Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
2.22.2022
INVENTÁRIO EXISTENCIAL
INVENTÁRIO EXISTENCIAL
Que nada na vida é o que parece
E tudo emana dos seus segredos
Se diz, mas sentir é algo que cresce
Ainda que o faça entre esperas
Contrárias, tão frágeis como várias…
Invernos que são como primaveras,
Prenúncios de secas, vírus e medos.
Ameaças de guerra, confusões diárias,
Férteis para migrações e degredos.
Gripes, inflações, esperanças pueris,
Influências, modas, fatores astrais.
Politiquices imaturas, ou senis…
Desaguisados coletivos, pessoais…
Janeiros que são maios, marços por abris
De importâncias mundanas – e mundiais.
Défices d’economia, revistos em baixa…
Pois nada disso conta, nada vale.
O que sinto é qu’importa, e não cale
A felicidade de ver teus olhos a sorrir
Miríadas estelares, campos a florir,
Se passo junto a ti... – à tua caixa!
Joaquim Maria Castanho
22.02.2022
2.18.2022
QUANDO PASSAS...
QUANDO PASSAS ME LEVAS CONTIGO
Há instantes breves, e soalheiros,
Próprios para atravessar os dias,
Que valem por vários anos inteiros
E são a rotunda essência das poesias.
São ápices disferidos, e certeiros,
A despertar a beleza às fantasias,
A pintar meigas brisas pelos outeiros
No chão fértil das inocentes alegrias.
Clique! – Gota que por nosso ser s’alastra
Como onda que nos invade duna a duna…
Pois sentir, não carece de fortuna
Habilitações ou certidão ou casta;
É uma sede sôfrega e oportuna
Prà qual a vida toda nunca basta!
Joaquim Maria Castanho
18.02.2022
2.04.2022
CHÃO AGRESTE
CHÃO AGRESTE
1. MANEIRA DE SER
Calcetada de compungido silêncio
Eis uma rua que nada diz do que penso
Sob os frios passos magoados do caminho…
Seu semblante comum às idas abandonadas
Regressa ao estio dos cães em vadiagem
Ladra a preto e branco o bicudo escarninho
Por quem atravessa chão que é escadas
E leva às costas a sisudez da bagagem.
Dias escarram nelas a sombra dos plátanos.
Noites cobrem-nas de geadas deslizantes.
Mas ímpios e insensíveis são só pântanos
Onde coaxam as solidões ofegantes
De quem já esperou uma vida inteira
Que lhe reconhecessem normal o andar
Os gestos, a lida, a voz… a sua maneira!
2. OUTRA CHUVA NOS CONFORTA
É subterrânea a sombra
Que a luz dilacera,
Como se faz a uma cobra
Que sonhou ser Quimera.
Que travo trago a trago
Dos olhos que ora me norteiam,
E iludem o seco vago
Para em vez dele porem
O porém
Do amor, e carinho que semeiam.
Então, viradas para cima
As raízes da incerteza,
Eis que muda agora o clima
Chovendo-me na alma… Mas só beleza!
Joaquim Maria Castanho