadora e ao mesmo tempo desmascarar os nossos atuais dirigentes que infelizmente mais não são que agentes do capital infiltrados nas direções sindicais.

Opinião

Jaime Crespo

11.02.2010



A origem do mal
Ou de como as nossas vidas foram tomadas por mafiosos sem escrúpulos:
Ao longo da História da Humanidade nunca se produziu tanto com tão poucos meios. De fato a industrialização, os progressos tecnológicos permitem que atualmente se produza mais que as necessidades humanas exigem.
Acompanhando esse desenvolvimento, os direitos sociais e humanos tem retrocedido. Por um lado, são necessários menos trabalhadores, muito menos, para desempenhar as tarefas que hoje são efetuadas por máquinas, supervisionadas por computadores e até por robôs, aumentando em consequência o desemprego, a instabilidade e o mau estar geral. Por outro lado, este aumento de produção e consequente criação de riqueza, concentra-se cada vez em menor número de mãos e essas não estão dispostas a abrirem-se para deixarem cair os cêntimos que seriam necessários para manter um bom nível de vida, vá pelo menos um nível de vida satisfatório a toda a população.
Numa dimensão de geoestratégica política, este sedado de coisas leva a que países mais pequenos ou de menor influência política, sejam obrigados a reduzir, ou até mesmo a deixar por completo, de produzir para que os seus produtos não compitam com os das multinacionais, perdendo assim, a sua independência económica e política, passando a depender da “caridade” dos países economicamente mais fortes, aqueles onde as multinacionais estão sediadas.
As economias e as políticas nacionais são hoje, graças a este sistema económico, uma farsa, mesmo nos países considerados potências, E.U.A., Alemanha, Grã-Bretanha, etc., só por ironia podemos pensar que os seus governantes tomam decisões pela sua cabeça e a bem do povo. Toda esta gente trabalha para o polvo que é o grande capital financeiro, constituído em multinacionais da economia, da especulação, do tráfico (de pessoas, de armas, de droga). Numa palavra: estamos nas mãos de mafiosos sem escrúpulos que se servem de nós a seu belo prazer.
O velho ditado de que “quem não trabalha, não come.” Já não é aplicável aos dias que correm, pois o trabalho perdeu o seu valor moral e deixou de ser considerado um direito e um dever para passar a ser considerado um privilégio, ao qual apenas alguns abençoados tem acesso, mas acesso condicionado a um contrato altamente desvantajoso para o trabalhador que praticamente lhe retira todos os direitos e lhe aumenta os deveres.
Mas se é assim, se a produção, a nível mundial, é a maior de sempre, então de onde vem a famigerada crise que a todos nos atira para a depressão e o stresse, para a miséria?
Vem essencialmente de dois lados: dos mercados financeiros especulativos, os capitalistas na sua ganância sem tréguas, recusam-se a pagar os impostos devidos e que deveriam mesmo ser aumentados por uma questão de solidariedade para com as pessoas que vão ficando sem emprego em nome do progresso, portando o desaparecimento do sentido de solidariedade e cujo é fator agregador de uma sociedade, preferindo dar vazão à sua ganância e jogando esse dinheiro (muito milhões) em jogos especulativos e que não criam riqueza real, assim desbaratando fortunas e dinheiro que deveria constituir o fundo de solidariedade social. Por outro lado, a propaganda que todos são sujeitos a cada milésimo de segundo através dos mídia, encomendada pelos especuladores da finança, leva-nos a acreditar que a crise existe, que está tudo muito difícil, os coitadinhos dos patrões têm que pagar o seu dinheirinho todo em impostos, o Estado é um ladrão que rouba e não paga as suas dívidas para com os empresários. A “Laranja Mecânica”, de Kubrick ou o “Big Brother”, de Orwell há muito que foram ultrapassados e vivemos a época dourada do “Triunfo dos Porcos”. Nunca o popular dito “Uma mentira muita vez repetida passa a ser verdade”. De fato a mentira continua a sê-lo, apenas devido à sua difusão pela mídia, acaba por intoxicar a “opinião pública” que passa a engolir como verdade o que de fato é mentira. A mentira assim espalhada é uma peste, como dizia Wilhem Reich, que alastra e toma conta das nossas vidas, limita os nossos movimentos, condiciona as nossas decisões.
E assim, todos passamos a crer e a adorar uma nova divindade: A Crise.
A mentira económica e financeira que hoje é espalhada por todo o mundo, a base falsa em que assentaram os mercados: especulação financeira, em detrimento do reinvestimento, da solidariedade e da criação e aumento da riqueza enquanto bem comum a toda a Humanidade, mas a sua privatização e concentração em cada vez menor número de mãos: eis senhores, a origem do Mal!

Opinião
Jaime Crespo

10.30.2010

Hoje existem apenas 300 baleias francas do atlântico norte e 99% das baleias azuis já foram eliminadas. Estes majestosos gigantes estão ameaçadas de extinção e seu caso está sendo usado como exemplo repetidamente. Mas na realidade, um terço de todas as formas de vida no planeta estão à beira da extinção.

O mundo natural está sendo esmagado pela atividade humana, poluição e exploração. Mas existe um plano para salvá-lo - um acordo mundial para criar, financiar e implementar áreas protegidas cobrindo 20% das nossas terras e mares até 2020. Agora mesmo, 193 governos estão reunidos no Japão para enfrentar esta crise.

Nós só temos 3 dias até o fim desta reunião crucial. Especialistas dizem que os políticos estão hesitantes em adotar um objetivo tão ambicioso, mas que um clamor público mundial poderá fazer a diferença, mostrando aos governantes que os olhos do mundo estão sobre eles. Clique para assinar a petição urgente e encaminhe este email amplamente - a mensagem será entregue diretamente para a reunião no Japão:

http://www.avaaz.org/po/the_end_of_whales/?vl

Ironicamente 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade. Os nossos governos já deveriam estar caminhando para "uma redução significativa da taxa atual da perda da biodiversidade". Eles falharam repetidamente, cedendo para a indústria e trocando assim a proteção das espécies por lucros limitados. Nossos animais, plantas, oceanos, florestas, solos e rios estão sufocando sob fardos imensos de super-exploração e outras pressões.

Os seres humanos são a principal causa desta destruição. Mas podemos reverter a situação - já salvamos espécies da extinção antes. As causas do declínio da biodiversidade são vastas e salvá-la vai exigir uma guinada das promessas vagas, sem clareza de quem financia a proteção, para um plano ousado, com fiscalização rigorosa e financiamento sério. O plano de 20/20 é justamente isto: os governos serão forçados a executar programas rigorosos para garantir que 20% das nossas terras sejam protegidas até 2020, e para isso aumentar drasticamente o financiamento.

Tem que ser agora. Em todo o mundo o quadro está cada vez mais sombrio - há apenas 3.200 tigres na natureza, os peixes dos oceanos estão se esgotando e nós estamos perdendo fontes de alimentos ricos para a monocultura. A natureza é resistente, mas temos que prover espaços seguros para ela se recuperar. É por isso que esta reunião é fundamental - é um momento decisivo para acelerar ações baseadas em compromissos claros para proteger nossos recursos naturais.

Se os nossos governos sentirem a pressão esmagadora do público para serem corajosos nós podemos convencê-los a aderirem ao plano de 20/20 nesta reunião. Mas para isto vamos precisar que cada um de nós que está recebendo esta mensagem, faça-a ecoar até chegar na convenção no Japão. Assine esta petição urgente abaixo e depois encaminhe-a amplamente:

http://www.avaaz.org/po/the_end_of_whales/?vl

Este ano os membros da Avaaz tiveram um papel fundamental na proteção dos elefantes, defendendo a proibição da caça às baleias, e garantindo a maior Reserva Marinha do mundo nas Ilhas Chagos. Nossa comunidade tem mostrado que podemos definir objectivos ambiciosos - e vencer. Esta campanha é a próxima etapa na batalha essencial para criar o mundo que a maioria de nós em todos os lugares querem - onde os recursos naturais e das espécies são valorizados e o nosso planeta está protegido para as futuras gerações.

http://www.avaaz.org/po/the_end_of_whales/?vl

Com esperança,

Alice, Iain, Emma, Ricken, Paula, Benjamin, Mia, David, Graziela, Ben, eo resto da equipe da Avaaz

Leia mais:

Estudo revela risco de extinção enfrentado por diversas espécies animais
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/10/estudo-revela-risco-de-extincao-enfrentado-por-diversas-especies-animais.html

Sob risco de colapso
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101027/not_imp630350,0.php

Planeta precisa dobrar área continental protegida para conservar a biodiversidade
http://colunas.epoca.globo.com/planeta/2010/10/25/criar-mais-areas-protegidas-e-o-caminho-para-conservar-a-biodiversidade/

Brasil rejeita acordo parcial sobre biodiversidade
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,brasil-rejeita-acordo-parcial-sobre-biodiversidade,630071,0.htm

10.28.2010

Prémio Jacques Delors

Distinção de trabalhos universitários sobre temas europeus.

Objectivo

Incentivar o aparecimento de obras inéditas

sobre a temática comunitária na língua portuguesa.

Destinatários

Licenciados

Condições de elegibilidade

  • Teses de mestrado e doutoramento que não tenham sido objecto de publicação, privilegiando-se as obras que incidam sobre temas actuais e inovadores da realidade comunitária
  • Cumprir as condições do regulamento do Prémio

Os autores dos trabalhos candidatos ao Prémio Jacques Delors poderão ser convidados a disponibilizar o seu trabalho em linha na Biblioteca Infoeuropa.

Prazo de candidatura

16 de Novembro de 2010 – envio dos trabalhos candidatos (data do carimbo dos correios)

Prémio

Ediçã

o da obra e uma compensação pecuniária de 5.000€

Júri

  • Vítor Constâncio, Vice-Presidente do Banco Central Europeu e Presidente do júri
  • Isabel Mota, Administradora da Fundação Calouste Gulbenkian
  • José Paulouro das Neves, Embaixador

Patrocinadores

Banco de

Portugal





Regulamento 2011

1. O Centro de Informação Europeia Jacques Delors (CIEJD), instituiu o Prémio Jacques Delors -

Modalidade Ensaio Académico, pretendendo, assim, incentivar o a

parecimento de obras inéditas sobre

a temática da União Europeia. Considera-se incluído neste conceito teses de mestrado e doutoramento que não tenham sido objecto de publicação, privilegiando-se, ainda, as obras que incidam sobre temas actuais e inovadores da realidade Europeia.

2. O Prémio Jacques Delors distingue anualmente um trabalho de investigação sobre a União Europeia, da autoria de licenciados, redigido em língua portuguesa.

3. Os originais dos trabalhos, 4 exemplares em língua portuguesa com um máximo de 200 páginas (A4), incluindo a bibliografia e os anexos, dactilografadas com letra Arial - tamanho 12, com espaçamento duplo, deverão ser enviados, devidamente encadernados, sob pseudónimo, até 16 de Novembro de 2010 (data de carimbo dos correios).

3.1. Na capa do trabalho deverá ser indicado o seu respectivo título. No trabalho, propriamente dito, não deverá constar qualquer identificação directa ou indirecta do nome do(s) concorrente(s) e, no caso de teses, da faculdade / universidade ou do(s) orientador(es), por exemplo, através de referências, nomeadamente nas notas prévias e nos agradecimentos.

3.2. Conjuntamente e em envelope fechado identificado unicamente pelo pseudónimo, deverá constar a identificação, morada e contactos (telefone, fax ou e-mail) do concorrente ou concorrentes, bem como o título do trabalho candidato.

3.3. Os originais e o envelope mencionado anteriormente, contendo a identificação do autor, ou autores, deverão ser entregues dentro de um outro envelope maior, em cujo remetente deverá constar apenas o pseudónimo do candidato, dirigido a:

Centro de Informação Europeia Jacques Delors

Prémio Jacques Delors

Palacete do Relógio

Cais do Sodré

1200 – 450 LISBOA

3.4. O não cumprimento de qualquer uma das cláusulas anteriormente referidas é motivo para a

exclusão do trabalho, pelo que se solicita a todos os participantes o cumprimento integral de todas as regras. Eventuais exclusões só serão comunicadas no final do processo de selecção.

4. O autor premiado aceita e concorda que o CIEJD e o editor executem uma revisão literária na qual

sejam eliminadas todas as incorrecções ortográficas ou gramaticais do original, bem como resolvidas todas as inconsistências com as normas de estilo adoptadas para a publicação do Prémio Jacques

Delors, sem necessidade de ulterior consentimento. Disponibiliza-se ainda a examinar eventuais sugestões que contribuam para a melhoria e clarificação do texto que lhe venham a ser submetidas, para apreciação e aprovação.

4.1 Nos quinze dias úteis seguintes à comunicação da atribuição do prémio, o autor premiado compromete-se a entregar uma versão revista da bibliografia, segundo as normas de estilo referidas e as instruções da editora.

5. O júri, nomeado pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors é constituído por personalidades nacionais de reconhecido prestígio e mérito científico.

5.1. A decisão do júri será divulgada a todos os candidatos, a qual contemplará a designação do(s) trabalho(s) vencedor(es) e, quando ocorre, a designação de uma ou mais menções honrosas.

6. Não haverá recurso da decisão do júri, podendo este decidir-se pela não atribuição do Prémio se os requisitos definidos não forem preenchidos.

7. Os autores dos trabalhos candidatos obrigam-se a conceder ao Centro Jacques Delors, se tal lhes for especificamente solicitado, uma autorização para que o Centro Jacques Delors divulgue, on-line,

no portal do CIEJD, o trabalho candidato.

8. O Prémio Jacques Delors contemplará a edição da(s) obra(s) premiada(s) e uma compensação pecuniária única de € 5.000,00 (cinco mil euros), a título de prémio e da contrapartida pela transmissão dos direitos de autor. Poderá ainda ser atribuída a distinção de uma ou mais menções honrosas.

9. A entrega do Prémio será feita em cerimónia pública, a decorrer, normalmente, por ocasião das celebrações do Dia da Europa (9 de Maio).

10. Informações adicionais deverão ser solicitadas ao:

Centro de Informação Europeia Jacques Delors

Prémio Jacques Delors

Unidade Formação, Animação Pedagógica e Projectos

E-mail: formacao@ciejd.pt

10.25.2010


É chocante. Hilton, uma das mais renomadas cadeias de hoteis do mundo pode ser cúmplice de exploração sexual infantil em suas próprias dependências!

Hoteis são um dos principais lugares onde crianças escravizadas são vendidas por cafetões brutais para exploração sexual. E a rede Hilton nem ao menos assinou o Código de Conduta internacional que obriga hotéis a treinarem seus funcionários para detectar, denunciar e auxiliar meninas e mulheres exploradas sexualmente. A adesão do Hilton ao Código terá um impacto enorme -- gerando uma rede de funcionários em 77 países e 32.000 hotéis trabalhando contra a exploração sexual de mulheres e crianças.

Não há tempo a perder para acabar com estes abusos aterrorizante. Assine a petição para que a rede Hilton implemente o Código de Conduta para a Proteção de Crianças contra Exploração Sexual em Viagens e Turismo. Quando alcançarmos 250.000 assinaturas, nós lançaremos anúncios nos principais jornais de McLean, Virginia - a cidade onde o Diretor Executivo dos hoteis Hilton, Chris Nasseta vive e trabalha:

http://www.avaaz.org/po/hilton_sign_now/?vl

O Código de Conduta contra a exploração sexual infantil faz que com que os hoteis treinem seus funcionários para reconhecer vítimas do tráfico e prostituição infantil, educando os seus hóspedes sobre os perigos do turismo sexual, colaborando com a polícia local e defendendo os direitos das vítimas. O Código cria uma primeira linha de defesa contra o tráfico sexual ao redor do mundo. O Código hoje chega a 30 milhões de turistas por ano - aumentando vastamente as chances de prender os traficantes e de ajudar pessoas reféns da exploração sexual.

Depois que bordéis foram encontrados em hotéis Hilton na Irlanda e na China, milhares de pessoas enviaram cartas ao Hilton protestando, e eles até reconheceram a necessidade de abordar o problema da prostituição infantil. Mas até hoje, nenhum passo concreto foi dado. Se expormos o Diretor Executivo dos hoteis Hilton, Chris Nasseta, na sua própria cidade natal com uma série de anúncios de jornal pedindo que ele implemente o Código, nós poderemos pressioná-lo a treinar os seus funcionários para proteger crianças de uma maneira mais eficaz ao redor do mundo.

Em algum momento muitos de nós visitarão um hotel - quem de nós se sentiria à vontade ficando em um quarto onde, meninas menores de idade foram vendidas a homens e forçadas a fazer sexo? O turismo sexual se beneficia de funcionários de hoteis que fingem não ver ou que muitas vezes recebem dinheiro para não denunciar a exploração. Precisamos de hotéis que tenham uma política de tolerância zero com a exploração sexual de crianças nas suas dependências.

Até hoje, mais de 900 empresas ao redor do mundo já assinaram o Código. O Hilton está sob pressão para assinar também. Clique abaixo para pressionar o Hilton a se aliar à luta contra o tráfico sexual:

http://www.avaaz.org/po/hilton_sign_now/?vl

Todos os dias centenas de meninas ao redor do mundo são forçadas à escravidão sexual. Nosso chamado global para responsabilidade e treinamento na maior cadeia de hoteis do mundo pode causar um enorme dano a esse comércio abominável.

Com esperança,

Alice, Emma, Graziela, Mia, Ricken e todo o resto da equipe Avaaz

Fontes (em inglês):

Hilton hotel closed by Chinese police over prostitution charges:
http://www.telegraph.co.uk/finance/china-business/7844335/Hilton-hotel-closed-by-Chinese-police-over-prostitution-charges.html/

War on child prostitution targets hotels:
http://www.nation.co.ke/News/regional/War%20on%20child%20prostitution%20targets%20hotels%20%20/-/1070/965158/-/ndfubvz/-/index.html

Hotelier acts on child prostitution:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/2780957.stm

New ways to prevent child prostitution:
http://www.ajc.com/opinion/new-ways-to-prevent-524077.html

10.19.2010

Algo surpreendente está acontecendo. A nossa comunidade está não somente crescendo por 100 mil pessoas por semana que juntas já somam mais de 25.000.000 de ações on-line realizadas, mas estamos também causando um furor inédito. O nível de entusiasmo pelas mudanças que estamos gerando está nas alturas.

Nós estamos vencendo. Repetidamente.

Muitas vezes, nós estamos escolhendo batalhas impossíveis, com muito pouco tempo para ter um impacto. Mas a força da mobilização de um grande número de pessoas de forma agil e direta, está fazendo a diferença, campanha após campanha. Desde o Economist ao Le Monde à Al Jazeera, a mídia está comentando os nossos "sucessos espetaculares", que são capazes de inaugurar uma "revolução política". Aqui estão alguns exemplos apenas nas últimas semanas:
Canadá (420.000 membros da Avaaz), nós encaramos uma aliança do império midiático e o Primeiro Ministro na sua tentativa de subverter a independência dos meios de comunicação do país, e ganhamos.


Brasil (730.000 membros), nós levamos o movimento contra a corrupção para a Internet, aprovando a lei Ficha Limpa no Congresso e falando para o STF a manter a legalidade a lei, removendo assim corruptos notórios das eleições – a batalha não acabou mas a Ficha Limpa já é considerada uma revolução na política brasileira.


Itália (240.000) nós nos opomos a uma proposta legislativa do Primeiro Ministro para atar as mãos dos investigadores dos casos de corrupção - comentadores saudaram a vitória como a primeira vez na história italiana de como a mobilização online mudou a agenda parlamentar.


Argentina (60.000) nós agimos rapidamente para proteger as geleiras no que parecia uma vitória certa das empresas de mineração, porém ganhamos.


África do Sul (70.000) construímos um enorme clamor público contra uma proposta de censura sobre a imprensa, forçando o governo a alterar a sua lei de regulamentação da mídia.


Alemanha (480.000) milhares de telefonemas de última hora dos nossos membros ajudaram a impedir o governo de cortar drasticamente seu orçamento de ajuda humanitária internacional para saúde.

Veja mais detalhes sobre estas campanhas ao final do email ou clique abaixo para ler mais, ver clips da imprensa e deixar um comentário no nosso chat ao vivo:

http://www.avaaz.org/po/global_victory_report/?vl

Estas foram apenas as vitórias, mas além delas a Avaaz também agiu na tragédia no Paquistão, doando mais de $1,1 milhão para organizações locais que forneceram biscoitos nutritivos e leite para 30.000 crianças por 2 meses e água potável para mais de 3.000 famílias. Na Europa, os membros da Avaaz fez história criando a primeira iniciativa popular com 1 milhão de assinaturas apresentada à Comissão Européia (um mecanismo democrático na nova Constituição da UE), pedindo uma moratória às plantações transgênicas até haver pesquisas de saúde e segurança.

Tudo isso em apenas algumas semanas. No primeiro semsetre houveram outras vitórias importantes como a defesa da proibição da caça às baleia e elefantes, o estabelecimento da maior reserva oceânica do mundo e muito mais. É tudo uma prova de que, quando pessoas se unem e agem de forma inteligente e estratégica, a democracia funciona!

Acabaram os dias em que nós simplesmente votávamos e depois líamos passivamente e frustrados os jornais para ver o que vinha da política. Estamos entrando numa nova fase da democracia nacional e global, onde os cidadãos são constantemente e fortemente engajados, definindo a agenda política e responsabilizando os governos pelos seus atos. É um momento emocionante e promissor para todos os problemas que enfrentamos.

É também uma grande responsabilidade. Nunca houve uma comunidade como a nossa , somos quase 6 milhões de cidadãos de todos os cantos do planeta, capazes de nos mobilizar da noite para o dia. Se continuarmos juntos, divulgando as campanhas e participando cada vez mais, tudo é possível. Da corrupção para o meio ambiente, pobreza, saúde e muito mais, o que acontecerá a seguir, depende de todos nós.

Com admiração pelo compromisso de todos e esperança para o futuro,

Ricken, Ben, Alice, Luis, Emma, Stephanie, Alexandre, Milena, Heather, Iain, Graziela, Paula, David, Ben, Pascal, Benjamin, Brianna, Veronique, Giulia, Parvinder, Maria Paz, Saravanan, Kien, Yura Vladimir, Alma e o resto da nossa equipa crescente :)

Veja abaixo os detalhes sobre cada uma das nossas vitórias de campanha recentes, bem como outras atualizações. Para ver artigos recentes, clique aqui:

http://www.avaaz.org/po/global_victory_report/?vl

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Uma vitória substancial: impedir favores políticos na mídia canadense

Membros canadenses da Avaaz tiveram exito em proteger a sua democracia este mês, impedindo a aprovação de subsídios governamentais para um novo canal de notícias tendenciosas com laços estreitos com o partido conservador. 83 mil pessoas assinaram uma petição contra a ajuda especial do governo para a SUN TV - um canal de TV propagandístico criada por um ex-assessor marqueteiro do primeiro-ministro, Kory Teneycke. O projeto foi concebido depois de um almoço secreto entre Harper, Teneycke, e o infame Rupert Murdoch, que explora impiedosamente seu vasto império da mídia para manipular os líderes políticos de vários países importantes. Murdoch tem alimentado o movimento radical de direita “Tea Party” nos EUA depois de ter sido rejeitado por Barack Obama, e emprega 5 dos principais candidatos presidenciais republicanos dos EUA. Nenhum governo britânico ganhou uma eleição sem o apoio dele em 30 anos. Os canadenses estavam decididos a impedir a chegada no Canadá da mídia tendenciosa de Murdoch, que subverte a democracia.

Depois da Avaaz expor a SunTV, o império de mídia jogou todas as tática sujas contra nós – calúnias em seus jornais, ameaças de processos judiciais se não suspendessemos a campanha e até mesmo ligações com uma sabotagem criminosa da nossa petição. Os membros da Avaaz não se intimidaram e reagiram -- com 83.000 assinaturas na petição, 21.000 cartas pessoais para a comissão de imprensa do governo e mais de 400.000 dólares doados para custear processos, lutar a batalha midiática e fazer uma investigação criminal sobre a sabotagem. As doações também contribuiram para a Avaaz contratar os melhores advogados do Canadá e especialistas para ajudar a desafiar a inscrição da SunTV para o governo.

O resultado foi uma vitória em todos os aspectos! Kory Teneycke foi forçado a se demitir e SUN TV abandonou sua tentativa de se lançar com financiamento do governo. Murray Dobbin, um comentarista conhecido, escreveu: "É uma grande vitória para todos os canadenses que tiveram tempo de escrever, enviar emails, telefonar e protestar de outras formas este plano grotesco de levar a política canadense para a extrema direita. E é uma vitória em especial para Avaaz o movimento on-line social que expôs Teneycke e suas táticas de intimidação."

Ficha Limpa: combatendo a corrupção no Brasil

Uma campanha online massiva pela comunidade Avaaz no Brasil ganhou uma surpreendente vitória contra a corrupção. A Ficha Limpa é uma proposta ousada que impede qualquer político condenado por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro de se candidatarem. Com quase 25% do Congresso sob investigação por corrupção, muitos diziam que a Ficha Limpa nunca seria aprovada. Mas depois que a Avaaz lançou a maior campanha on-line da história brasileira, ajudando a construir uma petição de mais de 2 milhões de assinaturas, 500 mil ações on-line e dezenas de milhares de telefonemas, nós ganhámos! A Ficha Limpa já está sendo chamada de uma verdadeira revolução na política brasileira.

E até agora, graças à comunidade Avaaz e a conscientização pública criado pela campanha, a vitória foi uma duradoura: mesmo com apelações ao STF, conseguimos manter a vailidade da lei, acompanhando o processo a cada passo do caminho e agindo quando há uma ameaça à implementação da lei.

Bavaglio: impedir a "lei da mordaça" na Itália

Em uma vitória histórica para a pressão popular na Itália, 340.000 italianos se mobilizaram contra o "Legge Bavaglio" ou "lei da mordaça" - o que fatalmente teria restringido o poder do sistema jurídico italiano para combater a criminalidade e a corrupção e teria imposto punições draconianas para os editores e jornalistas que tentam responsabilizar políticos envolvidos.

Foi a primeira vez na história italiana que as manifestações públicas foram capazes de mudar a agenda parlamentar. Professor Stefano Rodotà, jurista e colunista do jornal La Repubblica, disse: "Um canal foi aberto entre a política e as pessoas, uma distância que parecia intransponível por um momento foi superado".

Argentina: proteger as geleiras

Durante anos as empresas de mineração foram destruindo geleiras na Argentina, que compoe 70% da água do país. Um projeto de lei foi proposto para proteger as geleiras, mas ninguém achou que a lei passaria dado o enorme poder das empresas de mineração. Até que membros da Avaaz da Argentina e groups parceiros pressionaram tanto que a maré virou.

Na semana passada, o Senado argentino aprovou a lei para proteger as geleiras do setor de mineração depois que os membros da Avaaz inundaram senadores chave com mais de 8.000 mensagens antes da votação e colocaram o seu nome na petição apoiando a proteção das geleiras, atingindo mais de 11.000 assinaturas em poucos dias.

África do Sul: preservar a mídia independente

Mais de 30.000 membros do Avaaz na África do Sul assinaram uma petição para proteger a liberdade de imprensa da interferência do governo. Um projeto de lei que daria o controle do contéudo da imprensa a membros apontados do governo foi alterado e as principais cláusulas ofensivas removidas devido a uma onda de oposição popular. O movimento para preservar a independência da comunicação social na África do Sul está em andamento e a campanha da Avaaz é central para a luta.

União Européia: 1 milhão contra plantações transgénicas

Avaaz criou uma petição inédita de 1 milhão de assinaturas para a União Européia pedindo uma moratória na produção de culturas geneticamente modificadas até que haja uma investigação sólida a respeito. A petição é a primeira da iniciativa de cidadãos da Comissão Européia - que permite que 1 milhão de cidadãos da UE façam pedidos jurídicos oficiais à Comissão Europeia.

A campanha foi lançada em resposta à recente decisão da Comissão de liberar plantações geneticamente modificadas pela primeira vez em 12 anos. A decisão foi vista como um favor para o lobby dos transgênicos, mesmo quando 60% dos europeus, acreditam que uma pesquisa sólida deve ser exigida antes de iniciar a produção de alimentos que poderiam representar uma ameaça para a nossa saúde e meio ambiente.

Alemanha: garantir fundos essenciais para a saúde global

No início de outubro, observadores alertaram que a Alemanha planejava cortar dois terços da sua contribuição para o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Mas uma onda bem cronometrada de telefonemas de membros alemães da Avaaz ao seu governo ajudou a virar a maré – e o governo da Alemanha anunciou no último minuto que iria contribuir com o seu valor total prometido, US$600 milhões em três anos.

Paquistão: contribuindo onde e quando é mais urgente

Quando uma catástrofe humanitária de proporções assustadoras atingiu o Paquistão deixando um quinto do país debaixo d'água e milhões de pessoas desabrigadas e precisando desesperadamente de assistência, a nossa comunidade entrou em ação.

Doando generosamente, os membros da Avaaz contribuiram mais de $ 1,1 milhão de dólares nos momentos cruciais após o desastre - o financiamento tão necessário foi enviado para organizações locais eficazes. Trabalhando através de organizações internacionais de confiança (Oxfam, Plan, ActionAid) para identificar os parceiros mais efetivos locais, nós ajudamos a obter alimentos essenciais, abrigo e remédios para mais de 20.000 famílias.

10.18.2010

Um Esquecido Dia Pra Esquecer!


"– Nunca lê os livros que queima?
Montag riu.
– É contra a lei.
– Ah, é verdade!
– É um bom trabalho. Segunda-feira queimar Millay, quarta-feira Whitmam, sexta-feira Faulkner, transformá-los em cinzas, e depois queimar as cinzas. É o nosso estribilho oficial."
Ray Bradbury, in Fahrenheit 451
(Tradução de Mário Henrique Leiria)






"Para tudo existe uma época." (Idem)
Celebrou-se recentemente, tal como já sucedera com outros Dias que invocam algo valoroso e apreciado pela comunidade humana, ao exemplo do Dia do Pai, do Dia da Mãe, do Dia da Criança, do Dia do Idoso, do Dia de Portugal (e Ilhas Adjacentes), do Dia do Trabalhador, do Dia do Livro, do Dia da Poesia, do Dia Sem Carros, do Dia da Puta Que Os Pariu, etc., na sexta-feira passada, dia 15 de Outubro, aquele que dos Dias menos foi celebrado até hoje, e que ninguém realçou, nem noticiou, sequer mencionou, excepção feita para o EUROCID, precisamente, o denominado Dia dos Utilizadores de Bibliotecas, espelhando bem a condição das mesmas e de como elas "vêem", ou consideram, os seus utilizadores. Porém, quem ouviu falar disso? Em que bibliotecas é que O Dia foi efectivamente celebrado, já que passam o resto do ano a tratá-los – aos utilizadores, precise-se! – abaixo de cão, com menosprezo e sobranceria? Como intrusos que só dão trabalho e inoportunos e inconvenientes ao bom funcionamento da harmonia galhofeira e da retouça funcionária? Como arrevesados atrevidos que interrompem "o alegre conbíbio" aos corporativos da administração local vigente?
Neste Orçamento de Estado, para 2011, que anda agora no baile do boca em boca, entre as muitas "instituições/organizações públicas" que vão ser extintas, fundidas ou anexadas, inclui-se a que tutela o livro e as bibliotecas, a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, o que ninguém, em seu juízo, poderá contestar, ou dizer-se surpreendido, porquanto também não há registo de quem saiba ao certo para que servia, ou mesmo o que era, uma vez que o Livro é um bichinho estranho e repulsivo com os dias contados, de pouca monta e menos préstimo, até para quem o armazena, cataloga e empresta, e as Bibliotecas não passam de coutadas (particulares) de inertes com forte handicap de socialização, civilidade e democracia, a considerar pelo exemplo que sobra da celebração deste enunciado (e anunciado) Dia dos Utilizadores das Bibliotecas.
Não há-de, por conseguinte, faltar quem diga sublinhadamente «Boa! É bem-feito, para não andarem a fazer caridade à custa do contribuinte», considerando que a maioria (dos seus serviçais) desconhece os requisitos elementares do acondicionamento, gestão e rentabilidade da informação – livresca, se acrescentará, para contento dos que ainda pensam que tudo o que é informativo não pode ser literário –, assim como os princípios basilares da sociedade para todos, da democracia e partilha de conhecimento, do saber estar e do saber ser, tão profundamente republicanos neste ano centenário, convém salientar!, imprescindíveis aos que executam tarefas adstritas à cultura e à ciência, à arte e aos costumes regionais, ou desempenham funções (ditas públicas) de contacto com os cidadãos – portugueses e europeus, no mínimo –, tanto à esfera local ou nacional, continental como global. E com razão. Principalmente porque para este género de "estabelecimentos", os utilizadores, com direito a ficha e cartão, quiçá informatizado – mas que luxo de modernidade!... – não contam para nada, só estorvam, nem merecem a mínima consideração, nem sequer como "clientes" ou pessoas, a não ser para as estatísticas, com variante no fornecimento dos dados pessoais a estranhos e/ou terceiros, profícuos na coscuvilhice quadrilheira e boateira, para a galhofa costumeira e propícia ao pessoal do "giro", ou para encher vazios de quorum nas iniciativas caganeiróforas de aparecer no boneco dos mass media. Isto, claro está, se nos abstrairmos da teoria (ideológica), considerandos e intenções (beneméritas) dos decretos por sua criação, e nos cingirmos apenas à observância da prática quotidiana, à evidência do dia-a-dia e aos exercícios generalizados, onde os serviços prestados são de má qualidade, pior vontade e abusivamente caros (e sem direito a factura), como é o caso das digitalizações que saem sempre de esguelha e se a cores custam 0,40 €, talvez para contribuir para "amenizar" o custo dos píxeis coloridos, que muito devem ter subido de preço com o aumento e carestia do barril... (Barril de quê?, não se sabe ao certo, mas desde a pólvora prò fósforo ao petróleo, passando pelo da cerveja e vinho verde, todos são contempláveis!)
Ora, visto ser considerado contra a lei ler os livros que "arrumam", põem fora de combate, é de todo em todo possível (ou sugerir) que haja alguns, raros que sejam, cujo conteúdo espelha, reproduz ou reflecte, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, as normas de ética e civismo sobre o viver em sociedade em liberdade e conforme a integridade e dignidade dos demais, nomeadamente daqueles que não recebendo nada nem explorando minimamente os contribuintes, merecem ser respeitados por exercerem o seu direito ao conhecimento e valorização pessoal, mais que não seja, por isso mesmo, uma vez que essa evolução pessoal, se multiplicada produz impreterivelmente uma melhoria, ou subida de nível, dessa dita sociedade em termos de desenvolvimento humano. O que é indesmentivelmente benéfico e desejável à luz de todos os pressupostos locais, nacionais, europeus e universais. Posto isto, é deveras lamentável que o Dia dos Utilizadores de Bibliotecas tenha sido tábua rasa para a grande maioria delas, em Portugal, mas sobretudo, para a do nosso concelho, onde a qualquer hora do dia, dentro do horário de expediente, é óbvio, como se esta fosse um simples "escritório" da administração local!, sempre o número de empregados é maior que o dos utilizadores, sendo que são estes, que rentabilizam a informação existente e garantem a sustentabilidade das instituições, e não os primeiros, que apenas garantem os seus ordenados e sobrevivência própria, ou dos seus familiares, mas que só fazem para o merecerem o estar presentes, marcar pontos, e pavonear-se diluindo água-de-colónia aos quatro cantos do seu batuque simiesco com necessidade de afirmação.
Se não têm a mínima consideração pelos utilizadores porque se queixam tanto de estes não corresponderem à chamada quando organizam eventos de marketing e propaganda municipal? Os livros são produtos culturais, tais como o são os enchidos pata-negra ou a doçaria conventual, mas pensar que basta promover estas duas "iguarias" para que os primeiros apeteçam mais, é tão eficaz como vender Aldeias Velhas a quem quer pastelinhos de bacalhau: resulta enquanto o cliente está bêbado, mas eis que lhe passa o pifo, e a fome volta, com redobrada (co)incidência. Ou seja, foi aliviado o Orçamento de Estado com mais uma Direcção-Geral que não servia para nada, poupando-se na despesa, mas não beneficiando os contribuintes em nada com a medida, porquanto o problema (despesista) do livro e das bibliotecas não está no Orçamento mas nelas próprias e em quem as tutela, administra e nelas trabalha, uma vez que despreza inequivocamente quem as utiliza. E é também por isso, não só pela crise e pelo elevado défice, que a nossa nação está doente. Porque é um rio cujas margens são tão-só penedos rústicos e embrutecidos pelos escaparates medievais e obscurantistas, tão propícios às homenagens dos defuntos da cultura, quão esquecidos da vida que ela é...
Exactamente e apenas esquecendo.
Esquecendo.
Esquecendo.
Esquecendo...
Não fora um MAS que insistia, mesmo fora de sua época, em correr:
"E nas duas margens do rio nascia uma árvore da vida, dando doze vezes frutos e um [por] cada mês; e as folhas dessa árvore servia para curar as nações." (Idem)

10.07.2010

Neste domingo, em mais de 6.300 eventos em 187 países, cidadãos ao redor do mundo irão desmascarar um boato perigoso: que o movimento climático global desapareceu.


Vamos mostrar aos líderes mundiais e à imprensa que nós estamos mais diversificadas, maiores e mais criativos do que nunca - e que nós simplesmente não vamos desistir até que o nosso planeta, e todos os que vivem nele, estejam a salvo.

No domingo, 10 de outubro - que é 10/10/10, uma data para se lembrar – nós vamos nos reunir em "festas de trabalho" para o clima ao redor do mundo, demonstrando a nossa determinação e soando um apelo aos nossos governantes: "Nós estamos colocando a mão na massa ... e você? "

Quanto mais pessoas participarem, mais direta será a nossa mensagem
de determinação para derrotar as mudanças climáticas. Estas festas não serão somente incrivelmente úteis, como divertidas também. Clique abaixo para encontrar um evento perto de você e confirmar a presença (ou inscrever o seu próprio evento) - é hora de arregaçar as mangas e agir:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl


O momento é crítico: nas próximas semanas e meses, nossos governantes irão
tomar decisões importantes sobre o esforço para conseguir um novo tratado climático global. O ano todo eles ficaram se lamentando sobre a Conferência de Copenhague que aconteceu em dezembro, onde países não conseguiram chegar a um acordo vinculante – e nem mesmo a um compromisso de elaborar um. Se os políticos pensarem que as mobilizações populares por ações climáticas acabaram, eles irão ceder ao lobby do combustível fóssil - e simplesmente desistir de chegar a um acordo real.

Mas mesmo com os governos se esquivando, a crise climática está acelerando. 2010 é o ano mais quente já registrado. Desastres naturais ligados ao clima, como as inundações no Paquistão, custaram milhares de vidas. E os cientistas dizem que a situação está piorando. Nosso movimento tem que estar à frente da crise climática e precisamos puxar os políticos conosco.


Ao demonstrar a nossa determinação, a Festa de Trabalho Global irá lançar um desafio aos nossos governantes. Eventos locais incluem o plantio de árvores no interior da Tanzânia, a instalação de painéis solares na China, e um passeio de bicicleta internacional da Jordânia para Israel - junto com eventos muito mais simples organizados por pequenos grupos de amigos. Onde quer que estejamos e qualquer que seja a nossa ação, nós estamos passando uma mensagem: nós estamos gerando soluções para as mudanças climáticas em nossas proprias comunidades, os nossos governantes não têm desculpa para não começar a trabalhar a nível nacional e mundial.

Quanto mais pessoas participarem, mais poderosa será a nossa mensagem. 10/10/10 é daqui a poucos dias, e é fácil participar - clique para se inscrever:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl


Embora haja pouco tempo para enfrentar as mudanças climáticas, o movimento climático em si, é relativamente jovem. A abolição do comércio transatlântico de escravos e o fim do Apartheid levou décadas. Porém, as mudanças climáticas, por causa de sua ameaça a todos em todos os lugares, tem um poder especial de unir as pessoas além das fronteiras.

No ano passado, uma onda extraordinária de atividade, com sucessivos dias de ação global (21 de setembro, 24 de outubro e 12 de dezembro) levaram os Chefes de Estado do mundo todo a estarem presentes na Conferência de Copenhague. Foi de tirar o fôlego, mas não foi o suficiente. Este fim de semana, vamos renovar nosso compromisso de lutar pelas seis bilhões de vidas - e mostrar que não estamos indo a lugar algum, enquanto nós temos um planeta para salvar.

Com esperança e determinação,

Ben, Iain, Ben M, Maria Paz, Ricken, David, Graziela e toda a equipe Avaaz

PS: Estes eventos estão sendo organizados por uma vasta gama de grupos e indivíduos, com o apoio dos amigos da Avaaz, a 350.org - utilizando ferramentas da web que facilitam a localização de um evento ou o cadastro de um novo evento. Inscreva-se para um evento com estas ferramentas, e a 350 irá enviar algumas mensagens úteis nas vesperas do dia de ação. Aqui está o link novamente:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl

9.21.2010

A apresentação pública do livro A SACERDOTISA DAS ÁGUAS, terá lugar na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Portalegre, quinta-feira, dia 23 de Setembro, Lua Cheia, pelas 21 horas, com a presença da autora, Placídia Amaral, e Joaquim Castanho.






A Roda do Ano Gira e Chega a Recompensa



"Chamo pela Dama abençoada, rainha da colheita,
dadora da vida e da abundância desde antes de o tempo
começar. Concedei-me a vossa alegria e beleza,
poder e prosperidade, peço-vos."
– Do ritual de celebração do Equinócio de Outono,
a 21 de Setembro.


Talvez que a única coisa que perdure para lá da leitura global das obras seja tão-só o detalhe, o pormenor relevante, aquele peculiar sentimento reservado de quem se achou a fazer a coisa exacta no momento preciso e pouco mais se exigiu, ou permitiu, fazer, uma vez que assim alegremente atingiu o delével êxtase de quem se realizou numa tarefa para a qual estava talhado de há muito. Ler é ver, e ver é interpretar, porquanto é disso que eclode a análise, o veículo de excelência para a comunhão e empatia entre quem se encontra nas margens opostas da comunicação: o codificador e o receptor, o emissor e o descodificador, se para tanto quisermos gizar o X da questão.
Porém, A Sacerdotisa das Águas não é somente mais um livro sobre o ministério da expressão viva do conhecimento milenar, transmitido de tias para sobrinhas que se sucedem atravessando os séculos como anfitriãs do templo da ilha encantada lusitana, onde a Grande Senhora do Ocidente determina a ordem e faz cumprir a tradição e o costume, cujo principal fundamento é servir-nos e não tornar-nos seus incondicionais escravos. É, sobretudo, uma viagem ao nosso consciente e inconsciente colectivo, na tentativa de desbravar o futuro lusitano através da mais antiga das ferramentas que o entendimento humano produziu: a crença. Acreditar que é possível viver o momento presente independentemente daquilo por que passámos como indivíduos ou como povos; acreditar que somos capazes de aceitar a realidade tal como ela é e se nos apresenta no aqui e agora; acreditar que é possível dançar com a vida como se ela fosse o nosso par num tango eterno e imorredoiro; acreditar que somos suficientemente inteligentes e maduros para aceitar o eu-humano que cada um de nós é; e, finalmente, que não obstante todas as falhas e erros que nos identificam e particularizam ainda continuamos a ter confiança em nós mesmos como se apenas, em nossas rascunhadas biografias, tivéssemos testemunhado o êxito e o sucesso. Isto é, traça a rota e o rumo para quem esteja interessado em despertar para o conhecimento através da expressão de si próprio, lendo na água que maioritariamente é, conhecendo-as para conhecer-se.












"Sempre a vida cumpriu o seu ciclo e levou de novo à vida
na eterna cadeia da vida. Em honra das Antigas Deusas,
testemunho a contemplação da minha vida
e a colheita das lições deste ano."
– Idem

Não só porque nos transporta entre as diversas dimensões da realidade, nuanças dessa Realidade Maior de que são simples sombras e reflexos, sujeitos à refracção distorcida dos sentidos, como igualmente nos alerta para os conflitos que dilaceram a alma humana, e baseiam as relações interpessoais, estipulam a exigência de abundância e propriedade, veiculam a falta de auto-estima e deterioram a saúde. Dá lições sem o intuito didáctico e a intenção pedagógica explícita, mas possibilitando que cada qual colha da experiência narrativa quanto precise; e mostra escondendo de novo, deixando outro tanto por dizer que é numericamente igual àquilo que ficou dito. Logo, garantindo que não pode provocar qualquer mal (a uns) sob a pretensão de fazer o bem (a outros). O que, no mínimo, é algo suis generis do ponto de vista da funcionalidade da criação literária, porquanto se entrosa numa narrativa mística e fantástica sem ressaibos evangélicos e missionários, ou demais sublinhados das cartilhas e catecismos característicos da romanização como do paganismo plebeu.
E fá-lo poeticamente, relatando a vida de uma mulher, órfã de mãe desde os três anos, que começou a sua instrução de aprendiz de sacerdotisa aos seis, de druidesa aos treze, para sete anos depois se tornar madrasta de sua sobrinha Aurora e rainha-sacerdotisa, culminando no final da vida como Grã-Sacerdotisa no Templo da Ilha, gémea da mítica Albalon, situada nos recessos das terras lusitanas, que todos reconhecemos existir, mas curiosamente ninguém cartografa a localização exacta, porque quem sabe o caminho guarda segredo de qual é ele, e aqueles que não o sabem nem percorreram, o vão inventado e imaginando, dizendo ser ele em qualquer parte, quiçá distraídos, mas tão distraídos, que não se dão conta que "há momentos na vida em que o silêncio são doces palavras que ecoam no coração" (p. 286), sem se atropelarem na pronúncia.







"Às boas estações que se foram e às boas estações que estão para vir.
Abençoadas sejam.
À deusa! Que inspire e renove seu meneio de fábula que envolve e revele o encantamento mundo.
Abençoada seja.
À Deusa! Que traga paz e realização a todos os seus filhos.
Abençoada seja.
À Deus! Que proteja os seus seguidores e me traga prosperidade e felicidade. Que alegres se encontrem, alegres se separem e alegres se reencontrem de novo!
Abençoados sejam."
– Idem

9.17.2010

O Mito de Lylwine


"Acendo três velas à Tripla Deusa-Mãe, a Grande Dama dos três aspectos. Gloriosa Virgem, deusa da juventude e novos inícios, aurora e sempre plantada. Grande Mãe, deusa da magia e da abundância, do amor e do conhecimento. Sombria Idosa, sábia deusa da noite, da morte e do renascimento. Acolho A Deusa em todas as suas formas." – do Ritual da Lua Cheia.

Tal como no Crescente Fértil da antiguidade sumérica, o único critério válido, para definir quem é, ou não, um autêntico escritor, ou escritora, não são os prémios alcançados, as condecorações tribais, os elogios dos clãs organizados e corporações, a divulgação feita pelos mass media da época, mas o reconhecimento daqueles que ao lê-los mantêm actual – e actuante! – o ditado sumérico, que explicita e indicia, que "um escriba cuja mão se move acompanhando a boca / é de facto um escriba" (Samuel Noah Kramer, in A História Começa na Suméria, p. 149). E os ecos dessa novidade podemos efectivamente encontrá-los em A Sacerdotisa das Águas, ao constatar que as druidesas continuam, quando "a roda do ano gira e chega a recompensa", a escolher tudo o que lhes acontece – quiçá, seguindo os conselhos de Adamur!... – aurorescendo para as Luas Cheias depois das serenas conversas de circunstância entre amigas, sobre os temas femininos mais populares (filhos e homens e tarefas do lar), combatendo os eclipses sangrentos, sentindo-se gratas pelo momento que vivem e sem perder tempo a olharem para trás, a não ser que isso lhes propicie a imagem da Deusa enviando-lhes o raio telúrico, para iluminar-lhes "o ventre por dentro numa faiscação de labaredas vermelhas" (p. 147), estipulando assim, é certo, e grosso modo, que nunca em vão há-de acontecer a morte das velhotas mais idosas dos povoados, como a da avó Túlia que "acordara morta" (p. 149) uma manhã, e fora enterrada três dias depois, no cumprimento da regra. Sobretudo porque a autora deste romance, contempla os desígnios e preceitos escribalistas, dando à mão os trejeitos da fala, que nem sempre se conduz pelas normas da conjugação e da gramática, recuperando e improvisando verbos para acções como o exigem os conteúdos, no seu aurescimento do dizer imediato e espontâneo, para expressar, por exemplo, um simples e comum passamento desta para melhor, às personagens, velando-as sim, mas revelando-as igualmente, ficando portanto reforçada a certeza de poder escolher legitimamente ser escritora, além de médica, uma vez que lhe aconteceu ter escrito um livro, cujo interior traduz e revela a essência semântica de quanto o ditado persa, ou sumérico, indica como condição sine qua non de identificação e estilo, o movimento da mão que dá a tonalidade ao discurso. (Lunar, convém salientar!)
O mito, enquanto história tradicional ou lendária, que respeita, geralmente, as entidades sobre-humanas e lida com eventos que não têm uma explicação natural, convicção não provada que é aceite sem espírito crítico, se declara invenção fantástica, procura compreender os fenómenos ou ocorrências estranhas sem se socorrer de razões científicas, nem mesmo das do chamado senso comum. Apela mais para a emoção do que para a razão, e data de tempos bastante remotos em que as explicações racionais não eram ainda possíveis, nem sequer desejadas, e foi veiculado e conservado pela tradição oral, conforme a mitopoese o exige no quadro ou fundo de consciência colectiva. No romance de Jean M. Auel, O Clã do Urso das Cavernas, não lembro bem se seria também órfã de mãe desde os três anos, se começara a instrução com seis anos terminando-a aos treze, sete anos depois, há realmente o protagonismo de uma loira que monta cavalos e leões, e conhece os mistérios da existência com um heroísmo que tem tanto de feminil como de guerreiro. É provavelmente a mesma personagem mitológica que encontramos neste romance, talvez adaptada a mais recentes épocas e noutro contexto ambiental e geográfico, ou, ao contrário, podemos ver nela uma versão da feminilidade céltica retornada dos territórios nórdicos europeus, incluindo os insulares, a que a miscigenação continental não "deturpou" as marcas tipológicas?
Em resumo, a literatura, ainda que esporadicamente reflicta os mitos profundos e ancestrais, provocando o típico ondear cíclico e concêntrico de uma pedrada na água, avivando-os, enobrecendo-os, revelando-os, mistura sempre ervas já conhecidas, conceitos tradicionais, moendo-as (e moendo-os) no graal da fantasia, juntamente com outros novos, a fim de confeccionar novos unguentos para moléstias milenares, das quais, a maior, é a descrença nos princípios fundamentais da vida. É o que este livro faz, e é exactamente nisso que ele se propõe como uma obra essencialmente literária, embora, claro está, a magia lhe solte as peias na cavalgada dos entendimentos... Será?

A apresentação pública do livro A SACERDOTISA DAS ÁGUAS, terá lugar na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Portalegre, quinta-feira, dia 23 de Setembro, Lua Cheia, pelas 21 horas, com a presença da autora, Placídia Amaral, e Joaquim Castanho.

9.16.2010

As Sacerdotisas da Eternidade e da Vida, ou guerreiras por sacerdócio

O Alcance do Fogo

Trindade santa

Salvai,

Protegei,

Rodeai,

O lar,

A casa,

A família,

Esta vigília,

Esta noite,

Oh, esta vigília,

Esta noite,

E todas as noites,

Cada uma das noites,

Amem.

De Carmina Gadelica


E três vezes seus igualmente são os prodígios da palavra – nomeação/convocação, disposição/composição e realização/visionamento – druida que se há-de diluir na brisa das florestas, soutos e montados, cidades das árvores e do sonho vegetal, cuja raiz está na terra, ramos, folhas e flores estão no ar, são cor e energia do fogo, sobretudo nos equinócios, e destes no de Outono a que estamos prestes, e têm por seiva a água cristalina e pura das levadas profundas, sob a tutela da Tripla Deusa-Mãe, celebrada nos vales e montes deste nordeste alentejano, estabelecendo enfim quanto da existência só tem lugar no seu reino, material se matéria, espiritual se espírito ou cultural se cultura, que são iguais àqueles estádios em que a alma também se manifesta quer como corpo, quer como mente ou como ideia, por assim dizer, em tese, antítese e síntese, ou ser, não-ser e devir conforme a nomenclatura dos gregos antigos, dialéctica comum aos instrutores de sacerdotisas, neste caso do romance com o nome de Adamur, aquele que "aprendeu a arte de entrar e sair desta realidade, quando tal se torna necessário"(p. 32), capaz de abstracção, pois "viaja pelas dimensões e materializa-se quando e onde quer"(p.72), porquanto nunca desdenhou nem esqueceu que só se pode compreender o Criador procurando compreender as criaturas, como afiançou S. Columbano.

Os druidas combinavam as funções de sacerdotes com as de magistrados, sábios e médicos, colocando-se em relação aos povos das tribos celtiberas, de maneira bem semelhante à que os brâmanes da Índia, os magos da Pérsia e os sacerdotes do Egipto se colocavam diante de seus respectivos povos, delegando porém os seus poderes e funções em diversas estirpes de sacerdotisas que formavam e iniciavam dentro dos preceitos convenientes à governação dos castros e dos reinos. Lylwine, como também a tia-avó Gardwina, foram instruídas por Adamur para terem absoluta confiança em si mesmas, aceitar o ser humano que em si há e descomplicar todos os assuntos que dissessem respeito ao corpo, à alma e à cultura de Pinhel, a citânia em que habitavam. É uma tarefa hercúlea, como se deve calcular, sobretudo para a sobrinha, filha de Aurora e Galatar, que não pode esquecer que "uma rainha, é mais que uma vulgar mulher. Uma sacerdotisa é mais que uma simples rainha. Mas uma Sacerdotisa-Rainha está muito para além das leis dos homens e das leis da magia e do rituais – ela é uma deusa na terra"(p.105), qual "caminho de perfeição e sacrifício"(p.106) abrindo-se "em urgências de êxtase, como terra seca e ardente, para receber a água da vida"(p.121).

Qualquer planeta em que não exista vida é porque lhe falta água líquida que a gere e sustente, multiplique e purifique, e ela só acontece com a rebentação delas, tal e qual como as que antecedem o nascimento dos bebés de todos os mamíferos, entre os quais, o humano. Portanto, porque lhe é essencial, tem que ser cuidada, respeitada e celebrada com o "sigilo secreto" daquelas que foram eleitas para lhe ministrar culto e rituais, porque só elas estão aptas à tradução dos sinais e dos símbolos imprescindíveis à governação das citânias, as Sacerdotisas das Águas, porque são dominadoras do cálice e da espada, da taça e do ceptro, da concha e da pérola, da boca e da língua, do ventre e do falo, em cuja síntese imediata reside a urgência (fogo) da eternidade.

La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos

Onde a liquidez da água livre

Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu

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Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português