Evelda, A Vénus-mãe
Joga com o Destino
E ganha-lhe uns mil reis
Manipuladora, maquiavélica.
Descobriu-se mais mulher
Mulher que se vinga
Quando lhe recusam o prazer
Que é anjo e demónio
Porque é selvagem
Sabe-se animal.
Sente-se vingada
Agredio-o
Com ódio e tesão á mistura.
Só porque lhe negou prazer
Obteve-o então, a espancar o outro
Numa tentativa de a humilhar, disse-lhe:
“Esmurraste-me como um homem!”
Um balão que rebenta
Marcou-a com dois riscos de sangue
Um em cada maçã do rosto angélico
Como o fazem em tribos indias.
Ela, ria,gargalhas de bruxa-má
Esporrando-se de alegria.
Quando lhe destruíu aquilo que tomava por vida
Casa de paredes falsas.
Ela soprou,
E o pó voou.
Só ficou a Flor de Lótus.
“Vives, sabéis, numa cova de paredes de lustro”
Aconselhava, condoída em piedade,
A fazer tudo aquilo que lhe provocou.
Desespero, o salto ao precípicio,
Para o arranque de uma vida feliz.
“Salvei-te, cego macho alfa,
E tu nem percebes.”
Um dia, se tiver sorte,
Abrirá os olhos
E colocará Evelda no seu pedestal!
Castrado e desacrediado,
Jura vingança de morte á mulher-vida!
Mas por agora, chora e embriaga-se
P’ra esquecer aquilo que nem dá conta que não é.
Houve o prenúncio, a Queda da Andorinha!
“Sempre soube que iria ser assim:
Quem me amar estará perdido”
Á quem diga que Evelda
Estava apaixonada por ele;
Mas a única coisa que desejava,
Tinha forma fálica.
“Não dominas interstícios
Viste um anjo e nem adoras.
Não te amo, não.”
Espiral fugidia
Sou pura flor da pele,
Mataram o Ozono!
Os meus semelhantes
Despoletam-me emoções puras
Sabem na ponta da lingua a minha anatomia emocional.
Levam-me ao abismo de ser
Sem a cerca p’ró gado que cobra a liberdade.
Cerca de hipocrisia
Tijolos e mais tijolos de medo tacanho
Colados com patê de rostos desfigurados p’lo terror
Tatuam-lhes códigos de barra na pele
E baptizam-os de cidadãos
E sou eu a sarcástica, eu a louca?
Loucos são aqueles
Que se embrulham com tecidos da moda;
Marionetas de um Deus que castiga
Ou movidos por o vento do Ateísmo
Pensam que pensam, sem pensar.
Nas cabeças, rodas e molas mecânicas,
Gasolinadas pelo Consumismo.
P´lo Ter, borrando-se em Ser.
Agitam-se revoluções na janela
De grades ferrugíneas e empoeiradas
E as pessoas sentadas
comem e digerem
As massas de nutrientes.
Olham, de olhos esbugalhados
Mortos que comem mortos.
Mais um copo de tinto
E tudo foi esquecido.
Não é assim Portugal?
O máximo de sensibilidade está no borracho,
Que, mal de amores,
canta bêbado num Karaoke
esquecido num beco infectado de mijo vagabundo,
de homens e gatos,
que canta o “Já fui ao Brasil”
e chora de vergonha.
Chora porque quase vislumbra
O atolado de podridão onde sobrevivemos.
Carmen