POALHA DE VERÃO
A criança clandestina que abrigas em ti
Esse tripulante sem contrato que te conduz
Anda a monte da infância que não viveste
Como cego sem sepultura numa oração de luz.
Portanto, deixa escorrer os cabelos molhados
E sobre o dorso direito descansa o pensamento
O lânguido torpor de aspergir os cuidados
Deixá-los vogar nas ondas, desfraldar os ventos
Ao vento dos sonhos o vento o vento aos ventos.
É o teu dia de areia, clepsidra da praia do tempo…
A duna do ser adormece ainda como uma raiz
Que anseia germinar sobre o que dela mesma diz!