1.07.2026

desiluminado silêncio

 


DESILUMINADO SILÊNCIO

 

Escuto o silêncio de agora...

Nem a neve cai sobre o coreto,

Nem este frio que nos devora

Respira as rimas do soneto.

 

É só manto branco que escora

As sílabas num assíndeto,

Que a transbordar deita fora

Quanto é quente e concreto.

 


Porque concreta é a saudade

É o afeto, ou o jeito de andar,

Os brotos a rebentar nos ramos.

 

Não esse silêncio de frialdade

Que impede os coretos de falar

Acerca da vida a que nos damos.

 

Joaquim Maria Castanho

Com fotos de Elie Andrade


Sem comentários:

Enviar um comentário