Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
4.07.2011
4.03.2011
às águas do rio Ouse com pedras nos bolsos e passos determinados; o corpo só foi encontrado a 18 de Abril.
ele se apercebesse de como me contraía e desviava quando a sua mão se aproximava das minhas partes sexuais. Recordo-me de que isso me revoltava e repelia – qual é a palavra exacta para um sentimento tão asfixiante e confuso? Deve ter sido forte, pois ainda se conserva na memória”, escreveu no diário que manteve durante toda a sua vida. Mais tarde, Virgínia viria a dizer que Duckworth havia arruinado a sua vida antes mesmo de ter começado. Muito devido a isto, VW nunca viria a desenvolver gosto pelo seu corpo e, mais tarde, nunca se sentiu atraída sexualmente por nenhum homem. “A natureza dotara-o com um excesso de vitalidade animalesca, mas não se dera ao cuidado de inserir um bom cérebro como órgão controlador”, disse sobre o seu odiado meio-irmão.
enorme estímulo para V.W. Além disso, tornou-se “atraente para uma certa camada social, para os intelectuais, artistas, escritores, jornalistas, pintores, estudantes, numa palavra para os boémios. Cultivava-se o liberalismo, sem grandes discursos a esse respeito”, nas palavras de Waldmann.
óbvio, profundamente fascinada por este selvático, trémulo e misantropo judeu, que já erguera o punho contra a civilização”, escreveu ela no seu diário sobre o futuro marido. Para aceitar casar-se, muito contribuiu o facto de recear ser marginalizada pela sociedade que a rodeava, bem como se preocupar, como revelou em cartas enviadas à sua irmã Vanessa, em 1911, por aos 29 anos se considerar “uma falhada”, porque não era casada, nem escritora, nem tinha filhos. Afinal, também Virgínia queria partilhar o quotidiano com um companheiro, mesmo que as suas tendências sexuais pendessem para as mulheres, facto que atribuiu quer ao domínio que a figura materna teve em si até aos 40 anos, quer ao facto de saber a sua recusa de tudo o que se interligasse ao seu corpo. Ao mesmo tempo, receava e desejava o amor, os filhos, a aventura, a intimidade e o trabalho próprios do que é um casamento.
mundo onde a mulher e a diferença fosse reconhecida. Ela desenha esse mundo em Orlando. E é curioso verificar, por exemplo, que o anagrama de Orlando [Leandro] é o paradigma da obra de Lídia Jorge, escritora portuguesa, O Vento assobiando nas Gruas.
mudou a minha existência, ao revelar-me a literatura”, comentou numa entrevista concedida à ”Le magazine littéraire, edição de Dezembro de 2004. O resultado deste encanto materializou-se em 1996 quando começou a escrever As Horas. Virgínia Woolf: a irmã de Shakespeare que triunfou Um dia foi impedida de entrar numa Biblioteca Pública de Londres por não possuir uma carta do seu marido, autorizando-a para tal. E um dia, em 1929, publica Um quarto que seja seu, cuja ideia principal assenta no facto de as mulheres terem sido sempre subjugadas não devido à sua natureza, mas como resultado de algumas “tristes” circunstâncias económicas e sociais. No entanto, como é referido no livro Mulheres nas Letras, Mulheres dos livros, “aparentemente, ela desfrutava das condições que considerava essenciais para uma mulher se afirmar como escritora, advogadas no seu ensaio Um quarto que seja seu, dispor de espaço físico e psicológico e de dinheiro suficiente para se bastar a si própria”. A propósito disto, inventou uma irmã para Shakespeare que, por ser mulher, nunca poderia ser escritora. 3.31.2011
José Alencar (JA) morreu esta semana
Ex-Vice Presidente da República do Brasil
"A humildade não está na pobreza, não está na indigência, na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome".
Na semana passada, o vice-presidente da República, José Alencar, de 77 anos deu início a mais uma batalha contra o câncer. É o 11º tratamento ao qual se submete.
*Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico, sua doença é incurável?
JA - Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente, pois sempre pedi para estar plenamente informado. A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar. Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente quando me refiro à doença em público. Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem público com cargo eletivo não se pertence.
*O senhor costuma usar o futebol como metáfora para explicar a sua luta contra a doença. Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0. De outra, que estava empatado. E, agora, qual é o placar?
JA - Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado para viver o momento mais prazeroso de uma partida: vibrar quando faço um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.
*Como a doença alterou a sua rotina?
JA - Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que "o trem está bom ou ruim". O trem está ficando feio para o meu lado. Minha vida começou a mudar nos últimos meses. Ando cansado. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. Ando um pouco e já me canso. Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas), herança da última cirurgia, em julho. Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente. O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever. Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza e a Jaciara (enfermeira da Presidência) para me auxiliarem com a colostomia. Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, o Márcio e o Dirceu. Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro, chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto.Sem drama nenhum.
*O senhor não passa por momentos de angústia?
JA - Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia. Eu lhe responderia o seguinte: desconheço esse sentimento. Nunca tive isso. Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.
*O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?
JA - A doença me ensinou a ser mais humilde. Especialmente, depois da colostomia. A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade. E Ele tem sido generoso comigo. Eu precisava disso em minha vida. Sempre fui um atrevido. Se não o fosse, não teria construído o que construí e não teria entrado na política.
*É penoso para o senhor praticar a humildade?
JA - Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo de outras pessoas para executar tarefas básicas. Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações. Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas muito mais elevadas do que eu, como os profissionais de saúde que cuidam de mim. Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel S-rougi quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem anônimos que me assistem. Cheguei à conclusão de que o que eu faço profissionalmente tem menos importância do que o que eles fazem. Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto sobre o próximo. Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.
*Essa sua consideração não seria uma forma de se preparar para a morte?
JA - Provavelmente, sim. Quando eu era
menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração: "Livrai-nos da morte repentina". O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.
*O senhor tem medo da morte?
JA - Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena. Até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.
*Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?
JA -Abraçaria minha esposa, Mariza e diria: "Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".
(* Repórter desconhecido, via e-mail Ivana Bussab – Suíça)
V EXPO AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
vários concertos animarão a Praça do Mar, e no Domingo, último dia, para além de uma acção de limpeza com voluntariado (para o qual todos estão convidados, seguido de almoço para os participantes), realizar-se-á o tradicional desfile de veículos ecológicos.
montagem dos Stands pelos Expositores será no dia 12 de Maio de 2011.
apenas 18 Stands:
No intuito de promover as boas práticas ambientais das empresas e dos organismos públicos, a AMI tem procurado disponibilizar instrumentos de recolha e tratamento de resíduos, que lhe permitem, adicionalmente e sem custo acrescido para os participantes, angariar fundos para o financiamento
das suas actividades humanitárias médicas, sociais e ambientais.
A Escola de cães-guia para cegos de Mortágua precisa de amigos para a sua manutenção. 3.28.2011
Este ano, na sua declaração de IRS ajude a AMI sem gastar nada e exerça um acto de cidadania activa.
Basta escrever o número de contribuinte 502 744 910 no campo 9 do anexo H. Ao fazê-lo estará de imediato a ajudar a AMI com 0,5% do seu imposto já liquidado.
hino que vista com ouros e brocados as armas e brasões [barões?] assinalados que da ocidental praia lusitana foram por défices nunca antes alcançados. Isso. E valentemente! Que agora cá estamos eu e tu, para dançarmos numa roda-viva tentando sobreviver entre a desonra de sermos portugueses e a indignidade sermos vistos pela Europa como incapazes de nos governarmos sem a caridade dos fundos comunitários. 3.25.2011

Quando as pessoas são hipócritas entre si, o problema é delas e lá saberão o que fazer. Agora quando são hipócritas entre si e com isso prejudicam outras espécies, o caso muda de figura.
Já vou tendo pouca paciência para intelectuais que gozam e criticam reality shows ou a programação das nossas televisões, mas depois masturbam-se "intelectual" e "socialmente" em facebooks, blogs e outros que tais, participando em reality-shows auto-(re)criados até à exaustão.
Tudo bem, aceito que os que reclamam de tudo isto não desliguem a televisão, não vão a manifestações porque não acordaram a tempo ou se distraíram com qualquer afazer pessoal, aceito que não possa já ir ao cinema sem ser em gaiolas gigantes a que deram o nome de centros comerciais ou shoppings, aceito que essas gaiolas ensurdecedoras sejam o limite da criatividade de centenas de pessoas que se repetem semanalmente nos mesmos rituais atávicos; aceito que não possa ir à praia junto a minha casa a partir de março, pois o que deveria ser um lugar "saudável" se transforma num parque de estacionamento e de trânsito caótico porque as pessoas não se lembram que um das funções dos seus membros inferiores é andar (e podem fazê-lo com várias ajudas desde bicicletas, patins em linha, trotinetes, skates,e tc), enfim a lista continuava.
Agora, o que não aceito é que à custa de formas de entretenimento mórbido outras espécies morram. Não falo das corridas de galgos ou de pitbulls, não falo da pesca, ou da caça. Falo do Knut, um pobre urso polar que foi transformado em mercadoria de marketing de um jardim zoológico de uma das cidades supostamente mais evoluídas da Europa, Berlim ( http://www.publico.pt/Sociedade/morreu-knut-o-urso-mais-famoso-do-mundo_1485835 ). Não aceito que pessoas que se chamam a si mesmos pais levem os seus filhos, que dizem estar a educar para o futuro, a prisões onde a diversidade da
vida é transformada em produto de entretenimento barato e sem sentido. Atiram-se moedinhas aos elefantes, umas sardinhas aos ursos e diz-se "ai que giro" ou "ai que medo" conforme a sensibilidade, mas depois vão todos para casa felizes por terem visto bichinhos giros, tirado umas fotos de circunstância e cumprido o sagrado dever de passar uma tarde em família. Mas, claro, essas famílias vão para casa de carro, mesmo que morem a 30 mins de distância, pois o giro é ver o ursinho polar ali ao pé de nós atrás de umas grades. Que importa que os outros, ainda na vida selvagem, vejam os seus habitats cada vez mais destruídos pelo aquecimento global, pesca excessiva, e outras coisas mais directamente relacionadas com a actividade humana?De notar que zoológico significa "estudo relativo a animais". E nesses antros faz-se tudo menos estudos e nem as desculpas, que alguns utilizam dizendo que têm projectos de recuperação de espécies, servem para amenizar a brutalidade desses sítios, pois esses estudos devem ser feitos em locais mais recatados. Tal como aconteceu com o Knut, muitas dessas espécies acabam por desenvolver doenças terríveis devido a alterações comportamentais derivadas da exposição permanente aos guinchos, risos e demais ruídos dos humanos que os vão "ver".
O knut morreu e independentemente do que venham a dizer os responsáveis do jardim sobre a sua morte, a causa mais imediata e inegável é o seu esgotamento por ter sido transformado em cabeça de cartaz de um espectáculo miserável. O irónico e absurdamente hipócrito é que os que causaram a sua morte, ou seja, todos os que o foram visitar naquele sítio, criam agora um livro de condolências e fazem-lhe homenagens. Quantos mais vão ter de morrer para que passemos a entender que a vida é para ser sentida, partilhada e, acima de tudo, respeitada em todas as suas dimensões e que as outras espécies não são objecto de uso do homem para seu bel-pazer? Os "jardins zoológicos" são extensões dos antigos circos romanos. Se os queremos de volta, coloquemos neles apenas homens, tal como acontecia na altura, façamos touradas só com homens e não com touros, façamos corridas de apostas só entre homens e não com cavalos, cães ou galos. Se querem ver animais em exposição, vão ao Red Light Distric
em Amsterdão onde pelo menos 3000 prostitutas estão expostas em vitrinas (e agora até já vão pagar impostos). Façam o que quiserem entre humanos, pois estes ainda são dotados de livre-arbítrio e temos uma eternidade para pagar as nossas dívidas. Agora, pelo menos, no meio de toda a nossa cobardia, hipocrisia e atavismo, não sujeitemos outras espécies aos nossos vícios e à nossa pequenez.Se não queremos o Big Brother, a solução é simples. Desliguemos a televisão.
Se não queremos ser assassinos de animais como o Knut, a solução também é simples: DEIXEM DE IR A "JARDINS ZOOLÓGICOS". Porque a ignorância já não é desculpa.
(Obrigada)
Filipa M. Ribeiro
3.21.2011

Quem ateia fogo à noite, de manhã come-lhe as cinzas. Pese embora haver basta gente que o desconheça, esta é mais uma daquelas realidades que não se incomodam nem debilitam pela ignorância dos que a sofrem, e sobre os quais recai, independentemente de a contemplarem e reconhecerem, ou não. Tal como as leis, ninguém se pode esquivar a cumpri-las argumentando o seu desconhecimento. Para uns pode ser o poder da ressaca, para outros a evidente valia da resiliência. Agora, do que dificilmente nos alhearemos, é que se fizermos alguma coisa de acalorado e exigente esforço num dia, ao outro sentimo-lhe os efeitos, mais ou menos nefastos, é claro, conforme o grau de intensidade e a nossa capacidade de encaixe, ou resistência, o determinarem. E nas relações interpessoais, isso está igualmente estabelecido e atuante.
Por outras palavras, os impulsos e repentes de exagerada visibilidade pagam-se. E não raras vezes, com um preço elevadíssimo e juros de mora.
Suponhamos que alguém que nos é estimado e nos estima, respeita e acarinha, ajuda e apoia, se confia e partilha, sabe de fonte fidedigna que a traímos contando a terceiros o que só a nós confiou, ou nos ama mas nós preterimos na hora de dar e recolher prazer, fazendo-o com outrem. Devemos depois esperar e exigir que essa pessoa continue a ser para nós o que antes era?
É sobrenatural quem o for, e desumano quem criou semelhante expectativa. A dignidade e a integridade, física ou moral, não são lixo que se possa varrer para debaixo do tapete descurando a hipótese de que alguém o levante ou puxe. E então, o sarilho dá-se. A coisa estoura. O vulcão entra em erupção. O incêndio deflagra. A tragédia eclode. E quem são os verdadeiros culpados? Nós que traímos, ou aqueles que confiaram?
Se um governante que nos tutela os destinos, que nós elegemos e em quem confiámos, vai para o estrangeiro contar pormenores da nossa actividade sócio-económica sem que ter consultado acerca dessa iniciativa, então não pode esperar depois que os governados estejam disponíveis para a concretização desses detalhes, sobretudo se eles mexerem directamente com o seu nível de vida e poder de compra.
José Sócrates, não obstante, cometeu exatamente essa afronta, tanto aos que nele votaram, como aos que se lhe opuseram. Tripudiou em cima de todos, sem excepção nem vergonha, tendo descaradamente de seguida exigido, por uma questão de
Então!, ainda estão à espera de ver para crer? Entre os homens de bem, uma questão de ética foi sempre, e continuará a ser, uma verdadeira questão.
3.17.2011
Uma escola para tolos? http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=90393CD536DFF36DE0400A0AB8001D4D&opsel=2&channelid
Com o decorrer dos anos, os governantes, lá no alto do seu douto saber, entenderam que, já agora, os professores e a escola poderiam também cumprir uma imensidão de funções até então cometidas ao Estado, às famílias e à sociedade.
O teimoso prosseguimento da implementação das atuais medidas de política educativa anuncia uma clara mudança de paradigma: a transição do modelo sixty da "escola para todos", para o modelo pós-modernista da "escola para tolos"
A grande reforma educativa sorvida dos quentes e vibrantes anos do final da década de sessenta, consubstanciada nas filosofias do maio de 68, apontava para uma escola aberta, universal, inclusiva, interclassista, meritocrática, solidária, promotora da cidadania e, até, niveladora, no sentido que deveria esbater as desigualdades sociais detetadas à entrada do percurso escolar.
Os professores passavam a ser mediadores da aprendizagem, promotores da socialização e do trabalho partilhado. Os alunos metamorfoseavam-se em aprendentes ativos, participativos, concretizadores, colíderes da sala de aula e do rumo a dar às planificações. Os pais, descolarizados ou iletrados, por vergonhosa opção de quatro décadas de ditadura, entregavam os seus filhos naqueles centros de promoção do sucesso social. Era a escola aberta à comunidade, uma escola moderna, que se impunha à escola tradicional. Era, enfim, a escola para todos.
Com o decorrer dos anos, os governantes, lá no alto do seu douto saber, entenderam que, já agora, os professores e a escola poderiam também cumprir uma imensidão de funções até então cometidas ao Estado, às famílias e à sociedade. Mesmo que não tivessem tido preparação para isso, os professores tinham demonstrado que sabiam desenvencilhar-se e, sobretudo, que não sabiam dizer não.
E desde então, essas passaram também a ser tarefas e funções da escola e dos seus
Mais recentemente (reportando-nos ao baronato de Maria de Lurdes Rodrigues e ao principado de Isabel Alçada), entendeu-se que a escola gastava muito e os professores, numa indolência secular, pouco faziam. Logo, quem sabe? até poderiam ser substituídos uns pelos outros, à molhada, degradantemente. Ou até secundarizados por "skinnerianas" máquinas de ensinar, que apressadamente se viram batizadas de Magalhães, porque os governantes portugueses gostam que a História, tal como as telenovelas, se repita.
As forças do Kadafi estão esmagando os manifestantes cidade por cidade. Se eles retomarem o país, uma retaliação brutal aguarda os líbios que desafiaram o regime. Relatos de tortura e assassinato já estão vazando das áreas retomadas.
Cidadãos líbios comuns estão pedindo que o mundo não os abandone. A comunidade Avaaz está profundamente comprometida com a não-violência, mas a imposição de uma zona de exclusão aérea para manter os aviões de guerra do Kadafi no chão é um caso específico onde uma ação militar liderada pela ONU é realmente necessária. Um questionário enviado para a nossa comunidade mostra que 86% das pessoas apóiam a zona de exclusão aérea. Agora, no momento em que o voto da ONU se aproxima, chegou a hora de aumentar ainda mais a nossa pressão.
Nós torcemos quando o povo da Líbia saiu às ruas e agora não podemos, e não devemos, ignorar o seu pedido de ajuda neste momento tão difícil. Mesmo se você já participou, clique abaixo para enviar uma mensagem para o Conselho de Segurança da ONU:
http://www.avaaz.org/po/libya_no_fly_zone_3/?vl
A ONU está dividida, mas a situação está mudando rapidamente. A China, Rússia e Alemanha são contra enquanto a Liga Árabe, a Confederação Islâmica, o Reino Unido e a França são a favor. Os EUA e Índia estão em cima do muro. Este não é o velho debate Ocidente versus Oriente, nem, como alguns suspeitam, uma conspiração de interesses petrolíferos. O Conselho Nacional de Transição da Líbia, que a França reconheceu como o governo legítimo está desesperadamente pedindo uma zona de exclusão aérea e apóio internacional. Porém a cada dia que passa, o perigo aumenta de que qualquer ajuda chegará tarde demais.
Uma zona de exclusão aérea sozinha não é a solução final, ela deverá ser apoiada por sanções direcionadas e congelamento das contas do regime, a interrupção da transmissão das declarações do Kadafi incitando a violência, e mais países reconhecendo diplomaticamente o Conselho Nacional de Transição da Líbia. Mesmo tudo isso poderá não ser suficiente. Porém aqueles que opõe uma ação forte devem se perguntar se, com dezenas de milhares de vidas em jogo, eles estão dispostos a defender a passividade.
A lei internacional e o Conselho de Segurança da ONU deixaram claro que, quando crimes contra a humanidade são cometidos, a comunidade internacional tem a responsabilidade de proteger os povos destes crimes, mesmo que o agressor seja o seu próprio governo. Mesmo que ainda não conhecemos a total magnitude dos crimes do Kadafi, nós não podemos virar as costas neste momento. Clique para enviar uma mensagem urgente para os delegados do Conselho de Segurança da ONU:
http://www.avaaz.org/po/libya_no_fly_zone_3/?vl
Na melhor das hipóteses, o Kadafi irá reagir à resolução da ONU sobre a zona de exclusão aérea, parando os ataques aéreos. Porém se ele não parar, a imposição da zona de exclusão aérea terá que ser feita com ataques diretos aos caças que ele tentar usar e possivelmente ataques aéreos aos sistemas de mísseis antiaéreos. Há também a possibilidade de uma zona de exclusão aérea levar a um envolvimento militar mais profundo na Líbia.
Enquanto o mundo (e a Avaaz) criticaram fortemente a guerra do George W. Bush no Iraque, e defendemos soluções pacíficas para conflitos em muitos lugares, este não é o Iraque. Se não agirmos logo, a Líbia poderá se tornar Darfur, com graves crimes contra a humanidade cometidos contra comunidades inteiras. O regime do Kadafi tem um longo histórico de tortura, massacrando o seu próprio povo e financiando o terrorismo internacional. Mas o povo líbio está unido contra as tropas do Kadafi -- mesmo a sua própria tribo e cidade natal se distanciou das suas ações.
A situação da Líbia, e a reação internacional a ela, é complexa, com muitos atores e agendas, assim como o futuro de uma Líbia pós-Kadafi ainda é incerto. Esta complexidade deve guiar o cuidado que temos em nossas ações porém, pelas vidas de dezenas de milhares de líbios, nós não podemos ficar parados. Vamos tomar a melhor decisão que podemos e agir, agora.
Com esperança,
Stephanie, Ricken, Ben, Alice, Benjamin, Rewan e toda a equipe Avaaz
Leia mais:
Forças de Kadafi continuam avançando; aeroporto de Benghazi é bombardeado:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,forcas-de-kadafi-continuam-avancando-aeroporto-de-benghazi-e-bombardeado,692670,0.htm
Resolução sobre zona de exclusão aérea na Líbia chega ao Conselho de Segurança:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1806717
Aviões de Kadafi bombardeiam principal reduto rebelde em Benghazi:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4995259-EI17594,00-Avioes+de+Kadafi+bombardeiam+principal+reduto+rebelde+em+Benghazi.html
ONU não chega a consenso sobre a Líbia:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/03/15/onu-nao-chega-consenso-sobre-libia-924013475.asp
Sarkozy pede que ONU adote zona de exclusão aérea sobre a Líbia:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,sarkozy-pede-que-onu-adote-zona-de-exclusao-aerea-sobre-a-libia,692829,0.htm
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- Joaquim Maria Castanho
- Escribalistas é órgão de comunicação oficial de Joaquim Maria Castanho, mentor do escribalismo português


