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4.12.2006
Lisboa, 11 Abr (Lusa) - "Os Verdes" estão preocupados com os efeitos da co-incineração sobre a saúde pública e querem que o ministro do Ambiente preste esclarecimentos sobre este processo, num debate de urgência agendado para quarta-feira na Assembleia da República.
"O Governo tem de prestar esclarecimentos aos deputados sobre a decisão que tomou", frisou a deputada do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), Heloísa Apolónia , acusando o executivo de colocar "a vertente economicista à frente da saúde e do ambiente".
Em declarações à agência Lusa, Heloísa Apolónia afirmou que as conclusões do estudo encomendado pelo Governo, que apontam para a possibilidade de co-incinerar resíduos industriais perigosos (RIP) nas cimenteiras ou em outras instalações industriais, "não surpreenderam ninguém".
"Antes de ser conhecido o resultado, o primeiro-ministro José Sócrates, já tinha anunciado a intenção de avançar com a co- incineração em Souselas (Coimbra) e no Outão (Arrábida)", frisou.
Para "Os Verdes", existem "dados preocupantes", relacionados com uma avaliação epidemiológica que apontou para a prevalência de determinadas patologias em Souselas e Maceira, que não foram tidos em conta.
"O relatório de actualização do processo de co-incineração [pedido pelo Governo aos membros da extinta Comissão Científica Independente] descura completamente o problema da saúde pública", salientou.
Para Heloísa Apolónia, os problemas em termos de saúde prendem- se com os efeitos cumulativos da libertação de dioxinas durante o processo de queima, mas não se detectam no curto prazo, exigindo, por isso, uma análise rigorosa sobre o seu impacto a médio e longo prazo.
"Há seis anos, quando a CCI abordou os efeitos sobre a saúde pública concluiu que a nível internacional os dados eram insuficientes, logo não devia haver efeitos perversos. Isto não tem qualquer rigor científico", criticou a deputada.
"Os Verdes" temem também que a co-incineração se venha a tornar na "componente principal" do tratamento de RIP, reduzindo o potencial dos CIRVER (Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos).
"Primeiro, o Governo dizia que só 12 por cento dos RIP seriam queimados. Neste momento, o ministro já fala de 10 a 20 por cento e o relatório de actualização dos «amigos cientistas» refere que a percentagem pode ir até aos 30 por cento", explicou Heloísa Apolónia.
Os ecologistas entregaram no passado dia 14 de Março na Assembleia da República um projecto de lei para suspender durante seis meses o processo de testes de co-incineração para avaliar os riscos da queima de resíduos para a saúde pública.
RCR.
Lusa/fim
4.11.2006
4.04.2006
No a la incineración. Si a la reducción y el compostaje
1.-Diversas entidades vascas [1] y del Estado español, iniciamos con diferentes actividades el día 31 de marzo una Campaña conjunta de información y denuncia contra las modificaciones que la Comisión Europea quiere realizar en la política de gestión de los residuos.
Las modificaciones de la Directiva Marco de Residuos de la UE pueden representar un retroceso respecto el marco normativo actual, ya que la revisión contempla aspectos preocupantes como la desaparición de la jerarquía ecológica de gestión de los residuos, la consolidación de la incineración como sistema de "valorización" de los residuos, la coincineración en cementeras, térmicas. También afectará a la revisión de la normativa sobre residuos de envases, una fuerte tendencia hacia la desregularización de la gestión de residuos y hacia una desarmonización entre las políticas de los estados miembros y la falta de objetivos diana de prevención y reciclaje de residuos.
Este retroceso importante en los criterios de la Comisión guarda relación con las presiones de la Industria de la incineración con recuperación energética, a través de su asociación europea CEWEP, para persuadir al Parlamento Europeo para fomentar la incineración ante la recuperación material de los residuos.
2.- Nuestro objetivo es: reivindicar “una normativa europea, estatal y vasca que priorice la prevención de residuos, la defensa del medio ambiente y la salud de las personas”.
3.-Denunciamos la pasividad del Ministerio de Medio Ambiente en la adopción de políticas preventivas para frenar el aumento exponencial de los residuos de envases. Desde la aprobación de la LERE el año 1997 hasta el 2004, los residuos de envases han aumentado el 76% en peso del total de la basura. Es necesario que los productores y distribuidores asuman la responsabilidad en reducir los residuos y su toxicidad. Nunca existen por parte de nuestro gobernantes políticas de MINIMIZACION de los residuos, en otras palabras no quieren evitar la producción de residuos.
4.-La Campaña se inicia con la recogida y la presentación de las primeras adhesiones de entidades ecologistas y cívicas vascas, del estado español y a nivel europeo a la Declaración de Molins de Rei. Esta declaración fue aprobada el 4 de febrero en la Jornada Europea de debate sobre la nueva normativa en materia de residuos de la UE, realizada en el marco de la Feria de la Candelaria de Molins de Rei de este año.
5.-Reivindicamos a las administraciones públicas con competencias en la materia que tengan una postura activa ante este grave peligro de retroceso en las políticas de prevención, de protección ambiental y de la salud de las personas.
6.-Aquí, sectores industriales cercanos a los partidos del poder político, han impulsado una vía única en el tratamiento de todos los residuos : la INCINERACIóN, la cual ha tenido gran aceptación entre nuestras despreocupadas administraciones. Bien sean industriales o urbanos, los residuos encuentran mayormente un camino en nuestro País: la hoguera.
Las administraciones están potenciando una forma preferente de tratamiento de los residuos industriales, especialmente por medio de las cementeras. Obviando cualquier tratamiento alternativo y sin prestar atención a las nefastas consecuencias que la quema de residuos acarrea a la salud y el medio ambiente.
Así, las Diputaciones de Bizkaia y Gipuzkoa, en su labor de “deshacerse” de los residuos urbanos, han relegado el reciclaje (dicen que no pueden más), el compostaje o la minimización.
7.-El principal objetivo es sensibilizar a la población y las entidades cívicas, ejercer el derecho a participar en la toma de decisiones en los temas que afectan al medio ambiente y la salud de las personas, y hacer llegar nuestra opinión a las administraciones competentes, comenzando desde los Ayuntamientos y llegando la Parlamento Europeo, para invertir estas tendencias e implantar políticas reales de prevención de residuos.
3.29.2006
E dizem os cágados aviadores, que as galinhas são estúpidas! …
Estão tão eivados de pedinchismo criancista os políticos da nossa praça, que à mínima acção governamental, diploma ou reforma, desatam a arengar lamentosos e a pedir mama. A Rede Natura está aí, é um óptimo instrumento de trabalho para facilitar a sustentabilidade da ecosfera, a conservação da natureza, a valorização dos solos, ambiente e biodiversidade, o combate à desertificação e estímulo na criação de mais-valias, quer da imagem pública das regiões, quer nos sectores económico, turístico e da inovação tecnológica e empresarial. E que fazem os nossos politiquinhos caseiros? Em vez de aproveitar a questão em favor do futuro e imagem de marca dos seus produtos (agrários, pecuários, recursos naturais), paisagens, património natural e edificado, reforçando a tónica na qualidade disponibilizada, além do seu peculiar e regionalíssimo valor comercial ou modos tradicionais de confecção, incluindo neles a garantia de serem oriundos de zonas sem “contaminação/convívio” de OGM’s – Organismos Geneticamente Motificados --, tentando fazer aprovar no seu município a designação de área protegida livre dessas sementeiras e culturas antinaturais, eis que rezingam e entorpecem o desenvolvimento regional pela diminuição de área anárquica; esbracejam, põem-se de cócoras para Meca, choramingam a sua desgraça mai-la da sua santa terrinha e imploram chucha. Mas lá fazer alguma coisinha, ‘tá quieto!...
Portanto, não é de estranhar que se não preocupem com os 6,8% do défice, nem com as nossas desastrosas classificações no ranking das nações, nomeadamente nos capítulos do desenvolvimento humano, crescimento económico, cumprimento do Protocolo de Quioto, emissão de GEE’s (Gases de Efeito de Estufa), insuficiência energética, corrupção, criminalidade, insucesso escolar, assimetrias sociais e regionais, nível de vida, desemprego e condições de sustentatibilidade da segurança social, entre demais vicissitudes político-gregárias que nos assolam. Principalmente porque foram eles que o implantaram e instituíram como condição crónica de tratamento inviável.
Ou seja, é deveras surpreendente a apetência para reivindicar subsídios até acerca daquilo que beneficia os concelhos cuja Rede Natura mais favorece pela área que por ela têm circunscrita. Se é grande, isso é uma enorme vantagem competitiva para a região, pois pode facilmente promover os seus produtos certificados como biologicamente concebidos, desde que também seja salvaguardada a questão de nas redondezas não existirem culturas geneticamente alteradas e os modos de cultivo estejam conforme as normas avaliativas da biodiversidade e originalidade.
Daí que se ponha a questão: não seria mais razoável, em lugar de nos lamentarmos por ter no nosso concelho elevada área protegida, garantir a imagem típica e característica dos nossos produtos agrícolas, vinícolas, pecuários, lacticínios, hortícolas, oleaginosos, frutícolas e florestais? Não teriam maior fundamento e qualidade, logo melhor aceitação da parte do mercado europeu, os nossos produtos regionais se usufruíssem da autenticidade ecológica que dispomos? Bom… Talvez esteja na altura de deixar de brincar com a terminologia que nos favorece para a usarmos em favor do obscurantismo provinciano. Nunca é tarde para contabilizar pela positiva uma periferia irremediável, indissolúvel e dificilmente suportada.
Durante anos e anos debatemo-nos com a peculiar insularidade interior sem jamais invertermos esta a nosso favor, não obstante todas as verbas subsidiárias que por tal nos contemplaram. Fomos uma zona que diminuiu de densidade populacional, de elevado envelhecimento e com grande número de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza e sem formação adequada às exigências da modernidade. Mas queremos realmente continuar nessa condição ou estamos dispostos a reagir com maturidade às adversidades globais? Eis a questão que melhor podia desafectar-nos do terceiromundismo evidente!...
Neste Como Naquele Tempo...
Todos sabemos que as vacas são sagradas – mas é na Índia. Aqui dão leite, couro, carne e esterco. Ou cornos, se houver quem lhe avezado esteja!
Por conseguinte, não há tarimba ou mister que se deleite investido do sacrossanto estatuto e beneplácito alvarás. A saúde não é uma vaca sagrada. A educação também não. A justiça muito menos. A política igualmente. A religião idem-aspas. Os islamitas podem ter toda a razão do mundo mas nem todo o mundo é obrigado a comungá-la e agir em conformidade com ela. Cada um manda na sua casa (se tiver moral para isso). Os árabes no magrebe. Os dinamarqueses na Dinamarca. E frei Roque na confraria. O colonialismo teve o seu bem-haja – paz à sua memória – nos meandros do século passado, e é lá que deve ficar, enquanto facto histórico e não como anexo de boas práticas para o presente e futuro. Tal e qual como aconteceu com os muradores de Berlim.
Daí que não me reconheça adepto do chinfrim e banzé sobre as caricaturas, quaisquer que sejam ou a quem quer que se reportem. São bonecos e, se em pequeno nunca brinquei com bonecas, também não é agora que vou virar menino de me divertir com soldadinhos de chumbo nem generalíssimas barbies.
Desde as eras pré-bíblicas que os grafitados rupestres são conhecidos pela sua edição nos calcários e granitos das gutemberguianas cavernas. Todas as culturas as fizeram, as fazem e farão, segundo os mais diversos propósitos e anseios. Sonoras, gestuais, plásticas, gravadas, de suporte multimédia ou tablóides. E sob todos os motivos: guerra, paz, Céu, inferno, sexo, personagens, duquesas, presidentes, atletas, magnatas, militares, prostitutas, tipos populares, triunviratos, artistas e fantasmagorias. Mesmo o homem invisível, que foi caricaturado pelo Edgar Allan Poe! E depois? Onde está a desgraça ou a falta de respeito? Querem fazer o quê? Vamos pintar o bico ao melro só porque não gostamos do amarelo? É caricato (pelo ridículo) o fundamentalismo anti-caricatura, como é o escudarmo-nos nos nossos medos para dar razão àqueles a quem acontece aquilo que receamos. É altura de despirmos a pele de lobos ao cordeiro que há em nós. Se achamos que se deve bater a bola baixinho porque o guarda-redes é anão, também não devemos agitar-nos como gigantes assustados!...
Sua Excelência Competentíssima, vingando-se dos apupos que lhe desenharam em alturas próprias e oportunas, saiu a terreiro defendendo o nome e as honras feudais do islamitismo governativo. O corpo ministerial rabiscou sob o punho do seu primeiro bento e pio ámen na lavradura do preceito. Mas nós "auguentámos" firmes e hirtos a apoquentação, revelando quanto de estóico e abnegado é o cimento lusitano no engolir das afrontas à democraticidade universal, preservando um passado que se tornou tradição, e como tal até tarda no morrer. Em nome de quê? Do futuro que aborta diariamente com as pílulas do anteontem medieval? Ou com o flashback das regressões à escolástica d'o pão é qu'ingorda, a porrada é qu'induca?!...
É hora de sacudir a carga. A democracia não é nenhuma mula de antigamente nem se lhe deve dar igual tratamento quando dá desacordo de si: manta pra cima e fricção na cabeçada. Há que pô-la a girar sobre os bites do tempo, e respeitá-la com honestidade e transparência à luz dos valores que a geraram (liberdade, solidariedade e igualdade), porque se eles ainda se não implantaram em definitivo sobre o mundo, é por haver quem considere ser ideal para o governo alheio mas restrita na nossa casa. O resto, é coreografia de encantador de serpentes para lhe evitar a mordidela!
Portanto, agora que já vimos que a maioria dos antídotos são feitos com o próprio veneno, deixemos de debitar os nossos receios na conta-corrente da salvação. A modernidade está aí, e não somos nós que a temos de modificar com o nosso obscurantismo; ela é que veio para no-lo apagar. Como sempre, e era comum in illo tempore!
Confundir para reinar
Metade das arengarias e dissabores (contenciosos) políticos nacionais, acabariam definitivamente, sem precisão dos placebos género pacto de regime, se Portugal, encabeçado pelos órgãos de soberania e restantes instituições civis ou do Estado, cumprisse minimamente as Convenções e Tratados Internacionais que subscreveu, assinou ou ratificou, a Constituição da República e o Direitos do Homem. Ao fim e ao cabo, tornar-se-ia desnecessária a complexa panóplia de decretozinhos estapafúrdios que formam a teia de armar aos tordos onde a maioria cai que nem patos bravos, esse universo de leis e leizinhas inúteis que nem os juizes sabem de cor, que o mesmo é dizer não cumprem, porquanto ninguém consegue operar com uma tabuada que lhe é desmemoriada, quais pataquis-patacolás que embasbacam e embaçam os desafortunados e desprotegidos da cidadania.
Bastava ajoelhar onde a prece nasceu, para desbastar a inutilidade do funcionalismo, o atraso nos critérios de convergência, o incumprimento dos Quiotos, a grandiloquência do défice, a sensaboria da qualidade de vida, a desumanidade do sistema e a estuporice ou mistério do regimento. E o abuso de poder, a injustiça social, a corrupção maiúscula.
Todavia, não se cansa o sapateiro de tocar rabecão! Não obstante termos ao dispor diversos instrumentos cuja operacionalidade está em consonância directa – ou quase! – com esses "Acordos Mundiais", como sem dúvida são a Estratégia de Lisboa, o Plano de Acção para o Crescimento e Emprego, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentado (em revisão!...), as Agendas 21 Locais, as diversas embora que maioritariamente obsoletas Leis de Bases (educação, saúde, ordenamento do território, ambiente, etc., etc.), eis que os nossos políticos locais, distritais e regionais, continuam montados na albarda do estatuto, por reciclar, e desinformados insistem em fazer-se desentendidos quanto à problemática de ser-se português com direito a figurar no mundo (no de hoje como no de amanhã) com a equidade e sem vergonha ou complexos sentimentos de inferioridade que o mapa dos rankings nos obriga actualmente a ter.
Oriundos da pasmacenta e antiquíssima fatia do universo da broa com unto, onde o primado da esperteza saloia assenta na carambola do dr. para abrir portas (são engenheiros no curso mas exercem administração, tiram medicina mas exercem magistratura nas assembleias municipais, são economistas mas dão aulas de humanísticas ou administram complexos educativos, e por aí adiante, carago!...), vêem-se e desejam-se para se adaptarem à premência da actualidade planetária onde a planificação é um preceito de trabalho, e não um handicap corrosivo com que os municípios têm de aprender a viver, qual moléstia de contornar e só cumprir se a isso obrigado se for com cenoura e pau.
Desconhecem como agir, que conteúdos observar, que estratégias adoptar, mas, à semelhança da criança que diz que não gosta da sopa sem que nunca a tenha provado, resistem e cospem a mudança – de conceitos, de atitude, de instrumentos de trabalho, de modos de produção, de visão económica, de conjuntura, de motivações, de sociedade e postulados sócio-culturais –, e entrincheirando-se no ontem fogem do hoje como o diabo da cruz.
E contrariam teimosamente as indicações da sociedade do conhecimento, que continua a observar o primado da qualidade sobre o da quantidade, e obriga a resolver as necessidades da cidadania com coerência e sensatez em vez de com sistemática avaliação estatística. Talvez insistindo em edificar um mundo onde até os seus próprios filhos rejeitam viver... como, aliás, têm feito neste jardinzito, onde ainda se continua a confundir pluralismo com corporativismo e democracia com o quero-posso-e-mando dos idos tempos salazaristas!
3.24.2006
Santarém, 23 Mar (Lusa) - O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) critic ou hoje a falta de uma Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos (CIRVER) no norte do país, lamentando que apenas a Chamus ca receba os dois equipamentos autorizados pela tutela.
"Faria todo o sentido a instalação de um CIRVER na zona norte do país m as o Governo não se empenhou em encontrar um parceiro autárquico", considerou o deputado Francisco Madeira Lopes no final de uma visita ao concelho da Chamusca.
Com a concentração dos dois CIRVER's na Chamusca serão necessários "lon gos transportes de resíduos perigosos por todo o país" para os levar a este conc elho ribatejano, considerou Madeira Lopes.
O deputado acusou também o Governo de "desvalorizar com o seu discurso" estes equipamentos, considerando-os "um elemento secundário" da solução dos res íduos perigosos em Portugal.
"É uma visão muito errada a opção do Governo de colocar a co-incineraçã o no centro da solução dos resíduos industriais perigosos", afirmou Madeira Lope s, que classifica os CIRVER's como "uma medida essencial" para este problema.
Os CIRVER's serão responsáveis pelo tratamento dos resíduos perigosos e m Portugal, criando sistemas de triagem, reciclagem (no caso dos óleos) e de ine rtização para depósito em aterro.
"Só aqueles que não puderem ser tratados ou valorizados é que seguirão para a co-incineração", afirmou Madeira Lopes, considerando que esta "desvaloriz ação dos CIRVER's" por parte do Governo levou também a uma falta de empenho das autarquias em acolhê-los, com excepção da Chamusca.
"Não foi honesto da parte do Governo a decisão de se demitir da respons abilidade" de escolher a localização destes equipamentos, ficando pendente apena s da vontade das autarquias.
"Grande parte dos resíduos perigosos são produzidos no norte e no litor al" e "era necessário existir um CIRVER mais perto" dessas áreas de modo a evita r o seu transporte pelas estradas portuguesas.
Apesar disso, Madeira Lopes elogiou a acção da Câmara da Chamusca neste processo, promovendo consultas à população sobre a instalação destes equipament os de modo a garantir a adesão dos munícipes.
Sérgio Carrinho, presidente da Câmara da Chamusca (CDU), manifestou a a bertura do município em receber outros partidos políticos para avaliar os trabal hos no terreno, já que os dois CIRVER's estão em fase de consulta pública.
"São importantes estas visitas porque no papel as coisas são uma coisa mas no terreno são outras", afirmou.
Os dois CIRVER's deverão instalar-se na zona industrial do Relvão, deno minada de "Parque Eco" e, para sensibilizar a população, a autarquia agendou reu niões na Chamusca, Carregueira e Arripiado, tendo já iniciado a distribuição de folhetos a todos os munícipes.
Em paralelo, está a decorrer a ampliação do aterro de Resíduos Industri ais Banais (RIB) e já foi aprovada a ligação à Rede Eléctrica Nacional da electr icidade produzida a partir da central de biogás do aterro de Resíduos Sólidos Ur banos (RSU).
Para a zona industrial, a Câmara adquiriu cerca de 25 hectares perto de stes aterros e dos CIRVER que irão constituir uma nova zona de acolhimento empre sarial para empresas de reciclagem.
A aposta na reciclagem como sector económico irá permitir a sustentabil idade financeira do município, que se debate com a falta de receitas próprias e com uma área muito grande para gerir.
PJA.
Lusa/Fim
O Grupo Parlamentar “Os Verdes” considera extremamente positiva a sua deslocação hoje à Chamusca, para debater com diversas entidades a gestão de resíduos perigosos, banais e urbanos.
Desta visita, ficou claro que a aposta no tratamento de resíduos que dê prioridade à sua reciclagem e regeneração, tanto para os resíduos industriais perigosos (RIP) como para os resíduos industriais banais (RIB’s) e para os urbanos, é o caminho ambientalmente correcto que deve ser seguido.
“Os Verdes” estão convictos que a implementação dos CIRVER será um passo importantíssimo para acabar com a proliferação de resíduos perigosos pelo país, causando danos para o ambiente e para a saúde pública, e ainda um contributo fundamental para o reaproveitamento de matérias primas através da valorização dos resíduos perigosos.
“Os Verdes” lamentam que esta solução seja agora secundarizada pela obsessão do Governo pela co-incineração, governo que no entanto, quando tem que prestar contas a Bruxelas, apresenta os CIRVER como uma peça fundamental das estratégias para o desenvolvimento sustentável, no quadro das medidas tomadas no plano de acção da Estratégia de Lisboa.
“Os Verdes” esperam que a implementação concreta dos CIRVER decorra da forma mais célere possível e que o Governo tome as medidas necessárias ao bom funcionamento destes Centros, construindo os troços restantes da IC3 e fazendo uma intervenção de fundo na ponte rodo-ferroviária da Chamusca.
“Os Verdes” tiveram também a oportunidade de visitar o aterro para RIB’s e a única estação de triagem existente no distrito de Santarém e puderam confirmar quanto a triagem de resíduos e o seu encaminhamento para reciclagem é um contributo importante para uma boa gestão dos aterros de resíduos sólidos urbanos, para a sua durabilidade e para uma economia e poupança em termos energéticos, de matérias-primas e de água.
“Os Verdes” consideraram ainda que a aposta levada a cabo pela Câmara Municipal da Chamusca no Parque Eco, onde se estão a instalar um conjunto de infra-estruturas para tratamento de resíduos de todo o tipo, pode ser, sem dúvida, um contributo fundamental para atrair empresas para o Concelho, invertendo desta forma a desertificação que este tem vindo a sofrer.
O Gabinete de Imprensa
23 de Março de 2006
3.22.2006
Lisboa, 21 Mar (Lusa) - A dirigente do Partido Ecologista "Os Verdes" M anuela Cunha manifestou-se hoje apreensiva com a "abertura" que o primeiro-minis tro, José Sócrates, demonstrou para equacionar a médio prazo a introdução da ene rgia nuclear em Portugal.
Falando no final da audiência com o primeiro-ministro, em São Bento, so bre a próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, quinta e sexta-feira em Bruxelas, Manuela Cunha referiu que José Sócrates, durante a c onversa, lhe referiu que estava "a acompanhar o assunto da energia nuclear, que não era agora tão perigosa como há uns anos atrás".
"O primeiro-ministro mostrou abertura em relação a argumentos que não t êm razão de ser, dizendo que na central nuclear que está em construção na Finlân dia já estão interiorizado os custos de segurança. Mas o primeiro-ministro falou apenas nos custos de segurança e não nos outros", declarou.
Segundo Manuela Cunha, o Governo "continua a dizer que a questão da int rodução de uma central nuclear em Portugal não está na sua agenda".
"Mas, pela pressão que está a ser exercida neste domínio pela União Eur opeia e em Portugal, esperamos que o Governo não altere a sua agenda", acrescent ou.
"O nuclear não apresenta hoje maiores garantias de segurança do que há uns anos atrás. Tal como no passado, apenas se faz armazenamento de resíduos nuc lear e não tratamento", frisou a dirigente ecologista.
Manuela Cunha afirmou ter "poucas expectativas" sobre os resultados da próxima cimeira de Bruxelas e lamentou que os Estados-membros se preparem para f azer "investimentos reduzidos" para superar a dependência da União Europeia em r elação ao petróleo, designadamente em matéria de transportes.
PMF.
Lusa/Fim
2.23.2006
MAIS UMA VEZ, INTERESSES ECONÓMICOS ACIMA DA SAÚDE PÚBLICA
Depois das vacas loucas, dos frangos com dioxinas e dos metais pesados nos peixes, a ONU vem agora relacionar a gripe das aves com causas ecológicas, nomeadamente no que diz respeito a práticas pouco sustentadas de agricultura e à redução de habitats.
Para “Os Verdes”, as causas ecológicas agora apontadas pela ONU estão intimamente ligadas às questões de segurança alimentar e de produção alimentar, cada vez mais industrializadas e à base de químicos. Também as práticas agressivas de ordenamento de território têm vindo, ao longo dos tempos, a destruir habitats naturais.
“Os Verdes” alertam para o facto de as técnicas de produção alimentar actualmente utilizadas, violarem as leis da natureza e terem por base, única e exclusivamente, os interesses económicos que mais uma vez se sobrepõem a tudo e a todos e, neste caso, à segurança alimentar e à saúde pública.
O Gabinete de Imprensa
23 de Fevereiro de 2006
2.14.2006
1. Beijo de Ano Novo
Será magia? Será loucura?
Não; é apenas o cometa da ternura.
2. Moralismo
Se tiveste a coragem de me atirar
Para os braços das miseráveis prostitutas
Das mulheres ignorantes e maltrapilhas,
Então porque me vens agora acusar
De apenas com o resto das outras
Eu operar maravilhas?!....
3.
Nisto de ser artista
Sofrer não é cantiga…
É ter amor por uma amiga;
E é ver que ela tem
Tanto de linda quanto de arisca
E (en)cante como mais ninguém!
4.
Se o silêncio gera indiferença
E a indiferença silêncio gera,
Então porque dás a preferência
A quem em vez de dizer…, espera!
5. AVENIDA
O Tarro é um jardim
No meio da Liberdade,
Tal como o sonho é em mim
Se na tarde és verdade…
O Tarro é um jardim
Com flores de Deus-Te-Guarde!
2.08.2006
VALEU A PENA
Na Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, foi aprovado na especialidade, por unanimidade, o projecto que cria regras de segurança no transporte colectivo de crianças.
Assim, este projecto será finalmente aprovado, em votação final global, no plenário da Assembleia da República, na próxima 5ª feira.
“Os Verdes” estão profundamente satisfeitos com a conclusão deste processo legislativo, processo em que “Os Verdes” se empenham há vários anos, que os ecologistas trouxeram, como novidade de iniciativas legislativas, ao Parlamento, há duas legislaturas atrás.
Foi um processo que se arrastou muito – a primeira vez que “Os Verdes” apresentaram o seu Projecto de Lei, ele foi rejeitado. Da segunda vez foi aprovado, mas o processo legislativo foi interrompido com a dissolução do Parlamento. Foi por isso que nesta legislatura os ecologistas retomaram de imediato a sua iniciativa legislativa, e logo nas primeiras conferências de líderes “Os Verdes” solicitaram ao Sr. Presidente da Assembleia da República o agendamento do seu Projecto de Lei para que rapidamente se retomasse o processo legislativo e para que fosse rapidamente concluído.
“Os Verdes” saúdam a unanimidade a que se chegou entre todos os grupos parlamentares e saúdam que a elaboração do texto final tenha contado com os contributos das inúmeras entidades e associações que foram ouvidas.
Este diploma legal que, relembramos, será sujeito a votação final global (última votação) na 5ª feira, 9 de Fevereiro, vem colmatar uma lacuna no quadro legislativo português sobre as regras de segurança no transporte colectivo de crianças e vem inclusivamente corrigir “disparates” legislativos que estavam consagrados na legislação dispersa e muito insuficiente que actualmente existe sobre o transporte escolar.
O Gabinete de Imprensa
7 de Fevereiro de 2006
2.02.2006
O Partido Ecologista “Os Verdes” entende que, a confirmar-se a veracidade da notícia adiantada pela Visão, da existência de um gabinete de informações, ou uma “secreta paralela” à margem da lei, designadamente da Lei-Quadro do Sistema de Informações da República Portuguesa, tal constituiria um facto gravíssimo para a Democracia Portuguesa, pelo perigo e ofensa potencial que representaria a elementares Direitos Liberdades e Garantias com dignidade constitucional.
O facto de, mais de um ano depois da referida Lei-Quadro ter sido aprovada na Assembleia da República, não se encontrar a mesma ainda regulamentada, desconhecendo-se ainda a forma como na prática estão a funcionar e está a ser operacionalizada a relação entre os diferentes serviços de informações (SIS, SIED e DIMIL) entre si e com o Secretário-Geral do SIRP, bem como desconhecendo-se quais as intenções do actual Governo PS relativamente à actual lei e sua futura regulamentação, contribui decisivamente para a criação de uma nebulosa e de um clima de falta de transparência propício a gerar suspeitas e desconfianças como as que foram agora levantadas pela Visão.
O facto da notícia envolver directa e pessoalmente o Sr. Primeiro-Ministro, justifica que, independentemente de outras entidades ou membros do Governo que já se tenham ou ainda se venham a pronunciar sobre esta questão, desmentindo-a mais ou menos cabalmente, seja o próprio José Sócrates a dar explicações directamente aos portugueses nas próximas horas ou à Assembleia da República nos próximos dias para total esclarecimento desta questão.
O Gabinete de Imprensa
2 de Fevereiro de 2006
1.31.2006
1.25.2006
1.
(Des)Ajuda, 02 de Janeiro de 2006
Para ti escrevinho,
Fernando
Eterno poeta,
Meu eterno amado.
Da boca me tiraste o inefável
As palavras indizíveis
Que o vento nunca levou
Quando eu partir
Encontrar-te-ei,
Meu amor
E juntos
Vamos conhecer As Cidades Invisíveis do Calvino
Meu eterno amante
Mostra-me o que há para lá do lá mais adiante
Ensina-me a defraudar a divina comédia
De Dante
Ama-me
Ou será que nunca esquecerás a Ofélia
Para ti escrevinho,
Fernando
Bebe comigo um pouco de vinho
Para esquecer
Permanentemente tua
Philipa Brasão Antunes
2.
No amor por ti
Há um atalho
Pelo qual me encaminho
À tua procura
No lado esquerdo da noite
Não te encontro aqui
Onde enclausurado está o meu corpo
A minha mente é livre, porém,
De imaginar a nossa próxima noite juntos,
Meu amor
Serei a tua sereia
E ao luar
Amar-te-ei sobre a areia
E de mãos dadas
Iremos para o mar
Celebrar a lua cheia.
3.
O meu lugar ao sol
É debaixo do lençol,
Nas trevas do pesar.
E se a minha alma me pesar,
Sei como a tornar mais leve:
Fazendo com que a morte a leve
Para bem longe desta merda
Não seria muito grande, a perda
Pois aqui, não há mais lugar para mim
A vida não faz sentido assim
Quero agora o meu fim
Já esteve menos perto
É cada vez mais certo.
Philipa
1.24.2006
Sobre os resultados das eleições presidenciais que ontem decorreram, a Comissão Executiva do Partido Ecologista “Os Verdes”, hoje reunida em Lisboa, tece as seguintes considerações:
1. Cavaco Silva foi eleito Presidente da República Portuguesa à primeira volta por umas décimas - uma margem muito menor do que as sondagens previam durante a campanha eleitoral.
2. Cavaco Silva deixou muito por dizer e por esclarecer durante a campanha eleitoral - não se pronunciou sobre um conjunto de questões importantes (como por exemplo se teria também dissolvido o parlamento como Jorge Sampaio fez) tendo adoptado o silêncio como estratégia para não revelar a sua atitude perante situações com as quais um Presidente da República se pode confrontar, o que pode ter acabado por o beneficiar.
3. Cavaco Silva irá fazer um juramento sobre a Constituição da República Portuguesa, comprometendo-se a cumpri-la e a fazê-la cumprir – é esse o sentido que o povo deve dar à exigência de acção de um Presidente da República e não um esquecimento de alguns capítulos da Constituição, por forma a favorecer o quadro de políticas profundamente ameaçadoras do bem estar dos cidadãos que os sucessivos Governos têm prosseguido.
4. “Os Verdes” sublinham que esta é a 2ª derrota do Partido Socialista depois da maioria absoluta que obteve em Fevereiro do ano passado, o que não pode ser desligado da má prestação que o PS tem tido enquanto Governo, defraudando os seus compromissos eleitorais e tomando medidas que em muito têm penalizado os portugueses. Isto, aliado à divisão no seio do PS provocada pela apresentação de dois candidatos (um oficial e outro não oficial) lançou o descrédito e deu conta do descontentamento e da fragilização que vai pelo seio do PS. O facto do próprio partido não se ter empenhado a sério na campanha contra o candidato da direita, acabou também por beneficiar Cavaco.
5. “Os Verdes” registam com satisfação a expressiva votação que teve o candidato que apoiámos nestas eleições presidenciais (Jerónimo de Sousa), contrariando também todas as sondagens, o qual teve uma prestação muito esclarecedora durante toda a campanha eleitoral, promovendo o enriquecimento do debate democrático.
6. “Os Verdes” sublinham que a eleição de Cavaco Silva para Presidente da República vem servir plenamente os interesses que o PS tem demonstrado no Governo. Nesse sentido o empenho de todos os portugueses no combate às medidas de austeridade que certamente se irão agravar, é fundamental. “Os Verdes” continuarão a ser uma oposição construtiva, defensores da democracia e do respeito pelos direitos dos cidadãos.
A Comissão Executiva do
Partido Ecologista “Os Verdes”
Lisboa, 23 de Janeiro de 2006
1.16.2006
Joga com o Destino
E ganha-lhe uns mil reis
Manipuladora, maquiavélica.
Descobriu-se mais mulher
Mulher que se vinga
Quando lhe recusam o prazer
Que é anjo e demónio
Porque é selvagem
Sabe-se animal.
Sente-se vingada
Agredio-o
Com ódio e tesão á mistura.
Só porque lhe negou prazer
Obteve-o então, a espancar o outro
Numa tentativa de a humilhar, disse-lhe:
“Esmurraste-me como um homem!”
Um balão que rebenta
Marcou-a com dois riscos de sangue
Um em cada maçã do rosto angélico
Como o fazem em tribos indias.
Ela, ria,gargalhas de bruxa-má
Esporrando-se de alegria.
Quando lhe destruíu aquilo que tomava por vida
Casa de paredes falsas.
Ela soprou,
E o pó voou.
Só ficou a Flor de Lótus.
“Vives, sabéis, numa cova de paredes de lustro”
Aconselhava, condoída em piedade,
A fazer tudo aquilo que lhe provocou.
Desespero, o salto ao precípicio,
Para o arranque de uma vida feliz.
“Salvei-te, cego macho alfa,
E tu nem percebes.”
Um dia, se tiver sorte,
Abrirá os olhos
E colocará Evelda no seu pedestal!
Castrado e desacrediado,
Jura vingança de morte á mulher-vida!
Mas por agora, chora e embriaga-se
P’ra esquecer aquilo que nem dá conta que não é.
Houve o prenúncio, a Queda da Andorinha!
“Sempre soube que iria ser assim:
Quem me amar estará perdido”
Á quem diga que Evelda
Estava apaixonada por ele;
Mas a única coisa que desejava,
Tinha forma fálica.
“Não dominas interstícios
Viste um anjo e nem adoras.
Não te amo, não.”
Espiral fugidia
Sou pura flor da pele,
Mataram o Ozono!
Os meus semelhantes
Despoletam-me emoções puras
Sabem na ponta da lingua a minha anatomia emocional.
Levam-me ao abismo de ser
Sem a cerca p’ró gado que cobra a liberdade.
Cerca de hipocrisia
Tijolos e mais tijolos de medo tacanho
Colados com patê de rostos desfigurados p’lo terror
Tatuam-lhes códigos de barra na pele
E baptizam-os de cidadãos
E sou eu a sarcástica, eu a louca?
Loucos são aqueles
Que se embrulham com tecidos da moda;
Marionetas de um Deus que castiga
Ou movidos por o vento do Ateísmo
Pensam que pensam, sem pensar.
Nas cabeças, rodas e molas mecânicas,
Gasolinadas pelo Consumismo.
P´lo Ter, borrando-se em Ser.
Agitam-se revoluções na janela
De grades ferrugíneas e empoeiradas
E as pessoas sentadas
comem e digerem
As massas de nutrientes.
Olham, de olhos esbugalhados
Mortos que comem mortos.
Mais um copo de tinto
E tudo foi esquecido.
Não é assim Portugal?
O máximo de sensibilidade está no borracho,
Que, mal de amores,
canta bêbado num Karaoke
esquecido num beco infectado de mijo vagabundo,
de homens e gatos,
que canta o “Já fui ao Brasil”
e chora de vergonha.
Chora porque quase vislumbra
O atolado de podridão onde sobrevivemos.
Carmen
1.12.2006
INTERESSES ECONÓMICOS AGRO-ALIMENTARES E RETIRA LIBERDADE DE OPÇÃO
“Os Verdes” lamentam que o PS tenha, hoje, chumbado todas as propostas de alteração que o Grupo Parlamentar ecologista fez ao decreto-lei do Governo que regula o cultivo de variedades geneticamente modificadas (DL nº 160/2005).
O PS no parlamento, obediente cego aos ditames do Governo, não aceitou qualquer das propostas de “Os Verdes” que visavam assegurar a não contaminação das culturas convencionais e biológicas pelas culturas de transgénicos.
Esta atitude é bem demonstrativa de que o objectivo do PS não é garantir a verdadeira liberdade de opção de agricultores e consumidores, mas sim garantir a proliferação de variedades geneticamente modificadas, zelando, assim, pelos interesses económicos das multinacionais do sector agro-alimentar.
Salientamos algumas das propostas dos Verdes:
Culturas de variedades geneticamente modificadas sujeitas a autorização da Direcção Geral de Protecção de Culturas e não a mera notificação dos interessados.
Acções de formação para agricultores, não como mero pro forma, mas como pressuposto para adquirir e cultivar sementes transgénicas, assegurando a continuidade dessas acções de formação.
Controlo e inspecção pelas Direcções Regionais de Agricultura alargadas a todas as culturas com o objectivo de garantir a não contaminação.
Zonas livres de OGM automáticas em áreas classificadas e objecto de voluntária associação dos agricultores. Nas zonas livres não automáticas o pedido de declaração suspende qualquer pedido de cultura transgénica.
Fundo de compensação destinado a suportar danos de contaminação, bem como para suportar aumento de custos fixos de produção para os agricultores convencionais e biológicas, decorrentes de implementação de medidas minimizadoras, de certificação e de monitorização das produções agrícolas.
Aumento das distâncias mínimas entre culturas para evitar contaminação e assegurar cumulação com outras barreiras de protecção.
12.22.2005
Lisboa, 22 Dez (Lusa) - "Os Verdes" deram hoje nota negativa a actuação do Governo em matéria de políticas ambientais, num ano "gravoso" marcado pela seca, fogos florestais e, recentemente, pela poluição provocada por um navio que encalhou nos Açores.
Numa conferência de imprensa, a deputada do Partido Ecologista "Os Verdes" Heloísa Apolónia chamou à atenção para os fenómenos extremos que se verificaram este ano em Portugal, notando que são uma consequência já visível das alterações climáticas a que o Governo não tem dado o devido valor.
Heloísa Apolónia salientou o "conformismo" face à adopção de medidas internas que permitam reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, em especial nos sectores da energia e dos transportes, e acusou o Governo de estar mais preocupado com a compra de créditos de emissão, um dos mecanismos previstos para o cumprimento do Protocolo de Quioto.
Quanto à possibilidade de introduzir portagens para entrar nas grandes cidades, avançada quarta-feira pelo secretário de Estado do Ambiente, considerou que não inibe a entrada de veículos e não passa de uma "medida de fachada".
Heloísa Apolónia declarou que as expectativas criadas pela mudança de Governo, tendo em conta a passagem anterior do primeiro- ministro pela pasta do Ambiente e a experiência técnica e profissional da equipa ministerial que foi constituída, foram frustradas.
"O ambiente foi assumido como parente pobre da política governamental", afirmou a deputada, acrescentando que houve um desinvestimento de 13 por cento no Orçamento de Estado.
A maior "desilusão" revelou-se na conservação da natureza, continuou.
O desinvestimento no Instituto de Conservação da Natureza (ICN), que não lhe permite "valorizar as áreas protegidas", e o adiamento do Plano Sectorial da Rede Natura e da Lei-Quadro para a Conservação da Natureza foram alguns dos exemplos que apontou.
Por outro lado, "o Governo só intervém na área do ambiente em tudo o que for negócio para o sector privado", criticou a deputada de "Os Verdes".
Para sustentar esta posição, Heloísa Apolónia indicou casos como o "espírito empresarial" e a parceria com privados que se pretende desenvolver no ICN, a Lei-Quadro da Água que abriu caminho à "mercantilização de um bem essencial à vida" e a co-incineração de resíduos perigosos, que considerou não passar de "um negócio para as cimenteiras".
"Os Verdes" anunciaram ainda que vão propor em Janeiro a criação de um grupo de trabalho para avaliar toda a legislação, programas, planos e estratégias existentes na área do ambiente para avaliar o que está a ser cumprido e o que nunca passou do papel.
"O problema não é haver falta de legislação, é haver falta de vontade política em assumir o ambiente como um factor de desenvolvimento e crescimento económico", considerou Heloísa Apolónia, RCR.
Lusa/fim
12.05.2005
PS CHUMBOU TODAS AS PROPOSTAS DE “OS VERDES”
“Os Verdes” consideram lamentável que o PS tenha rejeitado todas as propostas de alteração ao PIDDAC 2006 que “Os Verdes” apresentaram.
“Os Verdes” relembram que a apresentação formal das suas propostas foi feita exactamente nos mesmos termos das que tinha apresentado no PIDDAC 2005, isto é, nenhuma das propostas implicava aumento de receita, e nesse sentido não tinha qualquer implicação no valor do défice, quando não apresentámos propostas de reforço de verbas, mas apenas de desagregação de verbas de bolos globais não identificados com projectos específicos, atribuindo-lhes um projecto concreto – no fundo as nossas propostas destinavam-se a especificar projectos concretos e respectiva verba dentro de sacos globais.
Para o distrito de Portalegre, “Os Verdes” apresentaram as seguintes propostas, todas rejeitadas pelo PS:
Construção de um Centro de Hemodiálise em Portalegre
Construção do Centro de Saúde dos Assentos (Portalegre)
Construção do Centro de Educação e Interpretação Ambiental, adaptando as instalações da Escola da Queijaria
Requalificação da ETAR da Ribeira de Nisa
Construção do Centro Cultural de Fortios (Portalegre)
Conclusão do projecto da APPACDM/Moita (Portalegre)
Construção do Parque de Santo António (Portalegre)
11.04.2005
PERGUNTA
É inalcançável, pequenina, diminuta, como as estrelas das madrugadas de Junho
E tem os cabelos a pingar cachos orvalhados das manhãs de São João
O olhar inquieto e inseguro e fugaz de quem andou perdida na esperança
E a ousadia subtil, a leveza espontânea que acompanha a inocência descuidada.
Queria poder pronunciá-la como se faz às sílabas frágeis e silvestres
Descer pelos seus dedos à procura do horizonte na planura da liberdade
Da sofreguidão de infinito com que nos limitamos a impenetráveis solidões,
Instantâneos, flashs de luz imediata à sombra dos tempos configurativos
Perenes de eternidade condensada quase à flor dos sonhos contraídos
Nos deuses ancestrais que nos emprestaram o amor tornando-nos seus iguais.
Porque é esse mistério das florestas impossíveis que nos arrebata e sustém,
Acicata mas elucida, nos dita que morrer é um falso temor quando se esteve aqui
Aqui, tão perto de nossos corpos insaciados, inventores da impertinência contagiosa
Capazes de cruzar todos os Bojadores, escarnecer de todos os gigantes
Proferir o desconhecido como se fosse um acessório de toilette no desfile dos dias
Qualquer coisa de supérfluo mas sustentável, pouco incomodativo, a escorregar
Para as lagoas da insignificância sempre distraídas no ocaso das searas
A ondular sobre a brisa dos montes e pradarias nas tardes de amenos Maios.
Não digas nada que os teus sustenidos de pronunciar não permitam repetir
A deliciarmo-nos no replay das metáforas selvagens, cabritos irrequietos
A saltitar de boca em boca como beijos que nelas se colam e se deleitam
E soletram despidas de rodeios ou doutras falsidades menos vergonhosas.
Se sois vida, porque te escondes nos silêncios que não abraçam? Diz. Vá, diz.
DEVERAS
Acorda, deixa esvoaçar os cabelos, desce do tropel de silêncios
A que te entregas na longa noite saturada de medos e fantasias.
Não permitas que as vozes da ignorância, as tuas companheiras,
As tuas colegas de escola e residência, te soturnem os quotidianos
Nem se anexem ao teu anseio de futuro e liberdade como uma cochonilha
Que risca e enferruja, asfixia e mata a alegria da planície verdejante.
Selvagem. Salpicada de papoilas, quais bandeiras perenes de insurreição.
Aparece na janela, diz o olhar das madrugadas, soletra a fidelidade de um sorriso
Com teus lábios de princesa africana, teus braços de erguer a aurora.
Assim. Assim. Como quando nos esperamos ao canto da página inocente
A escorrer infinitos das letras rebeldes e perigosas dum orgasmo incandescente
Da manhã, redonda e macia, como teus seios de laranja suculenta e gulosa.
És farinha duma espiga por inventar, pó branco da alma sem cor
Sêmola do meu outeiro a esgueirar-se de esquina em esquina, flor em flor.
Trazes a alvorada do desejo a romper-te do ventre e o grito das azinheiras
Caladas a soltar-se nas colinas do horizonte a quem o sol da tarde pede perdão.
Mas se por acaso ouvires o meu choro de erva daninha não o interrompas nem acalentes
É que ando preocupado com o destino que os homens estão a dar às palavras simples
Como Terra, Rio, Prado, Mar, Rua, Floresta, Animal, Atmosfera, Oceano, e Liberdade.
SEXTA-FEIRA
Quando se parte somos distância que se concretiza em nós como se fosse órgão vital
Vísceras, úlcera, soro, sangue ácido a corroer-nos por dentro forjando esquecimento
Quase incandescente a soletrar-nos solidão, ponto agreste e difuso na planura do ser
Mancha de fogo na planície que abarca horizontes desencontrados, sonhos daninhos
Na monda dos riscos e das formas, intempéries de medo que assolam a seara submissa.
Não me ponhas nos gestos sentimentos que não tive nem nas noites pessoas que não houveram
Quando no silêncio das madrugadas perscruto as ansiedades de outros silêncios fugitivos
Quais felinos domésticos caçando soturnidade e mistério pela calada dos tempos pueris.
Permite apenas que perdure o suficiente para não querer morrer sem choro e voz e canto
No vegetal suspiro de ficar alerta, a palavra à flor da pele, os olhos inquietos
De pardal assustadiço espiado bebendo a água das fontes dos caçadores furtivos e implacáveis.
Tenho na boca a salinidade das ervas de uma açorda que não quis, o aroma dos poejos
Bravos, o judaico amargor no alho duma esperança amassada em alquímico almofariz.
Sou aquele que não pretende, mas pretérito conjugado por mais uma dúvida a amadurecer
Sob a brusquidão de todas as imagens apagadas, de todas as fotografias perdidas.
Cada vez que partes é de mim que te escondes, outra rocha sob a espuma das marés quotidianas
Vaivém ensurdecedor, casquinado, ósseo, terrífico, por todos os fantasmas que não foram
O sentimento de busca no abraço do vento envolvendo teu colo de planície dourada musical
Ondulante, adolescente dançarina, entregando seu ventre ao orvalho das madrugadas de Junho
Num grito de acordar universos, porque se nos mantivermos vigilantes, Deus não adormece...
SAUDADE
Creio que ainda és todas as palavras por proferir,
Metáforas selvagens esquecidas no ocaso da bruma.
As imagens murmuradas de salivar a noite consentida.
Os poemas perdidos nos teus cabelos de searas a serpentear.
Os gestos soltos decididos de quem sabe o que é querer.
As colinas dos seios a eclodir maduras na planície do peito.
O sorriso de espiga silvestre a baloiçar primaveras.
Os dedos imperiosos de medir infinitos na sofreguidão dos corpos.
As colunas das pernas sustentando o átrio do templo da vida
Em que ajoelhado me deponho num beijo de sonho e semente
E me ergo na rebentação de todos os desejos por dizer.
Se partes sempre como outra onda esquecendo a espuma
Dos dias em que olhos nos olhos nos dissemos de frente,
Sob o vaivém semanal das andorinhas que se tornam gente,
Sombras negras de cantar o romance em qualquer tuna.
E para trás fico eu a procurar-te na distância cruel.
A pedir a Deus que abrevie esta elipse de marcar a quente
Que faz de cada hora uma obreira abelha diligente
A encher os cálices minutos de meu ser em favo de fel...
A gritar protestos mudos e parados no desespero da colmeia;
O meu quarto feito inferno que só tua ausência incendeia.
O DIA PROIBIDO
Em cada vez que partes fico assim, de coração à solta
Qual potro bravo a quem tentaram selar o alado dorso
Domar o ânimo, pear o galope, torná-lo sociável e compreensivo.
Tu és silêncio, mas sou eu quem fica desértico de mim...
Ser princesa também não deverá ser nada fácil, se reconheço
Me ensinaste todos os truques da feitiçaria das formas ausentes
Obrigando-me a desenhar-te na tela celestial do azul supremo
Sempre que queria ter-te apenas minha, serena e gloriosa e livre.
Se deste conteúdo a todas as músicas anteriormente por ouvir
Que eram sons e nada mais que sons a pairar na bruma escorial
No cinzento apagado dos silêncios que não escutam, toscos ruídos
Que não sabem o que é a imensidão do cosmos nem o seu pulsar febril
A vibrar dentro das veias, a querer explodir ao ritmo de nós mesmos
De todos os seres, de todas as leis, de todas as luzes e transparências
De todas as palavras inocentes que o tempo ciosamente guardou secretas
Poliu, amadureceu, eternizou, unicamente para que eu te pudesse inventar!...
Se és ar, e eu respiro... E ousadia, e esperança, e planície fecunda
E eu me quedo, e destroçado sucumbo, ao ver-te partir... indiferente...
Então, rebelo-me. Vou buscar o inexorável resquício de forças ao infinito
Ao mais recôndito da exígua ancestralidade, e divinamente vingativo
Determino: Que as sextas-feiras sejam os únicos dias que não têm perdão!!
PORQUÊ DE VÉNUS
Pensar que se pensa doutra maneira!
Que o olhar a distância torna perto
O que o longe separa a vida inteira.
Iludir-se a gente em ser sábio e esperto
Ao querer espreitar a vida doutra seteira...
Perder por segundos a aridez de deserto
A ela dada pela morte derradeira.
Sonhar, ou saber-se dormindo e desperto
Estar, se quando os medos vão partindo
É sempre um regressar à vez primeira
Num gesto de flor... suas pétalas abrindo.
Mas ser igualmente o escravo da fileira
De DNA, como o foram sempre, sempre
Os bichos da terra. Filhos de seu ventre!!
RECUSO
Recuso pensar-te na madrugada, e ao frio.
Recuso imaginar-te doente, sofrida ou sem tesão.
Recuso abandonar-te no silêncio mudo e ímpio
Quando a chuva selvagem fustiga o saguão.
Recuso a família ardilosa que me diz mal de ti.
Recuso o perfume das rosas nos dias em que te não vi.
Mas recuso. E recuso. E voltarei a recusar, enfim
Sempre que algo me distorça ou te afaste de mim.
Recuso a morte, a saudade, a dor, a ansiedade e o medo.
Recuso a voz que se esconde por detrás daquela máquina cruel;
Recuso a pobreza; recuso a fome, o exílio e o degredo,
Assim como recuso a mentira, a intolerância, o ser-te infiel.
Recuso a cidade, a glória, a fama e tudo quanto encerra em si.
Recuso a riqueza, o poder, a sabedoria. Tudo recuso: só te não recuso a ti!
AGUARELA
Tu, que buscas pela janela
A esperança dum horizonte
Lá fora
Há em ti tudo isso que estudas
E esperas quando olhas por ela
Lá fora
Há em ti o ser-se cativante
Como há o ser-se pequena vela
Lá fora
Em nau de oceano te desnudas
Ao fitar o dentro distante
Tão fora
O baço perfil na vítrea tela
Onde se vê que estás e escudas
Lá fora Lá fora
Tão dentro Tão perto
Quando te buscas pela janela
ABSTRACÇÃO
Fitando a chuva tu olhas
Entre nada e coisa nenhuma há;
E perto das cores que desfolhas
Estás, longe de ti, como quem não está.
És um ponto indiscreto de soletrar
Um silêncio a descoser-se na sutura;
E quando te miras, já te não vês murmurar
Quem querias ser, numa emenda futura.
Podias recorrer à insensatez de sonhar.
Podias esperar na imensidão do dizer.
Porém... preferes, simplesmente, olhar.
Podias esconder a franca nudez de ser.
Podias pensar na contradição de pensar.
Mas no contudo porém, queres apenas olhar!
CÉREBRO
Esse vampiro dum quilo e tal
Que teu corpo alimenta
É quem te torna real
E combate o que nos atormenta.
PROMESSA
É quando o sulfuroso da alma
Se entrega ao desmaiado azul,
E as lacrimais águas se fundem
Num só rio em busca da voz
Que tu e eu, meu amor
Ganhamos sentido nesse futuro que caminha
E baloiça sob a pendular força da incerteza,
Mãos nos bolsos,
Cordel do pião a arrastar na areia...
Nunca o esqueças
Sobretudo se os nossos netos o desconhecerem
Quem são – quem foram.
(RE)ENCONTRO
Ninguém adivinha até onde pode chegar
A distância dobrada pela solidez
Do silêncio, pronto, finito à pequenez
Do verbo – amar é sempre ruptura
Ponto de entrelinhamento , sutura
De conjugação propensa ao ansiar
Ambíguo de escrever a sublime doçura
Dos olhares que se perdem em buscar.
Somos ínfimos, é certo, no sentido pleno
De nos dizermos grandiosos
Num mundo tão pequeno.
“ Onde foi que nos vimos pela última vez?!... “
Façamos de conta que foi na imensidão
Da planície ensolarada dos tempos talvez
Há mil anos junto aos rochosos
Desvãos do silêncio dado da mão.
Há mil anos... Quem diria!...
E ainda nos reconhecemos!... Como quando
Ao fim do trabalho de um longo dia
Nos vamos à beira de ser soletrando!
Tivesse sido ontem, ou já agora:
Há tanto, tanto tempo numa hora!!...
PODIA
Um homem e uma mulher sabem
Sempre quem são se os olhos mentem
O que a voz desdiz – e quedos
Murmuram serenos quadros
Dum imperioso desejo que se quis.
Que apagou pétreos medos
Ao corroído silêncio dos segredos
E fez do ser um campo de aventura,
Qual seara ondulante sob a brisa da ternura.
Podia até haver temporal! Podia
Até o sol cair a pique na planície!
Podia até o sonho revulsionado
Naufragar nas escarpas da crendice,
Que o dia seria de constante calmaria
A pairar no olhar apaixonado
Dum homem, duma mulher... Que se queria!
FINALMENTE
As horas passam diluídas
Na espera dum ocaso diferente.
São sinais de morse, pontos ..
Traços - -, .. pontos, a terçar encontros
Nos S O S da gente.
São fazeres de assim,
Olhares de dizer nas vidas:
Até que enfim!
SEM-DOER QUE TANTO DÓI
É sem fim este buscar desencontros.
Este pedir à dor que seja única-
Mente imaginária perdida noutros,
Mas sempre presente, como túnica,
Manto, que descaído me cobre os ombros...
Hei-de ser sem dúvida, o que mais
De amor sofreu sem nunca amar
Ninguém, alguma vez sequer, em tais
Suplícios de palavras por lavrar;
Fingindo-se elas autênticas e reais
Que, contudo, embora o sofrer constante
Feito palavra, a dor é mais cortante
Se das outras simples e corporais
Pretendida esta em órgãos ideais!
MUSA
Olha desconhecida!... O acaso mexe-se
E surpreende-nos com seus tentáculos
Na orla do verbo dos verbos, e esquece-se
De ser o que nunca foi pelos oráculos
Da vida.
São coisas profundas essas!
As paixões carcomidas, as desditas
Com que pedimos meças
Às palavras esquecidas.
Hermafroditas
Pontos de referência na malquerença
Tida;
As bexigas da vida.
Sinais de somenos, asteriscos da diferença
A escorrer do rosto, cruéis, brutais
No acatar da sentença:
Tu és a causa – eu sou a consequência.
DIÁRIA EM CINCO ESTRELAS
Vê a manhã colorida pelas casas
Duma rua de sol, cães vagabundos,
Bolas aos hexágonos escorrendo nas valetas
E bicicletas estacionadas sem ordem nem zelo.
É aí que eu resido e me demoro
Quando tudo aquilo que tenho
A fazer é deveras mais importante.
Nunca obedeço aos imperativos da disciplina
Numa manhã assim sou anarquista
Para almoçar como um nobre burguês
E deitar-me pouco depois de descambar
Na crítica materialista e no socialismo.
Ao adormecer sou sempre comunista
Para que os sonhos madrugadores me libertem
Da opressão de Estado e possa erguer-me
Sem mácula, arrependimento, saudades.
Finalmente kitsch, na manhã soalheira
Os olhos ramelosos mas a alma limpa.
MARI(A)POSA
l.
Guardas a avareza de Israel
A luxúria de Roma – bebe neste sol... bebe!
Vives na aspereza da morte
Da sorte
Em gestos lentos de quem passaja tempo
- Bebe neste sol... Bebe!
A planície lá ao fundo respira ( ainda )
Como quadro crispado se
Sobre sendo.
As horas rompem másculas
O silêncio
Em separata e cuidados.
Receias-te e recompões-te sequencialmente
Sem notar que há mar e fogo e sede.
Sonhas e sondas o hemisfério
Pó
Pela sinédoque do arco do arco-íris
- Bebe neste sol... Bebe!
2.
A alva lava está entre mim e ti.
Com ela mergulho – pertenço-te.
GESTO DE CRINA
Tenho um pássaro nesta mão
E um mundo na outra;
Mas só a primeira é que voa.
Faço com ela viagens
Esdrúxulas ou ternas
E penso
E a noite vai.
Faço adornos no teu cabelo
De flores e sonhos
E desejo
E a noite vai.
E quando ainda é noite
E eu já não preciso de ti,
Tu não estás
E, no entanto... Existes.
MURMÚRIO
Na tua rua a lua nua
Voa tão rés que nem soa
O luar a rasar a face tua
Sob o silêncio c’a entoa
ORAÇÃO A S. VALENTIM
( “ What’s in a name? That we call a rose
By any other name would as sweet. “ )
Às vezes perguntamos ao nosso caminho
Quem somos nós
Ou a nós mesmos qual é o nosso caminho.
E não sabemos como sair da baralhação dos sentidos.
Fazemos dos sentimentos um escudo que nos ataca
E não ouvimos distintamente os segredos
Que a vida tem para nos contar.
Mas também às vezes, quando amanhece nebuloso
Ou o sol se nega a repetir que temos em nós tudo
Principalmente aquilo que ele mais ama
Com sua voz de violar-nos a alma pelos olhos
Uma rosa vermelha vem pousar-nos em frente,
E dizer-nos que ainda é possível a ousadia
Que ainda é possível o sonho
Que ainda é possível o sorriso
Que ainda é possível a ternura...
Porque mais do que a voz e a língua
Há o silêncio de um olhar que significa.
SOU NADA SEM TI
Por mil anos que vivêssemos jamais conseguiria
Deixar de sofrer por cada Sexta-feira em que partes,
Como se ficasse amputado de vitais partes
Órgãos essenciais, membros sem os quais não viveria.
Porque sou um morto sem ti... Uma alma penada!
Um registo apagado. Um mutante sem futuro.
Um quasimodo. A elevada potência de nada.
A raiz quadrada de ninguém. Um grafite sem muro!
Porque sou a encarnação do desespero puro...
Gesto tímido de menino abandonado e inseguro.
Uma força escondida sob a esperança decepada
De esperar-te verso a verso, suplício das artes
Em fazer rimar amor com desejo, ou até futuro
Com regresso. E a saudade? É a dor com que me partes.
UM COPO NA TARDE
( Março, Praça da República )
Pôs-se o sol.
Eis que as sombras deslizam
Mais francas,
Menos disfarçadas
Mais macias
Pelo aveludado da cor.
Já sonâmbula, a cerveja
Apetece pela indeterminação
Do ocaso
Submisso
Escorregadio.
Mas sempre silencioso
Na glote que inebria.
ESTRADA FORA
Não há estrada sem chegada
Não há estrada sem partida
Duma tens a vida dada
Doutra tens a vida tida
Não há estrada sem chegada
Nem chegada sem partida
Vai no corpo sem sinal
Foge ao verde e encarnado
Cria o quadro animal
De querer o cativado
VAI VOLTA CONQUISTADO
VAI E SOLTA DERROTADO
Vai no empréstimo animal
A essa estrada sem partida
E faz da chegada um sinal
De quem inventa vida tida
VAI E SOLTA DERROTADO
VAI E VOLTA CONQUISTADO
Atesta o coração na festa
Desta gesta que nos resta
É um gesto que te invisto
É um sonho que t’empresto
Cresta a fresta deste xisto
Nesta estrada em que resto
Dá ao corpo são abraço
Foge ao dever e solidão
Parte pelo contínuo traço
Dum caminho sem senão
VAI E SOLTA DESTINADO
VAI E VOLTA CONQUISTADO
Se não partes neste abraço
Que cresta como a solidão
Tolhe-te o gesto e o traço
E ficas massa de alcatrão
VAI E SOLTA DESTINADO
VAI E SOLTA DERROTADO
VAI E VOLTA CONQUISTADO
RODOVIÁRIA DA PARTIDA COM TRÊS PARAGENS
l.
O desejo é uma flor.
E a saudade? Um regador.
Mas a minha mensagem é o grito
Grito
Grito
O
o
t
i
r
g
O
De não estares aqui...
Pouco a pouco.
Refaz-se a simbiose
Em solid(ão)
A(r)i(e)dade
E o sol... Nascerá em apoteose.
Todavia agora, se algo não entenderes
Olha as árvores que passam.
2.
Parece-me que tudo se pode passar entre nós.
Parece-me que cada um se torna outro quando nos encontramos.
Parece-me ficar doente se nos afastamos.
Parece-me que quando ficamos a sós
Sinto um contentamento contente
Uma alegria alegre
Uma unicidade única
Um fogo
Um gesto
Um brilho
Que me arrebata todo duma vez
E me atira em viagem vertiginosa
Alucinante
E total.
Uma tarde disseste:
- Sou terra.
Fiquei atrapalhado por te não saber capaz
De dizer coisas tão belas.
3.
Ontem, mais tarde ainda, durante a noite
Trocaram todas as letras ao meu poema.
Alguém que por aqui passara
Baralhou-mas.
Ontem, durante a madrugada,
Bebi dum trago os mais lindos olhos do mundo;
Mas alguém por aqui passou
E levou-mos consigo.
Ontem, durante a aurora,
Trabalhei na arquitectónica do universo;
Alguém por aqui passou
E deu-lhe nome de terra.
DIZER DIFÍCIL
Fala-me dessas coisas impossíveis
Como respirar quando nos encontramos,
Os momentos de ser o que nos damos,
Os receios de naufragar indesvendáveis.
Fala-me dos gestos esforçados sobre-
Humanos de pôr alguma razão em ser
Credíveis na indiferença que há em deter
O rio do cais que nos abalroe e dobre.
Fala-me do silêncio que em olhar nos diz
Do tanto que nos queremos manter indizíveis
E sucumbindo vamos ouvindo estalar o verniz,
O vingar das expectativas, os sonhos tidos...
Tão despertos e atentos aos esperados momentos
Que de possíveis crêem impor-se como vividos!
NOME DE MAR E VELA
O meu amor tem o cheiro das brisas do mar azul indomesticável
E os trejeitos simples das papoilas silvestres das searas trigueiras
De quando o vento sussurra intrigas à planície luminosa e fértil
Plena de maresia e sôfrega de meus olhos em si derretidos e desmaiados
E veste os mantos do negro estudantil em que esvoaça liberta
Afinando as horas pelo Abril de balada que ao fado acerta.
E joga comigo ao esconde-esconde de janela em janela, estar e ir,
Essa que eu mil vezes fixo nos fins-de-semana e feriados longos
Como se ela fosse a resolução de todos os meus problemas e hiatos.
Qualquer coisa como a moldura única de todas as minhas narrativas.
Universo ilimitado para o jogo de todas as minhas metáforas e elipses.
Campo de batalha para todas as minhas alegorias, imagens e sinédoques.
E comparações e presopopeias e metonímias e ironias e alucinações.
Que nem ela fosse a revelação dos sonhos das milhares de galáxias
Por descobrir e desvendar à plenitude dos corpos e das planícies
Ao infinito brilho de estrela que há em seus olhos de medir o céu.
Porque transporta consigo a esperança e fulgor dos ancestrais
Os genes que me faltavam para eu resumir a história da humanidade
Num só capítulo, todo ele de ir à escola e brincar pelas veredas.
A SARDANISCA
No granítico muro que delimita o canteiro
Das rosas mais mal afamadas da minha aldeia
Costuma estender-se ao comprido do dia soalheiro
Uma lagartixa sarapintada, por sinal nada feia.
Dá-me até a entender, pela sua atitude pensativa
Que medita em êxtase profundo
Sobre os pecados do mundo.
Ou então que me escuta sem cerimónia restritiva
Enquanto declamo por supetão
Alguma estrofe mais exclamativa.
Sendo como é, infiel aos suplícios da estética,
Da rima com rima em forma atlética,
Sucede-lhe por vezes, porém, inclinar a cabeça
Logo que no recital tropece ou a voz da emoção
Me estremeça.
Atenta, arisca, feminil
Esta réptil figura tem ainda
Aquele retoque especial e primaveril
Que São Martinho ao Outono ensina.
Tem trejeitos inteligentes de gente animada
E, se se coça por mor de alguma areia
Palhiço ou delével teia,
Como quem se enfeita ensimesmada
Mirando-se provavelmente em imaginários vitrais,
Quase parece uma tal outra qu’eu conheço
Cujo nomear tão-pouco mereço
E que mora noutros quintais.
Nas tuas faces jovens e malandrecas
Que quando sorriem são traquinas
Matreiras, ladinas
Mas se serenas... imitam a cera das bonecas.
La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Dos calhaus da memória ao empedernido dos tempos
Onde a liquidez da água livre
Também pode alcançar o céu
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