Convite para partilhar caminhos de leitura e uma abertura para os mundos virtuais e virtuososos da escrita sem rede nem receios de censura. Ah, e não esquecer que os e-mails de serviço são osverdes.ptg@gmail.com ou castanhoster@gmail.com FORÇA!!! Digam de vossa justiça!
2.27.2019
BORBOLOTEIO
BORBOLOTEIO
Digo-me com o verbo na mão...
Reescrevo-te os lhos, faces
Na companhia dessa solidão
Onde se desenvolvem enlaces.
Tens a beleza simples e grata
Que nos dias ensolarados,
Deixa de ser só uma lagarta
Pra nascer em sonhos alados
De coloridos trajes a rigor,
Onde os corpos, por desejados
Volteiam nas asas do amor...
Então, dada por cumprida a missão
A sua vida pode expirar,
Que quem a lagartas deu atenção
Sempre sonhos tem a borboletear.
Joaquim Maria Castanho
2.18.2019
O DESTINO DAS LAGARTAS
O
DESTINO DAS LAGARTAS
Pré-borboletas
em trânsito lagartas são
E
seguem em fila pelas azinhagas,
Hão
de voar qualquer dia, ou talvez não
À
parte os encontros que venham a ter...
Se
com naturezas funestas e aziagas
Não
se lhe adivinha bom fim nem razão
Já
que as vão matar ou somente comer!
Joaquim
Maria Castanho
2.17.2019
AS FLORES DO BEM
AS
FLORES DO BEM
Surgiram
no quintal
Sem
ninguém esperar
– Click!!!
– quatro flores
Que
ao invés do mal
Na
florest’às cores
Pareciam
brincar
Só
a ser felizes.
As
duas pequenas
Ao
colo das grandes
(Que
seriam fadas
Pla
certa), serenas
Já
inventavam sons,
Assim
concertadas,
Uns
maus, outros bons,
Graves
ou gritantes,
Imensos,
petizes,
Com/sem
deslizes
No
modesto falar
Língua
das flores
Da
florest’às cores.
Não
sei que diziam
Pela
ecolalia…
Não
fui iniciado
Com
a melodia
Do
entendimento,
Ond’elas
faziam
O
doutoramento.
Mas
tenho olhado
Para
tantas flores
Da
florest’às cores,
Qu’é
afiançado
Nesta
sinfonia
O
fazer dobrado
O
que ninguém requer…
Plo
que desconfio
Estavam
a dizer
«Vivo
do arrepio,
Faça
o que fizer.»
Coisa
de poetas
Que
não me engana,
Chamado
d’alertas
Pela
sua cigana…
Qu’é
isso que cantam
Pla
melancolia
Na
ecolalia
Que
o sonho requer,
Quand’assim
andam
Pla
florest’às cores
Com
seus amores
A
brincar felizes…
– Flores
e petizes!
Joaquim
Maria Castanho
BRISA ACROBÁTICA
BRISA ACROBÁTICA
Junto às muralhas gastas (a esfarelarem-se) a teenager faz o pino:
Os calcanhares encostados a pique na parede de pedra sulcada
E lhe desce tanto o vestido garrido coxas abaixo desmaiado
Até se lhe ancorar nos púbicos sovacos, a barra sobre a testa
Os cabelos diluindo-se na relva entrelinhada e mansa e fresca
Onde os gatos cabriolam de retouça com os corvos de Mármara.
Haverá mínimo crime em ousar o gesto num rompante acrobático?
Que mergulho cometeu seu corpo que tão-só rompeu o infinito
Azul violeta, turquesa doce invertida no mundo de cabeça pra baixo
Na sublime perversão dos sonhos escritos em futuro de ter sido?
Mas serena a língua te explora agora tentando recompor as vestes
Como se fosses desbravada ainda não as curvas descendentes ao verbo
Ainda os pés, os seios
O pescoço, o ventre
As coxas, a boca
A voz
O triângulo da intenção mátria
A serra, o monte-de-Vénus
A planície, a seiva
A ânsia cega de falar.
Serena a língua interpreta
Penetra e inquieta o corpo percorre
O teu país de gritar paixão
Navegar entre continentes incontida
A sombra que tece e invade e em chama analisa
A brisa explode contigo – sim, ela também!!
Joaquim Maria Castanho
Com Foto de Elie Andrade
2.13.2019
A ESTÉTICA - DISCURSO
DISCURSO
SOBRE A ESTÉTICA
E
não é novidade nenhuma;
Sonham
a frio e sonham a quente,
Em
frescas sestas sobre caruma.
Às
tardes, no areal à beira-mar
A
ver o pôr do sol sobre as águas
Ou
a gritar à lua, e a fintar
Ansiedades,
medos e mágoas.
Os
sonhos sonham isto e aquilo.
Cavalgam
em cavalos-marinhos.
Têm
arados puxados por esquilo.
Nas
cabeças ocas fazem ninhos.
Os
sonhos, sonham – é tão certeza
Que
a dúvida, se nasce, morre
Logo,
e em vista disto só discorre
Se
o puder fazer sobre a beleza.
Joaquim
Maria Castanho
A MAIS LINDA DO MUNDO
O FADO DO LAR
Por amor duma caixeira
Sou um homem destroçado,
Pois ela foi a primeira
Por quem vivo em cuidado.
«Puxo coisa, meto o dedo,
Passo código digital;
Faço-o com tanto segredo
Que até ele acha normal.»
Ajudo prà reciclagem
Ando de sacola na mão,
Facilito na contagem
Pagando sempre em cartão.
«Abro o saco, meto-o dentro,
Dou desconto e destaco;
Ponho a barra no centro
Peso fruta apalpo o naco.»
Sou um bom homem já se vê
Passeio o cão, leio o jornal,
E não me meto em sarilhos;
Com o preço certo na TV
Eu dou a papa nos filhos.
«Dou-lhe instrução e carta,
Deixo-o empurrar carrinhos
Desse modelo virginal
Com qu’este povo acarta
Nossa alma plos caminhos.»
Quand’há bicha na caixa
Olho com viés profundo,
Pio a ver se se despacha
A mais linda do mundo.
«Peço prò laço em baixa
Aperto o nó num segundo,
E ind’assim ele me acha
A mais linda do mundo.»
A mais linda do mundo
A mais linda do mundo
A mais linda do mundo
A mais linda do mundo
Joaquim Maria Castanho
2.05.2019
DESCENDENTE É O POENTE
POENTE
DESCENDENTE
Tu
és todas as soluções
Possíveis
e imaginárias
Por
cujos testes e padrões
Florescem
pessoas várias...
E
na diferença premente
Em
que esbarram ilusões,
Cresces
sobre a luz diária
Pondo-a
tua dependente.
Não
há homens nem mulheres
Nem
pressupostos da idade,
Que
se fizeres o que quiseres
Só
encontrarás humanidade.
Joaquim
Maria Castanho
2.03.2019
POEMA DOMINICAL
POEMA
DOMINICAL
Pela
orla da luz a pérola da voz
Redesenha
os contornos, as matizes
Onde
toda a gente e cada um de nós
Se
liberta dos seus nós e deslizes...
Mas
ninguém conta por quantos sofreu
Embora
nunca esqueça porque o fez;
Uns
batem no peito e gritam «não fui eu!»
Outros,
a quem nasceu alguma sensatez
Rebatem,
debatem-se com credos vários
E,
só pra serem dos demais contrários,
Mergulham
nas fétidas águas do Ganges
E
castos, misericordiosos e langues
Erguem
olhos prò céu e murmuram: TALVEZ.
Joaquim
Maria Castanho
2.02.2019
JANELAS DO OLHAR, DA ALMA E DO AMAR
ÀS
JANELAS DO OLHAR
O
meu amor é flor gentil
Cujos
lábios são de jasmim,
Com
pétalas de beijos mil
Se
afloram já sobre mim
Têm
a sofreguidão macia
Suave,
do mel e do cetim,
E
a doçura da poesia
Que
há nos amores sem fim.
É
duma loucura tão sã
Que
arrepia só de vê-la...
Se
à tarde, fica manhã
Impossível
esquecê-la,
Que
todo o dia penso nela
Com
um fulgor pertinaz
Tão
gentil, mas também bela
Que
seus olhos são a janela
Onde
pendurado me traz.
Joaquim
Maria Castanho
2.01.2019
QUANDO NÃO HÁ CERTEZA, CULPAM-SE OS ELEMENTOS E A NATUREZA
A CULPA É DO VENTO
Empurro o sol contra o vento
Para lhe secar de vez a voz,
Mas descobre-me o intento
E eis que é o vento a empurrar-nos a nós.
De nada nos desculpa agora
Acabou-se-lhe, enfim, a paciência;
E quando sopra para fora
Atinge-nos em cheio na consciência.
A mim, sei bem porquê, já os demais...
Já aos demais desconheço as razões.
A tantos disse serem causas globais
Que poucos lhe reparam nas alterações!
Joaquim Maria Castanho













